# com pessoas: "O homem nem liga para o que vc está falando" - Anderson Bizzocchi (Barbixas)

An episode of [não sei ser](https://invisiblenetwork.ai/podcast/1662857422), 26 Aug 2025, 48 min.

Audio: https://anchor.fm/s/d7dabd1c/podcast/play/107384029/https%3A%2F%2Fd3ctxlq1ktw2nl.cloudfront.net%2Fstaging%2F2025-7-26%2F406329607-44100-2-e2bd25f3d12be.mp3

🎭 Aí estão eles… Ah, afinal não, é só o Anderson Bizzocchi, mas ouvi dizer que é o mais simpático, por isso só ficamos a ganhar, EH. 🇧🇷 Os Barbixas vêm a Portugal em Setembro, ficam aqui com o link para os bilhetes para Porto, Lisboa e Braga. 🔥 Não faltem aos meus espectáculos, vou iniciar a tour em Setembro e logo por Lisboa - 7 de Outubro no Teatro Villaret. Link rabudo aqui: www.linktr.ee/joanagama 😬 Se não conseguirem ir vão ter de lidar com esse trauma e, por isso, percebo que comecem a fazer terapia com a HiWell até por causa do meu desconto malandro de 15% código 15joanagama 👉 https://hiwell.app/joanagama3 🎧 Sigam o podcast, avaliem, comentem e… recomendem :)

## Transcript

[0:06] Olá, sejam bem vindos ao não sei jogar ténis e agora é só isto
[0:16] para quem está a ouvir no carro. Estou a arrasar, vocês não têm
[0:20] noção. Nota se perfeitamente que tenho
[0:23] treinos 2 vezes por semana há 2 anos.
[0:27] E é um bocadinho como o humor, como o improviso, sabem?
[0:30] Tem a ver, tem a ver muito com o treino, com a prática.
[0:35] Mas o Anderson dos barbixas, vai falar disso a seguir, mais vale.
[0:40] Está ali uma criança, vou atirar de nada pelo convite.
[0:48] Eu sei que para ti é um privilégio estar comigo não.
[0:52] É. Amas o meu trabalho.
[0:55] Não vamos separar o profissional da admiração.
[0:59] Sim, sim, vamos tentar. Será que consegues falar comigo
[1:02] tranquilo? Não sei, estou todo arrepiado,
[1:05] mas assim vou tentar me concentrar.
[1:07] EE, às vezes prestar atenção no que você está dizendo, porque é
[1:12] como se fosse o né? Aquele momento que a pessoa vê o
[1:15] Mickey na Disney e fala, Ah, então estou.
[1:18] E fica. E depois também é isto não é?
[1:21] Sou linda e isso deixa te desconfortável.
[1:25] Tomei um Belo chá de camomila. Estou, estou.
[1:29] Estou mais tranquila. Não sei se é o suficiente, mas.
[1:34] Está bom? Bem-vindo, obrigada.
[1:39] Imagina eu que agradeço? Imagina.
[1:43] É muito Brasil, não é? Imagina.
[1:46] Não. Nós também dizemos isso cá EE,
[1:48] dizemos muito, que é tipo imagina.
[1:51] Estamos sempre a dizer imagina, imagina.
[1:54] Primeira pergunta é no espetro ator, comediante, onde é que tu
[2:00] estás? Eu estou bem mais no espectro
[2:03] comediante. Eu não consigo, não consigo me
[2:07] imaginar. Acho que vai demorar um pouco.
[2:09] Chega na idade. É como se fosse o Jim Carrey,
[2:12] quando faz 111 filme um pouco mais Sério, aí você.
[2:15] Eu ainda não estou nessa fase. Eu não consigo me imaginar a
[2:19] fazer um algo. Drama?
[2:22] Um Shakespeare? Não, não acho que consigo.
[2:25] Pergunto te isto porque, pelo menos cá em Portugal, eu sinto
[2:29] que existe um preconceito em relação à comédia de improviso,
[2:33] que vocês não são tão comediantes porque não têm
[2:37] texto, porque não testam por isso.
[2:41] É que eu te estava a perguntar. Muitas, muitas pessoas acham que
[2:44] um comediante de improviso não é bem um comediante está ali entre
[2:48] o ator. Eu.
[2:51] Acho. Eu acho que a comédia do
[2:55] improviso, ela envolve muitas Vertentes.
[2:58] É interessante essa análise porque ela envolve muitas
[3:01] Vertentes da criação da comédia. Quando você você está fazendo o
[3:06] improviso, você é o roteirista, é um diretor, é o ator e, no
[3:14] nosso caso, é o comediante. Existem é formatos de improviso
[3:19] em que? O improviso não necessariamente
[3:21] é comédia. O improviso ele é, pode ser 11
[3:24] peça. Eu já assisti em festivais de
[3:27] improviso do mundo peças que são peças, só que são improvisadas e
[3:32] não tinha tinha quase nada de comédia.
[3:34] Você às vezes obtia você obtia, meu Deus, obtia obteve.
[3:41] Ah, o verbo foi se embora você conseguia.
[3:44] Você conseguia o riso da plateia porque a plateia, no contexto,
[3:49] sabia que era improvisado e que o ator estava criando aquilo.
[3:53] Então é, mas é quase um riso. Olha, ele conseguiu, olha que
[3:57] interessante. Mas eu acho que, primeiro, eu
[4:01] acho esse preconceito bobo, assim, eu, a gente tá começando
[4:04] a fazer, a gente tá começando a fazer, começa o stand up também.
[4:08] Eu e o elídio, particularmente, é uma arte também muito difícil.
[4:12] No primeira, na primeira noite que nós fizemos.
[4:15] Você é comediante, você sabe disso.
[4:18] Você planeja aonde? Você acha que vai ter risada no
[4:21] momento um, no momento 3, no momento 7 do meu texto, você
[4:25] fala aqui, vai ter risada, aqui vai ter.
[4:27] E a primeira noite que a gente fez, houve risadas, mas em
[4:31] momentos diferentes do que tinha previsto.
[4:35] Então isso foi muito legal e ao mesmo tempo meio assustador.
[4:37] E de uma forma nos colocou num lugar de humildade de.
[4:42] Uhum, um desafio. É um desafio de olha que
[4:44] interessante. Eu eu achei que iam rir aqui,
[4:48] riram num outro momento e no. Improviso.
[4:52] Sim, a gente está, porque a gente tem um clube de comédia.
[4:55] A gente tem um clube de comédia aqui em São Paulo.
[4:57] Exato. E a gente criou uma noite por
[5:00] uma vontade. Eu tinha uma vontade quase que
[5:03] deixa eu ver, deixa eu deixa eu dar uma olhada nesse negócio de
[5:06] stand up aí, deixa eu, deixa eu ver o que está acontecendo.
