# com pessoas: "Estás cheia de vulvas em casa!" - Tânia Graça

An episode of [não sei ser](https://invisiblenetwork.ai/podcast/1662857422), 2 Sep 2025, 1 h 11 min.

Audio: https://anchor.fm/s/d7dabd1c/podcast/play/107637836/https%3A%2F%2Fd3ctxlq1ktw2nl.cloudfront.net%2Fstaging%2F2025-8-1%2F406652139-44100-2-7ffbec95111a1.mp3

🎙️ Tenho entrevistado só pessoas de quem gosto e estava a faltar a Tânia Graça 🙂. 👀 Conhecem-na de certeza, mas não tão bem quanto eu. A moça é muito reservada na sua vida íntima – deve ser o que é mais saudável. Desconheço essa questão. 🌈 Uma activista muito colorida e inesquecível por todos os motivos e mais alguns. 🎭 Fizemos parte dos Comedy Therapy que andou em tour pelo país inteiro: https://tr.ee/PHrhpsJaFo 🙃 Se ela não vier ao meu novo show, vou amuar. E se não vos vir também: 📅 7 de Outubro no Villaret em Lisboa – Não Sei Ser ao vivo – um espectáculo de stand-up comedy de improviso. 🔗 https://tr.ee/sZoTJ8Almb 💜 Sabem quem é amiguinho, quem é? #Pleno, que além de estar a apoiar o podcast, também está a apoiar a derradeira tour do Não Sei Ser. ⭐ Sigam o podcast, avaliem e comentem (podem também ver no YouTube, claro).

## Transcript

[0:00] É o podcast, não sei ser. Olá, como é que estão a ser as
[0:08] vossas férias já voltaram? Eu gosto de setembro, por acaso
[0:11] sempre gostei? Não só porque faço anos dia 17
[0:14] de setembro e é o que vim a saber, é o dia mais popular para
[0:17] se fazer antes, portanto, a fornicação dos meus pais deverá
[0:21] ter sido na passagem de ano, um parabéns a todos nós.
[0:25] Ainda estou de férias, estou aqui no Algarve, venho aqui
[0:30] passar férias com a parte da minha família e é giro que
[0:34] consigo ouvir a voz deles ao longe, não sei, os quem estão a
[0:37] cantar são os bifes. Já vi ali uma gargalhada, foi
[0:41] fixe assim que voltar, vou voltar com o ténis, vou voltar
[0:46] com o padel. Eu adoro regressar às coisas que
[0:49] normalmente possa podes passar, se por ti estiver OK.
[0:53] Ficaram a saber que a vivenda não é minha.
[0:57] Vou voltar à rotininha. A Irene também vai voltar às
[1:00] aulas. Eu adoro mesmo estes estes
[1:03] começos. E vou dizer a verdade,
[1:06] ultimamente tenho jogado mais paddle do que ténis e sempre que
[1:09] vou jogar paddle eu faço uma espécie de.
[1:13] De Juramento, digo hoje, não vou dizer asneiras hoje, vou ter
[1:17] classes hoje e nunca consigo, nunca consigo.
[1:21] Eu dou o meu melhor para não ser asneira.
[1:22] Entra, digo chupeta e pá, sou incontrolável.
[1:31] No outro dia, uma amiga, uma amiga, por acaso, bastante amiga
[1:35] para as vezes em que eu estive com ela.
[1:37] Gosto muito dela. Serviu 2 vezes, estava já
[1:40] irritada, foi dupla falta e a face pá, tanto que inicialmente
[1:46] quando eu jogava paddle noutro sítio, houve um tipo pá.
[1:48] Isto é das coisas que eu mais tenho ouvido na minha vida, isso
[1:51] eu no início não gostava de ti, mas agora te conheço, até te
[1:54] acho fixe, mas é por causa disto, é da minha natureza,
[1:59] falo, falo sem me aperceber, sou um bocado esbocada, mas não é
[2:02] por mal. Se as pessoas me disserem que as
[2:04] coisas são segredo, são segredo. Agora este tipo de cenas de.
[2:08] De me comportar bem. EE é fixe não estar aos berros,
[2:11] até por respeito às outras pessoas.
[2:13] Não é o quer que seja durante um jogo, não é fixe ter uma no
[2:16] outro dia. Joguei com uma pessoa assim e
[2:17] fiquei toda a Sério. Uma pessoa nem dá para jogar
[2:21] porque fica tudo sobre aquela pessoa.
[2:23] Eu faço humor ao mesmo bem, não interessa isto para quem não
[2:25] joga ocupado, não tem interesse nenhum, mas sim é da é da minha
[2:29] natureza. E por falar em coisas fixes,
[2:32] amigos que que tenho feito a tenha, já sou amiga dela há
[2:35] alguns anos, até já trabalharmos.
[2:37] Estou me a pôr assim por causa do vento, não é porque vem aí um
[2:39] senhor velho dar me uma ajuda por trás.
[2:43] Trabalhamos juntas no comedy fairy a primeira vez que saía à
[2:46] noite com ela e, aliás, saía à noite com ela.
[2:48] E foi um festival, coisa que eu não faço.
[2:51] Ficámos apaixonadas uma pela outra, eu acho.
[2:53] Gostamos as 2 de nos ouvir, de desabafar, de dar conselhos de
[2:57] avacalhar. Eu adoro fazê la rir,
[2:59] especialmente com coisas menos corretas, porque é bom ter a
[3:03] Tânia graça a rir se de coisas que eu não deveria dizer.
[3:06] E agora vão conhecer um bocadinho mais da nossa relação.
[3:09] É claro que a conversa vai ser interessante na mesma, temos de
[3:12] aproveitar este tempo também e o tema para que coisas úteis
[3:16] aconteçam. Mas se vos fizer rir, já é fixe.
[3:20] Tânia graça sim, tu odeias alguma mulher?
[3:25] E a Joana queria interpretar já a falta de sororidade da pessoa,
[3:30] acho mal. É pá.
[3:34] Todos nós odiamos pessoas, sejam mulheres ou não, não é?
[3:37] Olha, eu vou te dizer, não sei se será que odiar é a palavra
[3:43] bom? Pois odiar é super forte.
[3:44] É horrível. Odeio odiar.
[3:47] Pois exato. O ódio é uma coisa que faz mal
[3:49] dentro do nosso coração, certo? Mas chateiam me e irritam me
[3:54] muito aquelas que não reconhecem os seus privilégios, não é?
[4:03] E. Que chegando a determinados
[4:06] lugares de poder e de vós, que poderia ser usada a favor de
[4:12] todas. Hum é usada a favor apenas das
[4:17] suas semelhantes. OK, falta de noção, falta de
[4:22] noção é isso. Eu diria que sim.
[4:25] Tipo, imagina tu tens algumas mulheres no poder, tanto na
[4:27] política como Na Na sei lá. Comunicação social em Portugal.
[4:33] Não é que dizem coisas que são muito problemáticas para as
[4:37] mulheres? Pá diz disto.
[4:40] Ainda hoje fiz um post sobre isso, um story.
[4:42] Eu não me costumo posicionar e andava a evitar.
[4:45] Falar sobre amamentação, por exemplo, é surreal.
[4:50] É surreal. E quem e quem diz amamentação
[4:52] diz situações de assédio em que aquilo que é comentado por
[4:56] algumas mulheres é que depois tens deito, não é e mas ela
[4:59] sabia para o que é que IA ou coisas assim deste género ou
[5:03] mulheres que chegando a um determinado lugar de de poder.
[5:08] Dizem coisas como se eu cheguei, se não não cheguei, a quem não
[5:11] quer? OK.
[5:13] E tipo, ignorando 1000 camadas sociais e de e de.
[5:20] Pá, conjuntura, conjunturas e tudo o resto?
[5:24] Exatamente. Porque este discurso do se eu
[5:27] cheguei, só não cheguei a quem não quero.
[5:28] É um. É um discurso de coach que
[5:29] também me irrita bastante e também me irrita quando vende
[5:31] mulheres. Não é?
[5:33] Espera, se nós perguntássemos uma à outra, quem são as pessoas
[5:37] que mais odiamos? Sim, vá.
[5:39] Não é odiar porque somos pessoas analisadas, temos calma, somos
[5:44] equilibradas a maior parte das vezes.
[5:46] Mas coach é merda. Não há psicólogos que são coach,
[5:54] certo? É aqui, há aqui várias, várias
[5:57] questões, não é porque. O coaching por si só, Hum, não é
[6:01] uma. Aliás, indo mais atrás, OK, na
[6:05] sua origem, é treinador, certo? Portanto, eu não estou a dizer
[6:10] que ser coach assim só é uma coisa má.
[6:13] Por exemplo, se tu fores coach de.
[6:15] Ténis. Ténis.
[6:17] Desporto sim, sim, pronto. Acho que a palavra tem um
[6:21] sentido e a e a profissão não é colocando assim, tem um sentido.
[6:24] O problema foi quando isto se passou para coaching.
[6:27] Do de vida estás a ver e eu vou te ajudar a ter uma vida melhor
[6:31] e conquistar os teus objetivos. E é aqui que é problemático,
[6:34] porque, sendo que isso não é 111, área com fundamentação
[6:39] científica, não é para a parte de de da vida, de de das tuas
[6:42] relações. De ou existe uma aparente
[6:47] componente científica de uma formação de um fim de semana que
[6:50] a pessoa fez na? Exatamente, exatamente.
[6:53] É, é, é isso. E depois é.
[6:54] É muito problemático porque. E eu sempre que falo sobre isso
[6:57] é um problema, porque depois cai me em cima, mas está tudo.
[7:00] Bem e vem, queremos é comentários.
[7:05] Exato, pois se usares esta parte, vai, vai, vai, vai ter,
[7:09] porque repara muitas vezes eu. O que as pessoas depois me dizem
[7:12] é, mas há bons e maus profissionais em todas as áreas,
[7:15] OK, mas quer dizer, se a área não tem fundamentação científica
[7:20] e tu podes de facto. Prejudicar vidas porque alguém
[7:23] chega para pedir ajuda para melhorar as suas relações EAO
[7:28] coach que te vai ajudar quando não tem.
[7:30] Lá está uma base de psicologia, não tem uma formação, não vai
[7:33] saber identificar problemas de saúde mental, não vai saber
[7:35] identificar saúde de vinculação, não vai, não vai saber porque
[7:38] não tem esse conhecimento. Imaginem que a pessoa está
[7:40] deprimida ou tem 11 problema de ansiedade generalizada.
[7:44] Se tu não tens competências para detetar isso, tu de repente
[7:46] estás a dizer que é. Não, não, não estás a conseguir
[7:49] porque não queres. Não estás a conseguir porque não
[7:51] estás AO suficiente, não estás a isto é extremamente
[7:53] problemático, porque depois meio que põe na pessoa ainda uma
[7:57] outra camada de culpa, não é? E que vai certamente piorar.
[8:02] Oo seu estado de saúde mental e da vida, portanto, é, é, é.
[8:07] Problemático e vai surreal, EE cria uma marca que parece que se
[8:11] legitimam profissionalmente e, além disso, que fica uma espécie
[8:16] de culto. Eu acho que às tantas e vai
[8:19] mexer no mesmo, no mesmo funcionamento psicológico das
[8:22] pessoas, não é que é a orientação por e.
[8:25] É até com o meu exemplo muito também, não é?
[8:27] Mais uma vez aqui tu também consegues se fores vais haver os
[8:31] percursos dessas pessoas e são pessoas na sua maioria altamente
[8:35] privilegiadas que que este se eu se se eu conseguir, tu não e tu
[8:40] também consegues, mas esta pessoa que diz que conseguiu.
