# Episódio #35: 8 semanas consecutivas de queda no Ibovespa, a pior sequência desde a década de 70

An episode of [Tá no preço?](https://invisiblenetwork.ai/podcast/6791758487), 5 Jun 2026, 28 min.

Audio: https://anchor.fm/s/11134a258/podcast/play/121071615/https%3A%2F%2Fd3ctxlq1ktw2nl.cloudfront.net%2Fstaging%2F2026-5-5%2F425598329-44100-2-a5a39033d9371.m4a

No episódio de hoje, comentamos a histórica sequência de oito semanas consecutivas de queda do Ibovespa, algo que não era visto desde a década de 1970. Explicamos por que o mercado mudou tão rapidamente suas expectativas para a economia brasileira e como a perspectiva de juros elevados por mais tempo tem pressionado a bolsa. Também falamos sobre a alta dos prêmios dos títulos públicos brasileiros, que voltaram a oferecer retornos bastante atrativos para os investidores, aumentando a concorrência da renda fixa com a renda variável. No cenário internacional, analisamos os dados do Payroll dos Estados Unidos, que vieram acima das expectativas e reforçaram a visão de uma economia americana ainda aquecida. Com isso, aumentaram as apostas de que o Federal Reserve poderá manter os juros elevados por mais tempo, fortalecendo o dólar frente às moedas emergentes, incluindo o real. Um episódio para entender como juros, mercado de trabalho americano, dólar e renda fixa estão influenciando os investimentos no Brasil e no mundo.

## Transcript

[0:09] Nem tudo que parece barato e oportunidade e nem tudo que
[0:12] parece caro está fora do radar. Meu nome é Ana Laura Magalhães.
[0:16] Eu sou especialista em investimentos e todos os dias eu
[0:18] venho aqui com Tatiana Pinheiro, doutora em economia, para
[0:21] traduzir para vocês, nossos ouvintes, o que aparece aqui na
[0:25] nossa tela depois de todo fechamento de mercado.
[0:28] Todo dia um olhar de economia e investimentos para te ajudar a
[0:31] entender o mercado e o que fazer com ele.
[0:34] Hoje é dia 5/06/2026, são 19 horas e 13 minutos e este é o
[0:42] nosso episódio número 35. 35. 35 tudo bem com você, Tati?
[0:49] Tudo bem, e você, Ana? Tudo ótimo também uma
[0:52] sexta-feira leve. Né, aqui de negociações, porque
[0:56] a gente tá falando num dia pós feriado, pós Corpus Christi aqui
[1:01] no Brasil, num dia sem negociação na bolsa, que vem
[1:04] aqui com um hiato muito grande, né?
[1:07] Não teve negociação ontem, na quinta-feira, não tem negociação
[1:09] amanhã e nem domingo. Então a gente fica ali com o dia
[1:12] meio singular, sabe? Num feriado que podia ter sido
[1:16] emendado na bolsa, mas não foi. Então, hoje a gente não tem boas
[1:20] notícias. Não temos boas notícias porque a
[1:23] bolsa fechou na oitava semana consecutiva de queda.
[1:27] E sabe quando que isso aconteceu?
[1:29] A última vez nos anos 70. O Ibovespa existe desde 1968.
[1:36] E lá em 1972 foi quando AO movimento da bolsa ficou sendo
[1:40] fechado consecutivamente por 10 semanas.
[1:41] E agora a gente vê isso acontecendo há 8 semanas,
[1:45] deixando a bolsa abaixo dos 170000 pontos.
[1:48] Não tem caído muito pontualmente, mas caindo sempre
[1:50] no dia a dia. A gente chega agora no 169000
[1:55] pontos, estando abaixo dos 170000 pontos.
[1:56] Parece até que. Faz muito tempo que a gente
[2:04] falava dos 200000, dos 240000 pontos, mas isso é coisa de 3
[2:09] meses, 4 meses para trás. Então realmente uma deterioração
[2:14] muito grande aqui nas empresas, no valor das empresas que
[2:18] compõem o nosso principal índice da bolsa brasileira.
