# #129 - Afinal continuo a ser doente mental.

An episode of [não sei ser](https://invisiblenetwork.ai/podcast/1662857422), 22 May 2024, 24 min.

Audio: https://anchor.fm/s/d7dabd1c/podcast/play/87077280/https%3A%2F%2Fd3ctxlq1ktw2nl.cloudfront.net%2Fstaging%2F2024-4-22%2F683e4538-16df-659b-e9b2-2f3cf06d5b25.mp3

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## Transcript

[0:00] Eu não queria dizer nada, mas eu acho que já é um
[0:02] abuso. Eu não tenho nada a ver com
[0:05] isto, mas acho que existe realmente um limite. Um
[0:09] limite que não pode ser ultrapassado, estás
[0:11] ultrapassado, estás de ficar em cima do limite e eu
[0:15] estou a ver isto, só que a questão é... A
[0:18] liberdade é tu, meu amor. Tu
[0:19] faz aquilo que... mas há consequências. Mas
[0:21] há consequências e elas vão acontecer e depois não
[0:24] quero que venhas para aqui chorar e dizer ai tio, ai
[0:26] tio, porque eu não vou, tio... Olá.
[0:32] Como é que vocês estão? Como
[0:33] é que vocês estão? Ah, expressa a triperinha, vejo
[0:37] tanta triperinha nos stories que agora sempre me cago
[0:39] triperinha. E não uma tripinha, ainda
[0:42] bem, que isso já foi com o parto. Sempre...
[0:48] Ah, está intenso. Pai, está, acabei de acordar, o
[0:53] meu cérebro está todo fanfão, está de género.
[0:56] Então, mas afinal, não era para
[0:59] dormir, algo... Tô aqui, estava aqui tão bem,
[1:02] estava já o ácido láctico, láctico. Estava
[1:07] aqui na pernufa, um por outro, assim, meio a
[1:10] marinar e agora de repente tu acordas, me? E
[1:13] não é para ir fumar, amigos, não fuma a nove
[1:16] meses, um fachavor de parabéns aqui para a minha
[1:19] pessoa, nove meses, pensei que fosse mais. Até
[1:22] nisto, um gajo está pronto para deitar abaixo a sua
[1:25] autoestima, que eu pensava que era muito mais do que
[1:28] nove meses, mas não, eles há nove mesinhos. E
[1:31] hoje são, é tão difícil deixar de fumar que... Já
[1:34] deixei de fumar várias vezes? Não,
[1:36] é muito fácil deixar de fumar, eu deixo de fumar
[1:38] tantos dias e depois volto a fumar. Que,
[1:46] no verão do ano passado, quando eu deixei de fumar,
[1:49] eu tinha dores nos maxilares de desmame de
[1:52] nicotina. Eu nunca fiz drogas, porque o
[1:55] meu trabalho sempre foi outro, mas aqui com um
[1:59] caixinho, caixinho de quem está nervoso, sabem, um
[2:02] caixinho, nem conseguia fechar a boca de nervos,
[2:05] de nervos que um gajo... Bem,
[2:07] atenção, atenção, muito obrigada. Tenho
[2:10] aqui, eu só venho aqui pedir, mas hoje venho
[2:13] agradecer. Quero agradecer a toda a gente,
[2:15] às dezenas e dezenas de pessoas que já compraram um
[2:18] bilhete para a data de 18 de junho em Lisboa. Vocês,
[2:21] vocês, incríveis. Muito obrigada. Eu,
[2:25] pronto, estou aqui mais ficada na data que vem
[2:28] primeiro, mas de repente fui ver como é que estava
[2:30] a situação em Lisboa e em Lisboa, quer dizer, um gajo
[2:34] em Lisboa tendo de outra forma. Um
[2:36] gajo até em Coimbra, vou lá, boa tarde, boa tarde,
[2:39] em Lisboa, como é que é? Reinha
[2:42] Joana, esgotem -me -la isto que está -me a fazer bem à
[2:47] cabeça, porque eu ando muito mal, é disso que vos
[2:49] vou falar hoje. Mas entretanto, só para
[2:52] relembrar, então, um dia 5 de junho, no Grêmio
[2:54] Operário de Coimbra, não sei se era ao vivo, dia
[2:58] 18, no Lisboa Comedy Club, apreciem -se, porque eu
[3:02] tenho pessoas que não falham. E,
[3:06] é pá, e amamos de boca aí pelo meio. No
[3:08] dia 6 de junho, em Lisboa Comedy Club, se gostar
[3:11] ainda ouvir esse podcast comigo com Pedro Álvos, vai
[3:13] ser a última vez em que estaremos juntos, e esse
[3:17] ele ainda não sabe, mas assim que acabar o podcast,
[3:19] eu acabo amizado com ele. E,
[3:21] por isso, aproveita imensa coisa a acontecer, e ainda
[3:24] bem, porque é este meu trabalho, e é por vocês
[3:26] que faço isto, e isso quer dar mais para mim.
