# com pessoas: "Só fui diagnosticada de autista em adulta" - Carina Calisto, Associação Portuguesa Voz do Autista

An episode of [não sei ser](https://invisiblenetwork.ai/podcast/1662857422), 5 Aug 2025, 55 min.

Audio: https://anchor.fm/s/d7dabd1c/podcast/play/106304328/https%3A%2F%2Fd3ctxlq1ktw2nl.cloudfront.net%2Fstaging%2F2025-7-1%2F404941640-44100-2-4455a3fef78cf.mp3

De minha massagista a ser diagnosticada de autista. É sempre a subir. Uma conversa que podia ser complicada, mas a Carina tem toda a legitimidade: é autista, tem um filho autista e dá formações. Portanto, baixem a bolinha. Aproveito para dizer que têm 15% de desconto com o código 15joanagama Hiwell – a rentrée é uma boa desculpa para cuidarem de vocês. https://hiwell.app/joanagama2 Falamos de neurodiversidade, neurodivergência, masking, terminologia e capacitismo. Prometo: não é uma “seca” institucional. De nada, Mundo. Mais sobre o projeto da Carina, Impacta Educa: https://impactaeduca.pt Instagram: https://www.instagram.com/impactaeduca/ Associação Portuguesa Voz do Autistta: https://vozdoautista.pt Sugiram temas para o podcast – os geniais e os ranhosos. Comentem, sigam, avaliem ⭐ e usem mais o forno, que é mais saudável. 🎤 O meu espetáculo está quase aí: 7 de Outubro no Villaret 🔗 Bilhetes e outros links: www.linktr.ee/joanagama

## Transcript

[0:00] É o podcast, não sei se Ah, AI cá estou eu no meu
[0:11] escritóriozinho bacano. Isto é engraçado, é muito
[0:17] saudável. Mas tenho aqui um indivíduo ao
[0:20] lado que que está a tossir. Se não é tossir, é tossir se
[0:28] onde é que está? A Câmara está aqui.
[0:30] EE vem assim mesmo de gargarejo e eu tenho um nojo dessa porra,
[0:36] não, não vos 6 acho que ninguém gosta, não é?
[0:39] Acho que ninguém vai ter com com ninguém a dizer é pá, podes
[0:44] podes carcarejar expetoração para cima de mim, pá.
[0:50] Mas é, parece aqueles velhos já repararam que a partir de
[0:54] determinada altura os velhos começam?
[0:58] Começam a tossir como se pudessem, como se ninguém os
[1:02] ouvisse. Uma espécie de de timing.
[1:05] Mas eu olho para o Miguel e estou sempre com ele.
[1:11] Tosse? Eu penso, pá.
[1:12] Já fui, já fui, já tenho o velho da tosse.
[1:16] O. K está a suar se, portanto, se
[1:20] calhar não é costume e olha um gato.
[1:24] Não, não. Acham que às vezes está na moda.
[1:26] As pessoas fingirem que têm TDAH dizem, AI, olha, eu distraí, me
[1:32] olha, eu quero ir ver o gato, espera, deixa ver se eu consigo
[1:36] interessante para quem esteja só, a é um gato.
[1:38] Não sei se já viram gatos. Eu tenho gatos em casa, mas fico
[1:41] surpreendida quando vejo gatos na rua, como se nunca tivesse
[1:44] visto. Pronto, tenho medo dessa tosse à
[1:46] velho, muito medo. E aproveito para vos dizer que o
[1:51] podcast está disponível com imagem, não é?
[1:54] Senão isto, seria olha o gato e que fiz um implante de capilar
[1:58] em outubro do mês passado e já estou aqui cheia de farfinha,
[2:03] cheia de cabelinho lindo, olham lá, não está não está lindo.
[2:08] Agora são cabelinhos diferentes, só um bocadinho porque são
[2:11] retirados da parte de trás do cabelo, não da peida.
[2:15] E mas já estão a crescer. Qual é que é o problema?
[2:19] Ainda não têm peso suficiente, espero eu, para estarem normais.
[2:23] Então ando a fazer penteados para depois ficar ficar assim
[2:27] como a polpa dos anos 80. Mas quem se ter quem, quem, quem
[2:31] se tenha queimado no fogão. E quando fumava, acendia o
[2:36] cigarro no fogão e só depois me apercebi que estava a queimar.
[2:40] O bigode e a parte de cima do cabelo.
[2:42] Nem sei se não terá sido mais por causa disso que eu perdi o
[2:47] cabelo. Ah, ainda bem que falta DH
[2:50] porque OA conversa de hoje com a Carina, ela é que diz que é a
[2:54] Carina, diz que o resto não está bem dito e vai explicar vos
[2:58] porquê é sobre neuro. Divergência existe a
[3:04] neurodiversidade, que é tudo aquilo que nós podemos ver nos
[3:08] neurotípicos, que todos somos diferentes.
[3:11] Depois existe a neurodivergência, que é a Malta,
[3:13] que diverge. Vamos falar mais de autismo,
[3:17] porque é isso que a Carina é e que o filho dela é, e essa
[3:21] afirmação que a Carina dá, mas acho que é fixe para nos
[3:24] sensibilizar e também para matar alguma curiosidade sem sermos
[3:28] capacitistas. Também vamos explicar o que é
[3:30] que é capacitismo. Vou, eu não.
[3:32] Vai, vai mesmo, Carina. Às vezes é difícil lidar com
[3:37] estas questões, não só a própria pessoa como as pessoas à volta.
[3:42] E por isso também queria sugerir vos que, em vez de estarem a ver
[3:46] vídeos no TikTok e autodiagnosticarem se até a
[3:49] minha filha no outro dia, eu acho que tenho a ideia de g,
[3:51] porque em vez disso, pá, passem por um psicólogo, não precisam
[3:56] de andar, não precisam de de ir até arroios.
[4:00] Não precisam de apanhar comboios e metros.
[4:03] A high well é online, vocês já sabem o que é, não é uma
[4:06] plataforma de psicólogos onde podem falar e dá para terem
[4:11] aconselhamento nesse sentido. Eu tenho um desconto incrível
[4:14] que está ouviram que está Na Na legenda do podcast e assim, pá.
[4:20] Tiram isso a limpo ou são reencaminhados para uma pessoa
[4:23] que consiga ajudar vos ainda mais.
[4:25] E, portanto, não se autodiagnostiquem.
[4:28] Pode ser giro, tipo ver horóscopos e coisas do género.
[4:31] Mas não, não se metam, não se metam nesse mambo, está bem?
[4:36] Vamos contextualizar AA Carina e não Carina.
[4:39] É pá. Sabes?
[4:40] Porque é que não Carina? Porque quando dizem Carina,
[4:42] parece que me estão a vomitar o nome.
[4:44] Estás a ver tipo Carina. Carina, dói, sabes do género?
[4:50] Carina, tipo. É que no outro dia eu ouvi um
[4:53] podcast dos gato fedorento a dizer, as carinas não sabem
[4:56] dizer o nome. Delas cagada, e digo te que fica
[5:00] extremamente ofendida com essa merda, porque é.
[5:02] Assim fica a falar. Mas quem são eles para andarem a
[5:07] vomitar o nome das pessoas? Que culpa é que eu tenho que não
[5:12] tenham posto a merda do assento no nome?
[5:14] Eu não tenho a culpa. Estás a perceber eu se pudesse,
[5:17] eu eu metia lá um assento, mas sabes que eu tenho que pagar
[5:19] para? Isso e põe, não eu.
[5:20] Tenho que pagar e não quero? Para mudar, certo?
[5:24] Certo? Agora ter que pagar porque as
[5:27] pessoas não sabem dizer as coisas em condições?
[5:29] Não, não, não. Óbvio, óbvio, é isso mesmo.
[5:32] Olha, e como é que para além do teu nome, Carina?
[5:34] Como é que tu queres apresentar aqui esta conversa?
[5:37] Como é que há várias coisas para dizer sobre ti desde a tua
[5:39] licenciatura, mestrado, o que é, quem é que?
[5:44] Quem é que tu és nesta conversa? Além da minha ex massagista.
[5:48] Não devia ter dito? Os meus gatos estão enervados
[5:50] com isto. Para além da da da da ex gaja
[5:53] que andava a mexer no rabo antes do teu namorado exatamente por
[5:57] aí. Queria dizer que eu já explorei
[6:01] sítios, que ele não, que eu não sei se ele se que ele se
[6:04] explorou. Também acho que não.