[5:11] E eu escrevi um texto, porque nós também fazemos esquetes, nos
[5:15] barbixas, e eu não sei o que que aconteceu num cotidiano.
[5:19] Foi uma visita minha. Um dia eu estava no hospital,
[5:21] fui no hospital e o que aconteceu no hospital para mim
[5:27] não falou, cara, isso não é um esquete, isso não é um
[5:30] compromisso. Na eu falei isso dá um texto de
[5:32] stand up. E eu voltei para casa e escrevi,
[5:37] e foi esse texto que eu testei. Que não deu certo no começo, eu
[5:40] e voltei para casa. Por que que deu certo?
[5:42] Então é um desafio interessante. Assim, eu acho que o comediante,
[5:45] ele pode ter várias Vertentes, é, e a gente vê isso muito lá no
[5:49] clube de comédia, porque tem espetáculos de palhaço também,
[5:52] que também traz humor. A gente tem espetáculos de drag
[5:55] Night, Reg show, tipo uma noite, RuPaul, assim mais ou menos, que
[5:59] também traz o riso, um riso que você não entende da desse
[6:03] sarcasmo que que esse tipo de comédia tem.
[6:06] Então é muito legal você ter várias Vertentes e a gente, no
[6:10] improviso, às às vezes, pode aproveitar várias delas.
[6:14] Claro, eu perguntei te isto porquê.
[6:16] Porque eu fiz parte de de um clube de improviso, de um grupo
[6:19] de improviso, e era composto por atores e por comediantes.
[6:23] Os atores odiavam nos e nós odiávamos os atores porquê?
[6:28] Porque os comediantes tinham a tendência para a piada, rápida,
[6:32] para a individualidade, e os atores sabiam construir cena.
[6:36] E lidam bem com o silêncio. Vocês já têm que ter essas 2
[6:40] coisas. Não é com a com a experiência
[6:42] toda que têm. E acho que os jogos também.
[6:46] As dinâmicas de improviso, trazem essas características,
[6:49] dependendo da situação. Tem cenas que nós fazemos no
[6:52] nosso espetáculo, que puxam um pouco mais para uma cena mesmo.
[6:57] Mas também tem há jogos de que nós chamamos de jogos de
[7:02] gatilho, de tiro rápido. Em que o que interessa realmente
[7:06] é vai pra frente e faz uma risada, o rooseline, o
[7:10] rooseline. Existem away né?
[7:11] Que foi uma grande inspiração pra vários.
[7:12] Um programa é americano que foi pra inspiração pra vários
[7:17] improvisadores ao longo, ao longo do dos tempos.
[7:20] Ele tem lá o os, os, os sindsonal hatch, os cenas do
[7:24] chapéu que é aquele mais famoso. O que não fazer quando estiver
[7:28] num num consultório de de um médico?
[7:32] Aquele é um jogo de tiro. E se você for ler uma
[7:35] enciclopédia de improviso de jogos dinâmicas, como fazer na
[7:39] cena? Você vai ter os tipos de cena,
[7:42] cenas longas, cenas curtas, jogos de tiro em que eu acho que
[7:45] isso é é mais uma característica de habilidade.
[7:49] Eu acho que o comediante, ele ir bem, é meio que natural nesses
[7:53] jogos de gatilho e a. Só que num jogo musical ele
[7:58] talvez não vá bem, porque um ator teve a formação musical e
[8:01] ele não vai saber cantar direito.
[8:04] Talvez ele não vai, ele vai saber cantar maravilhosamente
[8:06] bem, mas não vai ter a piada. E eu acho essa mescla, na
[8:09] verdade, positivíssima, eu acho algo.
[8:12] Por isso é que é um grupo, não é?
[8:14] Isso exato. Qual é que é a tua mais valia?
[8:17] É musical? O que é que tu sentes?
[8:19] Eu, eu. Eu gosto muito da parte musical.
[8:22] Eu tenho uma habilidade. Eu gosto mesmo.
[8:24] Eu tenho um jogo musical que a gente faz o espetáculo.
[8:27] Em que eu me sinto mais à vontade, porque eu também tive
[8:30] um pouco dessa formação. Eu, eu, eu fiz musical na, na
[8:35] escola, na parte de formação de ator.
[8:37] Não cheguei a fazer profissionalmente, não
[8:39] participei de nenhum musical, mas eu gosto muito e os meninos
[8:43] gostam também. Mas eu acho que Oo Daniel tem
[8:45] uma genialidade muito boa pra jogos de tiro, ele tem umas
[8:49] sacadas boas. De roteiro elídio tem uma sacada
[8:52] de olhar pra cena e pra onde a cena pode ir, então a gente vai
[8:55] se equilibrando. Realmente é um é um grande platô
[8:59] que tá toda hora em cima do de um aquela AAAA coisa do circo da
[9:04] vareta, que ele tá quase caindo e a gente tem que equilibrar.
[9:08] Eu acho isso meio mágico do nosso grupo E de vários grupos
[9:11] de improviso, né? E vocês conseguiram esse
[9:14] equilíbrio logo no início do grupo.
[9:16] Ou seja, é preciso um grande entrosamento.
[9:18] Ter a escuta ativa e reconhecer que os outros têm mais talento
[9:22] do que nós nalgumas coisas, às vezes pode ser complicado.
[9:26] Como é que foi isso? É, a gente ouviu uma frase de
[9:30] 11, mestre de improviso, o Keith Johnson, em que ele falou assim,
[9:36] se você vai assistir um espetáculo de improviso e alguém
[9:41] fala. Nossa, que espetáculo ótimo.
[9:44] Mas aquele aquele ator é o melhor ou aquele ator se
[9:49] destacou, significa que o seu espetáculo foi ruim?
[9:54] Então, isso ouvindo das pessoas. E nós somos um grupo que, ainda
[10:00] bem, ainda bem, o ego não é o nosso forte, eu acho.
[10:06] Assim, fazendo uma avaliação interna, nós somos muito
[10:09] críticos. Talvez isso veio de uma.
[10:12] Uma grande influência que a gente gosta de ter dos Monty
[10:15] Python, da do humor inglês, de que você pergunta pro inglês
[10:19] como está, é mal, mas tá, vamos, nunca respondemos, tá indo bem.
[10:25] Então nós somos muito críticos do que nós fazemos.
[10:28] Isso faz com que não tenha essa coisa de nossa, agora eu vou
[10:32] brilhar, né? Nenhum dos 3 tem isso muito, a
[10:36] gente sabe como controlar um espetáculo.
[10:39] Mas ninguém pensa, aí eu sei que o Daniel vai ser melhor nisso,
[10:42] então deixa ele fazer. Eu vou ser um pouco melhor
[10:45] nisso. Então vai carregando, a gente
[10:47] vai trabalhando em conjunto, mas demorou, demora anos pra você ir
[10:51] percebendo. Você faz um espetáculo, você
[10:53] comenta no camarim, você percebeu que você fez isso?
