# T2 - Episódio 2 - Mulungu

An episode of [Axé das Plantas - Cura do Corpo e da Alma](https://invisiblenetwork.ai/podcast/1849155267), 25 Jul 2025, 48 min.

Audio: https://anchor.fm/s/f81c3d6c/podcast/play/105948816/https%3A%2F%2Fd3ctxlq1ktw2nl.cloudfront.net%2Fstaging%2F2025-6-24%2F74a7301a-6a0e-4ed2-33e4-da6866a328bd.mp3

Neste 2º episódio vamos falar da Mulungu, planta nativa da caatinga do Nordeste brasileiro e do Vale do São Francisco, que está ameaçada de extinção. Existem duas espécies conhecidas de Mulungu aqui na Bahia. Suas cascas têm sido comercializadas em casas de produtos naturais do Brasil, geralmente indicada para tratamento de ansiedade e insônia. Ensaios clínicos randomizados e controlados demonstraram o efeito ansiolítico. O nome mulungu vem do tupi mussungú ou muzungú, e, também pode ter origem africana, que significa “pandeiro”, talvez pela semelhança do som produzido ao bater no seu tronco oco.

## Transcript

[0:00] Quem cortou meu pé de molongu? Há anos descobri os sentidos do
[0:05] molongu. Vi um dia uma solitária e ereta
[0:08] árvore em uma fazenda dessas de turismo, em que se conta a
[0:12] história colonial, via a árvore e os seus mistérios, via a
[0:17] árvore e os seus sentidos. No solo da fazenda colonial, a
[0:22] árvore subia ereta, solitária e altiva flores vermelhas sobre um
[0:28] troco quase nu. De galhos e de folhas, mas pleno
[0:32] de cachos, rubros pássaros confiantes, beliscavam as
[0:36] flores. Fiquei tão comovida com a visão
[0:39] da árvore que uma pergunta me brotou em sufocação o nome da
[0:43] árvore? A resposta foi dada sem emoção
[0:46] alguma Mulungu e com um gesto morno, parecendo deslocado do
[0:52] corpo, ela apontou o lugar onde tinha sido a senzala.
[0:57] A dona fazendeira? Respondia um outro indagar meu,
[1:00] que eclodira também em quase estado de asfixia e desespero da
[1:05] janela. Olhei, em petição, as flores.
[1:08] Um cacho caiu em oferecimento, colhi a flor sangue derramado de
[1:14] minha gente, passado que a história contada pela herdeira
[1:18] da fazenda não queria narrar, e caminhando na tarde que se
[1:22] desfazia, levei a flor. Depositando a no Mato que
[1:27] encobria o local onde tinha sido a senzala, se a me olhava e nada
[1:32] entendia esse. Texto é de Conceição Evaristo,
[1:41] uma das maiores escritoras contemporâneas brasileiras, e a
[1:45] voz que você está ouvindo é de Silvana Moura, a nossa diretora.
[1:55] E desde então começou a minha saga sobre o munungu.
[1:58] Me encantou um nome a me lembrar a sonoridade de muitas palavras,
[2:02] originárias das diversas línguas do tronco banto e também
[2:06] indígenas do Brasil. Nas viagens para lá e para cá em
[2:09] solo brasileiro, fixo o olhar nas estradas à procura de pés de
[2:13] munungu. E de tanto procurar, ganhei uma
[2:17] muda da árvore. Plantei o munungu na calçada de
[2:20] minha casa, em Maricá. Em 1 ano e pouquinho o mungu
[2:23] cresceu e floriu. E hoje agora agorinha mesmo,
[2:28] recebi a notícia que cortaram o meu pé de mungu.
[2:32] Cortaram um tô corrente. A Terra esburacada ficou como
[2:37] quase nada. Quem cortou o meu pé de munungu?
[2:41] A prefeitura sem um aviso, sem uma notificação prévia, qualquer
[2:46] alguém dos arredores, algum inimigo oculto que não gosta de
[2:50] ver mununguus e pessoas felizes. Quem cortou o meu pé de munungu?
[2:58] Essa reflexão poética sobre memória, ancestralidade e
[3:02] natureza está no Instagram de dona Conceição Evaristo.
[3:07] Inclusive, ela tem um conto chamado macabéa flor de munungu,
[3:12] inspirado na personagem do livro a hora da Estrela, de Clarice
[3:17] Lispector. Esse conto foi publicado
[3:19] primeiro na coletânea. Clarice Lispector, personagens
[3:23] reescritos em 2023, ganhou uma edição própria, com ilustrações
[3:28] de Luciana Nabuco. Viva Conceição Evaristo.
[3:31] Viva. É impressionante como esse texto
[3:34] dela está relacionado com a planta e o tema do nosso.
[3:40] Episódio de hoje. Olá, eu sou o doutor Victor
[3:59] Diógenes Silva e você está ouvindo o podcast axé das
[4:03] plantas, cura do corpo e da alma, uma produção da
[4:07] Universidade Federal da Bahia em parceria com o podcast viagem
[4:11] gastronômica com o doutor dendê. Este projeto tem o apoio do
[4:16] instituto Serra bileira. Aqui vamos unir os estudos do
[4:22] laboratório de neurofarmacologia aos saberes de comunidades
[4:25] tradicionais sobre as Plantas medicinais do Brasil.
[4:29] E pra me acompanhar nessa jornada, eu conto com uma pessoa
[4:33] muito especial. Chega mais doutor dendê.
[4:36] Oi, minha gente. É um prazer estar com vocês em
[4:39] mais uma temporada. Eu sou Wagner rocha, do podcast
[4:43] viagem gastronômica com o doutor dendê.
[4:45] Eu e Victor vamos levar vocês numa viagem pelo mundo Encantado
[4:49] das Plantas medicinais e dos povos tradicionais, porque sem
[4:54] folha não tem sonho. Sem folha não tem vida, sem
[4:58] folha não tem nada. No episódio de hoje do podcast
[5:06] axé das plantas, cura do corpo e da alma, vamos falar sobre o
[5:09] mulangu, essa árvore tão linda presente em várias regiões do
[5:13] Brasil. E que é muito usada na medicina
[5:15] popular, não é, Vitor? Exatamente Wagner.
