# #169 - Grr!! Agora a mala do outro também é assunto?

An episode of [não sei ser](https://invisiblenetwork.ai/podcast/1662857422), 18 Sep 2024, 14 min.

Audio: https://anchor.fm/s/d7dabd1c/podcast/play/91879322/https%3A%2F%2Fd3ctxlq1ktw2nl.cloudfront.net%2Fstaging%2F2024-8-18%2Fbdf3393a-3030-b5bc-c70c-6e4f39526dc3.mp3

Também não me convém ficar zangada porque os outros estão zangados, não é? É. Aqui vai: www.linktr.ee/joanagama Ponham as vossas mulheres a comprarem os bilhetes para Lisboa, Porto, Coimbra e Braga.

## Transcript

[0:14] Honestamente, por mim, podem pôr a mala nos meandros da vossa
[0:18] goela. Eu já não vos posso ouvir com
[0:22] essas zanga gigante em relação a tudo e mais alguma coisa que eu
[0:26] considero que beneficio bastante dela no que toca à luta pela
[0:31] igualdade de género e por uma reflexão ativa.
[0:36] Sobre aquilo que se passa na sociedade, no entanto, eu acho
[0:40] que conjugando uma fome absurda de conteúdo e um fome ao gigante
[0:47] de não fazer parte da onda e também alguma adrenalina e
[0:51] dopamina de estar em cima do acontecimento, de virar hype.
[0:55] Não só não diria que é pelo número de seguidores, mas de de.
[1:00] De de uma sofreguidão de interação, de de conversa, de de
[1:05] estar em palco, de não sei. Parece que estamos viciados em
[1:11] açúcar, em polémica e sempre que existe um assunto que deforma.
[1:16] De uma forma mais evidente ou outra, se consegue levar para um
[1:20] lado mais polémico, mais mais chocante, mais divergente.
[1:24] Parece que andamos com fominha, parece que andamos com fominha.
[1:28] E é óbvio que o senhor a atirar a merda de um cigarro para o
[1:31] meio de um incêndio. É burro.
[1:34] É burro, principalmente estando a ser filmado, em princípio,
[1:37] aquilo que estava húmido e, portanto, atirando um cigarro
[1:39] não iria. Causar mais nenhum problema, no
[1:44] entanto, está bem retratado. Sim, o comportamento de um
[1:48] cidadão que não esteja a ser sensível ao quadro e que
[1:54] evidencia maior necessidade de de de civismo, de ensinamento,
[2:00] de conhecimento e também de apoio.
[2:03] Porém, a questão da mala. A questão da mala está me aqui a
[2:07] enervar um bocado, porque é óbvio, e eu não não me fartarei
[2:11] de ressalvar isto que eu estou inscrita nesta sociedade, neste
[2:14] sistema e, portanto, tenho muito machismo, muito patriarcado para
[2:20] desconstruir. No entanto, se as pessoas que
[2:22] estão a desconstruí la ativamente, às quais agradeço,
[2:25] têm o direito de ter um tom mais arrogante, mais sarcástico, mais
[2:30] inflamado, eu também posso reagir de forma mais inflamada.
[2:35] E eu senti que. Que ainda que a situação do do
[2:38] ministro adjunto, que disse que não sabia quanto tempo é que
[2:42] iria estar no local, dependendo do tempo que demorasse para ser
[2:46] resolvido o assunto, mas que a mulher dele lhe tinha preparado
[2:49] uma mala para 3 dias, pá eu? É óbvio que quem trabalhe muito
[2:56] esses assuntos e verso muito sobre esses assuntos esteja mais
[2:59] sensível à questão, da mesma maneira como eu gosto de
[3:02] psicologia, estou mais sensível à à questão da das dinâmicas na
[3:06] conversa, nos comportamentos e tudo o resto.
[3:09] No entanto, vamos ter calma com o apito.
