# #139 - Desculpem, homens/pais.

An episode of [não sei ser](https://invisiblenetwork.ai/podcast/1662857422), 26 Jun 2024, 12 min.

Audio: https://anchor.fm/s/d7dabd1c/podcast/play/88499823/https%3A%2F%2Fd3ctxlq1ktw2nl.cloudfront.net%2Fstaging%2F2024-5-26%2F9084fd34-1eac-d2eb-763e-9cc20ef3db76.mp3

Foram três camadas de raciocínio. Parecia um doce da casa, mas sem ser aquele em que a bolacha Maria já está na merdunfa. 💥NOVA TOUR💥 📍Lisboa - 27 de Setembro - Lisboa Comedy Club 📍Coimbra - 11 de Outubro - Grémio Operário de Coimbra 📍Porto - 16 de Outubro - Ferro Comedy Club 📍Braga - 17 de Outubro - RUM by Mavy 📍Leiria - 18 de Outubro - Sala Jaime Salazar Pacheco 🎟️ Bilhetes: www.linktr.ee/joanagama

## Transcript

[0:00] Estou super empoderada, estou marcando uma tour
[0:04] sozinha, não sei se vocês já repararam, mas neste
[0:06] momento não tem agência que me represente, não tenho
[0:10] produtora e portanto tudo aquilo que estou a fazer é
[0:13] sozinha. Não fui eu a fazer o cenário,
[0:17] o cenário do espetáculo foi a cuca, não fui eu a
[0:20] fazer o jingle de abertura deste podcast, foi o Nois
[0:23] Arve, fui eu a fazer os cartazes, fui eu marcar as
[0:26] datas, fui eu fui eu, sou eu, eu, eu, eu, eu, sejam
[0:30] bem -vindos a mais um episódio do Não Sei Ser.
[0:35] Trim! Não sei se... Não
[0:43] sei se... Estou super orgulhosa, tudo bem
[0:50] que aqui mas essa coisa que eu tenho de aprender,
[0:52] estou muito naquela de atenção, eu digo sozinha
[0:55] mas tenho tido ajuda de malta para produzir isto, a
[0:58] comunidade está muito junta, especialmente no Porto e
[1:01] tenho tido essa ajuda do Ricardo Leite, eu vou
[1:05] revelando as pessoas a seu tempo, que vocês estão aí
[1:08] loucos, quem é que são as pessoas que têm ajudado a
[1:11] Joana? Mas estou muito orgulhosa porque
[1:15] às vezes nós temos aqueles sonhos, aquelas ambições de
[1:19] fazermos coisas que parecem muito mais complicadas do
[1:21] que aquilo que são na prática tecnicamente, nós
[1:24] não conhecemos o caminho, parece tudo super distante
[1:27] mas porque não fazemos um questionamento socrático em
[1:33] relação a isso, nós nos questionarmos em relação a
[1:35] tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, eu fico em saber que
[1:38] não é preciso ter uma produtora ou uma empresa
[1:40] para conseguir organizar um espetáculo no sítio, existem
[1:44] brokeresses, licenças, mas que isso é tudo fazível e
[1:49] que eu posso fazer sem estar a recorrer a uma
[1:52] produtora, sem estar a dar xis do meu rendimento,
[1:55] especialmente no espetáculo que assenta também numa
[1:59] vertente estética e teatral mas que não exige por aí
[2:03] além uma férida, né? Portanto
[2:06] estou muito orgulhosa de mim para que o Deus, que
[2:08] o Deus for mim e me... Datas,
[2:11] eu queria dar -vos datas, vocês me seguirem no
[2:13] Instagram, está lá, está? Estou?
[2:15] Estou? E... Isto sou eu a fazer tempo,
[2:22] às vezes a malta acha que eu me estou a rir de mim
[2:24] própria, que me adoro, mas às vezes estou só em
[2:27] inserir silencias porque quando estou a fazer o
[2:29] espetáculo muito aquilo que eu faço é improviso e às
[2:32] vezes estou a me rir que é para ganhar tempo para
[2:34] ver o que é que um gás estava mesmo aqui a dizer,
[2:38] por exemplo agora... Tenho aqui as datas, que eu
[2:41] estou aqui com o Berdas. Berdas,
[2:43] dia 27 de setembro no Lisboa Comedy Club, de 11
[2:46] de outubro no Grêmio Oparário de Coimbra, 16 de
[2:48] outubro no Ferro Comedy Club, dia 17 de outubro no
[2:52] Rumbai Mavi e em Leiria, dia 18 de outubro na sala
[2:58] Jaime Salazar Sampaio. Tive de ver, Jaime Salazar
[3:03] Sampaio, a sala do Teatro. Em
[3:06] Leiria é Teatro, sim, é Teatro. Ah,
[3:10] fui eu a fazer isto, fui eu e um beijinho para
[3:13] todos e era só isto, um obrigado e não sei o que.
[3:16] Estou muito contente, compre
[3:17] embletes assim que puderem, por favor, para eu saber
[3:22] dizer como é a minha vida. Porque
[3:24] a Irã tem de dormir para a casa do pai, eu tenho
[3:26] de saber como é, quem é que dorme, quem é que não
[3:28] dorme, o que é que eu faço para jantar e essas