[6:07] Ora, aí está. E não tão bem se sim.
[6:11] Acontece me frequentemente eu ter andado por sítios que o que
[6:14] os parceiros não fazem um cu de ideia onde é um cu de ideia,
[6:16] onde é que? Onde o Sol não brilha quem é que
[6:22] tu és? Karina hoje aqui vamos falar de
[6:26] autismo, vamos falar de neurodivergência e por isso é
[6:29] que eu te pergunto isto, o que é que?
[6:31] O que é que queres dizer de de ti mesma?
[6:35] É pá. Essa pergunta é sempre um bocado
[6:37] ao curto, sabes? Porque eu nunca sei bem.
[6:38] Desculpa, está tudo bem, porque quem eu sou?
[6:42] Estou em processo de descoberta. Porque tive, eu acho que já
[6:47] tinha, estava. Aliás, estávamos a falar sobre
[6:49] isso, que o eu tive o meu diagnóstico de autismo agora já
[6:52] na idade adulta. Então, tive contacto com muitas
[6:55] questões, como a questão do masking, que é andarmos a
[6:57] mascarar quem somos durante muitos anos, inclusive toda a
[7:00] infância, adolescência, para nos conseguirmos encaixar na
[7:04] sociedade Como Ela É. Então, qual é que é o problema
[7:07] de quando nós nos apercebemos? Nós próprios encontramos os
[7:11] nossos pares e começamos a retirar esta máscara.
[7:15] É o que é que a máscara, o que é que sou eu?
[7:19] Portanto, eu estou nessa fase do quem é que eu sou bem?
[7:24] Não sei bem, tirando as coisas básicas do sou Karina com a bem
[7:29] de tudo e tenho um filho maravilhoso que também é autista
[7:35] e estou casada com um homem incrível e sou madrasta de uma
[7:37] criatura excecional. Tirando esses pormenores EE,
[7:43] aquelas partes mais práticas do sim, passei de massaja a rabos
[7:46] para andar, a dar formações sobre neurodivergência, que é
[7:50] divertido. Não sei bem como me apresentar,
[7:53] porque eu própria ainda não sei quem sou.
[7:56] Também não sei ser Joana, estou a aprender a ser para.
[7:59] Isso andamos, andamos todos um bocadinho ao mesmo nesse
[8:04] sentido. E lembrei me agora com esta
[8:07] frase de uma de uma frase que já devia circular por aí, e quase
[8:11] de certeza que te há de enervar ou não, segundo este chapéu da
[8:14] da neuro divergência que é de somos todos um bocadinho
[8:18] autistas. Pá é assim.
[8:24] O que é que te apraz dizer? Apraz me dizer que deviam
[8:29] permitir me uso da guilhotina. Eu.
[8:34] Não posso? Então.
[8:36] O. Essa frase irrita me por vários,
[8:40] por várias questões. Ponto um, porque desvaloriza
[8:43] completamente a questão do autismo e a questão de do facto
[8:47] de nós necessitarmos de acomodações.
[8:49] Isso é pela gata. São os 2 gatos que estão na
[8:53] sodomia. Eu achas que eu intervenho ou
[8:56] não? O que é que achas?
[8:57] Eles contaram, é deixá. Los é comunicação.
[9:00] Violência é comunicação. Não, não.
[9:01] Claramente os gatos são autistas.
[9:03] Não intervenhos os gatos autistas.
[9:05] Eu concordo. Está bem, OK, porque eles?
[9:08] Têm todas as características típicas.
[9:10] Tenta lá ficar a olhar um gatinho nos olhos, vais ver o
[9:12] que é que ele te faz. Pois é, desvia.
[9:15] E quem é que tem seletividade alimentar os gatinhos?
[9:19] Pois é. E quem é que muitas vezes não
[9:20] vem ao nome os gatinhos? Pois é, os gatinhos estão Power
[9:27] nisso. Mas estava te a dizer o que é
[9:29] que já me perdi? Estavas a dizer sobre a
[9:32] expressão de somos todos um bocadinho autistas, que isso
[9:34] retira. Sim, porque a questão é o
[9:37] autismo. Ele é um espetro muito grande,
[9:40] OK? Ou seja, não existem 2 autistas
[9:43] iguais. Então, quando quando as pessoas
[9:46] falam de autismo, regra geral, falam do clichê do autismo,
[9:50] daquilo que lhes passou pelos media, da da ou é a romantização
[9:55] do autismo, OK para ti também. Estava a tirar um anel ou gato
[10:00] para ver se ele se distraía, imagina, era um toretzinho
[10:04] agora. Estou a adorar isso.
[10:05] Então podemos ter aqui alguns touretes.
[10:07] É na boa ou é a romantização do autismo com aquela história dos
[10:12] autistas e hiper mega inteligentes e que resolveram o
[10:14] mundo EE do Einstein e o camandro?
[10:18] Ou então é outra versão que é aquele autista que vive no seu
[10:21] próprio mundo, que não comunica com ninguém que está ali pronto.
[10:26] Basicamente há isto. Então quando tu começas a dizer,
[10:29] Ah, somos todos um bocadinho autistas, pá, não, não somos.
[10:33] É assim claramente que há muita gente e a maior parte das
[10:37] populações da população, inclusive os neurotípicos, têm
[10:41] por vezes algumas características que estão no
[10:44] espectro, OK, mas eu volto a retir é um espectro tu para
[10:48] seres autista, tu não tens só algumas características, tu tens
[10:52] várias, por isso é que lá estás entendes, então.
[10:55] As pessoas a dizer AI, somos todos um bocadinho autistas é só
[10:59] estúpido. Percebes porque convidada bué
[11:03] Franca são não são bem autistas. É é estúpido.
[11:07] Atira se para o estúpido. É uma ignorância adquirida e
[11:11] feliz estás a perceber do género.
[11:13] Ah, não? Olha, nós a sermos inclusivos
[11:15] não, não estão a ser inclusivos. Estão a ser ridículos,
[11:17] capacitistas e idiotas. Portanto, calem se.
[11:20] É interessante dizeres isso porque ontem foi uma formação
[11:24] tua, em que explicaste a diferença entre neurodiversidade
[11:29] e neurodivergência. Como somos, todos os humanos são
[11:34] neurodiversos, não é nenhum é igual ao outro, nem os gémeos,
[11:38] não. E depois existe a
[11:41] neurodivergência, que são as pessoas que têm várias.
[11:45] Eu, eu agora não sei o que é que hei de dizer.
[11:47] São perturbações. Explico te então tipo.
[11:50] Mas AA população humana é toda neurodiversa, porque cada
[11:55] cérebro tem a sua forma natural de ser, não é?
[11:58] Isto é como é. Como é a mesma história das
[12:01] impressões digitais, cada um tem a sua.
[12:04] Depois, dentro da neurodiversidade tu tens os
[12:08] neurotípicos, que são aqueles cujo cérebro tende a funcionar
[12:11] determinado de uma forma muito similar, que é aquela
[12:15] percentagem que eu vos dei do entre 80 a 90% da população.
[12:18] É a neurotípica, em que todos funcionam por determinadas
[12:23] formas, ou seja, variam aqui um bocadinho, variam ali um
[12:26] bocadinho, mas têm uma grande capacidade de se adaptar, por
[12:29] exemplo, a normas sociais, que foi algo que foi construído
[12:31] pelos neurotípicos a seguir em determinados padrões.
[12:36] Depois temos os neurodivergentes.
[12:38] Os neurodivergentes já não têm esta consistência, OK, já o
[12:44] cérebro funciona mesmo de uma forma muito distinta.
[12:47] OKE, dentro da própria neurodivergência, nós temos
[12:51] algumas coisas que são comuns a vários neurodivergentes, mas não
[12:55] há um padrão. Então acaba por ser muito
[12:57] complicado. Eu, quando estou a explicar às
[13:00] crianças o qual é a diferença, eu costumo brincar e dizer a
[13:02] elas que. Pensem os neurotípicos como
[13:06] sendo Windows, OK está em todo o lado e os neurotípicos como
[13:10] sendo Macintosh, OKE que não dá para ou, ou seja, ambos
[13:18] trabalham da sua maneira. Macintosh muitas vezes é muito
[13:21] melhor em muitas coisas, OK? Porque tem outras perspectivas.