[2:20] Para vocês terem uma ideia, das 79 ações que compõem o Ibovespa
[2:24] hoje, 66 caíram na semana. E óbvio que isso tudo começa lá,
[2:30] com a guerra entre Estados Unidos, que a gente já fala
[2:33] bastante. Tempo aqui nos episódios.
[2:35] E com toda a pressão no preço de petróleo que isso causou.
[2:40] Essa pressão no preço de petróleo, que acabou aumentando
[2:43] a inflação de forma generalizada no mundo, acabou também chegando
[2:47] em vários outros setores que não só o petrolífero.
[2:50] Eu entendo que neste momento em que a gente vive essa situação,
[2:54] já a esse tempo, né? Não IA falar muito tempo, porque
[2:58] também são. 3 meses, mas tempo suficiente para a gente
[3:02] considerar isso, entre aspas, um novo normal.
[3:05] A gente vê que essa conta já passa a chegar para o próprio
[3:08] consumidor, porque os ativos, eles mudaram de preço.
[3:11] Ao longo desse tempo, e não só aqui, né?
[3:14] No mundo todo, a gente vê realmente o movimento de
[3:16] inflação generalizada e os bancos centrais do mundo todo
[3:19] perdendo um pouquinho a Liberdade de atuação de reduzir
[3:23] taxa de juros lá fora. E aí, quando a gente olha para
[3:25] Brasil, é impressionante a curva de juros que a gente viu.
[3:30] Hoje, o mercado está exigindo uma remuneração.
[3:35] É muito grande para emprestar dinheiro no futuro.
[3:38] Os prêmios dos papéis de longo prazo estão pedindo prêmios
[3:42] muito altos. A gente tá vendo uma curva de
[3:44] juros exorbitante ao longo do tempo.
[3:47] Fechamentos em. 2026 até o final do ano 2027 2032, quando a gente
[3:54] olha para papéis muito longos, a gente vê um movimento enorme.
[3:57] E essa mudança até ajuda a explicar um pouquinho esse
[4:00] comportamento da bolsa, porque quando o mercado passa a
[4:02] trabalhar com juros muito altos por mais tempo e essa
[4:05] precificação já fica definida no presente, os títulos de renda
[4:09] fixa precisam se tornar mais atraentes.
[4:12] Então é natural. Esse fluxo de capital saia de
[4:15] investimentos mais voláteis, como a bolsa, por exemplo, e
[4:18] sejam direcionados para esse mercado de crédito agora, é
[4:21] claro que também fica muito desafiador para o mercado de
[4:25] crédito conseguir pagar o que ele se propõe na hora de emitir
[4:29] um papel desse tipo. Para finalizar, minha fala antes
[4:31] de passar para Tati. Só quero dizer que hoje a gente
[4:34] teve um movimento também no câmbio que precisa ser
[4:36] comentado, hoje o dólar fechou a 5,15 BRL por causa de uma
[4:41] notícia no mercado norte americano.
[4:44] Vamos falar sobre isso, Tati? Vamos vamos falar sobre isso é
[4:47] hoje o dia teve nome e sobrenome e foi payrow, né?
[4:51] Que é a folha de pagamento? Do do do o mercado o estudo, né?
[4:58] Estatística de mercado de trabalho nos Estados Unidos, que
[5:02] é o que a gente acaba chamando de payrow essa essa estatística.
[5:07] O relatório de emprego no mercado americano mostrou a
[5:10] criação de 172000 vagas líquidas em maio.
[5:15] Isso muito acima do consenso, que era em torno de 80000 vagas.
[5:21] Além disso, os números dos meses anteriores foram também
[5:25] revisados para cima, reforçando a percepção de que a economia
[5:28] Americana continua surpreendentemente resiliente.
[5:32] E aí fica a pergunta, será que resiliente?
[5:36] Ou será que a taxa de juros real neutra na economia Americana
[5:43] aumentou? Porque se for isso, realmente a
[5:47] taxa de juros pode não estar apertada o suficiente para fazer
[5:50] o mercado de trabalho desacelerar.