[5:19] Na primeira etapa da pesquisa do projeto neurofarmacologia de
[5:22] terreiro, sempre que a gente visitava as comunidades de
[5:26] religiões de matriz africana, a gente perguntava quais plantas
[5:30] eram utilizadas para o tratamento de doenças do sistema
[5:33] nervoso e o molungu sempre era citado como calmante e indicado
[5:38] para insônia e estresse. Já a segunda etapa do projeto
[5:42] neurofarmacologia. Consistia na coleta de partes
[5:46] específicas da planta para a sua identificação botânica.
[5:49] E foi na comunidade quilombola de Remanso, na Chapada
[5:53] Diamantina, que a equipe do projeto de pesquisa teve a sorte
[5:57] de ver um pé de mongu. A árvore estava no quintal de
[6:02] Getúlio Pereira da Silva, uma das lideranças ou locais.
[6:06] Vale lembrar que Getúlio conversou com a gente na
[6:08] primeira temporada do podcast, ele é daquelas pessoas que
[6:12] marcam, né, Victor? Um homem preto, alto, sempre com
[6:16] um sorriso no rosto. Getúlio foi quem nos abriu as
[6:19] portas da comunidade. Ele compartilhou com a gente
[6:22] seus conhecimentos e apresentou as pessoas do Quilombo.
[6:26] Ele é um profundo conhecedor das ervas e Plantas medicinais,
[6:30] saberes que herdou de sua avó, de sua vivência e do Mato.
[6:34] Pois é, Wagner, Getúlio é realmente um verdadeiro guardião
[6:38] da natureza e de seus segredos. E foi graças ao pé de munangu
[6:42] que ele mostrou para a equipe do neurofarmacologia que a gente
[6:46] conseguiu fazer uma exicata. Pera, pera, pera.
[6:50] Devagar, doutor Vitor, explique para os nossos ouvintes o que é
[6:54] uma exicata. Explico, sim.
[6:57] Wagner exicata é uma amostra de partes de planta importantes
[7:02] para a sua identificação botânica, geralmente um galho
[7:05] com folhas e flores. Essas amostras ficam catalogadas
[7:09] em herbários. Que são como bibliotecas de
[7:12] plantas. Ah.
[7:14] Menino, eu já fiz muita esse carta na escola, nas aulas de
[7:17] ciência, a gente pegava folhas, flores, prensava entre páginas
[7:21] de caderno e depois colava na cartolina, colocava o nome da
[7:25] planta e tudo mais. E que legal Wagner.
[7:28] Cada esse carta recebe uma etiqueta com informações
[7:32] importantes, como o nome da planta, o local, a data da
[7:36] coleta e de quem a identificou. A professora Maria lenise Silva
[7:40] Guedes, nossa assessora científica, também é uma das
[7:44] responsáveis pelo herbário Alexandre leal Costa, na ufba,
[7:49] que tem mais de 150000 recicatas.
[7:51] E nós precisamos colocar todas as informações, porque às vezes
[7:56] você coleta uma amostra de planta aqui em Salvador e outra
[8:00] lá na Chapada Diamantina e mesmo que elas sejam da mesma espécie.
[8:05] O local onde foi coletada pode gerar uma modificação
[8:08] morfológica, por isso no herbário pode haver diferentes
[8:13] exicatas da mesma espécie de planta.
[8:16] Hum, então essa chicata você fez com a mostra do mungu que tinha
[8:21] no quintal de Getúlio, né? Agora entendi.
[8:24] Ah, mas tem uma coisa curiosa aí nessa história.
[8:27] Para fazermos nossos estudos em laboratório, precisamos ter
[8:31] certeza de qual espécie estamos lidando.
[8:35] E é importante já dizer que existem 2 espécies conhecidas de
[8:39] mulogu aqui na Bahia, então a professora lenise nos disse que
[8:44] a gente precisava observar o período de inflorescência delas,
[8:48] porque tem planta que só dá flor uma vez por ano, para não
[8:51] fazermos viagem de baldio. Eu adoro nosso bom baianês
[8:57] viagem de balde, ó, para quem não sabe, gente.
[9:01] Viagens de balde aqui no nordeste é quando a gente vai a
[9:04] algum lugar sem avisar ou sem se preparar e quando chega não
[9:08] consegue o que queria, ou seja, perda de tempo.
[9:12] No caso do munungu, a gente precisava pegar um galho com
[9:15] folha e flor, mesmo sabendo que estávamos no final do período da
[9:20] sua influorescência, arriscamos fazer a viagem.
[9:24] E aí, Wagner, o milagre aconteceu quando a gente olhou
[9:28] pra árvore do munongu. Só tinha uma única flor.
[9:33] Então eu pedi pra Getúlio que, pelo amor de Deus, tentasse
[9:37] pegar o galho com aquela flor. E detalhe, a flor do molongo é
[9:42] super leve. Qualquer vento que batesse,
[9:46] qualquer mexida no galho podia fazer com que ela se soltasse.
[9:50] Mas Getúlio conseguiu. Acredite, trouxe o galho com a
[9:54] flor até o chão depois de descer daquela árvore imensa.
[9:58] E assim. A gente fez a identificação
[10:01] botânica através da esse carta coletada no Quilombo Remanso, na
[10:05] Chapada Diamantina. Afivito, que tensão.
[10:09] Eu tô aqui vendo a sua agonia pra saber se Getúlio IA
[10:12] conseguir ou não pegar esse galho com a flor de mongo.
[10:16] Que o mongo realmente é uma planta incrível, que tá presente
[10:21] na nossa cultura do Brasil e tem efeitos muito interessantes,
[10:25] tanto do ponto de vista científico, de estudos mesmo.
[10:28] Como também a gente vê do uso popular realmente o molongou
[10:32] ajudar AA dormir, né? Pessoas que tem dificuldade,
[10:36] principalmente em relação ao sono R.E.M aprofundar esse sono.
[10:39] O molongo pode ajudar e gosto muito de prescrever para caso de
[10:42] depressão também no caso, para ajudar em sintomas depressivos.
[10:46] Ele não vai ser a solução da depressão, mas vai ajudar em
[10:49] sintomas. É uma planta que a gente
[10:51] encontra facilmente para fazer o chá, né?
[10:55] Fazer a decocção, né, da. É da entre casca ou fazer
[10:59] também, ou fazer uma tintura ou cápsula.