[10:57] Uma cena é muito. Importante é duro.
[11:04] Mas tem um segredo maravilhoso que eu vou, eu dou uma dica pra
[11:07] quem tiver. Quem estiver afim de desenvolver
[11:11] se nessa arte ou qualquer outra arte.
[11:14] Vídeo gravem gravem porque o vídeo é cruel.
[11:19] O vídeo é frio, o vídeo mostra coisas porque você sai com uma
[11:23] impressão, mas a impressão ela não é válida para um resultado
[11:30] longo. Você assistir a sua,
[11:32] principalmente no início. Hoje não fazemos mais com tanta
[11:36] frequência, mas. Você trazer o vídeo como uma
[11:40] forma de olhar todo mundo, assistir junto, passar vergonha,
[11:43] ficar com aquela coisa de Ah, eu fiz isso, horrível.
[11:47] É muito positivo e é muito bom, muito necessário.
[11:52] Sim, apesar de doer, nós também fazemos isso no stand up e mas é
[11:57] positivo no sentido para além de aprendermos.
[11:59] É giro para desfazer essa essa perspetiva egoica.
[12:03] Não é que nós às vezes tanto achamos que a noite foi incrível
[12:06] e chegamos a casa e Hum. E isso não, ou como como o
[12:10] contrário. Às vezes são noites que são
[12:12] horríveis, mas nós é que estamos mal.
[12:15] EE sentimos isso. EEEO, quão tu achas que vocês
[12:19] são tipo atletas, não é? Vocês têm que estar em forma de
[12:23] cabeça para que as coisas corram bem no espetáculo ou têm que se
[12:26] apoiar uns aos outros. Já o fazem que tiveste mal de
[12:29] cabeça e tiveste de fazer espetáculos, tipo, o quanto é
[12:32] que a saúde mental está ligada à qualidade de um espetáculo
[12:36] vosso? É o nós temos a facilidade,
[12:41] porque há uma possibilidade de um estar um pouco mal e o resto
[12:45] do grupo vai levando. Mas existe até uma piada interna
[12:48] no nosso grupo que é, ó, hoje eu não estou bem.
[12:52] Vocês seguram o espetáculo. Aí os outros 2 falam, mas a
[12:55] gente faz isso há anos igual. Importa.
[13:02] Que não importa que esteja mal, tipo, nossa, hoje eu estou
[13:04] gripado. Aí um olha para o outro e fala.
[13:06] Ah, como sempre nós 2 vamos ter que resolver o espetáculo, então
[13:11] isso é possível num grupo E ainda temos o adicional, que é
[13:16] um convidado extra que nós sempre chamamos.
[13:18] Então não tem como um espetáculo ficar muito com a cara de um.
[13:23] Então a gente consegue tipo, Ah, na noite, o outro não tá
[13:27] esperado e tá tudo bem. A gente se equilibra o que?
[13:31] O que é bom do vídeo é também perceber essas coisas de.
[13:36] É, Ah, você entrou na cena, é com o personagem errado?
[13:41] Não. Mas eu entrei porque vocês
[13:43] falaram que havia uma senhora velha.
[13:45] Eu entrei como velha e aí tem aquela coisa de cama, não,
[13:47] ninguém falou, não falou, falou, não falou?
[13:50] Falou aí o vídeo. Mostra, descobriu isso?
[13:53] Todo mundo perceber é aí, o vídeo mostra.
[13:57] Ó lá, ó, ó, você falando AI, nossa, nem eu reparei.
[14:00] É super normal, é super comum. Era ótimo gerissa em casa, não
[14:04] era para discussões também. Ó, seria maravilhoso.
[14:07] Você disse isso? Não disse volta.
[14:10] Eu digo, então seria maravilhoso.
[14:12] Tu falaste em convidados, já podes divulgar os convidados e
[14:15] dizer que é o Mario bomba no Porto e o Telma em Lisboa.
[14:18] Ou ainda não. Pode, claro.
[14:23] Já tem, já tem essa informação? Seria maravilhoso.
[14:26] Ah, eu perdi. Depois você edita.
[14:28] Se quiser, eu podia falar. Agora tu ficavas a saber por
[14:33] mim, imagina? É, são eles só um minutinho.
[14:38] Eu falei para não chama liga para produção, eu?
[14:42] Posso cortar, não? Não tô brincando, sim.
[14:46] Eu sou amiga do do bomba e tive a falar com ele.
[14:51] Sobre vocês, então ele disse me que IA fazer, IA fazer o Porto,
[14:55] vocês vão ter sim, pá, convidados incríveis, tanto
[14:58] bomba em Portugal é um dos mestres de improviso.
[15:02] Aliás, ele até vai dar um curso em breve.
[15:04] Eu depois falo disso no resto do podcast e o Telmo também, é
[15:08] maravilhoso. Vocês também estão a ir para um
[15:10] caminho fácil, vocês estão a ir buscar pessoas boas, vocês
[15:14] deviam ir buscar pessoas menos boas, que é para ser difícil.
[15:20] Problema agora voltou, voltou. De repente você sumiu.
[15:27] A única parte em que houve um elogio, você.
[15:31] Ah, vocês estão a buscar pessoas boas.
[15:33] O áudio veio. Estava a dizer que um bom
[15:38] desafio era porem pessoas más assim é fácil assim o
[15:45] espetáculo. A parte do ruim deixa conosco
[15:49] com os barbixas, Oo convidado brilha e aí vai AO ouvinte o ou
[15:54] o espectador mais atento vai falar, ué, mas você falou que
[15:56] nenhum ator poderia brilhar? Ah, não, não me escute.
[16:02] E quanto o quanto é que já estão fartos das sugestões mais
[16:06] parvalhonas do público? Um vibrador bunda?
[16:13] A gente, a gente nem nem comenta também porque.
[16:17] É, a gente simplesmente fala outra, fazer toda hora legal,
[16:27] outra coisa, mais uma legal. Porque isso as pessoas, elas têm
[16:34] uma coisa do que é o tabu, né? Do que não pode ser dito.
[16:39] Então AI meu Deus, eu não falo isso na minha casa.
[16:41] E como é que eles vão fazer? E para nós, o desafio não é
[16:45] fazer humor com o que já é, já tem um.
[16:50] Terno. É, não é o legal.
[16:53] É falar com árvore, pô. Faz piada com árvore aí.
[16:56] Árvore não é engraçado. Árvore não é engraçado.
[16:59] Onde você vai? E isso é que nos desafia e é
[17:01] isso que é legal. Certo, no outro dia, fiquei a
[17:04] saber por uma por uma amiga que também se chama a perereca de
[17:08] perseguida, é verdade? Sim.
[17:10] Sim, é verdade, é verdade, é um dos apelidos.