[3:11] Por amor de Deus, nós não sabemos efetivamente e isto vai
[3:15] ser óbvia a minha argumentação. Bem sei o que é que se passa na
[3:19] vida na relação deste casal. Imaginem que a mulher não
[3:22] trabalha e portanto, algo que está acordado entre eles, mesmo
[3:26] que silenciosamente não trabalha por opção e É Ela que gosta e
[3:29] que cuida da casa, poderá estar a fazê lo por causa de um
[3:32] estereótipo. OK, poderá estar AA fazê lo por
[3:36] causa da da da pressão social para o fazer, no entanto, também
[3:39] poderá não estar a fazê lo Ah, mas o que é que ela sabe se está
[3:42] inscrito ou não, certo? O que é que tu sabes?
[3:45] Isto chega um ponto em que eu sinto que, apesar de ser
[3:49] bastante necessária esta sensibilização, este equilíbrio
[3:53] para conseguirmos evoluir enquanto sociedade, protegermos
[3:56] os direitos e também os deveres da sociedade para ambos os
[4:00] géneros. Também acho que começa a crescer
[4:03] aqui uma espécie de paternalismo em relação ao sentido crítico da
[4:06] mulher, que eu compreendo que estando mais uma vez inscrita
[4:08] nesta sociedade, possa não estar dotada da do ar, do exemplo
[4:14] necessário para refletir sobre a questão.
[4:16] No entanto, paremos de também de nos desresponsabilizar do papel
[4:22] que nós temos também em fazer com que estas coisas mudem.
[4:26] Se a nossa missão, nós mulheres, é mais complicada, porque temos
[4:29] de questionar o patriarcado, temos.
[4:31] Temos que nos fazer valer, temos que falar com os homens, temos
[4:34] que nos impor, ainda que isso possa implicar não sermos bem
[4:37] recebidas, não sermos compreendidas e perdermos valor
[4:40] de mercado, certo? É uma luta nossa que temos de
[4:44] fazer e que nos vai saber muito bem.
[4:46] Fazê la também. Agora eu eu sinto que é de um.
[4:51] É um espasmo. Parece me ser compulsiva esta
[4:55] necessidade constante de apontar o dedo a tudo aquilo que se
[4:58] assemelhe ou que se possa assemelhar eventualmente a um
[5:02] comportamento de machismo machista ou uma afirmação
[5:05] machista, o quer que seja. Agora, eu acho que se se
[5:09] comentasse com o tom de olha, eu não sei como é que é a relação
[5:13] deste senhor em casa. Não sei como é que isto
[5:15] funciona, não sei porque razão é que a mulher lhe fez a mal.
[5:18] Se se foi porque ele estava muito ocupado e teve que passar
[5:21] em casa e Na Na, na, se é porque ele está com uma tendinite e não
[5:25] consegue fazer a porcaria da mala.
[5:27] Se é porque quando ele faz a mala, a mala vai demasiado
[5:30] pesada e a e a mulher não quer pegar extra de bagagem.
[5:35] Se é porque não sabemos, não fazemos a puta ideia e estar a
[5:39] usar este tipo de situações como uma espécie de Pelourinho para
[5:43] exemplificar discursos, ainda que saudáveis, mas de um tom
[5:48] militante para tentar. Ir buscar uma igualdade.
[5:55] Eu não acredito que este exemplo seja um exemplo que nos nos
[5:59] entorte por completo as emoções, ao ponto de falarmos de maneira
[6:05] sarcástica. Não sei, não sabemos.
[6:08] Eu acho, eu proteger. Me IA neste tipo de situações.
[6:12] Se quisesse referir me a elas, EEEE.
[6:17] E criar um discurso para as pessoas que me seguem, que me
[6:20] ouvem, motivador. Eu tentaria que fosse sempre
[6:25] apaziguador, tentaria que fosse usando cuidadosamente a situação
[6:30] como exemplo, mas ressalvando que não tenho conhecimento da da
[6:36] situação em particular. Um bocadinho como os exercícios
[6:39] de matemática é o Pedro foi comprar 6 laranjas?
[6:42] Deixou, desculpem, deixou cair 6 laranjas ao chão.
[6:46] Isto não é o Pedro que deixa cair as laranjas, portanto
[6:48] estamos à vontade. Ninguém vai dizer, Ah, então e o
[6:50] Pedro, quem é que deixou cair as laranjas?
