# com pessoas: "Odeias homens?" - Patrícia Müller, escritora.

An episode of [não sei ser](https://invisiblenetwork.ai/podcast/1662857422), 10 Jun 2025, 1 h 23 min.

Audio: https://anchor.fm/s/d7dabd1c/podcast/play/103691707/https%3A%2F%2Fd3ctxlq1ktw2nl.cloudfront.net%2Fstaging%2F2025-5-10%2F401902900-44100-2-9dcc4241f8387.mp3

Ei-la! Patrícia Müller, autora de Madre Paula, A Rainha e a Bastarda e da minissérie O Arquiteto. Escreve romances, séries e filmes centrados em mulheres fortes e histórias intensas. Convidada desta semana. Confesso que só privei com ela duas vezes e teve que ser! 00:00 💔 A Relação de Patr ícia com os Homens 03:02 📚 A Perspectiva Feminina na Literatura 05:57 🧠 Traumas e Comportamentos Masculinos 08:52 📱 Experiências de Revenge Porn 11:58 🎭 Cultura e Poder nas Relações 14:53 ♀️ Reflexões sobre a Sociedade e o Feminismo 16:01 ⚖️ Reflexões sobre Masculinidade e Feminilidade 19:52 🔄 A Evolução dos Papéis de Género 24:04 👶 Desafios da Maternidade Moderna 27:13 👩👧 Desafios da Maternidade 30:11 ❤️ Educação e Empatia na Criação dos Filhos 32:37 ✍️ O Processo Criativo e a Vida Pessoal 35:21 🤹♀️ A Comédia e a Ficção como Reflexo da Vida 39:32 🚀 Novos Projectos e Desafios Literários 🎧 Este episódio super disruptivo está em todas as plataformas de podcast — não só esta, mas shhhh. 📆 Todas as terças-feiras há um novo episódio e o próximo convidado é Rui Maria Pêgo. ⭐️ Sigam o podcast, avaliem e comentem que respondo. 🍊 Tomem Vitamina C. 📌 Fiquem a par de tudo: ➡️ próximos espectáculos ➡️ códigos para merd*s ➡️ episódios e afins 🔗 Está tudo aqui: www.linktr.ee/joanagama

## Transcript

[0:00] Policia, Muller, tu odeias homens.
[0:03] É por isso que escreves apenas sobre sobre mulheres.
[0:06] Percebeste bem, foste rápido a apanhar isso.
[0:16] Olá, olá a todos os. Não sei seres, estou um
[0:23] bocadinho envergonhada, confesso que isto me afeta um pouco.
[0:32] Há há muitos anos que eu tenho um comportamento muito, muito
[0:36] pouco tolerante em relação a este assunto em particular.
[0:42] E sinto que em 2025 é necessário redimir me.
[0:46] É necessário explicar que já não penso assim.
[0:54] Às vezes há coisas que só passando por elas é que.
[0:58] É que temos noção. EE, tenho tido a infelicidade
[1:04] nas últimas semanas passar por essa situação e arrepender me de
[1:08] toda a falta de tolerância, de empatia que tive perante essas.
[1:15] Pessoas. EE é isto?
[1:17] Acho que toda a gente tem de ter uma oportunidade para para
[1:21] mostrar que está arrependido, para.
[1:26] Para deixar de ser ignorante e para o comunicar e, portanto, eu
[1:29] preciso de pedir desculpa a toda a gente.
[1:33] Toda a gente que tem sinusite porque é terrível, é terrível.
[1:38] Sempre que as pessoas dizem, Ah, tenho sinusite crónica e eu
[1:43] penso pá, vai te a suar não. O que é isto sinusite?
[1:47] Tens aqui Reino também já mergulhei na piscina e subi me
[1:50] um bocado a água e não morri. Pá é mesmo muito difícil não
[1:55] posso fazer natação isto agora com as alergias está mesmo pá
[1:58] quem é que se queixa? Quem é que se queixa ter um
[2:01] bocadinho de de pólen no nariz ou de ranhoca ou AI mas isto
[2:05] apanha me pá que te apanha e que tire não há para vai ao médico
[2:09] toma benurons, toma vibrocilos toma o que tu não eu não tenho
[2:14] que ouvir estas pessoas mariquinhas a dizem é pá e de
[2:19] repente. Pessoas, não sei se é das
[2:22] poeiras de África, se é das poeiras cá de casa, se é aos
[2:26] quase 40 anos, estou cheia de sinusite, cheia, isto é
[2:32] detestável. É uma enxaqueca que começa no
[2:37] nariz, não, não gosto, não gosto, quero que me tirem a
[2:42] sinusite. E a questão é, há ranho?
[2:45] Ah, está onde? Não sei, não sei onde é que está
[2:48] o ranho? Se tivesse aqui, eu aqui em
[2:51] baixo nas abas dos seios de periféricos, eu saberia que é
[2:55] suar. Mas está aqui algures,
[2:59] paradinho, estacionado em segunda fila, que um gajo, por
[3:05] muito que assou está lá na mesma.
[3:08] Eu já vi vídeos de um romeno qualquer que massaja o nariz
[3:11] todo e que depois sai e escorre e descongestiona, mas depois há
[3:15] mais. Depois vêm, parece que há há
[3:18] ranho do cérebro que vai pingando tipo aquelas aquelas
[3:23] torneirinhas que se que têm maminhas à volta e que vai e que
[3:27] vai ficando aqui e que estaciona.
[3:30] E isto é é é terrível uma pessoa não consegue estar bem disposta
[3:34] e estou a fazer uma coisa que eu abomino que é queixar me
[3:37] constantemente ando para aí que nem velha quase que me falta pôr
[3:42] AA mão na anca não tenho anca e que eu sou um bocado 11
[3:45] Poliedro. E pronto, o meu gato está
[3:48] entusiasmado. EEE.
[3:50] Estou sempre a dizer, odeio isto, isto é horrível, isto é
[3:55] detestável, odeio estar assim. E para quê?
[3:59] Claro que queixar ajuda, mas não, não me faz sentir melhor,
[4:03] zero, não, não, não tira, ranho, não faz, põe a água do mar, eu
[4:08] não vou pagar por água do mar porque é que não vais buscar um
[4:12] rinomero, um snickens? E depois no porque eu não vou
[4:16] pagar por essa merda. Isso é igual às pessoas que vão
[4:18] a Paris e compram latas de atum com um ar lá dentro, à r de
[4:22] parri. Eu não vou, eu conto te muito.
[4:26] Vou ali à parede ou a Caxias, porque sou de Lisboa.
[4:30] Apanho 11, garrafita e ponho lá água e depois safurdo, mas não
[4:35] vou à praia, não me apetece sair de casa.
[4:39] Isto é terrível. Isto confronta me com algo.
[4:43] Que eu odeio fazer, que é assoar me, eu gosto do efeito de
[4:47] assoar, mas para mim, ir a suar me é como ir ao ginásio, é lidar
[4:50] com o muco. Não quero que jarta do caraço,
[4:55] eu não quero lidar com o muco. EE aproveito também para fazer
[4:59] aqui um workshop que é, há várias maneiras de de assoar e
[5:04] eu sinto que há aqui uma diferença de género, porque eu
[5:07] nunca, nunca vi uma faneca. A assoar se, como se toda a
[5:12] assoalhada fosse dela, gajos gajos, parece que é o
[5:16] equivalente a mijar nos cantos para marcar território.
[5:19] É do género. Eu eu assumo com o volume que eu
[5:23] quero. O que toca a assoar eu é que sei
[5:26] o volume, estou me a borrifar para tudo e para todos.
[5:30] Dá para assoar de uma maneira elegante, dá para assoar assim,
[5:33] e isto é um podcast incrível. Pronto.
[5:40] E depois faz assim uma coisa que eu admi de ver também as pessoas
[5:43] que depois aproveitam os cantos de papel higiénico para massajar
[5:48] aqui um bocado. E depois há o assoar à homem,
[5:52] assoar à homem, nem vou fazer. Eu acho que me explode, explode,
[5:56] me ovário é terrível, terrível. Espirros, espirros.
[6:07] As pessoas também são detestáveis.
[6:10] Há há espirros. Eu tinha uma colega de trabalho
[6:12] há muitos anos que espirrava, não, não me lixes a gravação.
[6:18] Tomgas, venha para cá a pé está a dizer que atirei o gato
[6:21] demasiado alto, eu eu espirro um bocado à estúpida que eu faço.
[6:26] O barulho de espirro da banda desenhada que faço eu não faço
[6:32] AI, AI, como a minha mãe também. Uma pessoa da minha família
[6:37] também espirra assim, é, mas é, é espirra a gajos na mesma.
[6:41] Sinto que existe uma sensibilidade grande para.
[6:46] O. Território prático, ou seja,
[6:49] esta é a minha prateleira, esta é a tua, esta é a minha.
[6:52] Desculpem estar assim. Parece um Martinho Torres do do
[6:56] podcast dele, que eu oiço, mas que não sabe engolir.
[7:01] Mas não há território para sensibilidade auditiva.
[7:07] Devia haver um limite de decibéis, que é pá.
[7:11] Vais te a suar tudo bem, também pode ir a suar se por outro
[7:13] sítio, mas vais te a suar vais te a suar a um a um nível
[7:17] aceitável. Não, não vais para aqui violar
[7:21] meus tímpanos com o teu Reino. Mas fica aqui então o meu pedido
[7:27] de de desculpas público, muito público.
[7:32] Eu odeio podcasts que incluam gatos, mas o que é que querem
[7:38] que eu faça? Ponho os na rua, não sabem estar
[7:41] na rua, não sabem, não sabem, vão para a varanda, começam a
[7:44] discutir com com os gatos que estão lá fora, agora estão a
[7:48] discutir. Bom, peço desculpa, então a
[7:51] todas as pessoas com sinusite, crónico, então nem imagine o que
[7:54] é que é crónico. Eu espero que isto me passe,
[7:57] porque senão eu vou vou tornar me grande vaca.
[8:00] Mas mesmo grande, grande vaca, começo, começo a disparar,
[8:04] começo a disparar, mas baixinho, baixinho, porque eu respeito as
[8:08] pessoas. Disparo, mas com calma,
[8:11] percebem. Vamos agora à rubrica, não sei
[8:15] se é com pessoas. Quem é Patricia Muller?
[8:17] Eu não sou o Google, vão ao Google.
[8:19] Posso dizer que a admiro bastante, que é uma pessoa que
[8:22] produz. Que que parece parece aquelas
[8:25] vacas, não é que a maior parte delas que inseminam depois ficam
[8:29] a dar leite para sempre? Estão ali as as máquinas, ela
[8:35] ordena se de uma maneira incrível, séries, filmes,
[8:39] livros, novelas e a cabeça dela é pá, sabem?
[8:44] E é interessante porque eu não conheci muitas pessoas mais
[8:47] intensas que eu, mas senhora dona Patrícia, os meus parabéns.
[8:53] Eu, eu agora meto A Entrevista que não é hoje, daí ter trocado
[8:56] de roupa, mas foi uma entrevista algures neste ano.
[8:59] AI oiçam me também porque vão ficar a saber, mambos que eu nem
[9:02] vos conto. Patrícia Muller.
[9:07] Tu odeias homens? É por isso que escreves apenas
[9:10] sobre sobre mulheres. Percebeste bem, foste rápida a
[9:14] apanhar isso tudo sobre mim, em 3 palavras, tu odeias?
[9:17] Mesmo homem, eu acho que não. Eu sou meio 2, eu sou meio 2
[9:23] homens, imagina? Então deve estar a esfolá Los de
[9:26] uma maneira. Estou, estou, estás.
[9:28] Não estás deves estar a fazer um excelente trabalho, espero.
[9:31] Que sim? Espero que sim.
[9:32] Pelo menos um já entrou na faculdade.
[9:33] Já não é mau, certo? Provavelmente, se calhar vai
[9:35] ganhar dinheiro daqui a uns tempos.
[9:36] E eu escuso de o sustentar. Ah, sim, e?
[9:39] Portanto, nesse nível, uma pessoa tem que ser prática e
[9:41] pensar, faz te à vida, filho. Exato, EEE faz te bem à vida ser
[9:46] um homem bom. Se é um bom homem?
[9:49] Se é bom alguma coisa ou és uma feminista sem sem mágoa.
[9:54] Não isto isto eu acho que tem a. Ver não, não é por aí, claro.
[9:58] Claro, não. Eu acho que isto tem a ver com
[10:00] conhecimento de causa. Eu, eu, eu percebo melhor
[10:04] mulheres. Eu identifico melhor mulheres.
[10:07] Eu identifico melhor dramas de mulheres.
[10:09] Não sei se é porque sou uma, porque fui também educada numa
[10:11] linhagem muito feminina. Por ter muitas amigas e porque
[10:14] confio mais em mulheres do que em homens?
[10:16] Sim, isso é uma realidade. Não sei, acho.
[10:20] Acho que tem a ver com com questões de infância.
[10:22] Habituei me muito a confiar nas minhas mulheres mais próximas,
[10:26] na minha mãe, na minha avó. Pronto e foi muito por aí,
[10:29] tentatividade masculina. Menos representatividade
[10:32] masculina, sim. E a ausência, se calhar,
[10:35] sentida. Foi, foi uma, comecei a perceber
[10:39] que as mulheres em muitas coisas.
[10:41] Tinham muito mais força do que os homens, também muitas coisas,
[10:45] e isto não, não significa menosprezar nem dizer que eles
[10:48] não valem nada. Eu também não gosto dessa
[10:50] conversa, acho isso ridículo. Claro que valem, claro que
[10:52] obviamente valem, só que por conhecimento de causa, todos os
[10:55] dramas das mulheres, todas as inquietações das mulheres, eu eu
[10:58] entendo, é uma coisa, bate forte cá dentro.
[11:03] Entendo isso e nada comparado, mas já tentei escrever ficção.
[11:06] Não dá porque fico presa em mim. Parece que não consigo sair de
[11:10] mim, das minhas coisas, da minha cabeça.
[11:12] Parece que não consigo inventar personagens que não saiam só das
[11:16] minhas características. Exatamente por isso que estás a
[11:18] dizer. Mas isso é normal.
