# #177 - Livros não da piç* e o que comprar neste Natal

An episode of [não sei ser](https://invisiblenetwork.ai/podcast/1662857422), 16 Dec 2024, 31 min.

Audio: https://anchor.fm/s/d7dabd1c/podcast/play/95905224/https%3A%2F%2Fd3ctxlq1ktw2nl.cloudfront.net%2Fstaging%2F2024-11-16%2Fb3126688-2949-ba10-6d93-c9e9c125a415.mp3

E não é que acabou esta temporada do podcast Livros da Piça? Andava viciada. Acabei por fazer aqui também uma visita à minha biblioteca agora cada vez mais digital por causa do Kobo da FNAC. Catching Entretanto... NOVA TOUR! *Todos os espectáculos são diferentes* Lisboa // Porto // Aveiro // Leiria // Coimbra // Brafa arrotem aqui: 💸www.linktr.ee/joanagama

## Transcript

[0:00] Amigas, quem é que está de volta?
[0:03] Sou eu, sou eu e tenho bilhetes para vocês.
[0:06] Tenho uma nova tour em marcha. Tenho Lisboa, Porto, Coimbra,
[0:11] Aveiro, Leiria e Braga. Os bilhetes estão à venda na
[0:14] Ticketline. Quanto a Coimbra, ainda não, mas
[0:17] reservem o dia treze de março porque vou ao Salão Brasil.
[0:20] Com Zé, com Zé. E hoje falamos sobre...
[0:26] Neste episódio, a Joana começa por descrever o almoço deste fim
[0:31] de semana, recordando um pouco a relação que tem ou não tem com a
[0:34] família, escorre mais uma vez sobre a sua infância, algo
[0:38] traumática, algo abandonada, depois recorre nessas mores para
[0:44] introduzir de fino um livro que gostou muito, meta-lhe o
[0:48] patrocínio da FNAC à campeã, falando de Cobo, dos Cobo, E
[0:53] depois volta ao outro livro, mas te colgo mais nessa pedra e é
[0:57] isto o episódio. Fica aqui o resumo e um
[1:00] beijinho. Olá, este é o meu presente de
[1:15] Natal para vocês. Já chega?
[1:37] Feliz Natal! Feliz Natal!
[1:39] Eu não tenho nada contra o Natal, antes pelo contrário,
[1:43] sempre quis que o meu Natal fosse fantástico e era, quando
[1:46] eu tinha imensas prendas e era tudo ninguém e tudo a dar
[1:50] prendas à menina, agora já não me mascar de pai Natal, já não
[1:54] engano o meu irmão com... Eu fazia a barba com... fazia
[1:59] uma folha a quatro, depois cortava, depois punha cola
[2:03] stick, ia ao algodão da minha mãe de coisa, pendurava, depois
[2:08] uma linha à volta. Oh, amigos, quando não vi a
[2:11] Leope, a Leope, mão já obra, que é mesmo assim.
[2:15] Não sei porquê, não sei porquê que fiz este... não faço a
[2:18] mínima ideia. Mas o Natal voltou a ganhar
[2:20] algum interesse com a Irene, que é a minha filha, o que é que,
[2:25] como não temos mais crianças na família, aquilo acaba por ser um
[2:29] bocadinho solitário, não é? Já abriram os presentes, podemos
[2:32] abrir os presentes, estamos no café, mas porquê que bebem café?
[2:35] Enquanto que quando havia outras crianças, quando o meu irmão era
[2:38] mais novo, quando não sei o quê, sempre era aquela, vamos
[2:41] brincar, nananã. E depois eu fazia uma coisa, os
[2:44] meus pais são divorciados, eu para me mascarar de pai natal,
[2:47] toda a gente dizia, ah, a mana foi agora para a casa do pai,
[2:50] como se eu no momento auge do natal fosse para a casa da outra
[2:56] pessoa. Mas ele nunca passou o natal
[2:59] comigo, o meu irmão, passou sempre com o pai natal, até que
[3:02] ele reparou que o relógio do pai natal e o meu era o mesmo.
[3:05] E aí juntou um mais um, que deu merda.
[3:09] E então, relativamente ao Natal, eu gosto muito de oferecer
[3:15] prendas às pessoas. Eu perco um bocado de noção do
[3:17] orçamento porque penso sempre, pá, mais vale dar uma coisa de
[3:20] jeito que custe mais um bocadinho, mas que a pessoa vá
[3:25] usar. Ainda agora, a minha madrasta é
[3:27] muito caseira. E estava a procura de coisas
[3:30] para ela, pensei num pijama, não sei o quê, depois pensei numas
[3:33] meias, depois pensei, vamos para as pantufas, havia a hipótese da
[3:37] pantufa rasca, havia a hipótese da pantufa ok, fui para a
[3:40] pantufa ok. E a diferença aqui ainda são dez
[3:45] pau. Ah, podias ir à Aleope e
[3:47] comprar, verdade, mas depois toda a gente...