[13:24] Olha eu aqui e repara que eu não sei mexer naquilo.
[13:30] Porque é verdade aquilo. Aquilo irrita me de morte.
[13:33] Porque mete? Lá só só custa começar.
[13:35] É como tanta outra coisa que se pode dizer numa perspetiva
[13:38] bastante negativa. EE é isto, sobre o que é que
[13:42] acontece? O Windows é realmente para
[13:45] massas? OK?
[13:47] É o que está mais generalizado, é o que está para toda a gente,
[13:49] é o que a maioria das pessoas sabe mexer.
[13:52] É para ondar mais aplicações. É onde toda a população tem
[13:56] acesso ao Windows e aos androids e essas coisas.
[13:59] Tipo, está de acesso fácil, lá está a 90% da população.
[14:04] Enquanto se tu fores para o Macintosh, para a Apple e tudo
[14:07] mais, já é muito mais restrito. Estás a entender.
[14:10] Então já já implica uma aprendizagem distinta, porque a
[14:13] pessoa está habituada ao Windows.
[14:14] Já implica, teres que ter aplicações distintas, porque as
[14:17] do Windows não dão é exatamente a mesma história, é a mesma
[14:21] lógica. Tu ontem, tu ontem falaste
[14:23] sobre. Quando as pessoas imaginam o
[14:27] espectro, não é dentro da neurodivergência que imaginam
[14:31] uma espécie de degradação de escala.
[14:32] Não é que vai desde o pouco até ao moinho?
[14:37] EEE falares também sobre haver, se calhar, 11, modelo médico em
[14:41] que se mede o nível de autismo. Falemos assim, por consoante o
[14:46] nível de suporte que seja necessário exatamente.
[14:49] No entanto, a neuro divergência também aqui alega que isto não é
[14:53] tanto nos. Espetro em si, mas lá está
[14:56] muitas divergências em cada característica.
[14:59] É isso a. Questão é, o problema é que a
[15:03] neurodivergência, apesar de já não ser vista como uma doença
[15:07] mental, OK, continua a ser vista como uma doença mental em termos
[15:11] médicos e em termos de de abordagem que é, ou seja, não é
[15:14] vista oficialmente, mas na prática é.
[15:18] Então as pessoas imaginam sempre a tal risca OKA essa barra que
[15:22] tu estavas a falar em que tu vais do menos autista ou mais
[15:26] autista? OK, só que isto não é assim,
[15:29] porque nós daí eu ter mostrado aquele gráfico em queijinho em
[15:34] que nós temos vários segmentos em que, por exemplo, um autista
[15:39] que tem mais necessidade de suporte, OK, que pode quer dizer
[15:43] que provavelmente tem mais dificuldades em determinadas
[15:45] áreas. Mas pode não ter necessidade de
[15:48] suporte numa outra área, onde outros autistas têm e, portanto,
[15:52] não existe um ser mais autista ou mais autista.
[15:55] Existem pessoas que necessitam de mais suporte, outras que
[15:57] necessitam de menos esporte, mas isto vai sempre ter tudo a ver
[16:01] com o contexto e com as acomodações que lhes damos.
[16:05] Pois e aquilo que tu daquilo que eu percebi é, OK, podemos ver
[16:11] esta situação como um grupo de pessoas, mas não podemos
[16:14] generalizar. Não é lá, por ser 11 autista de
[16:18] nível 3 não quer dizer que se desrespeite, entre aspas, todas
[16:22] as suas capacidades, não é por ser não falante por.
[16:24] Exemplo posso pegar por aí porque, por exemplo, imagina um
[16:27] dos critérios para atribuírem o nível 3 AA um autista é o facto
[16:32] de não ter uma comunicação oral. Seja não ter uma linguagem
[16:35] funcional, que são os tais não falantes e o meu filho é
[16:38] considerado um autista de nível 3.
[16:41] No entanto, o meu filho tem total autonomia, seja de
[16:45] higiene, de alimentação de ele comunica por língua gestal
[16:49] portuguesa, porque não tem uma comunicação oralizada, mas tem
[16:53] comunicação, ele está alfabetizado, ele faz cálculos,
[16:57] portanto ele de todo que é um autista de maior suporte.
[17:03] Entendes, mas em termos médicos, como está lá naquele pequeno,
[17:06] naquele tem aquele pico, sabem naquele check em como não fala,
[17:12] vai para nível 3. Nós.
[17:14] Eu também costumo sempre falar do Pedro, do Pedro Lucas, que é
[17:18] 11, rapaz autista que trabalha connosco, também nosso formador,
[17:22] que quando ele era pequenino, quando ele teve o diagnóstico,
[17:25] ele teve o diagnóstico muito, muito jovem, com 3 ou 4 anos,
[17:28] penso eu. Deram lhe logo o diagnóstico de
[17:31] atraso cognitivo e autista do nível 3.
[17:34] Pá. O Pedro é só tipo mestrado, é só
[17:38] licenciado de mestrado e está a fazer o doutoramento em
[17:41] psicologia educacional. Quer dizer, ele tem tudo, menos
[17:45] atraso cognitivo. Ele tem tudo.
[17:48] Ele necessita de acomodações realmente no seu dia a dia.
[17:51] Existem determinadas coisas que ele tem que ter algum apoio, mas
[17:54] isso não compromete a sua vida no dia a dia.
[17:56] Portanto, este, este estigma, este rótulo que se colocam
[18:01] especificamente nas pessoas autistas, não faz sentido.
[18:06] É que é é só destrutivo e para além de destruir AA família,
[18:11] porque de repente a família fica logo sem qualquer Esperança de
[18:16] de uma vida para aquela, para o filho ou para a filha, tipo,
[18:19] destrói a autoestima da criança. Logo, desde o início que eu não
[18:23] sei se ontem falei da questão da desistência apreendida.
[18:27] Não, sim, sim, sim. A distância aprendida.
[18:29] É isso? É, imagina tu cresceres a
[18:32] dizerem te desde sempre que tu não és capaz, que tu és
[18:35] inferior, que tu és menos, que tu tens que estar ali, que tu és
[18:39] isto, que tu és aquilo, ou seja, isto é interiorizado.
[18:42] Aquela criança vai se tornar um jovem que sabe que é só aquilo,
[18:47] que não é capaz de mais e não vai ter capacidade porque a sua
[18:50] autoestima está completamente destruída de querer aprender
[18:54] mais. De querer saber mais, de querer
[18:56] ir mais longe. E não podemos colocar as
[18:59] famílias, porque as famílias também não têm suporte, não têm
[19:01] conhecimento, estão completamente perdidas.
[19:04] Elas são atiradas para o lodo na maior parte das redes, nem
[19:06] sequer têm noção que têm direito a apoios sociais ou são mal
[19:11] informadas dos apoios que têm percebes.
[19:14] Então tudo está errado. Isso de repente aparecermos nós,
[19:18] autistas que temos, na nossa parte, menos, menos.
[19:25] Prejudicada a parte da comunicação, que é o meu caso,
[19:28] que eu tenho muita facilidade na comunicação.
[19:30] Também calma. Posso ou não?
[19:36] Não sei. Eu vi.
[19:37] O teu rabo. Joana.
[19:39] Pois aí podes vê lo agora que estou sem calças, eu?
[19:44] Tenho informações, querida. Pois pronto, pois estou já me
[19:47] calei importante e não. Meter a coisa assim?
[19:52] Mas sim, tens facilidade de comunicacional?
[19:54] Sim, sem dúvida. Obrigada.
[19:58] Quando nós falamos, desvalorizam o facto de nós termos
[20:02] dificuldades noutras coisas, estás a perceber AI, tu não
[20:06] podes ser autista, porque tu? Olhas Ah, tu nem pareces
[20:08] autista? Onde é que tu és?
[20:09] Tens a certeza? Ah, mas nem parece, é pá.
[20:13] Olha, essa é outra que é tipo dirtina, como assim?
[20:17] Mas agora, tipo, há uma cara de autista.
[20:20] Tipo, tenho que fazer o quê? Tenho que fazer?
[20:23] Está bom? Estou com cara de autista, é
[20:25] isso? Tipo, eu não.
[20:27] Percebo então como é que então repara.