[11:20] Ou seja, tudo o que tu escreves é é um bocado.
[11:22] Quê? Claro, claro.
[11:24] Olha o meu próximo livro, agora que eu estou a acabar, eu tentei
[11:27] fazer. O início era sobre um homem.
[11:30] E depois, de repente, dei a volta toda.
[11:32] E, afinal, são mulheres a falar sobre um homem?
[11:34] Não era um sobre, ouvi dizer que tinha a palavra fuck no título.
[11:38] É esse. Olha, fiquei tão triste.
[11:40] Estava há uns dias com uns amigos e comecei a contar a
[11:42] história, o que é que eu queria? E depois disse assim, ouçam lá,
[11:46] se eu disser, fuck, boy, o que é que vocês dizem?
[11:48] Ah, é? É tipo aquele gajo com quem nós
[11:51] gostamos de ir para a cama? Não.
[11:54] Não os gajos que não se conseguem envolver.
[11:55] Emocional exato, exato. Mas se calhar não vou poder dar
[11:59] esse título, imagina? Mas é desse livro que estamos a
[12:02] falar. Então é desse livro que estamos
[12:03] a falar, porque isso é uma história, é uma, é uma, é uma
[12:05] coisa, é uma patologia psicológica chamado dom
[12:08] ruanismo, que eu descobri que são homens e isto foi muito
[12:13] potenciado pelas redes sociais. Ou seja, hoje em dia o nível de
[12:16] do dom ruanismo atingiu assim o pim, pim, pim, pim, mas foi do
[12:19] máximo. São homens cuja única objetivo
[12:23] na vida é conquistar mulheres para deixá las a seguir.
[12:27] É pá ferida materna aí forte, forte.
[12:29] Super. Eu falei com muitos, fuckboys
[12:32] muitos, muitos, muitos. Quem chegaste até eles?
[12:34] Em cada Pedra e não em cada Pedra há um fuckboy tipo
[12:38] levantas uma Pedra sai de lá o fuckboy, mas eles adiem super é
[12:43] pá, são ótimos. Eu conheci gente ótima, amigos
[12:45] de amigas, ex namorados de amigas, estás a ver amigo, toda
[12:50] a gente que é isso AI eu tenho um ótimo para tu falares.
[12:52] AI eu tenho um toda a gente, não há uma pessoa que não diga AI eu
[12:56] conheço um espera aí que tu vais falar com?
[12:57] Ele, mas eles têm claro que não vamos generalizar, deve haver
[13:01] vários tipos, podemos generalizar.
[13:03] Sim, falam de tudo, falam. Acreditam que seja um problema
[13:07] ou falam num sentido de conquistas?
[13:09] Mais ou menos é um bocadinho, um orgulho, é um bocadinho, um
[13:12] orgulho ter ali todas as mulheres, absolutamente, que é o
[13:17] é o poder, não é? Depois de largá las.
[13:20] Desaparecem, isto é, é um Ghost in nível hard.
[13:23] Mas nível hard é do género. Eu descobrir, sei lá, que tu
[13:26] gostas de chocolate negro, arranjar maneira de tu receberes
[13:31] chocolate negro durante 2 semanas em tua casa, com
[13:33] bilhetes, com poemas e com coisas incríveis a dizer que tu
[13:37] és uma pessoa incrível. Levar te aos sítios incríveis,
[13:40] dizer te coisas como eu tenho um, eu tenho um ipsis verbas.
[13:45] Pior, porque isso assim entre os?
[13:46] Meus filhos? Pior é, olha, eu vou te dizer
[13:50] uma coisa, eu nunca senti nada do que do que estou a sentir
[13:53] contigo. Estás a ver.
[13:54] Estamos aqui os 2 e eu nem saio muito com raparigas enquanto
[13:57] andar a comer 7 ao mesmo tempo, calma, eu nem saio muito com
[14:00] raparigas e depois, pá, há aqui uma diferença, há aqui uma
[14:03] diferença entre ti e as outras todas é porque isto é ipsis
[14:07] verbis, é porque com as outras eu sei lá, já fiz amor e foi bom
[14:11] e mas faltava qualquer coisa. E depois já houve outra coisa
[14:15] sem amor, mas contigo é tipo, eu não sei.
[14:17] Eu, eu, eu ficava aqui o resto da vida só olhar para ti.
[14:21] Obrigada. Desculpa, não havia um que tinha
[14:27] o piano. Ah, muito.
[14:30] Foleirada, houve alguma amiga tua a cair nisso?
[14:33] Não foi uma amiga, mas sim, houve.
[14:35] Era sempre a mesma música. Não era uma adaptação.
[14:39] Ah, claro que não és tão linda e tu entras naquela casa e está um
[14:46] piano. Claro que tem uma música para
[14:48] ti, depois de ele ter dito que tu és aquela especial com quem
[14:52] ele se sente à vontade e tem uma música.
[14:56] Estás a ver e tu o piano e pronto.
[15:00] E acabou. Aquilo que me faz confusão é já
[15:04] tiveste a conversa antes com com outro convidado, que é nós
[15:07] reconhecendo de onde é que isso vem?
[15:09] EEO problema, como é que não temos só empatia, não é?
[15:14] Nós ficamos. Parece que há uma espécie de
[15:17] sociopatia da parte deles, não é?
[15:18] E daí ficarmos zangados. No entanto, alguma coisa criou
[15:22] aquilo. Foram más meios.
[15:25] Não só não é ou maus pais também que instigaram o.
[15:29] Comportamento eu vi, eu vi, eu vi, eu vi mais fragilidade
[15:32] maternal é engraçado, pois todos eles tinham mais.
[15:35] Quando eu digo mais, mais também.
[15:36] Claro, não há mais mais cenário maternal.
[15:39] Cenário? Não até mães que morreram.
[15:42] Quando eu digo mais, mais é até mães que morreram.
[15:44] Portanto, não é mais mais nesse sentido.
[15:46] Hortas por eles se. Calhar?
[15:47] AI sim, quase havia uma que suicidava todas as semanas.
[15:53] Uma mãe que se suicidava. Todas as semanas ela matava se
[15:56] as minhas rosas. Agora imagina, coitado, o que é
[15:58] que acontece? O rapaz não consegue.
[16:01] O rapaz não consegue a partir daí.
[16:05] Não tem trauma de abandono, não é?
[16:06] Tem. Trauma é tipo estar tatuado na
[16:09] testa dele, tem todo o tipo de trauma que tu possas imaginar.
[16:11] Tu achas que a solução aqui passa claramente por fazer dar a
[16:15] entender esses homens, que isso é um problema, mas também
[16:18] equipar as mulheres com uma espécie de equipar as mulheres
[16:21] de inteligência emocional para reconhecerem quando é que estão
[16:24] a ir para a trampa? Não.
[16:26] É sim, mas. Nós não somos psicólogos,
[16:29] estamos aqui só a atirar dentight.
[16:32] Sim, mas se calhar, sim as. Tal sim, eles.
[16:35] Eles não têm muita autoestima e não têm muita vergonha.
[16:37] Aquilo não há muito limite. Daí uma certa sociopatia como tu
[16:39] estavas a dizer, não há muito limite, eu estou certo e o
[16:42] errado ou o que é que eu posso fazer?
[16:43] O que é que eu não posso fazer? Aquilo é mesmo, Bora lá, segue
[16:46] em frente. Outra realidade, não?
[16:48] É, não há muita moral. Há ali um bocadinho de
[16:50] aspergarzinho que não há muito. Não há tipo, não há o bem e o
[16:53] mal não existe. Ah, eu vou fazer mal.
[16:54] Não existe, não existe, existe. Só segue em frente.
[16:57] É pá. Isso leva nos um bocadinho à
[16:59] série que ainda não saiu, que é o arquiteto.
[17:02] Certo. Que na altura, infelizmente, as
[17:05] mulheres é que eram vítimas depois de julgamento e de
[17:08] condenação, porque eram umas porcas e umas badalhocas.
[17:11] E eu senti isso na pele porque fui vítima de reven Sport.
[17:15] Tive um namorado na internet que espalhou fotografias,
[17:18] fotografias, não que nós fazíamos aquilo pelo agora.
[17:21] Facetime na altura era netmeeting e o gajo espalhou
[17:24] fotografias minhas de 13 anos a masturbar me.
[17:27] E fui para várias escolas. Espalharam isso por várias
[17:31] escolas e imprimiram se só para Veres o quão velho eu sou e eu é
[17:35] que sofri tudo, percebes eu é que é pá.
[17:38] Imagina? Teres AA.
[17:42] Olha, não sei se superei, não é? Mas arranjei aqui estratégias,
[17:47] se calhar. Eu sou.
[17:49] Claro, faço terapia há anos, há anos, e acho que ainda tenho uma
[17:53] dissociação muito grande do meu corpo.
[17:55] Ainda não abracei muito o meu lado feminino porque eu
[17:57] considero mais vulnerável. Percebes já aqui várias questões
[18:01] interessantes, mas sobre a abordagem que vais dar essa
[18:05] questão que já deste já está escrito, não é?
[18:07] Já está, já está. E já está filmado e produzido,
[18:10] está estava em pós produção há uns.
[18:12] Estava exato. Eu não posso falar muito sobre
[18:14] isto ainda, não, OK? Ainda não.
[18:16] Não posso falar muito, eu não sei.
[18:18] Eu acho que é uma coisa completamente cultural.
[18:20] EE, é isso que nós estamos a mudar, que é explicar às
[18:23] mulheres. Tentar perceber aquele fascínio
[18:26] por homens poderosos estás a ver.
[18:28] É uma cena completamente cultural, que vem e vem e vem.
[18:31] Não existe tanto fascínio por mulheres poderosas, mas por
[18:33] homens poderosos. Existe.
[18:34] Porque acho que muitas de nós, ou se calhar todas em medidas
[18:36] diferentes, procuramos segurança e, de certa forma, o poder
[18:39] parece dar segurança de alguma forma.
[18:43] Claro, e está, por exemplo, está provado que as que os famosos e
[18:47] que são bonitos e têm bons dentes e são simétricos.
[18:51] À partida granjeiam mais simpatia e confiança das
[18:54] pessoas. Porque não têm um ar doente,
[18:57] porque? Porque é, é, é, é exatamente
[18:59] isso, porque têm, têm, porque confiam.
[19:00] As pessoas confiam nos famosos como se isso fosse, como quer
[19:04] dizer, como se isso fosse uma relação natural.
[19:06] Mas não é, é. É só estranha, é só
[19:08] absolutamente estranha. Neste caso estás.
[19:10] A dizer, não queres glorificá lo e, portanto, neste caso?
[19:13] Vagamente, vagamente. E isto mais uma vez são a
[19:17] história de 2 mulheres. Metidas aqui ao barulho certo.
[19:22] Portanto, isto são a história de 2 mulheres e apenas aproveitar
[19:25] um facto que foi completamente público.
[19:27] Tu se quiseres, vais ao youporn e ao exporn.
[19:29] Está lá, está lá, acredita? Passou uma tarde inteira a ver
[19:34] aquilo. Está lá também, não há assim
[19:36] tanto para ver. Há muito para ver.
[19:38] Há muito. E depois, os filmes que fizeram
[19:41] a seguir, o arquiteto quebra bilhas.
[19:45] AI, não estou a par. Nunca vi, nunca, viste o
[19:48] arquiteto que é pra mim? Não.
[19:50] A parte da vida nunca me entusiasmou muito.
[19:54] Não sou muito. É um filme, é um filme clássico
[19:58] do porno. Português, AI, não estou a par.
[20:01] Vou te mandar depois o arquiteto que é Maravilhas.
[20:03] AI que maravilha. Pronto então.
[20:08] Como é que se segue de bilhas? Vamos fazer aqui uma passagem
[20:14] completamente quebravilhas histórica, de arquiteto
[20:18] quebravilhas para leroar Merlin. Ah, são só os arquitetos que
[20:23] andam aí a quebrar vilhas a torto e A direita.
[20:25] Mas sabes o que é? Sabes o que é que tu tens que
[20:26] perceber? Eu às vezes ouço estas
[20:29] histórias, mas eu acho que se calhar não.
[20:30] É leroar Merlin, atenção, nós. É que é literalmente leroar
[20:35] Merlin. A história começa no não, mas
[20:37] uma coisa tu tens que perceber é, eu ouço estas histórias, como
[20:40] por exemplo, ouço outro tipo de histórias.
[20:42] Olha, a semana passada tive a almoçar com um juiz incrível com
[20:46] quem espero vir a trabalhar, um homem maravilhoso que apanhou o
[20:49] padre Frederico na madeira. EE tu tens que perceber que a
[20:52] minha reação corporal a qualquer uma destas histórias é é começar
[20:57] a transpirar o coração, começar AA bater e eu tenho uma subida
[21:01] de adrenalina. É tipo como se fosse AA coisa
[21:04] que eu mais gosto de fazer no mundo.
[21:06] Imagina a coisa que tu mais gostas de fazer?
[21:07] Eu é ouvir isto, qualquer que ela seja, desde o padre
[21:11] Frederico à história de sei lá, de um gajo das FP S25, que eu
[21:15] ainda quero trabalhar, que vamos fazer.
[21:17] Ou Leroy Merlin, em que eu estava assim, a tremer de de
[21:21] excitação. Conta, por favor?
[21:24] Isto para as pessoas saberem, isto é uma coisa, isto é uma
[21:26] coisa, e as pessoas têm que saber que podem fazer.
[21:29] Esta coisa. Não sei.
[21:31] Isto é um mito urbano. Pode ser ou pode não ser.
[21:34] Isto pode levar mais pessoas. Olha, para comprarem cenas.
[21:39] É da da Daniela? Quem é Daniela?
[21:42] Daniela. Que merda, sim.
[21:53] Então, hoje estavas muito bem. Não fui, não fui, isto é, foi
[21:58] uma amiga que me contou, claro, ou seja, EEO, que é que eu, eu,
[22:02] eu não quero ir ver isto, eu quero que a minha amiga me
[22:06] esteja a contar isto, certo? Portanto, essa é a minha cabeça.
