# #166 - Será que Júlia Pinheiro também me ama?

An episode of [não sei ser](https://invisiblenetwork.ai/podcast/1662857422), 4 Sep 2024, 15 min.

Audio: https://anchor.fm/s/d7dabd1c/podcast/play/91300521/https%3A%2F%2Fd3ctxlq1ktw2nl.cloudfront.net%2Fstaging%2F2024-8-4%2F59e81990-7a89-8e86-fdcd-69dd819a28e4.mp3

Fiquei... fã. Quero ouvi-la falar. E voces que me conhecem, sabem que para não ser eu a falar, é porque essa pessoa é especial para mim ;) Tour Não Sei Ser www.linktr.ee/joanagama 27 Set - Lisboa \[esgotado\] 16 Out - Porto 17 Out - Braga 18 Out - Leiria 25 Out - Coimbra 1 Nov - Lisboa Entretanto, fica aqui o link para a APP de que vos falei, apesar deste episódio não ser patrocinado, mas... acredito mesmo no projecto e fez sentido incluir: aproveitem a HiWell (saquem a APP https://hiwell.app/gama-joana1 ) para terem terapia online (com psicólogos à vossa escolha) este é o código de desconto: gama20

## Transcript

[0:00] Não sei se... Não sei se...
[0:12] Ai que ela foi à Júlia, ai que ela foi à Júlia.
[0:18] Nestas merdas, quando sou entrevistada e quando parte do
[0:24] ângulo é para ser emotivo, para falar de problemas mentais, eu
[0:29] penso sempre, estou a ser convidada por ser personalidade
[0:32] ou por ser pessoa? Uma pessoa tem personalidade,
[0:36] mas uma personalidade não é necessariamente uma pessoa.
[0:38] E se uma pessoa for uma personalidade é bom, no entanto
[0:42] pode ir na categoria de pessoa, que significa que não reconhecem
[0:45] o facto de ser uma personalidade.
[0:47] Portanto, vamos lá ver. Fui à Júlia, fui convidada, já
[0:51] posso dizer, se há vontade, a lagarbera, que fui à Júlia,
[0:56] convidada, esquece, Júlio, epá, deixa-me, epá, e fui, e fui, e
[1:05] estava... cheia de nervos eu já fiz aqui um episódio a falar
[1:09] sobre isso mas já foi há algum tempo já não sei o que é que
[1:10] disse o que é que não disse porque é assim estava cheia de
[1:14] nervos porque chega uma altura por exemplo eu quando trabalhava
[1:18] na Renascença eu conseguia bem discernir o que é que falava no
[1:22] ar tinha assim sempre uma espécie de ator crítico, calma
[1:26] que estás na Renascença, calma lá, até porque uma vez fui
[1:30] chamada à gerência porque disse pirete no ar, pirete é tipo
[1:34] manguito, só para pisa de dedo. E então, quer dizer, eu tinha aí
[1:40] os limites, não é? Também em casa da minha mãe, a
[1:43] linguagem sempre foi muito cuidada, eu não podia dizer gajo
[1:46] e ficava chocadíssima quando a minha mãe dizia merda e rebelbel
[1:50] pardaisoninho, era outra coisa, rebelbelbelbel.
[1:54] E então, eu depois de tantos anos, sem ter grande registro de
[2:00] censura ou de ter que me adaptar a alguma coisa, na Antena Três o
[2:05] registro era bastante livre, tive assim uma pontadinha ou
[2:09] outra, se puder, se puder, está bem, mas nada de especial, tendo
[2:13] aqui o podcast onde não me inibo, francamente, não...
[2:18] raramente edito aqui alguma coisa nem no podcast nem na
[2:22] minha cabeça nos espetáculos então ainda menos é o que for
[2:27] então estava com medo ali da Joana com a Júlia porque a Júlia
[2:33] eu vejo como um cão calma, não é nem assim está a farejar para
[2:38] onde é que deve ir tem ali o script, tem ali as perguntas
[2:41] cheira a emoção da pessoa vai tentar lá buscar vai não sei o
[2:45] que e eu sabendo de antemão que ela é uma profissional do
[2:50] caraças e qual é que é o motivo para me terem levado ali, em
[2:54] princípio é por causa da minha história enquanto pessoa e
[2:57] também já agora um bocadinho por ser uma mini celebridade, porque
[3:00] já agora também vai lá uma pessoa que se calhar não sei o
[3:03] quê, eu tinha medo de me deixar ir.