[20:29] Por exemplo, quando tu me disseste que eu conheci te pré
[20:32] diagnóstico EE, dava para sentir que ambas tínhamos ali uma
[20:36] relação diferente da maior parte das pessoas.
[20:40] Eu não acredito que chegasse ali tanta gente e começasse.
[20:44] Porque tu também és neuro divergente e isto é quase tipo
[20:47] uma atração. Tipo moscas.
[20:51] Repara, nós somos tão poucochinhos que quando temos
[20:54] alguém pensando Ah, isto, tal. E.
[20:57] Tal. Isto porque a bipolaridade eu
[21:00] tenho sido diagnosticada de bipolar, a bipolaridade também e
[21:03] o síndrome de stress pós traumático complexo também está
[21:07] abrangido por este chapéu da da neuro neurodivergência.
[21:11] Mas o que é que eu estava a dizer?
[21:14] Ah, eu conheci te. Pré diagnóstico esse diagnóstico
[21:18] e achei só que eras uma pessoa bué da fixe e não sei quê, mas
[21:21] depois quando me contaste, eu não sabia como reagir a minha
[21:24] cena. Como eu sou bastante curiosa e
[21:26] interessada por estas coisas, aquilo que eu pensei, Ah, a
[21:29] Sério conta isto, isto é terrível.
[21:32] É capacitismo também, OK? Uma.
[21:34] Coisa é tipo a pessoa não saber como reagir e ficar, tipo
[21:38] naturalmente interessada em conseguir compreender e perceber
[21:42] o. Como é que se chegou ao
[21:43] diagnóstico? Tipo, como é que deste conta
[21:45] disso? Tipo, isso é natural?
[21:48] Entendes, tipo, imagina, eu tenho muito isso.
[21:51] Quando falo com pessoas que têm esquizofrenia, por exemplo, eu
[21:54] tenho imensa curiosidade que as pessoas com esquizofrenia falem
[21:57] comigo, porque é um dos meus handy capps, por assim dizer,
[22:01] até há muito pouco tempo era uma das coisas que eu tinha mais
[22:04] medo era de pessoas esquizofrénicas, porque.
[22:09] Parecem imprevisíveis. Não entende, mas isto.
[22:12] Eu já percebi que isto é um estigma que me foi colocado da
[22:15] mesma maneira que o estigma do do autismo foi colocado em toda
[22:18] a população. Então eu faço muita questão de
[22:20] quando encontro alguém que é esquizofrénico e dizer, pá, por
[22:22] favor, fala comigo, conta me tudo, explica me coisas,
[22:26] entende? Certo?
[22:27] O capacitismo aqui entra quando assumem que eu não posso ser
[22:32] autista porque falo entendes quando me fazem esse do não me
[22:37] pareces, OK, mas não pareço porquê.
[22:41] Conhecem? Vocês não me conhecem.
[22:44] Vocês não sabem quais é que são as minhas limitações.
[22:48] Eu costumo dizer que imagina nos autistas que necessitam de mais
[22:53] suporte, têm tendência a desvalorizar todas as suas
[22:56] capacidades todas. Nos autistas que necessitam de
[23:00] menor suporte, repara, não é não terem suporte, é precisam de
[23:03] menor suporte. Desvalorizam todas as nossas
[23:06] limitações. Ou seja, aquilo que nos é
[23:09] difícil, ninguém quer saber, certo?
[23:13] Mas não quero. Como falas, tens sentido de
[23:16] humor. Como falo, como Ah, tiraste uma
[23:19] licenciatura. Ah sabes ler?
[23:21] Uau. Fixe, certo e não voto em certas
[23:25] coisas. Por esse há devia valer mais do
[23:26] que algumas pessoas, mas. A luta, a luta, isso do
[23:35] capacitismo é uma coisa que eu acho que deixa os neurotípicos.
[23:38] Claro que estamos a falar de bolhas, não é?
[23:39] Há sítios onde as pessoas estão mais conscientes.
[23:42] Não diria sensibilizadas para o assunto.
[23:44] Uma das coisas que ontem me surpreendeu, fui ao teu espaço
[23:47] já, agora queres falar um bocadinho do teu espaço?
[23:49] Chama, se impacta. Impacta.
[23:50] O teu espaço parece que estou a falar do teu.
[23:53] Espaço devia estar a minha bolha, não?
[23:56] Mas como é que eu posso dizer a tua?
[23:58] É um espaço? É um espaço?
[23:59] É. O teu espaço, então fala um
[24:01] bocadinho do teu espaço é no é em cascos.
[24:04] É em cascos de rolha de. Rolha para quem é de Lisboa é
[24:06] que é Pinhal. Novo, não é?
[24:07] Credo. Para onde é que eu fui?
[24:09] Lá de rolha? Desculpa lá que tu diga.
[24:11] Então, onde é? Que é?
[24:12] Estou na quinta do Conde, quero um nome AI.
[24:15] Na quinta do Conde é que isso é mesmo emblemático para nós
[24:18] dizermos que é longe. Estou na quinta do Conde.
[24:23] Mas é um espaço onde faz acolhimento de tens voluntários
[24:26] e faz acolhimento de crianças neurodivergentes.
[24:29] Não só é assim. Nós temos uma abrangência muito
[24:32] grande naquilo que fazemos. Tipo, eu vou te explicar.
[24:34] Isto começou por nós, inicialmente, pensámos em ter um
[24:38] espaço onde pudéssemos acolher famílias para lhes darmos
[24:44] informação. E conhecimento para empoderarmos
[24:48] as famílias. OK, porque se tu não tiveres uma
[24:51] família empoderada, logo aqui, há uma logo aqui há uma quebra
[24:54] gigante, gigante. Porque a família, especialmente
[24:57] nos primeiros anos, é quem tem que estar ali, forte, firme, a
[25:01] aguentar a lutar pelos direitos daquela criança, daquele jovem.
[25:05] E tem que estar muito bem informada, porque, ao contrário
[25:07] do que as pessoas pensam, é assim, o sistema social, o zero
[25:11] percebe pelos patavinas. Eu cada vez que vou discutir
[25:15] alguma coisa relacionada com a deficiência que não seja o
[25:18] balcão da inclusão, ou seja, que vá a uma segurança social da
[25:21] vida qualquer, eu vou me unida com os decretos e com as partes
[25:24] sublinhadas para quando eles me dizem que não eu sacar daquilo e
[25:27] meter lhos à frente do género. É porque está aqui escrito,
[25:30] sabem ler, pronto. Só que nem toda a gente tem esta
[25:35] parte, esta capacidade ou tempo ou disponibilidade mental para o
[25:39] fazer. Porque eu volto a repetir.
[25:41] Tu quando recebes o diagnóstico, especialmente de um filho, isto
[25:44] é dado como pá, como uma sentença de morte, entende?
[25:48] Os pais ficam completamente destruídos.
[25:51] Tipo, porque depois também há outra questão.
[25:53] E tu és mãe e de certeza que vais entender o que eu vou dizer
[25:55] que é tu quando estás grávida, quando estão, quando, quando,
[26:00] quando a família engravida, não é cria se uma expectativa do
[26:03] filho? Cria se aquela imagem do filho
[26:07] do como é que vai ser quando se é as primeiras palavras, como é
[26:10] que vai ser quando me der os primeiros passinhos?
[26:12] E como é que vai ser quando for para a escola, tipo essas
[26:15] expetativas que são construídas em num, num contexto social de
[26:19] neurotípicos, OK, então quando tu tens o teu filho e o teu
[26:24] filho foge desse padrão, naquele momento tu, o teu filho
[26:31] expectável, morre. É isso, tens de fazer 11 morte a
[26:36] narrativa. Não é, mas não é um luto do teu
[26:38] filho, porque isto é uma das coisas que eu digo sempre às
[26:41] famílias, que é, vocês não têm que fazer o luto dos vossos
[26:43] pitos, os vossos pitos são, esses, sempre foram esses,
[26:46] continuam a ser os mesmos. Eles não têm culpa que vocês,
[26:50] adultos, tenham criado expetativas sobre uma criança,
[26:57] pá, não, desculpem disso, OK? Eles não pediram para estar
[27:00] aqui, nem pediram para ser canção.
[27:02] Portanto, se vocês amam, têm que amar incondicionalmente.
