# O Carnaval carioca - com Neguinho da Beija-Flor #321

An episode of [Angu de Grilo](https://invisiblenetwork.ai/podcast/1477913959), 10 Feb 2026, 1 h 00 min.

Audio: https://anchor.fm/s/d0822c8/podcast/play/115288425/https%3A%2F%2Fd3ctxlq1ktw2nl.cloudfront.net%2Fstaging%2F2026-1-10%2F0fe202a2-28d6-3a58-17c3-b39d5beb95b3.mp3

Boa terça, angulers! Um especial de Carnaval pra dar início à maratona de desfiles de 2026! Esse episódio foi gravado ao vivo com plateia no @oparquedeideias com presença de @aydanoandre e a luxuosa participação de Neguinho da Beija-flor. Começamos o #321 falando da invenção das escolas de samba na região central da cidade do Rio, fazendo uma breve linha do tempo dos desfiles desde os anos 30. Falamos também da importância econômica da festa para a população do Rio. São bilhões de reais movimentados no estado, milhares de empregos. Contamos nossa relação de amor com a Beija-flor e, por fim, recebemos Neguinho da Beija-flor para falar dos seus 50 anos de história na Avenida. Sirva-se! Já começaram nossas pílulas especiais comentando o Carnaval em áudios para apoiadores! O primeiro episódio é @belareis comentando suas impressões sobre o segundo final de semana de ensaios técnicos. Seja apoiador no apoia.se/angudegrilo ou no orelo.cc/angudegrilo Cortes do episódio em vídeo no @angudegrilo no Instagram e Tiktok! Siga, curta e compartilhe! Edição e mixagem: Tico Pro @ticopro_ Redes sociais: Claudio Thorne @claudiothorne Cortes em vídeo: Nathália Dias Souza @natdiassouza

## Transcript

[0:01] Oi, eu sou a Flávia. Eu sou Isabela.
[0:03] E vocês caíram? Oi, gente.
[0:24] Fica na fica na outra ponta. Esgotamos os ingressos, Hein?
[0:27] 5 minutos isso? É um grande grilo.
[0:31] A gente não combinou. Onde é que a gente IA sentar?
[0:33] Eu? Vou sentar no meio não.
[0:34] Que homem branco já sentou muito no meio desse país?
[0:35] Não? Você senta lá no na ponta.
[0:38] Mas vai ficar uma cadeira aqui é que é a cadeira do Neguinho.
[0:42] Então senta aqui. Tudo bem pra cá, você?
[0:44] Levanta e troca. Oi.
[0:47] Gente, eu já sentei, desculpa gente boa.
[0:51] Boa noite, boa tarde, boa noite a todas, todos todes.
[0:56] É uma Alegria estar aqui, a gente estava ali emocionada, Ju,
[1:01] emocionada, ouvindo o Márcio é a importância, né?
[1:07] A importância desse desse projeto, desse espaço, né?
[1:12] Desse sítio. E que bom que vocês tiveram
[1:14] disposição para vir aqui ocupar o centro da cidade.
[1:19] A gente vai falar mais sobre isso aqui no angu, mas vamos
[1:21] fazer a nossa abertura porque o nosso tempo é corrido.
[1:23] É uma edição pocket da então, ó. Acredito em lave as minhas mãos,
[1:29] tá? A gente tem 1 hora e eu vou
[1:32] fazer de tudo para cumprir. Hoje eu não quero reclamações
[1:35] que eu estou cortando as respostas, porque realmente hoje
[1:38] a gente tem 11 prazo fechado. Quer dar um boa tarde aí, dona
[1:41] André? Boa tarde a todas.
[1:43] Todos. Um prazer estar aqui.
[1:45] Quero saudar aqui. É um companheiro fardado aqui.
[1:48] Vou beijar Deus da passarela, já temos aqui uma coisa de lado.
[1:52] O figurino aqui está todo. Isso é gente, obrigado.
[1:55] Por terem vindo prazer estar aqui com vocês.
[1:57] Gente, muito obrigada. Antes da gente começar a
[1:59] apresentação também sempre gosta de dar o nosso texto, de
[2:02] agradecer a presença de todo mundo que sai de casa para ver a
[2:04] gente numa quinta-feira, num dia de semana, na hora do rush, dia
[2:09] útil. É sempre um prazer fazer o angu
[2:12] ao vivo pra ver esses rostos, ver quem é que está ouvindo a
[2:15] gente ali. Toda segunda-feira, ô, toda
[2:18] terça-feira, né? A gente grava segunda, um
[2:20] podcast independente, feitos né? Por nós 2, nosso editor, Tico,
[2:26] Natália Cláudio, que trabalham com a gente na rede social, mas
[2:30] uma equipe muito pequena. A gente grava em casa, na raça,
[2:33] pelo amor e pelo nosso compromisso com a notícia, com a
[2:36] informação. Então, mais longo, ao vivo,
[2:39] estou vida de vada, vamos começar, então vamos começar.
[2:43] Bom, vamos começar falando dessa região que a gente está, eu
[2:46] quero ouvir, é aidano e Flávia Ol porque a gente está no centro
[2:51] do Rio, a gente está muito perto, né, da Sapucaí, o
[2:54] Sambódromo é logo ali, foi logo aqui que tudo aconteceu, tudo
[2:58] começou no Carnaval, é, eu tenho as anotações de todas as Datas
[3:04] para fazer uma linha do tempo. Mas eu queria que vocês
[3:07] começassem a contextualizar um pouco essa região que a gente
[3:10] está. Depois a gente vai falar da
[3:12] economia do Carnaval. Esse é o nosso primeiro bloco.
[3:14] Nosso segundo bloco vamos falar de beija flor de Nilópolis um
[3:17] pouco. E é no terceiro, é.
[3:19] Tudo a pedidos, tá? É tudo por encomenda.
[3:21] Exatamente. E No No terceiro bloco, a gente
[3:25] chama o Neguinho para falar aqui um pouquinho com a gente antes
[3:27] do show, então. Queria começar ouvindo vocês
[3:31] falando dessa região aqui que a gente está, centro, Sambódromo,
[3:35] praça 11, Estácio, e aí eu entro a qualquer momento com a linha
[3:40] do tempo. Vou.
[3:40] Vou tentar ser breve, mas de novo, só para ser o não para
[3:44] fazer um registro de agradecimento agora, né?
[3:47] É no episódio. É a biblioteca parque, do estado
[3:51] do Rio de Janeiro ao projeto parque de ideias e em
[3:54] particular, particularíssimo ao meu querido amigo Márcio
[3:58] debellean, que vocês angulers já devem ter ouvido falar muito
[4:02] dele, porque eu falo bastante dele.
[4:04] De fevereiro do documentário que é tão marcante.
[4:07] Ainda essa semana me emocionei lembrando também disso de
[4:11] fevereiro e de fevereiro, e de Maria Bethânia.
[4:15] Bom, é. Eu achei que era super
[4:17] importante, sabendo que nós teríamos um ângulo aqui,
[4:22] referenciar esse território como sendo.
[4:25] É parte do berço do samba, né? É a praça.
[4:30] A praça 11 tá logo aqui, né? Há uns poucos quarteirões, e ali
[4:35] é hoje. É na rua camerino,
[4:37] simbolicamente, mas a casa da tia ciata, onde o samba nasceu
[4:43] ou prosperou. Como queiram, era na praça 11,
[4:47] na velha praça 11. Os primeiros desfiles de blocos,
[4:51] barra, escolas de samba aconteciam no final dos anos 20.
[4:58] Aqui nessa região, na região da praça 11, o primeiro desfile,
[5:02] né? Em 32, e depois o desfile como
[5:05] nós conhecemos, a partir de 33. Foi, inclusive, uma iniciativa
[5:09] do jornal o Globo. Também na praça 11, em 1900, eu
[5:14] eu separei aqui uma data que eu achei Superinteressante, porque
[5:18] em 1934, pela primeira vez, o desfile não aconteceu no
[5:25] Carnaval. Foi no 20 de janeiro e foi aqui
[5:28] no campo de Santana. Então isso aqui é pertence ao
[5:32] samba. Isso aqui já foi Carnaval.
[5:38] E faz muito sentido a gente pensar nessa ocupação e nessa
[5:42] reflexão sobre Carnaval no parque de ideias, aqui hoje, na
[5:47] biblioteca parque, como também um processo de reparação de
[5:52] restituição do território, a sua história de origem aos seus
[5:57] fundamentos. Então, axé, campo de Santana,
[6:01] axé, biblioteca parque, axé, praça 11, axé, Carnaval.