[6:52] Está ali escrito é, é o Pedro. Não percebi este assunto, acho
[6:55] que meteu um peido cerebral, no entanto, é pá.
[6:59] Eu eu tenho o telefone com som tipo uma vez, 3 em 3 meses.
[7:03] EE é nisto, é neste momento no podcast.
[7:05] No entanto, eu acho que sim, podemos refletir sobre exemplos,
[7:09] mas com empatia, porque da mesma maneira que nós mulheres estamos
[7:12] inscritas nesta sociedade, os homens também estão inscritos
[7:16] nessa nesta sociedade. E existe, claro, uma
[7:18] corresponsabilidade das mulheres que se permitem estar nesse
[7:22] papel, ainda que não tendo o sentimento crítico, e das
[7:25] mulheres que. Não se permitem estar nesse
[7:28] papel puro sentimento crítico, mas que às vezes eu também penso
[7:31] se não estaremos AA danificar e a prejudicar o equilíbrio de
[7:35] algumas relações por termos 11 receio, uma sensibilidade extra.
[7:40] E bem, é esta questão da desigualdade entre géneros,
[7:43] porque eu se o Miguel me pedisse para lhe fazer mal, eu faria e
[7:48] nunca veria isso como um papel de género, nunca veria com ele.
[7:51] Está me a pedir porque eu sou mulher, ou se eu gosto de fazer
[7:54] malas, por exemplo, eu gosto muito disso.
[7:57] Se ele não sabe fazer uma mala, pá, tem todo o direito de não
[8:00] saber fazer uma mala de de a mãe pode nunca lhe ter ensinado
[8:03] também por uma questão de de matriarcado e do patriarcado,
[8:07] sim, mas ensina, se ó pá, não estou.
[8:10] Não estou aí neste, neste tom, confesso, não, não estou.
[8:15] Há muita coisa que tenho de aprender, há muita coisa à qual
[8:17] ainda não sou sensível. Passa aqui por uma questão de
[8:20] evolução e também de me cultivar, sem dúvida alguma.
[8:23] Eu não estou a par de muito de daquilo, de nada, de nada, eu
[8:27] tendo noção, não sei nada daquilo que se está a passar.
[8:30] Aquilo que eu sei é que quando falam comigo com um determinado
[8:32] tom, eu deixo de querer ouvir, deixo de conseguir ouvir.
[8:37] E passo a estar defensiva. Crio anticorpos.
[8:41] EE. Eu gostava muito que o trabalho
[8:44] que está a ser feito por determinadas pessoas que têm
[8:47] esse lugar de fala, que têm essa inclinação, essa vontade, essa
[8:51] identidade, eu gostava que esse fosse feito com um tom.
[8:57] Ainda que zangado e preocupado, aliás, não zangado, mas
[9:01] preocupado e construtivo EEEE irrita me se vejamente que
[9:07] estejamos através do pretexto, com o pretexto de criar um mundo
[9:12] melhor, mais igual, estarmos a dividir cada vez mais o
[9:17] discurso, o discurso vigente. Acho que podíamos tentar
[9:21] trabalhar esta argamassa de forma a misturar as coisas.
[9:24] Pá que chegamos a um ponto de. Ser conversa um ministro
[9:28] adjunto, ter dito que a minha mulher que que me fez a mala
[9:31] para 3 dias, que eu eu até achei honestamente, e isto pode ser um
[9:36] problema meu, discutível. Achei querido ele ter feito a
[9:41] referência como uma espécie de agradecimento.
[9:43] Olha, a minha mulher fez me a mala para para 3 dias por achei
[9:47] querido a Sério. É como se imaginem um jogador de
[9:50] ténis. E dissesse assim, olha, vou
[9:52] estar aqui 3 dias, porque a minha mulher me pôs roupa para 3
[9:55] dias. Aí se calhar nós pensávamos, Ah,
[9:57] é estrangeiro? Que querido, ele é amoroso.
[9:58] Mas cá parece que estamos à caça da putaria, de uma maneira.
[10:06] Isto é uma reação minha, obviamente, daí estar eu a
[10:08] falar, mas. Mas é algo que que me deixa.