[8:43] Pá. Tinha era o meu de classe média
[8:45] alta, tinha uma série de contactos muito bons, tinha uma
[8:49] série de facilidades, teve uma educação e um e 1 e 1 e
[8:52] oportunidades ao longo da vida que também a põe à frente.
[8:56] Pois não tem contacto com todas as com muitas realidades, não é?
[8:59] Exatamente. E, portanto, esta teoria, que no
[9:01] fundo é da meritocracia, não, não está a valer não.
[9:06] Está, mas olha, pá, existe aí está aí, está tu.
[9:09] Tens imensa vulva em casa. Tenho muitas.
[9:13] Tens a tua, tens a de uma gata. Exato.
[9:17] E tenho mais uma aqui na frente, assim, um quadro que diz chama
[9:21] me pelo meu nome, vulva. E tem 3 vulvas diferentes.
[9:24] Tenho uma ali. É ao pé da televisão, eu sei.
[9:27] Quando eu fui aí almoçar, tens aí uma chacha por baixo da
[9:31] televisão, eu estava a comer 11 salada e de repente a olhar
[9:34] assim de frente para uma chacha. Elas estão por toda a parte.
[9:38] Eu acho que quem cá vem é assim, quem cá vem também já me
[9:41] conhece, não é? Sim, mas se não conhecer, eu
[9:43] tenho que preparar a pessoa. Olha, estou cheia de vulvas.
[9:47] Exato. E não só imagina a tiparinha,
[9:50] ela já fez até alguns stories AA gozar com isso quando vem à
[9:53] minha casa só porque às vezes senta se no sofá e de repente
[9:56] está um vibrador. O vibrador no sofá e ela não deu
[10:01] conta, porquê? Porque?
[10:04] É o teu? Trabalho é o meu trabalho, então
[10:06] as coisas estão assim, à mão, como outra pessoa tem se calhar.
[10:09] Mas também é uma boa desculpa. É uma voz desculpa.
[10:13] Para teres um vibrador no sofá. Ah, é trabalho, sabes como é que
[10:17] é? Ó pá, mas sabes que imagina OOO
[10:19] meu, eu vou te dizer. As pessoas, se calhar, fazem uma
[10:23] ideia de quem trabalha com a área da educação sexual ou que.
[10:28] Imagina que a pessoa está sempre, deve ser uma pessoa, se
[10:30] calhar, tipo super acesa e que está sempre.
[10:32] E na verdade repara como é o meu trabalho.
[10:36] Há uma certa sexualização da cena no é isso, No No que toca a
[10:39] mim, percebes. Sim, sim, AI espera.
[10:41] Aí que eu estava agora aqui a mostrar este vibrador e.
[10:43] AI, espera, estou aqui toda pingona, sempre pego nu, fico
[10:47] maluca. Não estás a trabalhar, não é?
[10:50] Tal como uma pessoa que trabalha no ginecologista?
[10:53] Exatamente. Não, não, não é tipo EE.
[10:56] É bom que não seja, não é. Quer dizer, é bom que não seja.
[10:59] Imagina o que é que é chegar a casa ou estar ali numa noite de
[11:03] rameiragem e de repente isto tens aqui um condilomazinho?
[11:10] Mas também te vou dizer se. Estiver.
[11:14] Não, não, não, não, não é isso, não é isso o que eu IA dizer.
[11:16] É a verdade, é que acho. Imagina quando tu aprendes a
[11:21] ler? Tu nunca mais consegues não ler,
[11:23] é verdade. Olhar para as coisas à tua volta
[11:26] e se houver letras amontoadas, tu vais ler.
[11:28] Pronto. Isso aplica se um pouco e mesmo
[11:31] tu enquanto comediante, sei lá. Não consigo, estou sempre a
[11:35] trabalhar, sim. Seja à procura da piada, seja a
[11:38] detetar. O que é que a pessoa fez ali
[11:41] fizeste isto. Portanto, eu, eu eu diria que o
[11:45] meu conhecimento não não sendo diretamente transposto para a
[11:48] minha vida. Ele, às vezes facilita me em
[11:51] encontrar, ó pá, coisas que não estão.
[11:53] E aqui não estou a falar só da sexualidade, estou a.
[11:55] Falar das relações? Sim, as relações.
[11:57] De ou situações de machismo ou ou ou de pensamentos machistas
[12:00] que eu própria tenho. Mas é eu, eu deteto.
[12:03] Rápido, não é? Hum, Hum, estou muito treinada
[12:06] para isso. Portanto, não, não são
[12:07] condilomas porque eu vou logo notar, se calhar porque ainda lá
[12:10] está não são ginecologistas, embora eu saiba, são condilomas,
[12:12] mas mas padrões ou coisas que estão a acontecer.
[12:16] E tu tens tu, tu como marca do feminismo neste momento em em
[12:20] Portugal, é verdade. Tu sentes que os homens ficam,
[12:24] ficam de alguma forma intimidades contigo?
[12:27] Género, só vou fazer merda isto vou fazer merda.
[12:29] Ou será que tem um cuidado maior?
[12:31] Imagina chegas ao estúdio da antena 3 e o Alexandre Guimarães
[12:35] está. Ó pá, imagina, eu acho.
[12:40] Eu acho que temos contextos diferentes.
[12:42] Imagina Alexandre Guimarães, nós nós trabalhamos beijinho.
[12:45] Alexandre também trabalhamos juntos, sim, gosto muito dele,
[12:48] muito. Querido, muito querido e muito
[12:49] bom profissional. Verdade, além de ainda por dia
[12:53] lhe disse Alexandre. As minhas amigas estão sempre a
[12:56] dizer que tu és. Um gatão tem cenário, o bicho
[12:57] tem cenário, mas ele sabe, ele sabe.
[13:00] Ele sabe, mas ele diz que ó pá, agora estou aqui.
[13:01] AA, sim, sim, mas eles chegam em menos estas informações chegam
[13:08] se calhar às pessoas. É como a.
[13:09] Mim, esta semana disseram me que eras a segunda mulher mais sexy
[13:12] de Portugal, um homem. Atenção que não se sente
[13:15] intimidade, portanto, seria interessante ver como é que
[13:18] trabalharia a tua pergunta. Foi giro, gosto e já agora?
[13:22] Quem é que é que é? Fiquei curiosa, porque se se é,
[13:27] se não é, não é um título que costumem atribuir.
[13:30] Mas olha, é verdade, muito obrigada, muito obrigada.
[13:34] Eu já te disse, sim, sim, sim, atribuindo.
[13:38] Fiquei tipo, Ah, não sei o que eu quero saber quem é que é a
[13:40] primeira sim, que é para ver qual é Oo critério.
[13:43] Dele sim, sim, sim, sim, só para perceber.
[13:47] Que a primeira, depois eu é uma mulher que não tem nada a ver.
[13:49] Imagina versus de bege. eSIM, é conservadora e usa OOO botão.
[13:55] É Rita Matias. Imagina que a primeira pá passo
[13:59] me com ela maluca. Ela ou a tonia graça.
[14:02] Estou assim, um bocado indeciso. É dentro a uma e a outra.
[14:05] Mas estávamos a falar sobre as pessoas terem cuidado ao PTE de
[14:09] mudarem de alguma forma de comportamento.
[14:11] Pronto e eu estava a dizer que acho que existem assim, 2
[14:13] contextos. Principais um que é da tipo da
[14:15] minha vida, pessoas que estão assim que estava.
[14:17] AA dar o exemplo até do Alex. Pessoas que estão assim, mais
[14:20] próximas de mim ou ou ou no contexto de trabalho ou de vida
[14:23] ou miúdos não é miúdos de namorada, et cetera.
[14:26] E temos aquelas que não conhecem, anão ser só de
[14:29] Instagram ou ou televisão ou de rádio, sim.
[14:31] Conhecem a Tânia? Ativista, sim.
[14:33] Exato. Então eu, eu eu sinto que
[14:36] aquelas que estão na minha vida pessoal, sabendo das minhas
[14:39] ideias, até fazem graças com isso.
[14:41] Imagina? Tu?
[14:43] Exatamente, exatamente. Tipo, dizem coisas para me
[14:45] provocar que nem pensam, que nem acreditam naquilo, mas só para
[14:49] tipo, vá, quer que eu? Viva é tão boa.
[14:51] É quando estamos juntas, diz assim, pá.
[14:53] É tão importante estar contigo só para só para me rir, só para
[14:57] dentro destas coisas. Sim, sim, sim.
[15:00] Dizem coisas as vezes sabe bem num.
[15:02] Contexto, não. Nenhuma das 2 concorda?
[15:05] Sim, calma, exatamente. Sim, sim, eu depois corto.
[15:11] Isso é isso não acontece. Mas depois, fora, eu também te
[15:15] vou dizer, Joana, eu ando cada vez mais bicho do Mato, na
[15:18] medida em que eu não estou assim com tantas pessoas que eu não
[15:20] que não são do meu círculo, sim, percebe?
[15:23] É como eu, assim. Sendo já já há algum tempo, não
[15:26] tenho assim esses contacto de alguém que acabe surpresa?
[15:29] Sim, sim, exatamente. Mas há há pessoas que vêm EE ao
[15:35] mês em particular, que vêm com pronto, com com as suas ideias.
[15:41] Pré concebida a pré concebida é a partir da informação que têm
[15:44] pronto e que acho que é o meu discurso, sei lá um bocado
[15:49] sentem no como um ataque ou que ou que é muito extremista.
[15:54] EE claro que estes estes homens eu vou dizer que são mais homens
[15:58] com quem isto acontece, não é se calhar chegam se com mais
[16:02] cuidado ou ou. Ou então, ou não, ou Estevam
[16:06] logo a dizer, eu não concordo nada com as coisas que tu dizes.
[16:08] Sim, sim, sim, eu. Quero dar a minha opinião sobre
[16:10] o que tu dizes. Sim, porque perguntaste?
[16:16] E é engraçado também que ambas temos assim um perfil público.
[16:20] Não estou a dizer que sejamos sempre assim, mas tinha.
[16:22] Temos um perfil energético, assertivo.
[16:27] Está tão colorida hoje? Pois é a.
[16:28] Este propósito. Eu queria pôr o batom vermelho,
[16:31] mas é uma chatice pôr o batom vermelho só mesmo com prática.
[16:34] E parecia a Paula bobó, amiga, parecia que tinha tido uma
[16:38] trombose. A meio estava assim, meio
[16:40] Batatinha. Porque depois, depois há.
[16:42] Há uma coisa que é eu agora já apanho com muita rapidez, mas é
[16:44] quando tu erras um bocadinho um bocado como o elinder erras um
[16:46] bocadinho vais acertar de repente deste uma boca até aqui.
[16:49] Parece que tive a javardar à noite e que não tirei a
[16:52] maquilhagem. Às vezes, às vezes acontece, mas
[16:55] por norma eu já ponho muito. Muito rápido, pois pois às vezes
[16:58] fazes vídeos a maquilhar te EE eu penso assim, Ah, caraças,
[17:02] como é que isto está? Mas é treino, como tudo na vida.
[17:06] Verdade, muitas. Coisas.
[17:08] Estava a falar te estava a falar te disto de nós ocuparmos espaço
[17:12] e disso ser intimidante para para mulheres também.
[17:15] Mas para homens notamos mais é, somos demais.