[22:10] Eu não quero ir ver cenas, eu quero que me contem as cenas
[22:14] para eu, certo? Certo.
[22:18] Então amanhã as pessoas já sabem se dirigir ao por volta desta
[22:22] hora, uma editar aluma, o que é que vai acontecer?
[22:25] Estão lá pessoas das obras, portanto, funcionários de
[22:30] construção, sim, chamemos e mais quem?
[22:34] Senhoras carentes carentes. Maduras na zona.
[22:41] Maduras louras já sou da minha cabeça que interpelam os os, os,
[22:49] os empregados das obras, portanto, os os senhores que
[22:52] estão lá à procura de material. As trolhas sim, eu digo, e estás
[22:57] aí com merda? Eu troquei me aqui à volta e
[23:00] trocavam as trolhas e acabam por irem para as carrinhas deles no
[23:05] parque de estacionamento, onde são se viciadas.
[23:10] Viciadas em. Viciadas.
[23:14] Pá aí está tanto trocadilho com. Tinta com balde, com pincel, com
[23:19] martelos. É.
[23:21] Era o resto do dia, era o resto do dia, mas pronto.
[23:23] Portanto, já sabem quem quiser, quem precisar, às vezes é o que
[23:27] ele precisa. Mas do Ananás, no mercadona.
[23:30] Exato. Esta é a coisa a seguir.
[23:34] Vou à procura de coiso AI e tal. Pode me ajudar aqui?
[23:37] Não sei qual é a Lixa que eu devia.
[23:39] Levar o dona, o dona, não sei quê ele chama dona o dona levo
[23:43] te aqui esta Lixa. Ah, mas podia me ajudar a levar
[23:45] isto para o carro? Isto já sou eu na caixa.
[23:47] Sim, sim, sim, sim. Isto é pesado?
[23:48] Ah, mas são só 3 parafusos. Mas é.
[23:50] Pesado, como é que diz isto é pesado?
[23:52] Exato, ele com um saquinho, ou assim de de ele com um saquinho
[23:56] de nada, isto é pesado. E depois chegam lá abaixo.
[24:00] Ah, dona, eu tenho ali na minha carrinha, posso lhe mostrar como
[24:03] é que isto funciona? Jorge Sousa.
[24:07] Ah, sou simpática, então pumba carrinha.
[24:10] E sabes o que é que eu acho? Eu acho que anda para aí, tio,
[24:13] também a disfarçar se de trolha, Ah, para não nos fundar, a comer
[24:17] tias numa numa camionete. O tio não quer comer uma tia.
[24:20] O tio quer comer quem? Quer comer casas das camionetes?
[24:24] É, mas isto é a Sério, é que eu não estou a par dessa, eu não.
[24:27] Sou nula. Olha, Ah, pronto, disfarça.
[24:29] Se trolha e vai e. Para as camionetes, Ah, pá
[24:34] fenomenal. Isto vai servir de inspiração
[24:36] para alguma coisa, porque isto são.
[24:37] As é pá. Isto tem que entrar.
[24:38] Isto tem que entrar em. Altura, tu devias fazer um
[24:40] livro? Não é bem fatias.
[24:42] Isto são mulheres. Olha, há um eu agora, por causa
[24:45] de outro projeto, estive a rever.
[24:47] Agora vamos passar para um nível de alta cultura que tu vais
[24:49] ficar parva. É isto que estive vos a rever o
[24:51] bonho, o label do jorre. OK, estou a fingir que sim.
[24:57] Não conheces esse filme não. Pronto, esse filme é a caterine.
[25:00] The 9 é muito antigo, esse filme é a caterine the 9, que tem uma
[25:03] vida incrível casada com um médico, ela é linda de morrer,
[25:06] nova esperta, high class e que está aborrecida e que está super
[25:11] aborrecida. E então o que é que ela faz?
[25:15] Torna se puta e bem, torna se puta, mas nem recebe nem recebe
[25:20] a cena não é essa. Só que o que é mais engraçado é
[25:23] que ela não se torna qualquer puta, ela é uma gaja e o buñol
[25:26] tem uma entrevista incrível a explicar isso, ela quer ser
[25:29] humilhada, ela quer ser espancada, ela quer, ela quer a
[25:35] força que o marido não lhe dá em casa e então isto, isto a
[25:39] propósito das tias e do Leroy Merlin, EEO buñol diz uma coisa
[25:43] muito engraçada que é nós não sabemos as histórias das pessoas
[25:45] nem o que é que está lá dentro. É todo mundo, não é?
[25:47] E tu és muitas coisas e tens muitos desejos.
[25:50] E então? As tias podem ser somente uma
[25:54] Belle do jorre. Ela tabboard, está aborrecida,
[25:58] tipo, aquilo é chato? As crianças são chatas, a casa é
[26:02] chata, o marido é uma seca, estás a ver.
[26:04] Já não há, já não há não. Mas era o clássico jardineiro,
[26:08] não é? Era o jardineiro.
[26:10] Era o clássico jardineiro, mas este eu acho que é um fator de
[26:12] risco mais interessante. É como a Belle do jorre, porque
[26:15] ela depois é apanhada e aquilo é uma grande vergonha.
[26:17] Bom, há todo ali um enlã e o marido acaba.
[26:19] Bom, enfim, é. É uma grande cenaça aqui.
[26:22] Eu acho que as pessoas estão mais exigentes porque Oo
[26:25] jardineiro depois também se torna aborrecido porque é só o
[26:27] jardineiro, não é? Sim, é sempre o mesmo.
[26:30] Aqui, pergunto me um bocado, se nós vivemos agora 22 fases em
[26:35] simultâneo, acho eu que é. Por um lado, estamos a
[26:38] desconstruir o machismo em vários homens.
[26:43] Estão a questionar e também estão a batalhar.
[26:46] Um bocadinho com como é que é ser homem?
[26:48] O que é que é ser homem hoje em dia?
[26:49] Porque perdem um papel que lhes era natural e que lhes lhes foi
[26:53] ensinado. E tenho que questionar tudo.
[26:55] Mas, por outro lado, também estamos a ver uma ascendência do
[26:58] machismo nos mais jovens. A.
[27:01] Haver 11 influência gigante nesse sentido.
[27:04] Também tem a ver com A direita? Não é?
[27:05] Com algum papel político da direita, sim.
[27:09] Às vezes eu pergunto me se determinadas mulheres não estão
[27:12] à procura de um determinado estereótipo de masculinidade.
[27:16] Também já só encontram fora de casa percebes.
[27:19] Se calhar, também querem um trolha que é para é um homem a
[27:22] Sério, é um homem que constrói, é um homem que pinta, é um.
[27:26] Homem que trabalha com as mãos. Trabalha com as mãos que tem o
[27:29] escritório que que cheira a cu eh pá.
[27:32] Desculpem todos os trolhas que possam estar a ouvir.
[27:35] Exato, pode haver trolhas incríveis e que nós.
[27:39] Seguramente, a atitude. Neste.
[27:41] Mundo, claro, exato, essa ideia de masculinidade, não é?
[27:46] Eu acho que os homens andam um bocadinho perdidos e nós também,
[27:49] sabes. Nós andamos um bocadinho
[27:50] perdidas no nosso papel e no deles.
[27:52] Eu pelo menos acho que estamos numa transição do caraças,
[27:55] sabes, nós vimos de de de uma geração das nossas mães, mas
[27:59] mais das nossas avós, que não foi assim há tanto tempo.
[28:01] Estás a ver quando as mulheres ficavam em casa sem trabalhar,
[28:04] certo? Hoje em dia, não só trabalham
[28:06] como tomam conta das crianças, como provavelmente sustentam os
[28:08] gajos. Estás a versão as melhores Na Na
[28:10] escola estão a atingir cargos de topo, incríveis.
[28:14] Hoje em dia tu vais, por exemplo, ver nos, no, no, nos
[28:16] tribunais. A maior parte delas são juízas,
[28:18] asneiras, arquitetas, tudo, tudo, tudo, tudo, nós estamos a
[28:21] tomar conta, certo? E é pá por uma, por um drive
[28:24] incrível que as mulheres têm e isso é verdade e porque se
[28:27] calhar era como o Spike Lee. Exato, exatamente, exatamente,
[28:33] exatamente. Portanto, nós estamos a subir,
[28:36] só que isto custa nos horrores. A nós e a eles, a minha, porque,
[28:41] espera, eu estou a falar de uma determinada classe masculina que
[28:45] tem consciência. Disto e que.
[28:48] Mudar? Claro que não podemos
[28:49] generalizar nem para o mal, nem para o bem.
[28:51] Claro. Mas eu sinto que.
[28:53] Também podemos, e eu não, não estudei sobre isto, mas podemos
[28:56] estar a cair num exagero, se calhar, de homogeneização de
[28:59] papéis sem ligar ao género, que também nos faz estar um
[29:02] bocadinho mais perdidos. É uma boa questão, não consigo
[29:05] dizer te sobre. Isso, pois também não.
[29:07] Mas eu pergunto me sobre isso. Eu também.
[29:08] Pergunto muito sobre isso, que é, será que todas temos que ser
[29:12] CEOSA? Certa altura, já estamos nessa
[29:14] versão, não é? Onde é que tu própria te
[29:16] inscreves? E uma aversão também é um papel,
[29:20] mais que por acaso foi mais conservador.
[29:23] Mas que poderá também estar aqui, um bocado ligado à
[29:25] biologia percebes, eu reconheço. É pá, os, os, os, eu, eu estive.
[29:29] Agora, olha, neste próximo livro do fuck boy, eu estive a fazer
[29:31] uma grande pesquisa sobre os caçadores coletores e a questão
[29:34] das relações entre homens e mulheres.
[29:36] Nas tribos de caçadores coletores não havia hierarquias,
[29:39] homens e mulheres eram iguais, mas havia sim, papéis
[29:43] completamente diferentes. Os homens iam caçar e as
[29:47] mulheres eram as coletoras e tratavam das crianças.
[29:50] Isso é verdade, e isso. Muda me claro que repara também
[29:54] há tribos onde as mulheres iam caçar?
[29:56] Eu não digo que não, mas na maioria era assim que
[30:00] funcionava. Até pela força do corpo, não é?
[30:03] De e porque nós temos as crianças.
[30:04] O que é que tu vais fazer? Tens as crianças e depois, a
[30:06] seguir, vais matar um búfalo. É possível.
[30:09] Matas a criança e colhes o búfalo.
[30:11] É pá, é fazer matas a criança sabes, é isso?
[30:13] Tudo sei tu tens quantos filhos? 33 tens que parar?
[30:18] Não, já, já estou. Velha também, agora alguma vez?
[30:20] A outra já está velha, já nasces, a outra já quer lá saber
[30:24] disso? Não, mas, mas a mas a essa coisa
[30:27] da maternidade é uma cena muito complexa no sentido até da
[30:31] atribuição dos próprios papéis sociais.
[30:33] Não que os homens não possam educar as crianças, não é isso,
[30:35] mas é todo. Nós temos sempre aquela.
[30:39] Eu acho que nós temos sempre aquela vontade de de de de
[30:42] educar as crianças. As mulheres têm, não é, já que
[30:45] as têm. De acompanhar uma mãe que deixa
[30:48] um? Filho, mas se tudo correr bem,
[30:50] se. Tudo correr bem?
[30:51] Exato. Uma mãe que deixa um filho não é
[30:52] um não. É uma mãe que vai ficar bem, não
[30:55] vai ficar bem na cabeça, não. Vai, nem esteja bem, nem esteja.
[30:57] Não vai, não vai. Esteja OK.
[30:58] Um pai que deixa um filho? Não sei se é a mesma coisa.
[31:03] Também admito que possa estar a ser muito, muito usada nestas
[31:07] coisas. Estamos a especular se.
[31:09] Calhar uma má imagem e depois vão pensar que as feministas
[31:11] não. Nós até acho que até estamos a
[31:13] dar aqui 11 perspetiva bastante equilibrada.
[31:16] Por exemplo, uma das coisas que eu estudei quando eu fui mãe, há
[31:19] 11 anos, foi que os homens estão equipados biologicamente para o
[31:22] cérebro. Se adaptaram a um papel mais
[31:24] presente, desde que tenha uma ligação próxima com a criança
[31:28] desde o início. Certo, ou seja, esse papel do
[31:30] pai mais ausente e que se desliga, acontece muitas das
[31:34] vezes porque não tem capacidade para o fazer, porque a vida não
[31:37] deixa porque está nesse papel mais provider e está mais fora,
[31:41] ou até às vezes, como foi no meu caso, eu comi por completo todas
[31:45] as responsabilidades da Irene foi eu deixa estar que eu faço,
[31:49] não deixa, eu é que sei fazer, sabes um bocado assim, há tudo
[31:51] um bocado assim, sabes. Então acho que isto é o.
[31:53] Problema da da grande mãe Latina.
[31:56] Que tal? E a Espanha?
[31:57] Portugal, a mama, não é? A grande mãe, a grande patroa
[32:01] matriar e nós e nós incorporámos muito isso, nós temos muito isso
[32:05] na nossa, na nossa cultura. Os nórdicos não têm a maneira de
[32:08] educar, é completamente diferente.
[32:11] Nós não, nós é a grande mãe, portanto, nós sentimos a
[32:13] obrigação de sermos a grande mãe como se as crianças fossem
[32:17] morrer se nós não fossemos as grandes mães, não é e não eu
[32:20] estou em cima e hoje em dia ainda está pior, porque além da
[32:24] grande mãe, tu agora tens a culpa de trabalhar.
[32:26] Portanto, ainda estás mais em cima das crianças, a.
[32:29] Culpa de trabalhar e a culpa de não ser a mãe perfeita, porque
[32:32] exato. Cada vez mais há a difusão de
[32:34] outros métodos. De é pá.
[32:36] Eu odeio essas merdas, eu odeio qualidade positiva.
[32:39] Uh, até me vomito é pá. Eu sou o meu menos 80.
[32:43] Eu sou menos anos 80, sabes que isso?