[11:01] A gente pode associar, mas é muito interessante pra população
[11:05] adulta. Nós ouvimos a doutora Mariane
[11:10] Ventura, médica negra formada pela Universidade Federal da
[11:14] Bahia, especialista em medicina da família e comunidade.
[11:18] Ela também tem curso de especialização em fitoterapia e
[11:21] há 5 anos estuda e prescreve cannabis para o tratamento de
[11:25] algumas doenças. Ó você dando spoiler, Vitor, a
[11:29] doutora Mariane, gente, vai voltar no terceiro episódio do
[11:32] axé das plantas para falar justamente sobre a cannabis.
[11:36] E aí vocês vão conhecer mais sobre o trabalho dela.
[11:39] E eu já te adianto, viu, que doutora Mariane é uma médica
[11:42] dedicada, que cuida com muito carinho de seus pacientes.
[11:46] Mas voltando ao mungu, vamos ouvir mãe India, responsável
[11:51] pelo terreiro do bogum, em Salvador.
[11:53] Ela esteve conosco no primeiro episódio da segunda temporada do
[11:56] axé das plantas. O bogum é um terreiro da nação
[11:59] gege e cotus vodunz, entidades que vieram do antigo Reino do
[12:03] baomé, atual beni. Essa folha é de ajam sul também,
[12:11] né molongum? Folha de ajam, sul também.
[12:13] E é bem procurado. E a gente aqui não não encontra
[12:16] nela, é é uma folha difícil. Já teve aqui no?
[12:21] Bogum já, já sim. Por isso que eu estou dizendo a
[12:25] você que a gente sente falta de muitas folhas, né?
[12:29] Mas já teve. Sim, sim, tinha.
[12:32] Bastante. A gente não.
[12:33] Não tinha necessidade de sair daqui, de ir na paralela, de ir
[12:37] lá para o lado do cio para pegar folha, porque aqui tinha todas
[12:39] as folhas, né? Tinha tudo sem água, sem Mato e
[12:45] sem Terra. O gesso não sobreve, porque o
[12:47] gesso tem tudo a ver com a com a Terra, tem tudo a ver com as com
[12:51] o Mato. Né?
[12:53] Tem tudo a ver com água, porque sem água você não pode fazer
[12:57] nada, você não pode fazer uma macia, você não pode tomar um
[12:59] banho, você não pode fazer nada, né?
[13:01] EAE as e as folhas, né? A gente tem que ter as folhas
[13:05] nas nossas folhas sagradas. O amassi que mãe Índia cita é um
[13:09] banho de ervas sagradas que se faz nas religiões de matriz
[13:11] africana para a purificação. Mas nessa hora da conversa, mãe
[13:16] Índia aponta para um problema muito Sério que vivemos hoje, o
[13:20] desmatamento. O Brasil tem uma
[13:22] responsabilidade muito grande nessa questão porque a mata
[13:26] Atlântica, bioma do moongu, é considerado um dos ecossistemas
[13:31] mais ricos e biodiversos do mundo, com uma enorme variedade
[13:34] de espécies de plantas e animais.
[13:36] Infelizmente, esse bioma também é um dos mais ameaçados, tendo
[13:40] perdido grande parte da sua cobertura original.
[13:44] Segundo informações da fundação SOS mata Atlântica, esse
[13:48] ecossistema. Está presente em 17 estados
[13:52] brasileiros, incluindo a Bahia, e se estende desde o Rio Grande
[13:56] do Norte até o Rio Grande do Sul.
[13:59] Um estudo publicado recentemente na Nature sustainability revelou
[14:03] que mais de 186000 ha de florestas maduras de mata
[14:07] Atlântica foram perdidos entre 2010 e 2020, sendo a maior parte
[14:13] derrubada em propriedades privadas.
[14:15] Gente? Estamos falando aqui de uma área
[14:18] equivalente a 183000 estádios de futebol e desmatamento.
[14:22] Consegue imaginar? Ah, pois a situação da mata
[14:26] Atlântica e de outros biomas brasileiros é crítica.
[14:30] Eu quero aproveitar e trazer aqui a situação da Amazônia, o
[14:33] maior bioma do mundo é um ecossistema indispensável para
[14:37] regulação do clima global. A preservação da biodiversidade
[14:41] e o equilíbrio ambiental. A Amazônia sofre com o
[14:44] desmatamento há muito tempo, mas foi a partir do ciclo da
[14:47] borracha, no século 19, que milhares de pessoas passaram a
[14:51] trabalhar no coração da floresta.
[14:53] Depois, na década de 70, durante a ditadura militar, o
[14:57] desmatamento aumentou muito mais estradas foram abertas cortando
[15:01] a mata e extensas áreas foram transformadas em pasto.
[15:05] A história mostra que o tratamento dado a essa floresta.
[15:09] Está diretamente relacionado ao perfil de gestão federal.
[15:13] Entre 2019 e 2022, os índices de desmatamento atingiram níveis
[15:20] alarmantes. Encontramos informações no site
[15:23] da informazônia que mostram que só em 2021, mais de 13000 km² de
[15:29] floresta foram derrubados. Detalhe, esse é o maior registro
[15:34] de desmatamento anual em 15 anos.
[15:37] Até 2021. A Amazônia havia perdido cerca
[15:41] de 17% da floresta original, isso mesmo que vocês estão
[15:45] ouvindo 17%, o que corresponde a aproximadamente 125000000 de
[15:52] hectares. Para vocês terem uma ideia, é o
[15:55] equivalente a uma área do tamanho da França, Itália e
[15:58] Alemanha juntas. Isso é realmente muito
[16:01] alarmante. Então vamos trazer para o nosso
[16:04] debate uma voz importante, uma voz que vem da floresta.
[16:09] É de uma jovem indígena lá do Acre.
[16:13] É, eu sou chancomen de nicoum né?
[16:16] Sou daqui do estado do Acre, moro na aldeia manea e buçaká
[16:20] baixo Rio vira né? São uma tribo onicoim e venho,
[16:26] venho também né? Através também do meu povo
[16:29] também representando. Levo as medicina pelo mundo, né?
[16:33] Levando um pouco dos nossos saberes também, como?
[16:37] Ervas, né? De plantas.