[17:14] A gente tem horas porque na verdade o brasileiro é muito bom
[17:19] de neologismos. Ele, ele, ele, ele, ele cria,
[17:24] porque SIM, 1 apelido pra qualquer coisa EE até e ele pode
[17:30] criar. E no contexto você já entende.
[17:33] Ah, rapaz, eu estava no vestiário e de repente eu vi, o
[17:38] cara tinha uma fochioca. O que que é?
[17:41] Falou. Você já sabe do que se trata,
[17:43] mas você fala, pera, Ah, é a Bela de uma forca, tá bom, tá
[17:49] bom, gosto, tá bom, você cria. Perseguida para mim é fenomenal,
[17:54] adorei. Perseguida, sim.
[17:56] Demonstra muita coisa, é muita camada, né?
[18:00] Maravilhoso. Já fica explicado, enfim.
[18:03] Uma das coisas que eu acho que o improviso tem corrige me, porque
[18:07] claramente estou a falar de uma coisa que tu sabes e só do que
[18:10] eu imagino. Mas é terminar em alta.
[18:13] Ou seja, existe sempre a necessidade de terminar um
[18:16] Sketch com a melhor piada ou pelo menos com a reação mais
[18:20] quente do público. Não é que é para foi brutal, não
[18:23] foi maravilhoso. Sentes essa pressão.
[18:27] Vocês sentem essa pressão? EE, para vocês é importante ou
[18:33] já quando? Quando o final pode não ser
[18:35] fenomenal vocês pá, é este, vamos seguir.
[18:38] É o que é. Nós buscamos sempre as 2 coisas.
[18:43] Nós buscamos um final lá para cima, mas o lá para cima ele tem
[18:48] que coincidir com a história. Teve uma resolução.
[18:52] De repente estamos no começo da cena.
[18:56] A cena começa numa sala e há uma promessa de nós vamos sair, nós
[19:00] vamos embora, e há várias piadas, várias piadas, e uma das
[19:04] piadas nós encerramos e pô, e a promessa do ir para outro lugar,
[19:09] né? Ficou meio.
[19:10] A gente tenta não deixar o público com gosto de Ah, eu
[19:13] queria ver mais essa história. É, é difícil, tem que haver um.
[19:18] A gente tenta fazer um Mini arco e é um desafio muito grande numa
[19:20] cena que vai durar 5 a 10 minutos assim.
[19:24] Você realmente finalizar e falar, OK, é como se fosse um
[19:27] esquete. Terminamos, certo?
[19:30] Mas o desafio, o desafio. Regra não é?
[19:32] É por isso que existe também em formato curto e sendo sim, e.
[19:37] Sim, exatamente. Vocês cheguem isso à risca, é
[19:40] que eu estava a ver um uns jogos vossos no YouTube e houve um de
[19:44] vocês ou 2 até que negaram a cena e eu pensei.
[19:49] Falharam há alturas em que vocês tipo pá, aqui tem graça, ou
[19:54] então até para se lixarem uns aos outros, se calhar.
[19:57] A gente costuma fazer uma associação muito constante com o
[20:01] esporte. Então se você chega para um é
[20:05] isso aí já começa a ir para uma área meio de virtuosismo de
[20:09] muitos anos fazendo e sabendo que meu colega de cena vai
[20:12] brincar com isso. É um pouco do esportista de eu
[20:15] já estou com a bola, vou fazer ali o malabarismo, jogar a bola
[20:18] por trás. Mas se uma criança ou algum
[20:20] jogador está começando, você não começa por isso, você começa com
[20:23] o básico. Certo.
[20:25] Então, se você não passa pelo básico, depois você não vai
[20:27] conseguir fazer esse malabarismo com a bola, é mais ou menos
[20:29] isso. Que a experiência, que a
[20:32] experiência dá, essa dá essa, essa.
[20:36] Como é que é esse malabarismo? Ou seja.
[20:37] Vocês. Conseguem fazê lo?
[20:39] É essa possibilidade, essa possibilidade de eu falar, eu
[20:42] vou, eu vou, eu vou brincar, eu vou passar a perna no meu
[20:46] companheiro de cena, porque eu sei que ele vai ficar bem.
[20:48] Então se ele se ele tá fazendo assim com a parede, ele
[20:51] claramente quis iniciar uma cena pintando a parede, aí eu chego e
[20:55] falo assim, já avisou o vizinho para ele parar de fazer barulho
[21:00] que ele tá êta e aí ele aí aí a plateia ri, porque claramente
[21:04] não era isso e se eu demonstro no meu rosto de eu vou sacanear
[21:09] ele, a plateia compra. Então, por exemplo, Ah,
[21:12] tecnicamente ou é um bloqueio? Claramente ele tava pintando,
[21:16] não pode isso. Improvisação.
[21:18] Mas tem horas que você fala, não, eu vou quebrar essa regra
[21:21] para para brincar. E as regras são para isso, não
[21:23] é? E.
[21:24] O. É comédia, e comédia é surpresa,
[21:26] portanto, se estivermos sempre à espera.
[21:28] Quando tu entras numa cena, imagina 2 colegas.
[21:31] Eu não sei o nome dos jogos, mas 2 colegas teus começaram a
[21:34] montar uma cena troca e ou tu tens que entrar.
[21:37] Tu és a pessoa que já imagina o que vai fazer antes.
[21:40] É cá. Há pessoas que entram na cena e
[21:42] só depois é que sentem. Tu és o gajo, agora vou ser o
[21:45] canalizador ou chegas lá e vês pela fisicalidade?
[21:48] Ou depende, se calhar. É, é tudo isso?
[21:52] Depende muito. Acho que não dá para ser um
[21:54] Livro de receitas, mas às vezes você tem a ideia só de entrar
[21:58] com o personagem baseado no que foi falado na cena.
[22:02] De. Ah, depende do que pede, não é?
[22:05] Eles estão, é. Depende.
[22:06] Do que pede? E entras como mulher assim.
[22:09] É a cena, tá pedindo. De repente o cara fala, eu não
[22:11] posso me atrasar, não posso me atrasar, eu não posso me
[22:14] atrasar. Aí eu falo, eu vou entrar com o
[22:17] personagem que vai atrasar ele não importa, vou, porque a cena
[22:21] tá quase que pedindo comicamente pra que isso seja uma questão ou
[22:25] ele vai falar, daqui a pouco o médico chega, daqui a pouco o
[22:27] médico chega, tá bom, eu vou chegar de médico, mas o que eu
[22:29] vou falar, o que eu vou fazer? É uma coisa até que é perigosa
[22:33] de você pensar, né? Demais, né?
[22:35] Pro pro público, só pra você ter uma ideia é, eu sempre uso o
[22:40] mesmo exemplo de quando o público fala, por exemplo, Ah, é
[22:45] tomada, não sei se é tomada de de de parede pra para as coisas
[22:48] ligarem as coisas. A parede também é tomada em
[22:50] Portugal, pronto, o público diz a palavra tomada.