[32:47] E é pá e apanhem a porrada volta e meia AI não posso dizer isso
[32:50] AI, meu Deus, cancelem me. Já sabes o que é que o van Dinho
[32:54] diz o quê? É cancelem me, já que eu preciso
[32:57] de férias. Exato, exato.
[32:59] Tipo larguem me da é pá sim, volta e meia obviamente não dou
[33:02] só porque até nem tenho força. Já, já, já não é pá porque só
[33:06] fazer uma chatice. Depois ficam todos marcados e
[33:07] depois gritam ainda mais. Tipo, não podem ligar para o 112
[33:11] e dão o nome deles. É uma chatice, não dá.
[33:14] Agora, uma palmadona assim, tipo, só para assustar, tipo,
[33:17] Ah, o que é que eu devo fazer? Nada, nada.
[33:20] Extremamente contra, mas já conheci crianças que eu e que
[33:27] são o resultado das mães e todos os outros fatores que eu pensei.
[33:31] Crianças horrorosas. Eu não suporto crianças ou eu
[33:34] não suporto pá. Eu levo logo.
[33:40] Eu não suporto crianças horrorosas.
[33:43] Crianças que fazem birras, crianças que estão sempre que
[33:48] maçada é pá, tu sabes. Antigamente eu depois também
[33:52] estudei um bocado sobre isto também para me limpar da culpa,
[33:54] não é? Foi a carta dos o século 20, é o
[33:57] século da solidariedade, é um se fez isso e foi um bocado para
[34:01] para para limpar as atrocidades que nós cometemos contra as
[34:04] crianças a vida toda. OA história da humanidade que
[34:07] nós fizemos a carta dos direitos das crianças, mas isso foi em
[34:09] 1900 e tal. Até lá tu trabalhavas no campo,
[34:12] ó filha, tu não te interessavas? A minha avó dizia isso AI, as
[34:16] crianças não interessavam, comiam na cozinha, não têm
[34:19] interesse, as crianças não sabem de nada, dizem umas merdas
[34:23] depois choram depois caem depois e tudo aquilo é é prepotência e
[34:28] é ego e é emoção. Reparem, são adoráveis e tudo
[34:31] aquilo é amor e está e então percebes.
[34:33] Mas por outro lado, as crianças não pensam em nada, as crianças
[34:37] não, não quero, mas porque é que não queres?
[34:40] Está bem? Então já quero foda se a Sério e
[34:44] tu estás ali 2 horas, sabes. Olha, vou te contar esta uma vez
[34:46] na escola, numa escola dos meus filhos, a criança não queria
[34:49] entrar no carro, não queria. Então os pais ficaram com a
[34:53] criança até às 10 da noite no parque de estacionamento da
[34:56] escola. Eu sou um bocado essa pessoa.
[34:58] Patrícia, AI não, eu sou um bocado.
[35:01] E vem. Aqui para casa vem, traz a tua
[35:03] filha aqui para casa, vá todos os meus amigos dizem.
[35:05] Todos os meus amigos dizem eu vou mandar um filho ir para
[35:07] casa. Traz, traz, traz.
[35:08] Não, não, mas. Sim, se calhar sim.
[35:09] Houve uma vez que ela não queria entrar na escola e estava a
[35:12] chorar aos autos berros e não sei quê mesmo, muita.
[35:15] E eu fiquei sentada ao lado dela até ela acabar de chorar.
[35:18] Para depois lhe explicar que a escola é importante que a mãe
[35:21] volta, pá, porque tenho aquela empatia e culpa de mãe e não
[35:24] quereres. Mas, espera, quanto tempo é que
[35:25] isso foi? Isto foi desde as 4 da tarde até
[35:27] às 10 da noite. Ah, não foi tipo.
[35:29] Ah, está bem? Se for um quarto de hora, Ah,
[35:31] está bem, está bem. Mas isso eu também.
[35:33] Calma, eu também. Pensava que lhe espetavas logo
[35:35] na vacinada. Achas?
[35:36] Claro que não. Coitadinhos.
[35:38] Eu sou muito boa com eles. Eles gostam.
[35:40] Os meus filhos gostam muito de mim.
[35:41] Um dia para os eu não levo. Não, eu vi, eu vi.
[35:45] Eles gostam muito de ti e ao mesmo tempo são muito
[35:47] independentes. Portanto, acho whatever works é
[35:51] um bocadinho. Isso não.
[35:52] E sou muito independente, mais velho na faculdade, ótimas
[35:54] notas, porreiríssimo e gostam muito de mim.
[35:57] Andam sempre muito à minha volta.
[35:58] Estás a ver? Sou muito pintainhos porque eu
[36:00] sou muito bem galinha também, a mãezona.
[36:02] Está presente? Tem Oo primeiro, portanto, são 2
[36:06] pais, não é? O primeiro pai vive no Brasil,
[36:08] portanto, é mais ausente. E o segundo pai, sim, é muito
[36:11] presente. É muito presente.
[36:12] Muita gente, EE é bom e nós somos amigos.
[36:14] E é pai. É pai, quer dizer, é mais ou
[36:17] menos pai porque depois as decisões mais lixadas sou eu,
[36:20] não é eu sou sempre a má, é a má sou sempre eu ele é sempre o
[36:24] diversão, Alegria, não cabrona sou eu quem eles queixam sou eu
[36:28] mas está tudo bem eu já lhe expliquei eu tenho uma missão
[36:30] aliás se tu perguntares algum dia aos meus filhos não vão
[36:32] dizer eu tenho uma missão qual é e tocar te para tu teres uma boa
[36:36] vida eu só vou ser a tua primeira parede eu eu vou ser o
[36:39] teu primeiro amor mas também vou ser a tua primeira
[36:41] contrariedade. Porque senão eu já vi isto de
[36:43] pessoas que não têm contrariedades e não são
[36:46] educadas e vão para o mundo e o mundo ingóli as porque o mundo é
[36:51] cruel, é mau e não gosta da tua filha.
[36:54] Como tu gostas está se a cagar, se ela chora à porta da escola,
[36:59] ninguém quer saber, certo? Portanto, se ela aprender, tipo,
[37:02] levanta o cu, porque ninguém vai olhar para ti, levanta o cu, vá,
[37:05] vá, vá adiante. Há uma, há um.
[37:07] Aprender AA relativizar os problemas e não ficar apaixonada
[37:11] por si mesmo, assim pela sua própria.
[37:13] E pelo só, pelo poder e pelo só, pelo seu próprio poder.
[37:16] Sabes? Porque é que AA história de de
[37:17] de de pronto, Freud explica a história do controlo anal, não
[37:21] é? As crianças controlam o mundo
[37:23] quando os. Pais.
[37:25] Percebem? Exato.
[37:26] Controlar o esfíncter e o e o é o resto da vida.
[37:29] Elas controlam te controlando a tua emoção.
[37:31] E tu sabes que é que tu vives em função delas?
[37:34] Não tem como. Percebes, não tem como não viver
[37:36] em função delas. Eu vivo em função dos meus
[37:38] filhos, não tem como e portanto, mas há uma coisa que eu sei que
[37:41] é, se eu não estou, eles têm que estar bem, eles não podem estar
[37:44] a chorar. Eu, Oh, minha mãe, estou tudo.
[37:46] Só digo não porque isso é pior para mim e para eles.
[37:51] Eu tenho que educar para o mundo.
[37:54] Certo para a crueldade, para a maldade e para a bondade e para
[37:56] o amor também. Mas há pessoas que vão ao
[37:58] extremo de o mundo é tão mau que mais vale levares agora.
[38:02] Merda e vou tratar te mal e não sei quê que é para depois,
[38:05] claro. Que.
[38:06] Não que. Horror, isso é horrível, não?
[38:08] Vou te bater agora, porque assim, quando levares uma sova,
[38:10] quando fores mais, já sabes defender.
[38:12] Não, não é nada disso. E eu, como é óbvio, não dou
[38:15] sovas, é só assim. Como é que dizem?
[38:18] Alguém era sacudir o pó, é, é fazer assim, tchaca às vezes nem
[38:22] olho, faço só assim. Pá.
[38:24] Eu tenho uma amiga que diz, eu até bateria no meu filho, mas
[38:27] ele já tem mais força que eu. Não, isso é o problema do mais
[38:30] velho. O mais velho já, por exemplo, é,
[38:31] mas é tão engraçado os rapazes e as raparigas.
[38:33] A minha filha praticamente se levou 2 palmadas na vida.
[38:36] Foi uma sorte. Pá, não, nada, que é uma
[38:39] espertalhona, porque olha, pá, manipula, me como quer.
[38:42] É rata? Rata, tenho tudo o que quero e
[38:45] tudo o que o mais velho ainda levou.
[38:48] Talvez umas palmadas. O mais novo também muito pouco.
[38:51] Também é muito pouco hoje em dia, o mais velho já é grande,
[38:53] tem mais força do que eu, como é óbvio, realmente tem 19 anos, é
[38:56] enorme, o mais, o mais novo também menos.
[38:58] Mas isto é por outra razão, porque Como Ele É o mais novo e
[39:00] é o bebé, é um matulão gigante, é um bebé, nós todos o tratamos
[39:06] um bocadinho com ainda com. Com.
[39:09] Violência o bebé bebé e lá vem o gajo calça 36 e ninguém o
[39:13] consegue levar ao colo porque ele pesa 40 kg.
[39:14] Portanto, quem é que leva um bebé de 40 kg ao colo dele?
[39:17] Hum, lá vem ele. E, portanto, esse nós temos mais
[39:20] paciência. Mas isso também tem a ver depois
[39:22] com isto em carreira, não é? Tu só tens uma, é, é, é.
[39:25] É uma experiência completamente diferente do que teres ali 3 e
[39:28] está tudo em fila Indiana, certo?
[39:30] Então, mas só para terminar retomando aqui uma coisa que
[39:34] depois acabamos por não falar. E eu percebo que tu investigas
[39:37] muito e falas muito com as tuas amigas, ou seja, estás sempre a
[39:41] absorver coisas. Identifico me com isso contigo,
[39:44] nisso que como comediante está a trabalhar.
[39:47] Estou sempre a olhar para tudo, sempre a escrever.
[39:49] Isto é o quê? Isto posso usar para isto, não
[39:51] sei quê, mas tu tu escreves imenso, tu passas muito tempo a
[39:55] escrever novelas, filmes, livros, quando é que tu vives?
[40:00] Isso é uma ótima questão. Eu agora estou estou exatamente
[40:02] a pensar nisso, porque eu tive um ano muito intenso, muito
[40:05] difícil, difícil no sentido profissional, porque foi muito
[40:08] desafiante, mas foi ótimo, correu super bem, mas foi muito
[40:10] desafiante. E a certa altura eu estava a
[40:12] trabalhar, tipo, todos os dias, todo o dia estás a ver.
[40:15] E aquilo estava me era 11. Há um estalo de ficção horroroso
[40:19] e houve muita coisa que ficou e, portanto, emerge disto.
[40:23] EE tu tens que tentar conciliar, é um pronto, é uma aprendizagem,
[40:26] tu tens que tentar conciliar este drive imenso e esta fura
[40:30] imensa estás a ver com essa parte da tua vida, até porque há
[40:36] uma razão, há uma, há uma, há uma consequência aqui, quanto
[40:39] maior, quanto melhor é a tua ficção, ou seja, quanto mais
[40:42] impacto tem a tua ficção em ti e no nesse sentido é melhor, menos
[40:45] tem a tua vida. Ah, porque é como se estivesse
[40:48] AAAA suprir algumas necessidades tuas através da ficção que que
[40:53] estás a criar de dopamina, seguramente.
[40:56] Que dopamina, seguramente e depois sais daqui e onde estás a
[40:59] inventar histórias maravilhosas para pessoas maravilhosas e vais
[41:02] fazer sopa maravilhosas e vais fazer sopa, ó mãe, dói me o rabo
[41:08] e eu e não sei quê e o outro fez não sei quê.
[41:10] E é como se fosse um vício. Então tu queres voltar para a
[41:12] história? É logo do caraças.
[41:14] Sim, que graça. No outro dia, não sei se foi
[41:19] através do extremamente desagradável da Joana Marques ou
[41:21] se ouvi efetivamente o podcast em que entrevistar o guionista
[41:24] do Bruno Aleixo, o João Moreira, certo?
[41:26] E perguntaram lhe como é que é escrever algo todos os dias,
[41:29] como é que é ser argumentista de um boneco há tantos anos?
[41:31] Ele disse, pá, é um trabalho, sabes?
[41:34] Então sentiu se ali um bocadinho, uma cena de como se
[41:37] estivesse na função pública do género, onde vocês veem
[41:40] encantamento, eu vejo trabalho. Também.
[41:44] Também, claro, mas tu tens por ser ficção e por seres tão
[41:48] mudada. Sim, e é, é muito encantamento.
[41:51] Tu vives aí, é também? Tu vives aí?
[41:53] E é trabalho. Atenção, aquela coisa do Ah,
[41:56] hoje não consigo escrever nunca. Em tempo, há alguns.
[41:59] Sabe daquele bloqueio? Pá, OK, isso é tanga, tu sentas
[42:02] te aí escreves, podes ficar melhor, podes ficar pior, podes
[42:04] ficar mais, podes ficar menos. Mas tipo, senta te e escreve,
[42:07] trabalha, mas editas trabalha, trabalha.
[42:09] Portanto, há aquele lado marceneiro.
[42:11] Não é? Estamos a fazer.
[42:12] Fomos ao laruá Merlin e de facto comprámos as ferramentas e
[42:16] depois há o lado em que não é só marceneiro, porque o marceneiro
[42:21] faz e faz, faz, faz produtos, materiais, cria matéria e não
[42:26] cria matéria. Tu não fazes nada real e é
[42:36] impossível tu não fazendo nada real.
[42:39] Estares AA criar vidas e pessoas muito melhores do que a tua,
[42:44] como é óbvio. Imagina tu estares a tentar
[42:46] contar a tua história que seca a tua vida é aborrecida OA rotina,
[42:51] o dia a dia é son Boring. Estás a ver, não?