[5:53] Então essa é uma questão que a gente é, a gente vai ver sendo
[5:57] discutido, acho que cada vez mais.
[5:59] Mas voltando aqui para o payrol, o dado tem uma implicação
[6:03] importante que foi em vez do mercado, é continuar discutindo
[6:08] quando que o federal Reserve pode, como o federal Reserve,
[6:11] banco central americano. Pode comer?
[6:14] Pode voltar a cortar juros? O mercado, com esse dado de
[6:18] criação de vagas, com essa pesquisa do mercado de trabalho,
[6:21] o mercado financeiro voltou a discutir se o próximo movimento
[6:27] pode ser justamente o contrário, que é a volta da elevação de
[6:31] juros, a combinação entre o mercado de trabalho aquecido,
[6:35] inflação ainda pressionada? E com os riscos adicionais
[6:40] vindos dessa crise no Golfo, na da do conflito no Golfo Pérsico,
[6:46] que são é que pressionam. O preço do petróleo faz com que
[6:51] o Fed tenha pouco espaço para flexibilizar política monetária.
[6:55] Lê esse corte de juros, então muito pouco espaço para corte de
[7:00] juros adicionais. Outras palavras, AA narrativa
[7:04] dominante mudou nas últimas semanas.
[7:06] Os mercados estavam focados nos riscos geopolíticos agora.
[7:11] Esse dado do de de mercado de trabalho nos Estados Unidos, o
[7:15] centro das atenções voltou para os fundamentos da economia dos
[7:20] Estados Unidos e para trajetória dos juros nos Estados Unidos e
[7:25] essa mudança relevante para o mundo inteiro.
[7:27] Porque lembrando, a taxa de juros do título público
[7:30] americano ainda continua sendo considerado OA taxa de juros
[7:36] livre de risco. Então ela sobe e ela acaba
[7:39] puxando para cima todas as outras taxas de juros no mundo.
[7:44] Taxas de juros. Mais altas por mais tempo nos
[7:48] Estados Unidos significam condições financeiras globais
[7:53] mais apertadas. Porque o preço do dinheiro fica
[7:56] mais caro? Porque essa taxa ainda serve
[7:59] como a taxa livre de risco para todos os ativos no mundo.
[8:04] E aí essa taxa de juros nos Estados Unidos mais alta, ela
[8:08] não só eleva o custo do dinheiro para o resto do mundo.
[8:14] Como também ajuda a fortalecer o dólar, né?
[8:19] O que a gente via no nos últimos meses, desde o ano passado, na
[8:23] realidade, era um movimento de perda de valor do dólar.
[8:28] E agora com esse, com essa, com essa alta de juros nos Estados
[8:34] Unidos, né? A alta de juros da curva de
[8:36] juros nos Estados Unidos, essa perspectiva que talvez o banco
[8:39] central lá tenha que voltar a elevar juros.
[8:43] É OOO dólar. Ele volta a ter um movimento de
[8:47] fortalecimento, ele para de perder valor e ele pode voltar a
[8:51] ter um movimento de fortalecimento frente às demais
[8:55] moedas. E aí aumenta AA notícia que é
[8:59] negativa para o resto do mundo, porque além do custo do
[9:02] dinheiro, está mais alto, porque pode ser que o banco central
[9:05] americano tenha que subir taxa de juros.
[9:09] A relação de câmbio, as moedas estão passam a perder valor.
[9:13] Por quê? Porque a gente também deve ter
[9:16] ou pode voltar a ter 1 USD forte, ou seja, as demais moedas
[9:22] fracas por isso. O perol dessa semana pode ter
[9:27] marcado uma inflexão importante. O mercado passou a questionar se
[9:31] estamos entrando no novo regime de juros globais mais elevados,
[9:36] por mais tempo. E eu jogo a questão aqui mais
[9:40] mais profunda que isso, talvez pelas condições de endividamento
[9:45] maior de todos os governos, seja dos países avançados, seja dos.
[9:51] É em desenvolvimento. Essa crise do petróleo, que não
[9:55] tem uma solução de curto prazo, é visível.