[3:41] E ainda nem sei bem como é
[3:45] que vou por isto. Sabem que eu sou muito pró, nem
[3:52] sei como é que poderá haver contra, mas que sou
[3:54] muito pró a fazer -se terapia, ao toco em
[3:58] simento, eada, eada, eada, mas, nesta última semana,
[4:02] tenho estado desangada com isso. Tengo
[4:05] estado... atenção aos ouvintes mais sensíveis,
[4:09] aqueles que choram sem ser com a Lácia, e tenho
[4:12] estado, pá, pô, caralho meu, foda -me há anos nesta
[4:16] merda, é curar, é psicóloga, é psiquiatra, é
[4:20] livre -me da pice, é mais isto, e como bem, e como
[4:24] mal, e acorde -se de acorde -terra, agora tem a merda
[4:27] das páginas matinais, e não sei quem ainda está toda
[4:29] fodida dos cornos. Sim, não tem sido fácil, os
[4:36] últimos dias não tem sido fáceis de tudo. Não
[4:40] sei se pior para mim é para as pessoas que me
[4:43] rodeiam, que são mesmo pessoas reais. Não
[4:46] sei se isto é uma parte de uma diagnóstica, mas não
[4:48] envolve pessoas imaginárias. Imagina,
[4:51] é ver uma espécie de competição entre umas
[4:53] doenças e outras, uma espécie de rostro. Mas
[4:55] eu não imagino voz, é, de certeza aquelas gargalhadas
[4:59] que tu ouvis no espetáculo. Mas
[5:01] eu sou ebipolar, não sabes por pilhas. E
[5:06] então fui no tal cruzeiro, experiência magnífica, e não
[5:10] sei que, e acabei na altura por fazer um story
[5:13] ainda quando não estava mal a falar da Highwell, a
[5:17] Highwell, muito bem metida, a Highwell é uma aplicação
[5:21] que vos junta psicólogos indicados para aquilo que
[5:26] vocês querem trabalhar. São consultas online e que têm
[5:29] um desconto de 15, 15, 15 % se utilizarem o meu
[5:35] código. Descarreguem a app Highwell e façam as
[5:40] consultas, ficam mais baratas. Se
[5:42] comprarem todas na vez, tem acesso a esse desconto. Se
[5:45] comprarem só uma, tem acesso a esse desconto. Uma
[5:47] única vez, portanto, encham -se consultas nesse bandulho
[5:51] e aproveitem. Mas então fiz esse story a
[5:56] falar da Highwell e escrevi lá, eu não menti, porque
[6:00] na altura estava a sentir isso. Escrevi
[6:01] lá, vai ainda bem que faça terapia. Neste
[6:05] momento estou grata por não me sentir ansiosa, por não
[6:10] estar a estragar a experiência a todos aqueles
[6:12] que estão à minha volta, por não estar sempre
[6:15] nagging. Nagging é tipo Karen, sabem que é?