[27:05] Têm que amar como eles são, não vão amar a expetativa que têm
[27:09] dos vossos filhos. SIM 1 bocadinho como
[27:11] heteronormatividade. É a mesma história, exatamente a
[27:14] mesma coisa, só qual é que é o problema?
[27:17] Chegas ao médico, o médico dá te aquela sentença de morte e a
[27:20] partir daqui a única coisa que é falada é o que é que o teu filho
[27:23] não é capaz de fazer? Aonde é que o teu filho está
[27:25] para trás? Quais são as dificuldades do teu
[27:27] filho? Porque é que ele ainda não faz
[27:29] isto? Porque é que ele ainda não faz
[27:30] aquilo, pá. É autodestrutivo, sabes é?
[27:34] Passa a ser uma preocupação constante, não é?
[27:36] E? A primeira fase das famílias é
[27:39] irem atrás de tudo o que os possa tornar os mais funcional
[27:45] possível. Estás a entender?
[27:48] Ou seja, até tu chegares à fase da aceitação do teu filho Como
[27:51] Ele É e de aceitares realmente que ele não está errado.
[27:55] O que está errado é o que está à volta dele, e o facto de não o
[27:57] respeitarem é um caminho. E demora bastante tempo.
[28:03] Achas que seria interessante haver oportunidade de famílias
[28:09] que estejam nessa situação, de que tenham, de que tenham ou que
[28:12] lidem vá? Não é que tenham, senão também
[28:14] parece que estou a dar essa tal sentença que lidem com a
[28:17] neurodivergência que se fossem também atendidas por
[28:21] profissionais neurodivergentes. Isso é uma das nossas lutas e é
[28:26] uma das coisas que, para a associação portuguesa voz do
[28:28] autismo, passo já aqui a publicidade.
[28:31] Luta constantemente é ter. Nós damos muitas vezes Do Nada
[28:36] por nós sem nós. E é importante existirem pessoas
[28:40] neurodivergentes, sejam autistas.
[28:42] Como PHDAO que for nos serviços termos representatividade?
[28:47] Nós, neste momento, nós temos na associação.
[28:52] Se foste tudo do tipo autistas, temos psiquiatras, autistas
[28:55] temos, médicos, autistas temos professores, autistas temos.
[28:59] Ou seja, as pessoas existem porque é que elas não podem
[29:03] estar onde mais deveriam ser necessárias?
[29:06] Entendes, o meu psiquiatra é autista, entende?
[29:10] E eu dou me perfeitamente bem com ele.
[29:12] Aquilo para mim é para um pão, queijo, queijo, e entende se
[29:14] perfeitamente naquilo que temos que falar.
[29:16] O meu marido é neurotípico, meu Deus, aquilo há ali um confronto
[29:20] de. Coisas, isso é também estarem
[29:21] casados, sabes? Não, não há um confronto de
[29:23] coisas entre ele e o psiquiatra, não.
[29:25] É que nunca se. Habituou.
[29:29] Já se conformou? Comigo até se vive bem, porque
[29:31] ele, como no geral, odeia pessoas, estás a perceber.
[29:34] Ele odeia os neurotípicos. Portanto, concordam, esta está
[29:39] fixe aí aí com qualquer coisa. Uma das coisas com com que
[29:43] fiquei surpreendida ontem, porque estamos numa altura em
[29:47] que se estão a questionar várias palavras, várias nomenclaturas,
[29:51] em que estamos a aprender, a ser mais sensíveis aos outros, a ter
[29:54] mais, mais empatia. Foi a utilização da palavra
[29:58] deficiência. É algo que os neurotípicos têm
[30:01] muito medo de de empregar, porque pensam que estão a ser
[30:05] ofensivos, não é? E porque a determinada altura,
[30:08] houve uma narrativa. Já me chegou, eu sou, não sou,
[30:13] não sou deficiente, sou diferentemente, capaz.
[30:18] Ou seja, chega, nos, chega nos ou chega à Malta.
[30:22] Muita, muita informação sobre o que podemos ou não podemos
[30:24] dizer. E tu ontem falaste sobre a
[30:26] palavra deficiência. O que é que o que é que te apraz
[30:30] dizer sobre isso? Não me apraz nada.
[30:34] Deixa me ir, é? Assim, se fosse dos
[30:36] neurotípicos, apraz me novamente agrotina.
[30:38] Está bem que eu gosto tanto da sim sim pá.
[30:41] Tem me ouvido falar, até há de pensar que eu odeio pessoas, é
[30:43] verdade, mas não todas. Fazes me lembrar a Rita Blanco.
[30:50] Eu? Não é assim.
[30:51] Eu odeio pessoas. No entanto, não.
[30:55] Eu tenho que lidar com algumas, não é não.
[30:57] Onde é que tu achas que foi o meu mesking, não é?
[31:02] Eu tenho que aprender a lidar com pessoas por trás da máscara.
[31:06] Estou a pensar do género, se pudesse matava te, mas depois
[31:09] não dei. Não, isso não é legal e eu
[31:11] compreendo, está errado, eu sei. É uma norma.
[31:16] Uma norma, mas, enfim, passando é pá, porque a questão é.
[31:24] A palavra deficiência também é difícil para algumas pessoas com
[31:27] deficiência, por isso é que eu disse que devemos deixar ao
[31:30] critério de cada um considerar deficiência ou pessoa com
[31:33] deficiência. Está bem porque?
[31:36] Mas deficiência, a palavra deficiência, pode existir.
[31:39] Pode existir por um motivo, porque não tem nada de errado
[31:43] entendes. Ter uma deficiência ou ser
[31:46] deficiente não nos torna automaticamente inferiores aos
[31:49] neurotípicos ou às pessoas sem deficiência.
[31:53] O problema está aqui, está No No no paradigma de que a
[31:58] deficiência é algo inferior, é algo menos capaz.
[32:02] OKA partir do momento que nós assumimos que a deficiência não
[32:07] nos torna inferiores ou não nos torna menos capazes ou que não
[32:11] nos torna nada de mal, a palavra não nos diz nada.
[32:18] OK, é uma palavra. Uma espécie de é um.
[32:21] É como tu dizeres tipo, sei lá, olha, tenho uma tendinite no
[32:24] ombro. Tipo, OK, bom para ti.
[32:27] O que é que queres que eu faça com a tua tendinite?
[32:29] Eu por acaso posso fazer, não é? Mas.
[32:31] Mas. Natural é um bocadinho.
[32:34] Esse o sentido percebes, no entanto, é como te digo, é a
[32:37] mesma história com com com a com com a palavra autismo.
[32:41] Eu quando falo, digo, sou autista, mas tenho muitas
[32:44] pessoas autistas que me dizem que são pessoas com autismo,
[32:47] tipo. Depende de como se identificam e
[32:49] como gerem aquilo para elas próprias.
[32:52] Agora, quem é que tem que falar sobre isso e quem é que tem que
[32:55] se pronunciar sobre a forma como prefere ser tratada?
[32:57] A própria pessoa não é porque eu acho ponto um.
[33:03] Eu acho que isso não deveria ser relevante no dia a dia.
[33:06] Se tens deficiência ou não tens deficiência, OK.
[33:09] Da mesma maneira que não devia ser relevante a questão de
[33:12] seres, de seres gay ou de seres lésbico, ou de seres pão ou
[33:15] whatever, tu não deverias ter que chegar a um sítio e
[33:19] assumires o que quer que fosse. OK, claro que uma deficiência
[33:23] física quer dizer não tens que assumir, está ali, escancarada.
[33:26] Mas muitas vezes a neuro divergência é uma deficiência
[33:30] mental ou intelectual. Ela não tem cara, portanto, à
[33:34] partida ou é metada quando tu começas AA conviver ou a pessoa
[33:37] tem que a comunicar, OK? Mas não acho que isso vá fazer
[33:43] diferença num num contacto social que não seja relevante
[33:48] percebes, certo? Ou seja, imagina.
[33:50] Até porque, desculpem, interromper te mas é só para ver
[33:53] se consigo cobrir os os assuntos que falaste ontem e que que
[33:58] considerei também muito interessantes que é tu falaste
[34:01] ontem do modelo social, ou seja. E acho que tem a ver com isto
[34:05] que que estás a dizer que é se a sociedade estivesse mais
[34:09] preparada para lidar com pessoas de de variada ordem, não é essa
[34:16] essa parte da do teres que exato da deficiência não seria tão
[34:21] falada. Porque a deficiência não está em
[34:22] nós. A deficiência está no que está à
[34:24] nossa volta. Porque e repara que eu.