[6:10] Vocês estão muito quietos. Mas deu cheque de?
[6:14] Volta a gente não é sobre aplausos, é sobre é retribuiu
[6:23] axé, falar, fala, axé de volta, gente, axé, Carnaval, axé,
[6:30] energia circulando, porra, meu Deus.
[6:33] Que é isso? É, é uma história.
[6:36] É uma palavra gasta, né? Resistência.
[6:38] Mas é o que? O Carnaval é Carnaval, tá?
[6:40] Esse ano de 2026 vai ser a 94ª edição do desfile das escolas de
[6:46] samba, que só parou de verdade em 2021, numa pandemia.
[6:51] É ele aconteceu com Segunda Guerra Mundial, aconteceu com
[6:54] hiperinflação, com ditadura, e o samba resistiu, é resistiu, como
[7:01] diz nosso amigo Luiz Antônio Simas, nas frestas, negociando
[7:05] com o poder. Se aliando a quem foi preciso em
[7:08] nome dessa sobrevivência? É.
[7:11] E esses precursores? É um deles.
[7:15] É. É enredo nesse desfile em todos
[7:18] os prazeres é que participou da fundação da mangueira da
[7:20] Portela. Olha a Vila Isabel aí.
[7:22] É numa coincidência que muita gente pode pensar que a Flórida
[7:25] está de azul, Vila Isabel, mas ela está.
[7:26] Eu não IA falar nada. Mas ela está.
[7:28] Mas isso aí não é azul, beija flor, mas eles vão falar que o
[7:31] azul? Não, não é azul o azul original.
[7:35] Nós vamos perguntar ao ao a história viva que vai chegar
[7:38] aqui daqui a pouco. O azul original da beija flor é
[7:41] esse. Quando é que muda?
[7:45] Quando o Joãozinho 30 vai para lá?
[7:48] EEO Joãozinho se se incumbe de um projeto de fazer uma nova
[7:52] escola grande. Ao saber que a madrinha da beija
[7:56] flor é a Portela, ele decide mudar a cor do azul da escola
[8:01] para esse azul que a Isabela está usando, que é o azul.
[8:05] Azul, Bela reis. Azul Bela reis que é o azul,
[8:08] Portela da da da Portela e o Joãozinho também muda quem viu o
[8:13] documentário. Soberano da soberano da avenida
[8:16] com a história do Neguinho da beija flor sabe essa história
[8:19] que a beija flor AO beija flor, a beija flor muda de gênero a
[8:21] beija flor trans, ela ela muda de gênero para uma decisão do
[8:27] Joãozinho 30, que pede ao Neguinho da beija flor para
[8:31] mudar o gênero No No samba exaltação da escola, mas
[8:35] voltando AAAA essas origens e um pouquinho mais adiante, ali no
[8:41] Estácio. É onde onde aparece a deixa
[8:44] falar que alguns dizem que é a primeira escola de samba.
[8:49] Alguns dizem que era um rancho que abrigou muitos sambistas.
[8:53] Rancho esse do qual a Unidos de São Carlos foi herdeira.
[8:58] Unidos de São Carlos que mudou de nome para atual Estácio de
[9:00] Sá, que tem um dos grandes enredos do ano na série ouro,
[9:03] que vai falar de Tata Tancredo, o homem que inventou o réveillon
[9:06] de Copacabana. Um pai de Santo que inventou o
[9:09] réveillon de Copacabana. Olha.
[9:11] O que que os macumbeiros não fizeram pelo Rio de Janeiro?
[9:14] Nossa gente, essa gente tem feitiço na palavra.
[9:19] Essa o. Brasil que não se cala.
[9:21] É por isso que isso aqui vai virar macumba, né, gente?
[9:26] Deixa eu falar é de 1928 e eu mencionei o desfile de 1932, que
[9:30] foi o primeiro competitivo. Foi o jornalista Mauro Mário
[9:32] filho, aquele que dá nome ao Maracanã.
[9:40] Pelo mundo esportivo, o Adam pode até contar rapidamente
[9:44] porque que ele inventa isso. É aquela é a virtude que nasce
[9:48] da banalidade. Era um jornal de esportes e no
[9:51] verão no Rio de Janeiro, é que agora o calendário virou essa
[9:53] maluquice. O capitalismo fez isso com o
[9:55] futebol também, né? Mas OOO calendário do futebol
[9:58] naquela época não tinha jogo, janeiro e fevereiro.
[9:59] Mario filho não tinha que publicar no jornal ele que era,
[10:03] na minha opinião, um gênero do tamanho do Nelson Rodrigues.
[10:05] Só que foi ofuscado completamente, né?
[10:08] Pela dramaturgia do Nelson Rodrigues, por tudo que ele, que
[10:11] ele que ele é, criou. Mas o Mário filho era um gênio
[10:15] parecido, que deu também a contribuição de um Maracanã ser
[10:19] localizada onde é, porque havia 111 campanha muito forte com o
[10:24] Maracanã assim, Jacarepaguá, eu sempre, eu sempre gosto de
[10:27] contar isso. Roland buchocho é, e aí?
[10:30] E aí ele diz assim, pô, vou juntar as escolas de samba
[10:33] todas. É numa competição que vai ter lá
[10:37] um juradão do nota. E aí a gente aponta a campanha
[10:40] de dar um troféu para ela, não é basicamente isso, e as escolas
[10:43] passaram a existir uma por causa das outras.
[10:47] Isso é muito isso é muito emblemático, muito bonito se
[10:51] você chamar. Se amanhã alguém tiver a ideia,
[10:54] tomara que essa parte ela paga para que alguém tenha essa
[10:57] ideia. Não acabou a competição, vai só
[10:59] desfilar para ser legal, não vai aparecer ninguém, porque a ideia
[11:03] é a competição, a ideia é ter essa disputa anual.
[11:08] Pelas primeiras colocações, pelas notas do júri, enfim, tudo
[11:11] que que é, tudo que a gente vê hoje, que é assim desde dessa
[11:14] época, no ano seguinte, o Globo é, é, passa a patrocinar o
[11:21] desfile. E aí, Oo mundo esportivo, esse
[11:23] jornal do Mário filho aceita também passar adiante, porque aí
[11:27] o Globo, o Globo patrocina e o mundo esportivo cobra.
[11:29] Então o Mário filho tinha as notícias que ele queria, é, e aí
[11:32] o desfile é prospera e está aí até hoje.
[11:36] Na sua 94ª edição, a caminho do Centenário.
[11:38] Isso é interessante de lembrar porque no primeiro, nesse
[11:41] primeiro 1932, foram 19 escolas que passaram e o desfile durava
[11:45] é em 33, já foram 35 e o desfile durava 10 minutos, era umas
[11:50] centenas de pessoas somente. E aí isso vai é crescendo,
[11:54] inclusive com Oo. Globo institui alguns quesitos
[11:58] que ainda existem, né? É Harmonia, por exemplo.
[12:06] Não tinha essa, esse casamento. Samba enredo fantasia, né?
[12:12] As escolas podiam apresentar até 3 sambas enredos.
[12:15] Tem uma briga por protagonismo de quem inventou o primeiro
[12:19] samba enredo, a Portela reivindica em 39, mas a
[12:24] mangueira e a Unidos da Tijuca reivindicam antes disso mais o
[12:28] modelo de desfile, né? Que junta o samba com o tema com
[12:33] fantasia e tal é a Portela. Ela é atribuído a Paulo da
[12:37] Portela. A gente já tem que ir para o
[12:39] próximo bloco. Não.
[12:41] O inventor. Eu, gente, essa história é.
[12:44] Só é só essa essa pequena contribuição.
[12:46] Quer falar de Paulo Benjamim de Oliveira.
[12:48] Paulo da Portela, que inventa o cortejo escola de samba.
[12:52] É um cortejo porque Paulo da Portela inventou, ajudado por
[12:56] Antônio Rufino, que passava o livro de ouro por Madureira para
[12:59] conseguir o dinheiro para fazer o desfile.
[13:02] Das baeninhas de Jos Valdo Cruz do conjunto carnavaleiro de Jos
[13:05] Valdo Cruz que um dia virou Portela é e por Antônio Caetano.
[13:09] O homem que é inventa a águia como símbolo da Portela, porque
[13:13] é a ave que voa mais alto e quem inventa carralho agórico é
[13:18] Antônio Caetano, o autor dessa dessa invenção.