[10:00] Isso tudo culmina num questionamento de talvez a taxa
[10:04] de juros real neutra para as economias seja avançadas, seja
[10:10] as emergentes tenha sido aumentada.
[10:13] E aí a gente não vai ter uma queda de juros nem agora, nem no
[10:17] médio prazo, nem no longo prazo. A gente não vai ver as taxas de
[10:21] juros voltando para os patamares que a gente viveu ali entre 2010
[10:26] e 2020. É verdade o número de empregos
[10:30] criados nos Estados Unidos, esse payrow que é esse dado que a
[10:33] Tati acabou de explicar. Ele aumentou em 172000 vagas em
[10:38] maio e o esperado pelo consenso de mercado era 85000.
[10:42] E existe uma relação muito interessante quando a gente fala
[10:45] sobre economia nesse nessa relação entre o nível de emprego
[10:51] e taxa de juros, porque quanto menor o desemprego, mais forte
[10:55] significa que está aquela economia.
[10:57] Então, se as empresas continuam contratando, tem muita gente
[11:00] empregada, o que é ótimo, claro. Isso significa que a atividade
[11:04] econômica está aquecida. E o que o mercado de trabalho,
[11:07] então, está resistente? Né?
[11:09] Então, uma empresa gerando emprego, a renda das famílias
[11:11] fica crescendo, só que mais emprego também significa mais
[11:15] consumo. Quando as pessoas têm emprego e
[11:17] renda, elas consomem mais. Então são pessoas viajando mais,
[11:21] gastando mais com lazer, financiando mais compras,
[11:24] comprando mais bens, comprando mais serviços e isso mantém a
[11:27] economia num ritmo forte. Só que isso causa, como como
[11:30] consequência, a querida inflação que a gente fala todos os dias
[11:34] aqui, em todos os episódios, né? E claro que o principal objetivo
[11:37] dos bancos centrais hoje. É reduzir nível inflacionário
[11:41] com essa ferramenta que ele tem, que é definição de taxa de
[11:45] juros. Então tudo que a Tati falou
[11:47] agora é exatamente isso, imagine o principal banco central do
[11:49] mundo, né? Que hoje em nível de referência
[11:52] e de relevância ao banco central norte americano, ele tem que
[11:55] trabalhar para reduzir o nível inflacionário dos Estados
[11:58] Unidos, que atualmente também é considerado alto para a economia
[12:01] de lá. E se a economia fica aquecida
[12:03] muito tempo, essa demanda permanece muito forte, os preços
[12:06] podem continuar subindo e isso de.
[12:09] Dificulta essa taxa de juros que ela acabou de descrever.
[12:12] Esse cenário lá é a mesma coisa do que também pode acontecer em
[12:15] todos os outros lugares. E aqui no Brasil a gente tem
[12:18] falado também sobre o nível de desemprego.
[12:21] A gente falou em algum outro episódio recentemente sobre os
[12:24] dados do Caged, sobre o nível de empregabilidade também no
[12:28] Brasil? A gente também tá com o PIB
[12:30] crescendo, com o desemprego cada vez mais reduzido.
[12:34] Isso significa sim, a economia aquecida, mas isso traz como
[12:37] consequência então essa imposto. Habilidade da taxa de juros
[12:40] Futura começar a cair, e isso refletindo nos ativos de renda
[12:44] fixa. Como eu falei na primeira parte
[12:46] aqui desse podcast, já é refletido inclusive também nos
[12:49] títulos de renda fixa aqui no Brasil.
[12:51] Até te falar uma frase muito legal agora, que é sobre a taxa
[12:55] de juros dos títulos públicos nos Estados Unidos, lá é
[12:58] considerado um ativo livre de risco.
[13:00] Isso puxa para cima, né? Todos os outros ativos.
[13:04] Faz com que os outros investimentos nos outros lugares
[13:07] se tornem menos atro ativos. Porque você tem nos Estados
[13:10] Unidos economia mais sólida, emitindo papel, com uma
[13:13] rentabilidade de cada vez mais elevada e atrativa.