[16:39] É ayahuasca, rapé, sananga, né? Várias outras medicina para
[16:44] banho, para defumação, né, para achar.
[16:47] Hoje é assim a nossa. A gente fica localizado no
[16:52] município de Feijó, que é entre Rio Branco.
[16:56] É de Feijó, a gente pega um barco e desce pelo Rio da da
[17:02] cidade para nossa aldeia da. 1 hora, meia hora, dependendo do
[17:07] barco. Aqui a gente cuida, né, da
[17:10] natureza, da floresta, como se a gente cuidasse da gente, né?
[17:13] Porque dentro da natureza, né, tudo existe dentro de nós, né?
[17:20] Tudo que tá na Terra, tudo que está num pedaço de folha, né, tá
[17:25] em nosso corpo também. Então aqui a gente preserva
[17:28] assim, pra gente não poder é desmatar, né?
[17:32] Se a gente desmata, a gente planta, né?
[17:34] É, a gente é floresta, né? Quantando é legumes também, é
[17:40] frutas, né, pra gente poder tá trazendo essa consciência pra
[17:44] novas gerações, né, né? Aqui também a gente procura ser
[17:47] muito autossustentável, né? Sem tá dependendo muito da
[17:50] cidade, né, porque o que traz a poluição pra dentro da da, da
[17:55] floresta também, às vezes são as coisas da cidade.
[17:59] E a Estrela desse episódio não está fora das garras do
[18:02] desmatamento. Existe um estudo de
[18:04] caracterização genética de uma espécie de molongu, a eritrina
[18:08] velutina, em áreas de mata Atlântica do estado de Sergipe,
[18:12] que foi justificado pelo fato desta planta estar em condições
[18:16] de ameaça de extinção na região, o estudo cita.
[18:19] Que a espécie tem sido retirada da natureza para a implantação
[18:22] de pastagens. Ainda encontramos no site do
[18:25] instituto brasileiro de florestas a informação que a
[18:29] espécie de mongo é de trinaverna.
[18:32] É considerada quase ameaçada de extinção no Brasil.
[18:37] Agora fiquei curioso para saber qual das espécies de mongo está
[18:40] no quintal de Getúlio. Já, já te falo, mas antes vou
[18:45] fazer aqui um parêntese para que fique registrado no nosso
[18:48] podcast, na época em que gravamos esse episódio, o PL
[18:53] 2159 de 2021, mais conhecido como o PL da devastação, tinha
[18:59] sido aprovado. Numa sessão vergonhosa da Câmara
[19:02] de deputados, na calada da noite, foram 267 votos a favor e
[19:08] 116 contra. O projeto de lei propõe a
[19:11] flexibilização das regras para o licenciamento ambiental,
[19:14] permitindo que alguns empreendimentos potencialmente
[19:16] impactantes, como o aumento de barragens, por exemplo, sejam
[19:20] autodeclarados como de baixo impacto, sem necessidade de
[19:24] análise técnica prévia além disso.
[19:27] Ele propõe a redução da participação de órgãos como a
[19:30] Funai e o ICMBio na avaliação de impactos ambientais.
[19:34] Diversas organizações ambientais se posicionaram contra OPL que
[19:38] ameaça povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas.
[19:42] Ainda não sabemos qual será o desfecho de tamanha vergonha
[19:45] para o Brasil. Mas esperamos que o presidente
[19:48] da República vete este projeto. E porque toda essa ganância para
[19:55] adquirir terras? Ou para destruí las.
[20:02] Se nós fizermos uma analogia. Mais.
[20:04] Especificamente com a nossa temática?
[20:06] A Terra produz tudo, não é produz o alimento, produz a.
[20:11] Cura através das ervas, produz. É o espaço para purificar a
[20:17] água. Que cai não é todo esse
[20:19] processo. De Harmonia com os vários.
[20:21] Elementos que compõem a natureza.
[20:23] Está na Terra. Então esses caras são
[20:26] extremamente maldosos, roubaram toda a Terra.
[20:29] Destruíram praticamente, né? Todas as questões naturais com.
[20:33] Isso eles fazem o quê? Destrói as religiões,
[20:36] principalmente as. Religiões de matriz africana
[20:41] essa voz que vocês ouviram é de Sydney rocha, teólogo, músico,
[20:47] poeta e ativista do movimento rastafari na Bahia.
[20:51] Sidney conversou com a gente num sábado ensolarado no parque da
[20:55] cidade de Salvador, um importante espaço de preservação
[20:59] da mata Atlântica na capital baiana, com aproximadamente
[21:03] 724000 m de muito verde e variadas espécies vegetais.
[21:09] Mesmo não sendo do candomblé, Sidney é simpatizante da
[21:13] religião, sobretudo do que diz respeito ao cuidado com o meio
[21:17] ambiente e divide com as mães de Santo.
[21:20] A preocupação com a devastação da natureza na nossa cidade.
[21:24] Por sinal, a gente visitou o terreiro da Casa Branca, que
[21:27] fica perto da casa de Sydney, pra falar com a kedsinha, que
[21:30] também esteve no primeiro episódio do podcast, lembra.
[21:34] Ela nos falou que a comunidade da Casa Branca usa muito
[21:37] munungu, mas ela mesma nunca tinha visto um pé da ponta.
[21:43] Já já já usarem aqui no terreno, porque serve muito bem
[21:48] inflamação, né? Então, quando a gente tem
[21:52] pessoas que está com algum problema de barriga, de, de, de
[21:55] até de menstruação mesmo, alguma coisa assim, sempre as pessoas
[21:59] recorrem ao chá do molungu. Aqui a gente usa muito, mas eu
[22:04] nunca tinha visto, por isso que eu perguntei AAA outra?
[22:08] Porque eu nunca tinha visto o pé de molungu e eu fui até
[22:11] pesquisar. Eu fui olhar hoje, mas eu não,
[22:13] não achei o pé da árvore. O molungu também é bom pra
[22:17] insônia, né? As pessoas usam muito para
[22:20] dormir com as pessoas. Quando estão estão de obrigação
[22:25] que está com algum problema de às vezes a pessoa fica
[22:28] menstruada No No achei e tal. Aí se usa muito.
[22:32] A pessoa não consegue dormir, está nervoso.
