# T2 - Episódio 4 - Guiné

An episode of [Axé das Plantas - Cura do Corpo e da Alma](https://invisiblenetwork.ai/podcast/1849155267), 22 Aug 2025, 48 min.

Audio: https://anchor.fm/s/f81c3d6c/podcast/play/107186855/https%3A%2F%2Fd3ctxlq1ktw2nl.cloudfront.net%2Fstaging%2F2025-7-22%2F8b971639-5128-16e0-a167-d401385798a4.mp3

Neste 4º Episódio, vamos falar sobre uma planta nativa das regiões tropicais das América, locais subúmidos e sombreados. A Guiné também é conhecida como Tipi, Pipi, Timbó, Caá, entre outros nomes. Os povos indígenas e as casas de religiões de matriz africana utilizam a Guiné para aliviar a ansiedade, remover fraquezas e más energias e promover a paz espiritual. Este projeto está sendo realizado com apoio do Instituto Serrapilheira.

## Transcript

[0:00] Quem me vinga da mandinga é fica de Guiné, mas o de fé do meu axé
[0:04] não vou dizer Quem é Quem me vinga da mandinga fica de Guiné,
[0:08] mas o de fé do meu axé não vou dizer quem é.
[0:10] Eita que você tá animado hoje em Wagner já começou o podcast
[0:15] cantando a Vitor, eu amo essa música que a alciane canta e
[0:19] adoro ela, ainda mais depois que ela falou que vai fazer uma
[0:22] macumba pro Trump. Olha, essa música é uma
[0:26] composição de Ney Lopes e Reginaldo Bessa.
[0:28] E que se relaciona com a Estrela do episódio de hoje, a Guiné.
[0:33] Eu cresci sendo rezado com folhas de Guiné para espantar
[0:36] mau olhado e quebrando tanto por mainha como por minha avó e
[0:40] minha bisavó, que viveu quase 106 anos.
[0:44] É uma memória tão viva em mim que é só fechar os olhos para
[0:47] sentir o cheiro das folhas de Guiné.
[0:49] Cruzando meu corpo com 2, te botaram com 3 eu te tiro com os
[0:54] poderes de Deus e da virgem Maria, nossa.
[0:57] Que memória boa, Wagner, essa música de Alcione, fala da figa
[1:02] de Guiné, aquela com mão fechada e o polegar entre os dedos.
[1:07] E para quem é menos familiarizado, a figa não
[1:10] representa só um gesto que se faz com as mãos.
[1:13] Tem amuletos, esculturas de figa?
[1:15] Com esse mesmo desenho, a tradição popular manda que a
[1:19] figa seja entalhada com a madeira da própria Guiné.
[1:23] Porque ela é considerada uma planta sagrada de proteção e
[1:28] limpeza espiritual. Isso mesmo, Victor.
[1:31] A figa de Guiné pode ser pequenininha e usada como patuá,
[1:35] uma espécie de amuleto na carteira, na bolsa e até em
[1:39] roupa de recém nascido. Tem também as figas maiores, que
[1:42] são esculturas mesmo. Tem gente que coloca logo na
[1:46] porta de casa. A Guiné é muito utilizada por
[1:48] religiões de matriz africana e por povos indígenas.
[1:51] Para além dos aspectos espirituais, as comunidades
[1:55] tradicionais fazem uso da Guiné em situações práticas do
[1:59] cotidiano. Ela serve para a essas dores nas
[2:08] articulações, tá? Ela serve para.
[2:16] Quando você está com depressão, por exemplo, né?
[2:19] Para trazer de volta a sua energia para que você possa se
[2:25] centralizar. Ela também é boa?
[2:28] Parece, porque ela é quente. É doutor Victor.
[2:33] A Guiné é uma planta que tem uma energia poderosa e ela é
[2:37] utilizada para muitas doenças do corpo e da alma.
[2:41] Olá, eu sou o doutor Victor Diógenes Silva e você está
[2:50] ouvindo? Podcast, axé das plantas, cura
[2:54] do corpo e da alma, uma produção da Universidade Federal da Bahia
[2:58] em parceria com o podcast viagem gastronômica com o doutor dendê.
[3:03] Este projeto tem o apoio do instituto Serra bileira aqui.
[3:08] Vamos unir os estudos do laboratório de neurofarmacologia
[3:11] aos saberes de comunidades tradicionais sobre as Plantas
[3:15] medicinais do Brasil. E para me acompanhar nessa
[3:18] jornada, eu conto com uma pessoa muito especial.
[3:22] Chega mais doutor dendê. Oi, minha gente.
[3:26] É um prazer estar com vocês em mais uma temporada.
[3:29] Eu sou Wagner rocha do podcast viagem gastronômica com doutor
[3:32] dendê. Ei, Victor, vamos levar vocês
[3:35] numa viagem pelo mundo Encantado das Plantas medicinais e dos
[3:38] povos tradicionais, porque sem folha não tem sonho, sem folha
[3:44] não tem vida. Sem folha não tem nada.
[3:52] Como a dissemos na abertura, a Estrela do episódio de hoje é a
[3:56] Guiné. E foi bem interessante porque em
[4:00] todos os terreiros de candomblé que visitamos na segunda
[4:03] temporada, as pessoas conheciam a Guiné.
[4:06] E tinha um carinho muito especial pela planta.
[4:12] Guiné, que eu vejo o Guiné. Eu me lembro logo das pessoas da
[4:14] feira que vendem, que tá sempre com o Guiné atrás da orelha.
[4:19] E as mulheres que vendem acarajé normalmente tem sempre, né?
[4:22] O Guiné. E até em casas mesmo, né?
[4:26] Na casa a gente quando vai fazer uma festa assim, alguma coisa
[4:31] pra energizar, né? O espaço.
[4:33] As pessoas gostam muito de usar o Guiné.
[4:39] Vocês acabaram de ouvir. É quedissinha do terreiro da
[4:43] Casa Branca. Aqui em Salvador.
[4:46] Não é a primeira vez e nem vai ser a última que vamos falar com
[4:49] ela. Aqui é quedissinha.