[13:16] E os outros ativos acabam ficando meio que deixado de lado
[13:19] pelos investidores. E isso eleva o custo do
[13:21] dinheiro, do dinheiro para o resto do mundo, fortalece o
[13:24] dólar, como ela acabou de explicar, justificando essa alta
[13:27] hoje do dólar a 5,15 BRL. Agora vou trazer um recorte para
[13:31] vocês aqui de Brasil. Hoje a gente teve títulos
[13:34] públicos pagando num pré fixado para 2029, que é um papel
[13:38] considerado até de. A curto prazo, a gente está
[13:40] falando de 3 anos carregando esse ativo, 3 anos de carrego na
[13:44] carteira, 14 e 70% de rentabilidade.
[13:48] Então a gente está falando de mais de 1% de rentabilidade
[13:51] bruta no mês. Para 3 anos, já se chega na
[13:55] menor alíquota de imposto de renda para o ativo de renda
[13:57] fixa, que é uma rentabilidade que a gente já tem entre aspas
[14:01] assegurada. E aí imagina o investidor olha
[14:04] para bolsa, não sabe o quanto vai ganhar com ativo que tem
[14:06] volatilidade. Para que que ele vai escolher
[14:09] uma ação que vai variar de preço o tempo todo?
[14:11] Para que que ele vai recorrer a um fundo imobiliário?
[14:13] Por que que ele vai recorrer a risco se ele já tem uma
[14:16] rentabilidade dessa, entre aspas, garantida?
[14:19] Não gosto de falar garantida sem as aspas, porque a gente nunca
[14:22] sabe o que pode acontecer realmente no mercado, né?
[14:25] Eu tô há bem menos tempo no mercado financeiro que a Tati,
[14:27] mas eu posso dizer que eu já vi um Monte de coisa acontecer na
[14:30] jabuticaba, que é o mercado brasileiro, né?
[14:32] O mercado financeiro que a gente vive hoje, a gente sempre fala
[14:34] isso, mas realmente a gente vive as nossas particularidades
[14:38] também. Agora, o que me chamou atenção,
[14:40] que eu fiquei impressionada, foi o Tesouro IPCA com vencimento em
[14:44] 2032. Ele tá pagando.
[14:47] IPCA mais 8 e 23 posso dizer que essa é uma das maiores taxas que
[14:53] eu já vi nos últimos 10. Anos não é a maior taxa, eu acho
[14:57] que da da história das NPNBA taxa de juro real a 8 e 23, eu
[15:02] acho que tá No No no patamar recorde o movimento, né?
[15:07] Esse movimento, ele reflete a combinação do dólar mais forte,
[15:11] da depreciação das expectativas de inflação, que é uma coisa que
[15:14] a gente. Vem falando aqui, semana após
[15:17] semana que está intensificado por essa pressão do preço do
[15:21] petróleo, as incertezas eleitorais, né?
[15:25] E é mais esse esse cenário sem solução ali do conflito do Golfo
[15:31] Pérsico. Então essa combinação, né?
[15:35] De dólar mais forte, depreciação das expectativas, incertezas
[15:39] eleitorais. Não solução do Golfo Pérsico?
[15:43] Frustração atrás de frustração, semanas após semanas, nessa
[15:47] negociação entre Trump e os iranianos.
[15:50] E isso tudo culmina aí, nessa, nessa expectativa é dessa
[15:56] redução da expectativa de corte de juros, né?
[16:01] Sem falar. Dos gastos públicos, seja
[16:05] diretamente, seja via crédito, que No No podcast de ontem a
[16:09] gente acabou elencando, né? Só na parte de crédito é pra
[16:14] transporte. A gente teve no começo do ano Oo
[16:17] move caminhões e ônibus, aí faz 2 ou 3 semanas o móvel
[16:22] aplicativos. O governo pretende lançar o
[16:24] móvel. Move motos e nisso já se soma
[16:29] quase 100 bilhões, né? Se somar tudo isso, a gente
[16:33] chega. Aí vai chegar fácil em 100
[16:35] bilhões de crédito dado na economia.
[16:38] Era um dinheiro que não se contava no começo do ano.
[16:41] Então é política fiscal e expansionista mesmo.