[3:50] Estou a fazer aqui plug à Aleope, mas a FNAC assim vai
[3:53] ficar com ciúmes, porque a FNAC é que está a patrocinar este
[3:56] episódio, isto assim parece mal. Sena é, eu acho mesmo que se
[4:02] deve investir mais um bocadinho, acho que não se devem dar
[4:06] prendas à parva, acho que se deve pensar na prenda, olha
[4:09] dá-lhe um livro qualquer, para isso mais vale não dar prendas,
[4:12] acho que se deve, uma pessoa se deve esforçar.
[4:14] A não ser que seja uma pessoa tão próxima, por exemplo, eu e o
[4:17] Miguel gostamos de receber prendas e de dar prendas um ao
[4:20] outro, mas há tantas, quer dizer, não é?
[4:23] Pois, então, o que é que foi? Acho que foi o ano passado,
[4:26] olha, oferecemos a viagem de Marrocos, assim é que é, pronto,
[4:31] vamos para Marrocos, tu pagas o meu, eu pago o teu, é estúpido,
[4:34] é, mas o dinheiro também... Ofereci à minha mãe, ela fez
[4:38] anos agora, dia dois de dezembro, ofereci à minha mãe um
[4:40] Apple Watch porque ela já tem tudo, porque eu não tenho
[4:43] paciência para ir à La Redoute a rotar mais coisinhas que ela
[4:47] depois só usa quando me vê para me deixar feliz e eu, enfim, nem
[4:51] sei quais é que eu dei este ano ou o ano passado ou quais é que
[4:54] ela compra por si. Achei que o Apple Watch era fixe
[4:57] que o Apple Watch vai-nos avisando para nos levantarmos.
[5:02] E a minha mãe vai reformar-se este ano e eu pensei, pá, ter
[5:04] alguém que lhe diga, levanta essa peida, pode ser
[5:07] interessante. Só não lhe ofereço um cobo
[5:10] porque já tem um cobo. E porquê que estou a falar do
[5:13] cobo? Não só porque estou alinhada com
[5:15] a FNAC nesta situação, mas também porque já é o meu segundo
[5:20] cobo. O primeiro eu tive quando estava
[5:23] grávida da Irene. Porque chega uma altura em que
[5:26] nós temos aquelas fases de consumir trash TV, de vermos
[5:30] muitos reels e não sei o quê, eu depois sinto-me culpada por
[5:33] estar a ver a vida a passar-me ao lado e depois tenho momentos
[5:38] em que quero investir imenso dinheiro.
[5:40] Em mim, em cultura e não sei o quê, e os livros para mim
[5:43] simbolizam bem-estar mental, porque eu acho que uma pessoa só
[5:47] consegue ler quando está bem da cabeça, quando consegue sair
[5:51] dessa ratoeira, e também porque está a valorizar-se ao ponto...
[5:57] de querer aprender alguma coisa por isso eu acho que não só ler
[6:01] ajuda a que sintamos isso mas o sentir isso faz com que nós
[6:06] consigamos ler mais e como ando sempre de um lado para o outro
[6:10] com a Irene vai taekwondo, vai escola, vai não sei o que não
[6:12] tenho cu para andar com livros de um lado para o outro, porque
[6:17] também já tenho o saco do ginásio, o saco do ténis.
[6:20] Ai, queridos, que vida fina que a menina leva!
[6:25] Às vezes vou mesmo trabalhar para fora, e quando digo para
[6:28] fora, é para o centro comercial, mas levo o portátil, levo o
[6:33] disco rígido, levo não sei o quê.
[6:36] E a levar um livro, que é um bónus, que é uma coisa que...
[6:39] poderei eventualmente usar, mas não tenho a certeza, é peso
[6:43] extra e que não sei se vale a pena.
[6:44] E ainda por cima, não sei qual é que vai ser a minha disposição
[6:47] no momento, porque não é que eu seja a Marcelo, mas às vezes
[6:50] posso estar num mood mais simples, quero uma coisa mais
[6:54] fácil, mais rápida, de consumo mais rápido, ou posso estar num
[6:58] mood um bocadinho mais exigente e ler, por exemplo, um livro...