[22:54] Aí eu começo a pensar, vou ser um técnico.
[22:57] Que vai mudar a tomada, porque houve o fio acabou tendo 11
[23:04] problema e queimou uma televisão.
[23:06] AI que ideia genial, ideia genial quando fala OK, então a
[23:09] Sena começa agora, o seu parceiro dá um passo para frente
[23:12] e fala, majestade, a cidade foi tomada, o nosso exército, o
[23:21] nosso exército está com poucos homens, o que devemos fazer?
[23:25] Temos poucas armas e as espadas. A sua ideia de eletricidade foi
[23:30] para o espaço? Claramente.
[23:32] É uma cena medieval, com majestade, lutas medievais.
[23:36] E aí que que você faz? Você desiste da sua ideia e tá
[23:41] tudo bem. E tá tudo bem o que?
[23:44] Acontece como tomada? É uma tomada padrão, os 2 pinos
[23:52] e o outro cara fala assim, é pra escolher uma mão?
[23:55] É, isso também é legal? A coisa do não há erro na
[23:58] improvisação é que justamente traz a comicidade dentro do
[24:02] espetáculo, porque se eu fiz um negócio, o outro achou que era
[24:05] uma coisa, Ah, uma confusão, perna do que você está falando?
[24:08] E a gente vai tentando você achar nisso.
[24:09] A plateia já está rindo. EEO vida que segue.
[24:16] Sim, porque a posição da plateia não é de superioridade, é de são
[24:21] amigos, mas gostam de vos verem dificuldades, não é que é lixou
[24:25] se existe ali isso e é engraçado, tu há pouco teres
[24:30] falado do ego que vocês não são bons em ego de certeza que isso
[24:34] também foi uma coisa que foi melhorando.
[24:36] Tu sentes que no stand up tu tens essa facilidade agora de já
[24:40] não ir triste ou zangado ou questionares a tua vontade de
[24:43] viver quando falhas. Por causa dessa experiência, não
[24:48] a primeira noite. Não, a primeira noite foi bem
[24:52] sofrida e eu liguei para vários amigos, comediantes brasileiros,
[24:55] EE, um deles, vocês conhecem o Thiago Ventura?
[25:01] Thiago Ventura, eu liguei para, eu mandei mensagem, falei, cara,
[25:04] fiz o meu primeiro do stand up, ele me conta tudo, me liga.
[25:07] Aí eu falei, cara, foi horrível. Ele falou, Mano, é horrível, é
[25:10] assim mesmo. Por que que a gente faz isso com
[25:13] a gente e tal? Porque eu realmente voltei A
[25:16] Caminho de Casa, eu estava nesse mesmo carro.
[25:18] Aliás, para as pessoas que estão vendo porque ele está dentro do
[25:21] carro, porque São Paulo parei o trânsito, eu vou, eu preciso de
[25:24] uma entrevista. Não deu tempo de chegar em casa,
[25:26] fecha, eu estava no. Carro.
[25:32] É longe disso. Eu estava dentro do carro A
[25:37] Caminho de Casa, pensando, por que que eu fiz isso?
[25:42] Porque já tenho, já tenho barbixas, já tenho, já faço
[25:46] improviso, já sou conhecido. Pra que?
[25:48] Pra que que estou me sujeitando a isso?
[25:50] Pra que essa humilhação, pra que?
[25:53] Por que fazer? Mas aí depois, quando eu comecei
[25:59] a curtir e botei na minha cabeça de não sofra, porque isso é uma
[26:05] coisa também que a gente aprendeu com alguns mestres de
[26:07] improviso que é. Ó, se você faz aquela sensação
[26:11] de cena de Ah, e errei, a plateia sente, não, não é isso.
[26:15] Seja positivo dentro da cena. E aí eu trouxe isso para o stand
[26:18] up. Está agora, está caminhando,
[26:21] mas. É muita duro, é muita duro.
[26:24] É, você está sozinha? Cena é.
[26:27] E as pessoas têm uma expetativa em relação a ti.
[26:29] Não é que é? Ah, o gajo é tão engraçado.
[26:32] Já faz isto há tantos anos. E de repente, dá te assim, uma
[26:36] espécie, agora não quero estar a piorar, mas é como se fosse
[26:39] impotência. O meu texto, o meu texto é um
[26:42] pouco disso. Eu sabia que haveria isso e no
[26:45] começo, meus primeiros 2 minutos, eu falo um pouco disso,
[26:48] da diferença. Calma aí, estou começando nisso.
[26:51] Eu faço. Faço piada em relação a isso um
[26:54] pouco, porque é inevitável, é inevitável assim e.
[27:00] Mas, mas essa, essa, esse tipo de coisas, da de de ferramentas
[27:06] do stand up, ferramentas do improviso, eu acho que, na
[27:08] verdade, é quase que uma vontade de falar para as pessoas façam
[27:12] tudo, sejam atores, façam improviso e façam também testem
[27:17] stand up. Os Estados Unidos tem um pouco
[27:20] disso de o Silvio Kauan é um puta de um ator que também é
[27:25] improvisador, que ele também fez texto de stand up ajuda e.
[27:30] Tudo é interessante de não sofrer em cena.
[27:36] Anderson teve que fazer um xixi para dentro de uma garrafa no
[27:40] carro. Não é porque está a trabalhar
[27:41] para a Amazon. Tivemos que interromper aqui a
[27:44] gravação, mas. AI que triste, imagina?
[27:53] O que é que estávamos a falar de vários atores que fazem as
[27:58] mesmas coisas, fazem comédia de improviso.
[28:00] São atores tudo. Ainda nesta onda de de se poder
[28:05] fazer tudo, da da Liberdade artística com o que é que já não
[28:10] se brinca. Eu acho que não, eu acho que
[28:15] cada comediante vai, vai. Saber o próprio limite do que
[28:22] gosta ou desgosta eu não gosto. Eu não gosto de pensar em fazer
[28:27] uma piada em que um tio ou um pai meu faria num churrasco.
[28:34] A gente teve um mestre de improviso, o Márcio Barros, que
[28:37] falava assim, se o se você consegue imaginar o seu pai ou o
[28:41] seu tio fazendo uma lata de cerveja?
[28:43] Essa piada, essa piada é o que chamamos de piada zero.
[28:46] Qualquer um pode fazer. Eu adoro isso, mas eu acho que
[28:50] faço ironicamente, sabes que é do género ver uma gaja a fazer
[28:55] isso. No dia a dia, claro, no dia a
[29:01] dia, claro que você faz, você faz tal.
[29:03] Mas no palco é ir para ir para um não ir para um estereótipo,
[29:09] eu acho um pouco é fácil, Oo próprio rap, o Ricardo Araújo
[29:15] Pereira, ele falava uma frase que é assim.