[17:19] Saímos muito daquela casca da mulher pura e que deve ser louca
[17:22] na cama, mas decente na rua. As 2 já nos confrontamos com
[17:26] pessoas assim. Que não são más pessoas, são
[17:28] pessoas que não sabem o que é que hão de fazer.
[17:31] É tipo, como é que isto se faz? Como é que?
[17:34] Até sabes, sabes que? E quando me fazem esta pergunta
[17:37] de se os homens se sentem intimidados por por mulheres
[17:41] emancipadas, empoderadas, eu acho que tendo em conta que
[17:46] houve uma nós nós tivemos sempre aqui ao longo da história,
[17:50] sempre não, mas na maior parte do tempo, ou pelo menos nos
[17:52] últimos séculos, à medida que vais vindo para aqui.
[17:56] Não é isso. Obriga aqui, este aqui, estamos
[17:59] a falar numa coisa mais. Não é tanto de de escala, mas é
[18:03] de espaço, não é? Exato, exatamente.
[18:05] Quando tu ocupas mais o que faço?
[18:07] Exato, este lado tem que se reorganizar e perceber.
[18:12] OK, mas então qual é o meu lugar agora?
[18:16] Onde é que eu? Onde é que eu fico?
[18:18] Qual é a voz que tenho ou não? Como é que faço?
[18:21] E mais alguns, não. Aliás, muitos não pensam só
[18:24] tipo, não pensam neste quadro. E espera aí, OK?
[18:27] Realmente eu tive uma série que nem sabia que tinha, porque
[18:29] sempre cresci com eles. E agora que dou conta, como é
[18:32] que posso contribuir também para que haja uma maior igualdade?
[18:35] Não ficam só. Estão perdidos, tem de haver.
[18:38] Olha, no outro dia, o Alvim fez um programa sobre sobre isso,
[18:42] sobre a nova masculinidade e por acaso foram.
[18:47] Foi como por acaso. Quer dizer, o Alvim não IA pôr
[18:50] lá nenhum, não é? Quer dizer.
[18:51] Até poderia pôr só pela não, mas é serviço público, ele tem
[18:56] imenso esse cuidado. EE portanto, não vamos ter
[18:58] acesso a nurres aí, mas foi interessante saber que eles não
[19:02] sabem neste momento, estão exatamente nesse processo, não
[19:05] todos, infelizmente, nem toda a gente tem esse espaço, essa
[19:07] consciência, esse ar, não é, mas estão numa, então como é que é?
[19:13] O que é que o que é que eu faço agora com isto?
[19:17] E é giro. Estamos nesse processo que tu
[19:19] estás a dizer de OK, então este agora é o meu espaço.
[19:22] Como é que é? E como se dizia, há alguns que
[19:25] ficam muito zangados e não e não querem, no fundo, lutam contra
[19:29] essa medo, têm medo exatamente contra essa reorganização de
[19:34] direitos. Mas há outros que não há, outros
[19:36] que e fazem perguntas que eu acho que são legítimas, que são
[19:39] OK, eu já percebi. Que a forma como me comportava
[19:43] até hoje fez vários homens até publicamente a falar disto.
[19:45] A forma como me comportava com as mulheres não era correta.
[19:49] Eu eu assumia um espaço. Aliás, eu assumia que o espaço
[19:53] delas também era meu. Porque é tudo meu, não é?
[19:55] Certo, certo, certo. E agora que.
[19:56] Sei que não perguntam, mas mas eu agora, como é que eu abordo
[19:58] uma mulher? Mas como é que?
[20:00] Porque para que não seja sentido como assédio para que?
[20:04] Sabe, EEE, eu acho que. Já não posso apalpar o cu de uma
[20:07] gaja não que não conheça. Não lamento te isso.
[20:13] Que chatice em um anilingues de surpresa.
[20:17] Exato, não, não, não quer, não quer?
[20:19] Eu Acredito que sim. Toda a gente, tipo todas.
[20:21] Eu acho que todas as mulheres, ou quase todas, vou dizer todas.
[20:25] Têm as histórias de ou serem apalpadas à noite ou serem
[20:29] assobiadas na rua. Autocarros, autocarros ou os
[20:33] chefes que e. Os números do do assédio no
[20:35] trabalho mostram isso também. Terrível.
[20:37] Chefes que ou sabes tipo vêm para cima de ti.
[20:40] Claro que. Sim, claro que sim.
[20:42] Todas, todas? Não, não é por.
[20:44] Aí temos. Quando eles ficam muito
[20:47] zangados, eu, eu, eu mostro números, porque contra números
[20:51] meio que. Sabes e tu tens esses números?
[20:53] Tens esses números sobre divisão de tarefas domésticas em casa,
[20:55] em que as mulheres continuam a fazer, estatisticamente, 3 vezes
[20:58] mais e quando há tarefas parentais igual ou pior.
[21:01] Portanto, temos isso. Temos números da apav que nos
[21:04] dizem que gato temos. Números da apav é gajo, estás a
[21:09] perceber, é tudo dele, é tudo. Dele, mais de 70% das vítimas
[21:14] que são mulheres e mais de 70% dos agressores que são homens,
[21:16] isto são coisas que. Isto não é.
[21:19] Eu digo isto tantas vezes, isto não é apontar o dedo.
[21:23] É só confrontar. É olhar para se isto está a
[21:27] acontecer, não é? Não são casos isolados, é um
[21:30] problema estrutural. Portanto, é um problema
[21:32] estrutural, meio que cabe a toda a gente.
[21:34] Analisar e sentir. Sim, sim, sim, sim, tu, tu és,
[21:39] eu sinto, no outro dia tu fizeste um story a dizer que
[21:43] estás a receber cada vez mais homens receptivos no teu
[21:46] Instagram é um afunilar do teu público também, não é?
[21:50] As mulheres que que se identificam contigo também
[21:52] escolhem parceiros, assim as coisas estão a evoluir.
[21:56] No entanto, no outro dia recebeste um comentário que eu
[21:58] tentei responder com amor, mas estava irritadíssima que foi,
[22:01] porque é que estás sempre tão zangada?
[22:03] Não podes falar destas coisas sem ser zangada.
[22:06] E eu respondi a dizer assim, isso também se resolve, não, não
[22:09] se preocupe. Tu achas que alguns homens
[22:14] sentem este tipo de de ativismo ou de conversa como estando
[22:21] zangadas também como preconceito?
[22:24] Ou seja, nós mulheres somos mais assertivas quando somos mais
[22:27] assertivas, somos histéricas ou estamos todas também muito
[22:31] zangadas? Sim, olha há aqui.
[22:35] Vários pontos sobre isso que é, olha, em primeiro lugar, eu
[22:38] nesse vídeo nem sequer estava nada zangada.
[22:40] Pois não, pois não é que não estava, mas tu és assertiva, ou
[22:44] seja, tu és porque na, na, na, na, na, na.
[22:47] Na. Pronto.
[22:48] Exatamente, exatamente porque eu não estava zangada de todo.
[22:51] Aliás, Oo tema era precisamente muito.
[22:55] E eu e eu mencionei um estudo e disse, também vejo isso à minha
[22:58] volta nas mulheres que acompanho, que leio, que.
[23:01] Que é que muitas mulheres sentem falta de aprofundamento
[23:04] emocional e de conexão emocional com os seus parceiros?
[23:06] Reencaminhei conversas são muito, diz.
[23:08] Diz reencaminhei. Pronto, exato.
[23:12] E que e atenção. E isto também tem a ver.
[23:14] E era isso que eu dizia. Isto tem a ver com uma educação
[23:16] e com uma socialização que eles vivem, em que as emoções não são
[23:20] para ser reforçadas. E então, quando tu não podes
[23:21] reforçar isso também fica tudo muito mais amarfanhado.
[23:25] Pronto. E dizia pá para toda a gente
[23:27] ficar mais feliz nas suas relações e vocês serem mais
[23:29] felizes na vossa própria pele. Um caminho muito importante é a
[23:33] psicoterapia, que também tem tido mais homens a perguntar me
[23:36] por indicações de psicoterapia. Isso é isso é ótimo sinal.
[23:39] Agora posto isto que eu realmente eu não estava zangada.
[23:42] O que é facto é que e tu? E temos estudos também.
[23:45] Agora, não consigo enumerar, se olhar para os livros à minha
[23:47] volta, mas tens. Depois eu apanho uma legenda, tu
[23:49] és muito científica e vais me dar 80 links a dizer tudo aquilo
[23:52] que eu disse, está? Aqui, aqui, aqui não é preciso,
[23:57] sabes? É, é para não, não.
[23:58] Muitas vezes as propostas que eu recebo, tipo pá, se apanhas maus
[24:02] gajos na tua vida. O problema é teu.
[24:05] É como falam com as lésbicas. São as lésbicas porque são as
[24:08] lésbicas, porque ainda não me mais tu um desses pá terrível
[24:11] quê? Que, aliás, as lésbicas também
[24:13] dizem as estatísticas que têm mais orgasmos do que as mulheres
[24:16] heterossexuais ao mesmo tempo. É isso se quiseres depois de eu
[24:19] explorar esse tema. Mas para dizer que há há
[24:22] diversos estudos que mostram que as mesmas características numa
[24:26] mulher e num homem são. Avaliada, portanto, ou comidas
[24:31] em função daquilo que é esperado do teu género?
[24:34] Ora, assertividade, liderança, pá, trazeres as tuas opiniões
[24:40] ocupares o espaço é uma coisa vista como ótima num homem
[24:44] expectável não é positiva e numa mulher não, porque dentro do do
[24:49] conceção de género feminino está o ser doce, o ser calma, o falar
[24:55] mais do vinho. Exatamente, ora, meio que eu
[25:00] venho contrariar muito essas coisas.
[25:02] Então, nessa assertividade, ela muitas vezes lida como zanga.
[25:06] E vou te dizer Joana, e tu sabes que já me conheces há há há
[25:09] muitos anos. Eu já estive mais zangada ou eu
[25:11] não é? Já estive mais zangada, é, eu já
[25:12] me comuniquei de forma mais zangada.
[25:15] Verdade porque para. Já EE atenção e vali da minha
[25:19] zanga e a todas as mulheres e pessoas que vivem, em em que
[25:24] vivem, que fazem parte de grupos que são.
[25:27] Ostrocidados podem ter dado de alguma forma.
[25:29] Sim, ou seja, a zanga é legítima.
[25:32] Precisamente, é isso, é exatamente isso.
[25:34] Porém, eu fui percebendo pá, com a experiência, com a maturidade,
[25:38] com a minha própria psicoterapia EE também com o objetivo que eu
[25:43] tenho com o meu trabalho, que se eu falasse sempre super zangada,
[25:45] as pessoas que estão em cima do muro saltam para o lado de lá.
[25:49] Exatamente, e então EE fui percebendo isso.
[25:52] Até olha, fui percebendo isso até em conteúdos que fiz.
[25:56] Que pensei que estava tipo, estou a fazer coisas muito
[25:59] importantes e que vai ter impacto, mas que muitas vezes
[26:02] duravam muito mais irritação e óbvio, do que o resultado que eu
[26:07] queria. E atenção vai sempre durar,
[26:09] porque se eu estou, se eu estou a falar de se.
[26:10] Estás a questionar o status quo. É normal que que haja retorno?
[26:15] Sim. Mas percebia que pá, não é não é
[26:19] por aqui. Eu, eu, eu, eu posso dizer isto
[26:22] a mesma mensagem. Mas de uma forma que convide
[26:27] quem ainda não está aqui a parar para ouvir e não ouvir a
[26:31] primeira frase e tipo pá, não. Sim, sim, sim, sim.
