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Vasco Pereira Coutinho: “Já estou cansado da Tia Bli. Vou parar de fazer? Acho que não”

· 44 min · S1 E11

Episode Vasco Pereira Coutinho: “Já estou cansado da Tia Bli. Vou parar de fazer? Acho que não”

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Vasco Pereira Coutinho tinha mais de 30 anos quando descobriu a sua verdadeira vocação. Foi seminarista, trabalhou com deficientes profundos e foi terapeuta de toxicodependentes em recuperação. Tudo isto antes de começar a misturar o humor com a representação nas redes sociais, onde dá vida a inúmeras personagens, fazendo rir os mais de 209 mil seguidores. Há quem só o conheça como Tia Bli, mas é no palco que se encontra verdadeiramente.

Foi como se Vasco tivesse andando a tentar fintar o seu destino durante mais de três décadas. Na infância, já era o actor da família e imitava tudo e todos, sendo o responsável pelos musicais da escola. Lembra-se de ainda da emoção que foi ver o Moulin Rouge na sua adolescência, antes de o pai o fazer ver que o seu futuro era na representação e o incentivar a fazer a audição para o conservatório. Mas um “não” mudou tudo.

Encontrou força na fé e no auxílio aos outros, que pensou ser a sua verdadeira vocação (talvez fazer humor tenha muito deste altruísmo também, como disse o Papa Francisco aos humoristas no Vaticano, em 2024). Deixou tudo, até o telemóvel e as chaves de casa, e foi para o seminário em Roma. “O silêncio foi a coisa mais importante que aprendi no seminário e que ainda hoje procuro activamente fazê-lo”, recorda em entrevista ao PÚBLICO no 11.º episódio de A Vida Não é o Que Aparece. “O silêncio não é um momento vago de distracção. Descobri muita coisa sobre mim, descobri imensa coisa sobre Deus. Continuo a fazê-lo sempre que posso.”

Mas teve de lidar com a desilusão de que ainda não era aquele caminho o seu tão ambicionado “para sempre”. De regresso, ainda tentava encontrar-se, quando as suas personagens o encontraram a si. Foi nas redes sociais que começou a dar vida à professora Regina, à enfermeira Lurdes ou à Tia Bli, hoje a sua faceta mais conhecida. “Acho que há uma coisa que acho que é a chave para o sucesso das personagens: não tenho nenhum preconceito sobre elas. Isso torna-as humanas e aproxima o público porque exponho a humanidade destas personagens sem nenhum juízo crítico”, considera.

Ainda assim, confessa: “Já estou cansado da Tia Bli, mas não interessa o que eu penso. As pessoas gostam e gosto de dar isto às pessoas.” Os fãs podem “acalmar-se imediatamente” (uma expressão da Tia Bli, que tem um podcast semanal na Rádio Renascença) porque Vasco pereira Coutinho não vai deixar de interpretar a personagem. “Sinto que há várias horas da minha semana em que tenho de parar de pensar como eu penso para pensar como é que a Tia Bli pensa. É entrar e sair de uma personagem. É cansativo.”

Agora, está também nos palcos, até ao final de Maio, com Superstar no Auditório Casino do Estoril. “Já me disseram ‘tu não és lá das redes sociais?’ Sou. E também sou actor. Acho que uma coisa não impede a outra”, defende, desabafando que sofre com a síndrome do impostor, mas que isso “não impede de fazer nada”, apesar de “ser uma canseira” viver na sua “cabeça”.

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