# #116 - Já fui stalkada à Babyraindeer.

An episode of [não sei ser](https://invisiblenetwork.ai/podcast/1662857422), 26 Apr 2024, 16 min.

Audio: https://anchor.fm/s/d7dabd1c/podcast/play/85842903/https%3A%2F%2Fd3ctxlq1ktw2nl.cloudfront.net%2Fstaging%2F2024-3-24%2F7fbb321d-1627-0015-31bd-dde46c77a1dc.mp3

Vejam a série que é muito angustiante mas interessante para compreender a dinâmica de situações desconfortáveis em que se vê a ambiguidade da relação pelos olhos também do "agressor". Stalkem-me mas é para o Porto no dia 17 de Maio. Vou lá ter este podcast ao vivo e vocês deviam aparecer com esses olhos de maluquinhos. Os bilhetes estão aqui: www.linktr.ee/joanagama

## Transcript

[0:00] Olá, como é que estão? Eu pergunto, toda a gente
[0:04] começa assim as podcasts, mas é completamente
[0:06] infertífero, não é? Mas na verdade, é que não há
[0:13] resposta, um gajo sabe que não há resposta, mas eu
[0:15] sinto que é simpático e até gostava que houvesse
[0:19] resposta. A verdade é essa, porque isto
[0:21] é uma relação muito unilateral e o ser humano
[0:24] é um ser de relações e fazer isto só assim é
[0:28] parvo. E por isso também tenho posto
[0:30] vídeos da gravação deste podcast no Instagram, não
[0:34] só para verem como é que eu estou vestida e estragar
[0:36] a legada magia da rádio, mas também para vocês
[0:39] poderem comentar alguma coisa, dizerem alguma coisa,
[0:43] passarem por lá, beber um copo. Portanto,
[0:46] se não prestam muita atenção ao meu Instagram
[0:48] porque às vezes é só um cabaz de merdas, de merdas
[0:53] não necessariamente mais, mas tipo um cabaz, um
[0:56] cabaz de coisas. Vejam, vejam o diariamente que é
[1:00] que se passa por lá, porque tenho posto xerdos.
[1:04] O enquadramento é assim um
[1:05] bocadinho de esgueilha, porque se eu enquadrar isto
[1:09] mais ao centro, vocês veem o ar condicionado e a
[1:11] televisão e isso parece muito demasiado parvo.
[1:14] Pronto, é isto.
[1:29] Conheci a série Baby Rain Deer,
[1:31] comecei a ver ontem e deixa muito desconfortável
[1:34] porque também já foi estolcada. É
[1:39] um tempo do qual não me lembro, assim,
[1:41] incompletamente, foi bastante traumática, aconteceu no
[1:44] início da minha carreira em rádio. E
[1:47] para quem já tem a vista série, é um comediante que
[1:50] é estolcado, por uma senhora aparentemente
[1:53] simpática e invencível, ainda não via além do
[1:56] segundo episódio, portanto não há aqui spoilers. Isso
[1:59] aconteceu também com uma... É
[2:01] para, vou dizer, fã, vou dizer fã, uma fanática, se
[2:04] calhar, fã é uma coisa, fanática é outra, e que
[2:07] também cheguei a tomar café com ela, porque no início
[2:11] da carreira é -nos difícil sentir que temos alguns
[2:14] status diferentes. Aliás, eu continuo a não sentir
[2:16] isso. A malta que pensa, ai tu és
[2:19] famosa para mim, que sou um gajo só. E
[2:23] fui tomar café com ela e realmente havia ali um
[2:26] fascínio diferente nos olhos. Eu
[2:29] tinha alguma pena do ar triste que ela tinha, mas
[2:35] também havia um lado meu meio vaidoso, feliz e
[2:40] infantil que sentia validade daquela forma que fazia com
[2:45] que aquele espelho que estava a ter me preencheço
[2:49] de alguma forma. E por isso sinto que dei ali
[2:51] alguns sinais que foram mal interpretados, ou que foram
[2:57] mal dados, ou que até foram bem interpretados por
[3:01] causa da minha confusão interna. E
[3:05] foi muito difícil, muitas mensagens, e -mails, e
[3:10] depois o stalking passou por uma coisa muito, muito
[3:12] negativa, em que havia difamação online, havia
[3:17] ameaças de partilha, de coisas muito privadas
[3:22] minhas, de situações desagradáveis. E
[3:25] foi mesmo muito complicado. Chegou
[3:30] a criar uma página de Facebook com imensos
[3:34] seguidores, chamado humor sem limites, ou lá o que
[3:37] é que era, e aquilo afetava -me imenso porca as
[3:39] tantas. Acho que essa rapariga se tornou
[3:42] um stalker anónimo. Ou seja, eu tive dois. Ou
[3:47] realmente foi aqui só uma que depois decidiu assumir
[3:51] -me outra personalidade para conseguir perturbar -me. Por
[3:56] eu já não lhe responder. Estamos
[3:58] a falar de uma pessoa que inicialmente eu não sabia
[4:01] se era Tantan, ou se não era Tantan. E
[4:07] que me enviava prendas para a rádio, uma tis de
[4:12] churta, dizia Joana Gama, não sei o que, e depois
[4:14] enviava -me fotografias a mostrar a quantidade de
[4:17] vezes que tinha tentado fazer a tis churta, mas
[4:19] que não tinha conseguido ficar -se perfeita. Uma
[4:22] nome escrita em grãos de café no chão. Pá!