[4:51] É uma referência para a difusão do candombléqueto e de outras
[4:55] nações. Ela é unanimidade no axé da
[4:58] Bahia, assim como as folhas de Guiné, que estão presentes nos
[5:01] cultos das diferentes nações. A Guiné está em toda a casa de
[5:06] axé, inclusive nos cultos, como nos conta mãe Índia, sacerdotisa
[5:11] do terreiro do bogum, que fica ali pertinho do terreiro da Casa
[5:14] Branca. A Guiné, Guiné, essa folha
[5:22] também é muito importante no candomblé.
[5:26] Ela dizem que ela é de ajan sul. A folha é de ajan sul, né?
[5:29] De meu pai. Mas não sei, não vou ter
[5:33] certeza. Mas é uma folha que é bem
[5:36] procurada para rezar, entendeu? Para rezar e a gente procura e
[5:42] não, não existe mais aqui. É difícil a gente encontrar
[5:45] aqui, né? Só se for na feira e quando a
[5:47] gente acha já é seca da mente que eu procurei para poder rezar
[5:50] até Ian, meu menino, e não achei.
[5:53] Mas é uma folha muito forte e muito importante no candomblé
[5:55] também, até para você botar dentro de um jarro e botar assim
[5:59] para os olhos ruins bater e ela. O vodum agensul, que mãe já fala
[6:11] é uma divindade que está relacionada a cura e as doenças
[6:15] no candomblé de nação. Gê e Marie, a sabedoria popular
[6:22] diz que a Guiné pode ser utilizada no tratamento de
[6:24] resfriados, sinusites, infecções urinárias, dores de cabeça,
[6:29] febres, doenças de pele, distúrbios hepáticos e renais.
[6:33] Ela funciona como analgésico e anti inflamatório natural.
[6:37] A Guiné ainda é usada em casos de picada de cobra e como
[6:40] inseticida. Tudo isso é verdade?
[6:43] Wagner, mas a Guiné ainda não faz parte da farmacopeia
[6:47] brasileira, que é o documento oficial da Anvisa que define
[6:51] padrões de qualidade para medicamentos, o que significa
[6:54] que a segurança e a eficácia não foram comprovadas de acordo com
[6:59] os padrões da Anvisa. Maiara de Queiroz.
[7:02] É farmacêutica com mais de 20 anos de atuação em fitoterapia
[7:06] no SUS. Ela explicou para a gente que
[7:09] desde a criação da política nacional de Plantas medicinais e
[7:12] fitoterápicos, o Brasil tem avançado no reconhecimento do
[7:16] uso tradicional de ervas medicinais.
[7:23] Eu Acredito que hoje o Brasil tem 11 política muito mais.
[7:30] Forte, né? Do que, por exemplo, quando
[7:32] lançou a política nacional de plantas em 2006, quando surge a
[7:37] política em 2006, aí a vigilância sanitária diz, ó,
[7:41] vamos correr atrás disso aí, e aí começa a publicar RDCS, são
[7:45] normativas? Portaria.
[7:47] Então, hoje você tem portaria, hoje você tem RDC para farmácia
[7:51] viva, RDC de controle de qualidade, de fitoterápico
[7:54] manipulado. De produto tradicional
[7:56] fitoterápico, que é uma novidade.
[7:58] Na época era uma novidade, né? O Brasil é diferente de países
[8:02] europeus que é, usavam plantas por tradicionalidade, né?
[8:07] Um país extremamente com medicina, com medicina
[8:11] tradicional extremamente estabelecida, mas não usava
[8:13] planta por tradicionalidade, como a China, como é Alemanha,
[8:18] por exemplo. O Brasil começa a pensar nessa
[8:21] perspectiva, escreve. 11 RDC para planta medicinal
[8:26] tradicional, né? Aquelas plantas que tem mais de
[8:29] 30 anos de uso sendo usadas nas comunidades com eficácia,
[8:33] segurança, qualidade comprovada pela comunidade, né?
[8:38] Se a comunidade usa uma planta por mais de 30 anos e aquela
[8:42] planta é segura, tem. É toda uma perspectiva de.
[8:47] Cuidado, né? E você pode trazer isso pra
[8:51] dentro do SUS, numa política. E aí as políticas elas começam a
[8:56] surgir a pipocar. E hoje a gente, a cada ano, né,
[9:00] que eu que, por exemplo, acompanho as políticas.
[9:03] Você vê que existe uma preocupação em atualização, em
[9:07] atualizar rename, que é a relação nacional de
[9:10] medicamentos, em atualizar as portarias.
[9:17] Então, Vitor, pode ser que em algum momento a Guiné entre na
[9:19] relação de Plantas medicinais do SUS?
[9:22] Pode ser que sim. É possível que no futuro a Guiné
[9:26] entre na relação nacional de Plantas medicinais de interesse
[9:30] ao SUS, a René sois, que é uma lista feita pelo Ministério da
[9:34] saúde, que reúne plantas, que tem o uso tradicional
[9:38] reconhecido pelas comunidades e que podem ser incorporadas ao
[9:43] SUS esse documento. Ainda orienta pesquisas
[9:46] científicas com essas Plantas medicinais.
[9:50] Mas é bom não confundir Rene SUS com a farmacopeia brasileira.
[9:55] A farmacopeia é um compend oficial que estabelece os
[9:59] padrões de qualidade, segurança e eficácia para os medicamentos
[10:03] e produtos farmacêuticos. Tudo nesse documento precisa
[10:07] passar por testes rigorosos de laboratório e comprovação
[10:11] científica. Boa, Vitor.
[10:14] É sempre bom lembrar que o saber tradicional também é ciência.
[10:18] A doutora Mariane Ventura, médica formada pela Universidade
[10:21] Federal da Bahia e que tem curso de aperfeiçoamento em
[10:24] fitoterapia, reconhece a eficácia do uso tradicional de
[10:27] diversas plantas. E o uso tradicional também é
[10:34] científico, apesar da academia tentar negar.