[26:35] Isto faz me errar um bocadinho o Diogo Faro, sabes?
[26:37] E também foi uma reflexão que ele fez publicamente
[26:39] recentemente. Quando foi ao ar livre do
[26:41] Salvador, martinha, que é inicialmente comunicava tudo
[26:44] com. Com as emoções dele, não é?
[26:47] E com pá, estou mesmo zangada. Acho isto injusto, mas depois às
[26:51] tantas, está se a aumentar AA polarização que existe e estamos
[26:55] a contribuir para um clima de de menos empatia.
[26:58] Não é? Mas mas que.
[26:59] Faz. Parte que faz parte de todos, eu
[27:01] estou bué zangado agora com a questão da amamentação e de
[27:04] haver 2 abéculas, tu, tu. Tu tu amamentaste, Joana.
[27:08] Amamentei tu não te lembras amamentei 4 anos.
[27:12] Depois fui tu já? Ah, então tu fazes parte da como
[27:15] ela como, como algumas pessoas dizem estupidamente, da da seita
[27:19] da amamentação. E fiz e fiz.
[27:21] E fui muito fundamentalista. E falava disso muito zangada.
[27:25] Fui muito violenta. Para muitas mulheres, por ter
[27:28] sido tão da seita da amamentação, foi útil?
[27:32] Para mim, por isto, entre aspas, a gente não acha que é uma
[27:34] seita. Não, não, não.
[27:35] Eu. Eu posso dizê lo porque para mim
[27:38] foi mesmo importante ser fundamentalista, porque só assim
[27:42] é. Consegui alcançar os meus
[27:43] objetivos. Só tendo uma crença muito
[27:46] fechada e muito forte é que consegui arranjar motivação para
[27:48] isso. Mas ao ter um papel público,
[27:50] tinha um blog de maternidade. Falei sobre isso, tal como eu
[27:52] sentia naquela altura, e foi super.
[27:56] Má para mães que decidissem não amamentar.
[27:59] Amamentar. Ou que não só o não querer, o
[28:03] não conseguir é é outro cenário, mas mesmo assim quer dizer EE,
[28:07] isto é um processo. E eu agora, além de ver quais é
[28:10] que foram os benefícios e os malefícios, também ter
[28:13] amamentado tanto, tanto tempo. E do que é que era indicador
[28:17] também da minha relação comigo mesma, com a maternidade e com a
[28:20] Irene. Pá.
[28:22] Por amor de Deus era o que faltava AA minha opinião valer
[28:26] de alguma coisa percebes e. Façam o que quiserem com as
[28:29] vossas mamas. Fodas e com as vossas crianças?
[28:33] Tipo, desde que estejam, desde que estejam assegurados os
[28:36] direitos da criança. Percebes a partir daí.
[28:40] EE, isto leva nos a tanta coisa que é ter crianças que sejam
[28:44] desejadas e termos a Liberdade de escolha, isto é, todo um todo
[28:47] um novelo. Mas pronto, isto enerva me e é
[28:49] também um processo que tenho estado a fazer que é.
[28:52] Que é enfatizar o que é que é isto que eu acho que estamos a
[28:56] fazer com o nosso feminismo agora, que é perceber os gajos
[28:59] estão perdidos, meu eles, não é? Verdade.
[29:02] Não temos de trabalhar todos aqui em conjunto.
[29:04] E uma coisa que não ajuda é a palavra feminismo.
[29:07] Eu acho que para quem esteja menos informado, parece uma
[29:11] burrice, não é? Parece que uma luta direta com o
[29:15] machismo. Sim.
[29:17] Há uma equivalência? Sim.
[29:18] Exatamente que é que é bom desmistificar isso, porque não é
[29:21] de facto uma equivalência, porque o mais de ismo é 11
[29:24] ideologia de que promove a sua prioridade masculina, não é?
[29:28] E o feminismo não procura inverter.
[29:31] Essa opção procura eliminá la, não é não é?
[29:35] Eliminá la supremacia caraças. Percebam.
[29:39] Percebam. Exatamente, se fosse para
[29:42] inverter que a Marcia femismo, existe uma palavra, um nome para
[29:46] isto, mas não é o caso de todos. Eu, eu, eu percebo, eu percebo
[29:51] que crio essa resistência, até porque, por tudo o que já
[29:56] falámos aqui que é. Se existem pessoas muito
[30:00] zangadas com esse abanar das estruturas e perda de de de
[30:04] privilégios, e isso tem um nome e mais e tem um nome.
[30:09] Que está, que está no nosso imaginário coletivo, está
[30:12] associado a um grupo de mulheres zangadas, mesmo que elas sejam
[30:15] só a ser insertivas. Claro, claro.
[30:16] E há um espectro, não é? Não exatamente, mas.
[30:19] Um grupo de mulheres zangadas e que queimam sutiãs como se fez
[30:23] No No no início do de primeira vaga e segunda vaga do
[30:27] feminismo. Então há EEE mulheres de bigode
[30:30] e que são lésbicas, como se qualquer uma destas coisas fosse
[30:32] uma coisa. Sim, sim, claro, claro, mas está
[30:35] está a contrariar, não é? EE, exatamente.
[30:38] E então eu acho que OA resistência ao nome vem, vem
[30:42] daí. Não é desses, desses
[30:43] preconceitos todos à volta do que é que é uma mulher
[30:45] feminista, do que é que é o feminismo, do que é que ele
[30:47] procura. Mas eu vou dizer Joana, e até
[30:50] estava a escrever isto no outro dia, o propósito do meu livro.
[30:55] Ficaram a saber. Exato que eu eu acho que não
[31:00] pode ter outro nome, porque o nome que tem.
[31:07] É, é. É o que representa o grupo que
[31:10] está finalmente a falar e a lutar pelos seus direitos.
[31:14] Porque é que são os felizes? Porque é que não se chama?
[31:16] Só igualdade? Igualismo igualismo, só que AAA
[31:20] questão é que para um grupo que foi silenciado e invisibilizado.
[31:25] E continua a ser em muitos contextos?
[31:27] Claro que sim. Países, nós temos o nosso
[31:29] privilégio, a nossa bolha. Sim, exatamente, exatamente.
[31:34] Portanto, tendo sido silenciado tanto tempo, eu acho importante
[31:38] que quem dá nome, que o nome represente, quem está a lutar
[31:44] por essas coisas, mesmo que essa alteração das pessoas beneficie
[31:49] também os homens em coisas. É como se tivéssemos novamente a
[31:52] espartilhar nos para não causar impacto negativo nas outras, não
[31:55] é? Ou mudar o nome?
[31:57] AI estou incomodado. Espera aí, deixa me então pôr
[31:59] aqui uma palavrinha que que gostem mais.
[32:02] Exato. Eu, eu, eu não, eu não, não
[32:05] vejo. Agora percebo e concordo com o
[32:08] que. Estás a dizer?
[32:10] Não é uma coisa que que muitas vezes tem assim um impacto.
[32:13] Logo, muito por isso é que e estávamos a falar há pouco de
[32:16] como é que se comunica. Se calhar o meu vídeo não começa
[32:19] com a palavra feminismo. Se calhar eu vou falar disso
[32:21] mais à frente ou vou explicar em que é que consiste e no fim
[32:25] disto, isto chama se feminismo. Certo.
[32:28] Porque isso levou a que? Ela está.
[32:31] Parem para ouvir e possam e possam eventualmente
[32:34] compreender. E como eu te dizia, apesar de
[32:36] ser uma luta das mulheres, é uma.
[32:40] Luta tão caraças. E que traz benefícios, trará
[32:44] perda de espaço ou perda de espaço, ou há outra?
[32:48] Eu acho que não é a perda de espaço, é.
[32:49] Antes eles estavam sozinhos à mesa e agora há mais vozes e eu
[32:52] tipo, oi, o que é que está aqui a falar quem?
[32:55] É que está aqui estão elas a falar sobre eles.
[33:00] Exato, exato. Eu lembro, me eu lembro me que
[33:03] olha lá está como ex fundamentalista da amamentação,
[33:05] que havia conferências sobre amamentação só com homens.
[33:12] Pá. Não é que não tenham
[33:13] conhecimento científico sobre o tema, mas a pluralidade de tudo.
[33:17] Acresce sempre de forma positiva.
[33:20] Diria menos pedófilos, se calhar, mas.
[33:22] Sim, estávamos bem sem, sem. Isso pessoal que comete crimes
[33:27] contra. Pessoas a autonomia e animidade.
[33:31] Espero que não tenham direito AA viver não.
[33:35] E não só eventualmente, a fazer reinserção social.
[33:39] Eu, no início do meu percurso profissional, houve uma altura
[33:43] que contactei com muitos agressores de violência
[33:45] doméstica. E pessoas eram eram tipo grupos
[33:51] terapêuticos que eram coordenados por psicólogos e
[33:54] pessoas também ligadas à justiça para ajudar aqueles homens.
[33:59] E de facto, eram grupos só de homens ajudar aqueles homens.
[34:02] AA perceber o que é que estava a acontecer a aprender a gerir as
[34:05] suas emoções. AA perceber isto parece até
[34:08] meio. Que está errado debater?
[34:11] É isso parece absurdo, mas EE eles têm assim em em, ou seja,
[34:16] eu posso fazer isto. E sentem isto por uma série de
[34:18] coisas que foram ao longo do vídeo e que aprenderam e que
[34:21] perceberam, e até pela impunidade que muitas vezes
[34:23] existe. Pá.
[34:23] Ainda agora vi um anúncio antigo para aí dos anos 60 ou 70, a
[34:28] dizer, o seu marido bate, lhe, então come, compre farinha.
[34:31] Não sei quê que assim tem força para responder.
[34:36] É que seja é uma normalização, e.
[34:38] Bizarro é bizarro. Viste?
[34:40] Isso também é dos anos 50 e 50. OK esse anúncio, mas repara.
[34:46] Anos de 50 foi há há 75 anos. Tipo, isso historicamente
[34:49] falando é muito, é muito curto e é uma coisa que me dizem muitas
[34:52] vezes o que é, mas o que é que vocês querem mais nas leis, na
[34:54] lei, não há nada que diga que vocês têm menos direitos ou y
[34:59] somos todos iguais e de facto. A Constituição portuguesa diz
[35:01] que independente, independentemente da religião,
[35:05] do da cor de pele, do de tudo, de etnia, mas isto na prática
[35:09] nós não sabemos, não é e sabemos, ó Joana, e não é só
[35:12] para as mulheres, o racismo está em todo o lado.
[35:16] E tem em todo o lado. E olha, falávamos de privilégio
[35:19] EEEO. Feminismo precisa desta
[35:21] interseccionalidade que é. Não é só sobre ser mulher, é
[35:25] sobre ser mulher, por exemplo, e ser mulher negra e ser mulher
[35:29] lésbica e ser porque são mulher. Trans tudo.
[35:33] Pá mulher pobre, porque são camadas.
[35:36] Mulher gorda, a mim não me convém vê lá, tipo pá.
[35:41] Quantas micro mensagens que nós percebemos dos media ou lá está.
[35:44] Isso é uma publicidade dos anos 50, me deixa centinho a que pá
[35:48] que nos soldam a visão e que nós pá, não vemos anão vemos a
[35:53] coisa. E mais, é aquilo que dizia agora
[35:55] que é não vemos às vezes, até enquanto mulheres brancas, SIS e
[35:59] heterossexuais não vemos a coisa, não vemos porque porque
[36:03] só conhecemos a nossa, a nossa bolha.