[6:20] Tipo, é na Paula que eu tenho
[6:21] vez em quando no meu Instagram, que é estar
[6:23] sempre a dizer ''Vai estar feito isto, vai estar feito
[6:25] aquilo, porque é que não fizeste.'' E
[6:29] que a terapia me tinha permitido desfrutar de uma
[6:33] esfera estejando tudo para ter ataques de ansiedade e
[6:36] tudo o resto e afinal foi mentira. Não
[6:41] na altura em que eu disse, na altura em que eu disse
[6:43] ainda estava vitoriosa, acredito. Ou
[6:45] então já não tanto daí me ter lembrado desse copy,
[6:49] mas ainda não tinha assumido para mim mesmo,
[6:52] acho eu. Desde há uns tempos que não anda
[6:57] a passar assim um bom pecado. Não
[6:59] sei se tem problemas mentais, mas às vezes é
[7:01] difícil reconhecermos quando é que a poeira se começou
[7:05] a instalar novamente. Eu sei que um dos pontos que
[7:10] me deu muito stress, muita ansiedade foi a saída da
[7:12] Antena 3 por causa da questão do orçamento. As
[7:17] coisas ficaram um bocadinho mais difíceis e ter que me
[7:22] atirar, ter que me fazer a cena, coisa que eu gosto e
[7:25] acho que sou boa a fazer, que é ''Tung, é o que? É
[7:28] o que?'' e ''Fase?'' e
[7:30] vamos a isso. Mas isso trouxe me nervos,
[7:34] porque faz com que tenhamos de raciocinar a vida e
[7:38] raciocinar a própria vida quando estamos metidas no
[7:42] centro do tornado ou no olho do furacão, assim é
[7:45] que é, coitado. É complicado, daí é terapia.
[7:49] Então só para contextualizar, eu
[7:53] nem sei bem a altura em que eu estou tão stressada,
[8:03] que parece que nasce em mim um ódio, uma vontade
[8:10] de espancar, isto não é humor, de espancar a pessoa
[8:16] que tem ao meu lado, que é inacreditável,
[8:22] inacreditável. É... Sabem alguns surtos que já
[8:29] vimos em filmes de alguém ter uma faca na mão, em
[8:31] vez de desfaquear só duas vezes e ir à sua vidinha,
[8:34] perde -me há tempas para faquear outra pessoa. Tipo,
[8:36] pá pá pá pá pá pá! Nessas alturas, eu tenho uma
[8:39] vontade tão grande de gritar, de bater, de...
[8:46] sinto que vou surtar a qualquer
[8:48] momento, mas que como tenho mais ou menos noção da
[8:55] minha existência, e isso... pronto,
[8:59] não estou num espétero alargado, avançado, não
[9:04] precisei dizer, eu consigo sentir essa pulção e não
[9:10] pôr em prática. E acho que esses sentimentos
[9:15] de... É de repulsa, sabe? É
[9:18] de repulsa, é de... É mesmo de nojo, é ódio,
[9:22] é... Ah... Parece -me mesmo bater na
[9:26] pessoa. E nós usamos estas pressões
[9:28] no dia a dia, como a leveza, que agora sofre as
[9:32] consequências. Ah, bem, mandava -lhe um
[9:34] banano... Não, eu mandava mesmo um banano.
[9:36] Eu punhamei efetivamente aos
[9:38] gritos, e os gritos seria... Aburreria
[9:42] a pessoa o dia todo, e eu tenho noção disso e não
[9:47] quero ser assim. Não quero ser assim, porque...
[9:51] Ah, a vida é suposto ser uma
[9:52] coisa fiche, e porque já tenho noção dentro da minha
[9:55] cabeça que isto é um problema que é meu. Isto
[9:59] não quer dizer que as pessoas não me estejam a
[10:00] dar motivos para me nervar. Mas
[10:04] daí, a sentir tudo aquilo que eu sinto, acho que aí
[10:07] que entra a parte do descontrol, do desequilíbrio.