[10:37] Mas é científico. Se a gente pensar que há
[10:38] milhares de anos as pessoas estão usando, estão
[10:41] experimentando, estão vendo as formas de uso.
[10:44] Então eu vejo que, de certa forma, há um distanciamento da
[10:46] medicina com OA medicina ancestral, que já existe há
[10:51] muito mais tempo do que essa medicina, digamos assim, mais
[10:54] Moderna. O conhecimento ancestral das
[11:01] Plantas medicinais. É parte essencial da cultura e
[11:05] da espiritualidade dos povos indígenas.
[11:08] Para o pajé man natiem nauá, do Acre, a sabedoria que vem da
[11:11] natureza através da vivência e da oralidade, não se opõe à
[11:15] medicina Moderna. É sabedoria, complementa.
[11:19] E ensina então o trabalho dos pajeres.
[11:24] Ele vem pra poder somar junto com os doutores, com os médicos,
[11:28] porque ele não sabe de tudo. A natureza tem muitas coisas que
[11:33] precisa. Eles precisa ouvir, precisa
[11:35] aprender para que ele possa ajudar o ser humano ou a
[11:38] sociedade. Os saberes de nossos mais velhos
[11:46] e mais velhas vem sendo cada vez mais difundidos.
[11:49] São saberes que a ciência às vezes demora a descobrir, mas
[11:54] que os povos tradicionais transmitem de geração em geração
[11:58] através da oralidade. É o caso de mestra Japira
[12:01] pataxó, que nasceu na aldeia Barra Velha, que fica na região
[12:05] de caraíva, no município de Porto Seguro, sul da Bahia.
[12:10] Mestra Japira é uma profunda conhecedora das ervas
[12:13] medicinais. Ela aprendeu com seus parentes
[12:16] mais velhos, principalmente com suas avós, a parteira dona neném
[12:21] e Luiza Braz, fiadora de tucum e conhecedora das ervas.
[12:30] Então ela era uma pessoa muito assim, querida também, muita.
[12:35] Trabalhava com muita medicina, né?
[12:37] Que é, é aonde que a gente, eu mesmo acompanhei bastante ela
[12:43] sobre o que fazendo, é caminhando com ela, ela
[12:48] mostrando as Eva, né, que para que que se via?
[12:53] E aí eu acompanhei ela. E aí é onde que eu estou aqui?
[12:59] É, aprendi também com ela, né, que antigamente a gente não
[13:03] tinha médico. O médico era as raízes, era as
[13:07] aves, né, que tira a folha, a casca do do, do pau, né, para
[13:13] fazer uma garrafada, para para o sangue é e para assim.
[13:22] Quando AA pessoa, o corpo da gente ficava cheio de pereba,
[13:25] AAAO corpo da criança. Aí é, a gente pegava as a raiz
[13:32] da porra do campo. EE fazia a garrafada, a gente
[13:36] pegava ela, botava ela as as raiz dentro, botava água e a
[13:42] gente enterrava assim no chão para com 3 dias a gente tirava.
[13:47] Ela já estava vinhada. Para dar para aquela criança que
[13:51] estava com com o corpo cheio de peteca no corpo, né?
[13:55] EE banho assim para criança que apertava com aquela febre, que é
[14:01] uma febre assim que vai e volta, né?
[14:04] Aí a gente pegava também as folhas também da Maria.
[14:09] Fecha a porta essa o Tiririca para.
[14:16] Poder, coisa amarga, poder a febre não, não ficar no corpo da
[14:22] criança, né? Porque coisa amargo, aí aquilo
[14:25] sai do da criança, né? E aí a gente, isso minha vó
[14:30] fazia com a gente é quando a gente era criança, ela mandava a
[14:36] minha mãe pegar os Matos e fazer os banho para para a gente,
[14:41] inclusive eu mesmo, eu, eu não. Eu não tenho lembrança assim que
[14:46] eu dei febre por de de véia. O conhecimento sobre as ervas
[14:56] medicinais, que mestra japier do de suas avós, sempre foi
[14:59] transmitido com generosidade para outras pessoas.
[15:03] Ela já deu aulas em diversas universidades.
[15:07] Inclusive essa entrevista foi feita aqui na ufba, entre uma
[15:11] aula e outra que ela ministrava. Por conta de sua trajetória de
[15:15] ensino, mestre Japira recebeu, em 2022, o título de doutor em
[15:20] educação por notório saber pela Universidade Federal de Minas
[15:24] Gerais. Ela também é autora de um livro
[15:26] muito interessante chamado saberes dos Matos pataxó.
[15:31] É um livro muito interessante mesmo.
[15:33] Victor, eu vou ler aqui o que mestre Japira fala sobre a Guiné
[15:37] abre. A Guiné serve para fazer banho
[15:41] para olho gordo e dor de cabeça forte.
[15:44] Além do banho, também é usado em fusão no álcool para dores em
[15:47] geral e reumatismo. O banho pode ser cozido ou frio.
[15:53] Nos 2 se usam 3 galhos de Guiné e mais outras 2 plantas, sendo
[15:57] total de 3. No banho verde pode misturar a
[16:01] Guiné com Alecrim e Arruda. Já no banho cozido pode ir junto
[16:06] com 2 dessas 5 plantas. Cipó caboclo Aroeira, espada de
[16:10] ogum, gancho e preto velho. Tanto banho frio como cozido
[16:15] servem para descarrego, para tirar, usura e olho gordo, mas o
[16:20] frio é considerado mais como um banho cheiroso por ser mais
[16:23] fraco que o cozido. Fecha.
[16:25] A gente ainda teve a sorte de ouvir uma música da cultura
[16:29] pataxó sobre a Guiné, que mestra ja pira, cantou pra gente.
[16:44] Cima daquela Serra só tem pé de Guiné.
[16:49] O que é que mora lá? É o pai, é o quem é que mora?
[16:55] Lá é. O pai é porque ele mora lá,
[17:00] porque não moramos aqui, e ele mora lá porque não moramos aqui.
[17:07] Defendendo a nossa aldeia para nada atrapalhar.