[13:21] Então assim é, são gênios muito menos badalados do que deveria.
[13:26] E isso confirma OOO início do do comentário do do aidano sobre
[13:31] ser. Projeto coletivo desde sempre
[13:36] não é sobre protagonismo, é individual.
[13:39] Não é sobre uma ideia hegemônica, em que pese o fato
[13:42] de que a mangueira ganhou fez um bicampeonato, a Portela ganhou 7
[13:46] vezes. Mas sempre uma escola é existe
[13:49] por causa das outras. Então vai para Avenida Rio
[13:54] Branco. Pois é, eu IA puxar essa.
[13:56] Linha do tempo, então te entrego.
[13:58] Eu IA fazer essa linha do tempo se ainda der tempo, porque a
[14:02] gente ainda quer falar de economia, eu já vou emendar a
[14:04] linha do tempo na economia, gente esperando para não dar
[14:07] muita brecha para outros assuntos.
[14:10] Mas ó, é da praça 11, né? A partir da demolição da praça
[14:15] 11 e a construção da avenida Presidente Vargas, os desfiles é
[14:19] foram transferidos para Avenida Rio Branco.
[14:22] Em 43 e 44, desfilaram no estádio de São Januário em 45.
[14:28] Alô Vasco da Gama, depois. Tem um patriota seu a olha.
[14:32] Lá, ó, tem tem um vascaindo, tem o ó vascaindo aí, Hein?
[14:36] São Januário é importante à beça.
[14:38] Podemos fazer um angu em São Januário?
[14:40] Olha, fica a dica. Alô?
[14:42] Presidente, Pedro Paulo Deus. Você não é galomaníaca?
[14:47] Bom, depois da inauguração da Presidente Vargas, as as escolas
[14:51] voltam e aqui se apresentam de 46 a 56.
[14:55] Voltam para Rio Branco em 57, porque o público, a essa altura,
[14:59] já eram milhares de espectadores.
[15:01] Já era o principal evento do Carnaval carioca.
[15:04] E aí? Bom, em 59, o Salgueiro inovou
[15:08] contratando artistas plásticos de Dirceu.
[15:11] E Marie Louise Nery, para organizar o desfile, então, com
[15:15] fantasias, alegorias mais bem acabadas, ficou com o vice
[15:19] campeonato. E aí?
[15:20] Com essas mudanças ao longo da década de 60, os foliões de
[15:24] classe média começaram a desfilar também aí pelas
[15:27] agremias. Aí virou.
[15:29] É. Aí é que nem o havia um de
[15:31] Copacabana, vem um, vem um hotel.
[15:34] E falei, se eu fizer uma cascata de fogo?
[15:39] Em 61, pela primeira vez foram vendidos ingressos para os
[15:42] espectadores que assistiam na época, ainda em arquibancadas
[15:46] desmontáveis, e em 68, as Apresentações são transferidas
[15:51] para o local definitivo, avenida Marquês de Sapucaí, mas ainda
[15:55] sem o Sambódromo, que foi inaugurado em 80.
[15:57] E 4 é por lá o contrário, desfulava no.
[15:59] Sentido da. Presidente da saia da saia da do
[16:02] lá de perto do cemitério, chegava a frei.
[16:03] Caneca para Presidente Vargas, frei caneca.
[16:06] Isso, né? É o contrário.
[16:07] É, e aí? Outra novidade desse ano de 84
[16:11] foi a divisão dos desfiles. Para 2 dias.
[16:14] Estava bom, né? Agora não.
[16:15] Fala o desfile em 2 dias. Arlindo Rodrigues, gigantes do
[16:20] Carnaval se declarou na época que o Carnaval estava morrendo.
[16:24] Porque desfilar em 2 dias? Como é que IA julgar 2 dias e
[16:28] agora são 3? Não vamos entrar nessa não.
[16:30] É? Pois é, senão não vai acabar
[16:32] esse. Amor é uma vontade perdida,
[16:34] gente, mas aí, enfim, essa linha do tempo, acho que para amarrar
[16:37] o. Que a gente falou aqui dessa
[16:38] região e já quero partir para a parte.
[16:41] Não na sua o tempo. Faltou o último capítulo 2006, a
[16:44] criação da cidade do samba, que torna o espetáculo ainda mais
[16:48] gigantesco, ainda mais milionária.
[16:51] Fazendo 20 anos e vem aí a cidade do samba 2 é a qualquer
[16:55] momento, a qualquer momento. Bom, passando para a economia
[17:01] hoje, eu acho que vocês devem ter visto o anúncio que o
[17:03] governo do estado liberou uma verba de 40000000, né, para o
[17:07] Carnaval. E aí trouxe um Monte de dados
[17:10] aqui que eu vou pincelando é para comentários de Flávia al.
[17:15] A estimativa do governo do estado do Rio é que o Carnaval
[17:19] desse ano gera um impacto de 10 bilhões na economia do estado,
[17:23] um crescimento de 10% em relação ao ano passado.
[17:26] De mais de 50% em relação a 2024.
[17:30] É, são dados do estudo técnico que foi liberado hoje, né?
[17:33] Com que foi feito EE divulgado hoje para embasar a liberação
[17:38] desses 40000000 em Patrocínio para as escolas do grupo
[17:41] especial. Acho que vale dizer isso é.
[17:44] A expectativa do governo do estado é que o Carnaval deve
[17:49] gerar cerca de 50000 empregos direto e indiretos, podendo
[17:53] chegar a 70000 postos de trabalho temporários.
[17:56] Em várias áreas aí, né, é cultura, logística, serviços,
[18:00] comércios, atividades técnicas. E agora, falando da prefeitura
[18:04] do Rio, a estimativa é que a cidade o Carnaval, né?
[18:08] Na cidade vai atrair cerca de 8000000 de pessoas e movimentar
[18:13] mais de 5 bilhões e 700000000 na economia do município do Rio de
[18:19] Janeiro. Então é AAA.
[18:21] Expectativa é que o Carnaval de Rua receba mais de 6000000 de
[18:25] pessoas. Pelos seus 460 desfiles aí
[18:30] oficiais dos blocos, é muita gente, é muito dinheiro.
[18:34] A gente não tá falando só é do Carnaval da Marquês de Sapucaí,
[18:38] né? A gente tá falando de uma cadeia
[18:40] produtiva completa e ótima e perfeita e alinhada com as
[18:47] tendências globais, que são de a economia impulsionada pelo setor
[18:52] de serviços. Pelas experiências e não mais
[18:56] por linhas de produção de produtos de materialidade.
[19:00] E o Carnaval? Ele é uma experiência
[19:03] absolutamente completa, que ativa é a Isabela listou ali que
[19:08] ativa muitos ofícios, muitas profissões e muitas atividades
[19:14] econômicas. Então é pra dar um exemplo a
[19:18] gente. Estão andando até aqui.
[19:20] Tinham várias lojinhas e camelôs aqui da da alfândega, já com
[19:24] fantasia, com adereços, com enfeites, tudo Carnaval.
[19:29] Então é pensa que o leque que você eu estou querendo comprar.
[19:34] O leque que eu estou querendo comprar aqui agora, ele foi, é
[19:39] produzido, né? Por uma indústria.
[19:42] E por outra que fez o plástico, outra que fez o tecido, que
[19:46] serviu de matéria prima, outra tinta, então percebe como ela
[19:50] vai, é? Tem o transporte, o.
[19:52] Caminho que esse é OOO. Aí você vem, você viaja, vai ter
[19:57] Oo avião, é o hotel ou a casa de parentes?
[20:03] Vai ter o supermercado, vai ter o restaurante, vai ter o metrô,
[20:06] vai ter, o ônibus vai ter, o taxista vai ter.
[20:09] É, é. É uma cadeia completa.
[20:13] Mas isso falando somente da festa, né?
[20:16] Reparem que, por exemplo, a estimativa da prefeitura tá
[20:19] falando em 40 dias da temporada carnavalesca, levando em conta
[20:24] aí do do réveillon ou do pós réveillon até Oo final do
[20:27] Carnaval. Mas essa é cadeia produtiva.
[20:32] Ela é permanente. Ela não é, é.
[20:37] Um show ou 11 conjunto de Apresentações num determinado
[20:42] numa determinada semana do ano, de fevereiro ou de março.
[20:46] Ela está ativada o tempo inteiro e inclusive, muito bem
[20:50] distribuída geograficamente, porque as escolas estão fincadas
[20:56] em áreas as mais variadas da região metropolitana.