[7:02] um pouco mais científico. Por exemplo, há uns tempos
[7:04] acabei o The Body Keeps Core, em português deve ser O Corpo Não
[7:09] Esquece, exatamente, de Bessel van der Kolk, que é um médico, e
[7:14] ele mostra, ao longo do livro, vários estudos que comprovam
[7:20] que, efetivamente, o corpo armazena as nossas experiências,
[7:25] legitimando, ainda que não esteja... incluído no DSTM,
[7:33] aquele manual que diz o que é que é doença ou o que é que não
[7:37] é, que o stress pós-traumático é efetivamente um problema e o
[7:40] trauma complexo e essas coisas, que por acaso são coisas das
[7:43] quais eu sofro. E explica não só as várias
[7:48] experiências que foram feitas nesse sentido, as publicações
[7:50] que há nesse sentido, mas também quais são os sintomas que essas
[7:55] pessoas, e algumas entrevistas até, que essas pessoas têm.
[7:59] E é muito interessante porque é uma das coisas que eu sou da
[8:03] geração, provavelmente vocês também, em que havia uma divisão
[8:07] entre saúde mental e saúde física.
[8:10] E ainda há, mas agora estamos a juntar tudo com aquela frase de
[8:15] uma saúde holística, que é tudo ao molho.
[8:18] E de facto é verdade, há imensas terapias, imensos especialistas
[8:23] que falam sobre primeiro começarmos pelo corpo, até pela
[8:27] questão da meditação, yoga para acalmar a mente.
[8:30] E que tudo está ligado a uma coisa e outra.
[8:33] E o facto de começarmos por ler este livro que eu li no meu
[8:36] cobo... Até vos vou ser sincera.
[8:40] Comprei o livro. Comprei...
[8:45] Já não me lembro onde, mas comprei o livro.
[8:47] Até foi o Rui Maria P que estava a lê-lo.
[8:49] E comprei e comecei a ler e as letras eram bem pequenas.
[8:54] E não me dava aquele pauzinho de livro tesudo, que eu, ai que
[8:58] graças, que vou ler todo, não estava a dar, parecia que estava
[9:00] a ler um assim, que eu gosto dos livros tesudos, gosto de páginas
[9:07] com alguma gramagem, gosto de letras sem serifa, não sei como
[9:11] é que se diz em português, sem serifa.
[9:14] Gosto de um espaçamento porreiro, eu sei que às vezes há
[9:18] alguns clássicos, e até a Penguin faz isso, de juntar mais
[9:21] as linhas, que é para compactar o tamanho do livro, mas isso
[9:24] irrita-me e uma das coisas que me dá mais prazer em ler é
[9:28] acabar. É a cena de, ah, é aquela
[9:32] dopamina de fiz isto, está feito, terminei, fiz isto por
[9:37] mim, gosto de mim e dá-me autoestima.
[9:40] Bom, adiante, este livro não me estava a dar pau nenhum, ler
[9:44] manualmente, pegar no livro e tudo, apesar de ser um livro, eu
[9:48] compro só livros bonitos, tenho esse problema. e daí ter tido
[9:52] muita dificuldade em anos passados em comprar livros em
[9:56] português porque honestamente as capas eram deploráveis, não
[10:01] entendo, eu própria estive envolvida no processo de criar
[10:04] uma capa para o meu livro e lutei muito, lutei muito não,
[10:09] era uma conversa amigável com a minha editora numa de pai, eu
[10:11] não quero isto, ah mas isso é o que o mercado quer e não sei o
[10:14] que acho que não queria, mas a capa para mim é muito importante
[10:18] hum O sentir o livro na mão, sim, sim.
[10:24] Isto não quer dizer que eu não continuo a comprar livros.
[10:26] No entanto, este livro em particular, como eu tinha o
[10:28] Kobo, e tenho o Kobo, comprei-o no Kobo também.
[10:35] Mais barato, como é óbvio. e tive o prazer de andar com o
[10:39] livro de um lado para o outro, poder oscilar entre este e
[10:43] outro, do qual já vos vou falar a seguir, e assim não sentia
[10:47] aquela coisa de fracasso constante, de abrir o livro e
[10:49] sentir-me fracassada por não conseguir continuar a leitura.
[10:52] Pensava, ok, não estou a conseguir seguir este livro, vou
[10:57] fazer aqui uma pausa, uma interrupção, volta este, depois
[11:00] volta aquele, e podia andar carregada com ele sem andar
[11:02] carregada com ele, porque estava carregado.
[11:05] No Kobo. E tenho muito esse prazer,
[11:08] porque como o meu objetivo é ler, se estiver a reduzir as
[11:11] minhas hipóteses, eu estou muito condicionada por várias
[11:15] variáveis das quais eu não tenho controle, não é?
[11:17] A paginação do livro, posso querer muito um livro, mas a
[11:20] paginação não é fantástica e no Kobo, por exemplo, eu consigo
[11:23] mudar... Vocês, calhar, já tiveram um
[11:26] Kobo ou algum leitor deste género, mas...