[42:54] Ontem o Aron sorkin vi uma entrevista dele muito, muito
[42:56] boa. Eu gosto muito do Aron sorkin, o
[42:58] argumentista e o gajo dizia, as pessoas e as personagens são
[43:01] parecidas, mas não têm nada a ver.
[43:04] Porque eu, quando eu crio uma personagem, eu estou a criar 111
[43:07] simulacro, um Avatar de uma pessoa com uma rapidez, com uma
[43:11] dinâmica, com os diálogos. Ele, ele gosta muito de
[43:13] diálogos, ele trabalha muito de diálogos, ninguém fala assim,
[43:16] ninguém tem aquela rapidez, ninguém, nada, aquilo é fake.
[43:19] E depois o entrevistador foi engraçado e disse, pois e
[43:23] Shakespeare? Ele disse, pior ainda em
[43:24] Shakespeare, porque essas pessoas rimam e tu na tua vida,
[43:27] não rimas, ninguém ri, portanto, pá qualquer pensas nisso e que
[43:31] são acontecimentos épicos. Romanciados, ainda por cima
[43:35] aumentados, levados ao limite. Muito parecido com a comédia
[43:39] pronto, não, não é por acaso que ambos têm ali escrita persona,
[43:44] personagem. Exato, eu, eu, eu pedia na boa,
[43:46] fazer comédia, se se tivesse alguma graça, mas não tenho,
[43:48] portanto, não faço, mas pedia na boas.
[43:51] Quer dizer, tenho, mas não tenho.
[43:52] Não sei escrever comédia, sou engraçada porque é divertido,
[43:56] mas não sei escrever comédia. Sou bablin, sou muito bablin,
[43:59] mas depois tenho uma cena com o desconforto.
[44:03] Da comédia Ah, tu falaste? Eu falei, eu estava a ver o cona
[44:06] nobrian estava a ver o conabrian pelo mundo, pá.
[44:09] E o conabrian diz umas coisas às pessoas.
[44:11] Eu morro. Por eu morro, mas eu morro, eu
[44:14] fico assim. Como é que ele disse isto?
[44:16] Porque ainda por cima não sou nada disso.
[44:17] Estás a ver. Eu depois.
[44:18] Sou muito agradável, é muito conciliadora.
[44:21] Eu morro a ouvir o Conan ao Brian a gozar com aquela gente e
[44:24] os gajos a rirem se, ou seja. Mas ele pode, estás a ver,
[44:28] porque ele pode. Aquela personagem lá está,
[44:31] aquele próprio criou. Consegue compensar o desagrado
[44:36] com o desajeitado que ele é, sabes?
[44:39] Ninguém o vê como? Figura, não é?
[44:40] Ninguém o vê como nada porque é um homem franzino.
[44:44] Sim, com as pernas grandes. Exato, aquele troncozinho assim
[44:47] ruivo? Meio pálido Na Na.
[44:50] Na não e não, EE não se leva muito a Sério.
[44:51] Estás a ver. Acho que a.
[44:52] Pessoa ganhou agora o prémio Mark Twain.
[44:55] Finalmente, finalmente bastantes anos de carreira lá foi
[45:00] reconhecido e aquilo foi muito importante não só para ele, mas
[45:02] para todos nós. Prevermos que um comediante de
[45:05] nicho também de nicho. É pá, é, é.
[45:09] Quem é que não é de nicho? É pá, não te consigo.
[45:13] Olha o, por exemplo. Não estou a brincar.
[45:15] O gervaze não é de nicho, não OCK, são já são nichos muito
[45:20] grandes. Percebes eu o sinefeld, não é,
[45:23] não é de nicho. São pessoas mais consensuais que
[45:27] se te disserem 55 comediantes que estão no top ou qualquer
[45:32] coisa, surgem praticamente sempre.
[45:34] Mas o Conan era um bocadinho mais underground, até pelo
[45:37] conteúdo que ele fazia. No late Night show, ele tinha
[45:41] durante 10 minutos, 10 minutos. Não parecem 10 minutos porque é
[45:44] televisão, mas vá 2 minutos ou 31 urso a masturbar.
[45:48] Se tinha, tinha pá. E isto só dá só dá para brincar
[45:53] quando não estás em horário nobre, não é quando isto?
[45:56] Só dá para brincar. Era assim em Portugal.
[45:58] Seria, obviamente, seria escandaloso.
[46:00] Ainda não conseguias, não tens, não tens escala para tanta
[46:03] diversidade. Exato, não tens público para
[46:06] tanta diversidade. Uns poucos EE agora, e os
[46:08] podcasts e não sei quê? Isso é o que é o que safa agora.
[46:11] Isso é o que safa agora. Isso é o que safa agora.
[46:13] Porque No No mainstream, mas o que fala é que eu vou continuar
[46:16] com isto de entrevistar pessoas e eventualmente vou dar a volta
[46:20] e eu quero saber mais sobre ti, mais sobre AA tua cabeça e.
[46:24] Assim, e se eu fui ao ao ao Leroy Merlin, ao meio-dia, ver
[46:27] como é que era, se havia lá o José Carlos?
[46:30] Isso é um cruzing que de tias. É pá.
[46:34] A minha excitação ouvir aquilo. A minha excitação ouvir aquilo.
[46:38] Tipo os McDonald's, onde há pessoas homossexuais que vão
[46:43] fazer cruzing no? McDonald's, eu sabia isso na
[46:46] estação do do bombarral. Sabias na estação de camionistas
[46:51] do bombarral. A estação de de de camionistas
[46:55] do bombarral, aquela aquela casa de banho e aquilo era um berço
[46:58] de habias. Meu Deus, as?
[47:00] Coisas, as coisas que uma pessoa sabe.
[47:03] Informação completamente inútil e desnecessária, mas isso
[47:07] compõe. Estás a ver isso?
[47:08] Compõe e para mim também. Por acaso é por acaso.
[47:10] É útil? E eu gosto.
[47:11] Estás a ver. É, é mesmo, é, é eu só ficar
[47:15] assim. Estás a ver.
[47:17] Olha. Patrícia, alguma coisa que que
[47:20] vá estrear em breve e que queiras o arquiteto.
[47:24] O arquiteto vais estrear em breve.
[47:26] Acho que é em setembro. Setembro ou é?
[47:28] Mas acho que sim. E o meu próximo livro, que
[47:30] infelizmente já não se vai chamar fuck boy, porque me me me
[47:34] castraram. Fiquei triste, mas que pá.
[47:37] Espero publicar em breve. Qual é o nome, qual é que vai
[47:39] ser o nome? Não sei.
[47:41] Olha, se tiveres alguma ideia, manda me porque fuck boy é é o
[47:46] pronto, é o é a piloca amiga. E eu disse, não, não é piloca,
[47:49] amiga. Que chatice é que fuck.
[47:51] Boy, é mesmo o que é? É que é mesmo o que é, só que as
[47:54] pessoas podem achar que é a faculdade.
[47:56] Sim, o Giga Law é bom, mas é que isto é muito, o livro é muito
[47:59] intenso. O livro não é uma comédia nem é
[48:01] piada. São 3 mulheres super afetadas
[48:04] por este homem. E como é que ele, como é que é
[48:06] que ele entrou na vida delas? É muito intenso, é um é um faz
[48:09] romance. Na tua editora, tu és uma
[48:11] artista, uma renomada, mas não pode ser assim.
[48:16] Uma coisa é dizerem me a mim e a dizer migas, pronto, é obrigada.
[48:20] Não é iá exato. És tu acabou.
[48:22] É fuck boy e acabou. As pessoas não percebem não.
[48:24] Mas, mas tenho medo que as pessoas não, não, não alinhem
[48:27] depois no livro, porque achem que o título não está de acordo
[48:31] com o com o conteúdo percebes, mas.
[48:32] Acho que alguém tens. Não sei.
[48:34] Ah, tu julgas muito o livro pela capa julgas.
[48:37] Julgas, mas fuck boy até é mais atraente, olha.
[48:39] A coisa depois as pessoas acham que é uma cena tipo meia pop e
[48:42] depois chegam lá e aquela merda é um arraso emocional.
[48:46] Pá. Quem vá ler também são pessoas
[48:47] que têm alguma. Não sei.
[48:49] Pronto, eu acho que. Não, o livro é fixe.
[48:50] O livro está fixe. Ele está fuck boy, então está
[48:53] bem? Vamos a.
[48:53] Isso pronto? Então fica assim, beijinhos.
[48:57] Até logo, meu amor, obrigada. Obrigada.
[48:59] E eu que na altura, infelizmente, as mulheres é que
[49:05] eram vítimas depois de julgamento e de condenação,
[49:08] porque eram umas porcas e umas badalhocas, e eu senti isso na
[49:11] pele porque fui vítima de reven sporn.
[49:14] Tive relembrado na internet que espalhou fotografias.
[49:17] Fotografias, não que nós fazíamos aquilo pelo agora
[49:20] facetime na altura era netmeeting e o gajo espalhou
[49:23] fotografias minhas de 13 anos a masturbar me e fui para várias
[49:28] escolas. Espalharam isso por várias
[49:30] escolas e imprimiram, se só para Veres o quão velho eu sou e eu é
[49:34] que sofri tudo, percebes eu é que é pá, imagina teres?
[49:40] AAAA. Olhe, não sei se superei, não é,
[49:44] mas arranjei aqui estratégias, se calhar.
[49:46] Acontece que. Sou, claro, faço terapia há
[49:49] anos, há anos, e acho que ainda tenho uma dissociação muito
[49:52] grande do meu corpo. Ainda não abracei muito o meu
[49:55] lado feminino porque eu considero mais vulnerável.
[49:58] Percebes já aqui várias questões interessantes, mas sobre a
[50:03] abordagem que vais dar essa questão que já deste já está
[50:05] escrito, não é? Já está, já está.
[50:07] E já está filmado e produzido, estava em produção há uns
[50:11] tempos. Estava exato.
[50:12] Eu não posso falar muito sobre isto ainda não, OK?
[50:15] Ainda não, não posso falar muito, fuckboy repara.
[50:18] É isso, fuck boy, é isso. É alguém que de alguma maneira
[50:22] consegue. Através do sexo ou da emoção ou
[50:25] poder é tudo, não é as eu não sei.
[50:27] Eu acho que é uma coisa completamente cultural.
[50:29] EE, é isso que nós estamos a mudar, que é explicar às
[50:32] mulheres, tentar perceber aquele fascínio por homens poderosos
[50:36] estás a ver. É uma cena completamente
[50:38] cultural, que vem e vem e vem. Não existe tanto fascínio por
[50:41] mulheres poderosas, mas por homens poderosos, existe.
[50:44] E, portanto. Não ser por acaso, na comunidade
[50:46] lésbica, eu acho que existe grande fascínio de das mulheres
[50:49] por por mulheres também poderosas.
[50:51] Acho que existe assim determinados grupos em que,
[50:54] porque acho que muitas de nós, ou se calhar todas em medidas
[50:57] diferentes, procuramos segurança e de certa forma, o poder parece
[51:00] dar segurança de alguma forma. Claro, e está, por exemplo, está
[51:05] provado que as que os famosos e que são bonitos e têm bons
[51:09] dentes e são simétricos. À partida granjeiam mais
[51:13] simpatia e confiança das pessoas.
[51:15] Porque não têm um ar doente, porque?
[51:18] Porque é, é, é exatamente isso, porque têm, têm porque confiam.
[51:21] As pessoas confiam nos famosos como se isso fosse, como quer
[51:25] dizer, como se isso fosse uma relação natural.
[51:27] Mas não é, é só estranha, é só absolutamente estranha.
[51:30] E isto, mais uma vez, são a história de 2 mulheres metidas
[51:35] aqui ao barulho, certo? Isto são a história de 2
[51:38] mulheres. E apenas aproveitar um facto que
[51:41] foi completamente público. Tu se quiseres, vais ao youporn
[51:43] e ao exporn. Está lá, está lá, acredita?
[51:48] Passou uma tarde inteira a ver aquilo.
[51:50] Está lá também. Não há assim tanto para.
[51:51] Ver há muito para ver. Há muito.
[51:53] E depois interessa os filmes que fizeram a seguir.
[51:57] O arquiteto quebra bilhas. AI, não estou a par.
[52:02] Nunca vi. Nunca, viste?
[52:03] O arquiteto quebra bilha. Não, a parte da bilha nunca me
[52:06] entusiasma muito. É um filme, é um filme clássico
[52:13] do porno. Português, AI, não estou a par.
[52:16] Vou te mandar depois o arquiteto que é Maravilhas.
[52:18] AI, que maravilha. Pronto.
[52:20] Então como é que se segue de bilhas?
[52:27] Vamos fazer aqui uma passagem completamente quebrabilhas
[52:31] histórica de arquiteto que ébrabilhas para Leroy Merlin.
[52:34] Ah. Ah, são só os arquitetos que
[52:38] andam aí a quebrar, vilhas a torto e A direita.
[52:40] Mas sabes o que é? Sabes o que é que tu tens que
[52:41] perceber? Eu às vezes ouço estas
[52:44] histórias, mas eu acho que. Se calhar não é de roar, Merlin.
[52:46] Atenção, nós é, é. Roar Merlin é literalmente roar
[52:50] Merlin. A história começa no não, mas
[52:52] uma coisa tu tens que perceber é, eu ouço estas histórias.
[52:55] Como por exemplo, ouço outro tipo de histórias.
[52:57] Olha, a semana passada estive a almoçar com um juiz incrível com
[53:01] quem espero vir a trabalhar, um homem maravilhoso que apanhou o
[53:04] padre Frederico na madeira. EE tu tens que perceber que a
[53:07] minha reação corporal a qualquer uma destas histórias é é começar
[53:12] a transpirar o coração, começar AA bater.
[53:14] E eu tenho uma subida de adrenalina.
[53:17] É tipo como se fosse a coisa que eu mais gosto de fazer no mundo.
[53:20] Imagina a coisa que tu mais gostas de fazer?
[53:22] Eu é ouvir isto, qualquer que ela seja desde o padre
[53:26] Frederico. À história de sei lá, de um gajo
[53:29] das FP S25, que eu ainda quero trabalhar, que vamos fazer, ou
[53:32] Leroy Merlin, em que eu estava assim, a tremer de de excitação.