[17:12] Defendendo a nossa aldeia para nada atrapalhar o rena, rena,
[17:21] rena, rena, rena, rena. Cuidar da?
[17:39] Alma é tão importante quanto cuidar do corpo.
[17:42] Os povos tradicionais sabem bem disso.
[17:45] E pra que não entende muito desses assuntos?
[17:47] Deixa eu explicar algumas expressões que a gente tá usando
[17:50] no episódio de hoje, como olho gordo e quebrando olho gordo.
[17:55] Minha gente. Na crença popular, é inveja.
[17:59] Sabe aquele olhar carregado de admiração ou então cheio de
[18:02] sentimento negativo a? Pois isso pode desequilibrar uma
[18:06] pessoa, acredite, as vezes nem precisa de intenção.
[18:10] O outro vem de lá com um elogio forte demais, um pensamento meio
[18:14] enviesado e pronto, a pessoa já sente um cansaço, uma irritação,
[18:19] até insônia. É dessas coisas que não tem
[18:22] explicação. Isso acontece até com planta.
[18:26] Já viu a pessoa chega na sua casa e elogie aquela flor que
[18:29] está bem bonita lá, saudável, a pessoa vai embora e a planta
[18:33] fica lá toda murcha, coitada, chega até a morrer, aff um
[18:36] horror e que é brannto. Wagner, é a mesma coisa, bom,
[18:41] meu filho, aí o buraco é mais embaixo.
[18:43] Vitor, o que que é branco é mais forte, energia pesada, lançada
[18:48] com intenção mesmo, sabe? É coisa de gente ruim, e são as
[18:52] crianças que sofrem mais com isso.
[18:54] De repente, Do Nada, viu uma febre, um choro, um sono.
[18:59] Vixe, pode mandar rezar que o menino tá com quebranto.
[19:04] Sabe aquele povo que vem assim, AI, que bonitinha, essa criança
[19:08] não dá 2 minutos e o menino abre o berreiro pode ter certeza que
[19:12] é brannto, mas, Vitor, o que a ciência Moderna diz sobre isso?
[19:17] Bom, Wagner, a ciência Moderna não reconhece essas coisas como
[19:21] fenômenos prováveis. Tem muita gente que chama de
[19:25] superstição, mas tem algumas interpretações possíveis, né?
[19:30] A psicologia, por exemplo, explica que o nosso corpo
[19:34] responde a um ambiente emocional.
[19:37] Se uma pessoa está num ambiente cheio de hostilidade, isso pode
[19:41] gerar estresse, ansiedade, mudanças de humor ou no sono.
[19:46] E, claro, os cuidados ancestrais, os benzimentos, as
[19:50] orações e os bens espirituais. Mesmo sem confirmação
[19:54] científica, oferece Alívio para quem acredita e isso sim é
[19:59] terapêutico. Pois é, Victor, conversando com
[20:02] vários dos nossos entrevistados, descobrimos que quando as
[20:05] pessoas procuram terreiros de candomblé com a saúde mental
[20:08] abalada, as mães e os pais de Santo utilizam muito a Guiné
[20:12] para limpeza espiritual e os povos indígenas também.
[20:16] Pajé mannasti, né? Nauá nos contou que seu povo
[20:18] utiliza a Guiné como medicina espiritual há muito tempo.
[20:27] É, ela é usada como medicina. Essa é para nós.
[20:30] A gente usa é para tirar panema panema.
[20:38] Quer dizer, o que fraqueza molezas, coisas ruins do corpo,
[20:45] má energia. Então você toma banho com ela
[20:50] para sacar ela. Chamada de Guiné também, eu não
[20:56] conheço como esse nome, eu conheço como meu nome
[21:00] tradicional tipi. Muitos terreiros, ou seja, casas
[21:07] de religiões de matriz africana, utilizam a Guiné para acalmar,
[21:10] aliviar a ansiedade e promover a paz espiritual.
[21:14] E o efeito se reflete em bem-estar para o corpo.
[21:17] Esse poder da planta é reconhecido por quem vive a
[21:20] espiritualidade afro brasileira, como mãe lelle de Oxum, do
[21:25] terreiro Ilê Oxum omirê, que fica num Quilombo em mapelli, no
[21:29] município de Simões Filho, região metropolitana de
[21:32] Salvador, a. A Guiné é uma folha que é muito,
[21:39] muitíssimo contente. Muitíssimo impotente.
[21:43] Eu acho que é uma das folhas que são também imprescindíveis, em
[21:45] alguns casos para a saúde mental, porque nada para nós
[21:50] está desligado, né? O que é espiritual também é
[21:52] material e o pessoal também é coletivo.
[21:58] E a Guiné é essa folha que tem uma potência de também nos tirar
[22:04] de lugares que são ruins, EE que são pesados, que de fazer o
[22:09] descarrego. Investigando nas bases de dados
[22:15] convencionais, encontramos um artigo científico publicado por
[22:20] pesquisadores brasileiros da Universidade Estadual de Maringá
[22:24] que testaram 3 extratos de Guiné e ensaios pré clínicos, um
[22:29] extrato obtido da mistura de todas as partes da planta, outro
[22:33] obtido de suas partes aéreas e um terceiro obtido de suas
[22:38] raízes, os extratos. Foram administrados por vioral
[22:43] em camundongos de laboratório os 2 primeiros induziram ação
[22:47] ansiolítica nos camundongos, demonstrando que esse efeito se
[22:51] deve, provavelmente, a compostos presentes nas suas partes
[22:55] aéreas. A Guiné é é uma folha que me
[23:04] lembra muito. Minha vó também, né, Guiné?
[23:06] É muito fácil de pegar. E o que eu acho que também é
[23:10] muito importante e significativo, porque a Guiné,
[23:14] ela é usada para proteção, para, para para sacudimentos, para
[23:20] defumações, para banhos de descarregos, e o nome dela em
[23:29] eurobá é eue ojuçaju. Eue.
[23:37] O Ju saju, que nome lindo. Me diga aí, Vitor, o nome
[23:43] científico da Guiné é tão bonito como o nome para pular em urubá.