[22:38] O munungu é uma árvore que pode variar entre 5 a 20 m de altura,
[22:44] geralmente sem folhas na floração.
[22:47] O tronco é acinzentado, medindo de 25 a 110 cm de diâmetro, e
[22:54] tem espinhos duros em formato de cone.
[22:57] A folha é grande, de textura fina e um pouco rígida, com 3
[23:02] foliolos e uma leve penugem na parte de baixo.
[23:05] O formato das folhas pode ser oval ou triangular, a ponta não
[23:11] é afiada e a base pode ser arredondada ou cortada à reta.
[23:15] As flores podem medir de 5 a 7 cm e as suas pétalas variam
[23:21] entre vermelho e laranja avermelhado.
[23:24] O fruto é uma vagem de 10 cm de comprimento, com formato
[23:28] alongado e ligeiramente cilíndrico, com bordas
[23:31] onduladas. As sementes tem formato de rim e
[23:35] são vermelhas. Você tá me enrolando, né, seu
[23:38] Victor? Diga logo aí, menino, qual foi a
[23:40] espécie de mungu que tinha no quintal de Getúlio?
[23:43] Calma, Wagner. Vamos lá, existem 2 espécies de
[23:48] munungu que se confundem, ambas do gênero eritrina.
[23:52] A eritrina é o gênero botânico mais usado como fitoterápico no
[23:56] Brasil. São plantas da família
[23:59] leguminosa, uma fabácia. O gênero eritrina compreende
[24:03] cerca de 115 espécies distribuídas em todas as regiões
[24:07] tropicais do mundo, estendendo se nas áreas quente temperadas,
[24:11] como no sul da África. Na cordilheira do Himalaia e no
[24:16] sudeste dos Estados Unidos, atualmente são reconhecidos 5
[24:20] subgêneros e 26 seções de subdivisão taxonômica de
[24:25] eritrina, 70 espécies são conhecidas nas Américas, 31 na
[24:30] África e 12 na Ásia e Oceania. No Brasil são encontrados cerca
[24:36] de 12 espécies, das quais 8. Ocorre no nordeste e 2 delas são
[24:43] conhecidas como molungu aqui na Bahia, a eritrina velutina e a
[24:47] eritrina molungu. Que massa isso, me fala mais um
[24:51] pouquinho aí sobre elas 2. Eritrina velutina, que está
[24:54] ameaçado em extinção, é uma planta nativa da caatinga, do
[24:58] nordeste brasileiro e do vale do São Francisco, conhecida pelo
[25:02] nome molungu aqui na Bahia. Mas também é assim chamada no
[25:06] Ceará, Rio Grande do Norte, na Paraíba, em Pernambuco, em
[25:11] Sergipe e em São Paulo. No Ceará, ela também é conhecida
[25:15] como bucaré, molungu de flor vermelha e molungu de flor
[25:19] amarela. Já em Minas Gerais, ela é
[25:22] conhecida como mochoko e mungá. O nome científico eritrina vem
[25:27] do grego erittros, que significa vermelho por causa da cor de
[25:31] suas flores. E a velutina vem do latim, que
[25:36] significa aparência veludada, justamente pela sua folha
[25:40] apresentar pelos macios. O nome vulgamongu vem do Tupi
[25:45] mussumgu ou musungu. A palavra molungu também pode
[25:49] ter origem africana, que significa pandeiro, talvez pela
[25:54] semelhança do som produzido ao bater no seu tronco oco.
[25:58] A outra espécie é eritrina munungu.
[26:01] Popularmente conhecida como munungu, a nossa senhor, árvore
[26:06] de coral, bico de papagaio canivete, capa, homem,
[26:11] corticeira, flor de coral, suína, suina, suinã e tiriceiro,
[26:18] ela é encontrada em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Tocantins e
[26:23] aqui na Bahia. Tanto as cascas da eritrina
[26:26] velutina como da eritrina munungu.
[26:29] Tem sido comercializada em casa de produtos naturais do Brasil
[26:33] pelo nome molungu, geralmente indicada para o tratamento de
[26:37] ansiedade e insônia. Ensaios clínicos randomizados e
[26:42] controlados demonstraram o efeito ansiolítico da eritrina
[26:46] molungu. Já a eritrina velutina tem
[26:49] muitos relatos de uso na medicina popular, no entanto,
[26:53] nenhum teste clínico realizado pela medicina Moderna.
[26:57] Sim, sim, eu estou adorando a explicação, mas você ainda não
[27:01] me respondeu qual foi a espécie de mungu que você encontrou lá
[27:05] no quintal de Getúlio homem e que fez esse cata?
[27:08] Tchan, Tchan, Tchan, Tchan foi a eritrina velutina.
[27:12] Mesmo sem pesquisas clínicas, a gente sabe que eritrina velutina
[27:16] possui diversos constituintes químicos, incluindo alcalóides,
[27:20] taninos, flavanoides e esteroides.
[27:23] Dentre os alcalóides, destacam se.
[27:26] A ipapofina eritrina e eritravina, que são compostos
[27:31] com ação ansiolítica que ativam receptores de gaba, aqueles onde
[27:36] se liga o famoso diazepam, contribuindo então para um
[27:40] efeito calmante e relaxante do mongo.
[27:43] Nas folhas da eritrina velutina foram detectados flavannas,
[27:49] flavanóis, chatonas e catequinas.
[27:52] Além disso. A prospeção fitoquímica da
[27:56] eritrina velutina indicou também a presença de aronas chalconas,
[28:02] flavanonas flavananoes e leucum antoceanidinas.
[28:07] A casca e os frutos dessa espécie são empregados na
[28:11] medicina popular do nordeste, embora a segurança do seu uso
[28:15] ainda não tenha sido investigada pela medicina Moderna.
[28:18] Então é bom não vacilar na dose do munangu, né?
[28:22] Escutem só o que aconteceu com uma ilele de Oxum, do terreiro
[28:26] Ilê acha Oxum mirê emmapelli, município de Simões Filho, que
[28:30] fica na região metropolitana aqui de Salvador.
[28:34] Aí vemos muito, inclusive eu já usei muito mongo e aí é um aviso
[28:41] a mongo, ela não pode ser usada em acesso, porque antes dela te
[28:44] fazer dormir, ela vai te fazer despertar.