[10:14] Que me deixa para também o outro lado também não estou a curtir.
[10:17] Há muita gente que está a aplidar, essas pessoas que têm
[10:20] esse discurso mais atualizado e mais inflamado sobre as
[10:23] situações de bulis. Eu não sinto que sejam bulis.
[10:26] Eu sinto que são pessoas que naturalmente sentem as coisas
[10:29] que estão a dizer. Sem dúvida alguma, não acho que
[10:32] pelo menos eu não conheço posing nesse aspeto nunca.
[10:35] Imaginem o Diogo Faro por muito que ele me enerve e já lhe disse
[10:39] que ele me enerva. Não sei se se lembra porque ele
[10:41] tem uma vida mais do que eu ao saber que ele me enerva o tom
[10:44] dele enerva me, mas Eu Acredito que ele viva estas coisas.
[10:47] Eu não eu, Eu Acredito que o gajo fique mesmo enervadinho com
[10:51] com estas questões e que e que fique extremamente desagradado
[10:55] com esta questão da desigualdade de género.
[10:57] E ainda bem, agora não, não acho que haja haja posting.
[11:01] Acho sim, que temos de ter calma, que temos de ter empatia
[11:04] e que apesar de eu não ser católica, religiosa, não sei quê
[11:08] eu tento reger me por uma não a 100%.
[11:12] Estou a trabalhar todos os dias nessa coerência, mas tento reger
[11:15] me por uma pauta que nos conduza a uma aproximação e de de de
[11:22] tolerância, de inteligência, e não a uma constante polarização
[11:26] e. E às tantas parece que não digo
[11:32] que seja o caso do Faro ou de quem quer que seja, mas às
[11:34] tantas parece que ao sermos bandeiras Morais de determinados
[11:39] raciocínios, acontecimentos, parece que estamos também a
[11:43] criar um culto da personalidade, assentado na no simbolismo de de
[11:50] ser a pessoa que transmite o certo e o bem.
[11:53] Isso faz me um bocadinho confusão quando reparo eu, que
[11:57] sou extremamente egocêntrica, com uma carreira hiper
[11:59] egocêntrica, faz me alguma confusão que nos sirvamos, ainda
[12:04] que inconscientemente, destes assuntos sociais para uma
[12:08] espécie de indiretamente, haver um culto em torno da da pessoa,
[12:15] do nome que está a ser utilizado para o bem, sim, mas que também
[12:21] está a causar danos. Com com a forma zangada como
[12:26] como é feito, todos temos direito à forma, todos temos
[12:30] direito ao feitio, todos temos direito à expressão está certo e
[12:34] utilizei aqui o meu espaço. Rui, eu sei que tenho que
[12:38] gravar, pá. Quem é o Rui?
[12:40] O Rui foi um gajo, um rapaz que eu conheci.
[12:43] Na atuação no ocs, nos Carvalhos, no Porto, um rapaz
[12:47] que acompanha o meu trabalho e que houve mesmo o podcast
[12:50] regularmente, ao ponto de ter citado o meu episódio gravado no
[12:53] próprio dia nesse dia, e eu disse lhe que gravava um
[12:56] episódio só para ele. Só que, entretanto, tem havido
[12:58] aqui temas, não é? Tem havido aqui temas EE, este
[13:01] foi mais um Rui, beijinhos e Rui não me lembro, tu já compraste o
[13:07] teu bilhete ou será que estou só a utilizar este momento para
[13:12] fazer uma ponte para a divulgação dos meus próximos
[13:14] espetáculos, dia 16 de outubro, no hard rock?
[13:17] No ferro comedy Club, assim é que é, no Porto, dia 17, em
[13:21] Braga, numa havi, dia 18, em leiria, dia 25, em Coimbra, os
[13:26] bilhetes estão à venda na ticketline e já agora, dia um de
[13:28] novembro, também em Lisboa, um beijinho e cultivem se na vossa
[13:35] sanidade mental, que é aquilo que eu faço há anos e que nunca
[13:39] terei terminado esse trabalho, mas também nunca julgarei que
[13:42] estará terminado.

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