[23:46] Não, olha, Vagner, eu não vou nem entrar nessa disputa, tá?
[23:50] O nome científico da Guiné é petivele aliásia, em homenagem a
[23:55] James petrve, um farmacêutico e botânico inglês que viveu entre
[24:00] os séculos XVII e XVIII. Ele era um entusiasta da
[24:04] história natural. E coletou muitas amostras de
[24:07] plantas, contribuindo para o conhecimento botânico da época.
[24:11] Já o termo aliácia vem do latim allium, que significa alho.
[24:17] A planta ganhou esse nome justamente por causa do seu
[24:20] cheiro forte e marcante, parecido com a do alho, que é
[24:24] bem percetível quando a gente amassa as folhas ou quebra a
[24:28] raiz. No Brasil, agnet tem muitos
[24:31] nomes populares. No norte, principalmente no
[24:33] Amazonas, no Pará e em Roraima, ela é conhecida como tipi, a
[24:39] pascina, caa, Timbó, mukuracá, maku e Guararema.
[24:45] No Rio de Janeiro e em São Paulo, ela pode ser chamada por
[24:48] o coimbro, paracoca, paracaca e pipi.
[24:52] Já em Pernambuco, a Guiné recebe nomes como Eva, pipi e raiz de
[24:58] congonha, no Ceará. Ela pode ser encontrada com
[25:02] multippi verdadeiro e aqui na Bahia ganha o nome de amansa.
[25:06] Senhor. Pode uma coisa dessa, minha
[25:09] gente? Esse é o mesmo apelido que o
[25:12] mungun recebe em Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Mato Grosso e
[25:17] Mato Grosso do Sul. E tenho uma curiosidade a
[25:19] respeito desse nome da Guiné, Victor.
[25:21] Segundo relatos e estudos sobre a tradição oral e a resistência
[25:25] negra no Brasil colonial, a Guiné recebeu o apelido de
[25:29] amansa, senhor. Porque, no século 17, os
[25:32] escravizados misturavam pequenas doses da raiz da planta em
[25:35] bebidas ou alimentos dos senhores de engenho.
[25:38] Isso provocava letargia, confusão e até mesmo impotência.
[25:44] E aí, doutor Victor, o que a ciência diz sobre esse efeito da
[25:47] Guiné? Olha Wagner, a sabedoria popular
[25:50] é incrível mesmo. A ciência Moderna confirma os
[25:54] efeitos sedativos da Guiné. Um estudo realizado por
[25:57] pesquisadores da Universidade Federal do Ceará investigou os
[26:01] efeitos farmacológicos da Guiné. Os testes e animais de
[26:06] laboratório mostraram que diferentes partes da raiz
[26:10] provocam uma redução significativa na atividade
[26:13] locomotora, além de aumentarem um tempo de sono e de
[26:17] imobilidade. Isso indica um efeito depressor
[26:20] no sistema nervoso central, ou seja.
[26:23] A planta tem, sim, propriedades de causar letargia e sedação e,
[26:28] mais do que isso, os extratos também aumentam a resistência a
[26:33] convulsões induzidas, reforçando o seu uso tradicional como
[26:37] anticonvulsivante. E mesmo não tendo apresentado o
[26:40] efeito ansiolítico, os dados confirmam que há substâncias
[26:44] ativas na raiz capazes de alterar o estado mental e
[26:49] físico. Então, Wagner?
[26:51] É bem possível que os escravizados tenham mesmo usado
[26:55] a Guiné para provocar confusão e apatia nos sem origem
[27:11] gém. Eu tô lendo aqui na nossa
[27:13] pesquisa que a Guiné tem outros nomes populares, erva de alho,
[27:17] anamu, gambá, tipi, zorrillo, embayendo ou oembo e até pênis
[27:23] de coelho, que aparece principalmente em lugares do
[27:26] norte e do nordeste. O povo tem é arte, viu?
[27:29] Tem mesmo Wagner. A Guiné é um arbusto que pode
[27:33] crescer até 2 m de altura. Seu caule tem pequenas marcas
[27:37] chamadas lenticelas, e os galhos mais novos são cobertos por
[27:41] pequenos pelos finos. As folhas podem variar de
[27:45] tamanho. Geralmente tem formato alongado,
[27:48] com a ponta fina e a base afilada e a borda levemente
[27:52] ondulada. As influorescências surgem na
[27:55] ponta ou nas laterais dos galhos.
[27:58] As flores da Guiné são pequenas, delicadas e hermafroditas, ou
[28:03] seja, elas possuem órgãos reprodutivos masculinos e
[28:07] femininos, o que permite que a planta possa se fecundar
[28:11] sozinha, e as cores variam entre branco, rosas, branquiçado e
[28:17] verde. A Guiné é uma planta nativa de
[28:19] regiões tropicais das Américas, como Amazônia, América do sul e
[28:24] América central. Ela também é encontrada na
[28:26] África. Prefere crescer em lugares sub
[28:28] úmidos e com sombra. Então, minha gente, nada de
[28:32] deixar a planta naquela solena toda, viu?
[28:34] Exposta, porque se não ela não curte, ela morre.
[28:37] A Guiné pertence à família fitola Cássia, uma das mais
[28:40] antigas dentro da ordem das cariofiláveis.
[28:44] Essa família abrange cerca de 17 gêneros e mais de 120 espécies
[28:49] tropicais espalhadas por diversas regiões do continente
[28:53] americano. Entre seus parentes mais
[28:56] próximos estão o limão bravo, cegueira e Americana, e o limão
[29:02] de espinho, o laranja do Mato, cegueira langsdorff, plantas
[29:06] também conhecidas nas comunidades tradicionais por
[29:10] seus usos terapêuticos. Os principais componentes das
[29:13] folhas são flavonóides, complexos, glicosídeos,
[29:17] saponínicos, triterpenos, alcalóides, taninos e
[29:21] esteroides. As flores concentram o
[29:24] carboidrato pinitol. O caule é composto por beta
[29:29] citosterol, a lantoína e nitrato de potássio e nas raízes
[29:34] destacam se o bens aldeído, de benzil, de sufeto, stilbenos e
[29:39] kumarina, entre outros compostos.