[4:28] Bizarria, bizarria completa. E
[4:30] eu lembro -me de... Eu estou aqui com bastante
[4:34] medo. Muitas vezes vocês disseram...
[4:38] Vocês disseram muitas vezes,
[4:40] aliás, para quando é que falas do episódio de ter
[4:43] sido stalkada e não sei o que, mas isto deixa um
[4:46] bocado perturbado, porque tenho medo... Pena
[4:49] não, tem... Eu tenho medo que é tipo a
[4:52] ressuscite das trevas. E durante essa altura também
[4:57] muitas chamadas ao longo do dia anónimas em que eu
[5:01] atendi a pessoa do outro lado, só respirava, não
[5:05] dizia nada, era um número anónimo. Muitas
[5:08] vezes eu atendia com curiosidade, outras das
[5:11] vezes era perê -lo, desencar na pessoa, depois quando
[5:15] não atendia, sentia que talvez daquela vez eu
[5:18] ficasse a saber de alguma coisa. Epa!
[5:22] Foi... foi duro, foi uma coisa que eu
[5:23] decidi não... não processar, e na altura
[5:27] também. Eu não me lembro bem disto,
[5:30] nem sei se é verdade, mas talvez também fosse ela a
[5:33] fazer -se passar por uma pessoa de outra rádio, por
[5:36] um diretor de outra rádio, que na altura parecia que
[5:40] o ambiente entre a rádio onde eu trabalhava e a
[5:42] rádio concorrente não era muito esperto, e talvez o
[5:46] outro diretor não fosse também muito certo da
[5:48] cabeça, que não sei se é comum a todos os
[5:52] diretoros... Não, não é, porque o meu último
[5:53] não parecia maluco. E essa pessoa também começou
[5:58] a tratar -me mal, a difamar -me na página dele, senti
[6:02] que eu nunca tinha tido contacto com ele sequer.
[6:06] Foi muito aviso, parecia que
[6:08] era tudo ele, parecia que era tudo ela, foi tudo
[6:12] mais ou menos na mesma altura, ela existiu porque
[6:15] eu efetivamente tomei café com ela, e ela aparecia em
[6:20] muitos eventos da rádio, e quando tomei café com ela,
[6:23] eu comecei a sentir aquilo de ela ser tanta, porque
[6:27] não sei se é verdade, mas eu tenho ideia que alguns
[6:29] tipos de pessoas que são medicadas para qualquer
[6:34] coisa ficam assim como a espuminha branca no canto
[6:37] da boca, pode ser saliva, pode ser saliva seca, mas
[6:40] a minha saliva seca não fica branca. Também
[6:42] babo -me para a almofada, não dá para ver, mas deixe
[6:44] -me ver aqui. Bába branca canto da boca
[6:50] pessoa. Saliva grossa, quatro motivos.
[6:55] Saliva grossa. Refluco
[6:58] -se tabagismo, alterações hormonais e boca seca.
[7:01] Peraí, Bába branca canto da boca
[7:04] pessoa, significado espiritual, meninos,
[7:09] significado espiritual. O que é que... onde
[7:13] é que isto está? Salivácida,
[7:15] boqueira, língua branca, quer dizer, alguém andou a
[7:18] perguntar qual é o significado espiritual disto,
[7:23] se teré ciência de que causam problemas bokeis, mas
[7:26] não é isto, pá. Peraí, última vez, Bába branca
[7:30] canto da boca, significado espiritual, vamos tirar.
[7:35] Medicação. Saliva grossa, não,
[7:42] psiquiatria. Vocês estão a assistir, mas isto
[7:47] está a suspence, eu acho. Psiquiatria.