[10:11] E estava a falar com o meu
[10:12] psicoalgo na segunda -feira sobre isto, que senti isto
[10:14] recentemente, no contexto, e consegui fazer um
[10:18] paralelismo com todos os outros contextos, onde já
[10:21] senti isto, e eu nunca o tinha feito, né? Andei
[10:26] até hoje a pensar, bem, esta pessoa irritou -me
[10:28] mesmo ao ponto de me irritar, bem, esta pessoa
[10:31] irritou -me mesmo... Bem, e às tantas, né, fiz ali
[10:34] um... E me irrite com as pessoas,
[10:38] irrite -me sempre de uma forma, e pergunte -lhe, ó
[10:41] Pedro, mas isto também é aquilo que eu estou a
[10:43] sentir também a normal, e ele disse, não. Então
[10:46] nem toda a gente faz isto, não, Joana, nem toda a
[10:48] gente faz isto. E isto, por um lado, deu
[10:52] -me... Estou a ser mais sincera com
[10:54] você que possível. Deu -me uma cena de, ah, então,
[10:57] ah, ainda sou doentinho, ah, que especial que eu
[10:59] sou, ah, é minha deficiência querida, é que
[11:01] de paciência, por um lado, pensei, ah, ainda estou
[11:04] toda afudida, ainda estou toda carcomida. É,
[11:10] pai, pensei mesmo que isto era normal, imagina, hein?
[11:14] Vocês têm uma discussão com
[11:16] alguém. A vossa cabeça não vai logo
[11:19] para nunca mais querer falar com ela, querer que
[11:21] ela se ponha nas putas, e não sei o que, querer que
[11:23] ela faleça, e na na na. E eu faço isso, e nunca
[11:26] achei que isso fosse desagradável. Agora,
[11:30] o que é dizer? Pô, se você se agradava, claro
[11:32] que é. Mas de outra pessoa, não
[11:34] souber, acho que não. Mas isto é muito duro, porque,
[11:40] como já sabemos aqui, no cara de ouvintes, nós somos
[11:45] um ser total, significa isso, nesta nomenclatura que
[11:49] eu acabei de arranjar, que, pai, não estou lembrada a
[11:52] palavra, meu, aquela palavra com os joguinis, os
[11:55] jogurtes, os joguis, que é tudo, uma cena que é tudo,
[12:00] ah, isto agora é tudo, não é tipo, não é cabeça, não
[12:03] é corpo, é tudo. Eu sei que vocês estão indo
[12:05] no carro a dizer, é holístico. É
[12:07] isto, é holístico, é capaz de ser holístico. Pronto,
[12:11] que é o meu corpo recente, se imensa com isto. Quando
[12:15] eu estou assim, fico super tensa, os músculos ficam
[12:19] muito, muito, muito tensos, que foi exatamente isto,
[12:22] que eu disse na frase anterior, e não consigo
[12:25] estar sequer fisicamente perto de alguém. Eu
[12:30] vejo, porque existe uma espécie de remanciamento
[12:34] relativamente ao espétero autista, que acho que tem
[12:39] outro nome socialmente mais correto, e irei identificar,
[12:43] que são todos gênios, e eu não sei o que. E
[12:48] então há muitas séries sobre isso, e por isso é
[12:50] que eu vou utilizar esta nomenclatura, apesar de
[12:53] saber que estou a generalizar, que é. E
[12:56] eu tenho muita dificuldade em proximidade física, em
[13:02] intimidade, e no sexo, chuchu, eu falo disso
[13:05] quando me apetecer, não são vocês que sepam aqui com
[13:07] merdas, é o podcast das benas, é o podcast das
[13:10] pessoas em que as benas respondem a merdas,
[13:12] calminha. E nessas alturas então, não
[13:16] consigo, não consigo mesmo, é como se eu não estivesse
[13:20] ensinada a dar abraços sequer. Portanto,
[13:23] aqui, e eu disse isso a uma psicóloga, sinto uma
[13:26] autista, quando alguém me tenta dar um abraço.