[29:42] Vixe, já viu, né, minha gente? É muita substância econômica
[29:45] complicado. Vai ver que é por isso que a
[29:47] Guiné traz efeitos diferentes. Quando conversamos com a
[29:54] quedissinha, ela disse para gente que usava Guiné em
[29:56] trabalhos espirituais e como remédio natural para
[29:59] desequilíbrios emocionais e para dor.
[30:04] Porque o Guiné é quando a pessoa tá com uma dor de cabeça, né?
[30:08] Tá com insônia, tá mal humorado, dá um chá pra essa pessoa aí,
[30:13] pra pra pessoa se acalmar. Mas o Guiné normalmente a gente
[30:19] usa pra. Quando as pessoas não estão bem,
[30:22] é assim psicologicamente, né? E até 2 de contar com muita dor,
[30:29] dor de dente, por exemplo, as pessoas mandam tomar chá de
[30:33] Guiné. Esse feito analgésico da Guiné
[30:38] aqui é que a de ciência se refere já foi comprovado em
[30:41] estudos pré clínicos realizado por pesquisadores da
[30:44] universidade autônoma de chiapas, no México.
[30:48] Eles testaram extrato das folhas em camundongos de laboratório
[30:53] para ver se elas realmente ajudavam a aliviar a dor.
[30:57] Foram usados extratos aquosos, hexânicos e metanolicos no
[31:01] modelo de teste da formalina, que mede a resposta a dor em 2
[31:06] fases diferentes. Os resultados revelaram que
[31:09] todas as amostras reduziam a resposta dolorosa, especialmente
[31:14] na fase inflamatória, com índices de eficácia.
[31:17] Entre 50 e 60%, e a segurança também foi confirmada.
[31:22] Nenhum roedor morreu e, dos 54 componentes identificados na
[31:26] planta depois de uma investigação química detalhada,
[31:30] os pesquisadores perceberam que 4 tinham forte probabilidade de
[31:34] exercer a ação analgésica, o eicosano, o oleato de metila, o
[31:40] fenol e um derivado de ácido linolênico.
[31:52] Para entender o papel da Guiné nos rituais de tradição do povo
[31:55] banto, ou seja, que veio de Angola e do Congo, conversamos
[31:59] com Tata mutaime, sacerdote do terreiro mutaalambu e caiongo.
[32:03] Aqui em Salvador. Ele compartilhou com a gente
[32:06] como a Guiné atua como mediadora energética, ajudando a
[32:10] equilibrar os extremos. É importante?
[32:17] Ela é muito importante, até mesmo porque a gente usa muito.
[32:22] É para os rituais de vumbe. A gente usa muito ela, porque
[32:29] ela ela quer se e vumbe não quer saber de coisa aquecida, né?
[32:36] Assim como o zasi, xangô não gosta de coisa fria, vumbe não
[32:40] gosta de coisa quente. Zasi xangô tem a ver com a vida.
[32:47] Vombi é a morte, então é sempre trabalhando os os extremos, mas
[32:54] que esses extremos, eles estão sempre juntos, eles não se
[32:58] separam. Então barato da alquimia e que é
[33:03] o que atender, ensina a gente. Deixa eu fazer uma pausa aqui na
[33:10] fala de tatamutar só para explicar algumas divindades que
[33:13] ele mencionou. Nos terreiros banto, vumbi
[33:17] significa a morte, por isso ele fala que pra essa entidade tudo
[33:21] deve ser frio, porque nela não há mais nada, nem vida.
[33:25] Jazazi é a divindade dos raios e por isso do fogo.
[33:30] Ele costuma ser associado ao xangô do ketu tatamutar está
[33:34] traduzindo o zaz como o xangô para melhor compreendermos a
[33:38] oposição que ele faz, em que se quente zase e o frio vumbi.
[33:43] Mas eu me seguir com Tata a muta.
[33:49] Agora, é óbvio que você tem que. Saber como você vai?
[33:52] Trabalhar ela com, né? Como é que você vai fazer essa
[33:54] alquimia, tá? O horário é importante, o
[33:59] horário de pegar ela, de amassar ela, né?
[34:02] Sabe de macerar ela, de tomar o banho é muito o chá, o chá é
[34:08] perigoso, então quantas folhas você vai fazer?
[34:12] Você vai usar Oo pêndulo dela. Como é que você vai usar esse
[34:15] pêndulo? Esse pêndulo?
[34:17] Ela tem que ser o chá. Tem que ser feito com um
[34:20] pêndulo, com flores ou fechadinho.
[34:23] Tudo isso é importantíssimo, tem que saber.
[34:29] Esse é um conselho importante de Tata muta, tem que saber
[34:33] utilizar as ervas de maneira correta, por isso a gente sempre
[34:38] fala aqui no podcast. Que é preciso ser orientado por
[34:41] alguém que realmente conheça as contas medicinais.
[34:45] Boa, Victor. Outra coisa que Tata mutaimet
[34:48] falou pra gente é que ele não trabalha Guiné sozinha, ele
[34:52] sempre utiliza 3 ervas juntas, Guiné, queiô e tirateima
[34:56] africana. Nós falamos da queiô na primeira
[35:00] temporada do podcast. Já a tirateima africana é
[35:03] conhecida por outros apelidos, como vence demanda, abre caminho
[35:07] e quebra demanda. Ela é muito utilizada pelas
[35:10] religiões de matriz africana, onde é associada aos orixás
[35:13] xangô yogum assim como a Guiné, a tiratema africana é usada em
[35:19] banhos e defumações, com o objetivo de afastar energias
[35:21] negativas e abrir caminhos. Wagner, uma coisa que a gente
[35:33] sempre fala aqui. É que pra utilizar as ervas não
[35:37] pode ser assim de qualquer maneira.
[35:39] Tipo eu Li Na internet, eu vou fazer.