[20:59] Então tem Madureira, tem zona Oeste, tem, tem é padre Miguel,
[21:04] tem mangueira, Tijuca, Caxias, Niterói, São Gonçalo.
[21:10] Se a gente fizer uma expandir, né, pra pra outros municípios,
[21:15] Leopoldina, Nilópolis, né? Nem falei de Nilópolis é.
[21:20] E percebam que afora a cidade do samba, que é essa fábrica de
[21:25] alegorias de fantasias. A, digamos assim, a produção
[21:30] material mais é objetiva. Nas quadras você tem também
[21:36] atividade econômica, os ensaios, as feijoadas, os shows que
[21:42] também ativam a economia local. Quem já foi num ensaio de de rua
[21:46] ou um ensaio de comunidade ou de Quadra em escola de samba, sabe
[21:50] bem do que eu estou falando. A cerveja que você compra é
[21:53] vendida por um empreendedor dali daquela região.
[21:56] A cerveja, comida, o angústia. O rasco, então veja aqui é e
[22:00] tudo isso. O ader gosta muito de falar EE,
[22:03] eu quero que ele fale. Inventado por essa gente preta,
[22:08] pobre, periférica, que inventou o samba.
[22:11] E mais do que o samba, um complexo de entretenimento ultra
[22:17] sofisticado, porque ativa várias atividades econômicas.
[22:22] Não é somente sobre fazer uma música, gente.
[22:24] E batucar. É sobre produzir roupa, é sobre
[22:27] produzir adereços, é sobre produzir alegorias, é sobre
[22:31] fazer, é uma região metropolitana inteira migrar,
[22:35] fazer 111 deslocamento, uma travessia na direção desse
[22:40] centro da cidade que a gente acabou de falar o Carnaval, a
[22:43] Coisa Mais Linda que o Brasil produziu e produz.
[22:47] O Brasil não inventou nada. Melhor que a escola de samba é
[22:51] se a gente pensar que é um, é um, é um espetáculo.
[22:56] Eu já decorei essa, essa, essa fala.
[22:58] É um espetáculo que tem o elenco só no grupo especial, com 36000
[23:03] pessoas. Elenco esse que não se conhece,
[23:07] que não se fala, que não se encontra, que não recebe uma
[23:10] mensagem única, que só usa roupa de verdade na hora, que só
[23:15] manipula os equipamentos. Equipamentos esses que tem o
[23:18] tamanho de prédios de 4 andares é e que são dirigidos por um
[23:23] buraquinho. E que são guiados por gritos no
[23:28] meio da batucada e todo mundo sabe o que fazer e tem que
[23:32] dobrar uma curva de 90° e sair lá atrás em outra em outra
[23:36] curva, pra uma, pra uma rua super apertada.
[23:39] Se a gente conta isso e diz que é na Alemanha, no Japão, na
[23:42] Inglaterra, tá todo mundo aqui. Nossa, que coisa incrível, que
[23:45] tecnologia sensacional. E foi o povo preto do Rio que
[23:47] fez isso. Já deu errado já em 2% da dessas
[23:53] 94 edições. Que você tem acidentes, que
[23:56] vocês todo mundo lembra os acidentes, porque eles são muito
[23:58] raros. EE, esse desafio só aumenta e a
[24:02] e a cobrança para os artistas é encontrarem soluções.
[24:06] Ela só se acentua e eles continuam vencendo.
[24:10] Desde que Joãozinho 30 precisava decorar um carro no Salgueiro
[24:15] com espelhos e não tinha dinheiro para comprar espelho.
[24:18] E aí um dia ele pediu para comprar uma quantidade enorme
[24:21] daquelas forminhas de doce de festa.
[24:24] Porque aquela forminha é prateada.
[24:26] E aí ele virou ao contrário e decorou o carro inteiro com
[24:28] aquelas forminhas e ficou como se fosse um espelho.
[24:32] Então assim é, é o próprio Joãozinho 30 me disse várias
[24:36] vezes, entrevistei ele várias vezes.
[24:37] Ele dizia, o melhor povo do mundo é o brasileiro.
[24:41] A gente pode aqui também dizer que o pior povo do mundo é o
[24:44] brasileiro, por várias outras razões.
[24:46] Mas assim, se você pensa no Carnaval, o melhor povo do mundo
[24:49] é mesmo o brasileiro, porque para inventar isso e sustentar
[24:52] desse jeito por quase 100 anos. Fala Sério?
[24:55] Né? Isso que você falou da como a
[24:56] gente valoriza, né? As as coisas de fora, é as
[25:00] manifestações culturais de fora, mas não valoriza o Carnaval.
[25:04] Se você pensar, é as fantasias, especialmente as fantasias de
[25:09] casal de mestre sala e porta Bandeira.
[25:11] Gente, é a outra costura, é as as artesãs, as costureiras, né?
[25:17] As modelistas do Carnaval poderiam fazer qualquer uma
[25:20] daquelas roupas do met gala. Dos tapetes vermelhos do desfile
[25:24] da da Chanel, que foi anteontem. Gente de Edmilson, o Mol de
[25:28] porta Bandeira. Fazer aquelas pessoas jamais
[25:30] fariam uma roupa de porta Bandeira, mas nunca seriam
[25:33] capazes de fazer da arquitetura, né?
[25:37] Do do, do molde, de da da estrutura, da dessas roupas.
[25:41] Então é a gente. Eu acho que perde um pouco a
[25:44] dimensão por ser uma coisa tão. Corriqueira, né?
[25:48] Na nossa vida, todo dia agora que eu sou costureira, eu sei.
[25:51] Exatamente. A gente perde a dimensão da
[25:55] sofisticação, dos detalhes. Assim, é muito impressionante.
[25:59] Cada semana essas pessoas estão com uma roupa diferente.
[26:01] Não e diferentemente. Ensaios com brilho diferente,
[26:04] com um costeiro diferente, com um negócio todo cravejado
[26:08] diferente, então. É isso, já tem passistas musas
[26:12] que tem suas marcas de roupa de sandália.
[26:15] Te mandei outro dia, uma de sandália de de desfile, de das
[26:20] roupas dos collants, dos Boris da.
[26:23] Então, é toda uma indústria que vai sendo criada paralelamente,
[26:26] diferentemente de por causa disso.
[26:28] Prada, EE, outros dias e outra, até até estilistas brasileiros é
[26:32] do perrengue. Exatamente, não é?
[26:34] É no ateliê, em. Todo o material que precisar
[26:37] para você fazer isso aí. Não, não, não, querido.
[26:39] A pena tem que usar do ano passado de outra cor.
[26:41] Dá um jeito de pintar e ficar bom.
[26:43] Se vira, dá teu jeito é. Assim.
[26:45] Mas isso é lindo também, não? Já nasce circular antes da
[26:52] economia circular. Circular, né?
[26:55] Aparecer como conceito, né, de reaproveitamento de reciclagem.
[27:00] O Carnaval já fazia isso. Não é uma arte pra é continuar
[27:05] existindo, né? Ela é uma é não só um
[27:09] espetáculo, mas um modelo de produção, porque o espetáculo é
[27:12] isso. O Felipe Ferreira é que é
[27:14] teorizou muito bem sobre isso, né?
[27:16] Ele é montado, é, se apresenta e se desfaz mesmo.
[27:22] Um desfile das campeãs não é o mesmo desfile, ele não se
[27:27] repete, é uma festa que não se repete.
[27:30] A ficar só. Num exemplo, o arroz bobo e
[27:32] dambé da não foi mesmo? Não é?
[27:35] Foi o metrô, tudo. Trocado.
[27:37] Era feio e tudo depois é desmontado e reaproveitado.
[27:43] Tem carro que a gente já viu passando aí em várias.
[27:45] Não é o que é. Vai passando, está na
[27:47] entendente. Aquela escultura que a gente já
[27:49] viu tem 3 anos. Aliás, esse é um exercício.
[27:52] Esse é um exercício do dos integrantes da bolha, que é
[27:55] descobrir. Esse índio aqui já saiu, não tem
[27:59] um essa escultura. O cara saiu e outras no 10
[28:03] escolas. Estava no Arame de Ricardo, eu
[28:04] acho, sei lá, uma escola lá do entendente tinha um a figura de
[28:08] um indígena. Que no Barracão chamavam de
[28:10] indígena Gracyanne, porque desflou em tanta escola que
[28:12] parecia grafano, barbando? E as coisas, cala a boca.