[11:29] Eu adoro poder mudar o tipo de letra, o tamanho, o espaçamento.
[11:33] Gosto de fazer jogos comigo mesma.
[11:35] Ai, que marota! Por exemplo, em baixo eu às
[11:38] vezes não quero ver qual é que é a duração do livro, em que
[11:42] página vou, do total, que é para...
[11:44] Isto é uma coisa que não dá para fazer com os livros, que é para
[11:46] tentar ter o prazer só da leitura sem estar a pensar no
[11:49] progresso. Epá, acabo por me divertir
[11:52] imenso. E ainda há outra questão, que é,
[11:54] quando o Miguel vai dormir, raramente isto acontece.
[11:57] Atenção, eu sou a pessoa que acorda às seis da manhã para
[12:00] estar tranquila e fazer sininhas, ou não fazer sininhas.
[12:04] O Miguel é a pessoa que se deita à uma da manhã porque ficou a
[12:07] fazer sininhas. Portanto, temos horários
[12:09] completamente trocados. Mas já aconteceu eu querer ler
[12:12] na cama, ou mesmo de manhã, quando ele ainda está a
[12:15] dormir... E como existe retroiluminação,
[12:18] que não é uma iluminação tipo os monitores, que se tem de pôr os
[12:21] óculos azuis e não sei o quê, aquilo até tem uma calibração de
[12:25] temperatura de luz, eu consigo ver aquilo, estar a ler aquilo e
[12:28] não incomodar ninguém, o que é fenomenal. fantástico, porque
[12:32] dantes quando eu lia livros na cama, além do barulho eu sei que
[12:35] isto é estúpido, mas são verdades além do barulho que eu
[12:38] fazia a virar as páginas, que se eu fosse outra pessoa ficava
[12:41] irritadíssima, comprei uma daquelas lâmpadas da Moleskine
[12:45] que tem um clipe e que se punha no próprio livro, mas isso
[12:49] acabava por ser uma seca porque ficava torto, eu sei que era
[12:52] para pôr na capa mas caía, isto para mim é fenomenal, e não
[12:55] comprei o cubo maior comprei um cubo pequenino, isto já comprei
[12:58] há dois anos ou algo que foi E pá, cabe num bolso.
[13:02] Num bolso grande. Mas cabe num bolso.
[13:05] E então, estava a dizer-vos, li este livro, Body Keeps Core, que
[13:12] é muito interessante e é giro porque nós temos muitas reações
[13:17] no nosso dia-a-dia. que determinam a dinâmica das nossas
[13:22] relações e não sabemos de onde é que vêm, não só porque as coisas
[13:28] nunca são unilaterais, não é? Existe uma dinâmica, a outra
[13:31] pessoa também imprime as suas influências nos nossos
[13:33] comportamentos, mas também porque nós não conhecemos a
[13:36] nossa história, nós não sabemos o que é que está gravado no
[13:39] nosso corpo, nós não paramos para pensar e acima de tudo não
[13:42] paramos para sentir. E é engraçado...
[13:46] Às vezes, ainda que tenhamos de fazer um esforço para
[13:48] intelectualizar a nossa história, para termos a nossa
[13:51] identidade, é engraçado às vezes termos esta tendência ocidental
[13:57] para não nos ouvirmos, não ouvir o nosso corpo, que é de onde...
[14:01] vêm os principais sintomas de trigger, a meu ver.
[14:04] A maior parte das pessoas, e eu incluída, porque eu sou mundana,
[14:09] eu sou uma pessoa da Terra, eu sou muito humilde, eu, a
[14:13] determinada altura, sabia que era ansiosa, mas comecei a
[14:15] reparar, aos poucos, que tinha sempre os ombros nas orelhas,
[14:18] estava sempre hipertensa, ainda hoje em dia acordo com os
[14:22] maxilares super rígidos, porque devo dormir a fazer bruxismo,
[14:26] imensa força na boca. E estas coisas são o corpo, é o
[14:32] corpo a dizer-nos o que é que se está a passar.
[14:37] Eu, por exemplo, confesso-vos, eu não tenho grande capacidade
[14:40] de afeto físico. Sou capaz de abraçar pessoas que
[14:45] acabei de conhecer por estar grata por conhecê-las, mas no
[14:48] dia-a-dia não recebo bem contacto físico, principalmente
[14:53] inesperado. E é interessante perceber de
[14:55] onde é que isso vem, entender o conceito da telescopia
[14:59] geracional, que é um conceito que o meu psicólogo gosta muito,
[15:01] apesar de não encontrar em lado nenhum, tenho que o interrogar
[15:05] relativamente às fontes. perceber onde é que isso vem na
[15:08] família. Reparei que no almoço passado o
[15:10] meu irmão também fugiu ali a uns toques de um membro da nossa
[15:14] família ali que o queria afestinhar no rosto.