[7:50] Reequilibrar o pé -á -da -boque, não, não tem
[7:52] psiquiatria. Tá, pronto. Quando
[7:55] a saliva são anterior e sai pela boca do paciente
[7:58] de forma do Bába, ela é chamada de sílul rei
[8:00] anterior. Acho que não, mas tinha essa
[8:04] ideia, vocês também têm essa ideia, vocês pulam -se
[8:06] um bocadinho do canto da... no
[8:09] canto, fica depois, as puma, as puma no canto da
[8:12] boca, deixam -me super desconfortável. A
[8:15] verdade é que eu fui fazer queixa à polícia, legando
[8:19] que uma das pessoas que me estava a perseguir era o
[8:22] diretor de uma outra rádio, senti -me perfeitamente
[8:26] absurda em lá ir porque não me pareceu um crime...
[8:31] um crime, na verdade era isso,
[8:33] porque sempre fui habituada a desvalorizar os meus
[8:36] sentimentos e tive conhecimento da minha extra
[8:40] sensibilidade e tinha medo que não fosse verdade. Fui
[8:43] fazê -lo e eles disseram, mas tem que nos dar o
[8:46] nome da pessoa. Eu, caraca, eu não quero dar o
[8:48] nome da pessoa porque se não a pessoa tem de ficar
[8:50] a saber. Porque eles disseram que se eu
[8:53] acusasse a pessoa, tinham de contactar a pessoa
[8:55] também. Eu estou assim, não quero. E
[8:58] a pessoa ficaria a saber que era eu, e isto é o
[9:00] contrário do que uma pessoa que está a ser perseguida
[9:03] quer. Então eu fico assim um bocado
[9:07] esquisito, eu não sei como é que acabou. Provavelmente
[9:10] a rapariga, que já não me lembro do nome, será... não
[9:16] sei, não me lembro. Não me lembrei, esta é a parte
[9:19] em que ela vai ficar furiosa se eu ouvir, já
[9:21] tenho mesmo medo disto. Mesmo
[9:23] medo... era lixado, mesmo da rua, eu
[9:24] tinha medo que ela aparecesse e na altura
[9:26] havia ainda uma outra fanática da rádio que
[9:31] falava muito conosco, mas essa parecia normal. Era
[9:34] do... que horror! Era
[9:38] do porto, até chegou a estar numa festa ou outra
[9:40] conosco. Conosco com a alta da rádio e às
[9:44] tantas começou a envolver -se na vida pessoal da
[9:46] Malta. Até chegou a envolver -se com o
[9:49] namorado de uma das minhas colegas, assim do nada.
[9:53] Havia também outro maluquito que
[9:55] estava sempre a ligar para a rádio o dia todo, que
[9:58] era o Zé, com a Acara Coes, o dia todo a ligar.
[10:00] Tá, tá, tá, queria só falar,
[10:03] no início da alta deu confia numa de coitada, eu
[10:06] maluquinho, não sei o que, mas depois ligava várias
[10:09] vezes ao dia. E o problema dos telefones
[10:12] fixes lá naquela rádio na altura era que tínhamos que
[10:15] atender, porque podia ser qualquer outro fã e esse
[10:20] não me perturbava, pronto, era um maluquinho, era para
[10:22] todos, mas quando foi específico para a minha
[10:24] pessoa, que erassas. E isto fez com que talvez eu
[10:29] começasse a ter medo de todos os fãs de rádio.
[10:35] Ainda o ano passado houve um fã
[10:38] muito simpático das manhãs da 3, que algo parece,
[10:43] oferece anualmente prendas de natal, eu oferecia
[10:47] prendas de natal à malta das manhãs, e boas prendas,
[10:51] reparem, ofereceu um livro ótimo de comédia do tipo,
[10:54] do Breaking Bad, do Breaking Bad, e eles foram
[11:01] conhecê -lo, conhecê -lo não cumprimental, porque já o
[11:04] conhecem há vários anos, e eu disse, ''pá, não sei se
[11:06] quero isso, não sei se me apetece lá abaixo tratar
[11:11] disso, porque tenho uma má experiência.'' E
[11:14] eu não consigo verdadeiramente compreender
[11:16] que uma pessoa oferece prendas, a pessoas de rádio
[11:22] que não são amigas delas, faz muita confusão, e
[11:27] depois disto foi terrível, por o lado. Depois
[11:31] ponho -me a pensar em comportamentos de talking
[11:33] que eu já tenho atido, e já tive. Lembro
[11:37] -me de ligar para aí umas 40 vezes para a casa do
[11:40] ensinado, quando não conseguia sentir que a
[11:44] discussão tinha acabado, para o telefone fixe,
[11:46] imagino o que é que os pais dele terão pensado na
[11:48] altura. Lembro -me de enviar uma catrefata
[11:51] de mensagens também a um outro namorado meu, quando
[11:55] sentia que ele gostava atrair, não, porque não
[11:58] tínhamos bem uma relação, mas ia dizer que me ia
[12:01] matar e nananã, quando sabia que não ia fazer
[12:03] ele, creepy, e lembro -me também quando era mais
[12:06] nova. E já era fã da mega, da
[12:11] mega FM na altura, ligava -se sempre para aquele
[12:13] número telefone porque queria conhecer as pessoas.