[13:29] Portanto, o que é que eu sinto
[13:31] nestas alturas como está a minha cabeça? Como
[13:33] está a minha cabeça? Sinto que o tempo torna -se muito
[13:39] mais curto, sinto um sufoco gritante da minha garganta.
[13:48] Não há tempo para nada, tem
[13:50] que ser capaz de tudo que me transforma numa gaja
[13:54] resábia por se sentir e como é que se diz? Não
[14:01] é inofensiva, sem ajuda? Sem
[14:07] helplessness. E então começa a auto
[14:12] -vitimizar -me, de gênero, só eu, ninguém me ajuda,
[14:16] porque ninguém percebe aquilo que eu preciso,
[14:18] estou sozinha nisto, estou tão cansada. Tudo
[14:21] aquilo que as outras pessoas façam, que não vai
[14:24] no sentido daquilo que me poderia fazer sentir melhor,
[14:29] é merda. É merda dizer em sá, hoje
[14:32] estás mesmo bonita, eu penso, me meto bonita no
[14:34] cu, porque isso não me ajudem nada. E
[14:39] o desajuste entre aquilo que estou a sentir e o
[14:43] exterior, o ver a pessoa que está a ser uma das
[14:48] pessoas que está a ser receptor desse meu ódio,
[14:52] nojo, desconforto, essa projeção de negatividade,
[14:57] ver essa pessoa animada ainda me dá mais dinheiro
[14:59] a ver, esquece, estás mesmo aleste daquilo que eu estou
[15:02] a passar. E a reação que já não estou
[15:04] na fase do que é que as pessoas adivinham aquilo que
[15:05] eu preciso. Mas sim, nesta vez, tive também
[15:12] complicação em explicar aquilo que eu sinto, em
[15:16] nível de casal, estamos a aprender a lidar com isso
[15:18] também. Mas vem de um lugar de mesmo
[15:23] muita dor, mas mesmo muita dor, é da criança infantil,
[15:28] está bem caralho, já sei, puta da criança, mata em
[15:30] uma puta da criança, já não posso ouvir falar, mas
[15:34] vem um desconforto gigante que possívelmente antes de
[15:39] estar medicada ou quer que seja, isto puderia desaguar
[15:44] no momento depressivo, mas que o pior de tudo é
[15:49] sentir sem ter -me desalinhada do resto da
[15:53] vida, sem ter -me incompreendida porque estou
[15:57] desalinhada, sem ter -me culpada por estar a roubar
[16:02] o dia, o momento, a energia, a boa onda às
[16:06] outras pessoas. Acho que eu não deve ter o
[16:08] direito de o fazer. Lá para estar assim, eu não
[16:12] posso responder de torto a minha fil... Claro
[16:15] que não sou um robô, mas não posso tratar mal a
[16:17] minha filha, não posso tratar mal a meu namorado,
[16:20] não posso ter respostas de tortas a amigos, eu não me
[16:23] acho nesse direito e não quero fazê -lo. Depois,
[16:26] tenho exemplos na família de pessoas que não fazem
[16:28] esse filtro e eu não quero tornar -me nessas pessoas.