[36:05] Há um há 11 coisa que me aconteceu, que eu já contei
[36:07] algumas vezes e que eu nunca tinha dado conta daquilo.
[36:11] Que é uma amiga minha, negra, e que andava com os pais à procura
[36:16] de casa para alugar, casa para arrendar.
[36:19] E os pais têm sotaque guineense? Ela não, porque já cresceu aqui.
[36:25] Os pais ligavam e diziam que a casa já estava arrendada.
[36:29] Ela ligava a seguir e, afinal, ainda estava ali.
[36:33] Atenção, não, eles não estavam a ver as pessoas, portanto, era.
[36:36] E o mesmo preconceito é, até então eu nunca tinha pensado que
[36:40] eu, enquanto pessoa branca, eu teria mais facilidade em
[36:45] arrendar uma casa, ou seja, que não, que não há essa para.
[36:48] Além do financeiro, para além de não sei quê, ou seja, de ter
[36:51] esse impedimento claro. Portanto, esta,
[36:55] independentemente das leis, a verdade é que a cultura EE pá e
[37:00] as relações entre as pessoas EE as ideias do que é que é homem?
[37:03] O que é que é? Demora muito a mudar e na
[37:06] verdade, está sempre a andar para a frente e para trás,
[37:07] porque EEE, acho que é isso que estamos a assistir também.
[37:11] Todos estes temas de da desconfiança das mulheres que
[37:15] que amamentam da da de do luto, estacional, de sabes são
[37:24] direito. Onde é que está?
[37:24] Está aqui a Simone, a Simone, a Simone já dizia que basta uma
[37:30] crise política, religiosa, cultural.
[37:33] Para que os os direitos das mulheres sejam colocados em
[37:36] causa e é mesmo verdade sempre que movimentos conservadores
[37:39] avançam. O que é estranho?
[37:42] O que é estranho? Repara o que é estranho.
[37:45] Não é estranho. A direita da Extrema direita ou
[37:48] a muito direita, tem, obviamente, ideias com as quais
[37:51] ninguém concorda minimamente. Sim, tal como há, não de
[37:55] ninguém. Ah, Ah.
[37:57] Como é que foi, como é que? Se fala em público, como é que
[37:59] se fala em público? Não é isso que eu estou a dizer,
[38:01] mas são tão protetores da família.
[38:03] São supostamente tanta coisa, a identidade da família EE.
[38:08] Mesmo assim, estão a utilizar propaganda contra a amamentação,
[38:13] por exemplo, que é uma coisa que não vai, enfim, não interessa.
[38:18] E sou eu que estou. Estou obcecada e estou a falar
[38:20] de coisas que que não sei, mas sim os direitos.
[38:24] Ó Joana, eu acho que tu pões te muitas vezes essa posição, não
[38:26] sabes? Mas tu sabes coisas.
[38:28] Claro que uma pessoa tem que saber.
[38:30] Tenho, sei lá, conhecimento para para falar sobre estes temas,
[38:34] mas repara, tu podes falar enquanto meio que amamentou, tu
[38:39] tens. Sim, tenho alguma experiência?
[38:42] Sim. Tens um.
[38:43] Lugar que fala sobre esse tema, quer dizer.
[38:45] Claro, claro, mas não entendo o suficiente de sociologia ou de
[38:50] política percebes EE. Por exemplo, eu quando tinha um
[38:53] podcast chamado sicoterapia, eu falava sobre aquilo que achava
[38:57] sobre a minha vida e tudo o resto, mas estava sempre a
[38:59] dizer, mas atenção que eu não. Não sou psicóloga porque eu
[39:01] tenho noção que ocupar este espaço pode ser prejudicial.
[39:05] Lá está aquilo que muitos coaches não, não têm.
[39:09] Pode ser prejudicial, pode fomentar opiniões que, não
[39:12] estando eu informada, nem eu própria, sei se quero ouvir.
[39:15] Claro. E também sou insegura.
[39:16] Sou insegura no geral. Tens que dizer, eu acho que há
[39:19] um mico de sensatez, que eu acho que é é muito importante e que
[39:22] falta. Antes dele, não é que é tipo.
[39:24] Olha eu, eu, isto não Domino tão bem.
[39:26] Mas também algum, mas esta coisa do de insegurança e se calhar
[39:30] também ter receio do depois do. Do backlash, sim, sim, não, não
[39:34] me apetece no outro dia é pá. Tu tens que ter já um andamento
[39:39] como tu tens que é sim, venham está bem pronto até nos artigos
[39:43] do público que tu escreves, Joana mas como é que vão lá
[39:46] parar? Já sabem que és tu.
[39:48] Não, mas não. É assim, o título também está
[39:51] bem escolhido? Sim.
[39:52] Caixas caixas de documentários dos jornais são.
[39:56] Esgoto a céu aberto porque e eu digo vos a céu aberto porque
[40:03] aquilo que este OOOO horror que Alice escreve, e não é quando eu
[40:08] digo horror, não é porque a pessoa discorda daquilo que eu
[40:10] disse. Não é, é o chavascal.
[40:13] As ofensas, o esse, esse último, um dos últimos que saiu, que foi
[40:18] sobre traição e que é sempre um tema.
[40:21] Mega polémico, o que também diz muito sobre muitas coisas, sim,
[40:25] lá está sim mega, mega, mega polémico, pá.
[40:30] O pessoal está Montes de que se tenta dizer, esta gaja está a
[40:33] dizer isto de certeza que ela tem o namorado que que veja como
[40:37] é que está a testa pessoal, sabes, EEA, Joana, eu vou te
[40:42] dizer, há comentários às vezes que que me magoam por sei lá, ou
[40:47] por serem muito, muito ou por serem assim violentos ou por a
[40:49] pessoa. Questionar, sei lá a minha
[40:52] credibilidade ou agora quando é isto é tipo pessoal.
[40:56] Sim, é new Rice, não é? Pá, não sabes?
[41:00] E também porque não estás a ter um discurso polarizador.
[41:02] Por exemplo, tu quando falas traição, tu falas um bocadinho
[41:05] sobre o que é que no casal isso significa ter chegado até aí,
[41:08] não é? Não é.
[41:09] Não existe o bem ou ou o mal, existe o necessário,
[41:13] desnecessário, existe muita coisa, mas existe um contexto
[41:16] para isso e as pessoas que vêm deste background mais religioso.
[41:22] Mais julgador e que tem muito receio de serem traídas, muita
[41:26] claro que eu digo claro, mas que não aplicam isso depois na
[41:29] relação, de maneira a relação também ser frutífera de outra
[41:33] maneira. Exato.
[41:34] E porque, porque, porque aquilo? Porque aquilo que eu digo ali
[41:37] também. E claro que é um excerto.
[41:38] E claro que os os, os prazos que são tiradas também.
[41:41] Claro, tal como eu vou fazer com esta entrevista?
[41:43] Sim, claro. É para fazer barulho, é para
[41:46] fazer barulho. Mas de facto, aquilo que eu que
[41:50] eu digo é, pessoal, eu estou a dar, eu estou, eu estou, eu
[41:53] estou a trazer aquilo que a ciência já disse e a psicologia
[41:56] já disse sobre porque é que as pessoas traem?
[41:59] Porque é assim, se há tanta gente a trair e sabemos que isto
[42:02] é 11 comportamento que é devastador para o para a pessoa
[42:06] traída, muita gente para a própria pessoa que trai para a
[42:09] outra para a perceber a pessoa, se é uma coisa que que é tão
[42:12] dolorosa e ainda. Acontece.
[42:14] Portanto, eu estou a dar contexto.
[42:16] Estou estou a explicar porque é que acontece.
[42:18] Até porque nós compreendendo melhor, porque é que o fazemos
[42:21] mais facilmente. Podemos evitar se o quisermos.
[42:23] Evitar, claro. Compreender os comportamentos
[42:25] está como tal, como isto do machismo, não é?
[42:28] Em vez do estou errado, espera, espera.
[42:31] E o que é que se passa? Fala, fala comigo.
[42:34] Percebes ouve só um bocadinho e eu vou te ouvir também.
[42:37] Exato. Pronto.
[42:38] Mas é assim também. Este, esta, esta tranquilidade
[42:43] em relação a esses comentários vem de facto de já ter lido,
[42:46] lido muitos e de e de também perceber que muitos deles dizem
[42:51] muito mais sobre as dores da pessoa e sobre os seus medos do
[42:54] que sobre mim, porque eu nem sequer estou a dar propriamente
[42:57] aquilo é aquilo, é uma crónica de opinião, mas eu não estou a
[42:59] falar. Olha, eu acho que traição.
[43:01] Sim, sim, sim, sim, sim. Então é tipo.
[43:04] OKEEEE. Isso significa que estás a fazer
[43:07] trabalho? Tem que ser feito no fundo, nem
[43:10] que seja reforçar mais pessoas sensatas, não é não.
[43:13] Não sei se convertes nurros, mas pelo menos dás confiança a quem,
[43:19] a quem precisa. E isso é exatamente.
[43:21] Sendo que não é confiança, porque, como diziam lá, eu não
[43:24] estou a incentivar AA atrair. Não estás a incentivar, estás
[43:28] anão pessoal sabem que em vez de dizer que uma em vez de julgar
[43:33] um comportamento explicá lo não é dizer que ele está certo e que
[43:35] deve ser feito. Não é isso?
[43:37] É o desconstruir, exato, assinalar a sua existência.
[43:42] É como falar sobre suicídio. Muitas, muitas pessoas têm esse
[43:45] receio, mas acho que está provado que ninguém que não
[43:48] tenha a ideia de o fazer passa a ter a ideia de fazer só porque
[43:51] se fala sobre isso já agora existem linhas SOS que vou pôr
[43:55] no final de do podcast, mas é muito.
[43:59] Mas em relação a isto de 11 das defesas.
[44:03] Do machismo? Não em si.
[44:05] Acho que as pessoas não defendem o machismo, simplesmente estão
[44:07] assustadas com com o papel da masculinidade.
[44:10] Agora é, mas fomos nós que os criámos, ou seja, que as mães
[44:15] têm muita responsabilidade nisto e nós fazemos parte deste
[44:20] sistema também? Não.
[44:22] É claro, aliás, alguns dos comentários, aquele vídeo que eu
[44:25] falava da desde que estávamos a falar pouco de.
[44:28] Porque a sociedade disse dos homens para não não manifestarem
[44:31] as vossas emoções e de alguns homens zangados a dizer então.
[44:33] Mas a sociedade é constituída por 50% das mulheres sim, ou
[44:38] seja, é constituído 50% por mulheres.
[44:40] Tem toda a razão, tem toda a razão.
[44:41] E isso é um ponto. Isso é um ponto, porém é. 51%
[44:46] das mulheres está formatado como como é que isso aconteceu?
[44:50] É que temos aqui, exatamente temos aqui várias coisas, que é
[44:53] as as mulheres mães que criam meninos.
[44:57] Muitas vezes e meninas, ou seja, a forma diferente.
[45:00] Até como criam meninos e meninas é dando lhes a beber do mesmo
[45:04] caldo cultural que elas próprias beberam e, portanto, EEE sem
[45:07] consciência a Joana é muitas vezes e a fazer Oo melhor que
[45:10] sabem, claro, e muitas coisas boas certamente farão, mas a
[45:14] condicionar. Agora, também acho importante
[45:17] percebermos que quando exemplos que a culpa é das mães, estamos
[45:20] mais uma vez a desresponsabilizar os pais da
[45:21] sua parentalidade, porque o exemplo?