[12:16] E cheguei a ligar mesmo
[12:17] várias vezes ao ponto de aparecer na conta telefone
[12:21] da minha mãe, que a minha mãe pedia a conta telefone
[12:23] discriminada, e lá aparecia o 342 -2000, e, pô,
[12:28] bizarro, bizarro, comportamento bizarro.
[12:30] Provavelmente sentíamos sozinha, a rádio
[12:32] fazia -me sentir que eu tinha amigos, que tinha
[12:36] família, que não sei o que, e portanto, eu
[12:39] compreendo esta questão do stocking, mas, pronto, é só
[12:47] mais um caso em que a solidimental será importante.
[12:51] Para ambos os lados, para todos,
[12:53] diria eu, em relação à série, baby reindeer estou
[12:57] a adorar. Não sei se tem um mesmo
[13:00] impacto, mesmo desconforto em toda a gente que ia
[13:02] ver, uma PT Discsim, o Miguel também, a fotografia
[13:07] está muito engraçada, e eu gosto muito da honestidade
[13:11] sendo uma história verídica, alegadamente, gosto muito da
[13:14] honestidade do ator principal, que foi quem
[13:18] escreveu, de assumir também o seu comportamento menos...
[13:27] Não diria correto, mas algo
[13:29] ambígo em relação à questão, e que não
[13:34] justifica, porque uma pessoa, nessa situação, está
[13:37] desconfortável, claramente, mas que não ajuda. E
[13:42] quando o episódio da série acabou, eu recebi um
[13:46] sulfonema de um rapaz, de um número que eu não
[13:48] conhecia, que entrou à confias, dizer, então, como
[13:52] é que é? Não sei o que, nunca mais
[13:54] desesto nada. E eu estava com aquela em
[13:55] alta voz, tirei de alta voz, porque pensei, sei lá
[13:57] o que é que o homem vai dizer, está aqui o Miguel
[13:59] ao lado, e foi instintivo, e depois continua assim a
[14:03] brincar, dizer, então não sabes, Jona Gemma, super
[14:05] desconfortável, não só porque parece questão do
[14:08] stocking, mas também por outras histórias que já vos
[14:10] contei em outros episódios. E,
[14:13] pá, fica muito nervosa, e reparei mais uma vez que o
[14:18] meu comportamento, quando estou numa situação
[14:20] desagradável, como deixo de desconfortável, é utilizar o
[14:23] humor, mas é também alinhar na cena, que é como se
[14:26] fosse um mecanismo de sobrevivência. Há
[14:28] as Fating Goats, que se nunca viram no YouTube, é
[14:30] um vídeo para aí dos anos 90, e é verdade, há umas
[14:34] cabras para defesa pessoal que fingem que estão
[14:38] mortas, e eu finge que não estou desconfortável. É
[14:43] um bocadinho como ir na rua à noite, não querer
[14:46] ser assaltada, então fingir confiança, gente, estou bem
[14:49] da bem, estou aqui, estou bem da bem. E
[14:51] este comportamento eu já o tive várias vezes, e noto
[14:54] que também é um bígo, e provavelmente forma como eu
[15:01] lhe dei o número de telefone há muitos anos,
[15:04] quando fui atuar um sítio, ele convidou outro
[15:06] comediante, eu disse, não me convidas a mim, toma lá
[15:09] o meu número de telefone, e isso fez com que ele
[15:10] tivesse esta confiança toda, que me deixa muito, muito,
[15:13] muito desconfortável, ainda para mais depois de ver a
[15:16] série. Mas não consegui lidar. É
[15:19] mais uma coisa que tenho que trabalhar no psicólogo.
[15:21] Talvez o faça já há tempo de dia
[15:24] 17 de maio nos airboxlodes no Porto, onde vai haver
[15:27] este podcast ao vivo, e talvez consiga transmitir
[15:30] -vos algumas conclusões, ou quer que seja que tenha
[15:34] acontecido, até para que possamos criar ali um
[15:39] espaço onde se pense sobre o assunto, onde se ria
[15:42] sobre o assunto, e de repente parece que estou a
[15:44] criar uma seita, mas não tenho tempo. Beijinhos
[15:47] e obrigada por me ouvirem. Ah,
[15:49] os bilhetes estão à venda na Ticketline, comprem lá
[15:51] essa merda, sua chaveira.

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