[34:27] Eu dou sempre o exemplo dos óculos.
[34:29] Lá está tipo. Se tu retirares os óculos a toda
[34:33] a gente no mundo, meu Deus, dá se um desastre, entende?
[34:39] Imagina um Capitão do avião que por acaso, não sei se eles podem
[34:42] usar óculos, by the way, mas acho que sim.
[34:44] Imagina que está um gajo a pilotar um avião e que de
[34:47] repente os óculos desaparecem. Olha, morreram todos, estás a
[34:50] entender, ou seja, tipo a situação, a sociedade, tudo o
[34:56] que está à nossa volta é que nos incapacita de podermos
[35:00] participar nela. Não somos nós.
[35:03] Nós não temos nada de errado. Qual é o nosso problema que é
[35:06] pensamos de forma diferente. Precisamos de de ter algumas
[35:09] acomodações. Uau espetáculo.
[35:11] Para para neurodivergentes, tendo também 11 filho autista, o
[35:17] que é que há? Há um centro comercial aqui ao
[35:19] pé da minha casa, que tem. A hora, o dia do.
[35:22] Silêncio a hora de silêncio não estou a ver muito contente.
[35:26] Ah, é assim? É um início, mas não é grande
[35:30] coisa é isso. É, ela é assim, as coisas, as
[35:33] coisas têm que começar por algum lado, está bem?
[35:35] Têm mesmo que começar por algum lado?
[35:37] EE, eu acho importante que se vá dando pequenos passos e que as
[35:42] coisas se vão normalizando. Portanto, eu acho OK essa
[35:47] questão da hora do silêncio. Acho que é é simpático da parte
[35:51] dele. Mas têm de ser rápidos.
[35:52] Mas têm tipo 1 hora para chegarem lá, verem o shopping,
[35:55] fazerem as cobras e irem se embora rápido.
[35:57] Que isto não há cá tempo, certo? Portanto?
[36:00] Talvez fosse interessante manterem, porque tu repara, tu
[36:04] os neurotípicos precisam mesmo assim, de tanta luz no shopping.
[36:09] Precisam assim, tanta música assim, tão alta a Sério.
[36:12] É tipo uma necessidade vossa, que é tipo vossa, não que tu não
[36:16] contas, mas assim para o geral. A Sério, precisam.
[36:21] Precisam tipo de estar a 10 m de uma porcaria, de uma
[36:24] stradivarius da vida e já estar a levar com o com o perfume até
[36:27] marketing. Não é aquilo, é para as pessoas
[36:29] comprarem mais rápido. Certo, mas é necessário, não.
[36:36] É, pois. Estás a perceber tipo, não é por
[36:38] tu teres um shopping, aparecer me uma merda de uma árvore de
[36:41] Natal cintilante que que vamos estar todos muito mais felizes?
[36:45] A maior parte das. Pessoas, pelo contrário, a.
[36:47] Maior parte das pessoas sai de lá cansada.
[36:50] Estás a ver, mesmo que não tenha qualquer tipo de
[36:52] neurodivergência. Os miúdos saem hiper estimulados
[36:54] tipo, as pessoas saem cansadas. Quem trabalha lá é um inferno,
[36:58] OK? Tipo, é o inferno lidar com
[37:00] pessoas e é um inferno par naquele ambiente tipo.
[37:03] Sem luz natural, sem nada. É assim, eu acho que em vez de
[37:09] estarmos aqui com com histórias do AI, vamos criar coisinhas
[37:12] para os autistas. Talvez fosse bom repensar a
[37:16] forma como as coisas estão feitas.
[37:19] Para o excesso de estímulo no geral, porque isto também não é
[37:22] bom para os neurotípicos. Eu há pouco tempo, tu sabes que
[37:26] eu de vez em quando meto me em coisas assim, meio ao acordos,
[37:28] não é tipo, vejo e penso, Ah, que lingerie?
[37:31] À magia negra e um. Tipo de arco webe esse tipo de
[37:34] coisa eu acho bem e acho ótimo que se estejam a darem estes
[37:38] pequenos passos entendes que se esteja AA querer ter essas horas
[37:43] silenciosas. Que, por exemplo, Oo Almada
[37:47] fórum que também passa aqui publicidade eles têm se reunido
[37:50] connosco para também ajudarmos a criar o shopping mais inclusivo.
[37:54] Exatamente porque querem acolher famílias, porque tu repara que
[37:58] depois não é só as pessoas, há famílias com crianças que não
[38:01] podem frequentar os espaços. Portanto, estamos AA retirar a
[38:06] Liberdade e tu conheces a Martin sen, não a Martin sen depois
[38:11] podes pesquisar que eu agora não vou dar aqui nenhuma nenhuma
[38:14] aula dessa coisa, mas. Ele tem uma definição de
[38:17] Liberdade que eu adotei a para a minha vida, que é Liberdade.
[38:22] É quando tu podes exercer o teu direito, os teus direitos, OK?
[38:27] Então nós, sejamos neurodivergentes, ou pessoas com
[38:30] deficiência ou minorias, ou geralmente quem está nas nas
[38:34] franjas, sabes, não somos pessoas livres porque nós não
[38:39] podemos frequentar os sítios que as pessoas livres podem.
[38:44] Sim. Falaste ontem de, por exemplo,
[38:47] uma pessoa que tenha deficiência de visual, visual ou de até de
[38:52] deslocação, que não pode, por exemplo, ir a alguns edifícios.
[38:56] Não exemplo algumas condições, por exemplo, expresso básico,
[38:59] aquilo que eu estou a dizer, só que a maior parte de nós, eu
[39:02] incluída, não nos passa porque. Não faz parte da não faz parte
[39:07] da repara? Nós vivemos numa sociedade em
[39:11] que temos que estar sempre a produzir.
[39:13] Que temos que estar sempre a correr de um lado para o outro.
[39:15] Estão sempre a acontecer coisas. Está sempre a ser dada
[39:17] informação que é tão hiperestimulante que as pessoas
[39:22] raramente conseguem sequer pensar sobre elas próprias,
[39:25] quanto mais pensar no outro entendes tu estás tão aflita
[39:30] para te conseguires manter a ti viva e saudável.
[39:34] Achas que tu vais estar a pensar no outro?
[39:35] Não vais e está tudo bem, está certo agora.
[39:40] As entidades públicas, aqueles que deveriam garantir o
[39:43] bem-estar social, aqueles que que que são nossos
[39:47] representantes, porque não são, porque tu não tens pessoas
[39:50] neurodivergentes no parlamento, OK?
[39:52] Quando tu tens pessoas com deficiência no parlamento, são
[39:56] gozadas, como aconteceu insultadas e nada acontece.
[39:59] Portanto, aqueles que são os representantes dos neurotípicos,
[40:04] OK. Que supostamente deveriam manter
[40:07] este conceito de estado social, de bem-estar social, de
[40:10] Liberdade social. Fazem isso, mas para as massas
[40:15] que lhes convém, entendes tudo, o resto, tudo o resto todas e
[40:20] depois dizem mal. Mas nós não podemos reger nos só
[40:23] pelas minorias, ó filhos, não é isso que nós estamos a dizer.
[40:26] O que nós estamos a dizer é que se dá para nós, dá para todos.
[40:29] E o inverso não é verdade. Entendes a lógica.
[40:34] Mas, se calhar, o que dá para os AI neuroatípicos faz gastar mais
[40:39] dinheiro. É, não é que até nem faz sabes.
[40:41] Olha, olha o caso das luzes nos shoppings, porque iam poupar
[40:45] eletricidade na maior parte das é é mesmo.
[40:51] É só estupidez humana, Joana, desculpem.
[40:53] Aquelas funcionárias até agradecem, já não querem ouvir
[40:56] mais? Já todos loucos, aquelas da
[40:58] sephora, já nem devem ter tipo nada no nariz, estás a perceber?
[41:02] Coitadinha, estão maquilhadas, maquilham se com aquela luz.
[41:06] Sim, ouve aquilo já é um bronze, aquilo já é um bronze que não
[41:09] sai. Já não sairam nada.
[41:12] Um beijinho. Pessoas da sephora, gosto muito
[41:14] de vocês. Temos muito?