[28:16] Gente, vamos passar pra beija flor, pelo amor.
[28:18] Eu IA contar uma fofoca em quem da beija flor?
[28:20] Então vai vamos começar o nosso bloco beija flor.
[28:23] Queremos fofoca? Calma aí, porque nos foi
[28:26] encomendado fazer 111 bloquinho beija flor para contar como a
[28:32] gente virou beija flor, como surgiu nossa paixão pela beija
[28:35] flor e um momento marcante. Da nossa história, da nossa
[28:39] paixão, pode começar. É só a fofoca rápida dessa
[28:42] questão de reutilizar e de fazer no perrengue e tal.
[28:45] Teve um determinado ano. Que céu mesmo.
[28:48] Sorriso gigantesco é o porta Bandeira da beija flor 30.
[28:52] Anos de beija flor, 35 anos dançando com Claudinho.
[28:55] Claudinho, ela recebeu lá AO desenho do vestido dela que já
[29:00] estava começando a ser feito, a ser confeccionado pelo
[29:03] costureiro. Disse pro carnavalesco que que
[29:07] ninguém precisa aqui citar ele, que é uma pessoa legal e que é
[29:11] não tem culpa, é que acho lindo. Mas olhou uma pessoa melhor e
[29:16] tudo, aí foi no patrão da escola e disse assim, ei, o circo isso
[29:20] aqui pra dançar talvez não funcione direito e tal essa
[29:23] questão técnica e tudo mais. Patrono voltou no carnavalesco e
[29:27] disse assim, faz o que ela tá falando, que ela que garante a
[29:31] nota 10 e aí o costureiro já tinha começado a roupa.
[29:35] Teve que começar do zero e fazer um vestido totalmente diferente,
[29:39] porque ela porque e deu certo, porque ela tirou tudo nota 10.
[29:42] E foi realmente fazer o que ela pediu.
[29:44] Foi o melhor. E é o que é o que tem que fazer
[29:46] todo ano. Mas essa história mostra que é
[29:49] um perrengue com 1000, não é Oo estilista que é inspirado e faz
[29:54] o que ele quiser. Não tem 1000 regras, 1000
[29:56] questões. É 1000 cobranças, depois, então
[30:00] assim é. A roupa também é quesito, né?
[30:02] A roupa também é quesito. Tem a altura certa, não pode ter
[30:05] muito curto não, Caio. Não Caio na armadilha.
[30:08] Na escola de samba é Alegria. Tem nada de Alegria, nada.
[30:11] Escola de samba é drama, é sufoco e é perrengue.
[30:15] Sua paixão pela? Beija flor?
[30:17] Bem, é eu. Eu só ganho da Isabela em termos
[30:20] de tempo de beija flor, porque nós somos uma geração de uma
[30:24] geração diferente. Da Flávia eu perco longe, apesar
[30:27] de ser mais velho do que ela. Eu não tinha escola de samba,
[30:30] não tinha nenhum interesse pela escola de samba até virar
[30:32] jornalista. E aí cobri pela primeira vez o
[30:35] desfile em 88, o desfile de kizomba, que o desfile que só
[30:38] passou uma vez, teve uma enchente no Rio, não teve
[30:40] desfile das campeãs, cobri pelo jornal do Brasil, que isso
[30:44] também já não existe mais, é e cobri.
[30:47] Achei interessante aquilo ali porque eu, numa rápida conversa,
[30:51] descobri personagens incríveis que ninguém contava a história
[30:54] deles. Eu falei, gente.
[30:55] Já que ninguém faz matéria disso, vou fazer eu, mas não fiz
[30:58] nesse primeiro ano. No ano seguinte, o jornal do
[31:00] Brasil me mandou de novo. E o que que teve em 89?
[31:04] Ratos e urubus, larga a minha fantasia, o Cristo mendigo,
[31:07] tapado passou assim, ó pertinho de mim, assim eu lembro como é
[31:10] que eu tava vestida até hoje de ver aquele transe coletivo e eu
[31:15] fiquei totalmente apaixonado pelo Jovi e 30.
[31:19] Depois me apaixonei pelo laíla e nesse tempo todo me apaixonei
[31:23] pela beija flor, pelo. Projeto beija flor, que é 11
[31:27] coisa totalmente diferente. As escolas são todas diferentes
[31:29] entre si. Não é justo dizer que a beija
[31:31] flor é diferente das outras. Todas elas são diferentes entre
[31:34] si. Elas são identidades muito
[31:36] próprias. Mas o projeto da beija flor é
[31:39] muito impressionante. E nessa questão de ser Sério, de
[31:41] ser dramático, nesse ponto a beija flor não é de todo mundo.
[31:45] Misericórdia. Esse é o seu momento, assim,
[31:48] mais marcante, então, o meu. Momento mais marcante na beija
[31:51] flor é o desfile do Laila, o desfile do ano passado.
[31:54] Ah, para. Já roubou meu momento.
[31:57] Qual? Todo mundo quer falar isso
[31:58] agora, fala Sério. Não mais o momento não tá bom.
[32:02] Eu fico com rato, urubus, então porque é o maior descrito de
[32:05] todos os tempos. E eu estava lá, ao vivo, dentro
[32:07] da pista, vendo aquilo passar 2 vezes no descrito de cinema e no
[32:11] descrito das. Campeãs?
[32:16] Então eu namorava seu pai, né? Namorava seu pai e a gente.
[32:22] Viajou para Penedo para acampar. Eu.
[32:26] Estava acampada. E por falar.
[32:28] Em eu já era, eu já era beija flor, subia, era lama, era lama,
[32:33] era lama. Eu sei que é outra canção, mas
[32:35] era lama, era lama, era lama, é, mas eu já era beija flor há
[32:40] bastante tempo, desde os anos 70.
[32:42] Eu preciso dizer que, como quase todos os cariocas, eu nasci.
[32:47] Né? Em alguma medida, nasci
[32:49] mangueirense No No Rio de Janeiro, ou você nasce mangueira
[32:52] ou você nasce Portela. De modo geral, era assim na
[32:55] minha época, filha de uma mãe mangueirense, e eu gostava
[32:59] muito, continuo gostando, me me me emocionei profundamente as 2
[33:03] vezes que desfilei Na Na mangueira, mas eu me apaixonei
[33:07] pela beija flor, ainda menina, lá pelos idos de 1976, no
[33:11] tricampeonato, né? O primeiro campeonato só na
[33:14] Correia da leão. Por aquela, por aquele
[33:18] espetáculo visual, né? É absolutamente apaixonante.
[33:23] Então eu gosto de dizer que eu sou beija flor desde que o
[33:26] Neguinho chegou. Então, há pelo menos 50 anos,
[33:30] esse é um é 11 ponto em 89. Então eu fui acampar com meu
[33:38] então namorado e mais um casal de amigos.
[33:40] E mas eu é. Sempre fui fanática por escola
[33:43] de samba, embora nunca tivesse pisado no Sambódromo.
[33:47] O meu primeiro desfile no Sambódromo é assistindo.
[33:50] Foi 1994, numa entressafra horrorosa que a beija flor não
[33:54] ganhava nada, só perdia da Imperatriz.
[33:57] A beija flor foi a última. A beija flor foi a última grande
[33:59] a ganhar no Sambódromo. Ela ganha 83, que é o último
[34:02] desfile do Sambódromo, e só vem. Só ganha de novo em 98.
[34:06] Então, veja, é prova de caráter. Eu sou Vasco também.
[34:11] Toda. Evidência é.
[34:14] Coisa de gente sem personalidade.
[34:16] Entendeu que vai ficando, mas enfim, é no acampamento.
[34:21] Eu botei o relógio para despertar, sabia que a beija
[34:24] flor IA fechar aquele desfile e acordei para ir para o
[34:27] refeitório do camping. É assistir o desfile.
[34:30] Era uma televisão lá no alto, eu aqui numa naquelas mesas
[34:34] coletivas, sozinha só tinha eu, EE, eu vi aquilo.
[34:39] E eu fiquei tão emocionada e eu chorei tanto que eu eu jurei que
[34:45] eu nunca mais ficaria longe do Rio de Janeiro no Carnaval,
[34:50] muito menos nunca. E é verdade.
[34:54] Muito menos. Mas eu nunca mais saí do Rio de
[34:58] Janeiro, mesmo só tendo pisado pela primeira vez na Sapucaí em
[35:03] 1994. O meu primeiro desfile na beija
[35:05] flor foi em 1999 Araxá. Eu já tinha desfilado antes.
