# #163 - Não sabia mesmo o que fazer.

An episode of [não sei ser](https://invisiblenetwork.ai/podcast/1662857422), 28 Aug 2024, 16 min.

Audio: https://anchor.fm/s/d7dabd1c/podcast/play/90990465/https%3A%2F%2Fd3ctxlq1ktw2nl.cloudfront.net%2Fstaging%2F2024-7-28%2F11dc999f-42a1-77e9-b453-33d6e66b2758.mp3

Fui ao podcast Batata Quente do Miro Vemba e do Scaitt no Mercado Lusófono. Adorei estar com eles, mas… foi duro 😅 Vejam aqui. Tour Não Sei Ser www.linktr.ee/joanagama 27 Set - Lisboa \[esgotado\] 16 Out - Porto 17 Out - Braga 18 Out - Leiria 25 Out - Coimbra 1 Nov - Lisboa

## Transcript

[0:01] Não sei se... Olá amigos!
[0:14] Onde, onde é que vocês estão? Contem-me.
[0:18] Estão no carro? Estão na casa de banho?
[0:21] O que é que vocês estão a fazer? Eu pergunto isto porque a minha
[0:24] vida neste momento está incrível.
[0:27] Estou neste momento numa piscina.
[0:29] A minha filha e uma amiga estão a nadar.
[0:31] Estou de frente para elas porque senão acho que seria
[0:34] negligência. E era porreiro não ser abordada
[0:38] pela CPCJ. E vocês podem ouvir a água, é
[0:42] uma espécie de ASMR, sem eu estar a cuspir para o microfone.
[0:47] Portanto, sou neste momento uma pessoa hiper privilegiada numa
[0:51] piscina, apenas com duas pessoas, com o meu microfone em
[0:55] cima de uma mesa de plástico de tasca, o meu computador e a
[1:00] curtir a vida, sabem? Tenho mesmo muita sorte, mais
[1:05] ainda se se afogarem, mas esperemos pelo melhor.
[1:09] Ontem, ontem, por falar em situações agradáveis, falemos de
[1:15] uma situação desagradável. Fui ao podcast Batata Quente,
[1:19] que é o podcast do mercado lusófono, com o Miro Vemba e com
[1:24] o Skaite Borrabel. Pai, tenho que pôr isto mais
[1:27] baixo, não é? Que com o vento é capaz de ficar
[1:29] desagradável. Pronto, acho que já está.
[1:33] E foi muito agradável no sentido em que fui muito bem recebida,
[1:36] passou-me muito bem conversar sobre comédia com eles, que eles
[1:40] também fazem stand-up comedy e são muito mais anal que eu, são
[1:48] daqueles comediantes que escrevem tudo, decoram tudo,
[1:51] melhoram. E eu admiro muito essas pessoas,
[1:54] adorava também ser assim e que me divertisse de forma igual.
[2:00] Foi muito fixe, a produção também, o Edgar foi muito bom,
[2:05] ofereceram-me termossos e doritos, adorei ir a um podcast
[2:09] onde é aceitável comer ao mesmo tempo.
[2:12] E até percebi a piada, além de comer, fica ali um ambiente mais
[2:17] descontraído, estamos todos juntos a conversar, foi fixe,
[2:19] foi muito fixe. Para além disso, houve ali uma
[2:22] altura em que falámos sobre as diferenças entre Angola e
[2:26] Portugal, nomeadamente no que toca a relações.
[2:30] Não só no sexo, o Miro avançou a dizer que dez vezes por dia é
[2:34] tranquilo se não tiver nada para fazer.
[2:36] Obviamente que eu fiquei chocadíssima.
[2:38] Eu disse, dez vezes por dia, eu nem faço isso num mês, eu acho.
[2:44] Quer dizer, não quero estar aqui a expor o Miguel, também não
[2:46] ando a contar, mas é imensa a impressão minha. é preciso ter
[2:51] uma ginga diferente eu não posso falar sobre isto mas na minha
[2:56] adolescência, mas também não tinha casa pá, mas dez vezes num
[2:59] dia eu acho que ficava ficava nem sei o que é que hei de dizer
[3:05] ficava com o pipi o pipi fechava-se com medo larga-me,
[3:11] que horror mas eles diziam pá, tem que ser para alimentar o
[3:15] relacionamento, tens de dar pequeno almoço almoço, jantar
[3:20] Pá, achei muito interessante, não sei se é fazível, não sei se
[3:25] não seria patológico cá, quer dizer, se for consensual
[3:29] obviamente que não, mas pá, muito interessante, muito
[3:32] interessante a conversa, menos feliz foi depois a conversa a
[3:35] falar sobre o machismo... que existe em Angola sobre a questão
[3:42] de se bater em mulheres, de como é que os homens tratam as
[3:47] mulheres e até como é que as mulheres aceitam serem tratadas
[3:51] e como é que isso está de tal forma emiscuído na cultura que
[3:57] em muitos casos ainda não existe sequer um questionamento.