[53:37] Conta, por favor? Leroy Merlin, isto para as
[53:39] pessoas saberem, isto é uma coisa, isto é uma coisa, e as
[53:42] pessoas têm que saber que podem fazer.
[53:43] Esta coisa assadas pela Leroy. Não sei.
[53:46] Isto é um mito urbano. Pode ser ou pode não ser.
[53:49] Isto pode levar mais pessoas ao. Leroy olha para comprarem cenas.
[53:53] Sabias que o Leroy é da da Daniela?
[53:56] Quem é a Daniela? Daniela, que merda, sim.
[54:04] Em americano, seria? O então hoje estavas muito bem
[54:10] foste ao Leroy Merlin. Não fui, não fui.
[54:12] Isto é, foi uma amiga que me contou, ou seja, EEO, que é que
[54:16] eu, eu, eu não quero ir ao Leroy Merlin ver isto.
[54:20] Eu quero que a minha amiga me esteja a contar isto.
[54:24] Portanto, essa é a minha cabeça. Eu não quero ir para o lajoã à
[54:26] Merlin ver cenas, eu quero que me contem as cenas para eu,
[54:31] certo? Certo?
[54:32] Então, amanhã as pessoas já sabem, se dirigiram ao lajoã, à
[54:36] Merlin le Roy Merlin. Por volta desta hora, uma edita
[54:39] aluma, o que é que vai acontecer?
[54:42] Estão lá pessoas das obras, portanto, funcionários de
[54:47] construção, sim, chamemos e mais quem, senhoras carentes.
[54:54] Carentes. Maduras na zona.
[54:57] Maduras louras já sou a minha cabeça que interpelam os os, os,
[55:05] os, os empregados das obras, portanto, os os senhores que
[55:08] estão lá à procura de material. As trolhas sim, eu digo, e está
[55:13] assim, com merda. Eu estou aqui mesmo, aqui à
[55:15] volta, interpelam as trolhas e acabam por irem para as
[55:20] carrinhas deles no parque de estacionamento.
[55:23] Onde são se viciadas. Viciadas em.
[55:28] Se viciadas. Pá aí está tanto trocadilho com
[55:32] tinta, com balde com. Pincel com martelos era o resto
[55:38] do dia, era o resto do dia, mas pronto.
[55:40] Portanto, já sabem quem quiser, quem precisar, às vezes é o que
[55:44] ele precisa. Mas do Ananás, no mercadona.
[55:46] Exato. Esta é a coisa a seguir.
[55:49] Vou à Merlin. Vão à procura de coiso?
[55:52] AI e tal, pode me ajudar aqui? Não sei qual é a Lixa que eu
[55:54] devia levar o dona, o dona não sei quê ele chama dona o dona
[55:59] levo aqui esta Lixa. Ah, mas podia me ajudar a levar
[56:01] isto para o carro? Isto já sou eu na caixa.
[56:03] Sim, sim, sim, sim, isto é. Pesado?
[56:05] Ah, mas são só 3 parafusos, mas é.
[56:06] Pesado, como é que diz isto é pesado?
[56:09] Exato, ele com um saquinho, ou assim de ele com um saquinho de
[56:13] nada, isto é pesado. E depois chegam lá abaixo.
[56:16] Ah, dona, eu tenho ali na minha carrinha, posso lhe mostrar como
[56:19] é que isto funciona? Jorge Sousa, Ah, sou simpática,
[56:24] então pumba, carrinha. E sabes o que é que eu acho?
[56:27] Eu acho que anda para aí, tio, também a disfarçar se de trolha
[56:32] para no fundo estar a comer tias numa numa camionete.
[56:35] Eu não quero comer uma tia. O tio quer comer quem?
[56:38] Quer comer casas das camionetes? É, mas isto é a Sério.
[56:42] É que eu não estou a par dessa, eu não sou 2.
[56:44] Ah, pronto, disfarça se trolha e.
[56:48] Vai às camionetes, Ah, pá fenomenal.
[56:51] Isto vai servir de inspiração para alguma coisa, porque isto
[56:53] são. As é pá.
[56:54] Isto tem que entrar. Isto tem que entrar em.
[56:55] Alguma tu devias fazer um livro? Não é bem fatias.
[56:58] Isto são mulheres. Olha, há um eu agora, por causa
[57:01] de outro projeto, estive a rever.
[57:03] Agora vamos passar para um nível de alta cultura que tu vais
[57:06] ficar parva. É isto que eu estou a rever, o
[57:08] bonho el, o label do jorre. OK, estou a fingir que sim.
[57:14] Não conheces esse filme não. Pronto, esse filme é a caterine.
[57:16] The 9 é muito antigo, esse filme é a caterine the 9, que tem uma
[57:19] vida incrível casada com um médico, ela é linda de morrer,
[57:22] nova esperta, high class e que está aborrecida e que está super
[57:28] aborrecida. E então o que é que ela faz?
[57:31] Torna se puta e bem, torna se puta, mas nem recebe nem recebe
[57:36] a cena não é essa. Só que o que é mais engraçado é
[57:39] que ela não se torna qualquer puta, ela é uma gaja e o bunhol
[57:42] tem uma entrevista incrível a explicar isso, ela quer ser
[57:46] humilhada, ela quer ser espancada, ela quer, ela quer a
[57:51] força que o marido não lhe dá em casa e então isto, isto a
[57:55] propósito das tias e do Leroy Merlin, EEO bunhol diz uma coisa
[57:59] muito engraçada que é nós não sabemos as histórias das pessoas
[58:01] nem o que é que está lá dentro. É todo mundo, não é?
[58:03] E tu és muitas coisas e tens muitos desejos.
[58:06] E então? As tias podem ser somente uma
[58:10] Belle do jorre. Ela tabboard, está aborrecida,
[58:15] tipo, aquilo é chato? As crianças são chatas, a casa é
[58:18] chata, o marido é uma seca, estás a ver?
[58:21] Já não há, já não há. Ele é.
[58:22] Mas era o clássico jardineiro, não é?
[58:25] Era o jardineiro. Era o clássico jardineiro, mas
[58:28] este eu acho que é um fator de risco mais interessante.
[58:30] É como a Belle do jorre, porque ela depois é apanhada e aquilo é
[58:33] uma grande vergonha. Há todo ali um élã e o marido
[58:35] acaba bom, enfim, é. É uma grande cenaça aqui.
[58:38] Eu acho que as pessoas estão mais exigentes porque Oo
[58:41] jardineiro depois também se torna aborrecido porque é só o
[58:43] jardineiro, não é? Sim, é sempre o mesmo.
[58:46] Aqui, pergunto me um bocado, se nós vivemos agora 22 fases em
[58:52] simultâneo, acho eu que é. Por um lado, estamos a
[58:55] desconstruir o machismo em vários homens.
[59:00] Estão a questionar e também estão a batalhar.
[59:03] Um bocadinho com como é que é ser homem?
[59:04] O que é que é ser homem hoje em dia?
[59:06] Porque perdem um papel que que lhes era natural e que lhes lhes
[59:09] foi ensinado. E tem que questionar tudo.
[59:12] Mas, por outro lado, também estamos a ver uma ascendência do
[59:14] machismo nos mais jovens. Há haver 11 influência gigante
[59:19] nesse sentido. Também tem a ver com A direita?
[59:21] Não é? Com algum papel político da
[59:23] direita, sim. Às vezes eu pergunto me se
[59:27] determinadas mulheres não estão à procura de um determinado
[59:30] estereótipo de masculinidade. Também já só encontram fora de
[59:34] casa percebes. Se calhar, também querem um
[59:36] trolha que é para é um homem a Sério, é um homem que constrói,
[59:40] é um homem que pinta, é um. Homem que trabalha com as mãos.
[59:44] Trabalha com as mãos que tem o escritório que que cheira a cu
[59:48] eh pá. Desculpem todos os trolhas que
[59:50] possam estar a ouvir. Exato, pode haver trolhas
[59:53] incríveis e que nós vemos nesse tipo de mulher.
[59:55] Empunho ela seguramente à atitude neste mundo, claro,
[59:58] exato, essa ideia de masculinidade, não é?
[1:00:02] Eu acho que os homens andam um bocadinho perdidos e nós também,
[1:00:05] sabes, nós andamos um bocadinho perdidas no nosso papel e no
[1:00:08] deles. Eu pelo menos acho que temos de
[1:00:10] uma transição do caraças, sabes, nós vimos de de de uma geração
[1:00:14] das nossas mães, mas mais das nossas avós, que não foi assim
[1:00:17] há tanto tempo. Estás a ver quando as mulheres
[1:00:19] ficavam em casa sem trabalhar, certo?
[1:00:21] Hoje em dia, não só trabalham como toma conta das crianças,
[1:00:23] como provavelmente sustentam os gajos.
[1:00:25] Estás a versão as melhores Na Na escola estão a atingir cargos de
[1:00:29] topo, incríveis. Hoje em dia tu vais, por
[1:00:31] exemplo, ver nos, no, no, nos tribunais.
[1:00:32] A maior parte delas são juízas, engenheiras, arquitetas, tudo,
[1:00:36] tudo, tudo, tudo, nós estamos a tomar conta, certo?
[1:00:39] E é pá por uma, por um drive incrível que as mulheres têm e
[1:00:42] isso é verdade. E porque se calhar era como o
[1:00:45] Spy. Cleaning.
[1:00:46] Exato, exatamente, exatamente, exatamente.
[1:00:51] Portanto, nós estamos a subir. Só que isto custa nos horrores.
[1:00:54] A nós e a eles, a minha, porque, espera, eu estou a falar de uma
[1:00:58] determinada classe masculina que tem consciência.
[1:01:03] Disto e que. Mudar?
[1:01:04] Claro que não podemos generalizar nem para o mal, nem
[1:01:07] para o bem, mas eu sinto que. Também podemos, e eu não, não
[1:01:11] estudei sobre isto, mas podemos estar a cair num exagero, se
[1:01:14] calhar, de homogeneização de papéis sem ligar ao género, que
[1:01:17] também nos faz estar um bocadinho mais perdidos.
[1:01:19] É uma boa questão, não consigo dizer te sobre.
[1:01:22] Isso, pois também não. Mas eu pergunto me sobre isso.
[1:01:24] Eu também. Pergunto muito sobre isso, que
[1:01:26] é, será que todas temos que ser CEOSA?
[1:01:29] Certa altura, já estamos nessa versão, não é?
[1:01:31] Onde é que tu própria te inscreves?
[1:01:33] E uma aversão também é um papel, mais que por acaso foi mais
[1:01:38] conservador. Mas que poderá também estar
[1:01:40] aqui, um bocado ligado à biologia percebes, eu reconheço.
[1:01:43] É pá, os, os, os, eu, eu estive. Agora, olha, neste próximo livro
[1:01:46] do fuck boy, eu estive a fazer uma grande pesquisa sobre os
[1:01:48] caçadores coletores e a questão das relações entre homens e
[1:01:51] mulheres. Nas tribos de caçadores
[1:01:53] coletores não havia hierarquias, homens e mulheres eram iguais,
[1:01:57] mas havia sim, papéis completamente diferentes.
[1:02:01] Os homens iam caçar e as mulheres eram as coletoras e
[1:02:05] tratavam das crianças. Isso é verdade, e isso.
[1:02:09] Muda. Claro que te repara.
[1:02:10] Também há tribos onde as mulheres iam caçar?
[1:02:12] Eu não digo que não, mas na maioria era assim que
[1:02:16] funcionava. Até pela força do corpo, não é?
[1:02:19] De e porque nós temos as crianças.
[1:02:21] O que é que tu vais fazer? Tens as crianças e depois, a
[1:02:22] seguir, vais matar um búfalo. É possível.
[1:02:25] Matas a criança e colhes o búfalo.
[1:02:27] É pá matas, a criança sabes. Sei tu tens quantos filhos, 33
[1:02:33] tens que parar? Não, já, já estou velha também,
[1:02:36] agora alguma vez? A outra já está aberta, já
[1:02:39] nasces, a outra já quer lá saber disso?
[1:02:41] Não, mas, mas, mas. Essa coisa da maternidade é uma
[1:02:45] cena muito complexa no sentido até da atribuição dos próprios
[1:02:48] papéis sociais. Não que os homens não possam
[1:02:50] educar as crianças, não é isso, mas é todo nós temos sempre
[1:02:54] aquela. Eu acho que nós temos sempre
[1:02:56] aquela vontade de de de de educar as crianças, as mulheres
[1:02:59] têm. Já que as têm de acompanhar uma
[1:03:03] mãe que. Deixa um filho, mas se tudo
[1:03:05] correr bem, se. Tudo correr bem?
[1:03:07] Exato. Uma mãe que deixa um filho não é
[1:03:09] um não. É uma mãe que vai ficar bem, não
[1:03:11] vai ficar bem na cabeça, não. Vai, nem esteja bem que nem.
[1:03:13] Esteja. Não vai.
[1:03:14] Não vai. Esteja OK.
[1:03:15] Um pai que deixa um filho? Não sei se é a mesma coisa,
[1:03:19] também admito que possa estar assim muito, muito usada.
[1:03:23] Nestas coisas estamos a especular, se calhar uma má
[1:03:25] imagem, e depois vão pensar que as feministas não.
[1:03:28] Nós até acho que até estamos a dar aqui 11 perspetiva bastante
[1:03:32] equilibrada. Por exemplo, uma das coisas que
[1:03:34] eu estudei quando eu fui mãe, há 11 anos, foi que os homens estão
[1:03:37] equipados biologicamente para o cérebro.
[1:03:39] Se adaptaram a um papel mais presente, desde que tenha uma
[1:03:42] ligação próxima com a criança desde o início.
[1:03:45] Ou seja, esse papel do pai mais ausente e que se desliga,
[1:03:49] acontece muitas das vezes porque não tem capacidade para o fazer,
[1:03:52] porque a vida não deixa, porque está nesse papel mais provider e
[1:03:56] está mais fora. Ou até às vezes, como foi no meu
[1:03:58] caso, eu comi por completo todas as responsabilidades da Irene.