[28:48] Eu já tive uma experiência com o Gugu e aí eu estava alguns dias
[28:54] sem dormir e aí eu peguei uma não a folha, mas o entre casco
[28:59] do do mungu, né? E fiz um chá muitíssimo forte,
[29:03] porque naquela hora eu não conseguia raciocinar sobre a
[29:05] magia da folha. Então o que eu precisava era de
[29:09] alguma coisa que me derrubasse, mas ela me derrubou de um outro
[29:12] jeito. Eu tomei no Google, mas eu
[29:15] fiquei tão doida. Eu fiquei tão doida que eu me
[29:19] joguei no chão do quarto, comecei a chorar, depois eu fui
[29:22] pro pro pro chuveiro, fiquei um tempo debaixo do chuveiro, mas
[29:26] eu só precisava dormir. Aí depois eu dormi, aí depois eu
[29:31] dormi. É a homologu.
[29:33] A gente utiliza muito para pessoas inquietas, por exemplo,
[29:37] é é pessoas que estão extremamente ansiosas com o
[29:41] início do processo iniciático, é o chá que a gente que a gente
[29:45] utiliza. No início do do processo, né?
[29:48] Para que a pessoa consiga ter 11 corpo mais relaxado para passar
[29:51] pelos demais rituais. É o mongo também na minha
[29:55] família aqui em casa, é utilizado como um mediador de
[30:01] trânsito. Mãe lelle está se referindo ao
[30:05] ritual de iniciação no candomblé, é comum nesse
[30:08] processo iniciático que o abian aquele que será iniciado.
[30:13] Tenha muitas inquietações. Pode ser receio do desconhecido
[30:17] que só será revelado durante o ritual, ou dificuldade de se
[30:21] desconectar do mundo exterior. Por isso, os sacerdotes e
[30:26] sacerdotisas encontram formas de acalmar o abian.
[30:29] O chá de morangu não é fundamento tradicional, mas pelo
[30:33] seu efeito calmante, ajuda o abian a passar pelas angústias
[30:37] desse processo. Wagner, essa questão de dosagem
[30:41] é muito importante. Por isso, é sempre recomendado
[30:45] procurar um médico ou uma pessoa que conheça bem as Plantas
[30:49] medicinais. Vamos aproveitar para saber um
[30:52] pouco como é a política do SUS para a prescrição de Plantas
[30:56] medicinais e fitoterápicas. Sim, a farmácia.
[31:00] Viva ela. A perspetiva é usar planta
[31:03] medicinal como droga vegetal seca, né?
[31:06] A droga vegetal é a planta seca. Isso.
[31:09] Achei muitas farmácias vivas. No Brasil, distribui nas
[31:13] unidades de saúde e sachês de planta medicinal.
[31:17] Não é medicamento manipulado mais a planta, né?
[31:22] Então, a perspectiva de você usar a planta pode ser dessa
[31:25] forma. E o medicamento fitoterápico
[31:27] industrializado, tem farmácia viva, que manipula o
[31:30] fitoterápico e dispensa na. Na rede básica, na rede de
[31:35] saúde, como medicamento fitoterápico, industrializado,
[31:39] que é um medicamento como outro qualquer, né?
[31:42] Que vai estar lá na prateleira ou vai estar na indústria, com
[31:46] todas as os regramentos, as rdcs, as políticas?
[31:50] E aí ele vai ser comprado pelo município e vai ser distribuído
[31:55] hoje em Salvador. A gente compra, né?
[31:57] 5 fitoterápicos e distribui na rede.
[32:00] Então se 11 médico ele um prescritor, né?
[32:04] Ele pode optar em não passar 11 medicamento qualquer.
[32:09] EE utilizar uma espieira Santa, né não?
[32:12] Não usar o inibidor desses de de tipo omeprazol, né?
[32:18] EE outros decisóis da vida aí né?
[32:22] E usar uma espieira Santa, né, que tem uma ação próxima
[32:27] similar. E aí?
[32:29] Vai ser a critério da do prescritor fazer essas mudanças,
[32:34] né? Victor, é muito triste que
[32:40] plantas como munangu, tão importantes para a medicina
[32:43] tradicional, estejam desaparecendo dos quintais e
[32:47] terreiros de religiões de matriz africana das cidades.
[32:51] Eu quase tive a sorte de ver um pé de munungu, mas infelizmente,
[32:55] o que existia no terreiro de mãe lele de Oxum.
[32:57] Que nossos ouvintes já conheceram no primeiro episódio
[33:00] do podcast caiu antes da nossa visita, como bem nos contou a
[33:05] ekedi Laís. Está vendo esse munungu?
[33:12] Aí esses tronco. Ano.
[33:14] Passado, caiu um pé de mungu e caiu aqui.
[33:21] Essa insulina deu com. Esse pé de mungu AI ela deu no
[33:24] pé de mungu que caiu. No pé aí o pé de molongo era de
[33:29] lá. De repente o nome do rapaz é até
[33:31] Vitor. Vítor, disse, amiga, fez um
[33:35] barulho tão grande aqui e parece que caiu uma casa, viu?
[33:41] Viu? Conhecer essa?
[33:42] História o pé de lado, debaixo dessa parte da floresta, lá no
[33:45] fundo, onde não faz parte do terreiro.
[33:47] De repente caiu. Aí meu amigo fez assim, Oh,
[33:50] amiga, caiu um. Fez um barulho aqui tão grande,
[33:52] parecendo que caiu uma casa. Por quê?
[33:54] Quando esse pé de mungu caiu que não é nada pequeno, né ele?
[33:57] Caiu. É uma árvore, não.
[34:00] De que desse tamanho assim, sim, como essa foi isso aqui não é
[34:03] nada, tem vários pedaços dela, tudo aqui, ó.
[34:06] Aí quando essa árvore caiu, derrubou um Monte de coisa de
[34:08] cacau, ela caiu por cima de outras, a gente cortou, deixou
[34:12] aqui aí por cima do pé de mungu caiu, nasceu insulina, e essa é
[34:16] uma troceira aí. Gigante.
[34:18] Uau. Eu disse que é um sinal, porque
[34:21] para a gente controlar o açúcar. Sim.
[34:24] É mesmo. E não é nada besta também, né?
[34:27] Porque foi logo para o pé de molongou.