[3:30] coisas. Agora queria partilhar com vocês
[3:32] com uma coisa que me aconteceu, acho que foi
[3:34] esta semana, depois da escola da Irã que estivemos
[3:36] indo para um café de giro no meio da floresta em
[3:40] Monsanto e para ela fazer os trabalhos de casa e não
[3:43] sei o que, fica menos frustrada, bebemos um
[3:45] galãozinho e ememem, me giro e quando dei por mim
[3:49] estava boquiaberta a olhar para um grupo de quatro
[3:53] homens todos nus a bater em uma uns aos outros.
[3:58] Estavam quatro homens vestidos com
[4:00] bebê. Sei que é aqui um filme
[4:03] qualquer, três homens e um bebê, dois homens e um
[4:05] bebê, não sei, mas sei que olhei para aquilo e fiquei
[4:08] com vida, vi eram algumas lágrimas onde aos olhos e
[4:13] pensei, fogo, que cena encantadora, que coisa mais
[4:18] maravilha. Olha, quatro homens a beberem
[4:22] cerveja, a estarem com o puto, a brincarem com o
[4:26] puto. Pensei, humanidade é mesmo
[4:28] fantástico. Este puto está a ter
[4:32] oportunidade de ter um convívio completamente
[4:36] diferente ao final do dia, mas depois me a pensar.
[4:39] Por que é que eu estou
[4:40] convida? Se fossem três gajas ou quatro
[4:42] gajas eu estaria convida ou pensaria, ah amoroso, para
[4:45] um cenário do costume. Mas pensei, estou a ser
[4:47] paternalista no sentido em que, ah, como são homens
[4:50] tão queridos em fazer isto quando não estranharia se
[4:55] fossem mulheres e depois ainda dei mais uma volta e
[4:57] fui para casa porque dei uma volta. Dei
[5:00] mais uma volta que foi. Até
[5:01] que ponto é que nós mulheres, incluindo -me aqui
[5:05] nesse grupo que não estou a generalizar, apesar de
[5:08] dizer mulheres, mas é só porque se estiver sempre
[5:10] aqui a particularizar -te os amigos. Até
[5:14] que ponto é que nós mulheres não estamos a
[5:17] privar também os pais, isto em casais heterossexuais,
[5:22] não sei o que, de terem uma experiência mais próxima
[5:25] dos putos por causa do nosso machismo interiorizado
[5:31] e dos nossos papéis sociais não questionados. Eu
[5:36] acuse -me neste fato. Eu tive muita dificuldade em
[5:45] ter capacidade para atribuir, que já nem sequer
[5:49] devia ser eu atribuir, mas pronto, para haver uma
[5:53] atribuição igualitária do papel de mãe e de pai.
[5:57] Sente que igualitária não
[5:59] significa fazer as mesmas coisas, não significa
[6:02] necessariamente fazer a mesma quantidade de coisas,
[6:05] mas significa talvez uma atribuição justa mediante
[6:07] critérias que o casal possa definir. E
[6:11] eu senti aqui, ou para me sentir concretizada, enquanto
[6:13] mãe, uma boa mãe que tinha de abarbatar todas as
[6:17] funções que estivessem disponíveis, não só por
[6:21] minha causa, mas também por achar que não iriam ser
[6:24] feitas em condições pelo pai da minha filha. Não
[6:27] por ele ser estúpido, mas exatamente por isto que eu
[6:30] estou a dizer, pure, a ver aqui uma espécie de
[6:35] infantilização que fazemos dos homens, que lhes dá
[6:39] jeito, obviamente, mas que me trouxe agora esta nova
[6:44] perspectiva de que, além de nós mulheres nos estarmos a
[6:49] sobrecarregar, por nos atribuirmos todos esses
[6:52] papéis, para não nos questionarmos, por termos
[6:56] colhido parceiros, que blá, blá, blá, porque a
[6:58] sociedade blá, blá, blá, blá. Além
[7:00] disso ainda existe aqui uma camada que eu não tinha
[7:01] percebido que é que estamos a privar os pais de terem
[7:04] uma experiência mais enriquecedora. Mas
[7:09] e os filhos também, e mais 360, do que a ser pai.
[7:16] Pá, deve ser realmente também
[7:17] muito engraçado, se nós não olharmos para um grupo de
[7:21] homens ao final da tarde a verem bejeques, como tipo,
[7:25] ah, mais bejeques, se não olharmos com esse olhar
[7:28] discriminatório. Deve ter sido boa da fiche,
[7:31] três amigos estarem com um puto, quatro amigos estarem
[7:33] com um puto, estarem a falar com ele como é que
[7:37] é disto, como é que é daquilo, brincarem todos
[7:39] deve ter sido uma experiência incrível, se
[7:41] calhar habitual, se calhar o gajo nem queria estar a