[1:04:04] Foi eu deixa estar que eu faço, não deixa.
[1:04:06] Eu é que sei fazer, sabes um bocado assim, há tudo um.
[1:04:08] Bocado assim. Sabes, então, acho.
[1:04:09] Que é o problema da da grande mãe Latina.
[1:04:12] Que tal? E a Espanha?
[1:04:13] Portugal, a mama, não é? A grande mãe, a grande patroa
[1:04:17] matriar e nós e nós incorporámos muito isso, nós temos muito isso
[1:04:21] na nossa, na nossa cultura. Os nórdicos não têm a maneira de
[1:04:25] educar, é completamente diferente, nós não, nós é a
[1:04:28] grande mãe, portanto, nós sentimos a obrigação de sermos a
[1:04:31] grande mãe como se as crianças fossem morrer, se nós não
[1:04:34] fossemos as grandes mães, não é? AI não, eu estou em cima e hoje
[1:04:38] em dia ainda está pior, porque além da grande mãe, tu agora
[1:04:41] tens a culpa de trabalhar. Portanto, ainda estás mais em
[1:04:44] cima das crianças a culpa. De trabalhar e a culpa de não
[1:04:47] ser a mãe perfeita, porque cada vez mais há a difusão de outros
[1:04:51] métodos. De eh pá, eu odeio essas merdas,
[1:04:53] eu odeio qualidade positiva. Uh, até me vomito eh pá.
[1:04:58] Eu sou muito menos anos 80. Eu sou muito menos anos 80,
[1:05:01] sabes que isso? E gritei é pá e apanhem a
[1:05:04] porrada volta e meia AI não posso dizer isso AI, meu Deus,
[1:05:07] cancelem me. Já sabes o que é que o van Dinho
[1:05:10] diz o quê foi? É cancelem me, já que eu preciso
[1:05:13] de férias. Exato, exato.
[1:05:15] E pular, que ainda é pá. Sim, volta e meia obviamente não
[1:05:18] dou só, mas porque até nem tenho força, já, já, já não é pá,
[1:05:22] porque só fazer uma chatice. Depois ficam todos marcados e
[1:05:24] depois gritam ainda mais. Tipo, não podem ligar para o 112
[1:05:27] e dão o nome deles. É uma chatice, não dá.
[1:05:30] Agora, uma palmadona assim, tipo, só para assustar, tipo,
[1:05:34] Ah, o que é que eu devo fazer? Nada, nada.
[1:05:36] Extremamente contra, mas já conheci crianças que eu e que
[1:05:43] são o resultado das mães e todos os outros fatores que eu pensei
[1:05:47] crianças? Horrorosas, eu não suporto
[1:05:49] crianças ou eu não suporto pá. Eu levo logo levanto me da mão.
[1:05:56] Eu não suporto crianças horrorosas.
[1:05:59] Crianças que fazem birras, crianças que estão sempre que
[1:06:04] maçada é pá, tu sabes. Antigamente eu depois também
[1:06:08] estudei um bocado sobre isto também para me limpar da culpa,
[1:06:11] não é? Foi a carta dos o século 20, é o
[1:06:14] século da solidariedade. É um fala que fez isso e foi um
[1:06:17] bocado para para para limpar as atrocidades que nós cometemos
[1:06:20] contra as crianças a vida toda OOA história da humanidade que
[1:06:22] nós fizemos a carta dos direitos das crianças, mas isso foi em
[1:06:25] 1900 e tal. Até lá tu trabalhavas no campo,
[1:06:29] ó filha, tu não te interessavas? A minha avó dizia isso AI, as
[1:06:32] crianças não interessavam, comiam na cozinha, não têm
[1:06:35] interesse, as crianças não sabem de nada, dizem umas merdas
[1:06:40] depois choram depois caem depois e tudo aquilo é é prepotência e
[1:06:44] é ego e é emoção. Reparem, são adoráveis e tudo
[1:06:47] aquilo é amor e está e então percebes.
[1:06:50] Mas por outro lado, as crianças não pensam em nada, as crianças
[1:06:53] não, não quero, mas porque é que não queres?
[1:06:57] Está bem? Então já quero foda se a Sério e
[1:07:00] tu estás ali 2 horas, sabes. Olha, vou te contar esta uma vez
[1:07:03] na escola, numa escola dos meus filhos, a criança não queria
[1:07:06] entrar no carro, não queria. Então os pais ficaram com a
[1:07:10] criança até às 10 da noite no parque de estacionamento da
[1:07:13] escola. Eu sou um bocado dessa pessoa,
[1:07:15] Patrícia. AI, não eu.
[1:07:17] Sou um bocado e vem. Aqui para casa vem, traz a tua
[1:07:19] filha aqui para casa, vá todos, todos os meus amigos dizem.
[1:07:21] Todos os meus amigos dizem, eu vou mandar uma filha para casa.
[1:07:23] Traz, traz, traz. Não, não.
[1:07:25] Mas sim, se calhar sim. Houve uma vez que ela não queria
[1:07:27] entrar na escola e estava a chorar aos altos berros e não
[1:07:30] sei quê, mas muita. E eu fiquei sentada ao lado dela
[1:07:33] até ela acabar de chorar. Vais lhe explicar que a escola é
[1:07:36] importante, que a mãe volta pá porque tenho aquela empatia e
[1:07:39] culpa de mãe e não, não quereres.
[1:07:41] Mas, espera, quanto tempo é que isso foi?
[1:07:42] Isto foi desde as 4 da tarde até às 10 da noite.
[1:07:44] Ah. Não foi tipo.
[1:07:46] Ah, está bem? Se for um quarto de hora, Ah,
[1:07:48] está bem, está bem. Mas isso eu também.
[1:07:49] Calma, eu também. Pensava que lhe estavas logo na
[1:07:52] vacinada. Achas?
[1:07:53] Claro que não. Coitadinhos.
[1:07:54] Eu sou muito boa com eles. Eles gostam.
[1:07:56] Os meus filhos gostam muito de mim.
[1:07:57] Um dia para as vezes não levam. Não, eu vi, eu vi.
[1:08:01] Eles gostam muito de ti e ao mesmo tempo são muito
[1:08:03] independentes, portanto. Acho.
[1:08:06] Whatever works é um bocadinho isso.
[1:08:08] Não, e sou muito independente. Eu tenho um mais velho na
[1:08:10] faculdade, ótimas notas porreiríssimo e gostam muito de
[1:08:13] mim. Andam sempre muito à minha
[1:08:14] volta. Estás a ver?
[1:08:15] Sou muito pintainhos porque eu sou muito bem galinha também.
[1:08:17] É mãezona. Mas tem um presente.
[1:08:20] Tem Oo primeiro, portanto, são 2 pais.
[1:08:23] Não é? O primeiro pai vive no Brasil,
[1:08:25] portanto é mais ausente. E o segundo pai, sim, é muito
[1:08:27] presente. É muito presente, muito
[1:08:29] presente. EE é bom e nós somos amigos.
[1:08:31] E é pai. É pai, quer dizer, é mais ou
[1:08:33] menos pai porque depois as decisões mais lixadas sou eu,
[1:08:36] não é eu sou sempre a má, é a má, sou sempre eu ele é sempre o
[1:08:40] diversão, Alegria, não cabrona sou eu quem eles queres, são,
[1:08:44] sou eu mas está tudo bem, eu já lhe expliquei, eu tenho uma
[1:08:47] missão aliás, se tu perguntares algum dia aos meus filhos, ele
[1:08:49] vão dizer, eu tenho uma missão, qual é?
[1:08:51] E tocar te para tu teres uma boa vida.
[1:08:54] E eu só vou ser a tua primeira parede, eu eu vou ser o teu
[1:08:56] primeiro amor, mas também vou ser a tua primeira contrariedade
[1:08:58] porque senão eu já vi isto de pessoas que não têm
[1:09:01] contrariedades e não são educadas e vão para o mundo e o
[1:09:04] mundo ingóli as porque o mundo é cruel, é mau e não gosta da tua
[1:09:10] filha como tu gostas está se a cagar, se ela chora à porta da
[1:09:14] escola, ninguém quer saber, certo?
[1:09:16] Portanto, se ela aprender, tipo, levanta o cu, porque ninguém vai
[1:09:19] olhar para ti, levanta o cu, vá, vá adiante.
[1:09:23] Há uma, há um. Aprender AA relativizar os
[1:09:25] problemas e não ficar apaixonada por si mesmo assim.
[1:09:28] Pela sua própria pessoa e pelo só.
[1:09:30] Pelo poder e pelo só. Pelo seu próprio poder.
[1:09:32] Sabes? Porque é que AA história de de
[1:09:34] de de pronto, Freud explica a história do controlo anal, não
[1:09:37] é? As crianças controlam o mundo
[1:09:40] quando os. Pais.
[1:09:41] Percebem? Exato.
[1:09:42] Controlar o esfíncter EOEOEO resto da vida elas controlam te
[1:09:46] controlando a tua emoção. E tu sabes que é que tu vives em
[1:09:49] função delas, não tem como. Percebes, não tem como não viver
[1:09:53] em função delas. Eu vivo em função dos meus
[1:09:54] filhos, não tem como e, portanto, mas há uma coisa que
[1:09:57] eu sei que é, se eu não estou, eles têm que estar bem, eles não
[1:10:00] podem estar a chorar. Eu ó, minha mãe, eu estou tudo.
[1:10:03] Só digo não porque isso é pior para mim e para eles.
[1:10:07] Eu tenho que educar para o mundo.
[1:10:09] E para a? Bondade e para o amor também,
[1:10:11] mas há pessoas que vão ao extremo de o mundo é tão mau.
[1:10:13] Que mais vale levares agora, merda.
[1:10:16] E vou tratar te mal e não sei quê que é para depois não.
[1:10:18] Claro que horror. Isso é horrível.
[1:10:21] Não vou te. Bater agora, porque assim,
[1:10:22] quando levares uma sova, quando fores mais, já te.
[1:10:25] Sabes defender? Não, não é nada disso.
[1:10:27] E eu, como é óbvio, não dou sovas.
[1:10:29] É só assim, como é que dizem? Alguém era sacudir o pó, é, é
[1:10:33] fazer assim, estás a ver tchaca às vezes nem olhe, faço só
[1:10:36] assim, está quieto, pá. Eu tenho uma amiga.
[1:10:39] Até bateria no meu filho. Mas ele já tem mais força que
[1:10:42] eu. Não.
[1:10:42] Isso é o problema do mais velho, o mais velho já por.
[1:10:45] Exemplo é, mas é tão engraçado os rapazes e as raparigas.
[1:10:47] A minha vida praticamente se levou 2 palmadas na vida foi uma
[1:10:49] sorte. Pá, não, nada, que é uma.
[1:10:53] Espertalhona. Porque olha, pá, manipula me
[1:10:55] como quer. É rata, rata, tem tudo o que
[1:10:58] quero e tudo. O que o mais?
[1:11:00] Velho ainda levou talvez umas palmadas.
[1:11:02] O mais novo também muito pouco. Também é muito pouco hoje em
[1:11:05] dia, o mais velho já é grande, tem mais força do que eu, como é
[1:11:08] óbvio, realmente tem 19 anos, é enorme, o mais, o mais novo
[1:11:11] também menos. Mas isto é por outra razão,
[1:11:13] porque Como Ele É o mais novo e é o bebé, é um matulão gigante,
[1:11:17] é um bebé, nós todos o tratamos um bocadinho com ainda com
[1:11:22] convergência o bebé e lá. Vem o gajo calça 36?
[1:11:26] E ninguém o consegue levar ao colo porque ele pesa 40 kg.
[1:11:28] Portanto, quem é que leva um bebé de 40 kg ao colo dele?
[1:11:31] Hum, lá vem ele. E, portanto, esse nós temos mais
[1:11:34] paciência. Mas isso também tem a ver depois
[1:11:36] com isto em carreira, não é? Tu só tens uma, é, é, é.
[1:11:38] É uma experiência completamente diferente do que teres ali 3 e
[1:11:41] está tudo em fila Indiana, certo?
[1:11:44] Então, mas só para terminar retomando.
[1:11:47] Aqui uma coisa que depois acabámos por não falar e eu
[1:11:49] percebo que tu investigas muito e falas muito com as tuas
[1:11:53] amigas, ou seja, estás sempre a absorver coisas.
[1:11:55] Identifico me com isso contigo, nisso que como comediante, fosse
[1:12:00] a trabalhar. Estou sempre a olhar para tudo,
[1:12:02] sempre a escrever isto é o quê? Isto posso usar para isto, não
[1:12:04] sei quê sempre, mas tu tu escreves imenso, tu passas muito
[1:12:08] tempo a escrever novelas, filmes, livros, quando é que tu
[1:12:12] vives? Isso é uma ótima questão.
[1:12:15] Eu agora estou, estou. Exatamente a pensar nisso,
[1:12:17] porque eu tive um ano muito intenso, muito difícil, difícil
[1:12:20] no sentido profissional, porque foi muito desafiante, mas foi
[1:12:22] ótimo, correu super bem, mas foi muito desafiante.
[1:12:25] E a certa altura eu estava a trabalhar, tipo todos os dias,
[1:12:27] todo o dia estás a ver e aquilo estava me era 11 pá, um estalo
[1:12:31] de ficção horroroso e houve muita coisa que ficou e,
[1:12:34] portanto, emerge disto. EE tu tens que tentar conciliar,
[1:12:39] é um pronto, é uma aprendizagem. Tu tens que tentar conciliar
[1:12:41] este drive imenso e esta fura imensa estás a ver com essa
[1:12:47] parte da tua vida. Até porque há uma razão.
[1:12:50] Há uma, há uma. Há uma consequência aqui, quanto
[1:12:52] maior, quanto melhor é a tua ficção, ou seja, quanto mais
[1:12:56] impacto tem a tua ficção em ti e no nesse sentido é melhor, menos
[1:12:59] tem a tua vida. Ah, porque é como se tivesse AA.
[1:13:03] Suprir algumas necessidades tuas através da ficção que que estás
[1:13:07] a criar de dopamina, seguramente, que dopamina.