[4:01] Estás bem? Sim.
[4:02] Ok. O que é que se passa?
[4:06] Estás com pouca energia. A sério?
[4:08] É porque tens fome? Não.
[4:09] Tchau. E então falou-se muito sobre
[4:16] isso, sobre a diferença cultural entre um país e outro e a forma
[4:23] de... Atenção que em Portugal, eu vivo
[4:25] na bolha de Lisboa e sei que isto não é homogéneo e que há
[4:29] sítios, até mesmo em Lisboa, onde isso acontece, basta olhar
[4:32] para as estatísticas e ver os casos de violência doméstica,
[4:37] mas em Angola... Está tudo muito normalizado e na
[4:41] altura fiquei com uma postura bastante desconfortável porque
[4:46] eu acho que a intenção daquele podcast é abrir diálogo entre
[4:51] duas culturas completamente diferentes.
[4:53] Quanta? Foi interrompida pela minha
[4:55] filha, portanto, parece que fritei um bocado cerebralmente.
[5:00] Então estava super desconfortável porque a intenção
[5:03] é promover esse diálogo entre Angola e Portugal, o que é muito
[5:08] fixe porque senti que, pelo menos no Miro e no Skype, que
[5:15] existe uma vontade gigante de perceber como é que as coisas
[5:19] funcionam cá porque têm tido vários desafios nesse sentido, o
[5:24] Miro... está com uma portuguesa, ou esteve, e durante essa
[5:30] relação foi muito esquisito chegar a casa e não ter o jantar
[5:32] feito, ou vê-la a trabalhar e trazer dinheiro para casa,
[5:35] entrou ali numa medição de pilas, pá, muito interessante
[5:39] estar com portuguesas, ele diz que conheceu Lisboa muito rápido
[5:43] porque as portuguesas só querem passear, houve uma coisa que me
[5:45] chocou imenso que foi, na rua, costumam abordar muito as
[5:50] mulheres a falar, a falar alto e caso não ouçam até pegam nelas
[5:54] pelo braço a dizer, estás-me a ouvir ou não?
[5:56] Vocês pensam, isto é muito violente.
[5:58] Certo, cá então é completamente inadmissível.
[6:02] Mas por outro lado, eles também conhecem angolanas que vieram cá
[6:04] para Portugal e que ficavam ofendidas quando na rua nem
[6:07] mesmo angolanos falavam com elas, nem assobiavam, nem
[6:10] pegavam. Existe aqui tudo, está tudo
[6:14] muito incluído... está interiorizado.
[6:19] Mas eu tento pensar aqui um bocadinho na questão que nós,
[6:24] ocidentais, temos muito a ideia do certo e do errado e que
[6:27] devemos impor a nossa cultura nos outros países.
[6:30] Então, eu tentei escutar sem julgamento, tentei passar qual é
[6:36] que é a minha realidade e aquilo que eu aceito ou não aceito,
[6:39] mas... Tentei entender o outro lado,
[6:43] uma cultura diferente, uma cultura que não digo que ainda
[6:46] não esteja aqui, mas eu parto do princípio que nós estejamos a ir
[6:49] num caminho de progresso, acho que não bater em mulheres e não
[6:52] levar a tareia é capaz de ser um progresso, mas lá, por exemplo,
[6:57] da mesma maneira que existe esse lado do machismo, de tratar
[7:01] muito mal a mulher, também existe a cena de providenciar
[7:04] para a mulher e dão imenso dinheiro às mulheres, assim, do
[7:07] nada, toma lá, vai comprar coisas, não sei o quê.
[7:09] E eu sei que há muitas mulheres a ouvir isto que acham que é
[7:12] ofensivo, mas eu acho pelo menos coerente, ok?
[7:15] Se não deixam as mulheres trabalhar, blá, blá, blá, blá,
[7:18] blá, ou menos que tragam dinheiro para casa.
[7:21] Mas, claro que é grave, claro que é gravíssimo, mas o
[7:25] exercício de escutar, de perceber melhor a cultura e eu
[7:30] acho que através da postura que eu tive, apesar de ser, é um
[7:34] risco para a minha imagem, qualquer pessoa que isola aquilo
[7:37] e faça circular, parece que eu sou completamente imbecil,
[7:40] machista e que eu própria ando a dar tareia a mulheres.