[16:45] Ou seja, é dinheiro novo no mercado para as pessoas
[16:48] consumirem. Como?
[16:50] Bem, a Ana explicou, e aí as pessoas consumindo mais, elas
[16:53] pressionam obviamente a inflação.
[16:56] E não tem. E se você pressiona a inflação,
[16:58] não tem espaço mesmo para cortar juros.
[17:00] Uma coisa importante de se colocar é que a decisão de juros
[17:04] aqui no Brasil, a próxima decisão é dia 17 de junho.
[17:09] E a expectativa do mercado, que até algumas semanas atrás era de
[17:14] continuidade de juros, hoje, lógico, hoje teve menos, menos
[17:19] liquidez no mercado. Então o movimento foi menor
[17:22] porque é uma ponte de feriado. Mas mesmo assim, o que o mercado
[17:27] hoje precifica? Uma grande dúvida, se o banco
[17:30] central. Tem espaço e vai conseguir
[17:34] cortar juros nesse dia 17 de junho ou não?
[17:37] Então tá aumentando a probabilidade da gente parar nos
[17:41] 14 e 50 de Selic. A gente ficar com 14 e 50 de
[17:45] Selic, o que é um patamar extremamente elevado.
[17:49] Até pra Brasil, que tem um histórico de taxa de juros
[17:53] elevada. 14 e 50 é bastante elevado em termos históricos,
[17:58] mas. Aumentou bastante a
[18:02] probabilidade da taxa de juros parar por aí, pelo menos esse
[18:07] ano de 2026, talvez depois de passada a eleição no final do
[18:09] ano, começo de 2027, com certeza.
[18:12] A gente pode ver aí uma volta do ciclo de corte de juros.
[18:15] Mas está aumentando a probabilidade da gente parar com
[18:18] o banco central, parar com o corte de juros agora nos 14 e
[18:22] 50. Você, Tati, como uma economista
[18:28] de carreira. Econometrista você hoje se fosse
[18:34] presidente do nosso queridíssimo banco central ali, não precisava
[18:37] nem ser presidente. Tava ali no time do galipolo
[18:39] tava olhando pra esses dados, tava vendo nossa inflação,
[18:41] nossos nossos dados de níveis de emprego, essa probabilidade dos
[18:45] 14 e 50. O que que você acha que
[18:48] realmente se materializaria? Não nessa próxima reunião do dia
[18:51] 17, mas até o final do ano. Se você se você pudesse prever
[18:54] uma foto do que vai ser o nosso final do ano no Brasil, assim de
[18:57] informações que que você colocaria?
[18:59] Câmbio é muito difícil, mas juros, juros, eu vou, eu, eu
[19:02] vou. Eu vou ter que te perguntar,
[19:04] como é que você acha que ficaria isso?
[19:05] Olha, eu acho que tem espaço para cortar juros ainda no
[19:10] Brasil. Eu acho que 14 e 50, que é o
[19:13] patamar atual da Selic, é extremamente alto.
[19:17] Mesmo com toda a pressão inflacionária que nós temos da
[19:21] inflação de serviços, que já estava elevada mesmo muito antes
[19:26] dessa crise do Golfo Pérsico e agora adicionando a essa alta de
[19:31] petróleo que acaba pressionando os preços, porque entra como
[19:35] matéria prima para para um Monte de produtos que eu já que a
[19:39] gente já citou aqui. Mesmo com tudo isso, Eu Acredito
[19:43] que 14 e 50 em termos reais, se a gente pensar que a inflação
[19:46] seja de 55 e 50, vamos colocar 5 e 5014 e 50 ainda são 9 de juros
[19:53] real, né? Descontando uma inflação de 5 e
[19:56] 50, que é bem acima aí do do centro da meta.
[19:59] Então eu acho que. O banco central, ele tem que
[20:02] olhar pra frente, né? Se esse esse conflito, ele tem
[20:07] que terminar 1 hora ou outra, porque se é um problema pra
[20:10] gente, imagina pros Estados Unidos.