[3:07] Claro que uma pessoa pode ser uma pessoa e deixar-se ir, só
[3:10] que o meu deixar-me ir é, enquanto comediante é esquisito,
[3:15] estando a trabalhar, porque eu nos estúdios da SIC, onde já
[3:19] trabalhei, estou a trabalhar, há uma câmara, estou a trabalhar,
[3:23] estou a enfrentar a Júlia, estou a trabalhar, não é?
[3:27] Até no psicólogo tenho ali alguma dificuldade em
[3:30] vulnerabilizar-me, portanto imaginem numa generalista em
[3:34] drive time, quer dizer, espero que ninguém tenha estado a ver
[3:38] no carro, e vulnerabilizar-me não consegui, mas senti... que
[3:44] por isso estava a dificultar um bocadinho o trabalho à Júlia.
[3:48] Agora, a Júlia tem um andamento de quarenta e dois séculos disto
[3:51] e, portanto, o facto de a dificultar ou não o trabalho à
[3:54] Júlia é obviamente indiferente para a qualidade geral da
[3:56] entrevista. Mas sinto que não dei sumo.
[4:00] Mas se calhar um bocadinho por causa do meu preconceito
[4:02] relativamente a este tipo de formatos, em que sacam ali da
[4:06] base do piano, que é para ver se puxa a lagriminha, comigo que
[4:09] tiveram azar porque não só estou altamente trunfada, mas também
[4:14] porque não dormi cesta, acordei às seis da manhã, fui correr,
[4:18] fiz ténis, migos, o que já passou por aqui hoje?
[4:21] Ré! E então os meus próprios olhos
[4:25] já estavam consumidos do ar-condicionado e tudo, portanto
[4:29] provavelmente parece que tenho uma conjuntivite ao longo de
[4:33] todo o programa. Mas tive pena, tive pena de não
[4:35] poder brindar a entrevista com alguma vulnerabilidade por não
[4:40] conseguir sair desta persona, mas a verdade é que eu sou assim
[4:43] no meu dia-a-dia, raramente... me vulnerabilizo.
[4:48] Mesmo, raramente. A minha melhor amiga, temos uma
[4:52] relação por aí, sei lá, desde o décimo ano, décimo primeiro,
[4:56] eles que só me vêm chorar três ou quatro vezes.
[4:59] E uma delas foi quando soube que estava grávida, a outra foi
[5:02] quando fui abortar. Portanto, só para verem...
[5:06] Mas eu não sei, não sei o que é que...
[5:09] Sim, também pode ser por causa da medicação, que inibe um
[5:12] bocado... A descida, a depressão, sinto
[5:15] que as emoções no início estão um bocadinho mais almofadadas,
[5:19] mas eu mesmo, enquanto a minha personalidade, não tenho assim
[5:27] grande capacidade para me vulnerabilizar.
[5:29] E se calhar é daí que vem também esta veia hilariante, hilária,
[5:34] humorística. É provavelmente daí.
[5:37] Mas... O que é que eu ia dizer?
[5:40] Gostava de me vulnerabilizar. Epá, mas aqui eu tinha todo um
[5:44] conjunto de situações que eu não queria falhar.
[5:48] Que é, existe aqui uma Joana adulta, uma Joana que já está
[5:52] bem melhor da cabeça, que já está mais madura, uma Joana que
[5:56] é mãe. E que, portanto, olhando para
[5:59] trás, para alguns podcasts que eu poderei ter gravado,
[6:02] nomeadamente no Psycho, em que, Psychotherapy era outro podcast
[6:05] que eu tinha, em que poderei ter brotado mais raiva, mais
[6:09] incompreensão, ou mesmo em alguns outros podcasts em que
[6:12] estava mais zangada, mais triste, em que disse coisas sem
[6:19] noção, não só das repercussões que isso poderia ter... mas
[6:24] também em persona. Que é isto?
[6:29] Ora, a Joana tinha gravado um podcast de quinze minutos, só
[6:34] que deitei-me para trás na cama, mandei-me para um pontapé na
[6:39] entrada do microfone ou na saída, nunca percebi a diferença
[6:43] e foi tudo para o galheiro. Estou calma, estou serena, estou
[6:48] Williams. Pronto, e então olhando para
[6:51] trás, acho que era isso que eu estava a dizer, mesmo em persona
[6:54] disse coisas que não tinha muita consciência das repercussões,
[6:57] sendo que não houve, que eu tenha conhecimento, repercussões
[7:00] práticas na vida de ninguém. A não ser talvez emocionalmente,
[7:04] deve ter sido desagradável para algumas pessoas ouvirem algumas
[7:06] coisas. Houve outras que disse com a
[7:09] intenção de que houvesse repercussões, nomeadamente
[7:12] assédios que sofri, mesmo dentro do seio familiar.