[45:24] Não. É bem visto.
[45:25] Ainda não tinha pensado nessa? Sim, sim.
[45:27] Porque a culpa é das mulheres. Não sabem educar os meninos,
[45:29] então, mas espera lá, continuamos a dizer que a
[45:31] responsabilidade de educar é das mulheres.
[45:34] Então EEO exemplo deste homem, como é que aconteceu?
[45:37] É que eu vou te dizer AAA transmissão de papéis de género.
[45:41] A mais forte é a de mães e pais para filhos e filhas, portanto,
[45:45] os exemplos observados são extremamente importantes.
[45:49] Se se é um pai que está ausente, que trabalha muito, mas está
[45:53] pouco em casa, que não se envolve nas tarefas domésticas,
[45:56] não é. Portanto, este menino não
[45:58] aprendeu só a partir da mãe. Que engraçado pá.
[46:01] Nunca tinha pensado nisso, nesta afirmação só para Veres como
[46:04] isto está está incorporado? Sim, sim, sim, sim, sim, é, é
[46:09] EEE eu própria. Eu já disse isto algumas vezes e
[46:11] realmente, pois é, eu própria estou sempre a dizer que é com o
[46:14] pé das mães. Mas quer dizer, mas não fizemos
[46:16] este filho com alguém. Pá, é impressionante.
[46:19] EE mesmo. E mesmo na gestão de, de, de do
[46:22] meu papel enquanto mãe, eu verifiquei isso que é eu
[46:25] considerava que era tudo minha responsabilidade, minha função,
[46:28] e também que só eu sabia fazê lo corretamente.
[46:31] Também existe essa, essa questão.
[46:33] Então privei muito a oportunidade de igualdade, de de
[46:37] de responsabilidade em casal. Não sei se haveria ou não, mas
[46:40] não deixei, não deixei que isso acontecesse.
[46:44] Mas falando de mães e de de mulheres, estamos a falar de.
[46:47] De estarmos todas juntas e Unidas pelo mesmo objetivo.
[46:50] Mas existe aquela opinião de que nós não nos damos bem umas com
[46:54] as outras, que as meninas não se dão bem com as mães.
[46:58] Isto é mais um mito do patriarcado ou existe alguma
[47:03] fundamentação para para haver esta conversa?
[47:06] É assim eu quando as pessoas afirmam que mulheres não se dão
[47:10] bem como mulher, quando quando são as próprias mulheres a
[47:12] afirmar isso, muitas vezes estão a falar de experiências que
[47:14] tiveram, portanto, eu não nego. Que isto seja uma realidade à
[47:20] nossa volta. Eu questiono, é a causa.
[47:23] E como é que isto? Porque nós fomos naturalmente
[47:27] mais conflituosas umas com as outras ou temos aqui, mais uma
[47:31] vez, todo um contexto histórico de esqueceres de oportunidades?
[47:34] Para nós, só cabe uma ali. Competição só há só ligar para.
[47:37] Uma, queremos também o melhor marido possível, até porque eu
[47:40] preciso de um marido, senão como é que eu me vou validar se eu
[47:43] não tenho um marido? Socialmente fique para tia e
[47:46] toda a gente me julga, sim. Exatamente.
[47:49] Portanto, esta esta competição entre mulheres, acho que tem
[47:53] muito disto. E vou te dizer, Joana, da mesma
[47:56] forma que nós vemos partidos políticos AA colocarem pessoas
[48:02] neste caso português, os portugueses contra imigrantes,
[48:05] porque isso na verdade. Facilita depois a pá, a
[48:09] manipulação das massas e artes. Claro, é criar um amigo em comum
[48:13] para haver união. Sim, sim, é um clássico.
[48:16] Olha os judeus. Não é tanta tanta coisa que foi
[48:18] feita. Ao meio da história, sim.
[48:20] Ou seja, esta ideia repetida EE, muito originada no patriarcado.
[48:27] Quando nós nos colocamos umas para as outras, nós não nos
[48:29] unimos para lutar por causas que são comuns.
[48:32] Porque e pegando Na Na tua primeira pergunta.
[48:35] Eu não tenho que ser amiga de todas, nem gostar de todas, nem
[48:37] amar todas, nem não é nada disso, claro.
[48:40] Mas há coisas que são comuns, há causas que são comuns.
[48:43] E eu quando, por exemplo, sei lá, critico a vida sexual de uma
[48:47] mulher, Ah, porque esta com este, anda com aquilo, eu estou
[48:50] a comentar para ela, mas eu estou a reforçar uma estrutura
[48:53] que me é o primo a mim. Estás a ver?
[48:55] É um, é um. É um bumerangue.
[48:57] Portanto, nós não temos que ser todas amigas, mas sim, temos de
[49:01] desconstruir essa coisa da da. Do conflito e somos EEEEE.
[49:07] Não falamos das coisas. EE falamos nas costas e pá.
[49:10] Se tu achas que isso acontece, se calhar tenta fazer diferente.
[49:14] E se calhar, é uma forma. Eu tenho muito isso.
[49:16] É uma forma inconsciente de adaptação ao patriarcado.
[49:20] Ou seja, se eu pensar assim como eles pensam, sou menos mulher e
[49:24] por isso sente me mais segura neste ambiente.
[49:28] Sim, sim, sim, sim, sim. EE até te vou dizer eu acho que.
[49:32] Muitas mulheres alinha ou não no discurso do do, do patriarcado e
[49:37] de alguns homens, pá, porque nós somos super educadas para ter a
[49:40] aprovação deles, para quereres a aprovação deles, muito para
[49:44] adorá Los, para ser tolerantes com eles.
[49:46] Se calhar, somos menos tolerantes umas com as outras,
[49:48] porque na verdade não com eles. É que é para ser tolerante com
[49:51] eles. Coitadinho que ele não sabe, ele
[49:53] não Lava a sanita porque eu tenho mais jeito, ele não sabe
[49:56] coitadinho qual é? Assim ele aprendeu a ler e a
[50:01] escrever. Ele aprendeu a mexer na
[50:03] PlayStation. Ele eventualmente até tirou um
[50:05] curso ou não, mas estudou. Não é ele, ele, ele.
[50:08] Ele sabe os gajos todos do do, do FIFA, mas não sabe lavar uma
[50:13] porra de uma sanita. Mas não existem.
[50:15] Isto é uma coisa que eu utilizo para me explicar coisas.
[50:18] É um argumento que é, não existe, irá, não, não existe.
[50:22] Eu já investiguei sobre isto, mas diferenças biológicas que os
[50:25] tornem mais inaptos para alguma coisa.
[50:28] Não há pá. Temos, eu li um livro.
[50:31] Que eu recomendo muito, que se chama cérebro e género, OK, que
[50:35] é uma análise de vários estudos livres.
[50:38] É tudo à volta do de de. É tipo, quase uma revisão
[50:42] bibliográfica de tudo o que já foi feito sobre esta área e como
[50:45] as análises são enviesadas à luz daquilo que nós acreditamos
[50:49] sobre o que é ser homem e mulher, por exemplo, os homens
[50:54] têm uma amígdala maior. A amígdala está ligada às
[50:58] emoções, mas nunca ninguém despertou assim.
[51:01] Claro que os homens são os mais emocionais e sensíveis, então se
[51:04] eles têm a amigdala maior. Certo, e.
[51:08] Isto vale para muitas coisas para já.
[51:11] Os cérebros não são assim tão diferentes e é isso que elas
[51:13] mostram. E.
[51:15] As competências que nós adquirimos ao longo da vida têm
[51:18] maioritário. Eu não estou a dizer que não há.
[51:20] Eu não ignoras. Há que existe correlação aqui
[51:22] sempre meio genética, sim. Agora não esta divisão de não.
[51:27] Homens, por exemplo, têm mais jeito com coisas mecânica e
[51:30] mulheres têm mais jeito para a cozinha.
[51:32] O que é que deram às vossas crianças para brincar?
[51:36] Que competências é que elas adquiriram ao longo da vida?
[51:38] E mais, não é só. É que não é só o que deram, é
[51:41] que se pegasse noutra coisa, se calhar, diz então, mas como é
[51:43] que isso é essa? Estás a querer brincar com
[51:44] cozinhas? Certo, certo, certo.
[51:46] Aquilo que nos dão um espaço para adquirir ao longo da vida,
[51:49] aquilo que nós percebemos que ao fazermos, nos valida.
[51:52] É o que nós repetimos. É o que vamos fazendo mais e o
[51:55] que vamos desenvolvendo mais. O facto de haver mais mulheres
[51:59] em em profissões de. Sei lá, olha, empregada
[52:02] doméstica, professora, psicóloga, enfermeira.
[52:07] Ou seja. Porque cuidado de de cuidar.
[52:09] Sim, exato. E que muitas vezes são trabalhos
[52:12] que não são tão bem pagos, não é?
[52:14] Em contraponto com homens, são CEOs, engenheiros, mecânicos.
[52:20] Estás a ver isso? Sim, isto não tem a ver.
[52:22] E aqui, lá está, não sou eu que estou a dizer, é, a ciência não
[52:26] tem a ver com a Constituição do cérebro, tem a ver com.
[52:30] Aquilo que nos vão inculcando ao longo da vida.
[52:35] Não grande mais uma vez porque existe alguma influência
[52:37] genética, mas que não é dividida dessa forma.
[52:42] Quem dividiu esses papéis não foi o nosso cérebro.
[52:45] Foi a sociedade, sociedade e uma das coisas que me fez pensar
[52:49] nisso foi relativamente à maternidade, pá, que li muito
[52:52] nessa altura por estar completamente perdida.
[52:55] Não que me tenha ajudado, mas pelo menos.
[52:57] Olha, foi me entretendo. É que eu achava que a mulher
[53:00] estava mesmo biologicamente mais preparada para cuidar da
[53:03] criança. E é óbvio que temos um papel
[53:05] predominante nos primeiros meses de vida e tudo de resto.
[53:08] Mas Oo cérebro do pai adapta se igualmente e fica igual ao da
[53:13] mãe se tiver acesso e envolvimento ao tratamento do
[53:17] recém nascido EE. Isso para mim foi OK.
[53:21] Estes preconceitos fazem com que não haja oportunidade também de
[53:24] de igualdade depois No No comportamento.
[53:27] Nem. Tinhas dado oportunidade para
[53:29] para que o outro assumisse mais responsabilidades ou mais
[53:32] tarefas. Há aqui uma coisa também, que é
[53:35] quando nós aquilo que aprendemos é que aquilo que nos torna umas
[53:39] mulheres boas, mulheres, mulheres à séria, é ser boas
[53:42] mães, é ser boas donas de casa. Falo disto tantas vezes com a
[53:45] Ana markl e ela partilha isso de si própria no voz de cama que é.
[53:49] Mesmo desconstruindo estas ideias, ela sente mais culpa se
[53:53] calhar do que o seu parceiro ao delegar uma tarefa.
[53:57] Porque? Porque é como se tu estivesses a
[54:00] falhar enquanto mulher, sabes? É tipo, então, se eu não sou
[54:03] cuidadora, sou o quê? Portanto, à parte, AI deixa
[54:08] dizer que tu ouvires Joana ainda, então porque o Miguel
[54:12] estava a fazer barulho. Com com a cozinha, então, em vez
[54:14] de mandar vir com ele, cortei o microfone.
[54:19] Sabes uma coisa como eu, psicólogo, disse no outro dia e
[54:21] que é super complexa, mas que me ajudou a ter mais confiança e a
[54:25] sentir me menos. Culpada?