[41:15] Não todas. Há umas que eu não.
[41:17] Não há umas porreirinhas, mas beijinho para elas de
[41:20] solidariedade. Porque?
[41:22] Certo. Tirem a música.
[41:23] Tirem a música e os cheiros. Coitado, já viste o cheiro?
[41:26] Aí o cheiro, os perfumes, é terrível.
[41:29] É terrível para uma pessoa até que não tenha outro tipo de
[41:31] perceção das coisas, temos. Que andar ali as?
[41:35] Pessoas para ler. Há um Google, não é?
[41:37] Eu hoje estive a pesquisar coisas e se escreveres autismo,
[41:42] mas queria queria saber o teu input, o.
[41:45] Google o Google também faz a sua parte do doutor Google, não é
[41:50] então? Muito assim, muito rápido.
[41:53] Associação portuguesa voz do autismo vão ao site o site está
[41:57] com toda a Acessibilidade e têm tudo que é informação muito útil
[42:03] e pá verídica. Sobre autismo está bem sobre
[42:08] neuro? E até um teste, em vez de se
[42:11] autodiagnosticarem no TikTok. São pá porque?
[42:19] É uma associação feita por nós percebes, porque depois nós
[42:23] temos muitas parcerias em impacto, educa.
[42:26] Se nos quiserem seguir, também era ótimo, porque nós estamos a
[42:29] tentar chegar ao máximo de famílias possíveis, até para
[42:32] dizer que existimos. Até porque, mesmo os que estejam
[42:36] longe, nós damos muitas vezes formação às escolas.
[42:41] Então imagina se for uma escola que esteja longe?
[42:42] Não há problema, mandem nos OE mail da Secretaria da escola,
[42:46] nós entramos em contacto com aquela escola.
[42:48] Nós estamos mesmo mesmo a tentar dar as ferramentas necessárias e
[42:53] repara, não é naquele, nós não vamos com aquele objetivo do Ah,
[42:57] façam isto e isto tudo fica incrível, não?
[42:59] O objetivo aqui é desconstruir coisas e as pessoas pensarem por
[43:03] si, porque cada autista é um autista, cada pessoa é uma, é
[43:06] uma pessoa e não há ninguém que conheça melhor aquelas crianças,
[43:11] aqueles jovens, que as famílias ou as pessoas que os acompanham
[43:14] nas escolas, portanto, não somos nós.
[43:16] Vamos chegar lá e dizer, Ah, se vocês fizerem assim, o miúdo
[43:20] fica calmo. Pá.
[43:21] Não, certo? Mas se calhar, somos nós que
[43:23] chegamos lá e dizemos, olha, existem estas ferramentas,
[43:26] existem estas coisas que vocês podem usar.
[43:29] São super giras, tipo. Isso é me o Power, OK?
[43:36] Tipo fitas que podem pôr nas cadeiras.
[43:38] Existem coisas incríveis. Auto regulação.
[43:41] Até mesmo uma das coisas que falaste ontem foi o feedgeting.
[43:45] Ah, sim, sim, tem coisas pá mordores mordores ouve.
[43:49] Que eu eu estive a ver hoje um vídeo no Instagram do miúdo cujo
[43:54] mecanismo tu ensinaste que não tem a palavra a um comportamento
[43:58] que, por vezes os autistas têm e autólogo.
[44:02] Capaz que Oo rapaz arrancava os próprios dentes quando tinha iá?
[44:10] E acho que não precisas de ninguém que diga que que o
[44:13] trabalho é super importante, mas a sensibilização dos professores
[44:17] pode ser incrivelmente poderosa. Não só por essa desistência
[44:21] aprendida, mas também porque 11 puto não consegue estar quieto.
[44:25] Ah. Não é, não consegue.
[44:26] E não é só isto, lembra te que isto isto é um ciclo que é tu
[44:30] repara me. Se nós empoderarmos as famílias,
[44:33] automaticamente estamos a empoderar a pessoa com
[44:35] deficiência. Logo, OK, porque aquelas
[44:38] famílias vão lutar, vão saber os seus direitos e vão lutar por
[44:42] eles, mesmo que a sociedade diga que não.
[44:44] A informação é poder. Se nós conseguirmos sensibilizar
[44:49] e desconstruir e educar educadores.
[44:54] Já são 2 partes a que a lutar. Temos uma comunidade educativa a
[44:58] lutar, a construir. Porque estes educadores não
[45:00] importa só que eles saibam ensinar os miúdos, importa que
[45:04] os outros miúdos sejam pares deste, que eles não seja
[45:08] excluído, e que de repente tu cresças e desenvolvas a tua vida
[45:12] com a neurodivergência considerá la normal.
[45:15] Porque o problema disto tudo está no facto de desde sempre se
[45:19] terem e ainda continua a acontecer.
[45:21] Isto dava outro podcast. Continua a acontecer que se
[45:25] exclui, afasta, se isola, se escondem se as pessoas que são
[45:30] diferentes. Se uma criança cresce sem nunca
[45:34] ter visto 11 criança com neurodivergência, quando a
[45:37] encontra não sabe o que fazer com ela.
[45:39] OKE vai ficar assustada porque aquilo que a criança aprendeu da
[45:43] forma como deve interagir, não tem nada a ver com AA outra
[45:46] criança interage. Então a criança vai ter medo,
[45:48] vai se sentir apreensiva e não se vai querer chegar, porque
[45:52] isto é um instinto natural. E depois vai falar com o
[45:54] professor, que vai dizer qualquer coisa, dizer, Ah, ele é
[45:56] especial. Pimba vai chegar a casa e os
[45:59] pais vão dizer, Ah, pois se calhar não te chegues muito que
[46:01] que ele pode te magoar. Pimba.
[46:04] E isto vai crescendo e vai disseminando.
[46:07] Percebes. A partir do momento em que tu
[46:08] desconstróis isto, tu empoderas aquelas famílias.
[46:11] A criança vai ser empoderada, empoderas a comunidade
[46:13] educativa. As outras crianças vão crescer
[46:17] nisto e vão educar as famílias. Porque não são só as famílias
[46:21] que educam as crianças, as crianças educam as famílias.
[46:24] É verdade, estás a perceber. Portanto, isto tem que começar
[46:27] por se desconstruir, por normalizar, por falar e por nos
[46:30] deixarem ter voz de outra forma. Isto não, não muda.
[46:35] É pá. E pode haver um certo.
[46:38] O desconforto lá está por não haver estarmos a dar pequenos
[46:42] passos. Mas o desconforto pode também
[46:44] dificultar a abordagem. Eu não sei se não estou a lidar
[46:48] mais com este tema aqui no podcast porque te conheço,
[46:51] porque gosto imenso de ti, porque estou à vontade contigo.
[46:54] Não sei até que ponto é que eu pegaria neste tema
[46:57] voluntariamente, apesar de considerar importante.
[47:01] O objetivo é esse. E daí eu achar tão importante
[47:04] que cada vez mais de nós possamos ir falando EE, dando a
[47:08] conhecer os nossos diagnósticos. Porque é assim.
[47:10] E é isso. Isto são temas sensíveis.
[47:12] Importante sempre que se fazem ações sobre algo.
[47:16] Puxar pessoas que estão envolvidas, porque é a falar que
[47:19] as pessoas se entendem, é a dizer, OK, olha, isto não deve
[47:22] ser dito assim ou isto não deve ser dito assado por isto, isto,
[47:24] isto e aquilo, e a pessoa diz, Ah, OK, boa, porque se tu me
[47:27] dizes uma coisa que eu te digo, olha, isso não se diz assim,
[47:30] Joana, isso para mim não foi ofensa como tu ontem me
[47:32] perguntaste estás a ver da cena do quando tu soubeste ou hoje já
[47:35] não me lembro, não sei se foi aqui, se foi ontem da cena do
[47:38] estou perdível se. Quando as pessoas e tu me
[47:43] disseste qualquer coisa do género, Ah, és autista a Sério.
[47:46] Assim tinha esse capacitismo e eu disse, não, não foi porque
[47:50] foi uma pergunta genuína e ninguém tem que saber tudo, OK?
[47:55] Agora capacitismo é quando eu te digo que sim, tu me perguntas a
[48:01] Sério, tipo, explica me porquê, eu explico tu porquê e tu dizes.
[48:03] Ah, não sei se isso é bem assim, percebes.