[34:29] E vocês chegaram a usar AA casa? Muito, muito.
[34:34] Mas ele tirou bastante, pediu para ele também tirar.
[34:37] Aí secou. E usa e usa para quem eu uso?
[34:41] Para que a casca do molongo? Para ansiedade, tristeza.
[34:47] É insônia? E tem outro pé?
[34:51] É aqui não, não é lia, porque também outro desafio, bem, está
[34:56] um longo, ele tem só dentro de mata.
[35:01] Hoje as pessoas também estão cortando, preferem se vai
[35:04] construir, tem um terreno aqui, o pé é grande, é isso, vai
[35:08] querer espaço, aí corta essas árvores, mas aí na mata tem.
[35:13] Bastante. É diz que a semente cozinha ou
[35:16] igual a feijoada. Né, é, tem gente que cozinha e
[35:19] também tem gente que faz pra. Cá de bebida?
[35:21] Até aqui, na roça, os. Homens fazem muito isso do
[35:24] molungo. É, olha.
[35:26] Do efeito reciclo ativo. Ah, com a semente é, é.
[35:32] Com a semente. Que beleza essa eu não sabia.
[35:35] Não do terreiro de mãe lelle, que fica no município de Simões
[35:40] Filho. Vamos para o terreiro de Tata
[35:42] mutaime, no bairro de Cajazeiras, em Salvador.
[35:45] Ficamos muito impressionados com o terreiro de Tata mutaime, da
[35:49] nação angolão paquetã, ligado à tradição do candomblé Angola,
[35:54] com raízes nas culturas dos povos bantos.
[35:57] Mesmo sendo dentro de Salvador, o terreiro ainda consegue
[36:00] preservar muitas árvores e ervas medicinais, inclusive o munangu.
[36:08] Essa daqui é uma árvore. Que dá umas sementinhas
[36:12] vermelhas. O que é aqui em cozinha igual
[36:16] como cozinhar feijão. Ah, tá, tá, tá.
[36:21] Então ela ela é para o fortalecimento.
[36:24] Você é molungu. Você sabe que tem vários tipos
[36:29] de molungu, né? Só é tem vários molunguus.
[36:40] Esse munungu aqui que parece pata de vaca, esse munungu, ele
[36:47] é mais para uma questão, é da perda de memória, né?
[37:01] Existe um estudo publicado por pesquisadores da Indonésia e da
[37:05] Malásia. Que utilizaram ferramentas
[37:07] computacionais para comprovar que alguns flavanoides presentes
[37:11] em plantas do gênero eritrina, dentre eles flavanona, tem um
[37:15] potencial em aumentar níveis da cetilcolina.
[37:19] O neurotransmissor é importante para a memória.
[37:22] Por outro lado, a eritravina, já citada anteriormente, é um
[37:27] alcaloide isoquinolínico e teve um estudo feito por
[37:31] pesquisadores brasileiros concielegans.
[37:34] Um vermezinho usado como modelo alternativo de animais de
[37:37] laboratório, que demonstrou que alcalóides e isoquinolínicos
[37:41] reduzem a toxicidade do peptídeo betamiloide, um responsável pela
[37:46] morte de neurônios na doença de Alzheimer.
[37:49] Ambos são estudos pré clínicos bem distantes da vivência de
[37:53] tatamotaime, que coloco aqui como uma potencial luz para
[37:57] estimular estudos sobre mecanismos por trás do efeito do
[38:01] munungu na proteção da memória. Tudo, tudo, tudo, tudo isso,
[38:10] esse calo aqui, ó, se você a Arvorezinha que você pega nela,
[38:16] ela, ela tem uma espécie de leite, é uma seivazinha que né?
[38:24] Que também você pode trabalhando nos pontos.
[38:30] Físico, corporal, sabe? Nos lugares sagrados.
[38:35] Então também mãe, mãe, mãe. Quando eu falo mãe, é a mãe
[38:40] Santa. Ela estava muito nas cura.
[38:48] Só para explicar aqui gente no candomblé, as curas são incisões
[38:52] específicas realizadas no corpo dos iniciados durante o processo
[38:56] de feitura de orixá do vodum ou do enquice.
[39:00] É a prática ritual pela qual o axé e o conhecimento são
[39:04] recebidos na tradição do candomblé banto de Tata mutaime,
[39:08] o processo de feitura do enquice não tem escarificação o processo
[39:12] de fortalecimento. O axé é feito pela ingestão e
[39:16] pelos banhos. Quem acompanha o axé das plantas
[39:23] sabe que a maioria da nossa equipe vive em Salvador.
[39:26] E segundo o censo de 2022. Salvador é a segunda capital
[39:30] menos arborizada do país, ficando atrás apenas de São Luís
[39:34] do Maranhão. Eu estou com os dados aqui,
[39:36] minha gente. São 65,6% da população de
[39:40] Salvador que vivem em vias onde não há uma única árvore, se que
[39:45] isso é muito triste. Triste demais, Vitor.
[39:49] Agora, imagine uma cidade onde existem mais de 1200 terreiros
[39:53] de religiões de matriz africana? Espaços onde a natureza é
[39:57] sagrada e que as pessoas precisam das plantas, das ervas
[40:01] para a cura do corpo e da alma. Povos indígenas, quilombolas,
[40:05] ribeirinhos, praticantes de religiões de matriz africana,
[40:10] todos defendem, compartilham um profundo respeito pela.
[40:28] Esse cântico que maíndia trouxe pra gente em homenagem AA gué, o
[40:33] vodum, que no candomdé de nação gege é o dono das folhas.
[40:38] Nossa, Wagner. E pensar que a gente começou
[40:40] esse episódio com um escrito lindo e triste de Conceição
[40:44] Evaristo sobre o mulangu e falamos de tanta coisa.
[40:48] Depois eu fico pensando que o axé das plantas é um pouquinho
[40:52] como as raízes das árvores debaixo da Terra, invisíveis aos
[40:56] olhos. As raízes se entrelaçam e se
[41:00] expandem tecendo redes vivas que sustentam a floresta inteira e
[41:04] entrelaçadas, elas compartilham nutrientes e água e se
[41:08] fortalecem. E, mais do que isso, elas.