[15:17] É giro ver isso. E este livro proporcionou-me
[15:19] isso, ou seja, comecei a interrogar-me sobre como é que a
[15:23] vida fica alojada no corpo, quais é que são as consequências
[15:27] disso, como é que os, sei lá, os...
[15:32] Os veteranos acusam esse tipo de sintomas?
[15:37] Como é que é o após, quando regressam?
[15:41] Vocês lembram-se da anatomia de Grey?
[15:42] Havia lá o tipo ruivo que tinha estado na guerra, não sei, do
[15:46] Vietnã ou algo assim e estava terrível, não conseguia ouvir
[15:50] nem sequer a ventoinha de paz do teto que se passava logo, não
[15:54] sei o quê. Pronto, é interessante.
[15:56] Ah, mas não estiveste na guerra. Está bem, mas o corpo armazena
[15:59] tudo e é mesmo muito giro. E a partir do momento em que
[16:01] consigamos, apesar de eu estar a fazer esta ligação, ainda não a
[16:04] integrei, não é? Mas a partir do momento em que
[16:06] consigo integrá-la, e que isto passa a ser uma prática
[16:09] recorrente no meu dia-a-dia, vou conseguir ligar as duas coisas.
[16:12] Eu agora estou a fazer um bocadinho de forma artificial.
[16:15] É como o início na mudança de um estilo de vida, não é?
[16:18] A partir de agora vou beber mais água.
[16:20] Se calhar no início temos de fazer de forma artificial, mas
[16:23] depois passa a fazer parte do dia-a-dia.
[16:25] Não consigo fazer, tenho sempre medo de mijarem sem...
[16:31] Sem ser num sítio oportuno. Não que me mije, não é isso que
[16:33] eu quero dizer, mas que esteja no trânsito e queira fazer xixi
[16:38] ou que esteja não sei onde. Então, pronto, é uma ansiedade
[16:41] que tenho que resolver. E queria dizer-vos que no
[16:43] seguimento deste livro, outro livro que eu ando a ler agora no
[16:46] Cobo, E este sim, fiquei um bocadinho mais indecisa se
[16:50] comprava em papel ou não, porque é de uma editora, é da minha
[16:54] editora preferida. Tem algumas em Portugal, mas
[16:57] esta é fenomenal. Chama-se School of Life, não sei
[17:00] se conhecem. É um ajuntamento de pessoas que
[17:04] junta ideias de psicologia, psicoterapia, filosofia, arte,
[17:09] cultura, que junta tudo isso e que depois edita ensaios,
[17:13] livros, jogos... que nos deem dicas sobre como melhorar a
[17:20] nossa vida. Ok, isto parece autoajuda,
[17:22] parece não sei o quê, também é, mas é filosofia contemporânea, é
[17:26] aquilo que eu sinto. O principal autor, aquele que me
[17:29] puxou para isto, foi o filósofo Alain de Botton, que é um
[17:32] filósofo que não necessita de imprimir todo um linguarejo
[17:38] complexo para que as pessoas o respeitem.
[17:40] Aliás, o trabalho dele é, antes, o oposto, é deixar de mimimis,
[17:45] para que toda a gente se aproxime deste desejo de
[17:49] melhorar a sua vida e de conseguir pensar e sentir as
[17:51] coisas. E então eu tenho vários livros
[17:54] desta coleção, provavelmente vocês já se cruzaram com eles na
[17:57] FNAC, tem o Como Pensar Mais em Sexo, o Porquê que Vais Enganar
[18:03] no Primeiro Casamento, os títulos não são bem assim em
[18:07] português, mas é como eu me estou lembrando.
[18:09] Tenho o Great Thinkers também, Eu estou a babar-me um
[18:14] bocadinho, porque comi umas bolachas antes de começar, que é
[18:18] erro, erro de principiante, yeah, why you will marry the
[18:23] wrong person, adorei este, adorei este, em que ele joga com
[18:27] uma hipótese de nós primeiro, isto é muito psicanalítico, não
[18:31] é, procurarmos a pessoa, o parceiro que tenha mais a ver
[18:34] com... Com os nossos pais, que nós nos
[18:36] identificamos mais e que ao longo da nossa evolução pessoal,
[18:39] se a outra pessoa não evoluir, não é?
[18:40] Acabamos por ficar presos ali num padrão com o qual já não nos
[18:44] identificamos, ou que é tóxico, porque nos ativa triggers e não
[18:47] sei o quê. Bom, muitos livros que eu adoro
[18:50] aqui, passo-me com isto, fico mesmo pingona com a maior parte
[18:53] destas coisas, porque o design é magnífico, o tato dos livros
[18:58] é... Eu não sei explicar, só isto
[19:01] dá-me vontade de viver... Eu tenho que me controlar imenso
[19:04] para não comprar isto tudo. Agora, o que é que acontece?