[35:42] É uma sabedoria de muito tempo, exatamente pra utilizar folhas
[35:47] de poder energético e espiritual como a Guiné.
[35:49] É preciso conhecer os fundamentos.
[35:52] Escute só o conselho de aquedzinha.
[35:57] Então não é assim tão fácil quanto parece, né?
[36:01] As pessoas dizer não, isso é bom pra isso, porque às vezes é bom
[36:04] pra um e não é bom pra o outro, né?
[36:07] Porque depende de uma série de coisas, depende de até da
[36:09] orixidade de uma pessoa. Tem pessoas que não pode tomar
[36:12] banho com determinadas folhas, tem pessoas que não pode usar
[36:15] determinadas folhas, então é complicado você dizer, isso é
[36:18] bom pra si só se faz isso com essa folha.
[36:21] E não é que tem pessoas que não pode às vezes usar aquela folha?
[36:25] Então, quando a gente vê a pessoa sendo rezada 23 pessoas
[36:29] com a mesma folha, não é certo, porque você não sabe se 3
[36:33] pessoas podem ser rezadas, se as 3 pessoas, as cabeças dessas 3
[36:37] pessoas, serve para ser rezada com aquela mesma folha, ou pelo
[36:43] menos você dizer sacralizar da mesma forma que você sacralizar
[36:47] um sacraliza outro que não é assim, né?
[36:53] Victor, você esteve em Cuba e conversou com o sacerdote da
[36:57] santeria, uma das religiões de matriz africana que existe por
[37:01] lá. Conta para os nossos ouvintes
[37:03] como foi isso? Eles também utilizam as mesmas
[37:06] ervas que a gente aqui. Então?
[37:08] Wagner, eu fui a Cuba visitar amigos que não via há muitos
[37:12] anos, desde que fiz o pós doutorado em Havana, e dessa vez
[37:16] tive o prazer de conhecer o babalaô de santeria Santos,
[37:20] isidro ouviero torre. Na casa dos amigos Orlando e
[37:23] ailen, no bairro vedado, a conversa com Santos isidro foi
[37:27] muito interessante. A Santo teria tem muitas
[37:31] semelhanças com o candomblé como uso espiritual e medicinal das
[37:35] plantas. Algumas divindades do candomblé
[37:37] etiqueto também são as mesmas, como a sangue, por exemplo.
[37:43] Vamos ouvir um trechinho da entrevista, um detalhe, a
[37:47] gravação não tá muito boa porque nem toda equipe foi para Cuba.
[37:51] Então eu acabei gravando no meu celular mesmo.
[37:58] E quem é leu Deus de elas plantas, o sain.
[38:03] O sain é o sain, que é um Deus um pouco imperfeito, que tem uma
[38:07] única orelha, uma única mão, um único pé, é o dono de toda o é o
[38:12] sain. E qual é a importância de elas
[38:19] plantas? Sem as plantas, não há.
[38:26] Nada, nós dizemos, é OE. Sem OE não há nada, porque tudo,
[38:31] tudo, tudo em parte se faz com as plantas, que são poderes
[38:39] vegetais que ativam essa potência.
[38:45] E em relação a teria se usa las plantas?
[38:51] Para la religião, a parte religiosa e igual para o cuidado
[38:57] com lazalou, há muitas. Plantas que se usam na religião
[39:03] iorubá, que geralmente todas são curativas, porque esse tomma é
[39:08] essência dessas plantas, para nos limparmos completamente
[39:11] dentro do corpo, purifica um corpo humano completamente para
[39:17] o bem. Eu mostrei para Santos e vidro
[39:25] algumas plantas de nossa segunda temporada para saber se ele
[39:29] conhecia alguma delas. Ele reconheceu a Guiné, mas
[39:33] apenas para uso medicinal e não religioso.
[39:42] É isso que te vou mostrar a hora.
[39:45] É uma planta muito utilizada em candomblé.
[39:49] Em Brasília, lá já amamos Guiné. Eu e Guiné, essa planta não
[39:56] cresce tanto. É assim, mais ou menos cresce.
[40:02] Macabro também é a anamu anamu, parece a anamu.
[40:09] Olha essa, você pega aqui para o catarro isso, mas não vai Na Na
[40:13] religião, na religião não vai com nada da vida.
[40:17] Essa É Ela, tira todo o catarro toda.
[40:23] A sacreção. Quem está traduzindo a voz de
[40:32] Santos, isidro, aqui é Lucas Oliveira, da equipe de
[40:35] assessoria científica do axé das plantas.
[40:38] Obrigado, Lucas Vitor, você reparou?
[40:41] Uma coisa é muito potente mesmo, a nossa diáspora africana, né?
[40:46] Mesmo com nomes diferentes, a essência da nossa
[40:49] espiritualidade é a mesma. A fala do sacerdote da santaria
[40:53] Santos isidro, de Cuba, só reforça que as nossas raízes
[40:57] continuam vivas em muitos lugares.
[41:00] Além da santaria, outras 2 religiões de matriz africana são
[41:03] comuns em Cuba, a paleria e o if.
[41:06] A nós encontramos informações sobre o uso ritualístico e
[41:09] medicinal da Guiné, ou como se referiu o sacerdote Santos
[41:13] isidro anamu. No livro o Jardim de hosain no
[41:17] Reino de arumilá, introdução à tradição de fá e catálogo
[41:21] botânico afro cubano. Neste livro, o uso religioso da
[41:25] Guiné é aplicado para limpeza espiritual contra espíritos que
[41:29] atormentam suas vítimas. Esse livro é maravilhoso,
[41:33] Wagner. Ele traz informações sobre
[41:35] diversos usos da Guiné, que vão desde o tratamento de afecções
[41:39] de pele até contra a picada de escorpião.
[41:43] Mas deixa um alerta que a planta não deve ser administrada em
[41:47] mulheres grávidas porque as raízes têm ação abortiva.
[42:05] No começo do podcast, a gente comentou que a Guiné ainda não
[42:09] foi incorporada à farmacopeia brasileira, nem a reni sois.