[16:33] Tenho sempre muito medo de
[16:35] parecer maluca, toda, sei lá, a minha capacidade de
[16:40] articulação e de discurso, acho que sempre foi uma
[16:42] maneira de me proteger, mas então também não me dou
[16:45] espaço para ser um bocadinho menos normal. Ou
[16:52] seja, o chorar não faz parte da equação, o pedir
[16:57] ajuda não faz aqui muito parte da equação e toda
[17:02] esta dor que eu tenho armazenada em mim, e a
[17:05] atenção que já usei esta terminologia de dor, mesmo
[17:08] porque me sentia inoffensiva, ok? Me
[17:13] sentia injustiçada pela vida e maltratada pela vida. Não
[17:18] é isso que estou a dizer, que estou a dar um nome a
[17:20] aquilo que eu sinto, apenas. Esta
[17:22] dor toda que eu tenho faz com que eu não consiga
[17:28] realmente ter relações de intimidade com outras
[17:34] pessoas. É como se houvesse aqui uma
[17:39] espécie de fabricação criográfica da relação com
[17:42] os outros, em que os meus sentimentos são
[17:44] autenticamente desnoínos. Eu quero, efetivamente, saber
[17:48] como é que corre o primeiro dia no trabalho
[17:49] desta pessoa. Eu quero saber como é que
[17:51] corre a operação. Eu lembrei -me disso e quero
[17:53] estar presente. Mas existe alguém em mim que
[17:57] faz como, por exemplo, eu não consigo desabafar com
[17:59] as pessoas sem serem modo stand up. Eu
[18:02] não me fragilizo. Eu não falo de um assunto sem
[18:05] antes. Sem saber que tenho a
[18:08] capacidade de falar dele de forma inteligente. Então,
[18:18] não estou de uma fase boa. Sinto
[18:24] -me a pouco grata à terapia. Penso,
[18:31] no entanto, em como é que eu estaria se não fossem
[18:34] os anos de terapia em cima e já estive em sítios
[18:37] muito piores, com raciocínio defensivo do seu quisermos
[18:42] matar, matem, e coisas de género. Mas
[18:46] eu não vos quero passar nada que eu não sou vossa
[18:49] mãe nem sou vossa parceira sexual. Mas
[18:53] há dias em que um gajo está revoltado e cansado
[18:58] com esta história e da terapia em que parece que
[19:04] não existe luz ao fundo do túnel. É
[19:06] pássica, há nada no fundo do túnel para que por uma
[19:09] luz. Mas eu agora sei que isto vai
[19:16] passar, que eu tenho força para aos poucos ir sabendo
[19:19] lidar com isto. Transformo isto num desafio também,
[19:24] mudei minha alimentação toda, vi aquele documentário
[19:27] sobre o indistindo da Netflix e todo tipo a
[19:29] gamificar a minha alimentação. Estou
[19:33] a fazer desporto de uma forma um bocadinho menos
[19:35] obsessiva para dar mais lugar ao descanso. Mas
[19:39] às vezes estou só cansada de pensar e de fazer e de
[19:43] cuidar e na na na e queria só o que é que eu
[19:50] quero? Pensei só que queria só colinho,
[19:54] mas depois também não quero. É
[20:00] duro. Porque este tipo de sentimentos e
[20:04] de sintomas surgem isto, não é só humano, o
[20:09] psicólogo disse que não e realmente eu tenho um
[20:11] diagnóstico, surgem quando menos precisamos disso, ou
[20:15] seja, quando o stress aumenta, aumentam as
[20:18] dificuldades a... Mas é isso, que eu quero dizer
[20:23] -vos que estamos juntos, se calhar demasiado, se puderem
[20:27] afastar, agradeço. E que, mesmo que há dias em
[20:32] que parece que a atrapia não funciona, funciona,
[20:35] caráças, porque eu estou a ter capacidade não só de
[20:37] reconhecer isto, o que se está a passar como de
[20:40] explicá -lo a quem me... a quem me rodeia, tenho
[20:45] consciência do que está a acontecer e consigo lamentar
[20:48] o meu comportamento, e olha, eu reconheço que tem
[20:50] estado assim, expliquei -o à minha filha, quando fui um
[20:52] bocadinho mais viemente, numa das vezes em mim,
[20:55] noto -se muito quando eu mudo o tom, porque eu não
[20:56] tenho um tom... nem sequer acertivo, a verdade
[20:59] é essa. E só isso já dá a esperança,
[21:05] já dá para um gajo não se crematar, porque sabe que
[21:07] isto é uma fase. E depois, por consigo, dar a
[21:10] outra fase. Quem é que estão... Ok,
[21:13] então vamos dormir melhor, vamos alimentar -nos melhor,
[21:16] vamos fazer um bom desporto, é saber que se
[21:19] tem uma... uma deficiência, pronto, que
[21:23] nunca pensei muito se isto algum dia ficará perfeito.