[29:19] Às vezes o palavrão ele serve, mas às vezes o palavrão é igual
[29:23] xixi você vai fazendo nas suas calças, Ah, é quentinho, é
[29:29] gostoso, pode até aparecer. AI, que bom, Alívio.
[29:33] Mas ao final de tu contas, é xixi.
[29:35] Então, então assim, como é que você faz um humor saindo de um
[29:43] estereótipo comum? Isso para mim é o mais
[29:46] desafiador. Então quando fala assim, Ah, não
[29:48] pode brincar disso, não pode brincar daquilo, é um pouco
[29:52] daquilo. Antes de você falar, por que que
[29:53] não fazer uma piada com árvore? Faz faz piada com árvore?
[29:57] Eu acho que tem uma coisa do desafio que me agrada dentro do
[30:01] grupo. A gente faz muito também,
[30:02] espetáculo corporativo, muito espetáculo para empresas.
[30:05] E o maior medo das empresas é deixar na mão do comediante e
[30:10] ele vai falar. Russi, Ucrânia uau, que
[30:13] situação. Ih, caramba, é uma empresa, é
[30:16] uma empresa de pasta de dente, de creme dental, porque você
[30:19] está falando disso, mas a gente fala, não é, pode deixar, nós
[30:24] não gostamos de tanto de consumir.
[30:27] Acho. Acho sensacional habilidade que
[30:29] as pessoas têm, porque pra você fazer uma comédia sobre árvore,
[30:35] uma piada nota 65 e meio, é o que chamamos no Brasil de.
[30:40] Você passou de ano, você conseguiu essa nota, passou pra
[30:44] próxima fase para fazer uma piada sobre tsunami, um
[30:50] terremoto que aconteceu. Nossa, mas tem que ser uma piada
[30:55] 99 e meio, tem que ser uma piada nota 10 como terremoto.
[31:01] Pronto, tem que ser uma piada incrível de um raciocínio ótimo,
[31:06] porque é um tema sensível. Então tem que valer a pena e
[31:12] você tem que entender que é o público pode não gostar e é
[31:18] normal e você vai seguindo EE, você é desafiador.
[31:24] É um Diamante que está um pouco mais além, assim de de ser
[31:27] lapidado. A piada boba sobre qualquer tema
[31:31] do dia, Ah, nossos, os portugueses são burros, os
[31:36] brasileiros são preguiçosos, ha ha ha.
[31:39] Ah, essas piadas existem desde 1950.
[31:41] Vamos, vamos, vamos para a frente.
[31:45] Certo? Certo.
[31:46] Ou então reconhecer. E segue, sim, fazer isso
[31:49] exatamente estás a dizer, é pá, não vamos fazer isso.
[31:53] Ou vamos fazer isso? Ou fazer o contrário ou fazer o
[31:55] contrário. Às vezes é engraçado.
[31:58] Eu já me lembro porque é que estávamos a falar antes e se
[32:00] calhar, foi por isso que o teu telemóvel foi abaixo, que era
[32:03] falar. Sobre ele, ele que estabeleceu,
[32:05] Ah, sim. Ele que estabeleceu o limite do
[32:08] humor, Oo meu meu telefone, o meu telemóvel falou assim, não,
[32:12] não é esse assunto não tocaremos.
[32:16] Pergunta de merda, vou andando. Foi mais ou menos isto.
[32:21] Eu acho que eu acho que se calhar o preconceito
[32:24] relativamente ao improviso que ainda existe aqui, nalguns
[32:27] sítios, tem a ver se calhar com isso, com a disponibilidade
[32:30] física, com o brincar. Associar o brincar a um infantil
[32:34] e não e não ao Sério. Tu tiveste de desconstruir isso
[32:38] em ti ou sempre foste desse macaco e siga para a frente.
[32:42] Eu acho que sempre teve isso porque pelo menos a nossa
[32:45] escola, o nosso professor de de improviso, aqui no Brasil, ele é
[32:50] palhaço. Ele é um palhaço mesmo.
[32:53] E quando a gente começou a ir em festivais e ter workshops, ter
[32:58] aulas com outras pessoas, a gente percebeu essa diferença da
[33:03] escola de improviso. Então, realmente percebemos que
[33:07] muito dos latinos na Argentina, no Chile, tem uma coisa mais
[33:13] corporal. A escola Americana de Chicago é
[33:16] mais verbal, é mais pra. Ideias de roteiro é o pessoal
[33:20] que fez escola no second City, então você, você tem vários
[33:24] tipos de escola e eu acho isso maravilhoso.
[33:27] Eu acho que a gente é meio que uma mistura.
[33:29] Eu gosto de pensar assim, que a gente tem uma mistura.
[33:32] Lógico, com a idade você fica um pouco menos exposto, você faz
[33:35] mímicas mais preguiçosas. Já abri porta, não.
[33:39] Antigamente era. Era, nem fecha essa porta, é?
[33:42] Antigamente, nossa, a janela abre a janela.
[33:46] A gente tinha acabado de sair escola de teatro, então era é.
[33:51] Era toda uma preparação e tal. E o corpo?
[33:57] Nossa, veja. Naquele, naquele grupo de de
[34:00] improviso em que eu estive pá, os atores passavam se por isso
[34:03] que nós tínhamos copos que desapareciam, isso é.
[34:07] Uma comédia. Pelo meio das mesas.
[34:10] Isso é uma piada e que a gente gosta de falar isso também em
[34:12] cena. A gente isso transforma isso em
[34:15] erro de cena, tipo, o cara anda, fala, tinha um balcão aqui,
[34:18] quebrou minha porta aí não. Aí enfim.
[34:26] É giro, é giro, então ultrapassaste isso muito bem de
[34:30] certeza que também já passaram por fase em que o público
[34:34] feminino e se calhar, mas clean, ficava louco, convosco, como é
[34:37] que? Não.
[34:40] Não o quê? Não, não tem.
[34:42] Não tem um, não tem muito disso não.
[34:44] O que tem isso é uma coisa que a gente percebeu que acontece
[34:49] muito. É sempre peça temas de
[34:52] improviso. Quando você vai falar para uma
[34:54] pessoa em específico, peça tema para uma mulher, porque a mulher
[35:00] ela responde, o que você pede? Me fale uma frase que sua avó
[35:05] sempre dizia, ela vai pensar e ela vai falar.
[35:09] O homem, ele não está pensando nisso, ele está nem ligando para
[35:14] o que você está falando. Ele só está pensando, nossa, o
[35:17] holofote está em mim. O que eu vou dizer para as
[35:20] pessoas que vieram junto comigo darem risada?
[35:24] E é uma regra que se aplica, 90% das vezes a pessoa não ouve o
[35:29] que você pediu, você fala, me fale 11 lugar, um sítio, ele
[35:33] fala cocô, mas não foi isso que eu te pedi.