[35:07] Meu primeiro desfile na Sapucaí foi em 1998, Unidos da Tijuca,
[35:12] Vasco da Gama. Não comecei bem.
[35:19] Não comecei bem, a escola foi rebaixada.
[35:21] Não, mas é bateu maldade. Quero dizer aqui eu que sou
[35:24] rubro negro. Quero dizer aqui que é um
[35:26] desfile em que a Tijuca foi julgada com esse seu vigor para
[35:30] ser gentil e caiu sem merecer. Foi injusto o resultado da
[35:34] Tijuca desse ano. Mas eu tenho assim, eu não.
[35:36] Eu detesto o ranking, né? De 11.
[35:39] Qual é o maior momento? Porque foram muitas emoções.
[35:43] Um Carnaval que eu não desfilei, que me emocionou profundamente,
[35:47] foi a gotime. 2001 foi um Carnaval inesquecível da beija
[35:53] flor, inclusive do ponto de vista de trazer uma história que
[35:56] a gente não conhecia, a saga de de agrotime a casa da mina, né?
[36:01] É a macumba do Maranhão. Esse ano é benbé, mas a gente já
[36:04] cantou AA macumba, EEA, macumba, gegie do Maranhão.
[36:09] Meu primeiro desfile, 99 Araxá foi a coisa mais emocionante,
[36:12] desfilar pela minha escola 2007. Áfricas é áfricas um desfile que
[36:20] é. Eu participei e quando eu saí,
[36:23] todo mundo me dizia, a beija flor campeã foi incrível.
[36:26] A entrada da beija flor com aqueles animais gigantescos, né?
[36:30] A savana é adentrando a Sapucaí e que mais tarde nos legou.
[36:36] Foi uma coincidência, já estava prometida, mas essa Bandeira do
[36:40] Carnaval 2007 é um quadro na parede.
[36:44] De lá de casa, da nossa casa, porque a selminha escolhe no
[36:49] Carnaval é anterior quem receberá a Bandeira do próximo,
[36:54] então você não sabe qual é o resultado.
[36:56] E quando chegou era áfricas, então eu vou escolher.
[37:00] Áfricas 2007, sou quilombola, beija flor.
[37:03] Sangue de rei, comunidade. Bom, vou tentar falar rápido que
[37:10] a gente já está nos nossos é a. Gente, já.
[37:12] Passou do do tempo. A minha paixão é, não existe
[37:17] vida. Eu não não conheço a vida sem a
[37:20] beija flor, né? Eu acho que já ficou muito claro
[37:22] aqui, eu nasci, ela nasceu, eu beija flor, interrogação, beija
[37:26] flor, eu, eu. Eu acho que o primeiro samba que
[37:29] eu aprendi a cantar da beija flor, foi 99.
[37:33] Eu tinha 3 anos. Araxá que foi.
[37:35] Pode ser então ou antes aquele beija flor espacial era 2001,
[37:39] 2001. Esse aí eu lembro. 2000
[37:41] completa. 2002 2000. E 2.
[37:43] Eu lembro de 98 para frente eu aprendi todos os sambas.
[37:47] Que foi o momento que eu aprendi, né?
[37:48] A falar. E aprendendo a falar, aprendi a
[37:51] cantar os sambas da beija flor. Eu acho que tive 2 momentos é
[37:57] muito inesquecíveis, que foi ter desfilado no carro em Manga
[38:00] larga 2015 fez 10 anos. Tem fofoca?
[38:03] Se deixar, eu conto, tem fofoca, Manga larga, tem fofoca da
[38:07] Isabela. Eu tive que maquiar as pessoas
[38:09] na concentração porque começou a atrasar.
[38:11] Não tinha gente para maquiar um carro da corte portuguesa.
[38:14] A gente era com aquela cara assim, de daquela coisa branca.
[38:17] Não, não sei o nome, aquela tinta branca assim.
[38:21] E não tinha gente o suficiente para maquiar, tinha que subir no
[38:24] carro e não, não, não estava, tinha que entrar não sei o que.
[38:27] Aí eu falei, me dá esse negócio aqui.
[38:29] Falei para mulher, me dá um, ela, você sabe maquiar?
[38:31] Eu falei, sei, aí faz uma fila aqui, fui maquiando as pessoas
[38:35] tem. Essa cota?
[38:36] Fantasiada já com a minha maquiagem.
[38:38] Então é é esse nível de tensão do Carnaval, mas eu acho que o
[38:43] momento mais arrebatador que eu já vivi com a beija flor.
[38:47] E no Carnaval. Foi ano passado na paradona do
[38:50] desfile, né? No naquele momento ali eu quero
[38:54] entusiasta da paradona, vocês me ouviram falar isso no algo de
[38:58] grelo fazer o meu lobby, porque eu sentia a gente dentro do meu
[39:03] coração que você veja, falou, fizesse a paradona IA ganhar o
[39:06] Carnaval. Eu tinha certeza absoluta disso.
[39:08] E foi a sensação que eu tive no momento em que eu ouvi a bateria
[39:11] parando também tem esse vídeo. É, eu tinha certeza que a beira
[39:15] flor tinha ganho o Carnaval para mim.
[39:16] Assim, não tinha a menor dúvida que foi aquele momento.
[39:20] E eu acho que quem vive o Carnaval vive esses momentos,
[39:23] reconhece esses momentos. A gente quando entrou aquela
[39:27] comissão de frente da Tijuca, do segredo.
[39:29] A gente sabia que tinha ganho o Carnaval quando entrou a
[39:32] comissão. Morrendo de ódio, vou contar uma
[39:34] fofoca. Não, eu quero contar, eu vou.
[39:36] Falar do Salgueiro, eu vou falar.
[39:38] O Salgueiro riu no cinema, que era aquele carro, que era o
[39:41] teatro municipal. As escadarias tinham, né?
[39:44] Os os dançarinos sapateando e o altofalante do sapateado.
[39:49] Aquilo ali, aquele aquele abre alas do Salgueiro, ganhou o
[39:51] Carnaval. É que o Salgueiro acabou com o
[39:53] desfile depois. Mas eu fiquei revoltada porque
[39:57] era o ano do Roberto Carlos na beija flor.
[39:59] E eu amo Roberto Carlos, como vocês também já sabem.
[40:02] E aí aquele carro do Salgueiro? Eu também, o Adam não me
[40:04] apresentou o Roberto Carlos no ano da.
[40:07] Mano, esse é um ressentimento que ela vai levar até.
[40:11] Se eu tivesse matado o Roberto Carlos na avenida, já estava
[40:14] solto no semiaberto, de tornozeleira, mas eu ainda sou
[40:17] condenado por não ter apresentado.
[40:19] Não prescreve? Não.
[40:21] Isso aqui, definitivamente não. Então a gente vive esses
[40:25] momentos em que a gente olha, como pra mim também foi a
[40:28] comissão de frente da Viradouro no arroba boi.
[40:32] Quando passou aquela comissão de frente, eu falei, essa escola
[40:34] ganhou o Carnaval, não tem menor dúvida, né?
[40:36] EE pra mim foi aquela paradona do ano passado, foi a maior.
[40:40] Eu acho emoção que eu já senti na Sapucaí, estando na Sapucaí
[40:44] desde os meus quantos anos de idade.
[40:46] AI desde de 3 anos, né? E portanto, né, desde, desde a
[40:50] idade do Martin também vai ter essa história para contar.
[40:53] EE é isso, eu sempre fui beija flor.
[40:56] Eu sou completamente apaixonada por essa escola.
[40:59] Era apaixonada pela beija flor principalmente, e ao longo do
[41:03] tempo também. Com a maturidade, aprendi a amar
[41:06] as outras escolas e me apaixonar também pela festa, pelos outros
[41:10] enredos, porque antes eu só queria que a beija flor
[41:12] ganhasse. Nesse mesmo 2011, nesse mesmo
[41:15] 2011, é quando a maturidade não tinha chegado ainda.
[41:18] É. Teve um incêndio gigantesco na
[41:21] cidade do samba, que 3 escolas, união da ilha, Portela e grande
[41:24] Rio conseguiram reconstruir seu Carnaval, mas foram retiradas do
[41:27] julgamento porque não era justo, né?
[41:29] Não tinha equilíbrio. E aí eu fui cobrir aquilo,
[41:32] trabalhava, trabalhava no Globo na época, fui cobrir aquilo e
[41:35] tal, arrasado, já conhecia todo mundo de tudo quanto é escola,
[41:38] é, eu gosto de todas as escolas, de todas as pessoas.