[19:06] Comprando em digital no Kobo fica muito mais barato e vou-vos
[19:11] ser sincera, eu ando, sinceramente, a questionar-me
[19:16] relativamente a muitos livros que eu possuo. livros às vezes
[19:21] que não gostei ou que não fazem parte da minha vida e que eu de
[19:24] antes sentia que eram tesouros porque era como se fossem uma
[19:29] espécie de montra da minha intelectualidade mas não são um
[19:32] espólio da minha existência e portanto comecei a querer
[19:36] vendê-los todos na Vinted e ando a fazer bom dinheiro com isso
[19:39] ando a libertar espaço na minha estante isto faz-me lembrar
[19:42] aquilo que eu fiz com vários agora isto não estava a gravar,
[19:44] estou a curtir bué estar a falar de um lado, pá, por amor de Deus
[19:48] Ok. Faz-me lembrar quando saíram...
[19:51] Quando saíram, que horror. Quando se começou a usar mais os
[19:53] MP-XIII e não sei o que, que vendia os meus CDs todos.
[19:56] Menos os que eu tinha autografados dos Offspring, dos
[20:00] The Weasel, alguns CDs que o meu pai me tinha gravado,
[20:03] compilações, também ninguém iria querer comprar.
[20:05] O meu pai gravou com a voz dele e quando ele morrer eu vou ficar
[20:08] tão triste ao ver aquilo. E pronto, e houve CDs íncabas e
[20:12] não sei o que, que nem eram meus, daí não ter vendido.
[20:14] Mas... Eu agora sinto que há aqui
[20:17] livros que quero preservar, que são muito importantes para mim,
[20:20] mas outros que filho. Se eu puder fazer cinco euros na
[20:23] Vinted para gastar novamente em livros, e provavelmente livros
[20:26] no Kobo, pá, gasto. E este é um deles, que é um
[20:30] livro School of Life, portanto, o design, a capa, é magnífico, é
[20:35] pequenito, o mandar vir era caro, não encontrei na FNAC
[20:42] também, também não procurei. Hum...
[20:45] E pensei, este vai ser um daqueles livros que eu não vou
[20:48] querer que faça parte do meu espólio.
[20:51] É um livro que eu quero ler, que estou muito curiosa, que quer
[20:54] retirar dicas para o meu dia-a-dia e, entretanto, por
[20:57] acaso já me apropriei de algumas e melhorei-me bastante a minha
[21:00] qualidade de vida, mas não faço questão de o ter fisicamente.
[21:05] Não é a minha cena, portanto... Quero falar-vos um bocadinho do
[21:08] Mind and Body do School of Life. O que é que eles fazem aqui?
[21:12] Fazem... isto parece um bocado paternalista para quem já tenha
[21:15] pensado nas coisas, mas pensem que, um, é importante para
[21:18] pessoas que nunca tenham lido ou ouvido falar sobre o assunto
[21:21] partir-se do zero, e depois nós podemos assumir que sabemos
[21:25] coisas, mas não estar integrado de uma forma lógica.
[21:27] Ah, sim, eu sei isso, está bem, mas já... o conhecimento já
[21:31] está... Já faz parte de nós?
[21:33] Não faz? Como é que isso está?
[21:34] Bom, este livro ajudou-me a... Primeiro motivou-me a ir a aulas
[21:40] de yoga, porque fundamenta aí muito bem porque é que o corpo é
[21:43] importante para nos sentirmos bem, etc.
[21:46] Ajudou-me a ter uma perspectiva mais gentil em relação ao meu
[21:49] corpo, porque eu andava numa de... correr muito todos os
[21:52] dias, seis quilómetros por dia, não sei quê, depois deixei de
[21:58] fazer, fiquei muito triste, depois fiquei com raiva de mim
[22:01] própria, então só queria fazer desportos violentos, violentos
[22:04] eu digo tipo paddle, ténis, coisas assim com mais impacto,
[22:07] mas este livro deu-me vontade de fazer pilates, yoga também, ser
[22:12] mais gentil com o meu corpo, respeitá-lo mais um bocadinho,
[22:14] em vez de só ser rígida com ele, por procurar rigidez.