[20:12] Então não faz sentido, né? Então faz sentido esse conflito
[20:16] terminar aí, o Estreito de ouro ser liberado.
[20:19] Com isso é, você tem espaço pro banco central seguir cortando os
[20:24] juros? Agora, fato é que o banco
[20:27] central, ele não pode ficar olhando pra frente pra sempre.
[20:31] Né? Porque senão corre o risco da
[20:32] inflação acelerar. Então ajudaria muito se a
[20:36] política fiscal fosse mais comedida, menos expansionista,
[20:40] com menos move, move, não sei o quê.
[20:44] Move a, move b, move c tem que parar com esses move, né?
[20:49] Pra que Oo banco central possa voltar pra uma taxa mais
[20:54] palatável. Mas realmente, com essa, com
[20:58] essa política fiscal não sendo como medida, Eu Acredito que o
[21:02] banco central vai, vai, vai encerrar ciclo, talvez não agora
[21:07] em julho, mas realmente para as próximas decisões, o banco
[21:10] central não deve mais cortar juros.
[21:13] Eu vendo o que que eles devem fazer agora, o que Eu Acredito,
[21:17] como é como como economista é e como recomendação de política
[21:23] monetária era que a política monetária tem que olhar adiante
[21:27] e pode e deve sim continuar cortando juros.
[21:30] Agora. A política monetária não
[21:32] trabalhou sozinha e era muito importante.
[21:35] É essencial que a política fiscal ajudasse.
[21:39] E a gente não está vendo isso acontecer.
[21:41] Exatamente. Inclusive recentemente, também
[21:43] no outro episódio, falamos aqui sobre a dívida PIB do Brasil, já
[21:49] superando os 80%, ou seja, 80% do que é produzido aqui, né?
[21:53] Internamente no Brasil é para pagar a dívida.
[21:57] Ou seja, a gente tem pouco espaço realmente de crescimento,
[22:00] é muito endividamento, é bastante alta.
[22:04] Essa questão para a gente simplesmente conseguir é
[22:09] trabalhar. Trabalhar melhor essa questão
[22:10] inflacionária, de emprego e de juros.
[22:12] E achar que só? Cabe ao banco central trabalhar
[22:15] isso, sendo que, na verdade, precisaria realmente ser um
[22:18] trabalho Combinado também com o Ministério da fazenda, né?
[22:22] Com todos os outros, com toda essa política fiscal, que é uma
[22:24] política governamental que hoje trabalha muito através de
[22:28] políticas assistencialistas. É muito gasto mesmo.
[22:32] Não estamos aqui falando se é relevante ou se não é.
[22:35] Existem programas interessantes, outros programas que são muito é
[22:39] supérfluos mesmo que ali entra mais uma premissa de gasto,
[22:42] gasto, gasto, gasto. E aí a gente nunca vai ver essa
[22:45] conta fechando. Né a?
[22:47] Gente, vai estar. Sempre aqui discutindo.
[22:49] Uma coisa para deixar palpável que eu acho que as pessoas têm
[22:52] uma dificuldade de entender, né? Quando se fala de Ah, a dívida
[22:56] bruta está em 80% do PIB, as pessoas falam, Ah, e daí, né?
[22:59] Porque a dívida nos Estados Unidos, pública está quase em
[23:02] 100%, a do Japão é quase 200. Mas a questão é mas, mas a
[23:08] questão é que a taxa de juros na Europa, porque na França é a
[23:12] taxa de juros da do do do banco central europeu é de 2%.
[23:18] Então essa dívida de 100 e poucos por cento está rodando,
[23:21] está pagando juros de 2%, né? A dívida Americana, que é quase
[23:26] 100% do PIB, também está pagando juros de 3 e 75, entre 3 e 53 e
[23:31] 75. A nossa dívida de 80% do PIB ela
[23:35] roda, vamos dizer a Selic de 14 e meio né?
[23:39] É 40% Selic 30% é NTNBEO restante de pré fixado.
[23:45] Então bom que o Prefixado e a Selic como você não tem
[23:49] arbitragem que seja 14 e meio por cento com uma NTNB, então de
[23:53] rodando a 8 e 50 que você falou de juro real.