[54:27] AA ser mais assertiva, pelo menos com com a Irene, porque eu
[54:31] sempre pratiquei a disciplina positiva, a parentalidade
[54:34] positiva, que também é uma coisa estremada e portanto, tem os
[54:38] seus, os seus contras. Foi que eu sempre senti que a
[54:43] mãe era responsável por tudo na criança, porque também
[54:47] responsabilizo a minha mãe por tudo aquilo que me aconteceu.
[54:50] E a partir do momento e que eu começo a achar que eu tive um
[54:54] papel também nessa relação com a minha mãe.
[54:57] Também me dói porque me tira do papel de de vítima, de algo.
[55:02] EE põe me nessa posição, portanto, eu agora pá.
[55:06] A importância da psicoterapia e de percebermos em que é que nós
[55:10] contribuímos para o para o nosso cenário é é tão, tão importante.
[55:14] Eu não sei porque é que estávamos a falar disto.
[55:16] Ah, da da maternidade e do lugar que nós ocupamos na idade da
[55:20] maternidade, não não darmos espaço à.
[55:23] Ao outro, porém. Também existe muitas vezes uma
[55:27] coisa que é é incompetência estratégica, que é, ou seja, nós
[55:31] nós não delegamos porque sentimos que não tem que ser eu
[55:33] tenho que ser eu e às vezes o outro também usufruir disso.
[55:36] Como sim, tu de facto fazes melhor, eu não sei fazer tão
[55:38] bem. Sim, sim, ela contigo, tu é que
[55:41] és. Boa nisso, o bebé contigo
[55:43] acalma. Melhor o bebé contigo é, é, é tu
[55:46] é que tens a mama, porque é que eu vou acordar?
[55:51] Pois. Pá e olha e.
[55:54] É por isso que tantas. Vezes no pós parto muitas
[55:57] relações desmoronam porque porque as mulheres sentem se
[56:02] esperavam outra coisa dos seus parceiros ou ou nem pensaram
[56:05] muito nisso, não é? Mas esperavam outro apoios,
[56:07] esperavam outra participação, que é aquilo que é que não fosse
[56:11] tudo tão, tão difícil. Não para toda a gente.
[56:13] Eu cada vez tenho conhecido mais mulheres para quem a maternidade
[56:16] é uma coisa incrível e confesso que fico só 50% feliz por elas.
[56:22] 50% a pensar, porra, também queria onde é que estavam estas
[56:27] pessoas? Mas para tu sentes que não foi
[56:30] não. Pós parto foi isso?
[56:32] Foi cada vez está mais fácil para mim.
[56:35] Não pensei que sim, mas temos de almoçar, temos de almoçar.
[56:39] Foi terrível, foi terrível. Mas por uma questão de, de de
[56:43] tudo, olha. Há tanta coisa aqui para sacar
[56:47] em que eu agora me poderia responsabilizar a 100% e agora
[56:50] tenho que rever a minha narrativa também, mas sim de há.
[56:55] Há muitas pessoas que têm uma boa experiência com com a
[56:58] maternidade e é aí que se vêem as equipas.
[57:00] Mas mais do que isso, eu acho que é aquilo que tu tu falas
[57:03] também sobre a traição e sobre a sterepereal que é.
[57:06] Somos uma equipa, somos uma dinâmica, isto não há OE tu,
[57:10] claro que há, não é isso. Mas se nos ouvirmos e
[57:13] percebermos que o amor é uma coisa que se constrói, não só
[57:15] uma coisa que existe e que está lá na prateleira, não é sim,
[57:19] sim, tudo se consegue resolver, diria não sei não, tudo também.
[57:23] Há coisas que não são para resolver e é para divorciar.
[57:26] Sim, quando vamos para lugares? Está lá de violência ou de abuso
[57:28] ou assim, claro, claro, é, muitas vezes já não é para
[57:31] resolver, mas mas sim, ela ela diz EE não só não só ela, que é
[57:36] tipo um casal num casal. A matemática é diferente porque
[57:42] 1 + 1 não é igual a um. Somos um só, certo?
[57:45] 1 + 1 também não é igual a 2, porque não somos só como estavas
[57:48] a dizer não somos só indivíduos. Sim, sim, SIM, 1 mais um é igual
[57:51] a. 3 porque sou eu, tu? E a nossa relação, sim, sim.
[57:56] Porque este este, portanto, o casal.
[57:58] É tipo um, é um organismo vivo, tipo vivo daquilo que cada
[58:01] indivíduo também traz, EEEE do quanto se cuida e quando se
[58:05] cuida da sua cabeça e do quanto queremos.
[58:08] Queremos parceiros ou parceiras que façam psicoterapia, pá EE.
[58:13] Sei que não é uma coisa acessível a toda a gente.
[58:15] Eu tenho um vídeo no meu Instagram, volta e meia e volto
[58:17] a postá lo, em que eu coloco várias indicações de.
[58:21] De terapeutas ou de organizações que têm a psicotropia mais
[58:25] acessível, com preços mais acessíveis, porque infelizmente
[58:28] não faz parte de forma não me parece que vai ser tão cedo.
[58:32] Pois não é e. E não e não sendo acessível a
[58:36] toda a gente. Eu, às vezes, quando recomendo,
[58:38] fico e pá. Eu estou sempre a dizer isto.
[58:40] Mas é preciso fazer essa ressalva, porque nem toda a
[58:41] gente pode dar 60 EUR ou 70 ou 80 por uma consulta todas as
[58:45] semanas, ou 2 em ou 2 em 22 vezes por mês, quer dizer.
[58:49] Pá por outro lado, sabes que no outro dia?
[58:51] Tive uma conversa, até foi com o meu psiquiatra.
[58:53] Lá está outro outro privilégio que eu tenho, em que eu disse,
[58:57] pá, não tenho dinheiro para isso, não, não tenho.
[58:59] E ele diz assim, mas às vezes é uma questão de prioridade também
[59:02] é verdade. Às vezes se olhares.
[59:04] Onde é que tu estás a gastar? Dinheiro estupidamente.
[59:07] Tu consegues sacar? É claro que há pessoas que não
[59:11] têm dinheiro para nada, não é isso que eu estou a dizer.
[59:13] Mas às vezes, mesmo nesse dinheiro para nada, podemos
[59:16] fazer uma gestão diferente. Não sei se quando considerar,
[59:19] não sei. Olha, não sei, mas é, mas é,
[59:22] digo isso. Às vezes é não só em relação à
[59:24] psicoterapia, mas até em relação, por exemplo, à aos
[59:27] brinquedos sexuais que as pessoas queixam são, são, são
[59:29] paredes, garotos, por isso é que há tanta emergência.
[59:33] Da para tirar coisas de sítios nos hospitais?
[59:37] O quê? Trombones e frascos.
[59:40] E funis, pois usam, usam outros. Aparelhos não adequados à área,
[59:45] sim. E eu, às vezes, quando digo isso
[59:47] de tipo de, sei lá, um brinquedo custa 60 EUR.
[59:49] Certo, que, volto a dizer, voltamos a, mas a Tânia tem um
[59:53] código. Também não, não.
[59:54] Mas não quer falar sobre isso? Não, não, não.
[59:56] Não é sobre isso, não, não. Mas tens.
[59:58] Era isso que eu estava a dizer. Há.
[59:59] Descontos? Sim, sim.
[1:00:01] EEE não é só isso, é. Imagina, o brinquedo custa 60
[1:00:04] EUR. E eu sei que isto é um valor que
[1:00:06] não é possível de facto para toda a gente.
[1:00:08] Mas às vezes tipo pergunto assim, mas olha, se calhar esta
[1:00:12] semana compraste umas calças de ganga e tinha este Tico no
[1:00:14] armário. E se calhar não vês é o teu
[1:00:17] prazer? EEA, exploração do teu corpo com
[1:00:19] novos estímulos, com uma com uma coisa importante, e pode não
[1:00:23] ser, e pode ser porque não tem ir para as calças nem para o
[1:00:24] brinquedo, mas pode ser porque o sítio onde aloca esse dinheiro é
[1:00:30] em coisas. Que vê como mais prioritárias.
[1:00:33] Mas às vezes é por isso conhecimento da importância
[1:00:35] tanto da psicoterapia como de ter orgasmo.
[1:00:37] É isso? Parece que estamos a ser.
[1:00:39] Um bocadinho insensíveis? Parece que, mas às vezes é isso,
[1:00:42] às vezes estamos OK. Espera, será que posso ir de
[1:00:45] autocarro, por exemplo, ou não sei, não sei, pá.
[1:00:49] Eu peco um bocado nos nos. DVDs, pois.
[1:00:54] Peco um pouco. Peco um pouco e até porque
[1:00:55] também não. É amigo do ambiente, tu teres?
[1:00:57] Amigos ambientalistas também. Não é fácil.
[1:00:59] É por isso que eu não me dou com essas pessoas, sabes?
[1:01:02] Porque falam muito, não é? E dizem muita coisa.
[1:01:04] E nós já percebi que tenho de aproveitar a água do banho.
[1:01:08] Há isso, há isso. Faço.
[1:01:09] Aliás, estou sempre. Pois é, tu és bastante sensata
[1:01:12] nessas. Coisas e não como carne também,
[1:01:15] ou seja. Acho que dou o meu, o meu, que
[1:01:17] tem uma parte, um impacto muito, muito importante, sim, sim.
[1:01:20] Mas atenção, eu até. Vou te dizer, os meus amigos
[1:01:24] ambientalistas, não são nada, pessoas que que evangelizam aí
[1:01:29] ou sim. São pessoas bem dispostas e eu
[1:01:32] muito isso bem dispostinhas exato.
[1:01:33] E aliás, eu às vezes até estou, dou dicas de de coiso, de de
[1:01:37] conteúdo noutro dia, porque disse ao Tiago, Tiago, Thiago
[1:01:40] green trib mas eu acho que ele agora fez 11 Tiago e um nome,
[1:01:43] Tiago Lagoa. Sim, exatamente Tiago.
[1:01:46] Os cabelos podem se pôr na sanita ou não se podem pôr na
[1:01:49] sanita. Mulheres não.
[1:01:50] É que mulheres são homens? Sim, sim, sim, sim.
[1:01:53] Tipo penteias? Não sei quê.
[1:01:55] Acho que não. Pois não.
[1:01:57] E eu punhas não é porque eu não. Sabia?
[1:01:59] E ele disse, me que não? Eu disse, Tiago, isso é um
[1:02:01] conteúdo importante. Pois é, não sabem, mas também
[1:02:04] não é para deixar na parede. Do do chuveiro assim também.
[1:02:08] Não é que eu, a minha madrasta, tem um cabelo muito parecido com
[1:02:11] o teu e eu lembro me de ver quase animais.
[1:02:14] Percebes o cabelo todo emaranhado e parecia que tinha
[1:02:16] ali uma toupeira ou qualquer coisa do género.
[1:02:18] Eu depois ponho, eu depois ponho.
[1:02:21] É horrível. Não, não, não ponha na sanita,
[1:02:24] mas. Ou seja, isto eu estou a dizer
[1:02:25] que uma pessoa vai tentando fazer o melhor que pode, mas
[1:02:29] falha. Olha, eu falho nisso.
[1:02:30] Pá. É com ansiedade.
[1:02:32] Não podemos ser perfeitas em tudo.
[1:02:33] Olha, e é como isto do do feminismo.
[1:02:36] É como isto do sexo. Para terminar, sim, esta
[1:02:40] pergunta é um bocado estúpida. Nem nem sei como é que eu vou
[1:02:44] fazer, nem sei porque é que estou a fazer.