[42:13] Mas, por outro lado, o SUS já reconhece práticas tradicionais
[42:17] de cura através da política nacional de práticas
[42:21] integrativas e complementares. Isso quer dizer que o SUS
[42:25] oferece diversas terapias, como acupuntura e fitoterapia.
[42:30] Já são 29 procedimentos oferecidos que complementam os
[42:35] tratamentos convencionais com uma abordagem mais abrangente da
[42:39] saúde. Essa política.
[42:41] Considera aspectos físicos, mentais, emocionais e
[42:46] espirituais? Que bom que estamos avançando
[42:49] nessas questões, Victor. E um passo importante é o
[42:52] projeto de lei 426, de 2025, que está em tramitação na Câmara dos
[42:58] deputados. O PL reconhece o trabalho das
[43:01] benzedeiras e benzedores como prática integrante do SUS para
[43:05] promoção, proteção e recuperação da saúde.
[43:10] Esse reconhecimento. Valoriza o benzimento como parte
[43:13] da cultura popular e garante que essas práticas tradicionais
[43:16] possam ser exercidas livremente, sem exigência de formação
[43:20] acadêmica específica, desde que respeitados os princípios éticos
[43:25] e sanitários. O PL propõe o registro oficial
[43:28] dessas pessoas junto aos órgãos de cultura e saúde, além de
[43:32] proibir a discriminação dessas práticas.
[43:35] E já existem experiências de benzedeiras no SUS, no Distrito
[43:39] Federal, por exemplo. Algumas benzedeiras atuam dentro
[43:42] de unidades básicas de saúde, elas oferecem atendimentos
[43:46] mensais e muitas vezes trabalham em parceria com a medicina
[43:50] convencional. E por falar em benzedeira, eu
[43:53] lembrei de outra reza que minha vó fazia, que era mais ou menos
[43:56] assim, se for no seu vestir, se for no seu falar, se for no seu
[44:01] caminhar, olhada e quebrante, vai pra maré de Vazante.
[44:14] No próximo episódio do podcast axé das plantas, cura do corpo e
[44:18] da alma, a gente vai falar de uma medicina ancestral que vem
[44:21] das florestas, dos povos indígenas.
[44:24] Estamos falando da ayahuasca. Se você perdeu algum episódio do
[44:27] podcast, é só dar o play. Nessa temporada.
[44:31] A gente falou sobre a água do elevante graúda.
[44:34] Sobre o munungu e sobre a cannabis.
[44:37] E na primeira temporada falamos sobre oriri, que ioiô, amburana
[44:42] de cheiro, teteregum e folha da Costa.
[44:45] Eu comecei esse episódio cantando e quero terminar
[44:47] cantando. Vem comigo, Victor, olha que eu
[44:50] vou, Bora lá. Quem me vinga da mandinga é fica
[44:53] de Guiné, mas o de fé do meu axé não vou dizer Quem é Quem me
[44:57] vinga da mandinga é fica de Guiné, mas o de fé do meu axé
[45:01] não vou dizer quem é. Sol da fé, cabeça feita.
[45:13] Ei, você já tá seguindo a gente no Instagram?
[45:16] Se não bota lá, arroba ache das plantas.
[45:21] Aproveita e ativa o sininho do Spotify e no YouTube para não
[45:26] perder nenhum episódio. Acheia das plantas, cura do
[45:31] corpo e da alma. É uma produção da Universidade
[45:34] Federal da Bahia em parceria com o podcast viagem gastronômica
[45:39] com o doutor dendê e tem o apoio do instituto Serra peneira.
[45:44] Os 5 episódios dessa segunda temporada são apresentados por
[45:48] mim, Victor jorgini Silva e por doutor Wagner rocha.
[45:53] Queremos deixar um agradecimento especial a todas as pessoas que
[45:57] ajudaram a dar vida a esse podcast, nossas entrevistadas e
[46:01] entrevistados. É quedissinha do terreiro da
[46:04] Casa Branca mãe Índia, do terreiro do bogum mãe lelle e é
[46:10] quede Laís do terreiro iléa chel chun omire, tatamutaime do
[46:15] terreiro mutalambu e ekayongo mestra Japira pataxó, pajé
[46:21] manache, nenauá, chankony junicui, sacerdote Santos isidro
[46:27] oviédo torre, o neurocientista sidarta Ribeiro.
[46:32] O músico Sidney rocha, a médica Mariane Ventura e a professora e
[46:38] farmacêutica Maiara de Queiroz na apresentação, Victor Diógenes
[46:45] Silva e eu, Vagner rocha na direção, Silvana Moura no
[46:51] roteiro, Maiara Cristina na edição, Danielle Freire na
[46:56] produção e assessoria de imprensa Jean Cardoso.
[47:00] Nosso social media editor de vídeo é homeran Ribeiro.
[47:05] Os mobilizadores das redes sociais são, aimé Alves, Lucas
[47:09] Oliveira e João Antônio Lima, no design em identidade visual,
[47:14] Davi Barreto na captação de áudio externo, o mibolu na
[47:19] captação de áudio em estúdio, André TA trilha sonora é de
[47:24] André saputi, Rafael calunga, com a participação de Átila
[47:27] Marques. Na assessoria científica em
[47:30] Humanidades, Rafael Fontes. Na assessoria científica, em
[47:34] biológicas e saúde, raimer Alves, Clarissa esquitini, daise
[47:40] Villas boas, lenise Guedes, Lucas Oliveira, Márcia Silva,
[47:47] Rafael short, Ravenna do nascimento, Susana Braga, Ivo
[47:53] Jessé e Victor diorgene Silva neste episódio.
[47:57] Contamos com a assessoria de estudantes da Universidade
[48:00] Federal da Bahia, Caroline nascimento, Cíntia Cristina,
[48:05] João Antônio Lima e Tiago Conceição Santos.
[48:09] Nossos agradecimentos também aumentor telroprest e ao nosso
[48:12] podcast parceiro, viagem gastronômica, condutor dendê.
[48:17] Os episódios foram gravados no estúdio t financiamento
[48:21] instituto Serra pilheira. Até a próxima.

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