[41:11] Conversam, isso é tão bonito. Victor, você me inscreveu agora
[41:15] pra dar uma última dica? O livro do escritor norte
[41:18] americano Richard powers, a trama das árvores, vencedor do
[41:23] prêmio polits, é de ficção em 2019.
[41:25] E que foi lançado recentemente no Brasil, é um romance que
[41:30] entrelace histórias de 9 pessoas e suas conexões com as árvores.
[41:34] O livro tem uma narrativa muito bonita e nos mostra como as
[41:38] árvores influenciam nossa vida de formas invisíveis, mas
[41:42] essenciais. Quando visitamos a comunidade
[41:46] quilombola de Remanso, em 2024, tivemos a Felicidade de conhecer
[41:52] uma das mestras do lugar. Judite Maria de Jesus dona
[41:57] judite nos recebeu em sua casa com muito carinho.
[42:01] Parecia até que a gente já se conhecia de muito tempo, daquele
[42:05] jeitinho manso. Ela compartilhou muito com a
[42:08] gente. A sabedoria e os ensinamentos de
[42:12] dona judite estão presentes na voz dela.
[42:15] Na primeira temporada do nosso podcast, Ela Foi nossa primeira
[42:21] entrevistada e marcou toda a equipe.
[42:24] Quando retornei ao Quilombo Remanso pra colher a flor de
[42:28] mongu e fazer a esse carta, estive com dona judite e levei
[42:34] de presente Pra Ela velas de San Cosme e Damião em nome de toda a
[42:39] equipe do axé das plantas. E foi uma Alegria ver o sorriso
[42:44] dela ao receber aquela caixinha de velas coloridas, o que eu não
[42:50] imaginava. É que aquele momento seria a
[42:54] nossa despedida. Matriarca de uma família de 8
[42:58] filhos, 48 netos, 41 bisnetos e 6 tataranetos, dona Judith fez a
[43:07] sua passagem em abril de 2025, aos 91 anos.
[43:13] Uma mulher negra que ainda hoje nos inspira a seguir preservando
[43:17] nossas origens afro brasileiras, nossas tradições.
[43:21] Em nossas plantas sagradas, a flor de mungu, que está hoje na
[43:26] herbario da ufba, foi colhida com todo o cuidado pelas mãos de
[43:30] Getúlio, neto de dona Judith. Infelizmente não deu tempo de
[43:37] voltar no Remanso e com meu caruru que dona Judith dava são
[43:40] Cosme e Damião há mais de 70 anos.
[43:45] Mas o legado dela segue vivo e queremos dedicar esse episódio a
[43:50] dona Judith. Que, assim como a flor de mungu,
[43:53] é símbolo de resistência, cura e conhecimento ancestral.
[43:58] Muito obrigado por tudo, dona Judith.
[44:08] No próximo episódio, no podcast axé das plantas, cura do corpo e
[44:11] da alma, a gente vai falar de uma planta que ainda enfrenta
[44:15] muitos preconceitos, a cannabis, e isso mais conhecida como
[44:20] maconha. Siga a gente no Instagram,
[44:23] arroba axé das plantas. Lá você vai encontrar muitos
[44:26] conteúdos ligados aos temas que debatemos aqui no podcast, além
[44:30] de ver fotos e figuras das plantas que apresentamos aqui.
[44:34] E se perder algum episódio, aproveite e dar o play.
[44:38] Ei, você já tá seguindo a gente no Instagram?
[44:42] Se ainda não, Bora lá, arroba axé das plantas.
[44:46] Aproveita e ativa o sininho no Spotify e no YouTube pra não
[44:49] perder nenhum episódio novo. A chá das plantas, cura do corpo
[44:55] e da alma é uma produção da Universidade Federal da Bahia em
[44:58] parceria com o podcast viagem gastronômica, condutor, dendê e
[45:02] o apoio do instituto Serra pilheira.
[45:05] Os 5 episódios dessa segunda temporada são apresentados por
[45:09] mim, Vagner rocha e por Victor Diógenes Silva.
[45:13] Queremos deixar um agradecimento especial a todas as pessoas que
[45:16] ajudaram da vida a esse podcast. Nossas entrevistadas e
[45:21] entrevistados é quedissinha do terreiro da Casa Branca, mãe
[45:25] Índia, do terreiro do bogum mãe lelle e é quede Laís, do
[45:30] terreiro ilé a chéusho omire tatamutaime do terreiro
[45:35] mutalambu, EE cayongo, mestra Japira pataxó, pajé, maná,
[45:41] chanenauá chankanni runikui, sacerdote Santos, isidro Oviedo
[45:48] torre. O neurocientista sidarta
[45:52] Ribeiro, o músico Sidney rocha, a médica Mariane Ventura e a
[45:59] professora e farmacêutica Maiara de Queiroz.
[46:04] Na apresentação, Victor jorgini Silva e Vagner rocha.
[46:08] Na direção, Silvana Moura, do roteiro, Mara Cristina.
[46:15] Na edição Danielle Freire. Na produção e assessoria de
[46:19] imprensa, Jean Cardoso, nosso social mídia e editor de vídeo,
[46:24] é romeram Ribeiro. A mobilizadora de redes sociais
[46:28] é a himeia Alves, no design e identidade visual, Davi Barreto,
[46:36] na captação de som externo, o mi bolum e na captação do som em
[46:41] estúdio, André tem a trilha sonora.
[46:45] É de sapoti e Rafael calunga. Assessoria científica em
[46:49] ciências humanas. Rafael.
[46:51] Fontes na assessoria para ciências biológicas e da saúde,
[46:57] raimer Alves, Clarice squitini, desde Villas boas, lenise
[47:03] Guedes, Lucas Oliveira, Márcia Silva, Rafael short, Ravenna do
[47:09] nascimento, Susana Braga, Igor Jessé e eu.
[47:14] Victor Giorgi e Silva deste episódio, nós gostaríamos de
[47:18] fazer um agradecimento especial ao estudante de biologia da
[47:22] ufba, Thiago Santos, que nos auxiliou na produção da ex
[47:26] sicata do monogu. Nossos agradecimentos também ao
[47:30] mentor the ruprest e ao nosso podcast parceiro, viagem
[47:34] gastronômica, condutor dendê. Os episódios foram gravados no
[47:37] estúdio t financiamento instituto Serra pilheira.
[47:41] Até a próxima.

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