[7:44] Não, não patrocino nenhum destes comportamentos, no entanto acho
[7:53] que talvez seja através deste tipo de diálogo que o Miri e o
[7:56] Skaite estão a promover neste podcast que a informação entre
[8:01] melhor, em vez de estar ali numa de sermão de preaching, de dizer
[8:04] não, isso não se faz, não sei o que, não sei o que mais, ok,
[8:06] olha no meu caso Se alguém me levantasse a mão, eu deixaria a
[8:10] pessoa. Claro que isto também é muito
[8:11] fácil dizer quando não se está numa relação tóxica.
[8:14] É difícil. Por acaso, não.
[8:17] Nunca estive com alguém que me violentasse fisicamente, só
[8:20] psicologicamente. Mas tentei passar o quanto seria
[8:26] inadmissível a questão da divisão equilibrada das
[8:31] despesas. E quando não existe essa
[8:33] divisão, existe uma distribuição equilibrada das despesas. das
[8:36] tarefas em casa. Claro que isto é tudo uma versão
[8:40] super idealizada da coisa, mas eu acho que assim, a falarmos
[8:45] com mais calma, com menos julgamento, é capaz de haver
[8:49] mais escuta e talvez mais mudança.
[8:51] Mas, pá, foi muita duro. Não tão duro como para as
[8:55] pessoas envolvidas nessa cultura, não é?
[8:58] E receberem esses maus tratos e estarem incluídos também nessa
[9:01] cultura super, super machista. A pressão que também têm como
[9:07] como é que se diz? Ganhadores de pão?
[9:10] Não sei, providenciadores. Mas foi duro estar ali a gerir,
[9:16] estando em frente a duas pessoas que estão a questionar a cultura
[9:19] delas, mas que ainda estão muito agarradas a ela, e eu que tenho
[9:24] uma perspectiva muito ocidental e cidadina da questão, tentar
[9:29] ver, ou tentar passar a ideia de que Existe o mais aceitável e o
[9:35] menos aceitável, mas que cada sociedade faz o seu caminho,
[9:38] cada uma tem o seu tempo, mas é duro, porque aquilo que é
[9:42] correto publicamente é provavelmente passar-me ali e
[9:46] dizer isso é inadmissível, não sei o quê, não sei, sentir-me
[9:49] desconfortável por estar calma. Mas o podcast está muito giro,
[9:53] foram três horas à conversa, malta, cheguei lá às oito e saí
[9:57] às onze, pronto, são três horas, gostei mesmo muito de falar com
[10:00] eles e é interessante porque houve mesmo abertura para fazer
[10:04] várias perguntas, não só a nível da comédia em golo, o que é que
[10:08] se pode fazer de graça ou não, mas existem vários
[10:10] comportamentos muito diferentes, por exemplo, cá em Portugal as
[10:14] pessoas evitam sentar-se à frente nas filas porque têm
[10:16] aquele complexo de... aquele medo de serem chamados como com
[10:20] os mágicos, então vou o mais para trás possível, mesmo os
[10:23] meus amigos quando me vão ver, ai não fales comigo, olhem que
[10:25] tenho vergonha. Em Angola está tudo louco para
[10:29] ir para a fila da frente, até enviam mensagens aos humoristas
[10:32] a dizer, ah mete-te comigo, não sei o quê, por favor, mesmo a
[10:35] cultura de roast eles têm o formato que é o na grelha, está
[10:41] super instituída, ninguém se leva muito a sério, gozam muito,
[10:44] muito, muito uns com os outros, os comediantes entre si, mas
[10:47] existe muita falta de liberdade noutros temas, por exemplo,
[10:51] política é mesmo muito, muito difícil, fecha muitas portas se
[10:55] brincarem com política, e o tema é muito interessante, tudo é
[10:58] muito interessante naquele podcast, até mesmo a falar sobre
[11:01] sexo, como vos mencionei há pouco, por exemplo, eles estavam
[11:05] com a dúvida de se tudo na cabeça deles quando eu falo
[11:09] deles, não é deles os negros é o Miri e o Skaite que estavam um
[11:12] bocado a incorporar a cena de angolanos cá se cá é tudo
[11:18] assédio ou lhes parece, como é que se pode engatar uma moça
[11:23] como é que isso se faz e é difícil responder a isto tentei
[11:26] falar sobre subtilezas estar atento à linguagem corporal
[11:30] falar, perguntar mas é duro Foi muito interessante, três horas
[11:35] muito interessantes, não precisam de ver tudo, aliás nem
[11:38] sequer precisam de ver, mas forem ao YouTube aquilo está
[11:41] dividido por tabs e por isso conseguem ver o que é que acham
[11:45] que é mais interessante. Gostei de ir, gostei de ir,
[11:48] mercado lusófono é isso. Acho que é.