[24:02] Esse que é o problema, por que que 80% de dívida é um problema
[24:05] para Brasil? Porque essa dívida emitida, ela
[24:09] paga 14 e meio por cento de juros.
[24:12] Vamos, vou usar aqui, a grosso modo, 14%, 14 e meio por cento
[24:18] de juros. Isso inibe qualquer investimento
[24:19] que você faça, qualquer investimento produtivo.
[24:22] Que investimento, qual a empresa dá um retorno?
[24:26] São muito poucos os setores que vão dar um retorno.
[24:32] Maior que vão pagar o capital, mais do que 14 e meio por cento.
[24:38] É uma rentabilidade muito alta. Então isso desincentiva o
[24:41] investimento no Brasil. E é por isso que é o que a Ana
[24:45] está falando, 80% de dívida. Ela reduz crescimento no país.
[24:50] Por quê? Porque o setor privado olha e
[24:53] fala assim, olha, 14 e meio aqui, sem risco.
[24:56] No título público, ou eu coloco aqui e abro uma empresa e tenho
[25:01] o risco de de funcionar, um risco de de mudar as regras e a
[25:06] instituição, a institucionalidade no país tem o
[25:10] risco de conseguir vender ou não conseguir vender.
[25:14] Então, esses 14 e meio, esse patamar de juros, ele inibe
[25:19] crescimento econômico, esse que é o ponto.
[25:22] Né? AO setor público tem essa
[25:24] necessidade de cobrir as contas dele e, para isso, emitir dívida
[25:29] que chega no montante de 80% do PIB, oferecendo 14 e meio de
[25:35] juros, é altamente inibidor de crescimento econômico.
[25:39] Por isso que no Japão dá para ter 200% de dívida e aqui no
[25:46] Brasil não dá para ter 80% de dívida, porque a gente paga
[25:48] muito juros. Por isso eu disse que a gente
[25:53] consegue identificar várias jabuticabas no mercado
[25:56] financeiro brasileiro. Não dá para entender como a
[25:58] gente ainda não quebrou, né? É basicamente isso.
[26:02] É muito bom trabalho, muito bem feito pelas pessoas que tomam as
[26:05] rédeas ali, na hora certa, no lugar certo.
[26:09] A gente, quanto mais a gente estuda, mais a gente vê o quão
[26:11] mirabolante são as coisas. Mas realmente existem saídas,
[26:16] né? E existem alternativas.
[26:18] Então, independente disso, eu quero dizer aqui para os nossos
[26:21] ouvintes que a gente não está vendo o Brasil perto de quebrar.
[26:23] A gente só vê realmente uma agenda muito forte de dívida
[26:28] muito alta, juros muito alto e uma tentativa de inflação
[26:32] controlada. Mas tá tudo bem, vamos nos
[26:35] manter otimistas e na segunda-feira a gente volta com
[26:37] mais um fechamento de mercado, não é?
[26:39] Não é? E tá tudo bem porque a gente tá
[26:41] crescendo. A gente olha lá o crescimento do
[26:43] π. Equipe foi grande.
[26:45] O mercado de trabalho está aquecido, então está tudo bem
[26:48] mesmo. A gente consegue.
[26:50] É um país que consegue. Até quando não sabemos.
[26:53] Mas assim, então. Estamos longe de ter problema é
[26:56] de de de pagamento de dívida ou qualquer coisa do gênero, isso é
[26:59] verdade? É isso aí.
[27:01] Bom, bastante coisa pra gente ir acompanhando.
[27:04] E vale lembrar que nem sempre tudo está no preço que a gente
[27:07] vê na tela. Se vocês gostaram do que
[27:10] aprenderam hoje aqui, sigam essa página do podcast.
[27:13] Comentem, comentem aqui, nesse episódio, conte pra gente o que
[27:16] você mais gostou de aprender. Na segunda-feira, a gente volta
[27:20] com mais uma leitura. Esse episódio contou com font,
[27:23] sleen, InfoMoney, valor Invest e Broadcast até mais.
[27:26] Até mais, tchau, tchau.

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