[35:36] Ele só quer fazer as pessoas. Em volta dele rirem, então a
[35:39] gente evita ao máximo homens darem sugestão.
[35:45] Gosto disso quando quando está um homem, eu, eu, vocês sim,
[35:49] olha. A quantidade.
[35:54] Existe uma a. Quantidade de vezes que acontece
[35:56] isso é é impressionante. Já sabes o que as mulheres nos
[36:01] casais heterossexuais sofrem, não é?
[36:05] Um bocadinho isso. Ah, não ouvi, não traz me uma
[36:08] cerveja logo. Ateus até um abraço.
[36:11] Vocês convidam pessoas para ir a palco?
[36:13] Eu acho que fui ver um espetáculo vosso ao Tivoli há
[36:16] alguns anos. Não me lembro de convidarem
[36:18] pessoas para ir a palco, pois não?
[36:20] Às vezes depende do jogo que a gente faz, tem alguns jogos que
[36:24] a gente faz que chama as. Pessoas do casal, não é de
[36:27] contarem a história do casal. E contarem a história, ou então
[36:30] um clássico que existe, que é a pessoa fazer efeitos sonoros.
[36:34] Da cena, então vai abrir a janela.
[36:36] O público tem que fazer o efeito da porta, fazer e tal.
[36:39] É sempre algo cômico, mas nem sempre a gente faz.
[36:44] Eu acho que essa demanda começou AA cair um pouco, porque por até
[36:52] tem uma coisa da merda, mas por incrível que pareça, a decisão
[36:55] começou a cair quando a gente, a gente, a gente.
[37:01] Faz muitos espetáculos no Brasil, viajamos muito e chega
[37:05] em algum lugar e fala o acesso ao o acesso ao palco, como é que
[37:08] é do público? Ah, não, tem que dar, a vó vai
[37:12] lá, ali, ali tem escada, acessa o palco, a gente Ah, então não
[37:16] vamos chamar ninguém, tem uma rampa, Ah, não, deixa pra lá,
[37:27] deixa pra lá. Acho que começamos a ficar um
[37:29] pouco preguiçosos, isso de. Ah, então fazemos outro jogo,
[37:32] outra dinâmica, e está tudo bem. É sempre um risco.
[37:35] É como entrevistar crianças, não é?
[37:37] Estão super entusiasmadas, mas depois chegam a palco.
[37:40] É sempre. Um.
[37:42] Risco é. Sempre.
[37:44] Já inventaram algum jogo. Eu estou quase a deixar te ir.
[37:49] Fiz cara de que estava querendo embora.
[37:52] Sim. Como é que é uma cara de quem
[37:55] está querendo ir embora? Qual foi a pergunta?
[38:07] Perdão? Ah, está lá, está.
[38:10] Os homens não ouvem, não é? Se já inventaram algum jogo?
[38:15] Já, já, já, já criamos alguns. Jogos, qual é o jogo?
[38:19] Dá me um. Na verdade, a gente usou
[38:22] mecânicas que existem dentro do improviso, mas a gente.
[38:25] Missões improváveis a gente criou uma mecânica pra isso que
[38:28] era é faz uma cena em 2000 corrida contra o relógio que a
[38:33] gente chama, né? 2 fazer uma cena com 2 minutos e
[38:36] meio, e essa cena tem que ter vários elementos.
[38:39] Isso já existia no improviso, vocês têm minuto tal, você faz
[38:43] isso. Mas a gente falou, e se a gente
[38:45] fizesse um minuto e meio e depois 30 segundos?
[38:49] E você tem menos tempo e você tem que fazer mais?
[38:53] E essa foi uma mecânica que a gente criou um pouco.
[38:55] E tem uma outra que a gente criou, que é um jogo muito
[38:57] difícil. Tem poucos jogos no online, no
[38:59] YouTube, que é um jogo que a gente chamou de o jogo do pivô,
[39:03] que um dos jogadores acaba virando um pivô da cena
[39:07] seguinte. É bem complicada a explicação.
[39:09] O que acontece? 2 atores fazem uma cena, a cena
[39:15] neutra, uma cena que tenha muito claro os elementos e as ações de
[39:21] cada um. Uma pessoa sai, então o ator a.
[39:27] Por enquanto isso, O Mestre de cerimônias decide, o ator a ou o
[39:30] ator b fica. Vamos supor, o ator a fica.
[39:33] Ele tem que repetir as mesmas falas e as mesmas ações que ele
[39:38] fez. E um outro jogador vem e faz uma
[39:43] cena completamente diferente, mas utilizando as falas e as
[39:48] ações dele. Justificando, dá.
[39:52] Um nó é, é um jogo muito difícil.
[39:55] Primeiro pelo simples fato da memória, então tem que lembrar
[39:59] exatamente o que eu sei lá. Eu abro a porta e falo bom dia.
[40:02] Aí a meu outro personagem fala, Ah, sua mãe está no hospital e
[40:06] eu falo, Ah, meu Deus, o que foi?
[40:10] É, então eu tenho que guardar. Que eu falo, bom dia, aí o outro
[40:16] ator que vem faz uma cena totalmente diferente, sabe que
[40:18] eu vou falar o meu Deus, o que foi?
[40:19] Ele fala, é, senhores passageiros, o avião, o avião
[40:23] está caindo, o meu Deus, o que foi?
[40:26] Não sabemos ainda, então e aí esse cara fica, ele vai ser o
[40:30] pivô de novo, porque aí um outro ator tem outra ideia e faz outra
[40:34] cena diferente, e esse cara mantém as falas e mantém as
[40:37] ações. É difícil, esse é o jogo que a
[40:41] gente tem feito recentemente. Que é o que mais os atores
[40:46] convidados. E todo mundo fala AI, eu não sei
[40:49] se eu quero fazer esse jogo hoje não, a gente fala, está bom,
[40:52] deixamos para outro. Momento faz.
[40:58] Assim faz a tomada, faz a tomada, a tomada e está tudo
[41:02] certo. 21 anos depois, ainda tens.
[41:07] Cansaço depois da atuação é que no stand up, a mim, a mim e a
[41:11] vários meus colegas, nós morremos a seguir, não é?
[41:14] Ficamos. Não queremos falar com ninguém.
[41:16] Ou então, às vezes, também temos noites em que ficamos super
[41:19] eufóricos. 21 anos depois, como é que como é que é?
[41:22] OA seguir a uma atuação. Eu, eu, eu acho que ainda não
[41:27] temos a energia que tínhamos quando tínhamos 20 anos de
[41:30] idade, mas. Ainda existe uma euforia assim
[41:35] de de fazer a cena, de estar disposto.