[7:17] No entanto, foi bom ter ido lá contar uma história mais adulta,
[7:21] mais madura, mais inteligente, mais construtiva, mais
[7:25] analisada. Lamento não ter...
[7:27] Isto sou eu a reviver aquilo que tinha dito.
[7:30] Lamento não ter tido uma atitude mais vulnerável e mais generosa
[7:33] com a Júlia, mas é-me difícil porque comunicação é o meu
[7:37] trabalho. E estávamos ali, na SIC, onde já
[7:41] trabalhei, câmaras, muito bem, microfone, tal, maquilhagem,
[7:44] está ali toda a rotina para eu estar a trabalhar.
[7:48] Além de que, não sei se já disse isto ou não, mas o facto de
[7:52] estar antidepressivos também deve ajudar a ter ali uma
[7:55] almofadinha emocional. Lembro-me que no início, quando
[7:58] comecei a tomar determinado... antidepressivo, que não
[8:02] conseguia chorar, tinha de fazer um maior esforço para chorar,
[8:04] pelo menos foi assim que encaixei na cabeça o chapéu.
[8:09] Não sei se terá sido isso que me aconteceu nesta entrevista,
[8:12] juntando a questão da persona também, de estar a trabalhar,
[8:15] mas também o facto de eu tenho noção que eu tenho um privilégio
[8:19] gigante, não só mérito pessoal de ter tido sempre a vontade de
[8:24] me melhorar, de tentar ter uma vida melhor, mais feliz, que me
[8:28] doesse menos, mesmo no meio dos dos momentos mais... pá, mais...
[8:34] sombrios da minha vida. Eu isso orgulho-me muito.
[8:38] Mas eu sei que tenho o privilégio do Caraças por ter
[8:40] feito terapia, por ir ao psiquiatra, por ter acesso a
[8:43] esse tipo de informação, por ter tido, sei lá, não sei, formação
[8:48] académica ou o que quer que seja.
[8:49] E sei que nem todas as pessoas que vão à Júlia, em princípio, e
[8:53] a maior parte delas, terá essa oportunidade.
[8:56] E, portanto, quando tocam em determinados assuntos, a
[8:58] ferida... está aberta, estão a escancarar, estão a pisar, ainda
[9:02] para mais a Júlia ter uma atitude tão maternal, uma
[9:05] maternal muito parecida com a minha mãe, bastante assertiva,
[9:08] teve ali uma altura em que fizemos uma dança tipo teatro,
[9:11] em que disse, não quero ela, não queres, queres, mas eu não quero
[9:13] jantar esta hora, e eu até... Senti-me, ai, como foi, estão a
[9:19] perceber? Fiquei grossas, grossas.
[9:22] Mas essas pessoas, como não tiveram a vantagem de ser
[9:26] analisadas, têm aquilo tudo descancarado.
[9:29] Enquanto que eu tenho as cicatrizes todas, ok, claro que
[9:32] tenho muita coisa para resolver, coisas que nem sequer imagino
[9:34] ainda e o trabalho nunca estará feito e há de haver um dia em
[9:37] que eu tenho que pensar, pá, calma. mas acho que ainda há
[9:40] muita coisa para melhorar e quero, e entretenho-me com isto
[9:43] também, eu tenho as cicatrizes todas, mas quando a Julia andou
[9:48] lá a escarafunchar, nem foi eu a estar a evitar, foi, por mim
[9:52] está tudo bem, por exemplo, eu não sei se já falei disto, mas
[9:54] no final a Julia estava a dizer, e agora saíste da rádio, eu
[9:57] assim, do que é que vives agora? Eu, sei lá, de comédia, de
[10:01] influencing, de locuções, hum... Lá estás tu a fugir ao assunto.
[10:07] Eu, não, é fixe, estou a viver da comédia, portanto ajuda-me
[10:10] com a síndrome de impostor. Lá estás tu.
[10:13] E eu assim, não estava a fugir a nada.
[10:14] Eu tenho muito bem arrumado na minha cabeça o facto de não
[10:17] estar a fazer rádio de momento. Primeiro porque já tive a
[10:20] experiência de ter saído ao ar, voltado ao ar... ter saído da
[10:25] rádio, voltar à rádio, mudar de rádio, e portanto sei que as
[10:28] coisas vão acontecendo de uma maneira ou de outra, e portanto
[10:31] não senti que fosse uma despedida da rádio, no mesmo
[10:34] sentido não senti que foi um regresso à rádio.