[21:27] É, mas a perfeição não existe,
[21:29] está bem, mas não ter estas fases, mas a verdade
[21:31] é que eu não tenho tido tantas estas fases,
[21:33] portanto, foi que uma vez uma psicóloga me disse que
[21:36] é a cura... Não sei se lhes chamaria a
[21:39] cura, mas o desenvolvimento pessoal em prol de dias
[21:44] mais pacíficos, não é uma montanha, não é uma reta,
[21:51] é... uma espécie de espiral. Não
[21:54] sei, agora não faz sentido, mas tem altos e baixos e
[21:56] volta atrás, volta à frente, só que é tipo o
[21:58] Daude Jones, eu acho que já vos falei disto que se
[22:00] tivemos a ver ao pormenor parece que não sobe, mas
[22:03] depois ao longe veem grandes diferenças e... e
[22:06] para não deixem de ir à terapia, porque faz mesmo
[22:09] uma diferença gigante, mesmo que hoje esteja num dia
[22:12] como eu, ok, vai caralho, paguei minha mim para fazer
[22:15] terapia, que os outros é que estão talvez mais
[22:17] problemas, que é mesmo assim... Portanto,
[22:22] aproveitem já agora o desconto na Hywell, Joana
[22:25] 15, saquem a aplicação Hywell, usem este desconto,
[22:28] tem acesso a psicólogos, especializados, ou seja, que
[22:33] tenham interesse e que tenham estudado e que
[22:37] tenham vontade de trabalhar os assuntos que vocês
[22:40] querem e que identificaram na vossa vida como assuntos
[22:43] queiram melhorar e fazem no... em
[22:46] casa, online, onde vocês quiserem que tenham um
[22:50] dispositivo eletrônico com ligação à internet e... é
[22:55] pai, é fiche, e é fiche ter aqui uma noção da vida
[22:58] porque senão transformámos -nos naqueles de nós que
[23:01] têm um avô que era só um velho refilão no Cefa uma
[23:07] tia que estraga os jantares toda a gente, um pai que
[23:10] não consegue viajar com nós por causa dos ataques, da
[23:13] ansiedade, portanto, faça o vosso papel, não se andem
[23:16] só aí a queixar das vossas infâncias, quebrem um
[23:18] padrão, toma lá quem mesmo assim, ta flove n 'escolo.
[23:24] É... E... Cê
[23:25] me douta? 5 de junho! Lisboa...
[23:29] não, vá, agora tu consegues, Joana. 5 de
[23:31] junho no Grêmio Operário de Coimbra não sei ser ao
[23:34] vivo, dia 6 de junho, há Mamos de Boca, em Lisboa,
[23:38] e dia 18 de junho, esgotem -me esta porra que é menos
[23:41] uma data que eu tenho que dizer e isto, eu tenho uma
[23:43] garrada isto com unhas e dentes, mais unhas que
[23:46] dentes porque a vida já se faz sentir por este lado,
[23:50] esgotem -me 18 de junho, se faz favor, no Lisboa, Coma
[23:53] de Clube, não sei ser ao vivo, para não andarem a
[23:56] papar bilhetes e, tipo, atlânio, né, que vai, tem
[23:59] um link no meu... no meu perfil. E
[24:01] pronto, eu sou uma pessoa simpática e positiva, não
[24:03] se esqueçam, só que adiz assim, e este foi um
[24:06] deles. Beijinhos!

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