[41:39] Agora, após o espetáculo, acho que diminuiu um pouco de
[41:43] queremos uma. Queremos um lugar pra tomar uns
[41:46] copos, como vocês dizem aí, só pra baixar energia, porque
[41:51] acontece muito isso. Se você vai pra se você vai pra
[41:55] uma, é se pra um espetáculo muito agitado.
[42:01] Se você vai pra, você tá ali e você quer fazer o espetáculo,
[42:04] você volta pra casa, você tá na cama aqui, ó ainda tá muito
[42:11] ligado. Eu acho que tem uma etapa de
[42:15] vamos diminuir, vamos lá, calma, tá tudo bem?
[42:21] Olha a última pergunta, só pra fechar com com parvoíce diga Ah,
[42:25] pois é. És brasileiro, que.
[42:27] Horror. Que horror, querida tu.
[42:31] Como tens esse talento de ser super rápido nas respostas,
[42:35] muitos anos de improviso em cima.
[42:37] Como é que resistes à tentação de não ser um mentiroso
[42:40] compulsivo? Uau, cara, que pergunta boa.
[42:46] E eu vou te rebater com eu vou te rebater com uma
[42:50] característica que a minha família denuncia EAEAEA, minha
[42:54] esposa também. Eu sou elas.
[42:56] Eles falam, você é um péssimo mentiroso.
[42:59] Ah, isso é o que toda a gente diz para ficar bem, eu não
[43:02] consigo mentir. Ah, mas eu não falo.
[43:05] Eu às vezes eu quero mentir. E aí minha irmã fala, caramba,
[43:08] você mente muito mal. Eu falo, é, foi, foi ruim?
[43:12] Foi ruim. Então eu nem tento, acho.
[43:14] Eu acho que eu nem tento, é. Ótima estratégia o que tu estás
[43:18] a fazer é ótima estratégia. Ou seja, mentira, nem irmã eu
[43:22] tenho, então, assim. Vou deixar aberto.
[43:27] Eu tive. Eu sou órfão.
[43:31] Então assim, fica aí pro pessoal descobrir se eu tenho realmente
[43:35] algum parentesco com alguém, com as minhas relações.
[43:41] Tudo isso é uma mentira. Eu acho que deve ter alguma
[43:44] reação minha que fica claro que sei lá minha pele vermelha e eu
[43:49] não sei. Não sei, eu não sei.
[43:51] Entras em persona, vais buscar a tua gravata e ficas assim.
[43:56] Ou tem que tem que tem que começar a criar com verdades que
[44:00] não são tão mentiras, onde você está?
[44:02] Esse é o truque. Onde você estava a essa hora, em
[44:07] um local apropriado para essa hora?
[44:11] Exatamente, estás a ver, tu sabes fazer.
[44:15] Ou assim? Ah, eu desliguei o celular para
[44:17] acabar A Entrevista ou o celular deu problema?
[44:22] Percebes percebes? Não sabemos.
[44:24] Faz lá uma cara de mentiroso. Como é que eu estou a mentir?
[44:29] Eu, eu, dá para ver, dá para ver, dá para ver muito mal,
[44:36] então. Porque és bué Cartoon, sabes?
[44:39] Eu vira um. Grande vira, vira, vira 11.
[44:45] Pequeno Jim carreyzinho. Sim, AI, que chatice.
[44:50] Se alguém agora plugar, nesse momento vai haver 2 pessoas, 2
[44:54] comediantes, separados por um Atlântico.
[44:58] A ter um AVC? É pronto, chame a polícia.
[45:03] Olha que outro grupo de improviso é que tu matavas.
[45:08] Matavas, como assim matavas matavas.
[45:10] Assim acabou. Estes sim, estes gajos têm que
[45:13] acabar. Que grupo é que tu tipo acabou?
[45:15] Não quero ouvir mais falar destes gajos.
[45:18] Ah, não, nenhum, nenhum. Eu acho que existem poucos
[45:20] grupos de improviso. Eu acho que precisa ter mais
[45:23] improvisadores agora. Comediante stand up, chega,
[45:27] aguento mais. Morram todos.
[45:34] Ah, pelo amor de Deus. Não, eu não tenho, eu não tenho.
[45:36] Eu quero que tenha mais gente no improviso, fazendo pelo amor de
[45:39] Deus, acho que é. Muito amoroso.
[45:42] É. Tem espaço para todo mundo.
[45:43] Isso aqui é uma coisa que acho que tudo bem para Portugal,
[45:46] pequeno, mas Brasil tem. Tem.
[45:47] Tem espaço para todo mundo. Verdade?
[45:50] Tem que ir aí, deixa de matuar no clube.
[45:53] Sim, venha. Boa, mas só os clichês e
[45:57] estereótipos. Tem problema, não.
[45:59] Quando tiver uma cena de velho Oeste de Word West, você pode
[46:03] fazer a bola de feno que já é um clichê de improviso, que que é
[46:07] proibido é proibido. Faz o Cato também.
[46:11] Um clássico, um clássico. Pode fazer de árvore nos vossos
[46:14] espetáculos. Eu IA convidar me para fazer os
[46:16] vossos espetáculos em Lisboa, mas pronto, já têm o Telmo.
[46:19] Vou só ver. É assim?
[46:23] Para a próxima já sabes se quiseres a mediocridade.
[46:26] Chamas o Telmo se quiseres alguém muita bom tens o meu
[46:32] número, não? Tens Ah, mas é o 2.
[46:34] Está anotado? Ah, Ah, eu estou anotando Ah.
[46:39] Olha, obrigada, não te vou perguntar as Datas do espetáculo
[46:42] porque eu depois digo na parte final do podcast.
[46:45] Até porque eu também não. Lembro ter estado também não.
[46:48] E por isso é que eu estava a dizer obrigada por ter estado
[46:51] dentro do carro e por ter esquecido de estar a horas na
[46:54] entrevista. O teu profissionalismo é
[46:56] incrível. Muito obrigado.
[46:59] De nada gostei muito. Olá, sou a filha da Joana gama.
[47:08] O Joana gama Freire, não, eu não sei o nome dela.
[47:11] Vergonha, não é? Então gostaram da entrevista?
[47:16] Olha, espera aí, um bocadinho, vocês sabem que eu sou pago para
[47:19] fazer isto. Não estou a brincar, fazer a
[47:21] canção da entrevista do qual era o nome dele, qual era o nome
[47:27] dele, não é? Anderson.
[47:30] Anderson ou Anderson pronto esse nome Anderson há bilhetes.
[47:38] E pronto. Já não digo mais porque é é do
[47:40] mistério. Não estou a brincar, mas há
[47:43] bilhetes na ticketline e se vocês precisarem de terapia,
[47:48] usem. High well têm nome de farmácia,
[47:51] mas vale a pena contactem nome. Eu não digo o número da minha
[47:57] mãe, porque isto é secreto. Tchau, por favor, físico.
[48:08] Hora. É o podcast, não sei se Ah.

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