[41:40] Eu não torço contra ninguém, porque eu sei o trabalho que dá,
[41:42] então assim, eu quero que dê certo para todo mundo.
[41:44] É. E aí eu chego em casa muito
[41:46] triste. Falo, aí vira Pra Ela.
[41:47] Falo, Isabela, pô, o incêndio destruiu tudo, destruído.
[41:50] Acabou o Carnaval dessas pessoas e tal.
[41:52] Ela vira pra mim e fala assim, menos 3 no caminho da minha
[41:54] escola. Gente, essa frase reflete na
[41:58] obra daquele tema. É, pois é, eu.
[42:01] Tinha, sei lá, daqui 12 anos, por favor.
[42:05] Bom, agora encerrando o nosso capítulo do beija flor.
[42:09] Mas começando ainda, né? Oo enredo aqui beija flor na
[42:13] nossa noite. Vamos chamar ele?
[42:16] O nosso, o nosso ídolo, a nossa voz, aquele que eu nem sei como
[42:20] é que vai ser esse ano. Porque como eu disse, eu sou
[42:23] beija flor. E tudo que eu entendo que eu
[42:26] conheço de beija flor se relaciona com esse que é uma.
[42:33] É uma referência da beija flor, é tomou a beija flor como
[42:36] sobrenome de tão é relevante uma história de lealdade, de
[42:42] devoção. É de entrega a uma escola que se
[42:46] despediu No No ano passado, que foi ganhador dos 15 títulos.
[42:53] Foi a voz dos 15 títulos que a beija flor tem.
[42:56] Estava no primeiro e estava é no 15º de 2025.
[43:00] É uma honra pra gente receber no angu de grilo, Neguinho da beija
[43:03] flor. Senta aqui, você dela pra lá.
[43:27] E você senta aqui, por favor. Olha ele, gente.
[43:35] Ele vai confirmar que o azul antigo era esse.
[43:38] Mas não é exato. Tá mais azul, né?
[43:43] Tá bem azul, tá azul que nem o. Eu vi na versão tá dos tempos
[43:48] atuais. Naquela época, naquele tempo,
[43:51] esse azul aí era Portela. Tá confirmado?
[43:57] bem-vindo ao nosso angu de grilo, na biblioteca parque.
[44:01] É a nossa primeira. É edição ao vivo aqui nesse
[44:05] local que tem guarda muita história e muita memória.
[44:10] Né? É do do samba, do Carnaval, das
[44:14] origens do samba. E eu queria é Neguinho primeiro
[44:19] repetir a você a as 2 perguntas que a gente acabou de responder,
[44:23] eu, Aidan e Isabela sobre quando é que você identifica a paixão
[44:31] pela beija flor, quando é que ela nasce e qual é a sua memória
[44:35] mais? Marcante mais emocionante dessa
[44:39] sua história de 50 e +50, mais como a beija flor, porque não
[44:45] passou, não? Não acabou não.
[44:47] Bom é, é na adolescência, como você era mangueira?
[44:54] Não foi na infância, era bem bem.
[44:56] Eu na adolescência, até o na adolescência, até o S20 anos, 21
[45:01] mais ou menos eu era são lourense.
[45:09] A minha? História que é o beija flor.
[45:11] A minha paixão de né? Foi que eu fui ter recusado nas
[45:17] 4 escolas naquela ocasião. Naquela época, as 4 grandes
[45:25] considerada top, né? Que era mangueira, Salgueiro.
[45:31] Cortela e Pedro serrano eu fui dispensado nas 4 e.
[45:36] Ousadia, né? Muita ousadia, né?
[45:39] Em 75, quando o João passou, foi convidado para ser o
[45:44] carnavalesco da beija flor. Coincidentemente, eu fui também
[45:50] convidado pelo anis levado pelo cabana e o zamba.
[45:55] Fazer o castelo dos pilares de cabana.
[46:00] Então eu fui convidado, entrei, passei a fazer a parte dele, ele
[46:06] já falou junto com o Joãozinho 30, Viriato Ferreira, aquele
[46:09] time bom que veio de sogueiro e eu fui de uma forma tão
[46:15] maravilhosa, recebido pela comunidade Nilópolis, né que?
[46:24] Eu tive a Felicidade também de de de no concurso do do samba de
[46:29] enredo, eu ser um vencedor. E a paixão foi vindo, né?
[46:35] Foi vindo hoje eu coitadinho de sangueiro aí porque a beija flor
[46:43] proporcionou o que? Se alguém me considera alguém no
[46:48] mundo da da música, no mundo do samba, isso aí.
[46:52] Eu devo a beija flor e a beija flor.
[46:54] Hoje é a minha família, é a minha paixão, o amor da minha
[47:00] vida. Quando?
[47:06] Quando o Neguinho chegou na beija flor, o sagueiro tinha 7
[47:08] tiros, na beija flor não tinha nenhum, hoje o sagueiro tem 9 e
[47:12] a beija flor tem. 15. A beija flor na época era
[47:15] considerada beija flor. É Tupi de barge Pina na época.
[47:22] Arrastão de Cascadura, olha o time.
[47:25] Em cima da. Hora em cima da hora, em cima da
[47:28] hora, Mocidade independente de para Miguel, que tá aí até hoje,
[47:32] é hoje é uma considerada top, mas na época também era raia
[47:37] miúda, é, então é isso hoje, não é?
[47:44] Quando eu entrei para beija flor, a beija flor.
[47:47] OOO título mais relevante foi o um 1/6 lugar, se eu não me
[47:55] engano, era uma história. Realmente é considerada.
[48:00] Pequena. O médio porte é não, o pequeno é
[48:02] o passo com a minha. Aí também não, né?
[48:07] Médio? Porte o médio porte.
[48:10] E o momento mais especial foi ano passado.
[48:14] Foi o momento mais especial. Foi eu ter tido a Felicidade de
[48:19] ser O Vencedor do são mineiro e a beija flor, seu primeiro
[48:22] título com o meu samba e com a minha interpretação.
[48:26] E depois foi Oo. São 2, né?
[48:32] 2 momentos marcantes, né? Na minha história com a beija
[48:35] flor foi o ratos e o Urubu de larguei a minha fantasia
[48:38] Carnaval de 89 que a história do Carnaval do Cristo mendigo, né?
[48:46] Isso. Vem cá, eu quero ouvir você e
[48:49] aidano falando, a gente já tá no limite do nosso tempo.
[48:54] Acho que essa pode ser ali meio a última pergunta sobre qual foi
[48:58] é a repercussão que vocês sentiram a partir do
[49:02] documentário da série documental é e do que vem aí?
[49:07] Porque tem mais projeto vindo de vocês, desta dupla trabalhando
[49:12] conjuntamente? Mas qual foi a receptividade?
[49:15] Porque muita gente que a gente tem encontrado fala como é
[49:18] emocionante. Que coisa linda a Sério.
[49:21] Eu não sabia de nada daquilo, então eu queria que vocês 2
[49:24] falassem um pouco. Vou falar brevemente, você
[49:28] termina. Eu tenho muita ideia de projeto
[49:32] e de personagem para fazer livro documentário no Carnaval.
[49:35] Muita, muita, muita, muita é. Mas eu nunca pensei em fazer
[49:40] nada com Neguinho. O que eu sempre achei que ele
[49:43] tava aqui o tempo todo, ele é do tempo presente.
[49:47] Então não, não tinha essa, essa não tinha 1010, com 11 e 30, com
[49:52] Paulo da Portela, com cartola, com enfim, com um Monte de gente
[49:55] do do Carnaval, mas não tinha com ele.
[49:57] E aí num dia na pandemia, todo mundo trancado em casa.
[50:01] No sábado, ele não lembrava disso.
[50:03] Eu que contei para outro dia isso tocou o telefone, era ele,
[50:07] sábado, casa, isolamento total. Eu digo o alô.
[50:11] Ele fala assim, quero que você conte a história da minha vida.
[50:14] E a pergunta que eu fiz foi, para quem?
[50:16] Porque eu? Pensei, que eu?
[50:18] Tinha que falar com alguém assim para contar a história da vida
[50:20] dele. É, ele falou, não, eu quero
[50:22] deixar registrado, porque eu fui no enterro de um amigo, de uma
[50:25] pessoa querida, que era o Agnaldo Timóteo.
[50:29] É. E aí eu preciso tá com a minha
[50:31] vida registrada para minha filha.