[11:52] Mercado Lusófono, podcast Batata Quente, Miro Vemba e Skate.
[11:58] Eu gostei muito, muito de lá estar.
[12:00] Mas foi duro. Caso vejam, caso ouçam, digam-me
[12:04] de vossa justiça. Deixem-me também dizer-vos,
[12:07] relembrar-vos de várias coisas. A primeira é a tour.
[12:10] Os bilhetes estão à venda no link do meu Instagram ou então
[12:14] na Ticketline. Escrevam Joana Gama.
[12:16] Vou passar por Porto, Braga, Leiria... e também Coimbra e
[12:20] Lisboa ainda, segunda data, que a primeira já foi a abrir,
[12:24] comprem os vossos bilhetes, a sério, é muito fixe saber com o
[12:27] que posso contar, até porque consigo assim também preparar o
[12:30] espetáculo de outra forma, sabendo das contas, posso levar
[12:36] ou ir de carro, ir de comboio, Sou muito aberta convosco, não
[12:40] estou cá com status alta a dizer, ah malta, não, não, é
[12:43] fixe, é fixe para saber, por exemplo, há uma diferença entre
[12:46] eu ir de carro, que não irei, até porque não é muito
[12:49] sustentável, ir de comboio ou ir de autocarro, a quantidade de
[12:53] coisas que leva ou não, uma delas pode ser o cenário, a
[12:56] outra podem ser as luzes, a outra...
[12:58] Estão a perceber? Portanto é fixe, é fixe,
[13:00] antecipem-se aí e comprem, até porque outubro já está quase aí
[13:04] e tenho saudades, tenho saudades de estar em palco convosco.
[13:07] Para além disto, deixem-me dizer-vos que vou dar uma
[13:10] masterclass de podcasting não ao vento, portanto não gravem ao
[13:14] vento que é como eu estou a fazer, mas preferi gravar assim
[13:16] do que não gravar. Dia vinte e um de setembro, em
[13:19] Lisboa, Odivelas, masterclass de podcasting.
[13:24] Vou ensinar tudo aquilo que sei desde as dez da manhã até às
[13:28] cinco e meia da tarde, o que é fixe.
[13:32] É com a Quinze Produções, que é uma produtora de um amigo meu de
[13:36] stand-up, mas que também se está a aventurar aqui nestes
[13:40] workshops e masterclasses de stand-up, podcasting e outras
[13:43] novidades que aí virão. E eu tenho todo o prazer de dar
[13:47] este workshop porque é fixe, é fixe pensar num projeto desde o
[13:52] início, como é que se pode melhorar um projeto, a
[13:54] importância da dicção, do humor, a escrita também para a escuta,
[13:59] compreender qual é que é o sentido de escuta, como é que
[14:02] ele funciona e perceber a sua eficácia, o branding de um
[14:07] podcast, os press releases, entrar na comunicação social,
[14:11] ter aquela tourzinha da pizza. pelos canais, envolver os
[14:16] ouvintes, como conseguir patrocínios, o que é que é o
[14:19] Media Kit, como chegar às agências, comunicar nas redes
[14:24] sociais, como gravar um podcast, qual é que é o kit inicial de
[14:28] gravação, quais as coisas a terem atenção, portanto, Passem
[14:32] pelo meu Instagram, tem lá o email da Quinze Produções ou
[14:36] então é geral.quinzeproducoes.pt É dia vinte e um de setembro em
[14:42] Odivelas. Também vou estar em outubro no
[14:45] Porto para dar uma aula de uma hora e meia sobre comunicação em
[14:51] público. Mais informações passem pelo
[14:54] Instagram da Creative Studios, Creative Studios, assim é que é.
[14:59] Tem mais formadores, tem o Renato Duarte, a Carolina
[15:01] Torres, a Catarina Palma e eu, em que vamos falar de
[15:06] comunicação nas várias vertentes.
[15:07] Portanto, Porto não é deixado. de parte, oh que lindo muito
[15:13] obrigada por terem ouvido até ao fim cusquem o podcast Batata
[15:17] Quente e comprem bilhetes, acima de tudo é isso que eu quero
[15:20] dizer-vos um beijinho aqui da piscina e até amanhã

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