# Por que pipoca virou comida de cinema? #FlashbackDoAprenda

An episode of [Aprenda](https://invisiblenetwork.ai/podcast/1650468691), 12 Nov 2025, 5:55.

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Desde que me entendo por gente, a ideia de ir ao cinema sempre me pareceu mais prazerosa quando meus pais compravam pipoca. Nossa, se fosse abarrotada de manteiga, melhor ainda. Talvez você tenha lembranças parecidas, porque esse comportamento foi cultivado em várias gerações, desde meados do século 20, graças ao trabalho de muitos publicitários e marqueteiros, responsáveis por transformar o ato de ver um filme numa experiência para o paladar. Mas como foi que começou isso aí? Em que momento da história virou hábito associar cinema e pancinha cheia? Ou, para desespero que pessoas com ouvidos mais sensíveis, cinema e barulhos de gente mastigando? Foi a partir de uma pergunta do ouvinte Arthur Manhães, de Belo Horizonte, que investiguei o caso de amor entre as telonas e os saquinhos de pipoca. E conto tudo pra você neste episódio. ========================= APRENDA EM 5 MINUTOS é o podcast sobre coisas que você nem sabia que queria saber. Os episódios são roteirizados e apresentados por Alvaro Leme. Jornalista, mestre e doutorando em Ciências da Comunicação na ECA-USP e criador de conteúdo há vinte anos, ele traz episódios sobre curiosidades dos mais variados tipos. São episódios curtos, quase sempre com 5 minutos — mas alguns passam disso, porque tem tema que precisa mesmo de mais um tempinho. Edição dos episódios em vídeo: André Glasner http://instagram.com/andreglasner Direção de arte: Dorien Barretto https://www.instagram.com/dorienbarretto66/ Fotografia: Daniela Toviansky https://www.instagram.com/dtoviansky/ Narração da vinheta: Mônica Marli https://www.instagram.com/monicamarli/ Siga o APRENDA no Instagram: http://instagram.com/aprendapodcast http://instagram.com/alvaroleme Comercial e parcerias: alvaroleme@brunch.ag ====================== Quer saber mais? Confira as fontes que consultei para criar o episódio - Movie Theaters Make 85% Profit at Concession Stands By Brad Tuttle - Pipoca, o alimento que sustenta a indústria cinematográfica Por Anderson Gonçalves, Gazeta do Povo - Movie-Theater Owner Tries to Justify $4 Fountain Sodas By Brad Tuttle, Time