[10:38] Senti um bocadinho, pá, porque já não estava à espera, mas
[10:41] agora já tenho isso assim mais editado na minha cabeça e estou
[10:45] tranquila, portanto eu nem sequer estava a perceber bem a
[10:47] pergunta, só quando a Júlia me disse depois...
[10:49] Ah, lá estás tu a fugir, é que eu a fugi.
[10:51] Ah, ela queria aquela parte depois, a televisão esqueceu-se
[10:53] de mim, a rádio não me quer. Pá, eu acho que é aqui que entra
[10:58] muito a vantagem da terapia, que não resulta com toda a gente,
[11:02] nem toda a gente tem sorte com os mesmos psicólogos.
[11:04] Pena este não ser um episódio com o patrocínio da HiWell, mas
[11:07] acredito tanto neste projeto, nesta marca, que vou promovê-la
[11:10] mesmo assim. A HiWell é uma aplicação onde
[11:13] vocês podem ter consultas de psicologia online, e onde fazem
[11:18] fit com os psicólogos mais ajustados àquilo que querem
[11:22] trabalhar em vocês. Vou para o link aqui na
[11:28] descrição porque vale a pena e faz sentido com isto que estou a
[11:32] falar agora. Mas então isso, não estive a
[11:37] criar uma narrativa, foi mesmo, estou mesmo tranquila, mas isto
[11:42] também tem a ver com o facto de eu ser privilegiada e de haver
[11:45] algumas despesas que eu não tenho que para outras pessoas
[11:48] são, pá, de... se degularem e portanto eu tenho aqui um à
[11:52] vontade uma almofadinha novamente que me deixa não me
[11:58] querer atirar da janela por neste momento não ter um
[12:01] ordenado fixo no entanto estou fixe, estou bem e não sei se
[12:07] isso é interessante o suficiente para a televisão mas olha, não
[12:09] me tivessem escolhido que é mesmo assim podem ver para trás,
[12:13] ponham rewind que assim veio mesmo para trás.
[12:18] Deu por volta das quatro e meia, depois da linha aberta da
[12:20] Hernani Carvalho. Para quem não sabe, tenho uma
[12:24] panca por a Hernani Carvalho. Pá, em que estive com a Júlia.
[12:28] Júlia, grande Júlia. E pronto, estive... estive a
[12:32] isto de lhe mandar uma mensagem eu gostei tanto de estar consigo
[12:35] foi um prazer isto ia dar aonde? isto é outra coisa que é a
[12:39] maturidade além de mudarmos as narrativas porque começamos a
[12:44] ter uma visão mais trezentos e cento uma história menos e algum
[12:49] recuo e assumimos outros papéis também socialmente,
[12:54] familiarmente conseguimos ver as coisas de outra perspectiva
[12:59] também eu consigo pensar já nas consequências de cada coisa que
[13:02] eu possa fazer e claramente não havia nenhuma consequência
[13:04] positiva de eu dizer à Júlia que adorei estar com ela mas adorei
[13:09] estar com ela Quase compensou o facto de ter ali a legenda a
[13:13] dizer animadora de rádio revela o seu diagnóstico de
[13:16] bipolaridade. Se quiserem ver uma bipolar a
[13:22] atuar, que foi por isso que eu fui ao programa, foi para
[13:24] promover também os meus espetáculos, os vossos
[13:27] espetáculos. Não sei ser ao vivo, todos os
[13:30] espetáculos são diferentes, são feitos de improviso, improviso
[13:34] mas com qualidade, não é chegar lá e é, dei uma letra, não, é
[13:37] improviso ali, daqui. a dezesseis de outubro no Porto,
[13:43] dezessete em Braga, dezoito em Leiria, vinte e cinco em
[13:47] Coimbra, isto de outubro, um de novembro em Lisboa.
[13:50] Os bilhetes estão à venda na Ticketline ou então no link do
[13:53] meu Instagram. Júlia, eu quero-te.
[13:58] Quero-te. e depois foi uma senhora com um filho que tinha
[14:03] trissomia trissomia, trissomia depois houve uma que também era
[14:08] da Iurde e não sei o quê ai amigos, e primeiro estou lá eu a
[14:11] dizer a vida é muito, mas a vida também pode ser feita de bons
[14:15] momentos não sei

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