[48:08] Tipo, eu tive. Eu tive uma médica a dizer me
[48:11] isso do eu não sei se foi bem diagnosticada, porque eu olho
[48:16] para si, não vejo assim, grande coisa.
[48:17] E eu? Aborrecido.
[48:22] Uma pessoa já tem que lidar com as suas próprias questões, mas
[48:25] ainda bem que estás a fazer este movimento.
[48:27] Não é que é o movimento de de esclarecer, de empatia pela
[48:30] ignorância também muita empatia. Porque, na maior parte?
[48:33] Desde que haja curiosidade. Na maior parte das vezes, a
[48:36] ignorância só eu acho que as pessoas não sabem que estão a
[48:42] ser ignorantes, não sabem que estão a ser capacitistas e não
[48:45] sabem que que estão a prejudicar.
[48:48] Sabes? Eu, eu quero, eu quero acreditar
[48:50] nisso, eu quero acreditar plenamente nisso.
[48:52] E que o pior disto tudo, que é aquilo que eu me confronto com a
[48:56] maior parte das famílias, é que as famílias acreditam.
[48:59] Acreditam em quem supostamente as devia ajudar, que não ajudam
[49:02] percebes, portanto. Temos muita coisa para fazer,
[49:07] muito trabalho a ser feito. Volto a repetir que a associação
[49:10] portuguesa de voz do autismo fazem um trabalho pá excecional.
[49:14] Nós somos só uma gotinha aqui, tipo a fazermos a trabalharmos,
[49:17] naqui na nossa zona, tentarmos ir o mais possível.
[49:21] Mas devagarinho, vamos, vamos tentando, vamos desconstruindo.
[49:26] E é assim, cada miúdo que sabes qual é das coisas que me deixa
[49:31] mais feliz. É eu ter um ou 2 dias de
[49:34] mentoria com o miúdo autista e, de repente, conseguir trabalhar
[49:39] uma aptidão nova. Tipo, estou.
[49:40] Estou me a lembrar de um caso em que, de repente, conseguimos
[49:42] trabalhar a comunicação aumentativa aquele miúdo.
[49:47] De repente, Do Nada, em 3 dias, ele conseguia me transmitir o
[49:50] que sentia, o as necessidades dele.
[49:53] E ele tinha uma voz entendes. E quando eu passei essa
[49:57] informação à família, a Felicidade da família.
[50:01] Sabes aquela aquela voltar a dar lhe aquela Esperança do ele é
[50:04] capaz entendes tipo Vale Tudo e o próprio miúdo saiu o outro e
[50:10] eu não sou nem psicóloga, nem terapeuta, nem nada.
[50:14] Eu estou só ali a ser a sombra dele, estás a perceber só que
[50:17] não estou a julgar, estou só ali entendes e isso, pá, Vale Tudo
[50:24] porque houve uma vez 11 rapaz que me disse que a Esperança não
[50:28] era uma promessa. OKE, as pessoas tinham a mania
[50:31] de levar a Esperança como promessas, como algo que tu tens
[50:34] que cumprir e não é a Esperança é como a fé entendes tu tens
[50:38] porque tens tipo tu, ninguém te diz que tu não podes ter
[50:42] Esperança. Imagina, eu sei que o meu filho
[50:44] provavelmente nunca há de ter uma comunicação, uma linguagem
[50:48] verbal, funcional, por vários motivos, porque ele tem
[50:52] disparaxias e afins e está tudo bem, eu estou bem com isso, ele
[50:54] está bem com isso, temos outras características.
[50:57] Agora tu dizes me, mas tens Esperança que ele um dia falo
[50:59] pá, claro que tenho, porque uma coisa não é valida a outra
[51:03] entendes eu ter Esperança que o meu filho fale não significa que
[51:06] ele me esteja a iludir ou que o meu filho me esteja a desiludir
[51:09] por não falar, estás a perceber. Aqui, quer dizer, é me difícil
[51:15] compreender, mas acho que explicaste explicaste, OK,
[51:17] pronto. Eu vou me calar que isto está
[51:20] muito profundo, Joana pera. Não, mas o quê?
[51:23] Os meus ouvintes são profundos. Profundos em quê?
[51:29] A vários níveis, a vários. Níveis, mas vá, já está há 1
[51:32] hora, filha, está bom? Está também tens uma reunião
[51:34] agora já tinhas há 8. Minutos tive, tive 3 já o meu
[51:37] marido me está a ligar, perguntar onde é que eu estou
[51:38] com o puto que tenho consulta daqui a 1 hora?
[51:40] Então vá. Adeus beijinho associação
[51:43] portuguesa voz do do autista impacta, educa, eu vou pôr.
[51:47] Do autista adeus, gostei muito. Adeus, beijinho.
[51:51] Foi um bocado caótico, não foi? Foi assim um bocadinho meio
[51:54] maluco, mas é o que a Carina e eu somos atiramos assim, um
[51:58] bocadinho para o ar, tudo aquilo que aparece à mão daquilo que a
[52:07] Carina disse. AA bipolaridade faz parte da
[52:10] neurodivergência, que é aquilo que eu tenho diagnosticado,
[52:14] EPTS, stress pós traumático, AI que eu sou mesmo e outras
[52:19] coisas. Mas eu não me sinto como tal por
[52:23] alguma razão, não só Oo diagnóstico no início foi fixe
[52:27] para mim, para para não me sentir não compreendida.
[52:34] Mas agora, não, não sei, não, não me estou a encaixar tanto
[52:38] nesse diagnóstico, reconheço, aceito, mas questiono muito a
[52:43] validade dos dos diagnósticos para o processo de equilíbrio.
[52:48] Fiz aspas. Portanto, não sei, não sei ainda
[52:52] o que é que hei de pensar. Claro que é giro pensar AI que
[52:55] eu sou na eurodivergente, mas não é por isso que vou ser
[52:59] melhor ou não melhor nas minhas merdas.
[53:03] Ainda bem que falei sobre mim, mas é isto que que que vocês
[53:06] devem fazer também. E eu não estou a ser
[53:08] paternalista a Sério que é terapia, algo que me tem ajudado
[53:12] bastante desde que faço terapia desde sempre, mas desde que
[53:16] recomecei agora. A minha vida tem ficado cada vez
[53:20] melhor e acho que vocês podem ver isso pela minha, pela minha
[53:23] cabeça, pelas coisas que eu que eu vou dizendo.
[53:25] E às vezes nós pensamos que estamos a fazer terapia só por
[53:28] nós, mas a vida das pessoas que nos rodeiam também está a ser
[53:32] afetada por por nós. Não só por sermos pessoas
[53:36] intragáveis ou desequilibradas, mas também porque às vezes a
[53:41] dinâmica pode mudar a dinâmica da relação.
[53:45] Se uma das pessoas fizer terapia, ainda que seja a outra,
[53:49] quem mais precisa? Estou hã?
[53:51] Aproveitem AAO desconto está aqui na legenda, apõem também o
[53:56] podcast, portanto, carreguem mesmo que não queiram fazer e
[53:59] aproveitem a home tree ou mesmo agora têm mais tempo para fazer
[54:02] uma consultinha e para ver se gostam, se não gostam e se
[54:07] encontram, o vosso psicólogo, porque aquilo é uma espécie de
[54:09] Blind date. Não Blind date, mas date.
[54:12] Para descobrirem qual é que é o melhor psicólogo para vocês,
[54:15] consoante as vossas necessidades mentais e não necessariamente
[54:19] fisiológicas, um beijinho até para a semana para a semana
[54:22] vamos ter o quê, por acaso ainda estou aí AA ver qual é que é o
[54:25] próximo convidado. Vamos ver, vamos ver beijinhos?
[54:28] Ah porra, não é 7 de outubro no villaret o meu espetáculo,
[54:34] comprem os bilhetes na ticketline se faz favor que é
[54:37] mesmo assim e. E depois apareçam, que é fixe
[54:42] também ter pessoas. Depois no dia não é só comprar
[54:45] os bilhetes, se houver. Aí alguém bué da rico e pensar,
[54:47] pá, tipo Sócrates, vou, vou comprar os bilhetes todos, que
[54:51] não é o meu caso. Estou OK, mas depois metam me
[54:54] pessoas também ou faço um giveway de 800 bilhetes,
[55:00] beijinhos.

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