## Transcript

[0:00] No programa de hoje eu vou responder a dúvida do Arthur
[0:02] mañas, de Belo Horizonte. Ele escreveu dizendo o seguinte,
[0:07] ontem eu estava comendo pipoca e vendo filme.
[0:09] Daí eu fiquei me perguntando, como foi que esse snack se
[0:12] tornou tão popular e relacionado ao entretenimento?
[0:16] Tipo, em que momento isso aconteceu?
[0:20] Está no ar o aprenda, com Álvaro Leme.
[0:30] Olá, aprendizes do meu Brasil. Cheguei com mais coisas que
[0:34] vocês nem sabiam que precisavam saber.
[0:37] Hoje com um tema que dá água na boca, né pipoca?
[0:41] Quero agradecer o Arthur mañez pela sugestão desde já e dizer
[0:44] que quem quiser mandar sugestão pode me escrever no e-mail
[0:47] contato@alvaroleme.com.br. Beleza, aproveita e segue a
[0:53] gente aqui no Spotify. Assim, você sinaliza pro
[0:55] algoritmo que o meu conteúdo tá bacana, que ele tá direitinho e
[0:59] ele acaba sendo sugerido pra mais gente.
[1:01] Mas vamos pra guloseima? Então, sabe aquele carrinho de
[1:04] pipoca que ficava na porta da sua escola?
[1:06] Ou que tem aí na frente da sua igreja, da faculdade, na praça?
[1:10] Todos eles existem por causa de um cara lá dos Estados Unidos
[1:14] chamado Charles cretors. No fim do século 19, esse cara
[1:18] aí lançou a primeira carrocinha de vender pipoca.
[1:21] Aliás, ele fez várias modalidades aí tinha um que era
[1:24] quase um food truck, vendia amendoim, vendia um Monte de
[1:27] outras comidas. Pois bem, os carrinhos dessa
[1:30] empresa, a cretores, viraram maior sucesso em feiras, parques
[1:35] e demais aglomerações de pessoas.
[1:37] Primeiro porque pipoca é um bilisquete muito gostoso.
[1:41] Essa palavra bilisquete é muito de tiozão, né?
[1:44] Mas ela era isso aí, um bilisquete.
[1:46] E combinava preço baixo, né? Os grãos não custavam muito com
[1:50] a praticidade de poder ser preparada com pouca estrutura.
[1:54] Você não precisa de uma cozinha, não precisa de uma equipe,
[1:56] certo? Também ajudava muito o fato de o
[1:59] pipoqueiro fazer como todo artista, que, segundo o Milton
[2:02] Nascimento, tem de ir aonde o povo está, né?
[2:05] Adoro essa música, bom, onde que tinha muita gente para comer
[2:09] pipoca no começo do século 20, além desses lugares aí que eu
[2:12] falei. No cinema, e você deve ter
[2:15] pensado, pô, os cinemas, cara, vendiam pipoca assim
[2:18] desesperadamente, certo? Errado.
[2:21] É que até meados do século 20 a experiência de ir ao cinema não
[2:25] era como hoje, que tem essa pegada mais descontraída.
[2:27] Galera vai de chinelo era um programa chique, especialmente
[2:31] nas primeiras décadas do século. Por quê?
[2:33] Porque o modelo pra construção das salas de cinema tinha sido o
[2:37] teatro e também as salas de ópera, que eram e em muitos
[2:41] casos ainda são lugares. Super elegante, lugares para
[2:44] você ir com botar seu melhor vestido, sua melhor roupa e
[2:48] isso, claro, destoava da ideia de você melar a mão com pipoca.
[2:52] Outro grande empecilho era o fato de que, até 1927, os filmes
[2:55] eram mudos. Então você imagina se alguém
[2:57] fosse amassar um sacão de pipoca numa sala, a barulheira que IA
[3:00] fazer e IA roubar a cena, né? E IA dar briga.
[3:03] Desse modo, era proibido comer dentro das salas.
[3:05] Não só pipoca, qualquer coisa, tá?
[3:07] Porém. O que que aconteceu depois?
[3:11] A crise de 1929 que você deve lembrar de ter aprendido nas
[3:14] aulas de história. Lembra que teve a quebra da
[3:16] bolsa de valores, começou maior, complicação financeira, recessão
[3:19] e esse período fica conhecido lá nos Estados Unidos como a grande
[3:24] depressão. Ou seja, a gente tem um cenário
[3:27] de crise econômica. Pensa comigo, quando você fica
[3:30] sem grana, qual é a primeira coisa que você corta de gasto?
[3:36] Provavelmente diversão, né? Pode ser deixar de ir pra
[3:39] balada, pode ser cancelar aquele streaming que nunca tem o filme
[3:42] que você quer ver. E a lógica na época, era a
[3:44] mesma, o que fez com que o público parasse de ir às salas.
[3:49] E elas foram fechando. Daí um empresário chamado RJ
[3:53] maquena, vamos dizer RJ vai RJ maquena, que era responsável por
[3:58] vários cinemas. Viu que, apesar da crise, os
[4:02] pipoqueiros estavam de boa, as vendas estavam rolando.
[4:05] Daí a lógica dele foi, pô, mas e se em vez de esse cara vender
[4:09] pipoca aqui perto do meu cinema, eu mesmo vender pipoca aqui
[4:13] dentro da sala? E foi o que ele fez para
[4:15] estimular o público a voltar às salas.
[4:16] Ele deu uma reduzida no preço dos ingressos, e aí a galera
[4:19] chegava lá, tinha aquela pipoquinha que já seduziu os
[4:22] sentidos, né? O ser humano é o ser humano, e a
[4:25] pipoca e a pipoca dele sempre. Então ele perdeu grana por causa
[4:29] dos ingressos, mas ele ganhou uma montoeira de dinheiro com a
[4:32] pipoca, então a pipoca salvou os cinemas naquela época.
[4:36] Diante desse sucesso, nunca mais ela saiu de cena.
[4:39] Porque, bom, como eu disse antes, o preço do milho era
[4:42] baixo e a margem de lucro era alta, já que dava para atacar o
[4:46] preço lá nas alturas. Dentro do cinema, não tinha
[4:49] concorrente e, pelo menos naquela época, não tinha ainda.
[4:51] As pessoas não cogitavam. Hum, vou levar uma comidinha na
[4:53] bolsa para a hora do filme. Assim nasceu o casamento
[4:57] duradouro entre cinema e pipoca. Até hoje, a principal fonte de
[5:02] faturamento de muitas redes é justamente essa.
[5:04] Daí as guloseimas. Segundo a revista time, as
[5:08] margens de lucro de algumas salas é de 85%, com
[5:12] refrigerante, doce, cachorro-quente e, claro,
[5:15] pipoca. Ao longo desses últimos 100
[5:17] anos, o marketing publicidade fizeram o trabalho deles e
[5:21] moldaram as plateias mundo afora, consolidando a ideia de
[5:25] que ir ao cinema é mais do que ver um filme.
[5:27] É uma experiência. E essa experiência fica mais
[5:30] completa se você tiver comendo e bebendo uma coisinha gostosa.
[5:33] Como a gente nasceu e cresceu num mundo em que esse já era o
[5:36] comportamento padrão, acabou levando a pipoca pra casa.
[5:40] Por consequência, quando os filmes começaram a ser vistos na
[5:42] televisão, no VHS. E hoje em dia no streaming.
[5:46] Se você gostou desse episódio, compartilhe nas suas redes,
[5:49] mande para os seus amigos e eu volto a qualquer momento com
[5:52] mais coisas que você nem sabia que precisava saber.

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