[22:18] E então, este livro tem uma coisa muito gira que é, vai
[22:22] buscar um bocadinho a nossa, nós associamos a infantilidade, mas
[22:26] não é bem isso, o nosso lado mais brincalhão, e o problema é
[22:31] associarmos isto à infantilidade, é precisamente
[22:33] isto que aconteceu. Eles começam por falar de várias
[22:36] coisas e o que eles fazem aqui é, eles tentam dar-nos dicas,
[22:43] jogos, brincadeiras, que nos façam libertar deste garrote que
[22:50] nós nos auto-impusemos, por um lado, por não termos tido quem
[22:55] brincasse muito connosco, porque andamos com muitas preocupações,
[22:58] o que quer que seja, o corpo está preso, E eles arranjam aqui
[23:01] vários jogos, desde jogo de almofadas, desde... jogo não,
[23:06] luta de almofadas, fazer uma orquestra ao jantar, o carro
[23:10] cego, a limpeza da festa. Estou a tentar traduzir aqui um
[23:15] bocado... Em cima da hora, portanto, não
[23:18] está muito sexy. Mas então, eles falam, dão
[23:21] ideias de vários jogos que podemos fazer em conjunto, com
[23:25] familiares, amigos ou o que quer que seja, que ajudam a sairmos
[23:29] um bocadinho do piloto automático, do dia-a-dia, da
[23:31] conversa da pizza, de... Ai, como é que estás?
[23:34] Eu não sei. Eu estou aqui com a minha casa
[23:36] e... Não, começarmos a conhecermos
[23:38] uns aos outros, deixarmos de ter uma perspectiva utilitária,
[23:41] superficial das nossas relações e começarmos a aproveitar esses
[23:46] momentos para nos enriquecermos sim, mas com maior profundidade.
[23:51] Não sei se disse alguma coisa de jeito agora, estava só a pensar
[23:54] no quanto este livro até agora tem feito uma diferença na minha
[23:58] vida. Ainda não puse em prática alguns
[24:02] jogos porque estou numa fase, há anos que estou neste ciclo de
[24:07] tentar desconstruir a minha relação com o tempo, sou muito
[24:11] ansiosa, acho sempre que não vou ter tempo para nada, tenho uma
[24:16] fixação por horas, tenho de acabar de fazer isto às horas,
[24:20] às horas, às horas, às horas, ela tem que se deitar às à hora,
[24:23] não necessariamente à hora certa pode ser à meia hora mas tem que
[24:27] ser porque senão tudo falha porque senão sou um fracasso,
[24:29] bom, portanto eu estou aqui na fase de ler o livro De sentir
[24:33] aquilo que ele me dá... Mudei aqui algumas coisas...
[24:36] Lá está... Continuo a fazer desporto
[24:38] agressivo... Mas também estou a introduzir
[24:40] aqui aulas gentis... Que me faz bastante diferença...
[24:44] Nomeadamente o yoga... Depende muito das aulas...
[24:46] Eu estou no fitness set... E há professores que são mais de
[24:50] yoga e yoga... Há outros que aproveitam yoga só
[24:53] para fazer alongamentos... Há outros que acham que o yoga é
[24:55] pior... Pá, no outro dia fui uma aula de
[24:57] yoga... Já passou-se...
[24:58] Eu espero que ela não me esteja a ouvir...
[25:00] Não, ela só deve ouvir vento e folhas... que pôs a ala toda a
[25:06] dar ruído branco. Eu achava que a coluna estava
[25:09] estragada e que ninguém lhe estava a dizer nada.
[25:11] Tive quarenta e cinco minutos a ouvir uma gaja baixinha dizer
[25:15] agora há posição do cocó amarelo.
[25:17] E a ouvir-se assim... Isto é uma seita.
[25:23] Eu começo a ficar logo cheia da medo, sabe?
[25:26] O que é isto? O que é isto?
[25:29] Mas... É importante não só passar por
[25:33] essas experiências, mas também percebermos o que é que reagimos
[25:36] bem, o que é que reagimos mal e não sei o quê.
[25:37] Este livro bem inspirou-me, por exemplo, The Dressing Up Game.
[25:41] Eu não quero fazer aqui spoilings, mas...
[25:46] Fala-se, por exemplo, das origens, dá um jogo de quem
[25:51] consegue vestir mais roupa de uma vez só, há que podemos
[25:56] também com as roupas que temos no armário fingirmos algumas
[25:59] personagens, eu sei, vocês pensam, tenho lá paciência para
[26:03] isto. No entanto, eu sinto que a
[26:05] partir do momento em que comecemos a fazer este tipo de
[26:07] coisas e que sintamos o prazer de tê-las feito, não só físico,
[26:14] mas também de accomplishment na cabeça.
[26:17] Por exemplo, eu sempre que brinco com a Irene, que não
[26:20] tenho conseguido, às vezes tento escapar-me, até quero ver se
[26:25] agora faço isso depois do podcast.
[26:27] Eu sinto-me melhor mãe, mas também gostei de brincar.