[50:33] O objetivo dele com isso? Um dos seus ídolos, né, o
[50:36] Agnaldo? É, eu considero a maior voz.
[50:40] Não é não desmerecendo nosso rei Roberto Carlos, mas eu considero
[50:47] a maior voz do país. Foi grande e me ensinou muita
[50:53] coisa, me ensinou muita coisa. Me recomendou que procurasse 11
[51:00] orientação, porque ele estava perdendo a voz na época.
[51:06] E ele me recomendou que eu. Procurasse uma fono e uma
[51:12] professora de canto e foi hoje e a voz voltou para o lugar.
[51:17] Até hoje. E aí ele, ele, a gente começou a
[51:20] gravar. Nesse caso, a pandemia até
[51:22] ajudou, porque a gente é em isolamento.
[51:24] A gente gravou é 18 horas de entrevista por videoconferência,
[51:29] que vai até um determinado ponto da história, porque a história
[51:31] continuou, né? Tá continuando aqui é EE isso.
[51:36] Permitiu conhecer esse personagem?
[51:38] Absolutamente inacreditável. Ele é inacreditável.
[51:43] Assim, a história dele é, eu não vou me cansar de repetir, se
[51:47] nascesse No No hemisfério norte, né?
[51:52] Num país colonizador. Já teria uns 4 ou 5 filmes com
[51:56] Denzel Washington no papel, Will Smith um.
[51:58] Cara desses. Michael, big job.
[52:01] Tá na moda? É, e aí ele vai me surpreendendo
[52:05] com histórias novas. A história que fez mais sucesso
[52:08] no documentário eu não sabia. Antes de de passar no
[52:12] documentário, a gente tava a caminho da casa dele.
[52:14] E aí ele diz assim, pra numa rua assim?
[52:18] Ele diz assim, não para aqui, para aqui que tem 11 história
[52:20] aqui tá em frente a uma casa. E aí ele começa a contar a
[52:23] produtora, começa AAA gravar no celular, ele contando que é a
[52:28] casa onde ele morou num chiqueiro.
[52:31] Aí eu perguntei para ele, mas o chiqueiro que estava sujo não é
[52:32] um isqueiro, onde morava um porco mesmo.
[52:35] E lá ele fez esse samba que ele contou do momento emocionante,
[52:38] chamava correio da leão. Então assim não para mais.
[52:41] E aí, depois do documentário, vem aí um musical biográfico
[52:45] sobre a vida dele e depois a biografia dele.
[52:48] É que ele me esses presentes que ele me deu um para de me dar
[52:50] presente. Impressionante fazer isso tudo.
[52:52] É o maior prazer. Uma satisfação, né?
[52:58] Uma coisa que aconteceu assim, eu queria contar que você
[53:04] contasse a minha história pra mim, mostrar pro pra ficar pros
[53:07] meus filhos, netos e acabou atingindo aí praticamente o
[53:12] mundo todo. É, é, quero que ele conte o dia
[53:19] que ele me liga e fala assim, ó, estou fora.
[53:24] Ele falou assim para mim, falei, está fora de onde?
[53:28] Ele não, do Carnaval, não vou mais cantar.
[53:29] Eu falei, calma, calma, calma, espera aí, espera aí, espera aí,
[53:32] vem assim, não, conta aí. Foi o que uns 2 anos antes, né?
[53:37] Isso eu queria parar. Eu digo, não, chega de Carnaval.
[53:43] Aí ele faz mais falta 2 anos para você completar 50, completo
[53:47] 50. E aí eu cantei mais 2 anos.
[53:54] Aí quando completei 50 anos de beija, aí passei o microfone
[53:59] para nova geração. Talvez seja o único, né?
[54:04] Ou seja, o seja o único que teve essa, essa.
[54:08] Com esse, com essa. Longevidade essa iniciativa, né?
[54:12] E leal a uma, a uma escola, né, que também hoje é muito raro,
[54:18] né? Hoje a gente vê é os sambistas,
[54:20] os cantores mesmo, os casais, né, os coreógrafos, né, os
[54:25] carnavalescos, passando por por várias escolas.
[54:29] Então essa essa história, essa sua história com a beija flor,
[54:33] né? Ela também tem essa carga da
[54:39] lealdade, da devoção. Há uma.
[54:42] Há uma Bandeira, há uma agremiação.
[54:44] Ah, não, não é trivial. Mas não é verdade.
[54:46] Foi tudo por dinheiro, né, Neguinho?
[54:48] Fala aí. Talvez.
[54:52] Eu tive uma informação que o Jamelão também não, não, não era
[54:58] remunerado, é, é verdade. Talvez eu e Jamelão é sejamos Oo
[55:04] único intérprete de escola de sambas.
[55:07] Não remunerado, 50. Isso ninguém acredita, né?
[55:13] Você agora vai ficar, como é que você vai vai voltar para a
[55:16] comunidade, né? Porque você parou de cantar na
[55:19] beija flor, o Anísio vai parar de dar aí os seus quanto, 50100
[55:27] 1000 não, mas é mais a gratidão, é gratidão vale mais do que
[55:35] dinheiro. Ele me disse uma frase incrível
[55:37] que foi foi na época do câncer, né?
[55:41] Quando ele teve câncer, um câncer super grave, que ele foi
[55:44] na Quadra careca da quimioterapia e as pessoas
[55:48] descobriram ele na Quadra. Não foi cantar que ele não podia
[55:51] naquele momento. E a comunidade descobriu ele e
[55:53] aí virou um grande culto, uma grande, enfim, um grande Chile,
[55:58] sei lá como é que chama isso? Uma gira, enfim, uma.
[56:01] Gira pode ser um ebó coletivo. Um ebó coletivo por ele.
[56:06] É EE, ele diz assim, aí ele diz assim para mim, pô, se alguém
[56:09] tivesse que pagar alguém. Se alguém tivesse que pagar
[56:12] alguém entre eu e beija flor, eu acho que com 150, 200 anos, eu
[56:18] cantando na beija flor sem remuneração, não pagaria o que a
[56:22] beija flor me proporcional. Ele lembrou do é bom.
[56:32] Venciador, que é o verso do samba do Paraíso do Tuiuti e é
[56:37] isso é bom venciador e um é bom coletivo, mas pode ser culto
[56:40] também. Pode ser missa.
[56:42] A gente pode chamar do que a gente quiser.
[56:44] É o ponto. É essa energia, né?
[56:48] É entregue dedicada a um a um ídolo que é Neguinho da beija
[56:52] flor e já que ele mencionou Agnaldo Timóteo como a grande
[56:57] voz masculina brasileira. É.
[56:59] E já que ele mencionou Jamelão como também essa grande voz do
[57:03] samba, eu é, peço licença a essas 2.
[57:08] É divindades também. É figuras tão especiais para te
[57:14] colocar nesse patamar, sabe? E.
[57:17] Já falei isso, eu falo bem de você pelas costas, então eu vou
[57:21] falar bem de você. É na sua frente, porque você tem
[57:25] uma relevância imensa para essa indústria, para essa cadeia
[57:30] produtiva que se chama o Carnaval das escolas de samba do
[57:33] Rio de Janeiro. Pro samba do Rio de Janeiro, pro
[57:37] pagode carioca. E aqui tô repetindo uma frase
[57:41] que eu ouvi do seu Ney Lopes, outro grande mestre, dizendo da
[57:45] sua relevância como compositor também dessa vertente também
[57:50] demais essa vertente do samba que se chama pagode carioca,
[57:56] além de samba enredo, além de compositor de música brasileira,
[58:01] além de compositor de samba, é também um grande compositor.
[58:05] Do pagode do Rio de Janeiro. É uma voz absolutamente
[58:10] marcante, inesquecível, relevante, eterna na memória de
[58:15] todos nós, sejamos beija flor ou não, né?
[58:20] É? E com uma história de superação
[58:24] que é inspiradora para todos nós brasileiros, mas em particular
[58:30] para jovens rapazes. Homens, meninos negros dessa
[58:37] história. Neguinho, você é era um menino
[58:42] de pés no chão que se transformou no maior ídolo de
[58:47] uma das maiores. É representações da cultura
[58:52] brasileira. Então é em meu nome, eu acho que
[58:55] em nome não só da minha família, mas desse auditório da beija
[59:01] flor de Nilópolis. E dos brasileiros, homens e
[59:04] mulheres brasileiros, em particular, dos homens pretos
[59:07] brasileiros, das mulheres pretas brasileiras.
[59:10] Muito obrigada.

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