[1:13:10] Seguramente. E depois sais daqui, onde estás
[1:13:12] a inventar histórias maravilhosas para pessoas
[1:13:14] maravilhosas e vais fazer sopa. Maravilhosas e vais fazer sopa.
[1:13:18] Ó, mãe. Dói me o rabo.
[1:13:21] E eu? E não sei quê.
[1:13:22] E o outro fez não sei quê e é como se fosse um vício.
[1:13:24] Então tu queres voltar para a. História é logo do caraças, sim,
[1:13:28] que engraçado no outro dia. Não sei se foi.
[1:13:32] Através do extremamente desagradável da Joana Marques.
[1:13:34] Ou só vi efetivamente o podcast em que entrevistar o guionista
[1:13:38] do Bruno Aleixo, o João Moreira, certo?
[1:13:40] E perguntaram lhe como é que é escrever algo todos os dias?
[1:13:43] Como é que é ser argumentista de um boneco há tantos anos?
[1:13:45] Ele disse, pá, é um trabalho, sabes?
[1:13:47] E então sentiu se ali um bocadinho.
[1:13:50] Uma cena de como se estivesse na função pública do género.
[1:13:53] Onde vocês veem encantamento? Eu vejo.
[1:13:55] Trabalho também também, claro. Mas tu?
[1:13:58] Tens se calhar. Por ser ficção e por seres tão
[1:14:02] mudada? Sim, EE é.
[1:14:03] É muito encantamento. Tu vives aí é muito Encanto, tu
[1:14:06] vives aí? E é trabalho, atenção.
[1:14:08] Aquela coisa do Ah, hoje não consigo escrever nunca em em
[1:14:12] tempo de alguns instantes, tu? Sentas te aí, escreves?
[1:14:16] Pode ficar melhor, pode ficar pior, pode ficar mais, pode
[1:14:18] ficar menos, mas. Tipo, senta te e escreve,
[1:14:21] trabalha editas, trabalha, trabalha.
[1:14:23] Portanto, há aquele lado marceneiro, não é que estamos a
[1:14:25] fazer? Fomos ao la rô, à Merlin e de
[1:14:27] facto, comprámos as ferramentas. E depois há o lado em que não é
[1:14:31] só marceneiro, porque o marceneiro faz e faz, faz, faz
[1:14:37] produtos, materiais, cria matéria e não cria matéria iá.
[1:14:47] Tu não fazes nada. Real.
[1:14:50] E é impossível tu não fazer nada real, estares AA criar vidas e
[1:14:55] pessoas muito melhores do que a tua, como é óbvio.
[1:14:58] Imagina tu estares a tentar contar a tua história que seca a
[1:15:02] tua vida é aborrecida OA rotina ao dia a dia som Boring, estás a
[1:15:06] ver, não? Ontem o Aron sorkin, vi uma
[1:15:09] entrevista dele muito, muito boa.
[1:15:10] Eu gosto muito do Aron sorkin, o argumentista e o gajo dizia, as
[1:15:13] pessoas e as personagens são parecidas, mas não têm nada a
[1:15:16] ver. Porque eu eu, quando eu crio uma
[1:15:18] personagem, eu estou a criar 111 simulacro, um Avatar de uma
[1:15:23] pessoa com uma rapidez, com uma dinâmica, com os diálogos.
[1:15:26] Ele ele gosta muito de algo, ele trabalha muito de algos, ninguém
[1:15:29] fala assim, ninguém tem aquela rapidez, ninguém, nada, aquilo é
[1:15:32] fake. E depois o entrevistador foi
[1:15:34] engraçado e disse, pois e Shakespeare?
[1:15:37] Ele disse, pior ainda em Shakespeare, porque essas
[1:15:39] pessoas rimam e tu na tua vida, não rimas, ninguém ri, portanto,
[1:15:43] pá qualquer pensas nisso e que são acontecimentos épicos.
[1:15:47] Romanciados, ainda por cima aumentados, levados ao limite.
[1:15:52] Muito parecido com a comédia. Pronto.
[1:15:53] Não, não é por acaso. Que ambos têm ali escrita
[1:15:57] persona, personagem. Exato.
[1:15:59] Eu, eu, eu pedia na boa, fazer comédia, se.
[1:16:01] Se tivesse alguma graça, mas não tenho.
[1:16:02] Portanto, não faço. Mas pedia na boas.
[1:16:04] Quer dizer, tenho, mas não tenho.
[1:16:06] Não sei escrever comédia, sou engraçada porque é divertido,
[1:16:09] mas não sei escrever comédia. Sou bebling, sou muito bebling,
[1:16:12] mas depois tenho uma cena com o desconforto.
[1:16:16] Da comédia. Ah, tu falaste, eu falei, estava
[1:16:19] a ver o. Estava a ver o.
[1:16:21] Pelo mundo, pá. E o diz umas coisas às pessoas,
[1:16:24] eu morro, por eu morro. Mas eu?
[1:16:27] Morro eu fico assim. Como é que ele disse isto?
[1:16:29] Porque ainda por cima não sou nada disso estás a ver.
[1:16:31] Eu depois sou muito agradável, muito conciliadora.
[1:16:34] Eu morro a ouvir o Conan ao Brian, a gozar com aquela gente
[1:16:38] e os gajos a rirem se ou seja, mas ele pode, estás a ver porquê
[1:16:41] ele pode. Aquela personagem lá está,
[1:16:44] aquele próprio criou. Consegue compensar o desagrado
[1:16:49] com o desajeitado que ele é? Sabes?
[1:16:52] Ninguém o vê como ambiente, não é ninguém o vê como nada, porque
[1:16:55] é um homem. Franzino.
[1:16:58] Com as pernas grandes? Exato.
[1:16:59] Aquele troncozinho assim, ruivo. Meio pálido Na Na, na, não e
[1:17:03] não, EE não se leva. Muito a Sério estás a ver, acho
[1:17:06] que a pessoa. Ganhou agora o prémio Mark
[1:17:08] Twain. Ganhou.
[1:17:11] Finalmente, depois de tantos anos de carreira, lá, foi
[1:17:13] reconhecido e aquilo foi muito importante, não só para ele, mas
[1:17:16] para todos nós. Prevermos que um.
[1:17:17] Comediante de nicho, também de nicho, é pá, é é quem é que.
[1:17:23] Não é de nicho, é pá. Não te consigo.
[1:17:27] Olha o por exemplo. Não estou a brincar o gervaze.
[1:17:29] Não é de nicho, não OCK, são já são nichos muito grandes.
[1:17:35] Percebes, eu o sinefeld. Não é, não é de nicho.
[1:17:39] São pessoas mais consensuais que se disserem 55 comediantes que
[1:17:44] estão no top ou qualquer coisa, surgem praticamente sempre.
[1:17:48] Mas o conden era um bocadinho mais underground, até pelo
[1:17:51] conteúdo que ele fazia no late Night show, ele tinha durante 10
[1:17:55] minutos, 10 minutos. Não parecem 10 minutos porque é
[1:17:58] televisão, mas vá 2 minutos ou 31 urso a masturbar.
[1:18:02] Se tinha, tinha. Pá e isto só dá.
[1:18:06] Só dá para brincar quando não estás em horário nobre, não é?
[1:18:09] Quando isto só dá para brincar. É assim em Portugal, seria.
[1:18:12] Obviamente, seria escandaloso. Ainda não conseguirias, não
[1:18:15] tens, não tens escala para tanta diversidade.
[1:18:18] Exato, não tens público para tanta diversidade, uns poucos.
[1:18:21] EE agora e os podcasts e não sei quê.
[1:18:23] Isso é o que? É o que safa agora.
[1:18:25] Isso é o que safa agora. Isso é o que safa agora, porque
[1:18:27] No No mainstream, mas o que fala é que eu vou continuar com isto
[1:18:30] de. Entrevistar pessoas?
[1:18:32] EE, eventualmente vou dar a volta e eu quero saber mais
[1:18:35] sobre ti, mais sobre AA tua cabeça e eu.
[1:18:37] E se eu fui ao ao à Merlin ao meio-dia?
[1:18:40] Ver como é que era, se havia lá o José Carlos, isso é, é um
[1:18:44] cruzing de tias. Eh, pá, eu sabia a minha
[1:18:48] excitação, ouvir aquilo, a minha.
[1:18:50] Excitação ouvir aquilo tipo McDonald's, onde há?
[1:18:54] Pessoas homossexuais que vão fazer cruzing no McDonald's, eu
[1:18:59] sabia isso na estação. Do do bombarral sabias na
[1:19:03] estação de camionistas do bombarral.
[1:19:07] Na estação de de de camionistas do bombarral, aquela aquela casa
[1:19:10] de banho e aquilo era um berço de habias, meu Deus, as coisas,
[1:19:14] as coisas que uma. Pessoa, sabe?
[1:19:16] Informação completamente inútil e desnecessária.
[1:19:20] Mas isso compõe. Estás a ver isso compõe.
[1:19:22] E para mim também. Por acaso é por acaso.
[1:19:24] É útil. E eu?
[1:19:25] Gosto estás a ver, é, é mesmo? É eu só ficar assim.
[1:19:29] Estás. A ver, olha Patrícia, alguma
[1:19:32] coisa que que vá. Estrear em breve e que queiras o
[1:19:36] arquiteto. O arquiteto, acho que é em
[1:19:40] setembro, setembro, ou é, mas. Acho que sim, e o meu próximo?
[1:19:43] Livro que, infelizmente. Já não se vai chamar fuck boy,
[1:19:45] porque me me me castraram. Fiquei triste, mas que pá.
[1:19:51] Espero publicar em breve. Qual é o nome?
[1:19:53] Qual é que vai ser o nome? Não sei.
[1:19:55] Olha, se tiveres alguma ideia, manda me.
[1:19:56] Porque já o fuck boy é é o pronto, é o é a piloca amiga, eu
[1:20:01] disse, não, não é piloca, amiga, que chatice.
[1:20:04] É que fuck boy é mesmo o que é? É que é mesmo o que é só.
[1:20:07] Que as pessoas podem achar que é.
[1:20:08] Fuck buy sim, o digal é bom, mas é que isto é muito, o livro é
[1:20:13] muito intenso. O livro não é uma comédia nem é
[1:20:15] piada, são 3 mulheres super afetadas por este homem.
[1:20:19] E como é que ele, como é que o que é que ele entrou na vida
[1:20:20] delas? É muito intenso, é um romance, é
[1:20:22] um romance. Na tua editora, tu és uma
[1:20:25] artista. Uma renomada, isso não pode ser
[1:20:29] assim. Uma coisa é.
[1:20:30] Dizerem me a mim? IA dizer migas, pronto, é
[1:20:33] obrigada, não é? Iá exato, tu acabou.
[1:20:35] É fuck boy e. Acabou, as pessoas não percebem
[1:20:37] não, mas. Depois, tenho medo que as
[1:20:39] pessoas não, não, não alinhem. Depois, no livro, porque achem
[1:20:42] que o título não está de acordo com o com o conteúdo percebes,
[1:20:46] mas acho que alguém tens, não sei, Ah, tu julgas?
[1:20:49] Muito o livro pela capa julgas. Julgas, mas fuck boy até é mais
[1:20:52] atraente. Olha sim, depois as.
[1:20:53] Pessoas acham que é uma cena tipo meia pop, e depois?
[1:20:56] Chegam lá e aquela merda é um arraso emocional.
[1:20:59] É pá quem vá ler também são pessoas que têm alguma.
[1:21:02] Não sei. Pronto?
[1:21:03] Eu acho que não. O livro é fixe.
[1:21:04] O livro está fixe. Ele está fuck boy, então está
[1:21:06] bem? Vamos a isto.
[1:21:07] Pronto, então fica assim, beijinhos.
[1:21:11] Até logo, meu amor, obrigada. Não valeu a pena, eu acho que
[1:21:15] muitos de. Vocês quando têm podcasts com
[1:21:17] pessoas, pensam, Ah, esta pessoa não me interessa, esta pessoa
[1:21:21] não me interessa. Quem é esta pessoa?
[1:21:23] Podem não ter conhecido o nome de Patrícia Muller logo no
[1:21:25] início do episódio. A pensar é trema.
[1:21:27] É beta, sim. Mas vejam lá se não foi uma
[1:21:31] conversa que disparou para tanto lado que que falámos desde sexo
[1:21:36] em parque de estacionamento de lojas feminismo às origens do
[1:21:42] feminismo. Não fomos único, laterais
[1:21:46] falámos sobre tanta coisa, sobre uma série que vai estrear, sobre
[1:21:50] maternidade, sobre bater nos fins.
[1:21:53] Quero deixar aqui claro que ainda não bati na minha filha,
[1:21:56] mas ainda há tanto para viver. Digo que sou contra é este tipo
[1:22:02] de. Conversas que eu que eu admiro.
[1:22:04] Percebem? É isto?
[1:22:05] Será que vou conseguir suplantar o prazer desta conversa com Kiko
[1:22:10] isot, que é quem é o entrevistado da próxima semana,
[1:22:13] se não se pode dar hoje eu baldei me à primeira.
[1:22:16] Não isto são pormenores de produção que não vos interessam,
[1:22:19] mas Kiko isot para a semana e vou vos pondo a par da minha
[1:22:23] sinusite, que eu sei que estão para aí relatos.
[1:22:26] Beijinhos, Ah, e sigam sigam o podcast para não andar eh pá a
[1:22:30] outra gaja não sei quê e assim também aparece vos a seguir
[1:22:34] ouvem o podcast que gostam e depois oi, não se é e se é e sou
[1:22:38] eu comentem que eu respondo que eu sou a tangion Horace ponto
[1:22:42] partilhem pelas vossas amizades. EE cá estamos meus putos, cá
[1:22:48] estamos, vocês assoam se 2 vezes ao mesmo papel eu acho que não
[1:22:51] consigo. Mas assou me assim.
[1:22:53] Uso mais papel higiénico para limpares na casa de banho do que
[1:22:57] propriamente para me assoar beijinhos.
[1:23:01] É o podcast? Não sei.
[1:23:05] Se Ah.

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