[26:31] E vou-me deitar mais feliz porque é como se tivesse
[26:34] conseguido montar a vida que eu sempre quis ter naquele dia,
[26:41] percebem? Eu acho que este livro...
[26:43] Tal como muitos livros da School of Life ajudam-nos a ter
[26:46] referências que não nos foram passadas por algum motivo.
[26:50] A única pessoa que brincava assim mais comigo, de brincar de
[26:55] palhaçada, era uma avó que me faleceu aos seis anos. muito
[27:01] fixe, muito fixe, Mind and Body comprei para o Kobo e eu só
[27:06] tenho o Kobo a preto e branco, mas as ilustrações também são
[27:09] monocromáticas, livro portanto não fiquei a perder o livro é as
[27:14] ilustrações são azul, aquele azul mais ou menos eu engano-me
[27:19] sempre, como é que se chama o gajo de Marrocos?
[27:22] o coiso, o palácio nem sei procurar que eu disse uma vez
[27:29] Jean-Paul Gaultier, mas não é, é o Yves Saint Laurent, é isso,
[27:33] que tem o jardim Majorelle, pronto, é tipo esse azul
[27:36] Majorelle, e pá, não me arrependo de não ter comprado o
[27:42] livro, honestamente, e depois há aqui outra questão que é, que
[27:45] tenho de vos dizer, que curto bem no Kobol, que é, compro
[27:50] logo. Tipo, ah, um livro fixe, não sei
[27:52] o quê, e compro e fico ali. Enquanto que, quando estou numa
[27:55] dessas... Imagina, recomendaram-me agora
[27:57] vários livros, os Paraísos Artificiais do Baudelaire.
[28:01] Pá, não vou gastar muito dinheiro num livro do
[28:04] Baudelaire. Gastar morto, o livro deve ser
[28:06] super barato. Em dez segundos fiquei com o
[28:09] livro, ainda por cima tenho uma assinatura, depois falo-vos
[28:11] sobre isso. Depois, hoje o meu...
[28:15] Hoje o meu treinador de ténis falou-me no Steel Burning e no
[28:19] Oceano Azul. São dois livros que não sei se
[28:22] os vou comprar, porque acho que são aqueles livros que querem
[28:25] passar só uma ideia ao longo de todo o livro, de várias formas
[28:29] diferentes, mas que não acho que sejam livros da minha vida.
[28:33] Portanto, agora estou nisto. Tenho uma biblioteca gigante no
[28:40] Cobol. Não quer dizer que tenha lido
[28:41] tudo, mas fica aqui sempre à mão.
[28:43] Tenho Baudelaire, Paraísos Artificiais, Mind and Body,
[28:46] tenho Rich Dad Poor Dad, eu já sei, dos livros da Pisa, do
[28:53] Conjunto, do Duon, Jovem Conservador de Direita.
[28:59] No entanto, eu gosto de ler mesmo aquilo que é merdoso,
[29:02] honestamente. tenho o do Bruno Nogueira, tenho Nietzsche, que
[29:06] eu não vou ler, mas pronto, tenho vários livros de comédia
[29:08] que lá está, não vão ser livros que eu queira ficar, portanto,
[29:13] vou-vos falando disso, comecei o podcast a falar sobre prendas,
[29:18] não vou dar um cobo à minha mãe de prenda, porque ela já tem,
[29:21] mas se calhar eu e o meu irmão vamos dar uma para trás de um
[29:23] cobo, ele é louco, louco, louco por livros, mas não quero é um
[29:28] cobo pequeno, porque ele sente, ele já é velhote, ele sente que
[29:31] no pequeno, as letras ficam muito grandes como ele precisa
[29:35] mas depois tem de estar sempre a virar a página mas há cobos
[29:38] maiores e acho que vai ser essa a prenda estou a sentir, estou a
[29:42] sentir comprem também um cobo é uma prenda fixe que estamos a
[29:46] ajudar a outra pessoa a cultivar-se é prática, não se
[29:50] estraga com o tempo é personalizável, a mim dá-me um
[29:54] pau do caraças tecnologia e comprar capinhas e coisas de
[29:57] género mas eu tenho mesmo um problema com isso Fica aqui a
[30:01] ideia. Eu gostaria de receber um, só
[30:03] que já tenho. No entanto, ando aqui com uma
[30:06] comichãozinha. Calma, farmacêuticos.
[30:09] Vai que saiu outro cobo. E ando aqui numa lógica de
[30:14] economia circular. Apetece-me embrulhar o cobo que
[30:17] eu tenho, passar ao próximo e ir desencantar o novo.
[30:21] Ainda estou na dúvida. Entretanto, passem pelo meu
[30:26] Instagram e digam-me o que é que andam a ler, que isto não pode
[30:29] ser só unilateral. Beijinhos, até já!

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