[1:02:45] Tu achas que os homens machistas fazem bom sexo oral?
[1:02:53] Olha o que é que o que é que conseguimos deduzir?
[1:02:56] Vamos brincar aqui? Um bom minete pode ser feito por
[1:03:01] um machista. É assim.
[1:03:04] Pode, mas eu acho que pode, mas sim.
[1:03:11] Sabemos que também. Os números?
[1:03:12] Dizem que as mulheres recebem menos sexo oral do que os
[1:03:15] homens. E aqui também podemos ter o
[1:03:17] nosso papel, porque temos vergonha da vulva e temos medo
[1:03:21] do cheiro. EE não EAAA sensação que estás
[1:03:25] só a receber. É nos meio esquisita, porque não
[1:03:28] foi para isso que eu mostrei nada.
[1:03:29] Eles recebem na boa. Eles são mesmo, tranquilos,
[1:03:30] tranquilos, mãozinha. No cabelo, no pescoço, fomos
[1:03:34] embora ainda ainda engasgam e. E sem consentimento, que não é,
[1:03:41] pode se fazer, não é sim. Pornografia.
[1:03:44] Lá, lá, lá sim. Exatamente, portanto, o.
[1:03:48] Que o que é que isto nos diz? Diz que as mulheres podem estar
[1:03:50] a negar coisas às quais têm direito, mas que também que há
[1:03:53] homens que se sentem numa posição de maior submissão ao
[1:03:58] fazê lo e por isso, pá. Eu eu diria que o mais turista
[1:04:04] pode fazer bom sexo oral, mas. Probabilisticamente vai ser mais
[1:04:09] difícil acontecer? É.
[1:04:12] É o que eu acho. Mas aqui estou um bocado num
[1:04:14] artigo me a partir das coisas, claro.
[1:04:16] E estamos a generalizar. E deve haver bons minetes em
[1:04:20] todo lado? Não?
[1:04:21] Mas também pode. Imagina?
[1:04:21] Também? Pode exatamente.
[1:04:23] Mas também pode fazer um oral incrível para se sentir o maior
[1:04:25] da sua aldeia. Também é verdade?
[1:04:28] Também pode. Acontecer tipo, ei, ela lá veio?
[1:04:30] Tudo e tal. Incrível, eu já vi muitos homens
[1:04:32] publicamente a dizer. Tu sabes lá, eu sou o melhor
[1:04:34] nisto. E depois?
[1:04:37] Depois, logo se vê, pois também e não ou.
[1:04:41] Então estar a fazer a ti e tu não, não não estás a ficar a
[1:04:44] orgasmo EE eles assim, não sei porquê com as outras funcionam
[1:04:48] sempre, mas será que funcionou também?
[1:04:53] Culpa nossa por um lado, mas por.
[1:04:55] Outro lado temos coisas para fazer, não é as 3 razões
[1:04:58] principais. Pelas quais as mulheres fingem
[1:05:00] orgasmos 3 razões. Primeira, para não me lembrar o
[1:05:03] parceiro uhum. Segunda, para ele não achar que
[1:05:07] sou esquisita. Sim, tipo, sou estranha.
[1:05:09] Terceiro, porque estou farta daquilo.
[1:05:11] E que é que acabo depressa? Que é isso que estás a dizer?
[1:05:14] Não sei quem é essa sensação. Não, nunca ouvi falar.
[1:05:19] São mitos. Mas tu é apreciadora para.
[1:05:23] Não és apreciadora, sabes que sou claro que sou apreciadora
[1:05:26] até. Porque já tive relações
[1:05:28] homossexuais e não quer dizer que não haja muita coisa para
[1:05:31] fazer além do oral. Mas tem um, tem um papel, diria
[1:05:36] eu. Muito, muito também, muito
[1:05:37] importante. No entanto, eu sofro um
[1:05:39] bocadinho desse desconforto de achar que a que a vulva é feia,
[1:05:44] que a vagina é feia, parece que também estamos mais expostas ao
[1:05:48] ao falo e ao Oo órgão externo do que o interno, que é mais
[1:05:53] húmido, mais cavernoso, não é EEE, como já vi, algumas também.
[1:05:58] Assim, de frente aqui mesmo, muito perto.
[1:06:01] Ou uma pessoa está mesmo dentro da cena, salvo seja.
[1:06:05] Ou então abstratamente não é assim tão agradável, sabes por
[1:06:08] alguma razão, na tua caneta, na caneca tens 11 ilustração de uma
[1:06:12] vulva e não uma fotografia de uma.
[1:06:15] Assim, não é uma fotografia, não é?
[1:06:16] Não é. Estou te a perceber, estou te a
[1:06:18] perceber. Mas isso tu gostas de que é
[1:06:19] feio. Mas olha lá, mas um é assim, a
[1:06:21] minha é linda. Se eu lhe puser um lacinho.
[1:06:23] Não é por aí, mas não sei, não sei, não é a Coisa Mais Linda do
[1:06:29] mundo. Mas, se calhar, genitais em
[1:06:31] geral. Pois é, não, não, 11 pila.
[1:06:34] Murcha também não há algo que me apetece haver assim à parva.
[1:06:37] Não, não é por aí. Tudo o que seja murcho flores
[1:06:42] murchas deixam me triste. Estou a brincar.
[1:06:44] Vocês não têm de estar sempre eretos.
[1:06:46] E isso também é um mito muito lixado com o qual vocês têm que
[1:06:49] lidar e que é perpetuado por nós, pela pornografia e tudo.
[1:06:53] AI, mulher, olha, estou cansada. Temos é de almoçar?
[1:06:56] Temos lá vamos nós ao ramen outra vez, ou então ao Vasco da
[1:07:00] Gama, como da última vez. Olhe, foi ótimo, tivemos, aquela
[1:07:04] foi. Lembras te daquela menina que
[1:07:06] veio me abraçar e tu ficaste a olhar para ela de deixem me em
[1:07:09] paz. Atenção a Tânia, super amorosa,
[1:07:12] super agradável, mas quando ela estiver comigo, cumprimentem me
[1:07:15] também. Também me quero sentir
[1:07:19] importante, é por isso que eu. Agora, sempre que for ter
[1:07:21] contigo, vou de camisa assim e de e de batom, que é para
[1:07:26] confundir a Malta. Olha, eu acho ótimo.
[1:07:30] Imagina, amiga, é assim, eu, eu, naquele momento, até também se
[1:07:33] calhar, agradeceria que não tivesse havido abraço.
[1:07:35] Porquê? Porque eu tenha vindo do ginásio
[1:07:37] verdade e cheiravas. Fedias de uma maneira.
[1:07:42] Não é? Verdade, porque eu não é que eu
[1:07:45] não me cedo às vezes, sim, sim, como toda as vezes.
[1:07:49] Mas até não sou uma pessoa muito.
[1:07:50] Não és muito fedorenta, não sou muito fedorenta.
[1:07:52] Eu acho, não, não. Até agora não me queixo previno,
[1:07:56] não é previno com o chamado. Bem, com o chamado
[1:07:59] desodorizante, como é que numa conversa conseguimos ser tão
[1:08:03] interessantes? E depois, tão.
[1:08:06] Esse é conteúdo, amiga, é conteúdo.
[1:08:08] A vida é isto. É um pouco de parvoeira, um
[1:08:11] pouco de AI. Agora estou a dizer coisas muito
[1:08:13] sérias. Depois digo merda, depois digo
[1:08:15] percebes. Olha como é que é?
[1:08:16] Como é que almoçamos? Como é que almoçamos quando é
[1:08:19] que? Vamos almoçar, é que tanto como?
[1:08:21] Eu também estamos bem, não é? É?
[1:08:23] No outro dia também falei com a Ana markl, e quando é que
[1:08:25] almoçamos? Não sei, eu quero, mas.
[1:08:28] Como é que se marca? Como é que se faz?
[1:08:30] Como é que? Como é que não?
[1:08:31] Eu acho que a preguiça às vezes. É de encontrar o momento, porque
[1:08:34] depois eu digo que neste dia e depois se for nesse.
[1:08:37] Dia não posso. Depois se depois dizes me,
[1:08:38] depois eu, nesse dia não posso. Depois às vezes marcamos e
[1:08:40] desmarcamos, e depois eu e eu sei que tu gostas de desmarcar.
[1:08:43] Coisas amo. Desmarcar coisas, mas tenho que
[1:08:45] parar. Tenho que parar.
[1:08:47] Temos de ir contra as nossas resistências.
[1:08:49] Às vezes, mas eu é verdade, mas eu também esse.
[1:08:52] Tenho esse curtinho às vezes, especialmente se forem jantares
[1:08:54] ou saídas à noite, que é tipo. Ah AI.
[1:08:58] Não. Podes?
[1:09:00] Ah, estamos a ganhar férias, parece que estamos de.
[1:09:02] Férias de repente não é. É pá.
[1:09:05] É uma é uma coisa meio bizarra, não é?
[1:09:06] Tipo, eu não sei se deve haver alguma explicação já psicológica
[1:09:09] para isso. Tipo, porquê?
[1:09:11] Porque eu tenho. Imaginem.
[1:09:12] Eu tinha vontade de ir. Não é que eu estava a desejar,
[1:09:14] que a pessoa dissesse que não, sim, sim, a bateria.
[1:09:16] Social, se calhar. Ou também uma afirmação de
[1:09:19] limites? Não sei.
[1:09:20] Seja como for, eu adoro te e quero almoçar contigo ao jantar
[1:09:24] ou passar um fim de semana de gajas que também já te disse
[1:09:26] isso. Nós as 2 mais a namarco EE
[1:09:30] fazemos um giveaway, não podes amigo a.
[1:09:34] Giveaway é ilegal AI é mesmo com este é pub?
[1:09:38] É porque jogos? Sorte a usar, mas se.
[1:09:42] Se pedires uma frase criativa, deixa de ser sorte ou usar,
[1:09:45] porque passa a haver um critério, fogo.
[1:09:49] A mulher. Nós aí, afinal, mas que é uma
[1:09:52] pub? Há uma oferta ou que seja sim,
[1:09:55] coiso. Agora tenho que fazer uma frase
[1:09:58] incrível com. Vulva, Ana, Marco e bicaça
[1:10:06] bicaça. Que rima com conaça?
[1:10:11] Ias dizer o quê para saça, não tenho a graça.
[1:10:16] Também podia ser, também podia ser.
[1:10:18] Meu amor, adoro te um beijinho obrigada.
[1:10:21] Não desligues que a minha produção.
[1:10:23] Vai falar contigo, vá fazer valer o pelo.
[1:10:29] Menos até aqui já. Está.
[1:10:36] Já passou. Gostaram da entrevista?
[1:10:39] É fixe, não é? Podem ver no YouTube, caso
[1:10:41] estejam a ouvir só no Spotify. Não se esqueçam também de ir ao
[1:10:45] meu espetáculo dia 7 de outubro no villaret vai ser a última
[1:10:49] tour do não sei ser que é o espetáculo em que faço sempre
[1:10:52] coisas diferentes, falo de coisas diferentes, não perco um
[1:10:54] bocado a pica confesso e é dia 7 de outubro.
[1:10:57] Então no villaret o link está aqui Na Na descrição e tem o
[1:11:02] apoio da pleno apoio da pleno beijinhos e até para a semana.
[1:11:06] Quem é que é o convidado da eu acho que ainda não sei, ainda
[1:11:10] não sei, mas vai ser fixe, acho eu.

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