[7:44] fazer aquilo, se calhar eles tinham de estar os
[7:46] três ou odiaram que o miúdo fosse só que na
[7:48] minha cabeça que ele foi injustamente fenomenal. E
[7:53] pus -me a pensar também nessa perspectiva que é, ao
[7:58] estarmos a assumir as responsabilidades de outros,
[8:01] ao não estarmos a lutar por isso, ao não estarmos
[8:04] a conversar sobre determinados assuntos,
[8:06] também, com receito de estarmos a ser chatos ou
[8:09] chatas, trauma de abandono ou quer que seja, também
[8:12] estamos a privar a outra pessoa de algum crescimento
[8:15] e de oportunidades de causar a vida. E
[8:18] além disso está aprovado por a mais b, que uma
[8:21] pessoa pensa está aprovado, está, quando é por a mais
[8:23] b é porque está aprovado, quando é por a mais b não
[8:26] há hipótese, está tudo fechado. Que,
[8:31] ok, o cérebro da mãe tem uma ligação particular ao
[8:35] recém -nachido, por vários motivos, mas que o homem
[8:39] em contacto, direto com a criança e com a mesma
[8:43] quantidade e qualidade de contacto, o cérebro do
[8:46] homem também se modifica. E não sei se não será de
[8:50] igual maneira ao da mulher, portanto acho que é
[8:54] interessante pegar neste raciocínio fantástico que eu
[8:58] partilhei com o Vosco e aplicar isto, aplicar isto
[9:02] em outras feras da nossa vida, o circo das feras,
[9:07] que é por exemplo em casal, até que ponto não
[9:12] estando a verbalizar uma necessidade que nós tenhamos
[9:16] ou álbums tenham feito sentir menos ao vidas, ao
[9:19] vistas, ou não fazê -lo, porque temos medo do
[9:23] conflito, temos medo do abandono, até que ponto é
[9:26] que não estamos a privar a outra pessoa de ter uma
[9:29] melhor relação conosco, ou ter uma melhor relação no
[9:31] geral, ou de algum crescimento, ou de haver
[9:34] ali algum input que faça com que a pessoa se
[9:37] melhore, que no fundo foi só uma maneira um carinho
[9:39] mais longa a dizer aquilo que tinha dito 2 segundos
[9:41] antes. Sei, achei interessante, achei
[9:44] interessante e eu tenho ainda uma visão muito
[9:50] retrógrada em relação a muitas coisas, eu questiono
[9:53] muito mas pouco sobre aquilo que me parece já
[9:59] interiorizado, cristalizado e se agora voltar -se atrás,
[10:04] não sei, depende da parceria que nós tenhamos.
[10:10] Ah, mas é fácil dizer não sei
[10:14] quantos anos depois que eu teria feito assim e assado,
[10:18] mas que ali eu vou pegar nesse exemplo e pensar, pá,
[10:22] se eu verbalizar as coisas com respeito, empatia,
[10:28] vontade genuína de melhorar as coisas e não desce de
[10:32] sabotar ou de foder a cabeça de outra pessoa, sou
[10:35] outra pessoa, não consegui lidar bem com isso, cá
[10:37] estarei, mas se ficar defensivo, pá, há que
[10:41] trabalhar, há que trabalhar nisso. Esta
[10:44] merda do medo de fazer coisas, pá. Eu
[10:48] sinto que as coisas têm acontecido no momento em
[10:51] que faz sentido e é óbvio que pensando o oposto é
[10:53] muito chato. Bem, as coisas não têm
[10:55] acontecido nem mesmo quando faz sentido, portanto este
[10:57] pensamento está a jeito, mas acho que as coisas nos
[11:00] vão acontecendo à medida que nós permitamos que isso
[11:02] aconteça e muitas das coisas acontecem quando nós
[11:06] deixamos de ter medo de fazer algo, medo de chocar,
[11:11] de deixar de ter medo de falhar, medo de o que que
[11:15] as outras pessoas vão pensar, medo de não
[11:18] conseguir, medo de não sei o que, se eu gosto de
[11:21] sempre pensar quando consigo que posso estar enganada. E
[11:26] ver aqueles quatro ou três homens mais o puto ao
[11:29] final da tarde com aquele porto de sol incrível e eu
[11:33] imuxar um brigadeiro ou algo que era aquilo, iria
[11:37] rever o sistema escritor, não o dela, mas num livro.
[11:41] Não era tipo, ah, não é?
[11:43] Pensei, é. Acho
[11:47] que é fiche também cuidarmos dos outros, nesta
[11:53] perspectiva de amor também, não ser só aquilo que eu
[11:57] preciso, aquilo que a relação precisa, mas também
[11:59] o que é que o outro tem a ganhar com isto.
[12:12] Não é? Não
[12:13] é? Não é? Não
[12:16] é? Não é?

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