# Episódio 36 - Inês Francisco Jacob

An episode of [Ponto Final, Parágrafo](https://invisiblenetwork.ai/podcast/1446064267), 2 Dec 2020, 1 h 04 min.

Audio: https://anchor.fm/s/80a352c/podcast/play/23415106/https%3A%2F%2Fd3ctxlq1ktw2nl.cloudfront.net%2Fstaging%2F2020-11-2%2F67e53587-85e9-f819-0eb6-e11b95870185.mp3

Inês Francisco Jacob sempre gostou de escrever, mas nem sempre deu a mesma importância à escrita. Obrigação de escrever? Com ela não, mas necessidade de pôr tudo no papel – seja em prosa ou poesia – essa há. Em entrevista com Magda Cruz, a poeta conta a sua história com a literatura e deixa conselhos para novos autores. Há espaço para muita poesia, o humor, cartas e livros. A Inês pede que dês uma nova oportunidade ao “As ondas”, de Virginia Wolf; conheças a carta de Oscar Wilde e a poesia de Rilke. Design: Ana Lopes/ESCS FM Genérico: Nuno Viegas

## Transcript

[0:10] ponto final parágrafo costuma-se dizer que não há duas
[0:25] sem três por isso sê bem-vindo ou bem-vinda à terceira
[0:29] temporada do ponto final parágrafo o meu nome é magda
[0:31] cruz e estás a ouvir o trigésimo sexto episódio deste programa
[0:34] desce fm em parceria com a comunidade cultura e arte em
[0:37] podemos nos livros para falar da vida sabemos da fibra de uma
[0:41] pessoa pela forma como trata os animais e os livros são versos
[0:45] de uma poeta convidada nossa hoje inês francisco jacob olá
[0:50] inês ser bem vinda aqui em nosso estúdio renovado e que se
[0:56] estreia agora nesta terceira temporada e eu queria começar
[0:59] por te introduzir o a parte mais importante o cão da inês tem o
[1:04] mesmo nome de uma publicação onde se colaboraram pessoa e
[1:07] almada negreiros o filme tem vinte e oito anos a inês não o
[1:12] cão e nunca gostou de escrever por obrigação quando o terramoto
[1:15] da escrita se fez sentido de facto na vida de inês sacudiu a
[1:19] de tal forma que se abriu um buraco no chão o branco
[1:22] transformou-se em toca para onde ia escrever entrou tão
[1:26] profundamente nessa toca de poema na mão talvez à procura de
[1:29] alisson do coelho que lançou em setembro deste ano seu primeiro
[1:33] livro de poesia chama sair de cena é uma edição da não edições
[1:37] e é uma capa branca que que tenho na mão nos faz lembrar
[1:41] corais altos aos rios talvez sejam algas ou palha ou já
[1:46] consegui ver alguns corpos aqui e se calhar melhor perguntar ao
[1:49] joão concha que que te ajudou a não só na capa mas é mesmo era
[1:54] mesmo e teu editor não é exatamente da academia e neste
[1:58] saiu licenciado em ciências da comunicação e cultura pela
[2:01] faculdade de letras da universidade de lisboa e
[2:05] pós-graduado em antropologia culturas visões e assim não é é
[2:10] pela fsh faculdade de ciências sociais e humanas da
[2:13] universidade nova de lisboa inês tem agora uma bolsa de criação
[2:16] literária não é vejam tenho em poesia assim veio só seis meses
[2:20] sim e como é que eu saio de casa preciso pertence é é um doze
[2:28] deste ano de dois mil e dezenove ano de dois mil e nove se não se
[2:31] candidatou nos fim do ano passado e depois era as bolsas
[2:36] eram para ser este ano portanto ou a primeiros seis meses o ano
[2:40] todo que tem gente candidatarem pronto se isso e seguiu-se um
[2:47] bom resultado daí eu acho que somos todos um pouco não apenas
[2:51] os bolseiros mas as pessoas todas acho que somos todas
[2:54] afetadas obviamente a questão da pandemia e é um bocado é um
[3:03] bocado estranho estar perante uma situação que deveria ser
[3:06] apenas prazer prazenteira e não não foi porque de repente
[3:09] ficámos todos em casa e eu tinha imensos planos um bocado
[3:15] utópicos talvez mas imensos planos para para usufruir deste
[3:19] espaço e nesse tempo e muito desse tempo eu tive de ficar em
[3:22] casa e os temas também é um cara muito difícil porque eu queria
[3:26] contornar não queria escrever obviamente sobre a influência de
[3:31] uma pandemia universal mas que toda a gente estava a escrever a
[3:35] inevitável às tantas até porque nós quando nos candidatámos uma
[3:38] bolsa normalmente a temos de propor um tema e eu tentei
[3:46] sempre fugir à questão vírus e medo isso tudo tentei sempre
[3:52] fugir de maneira a não a não a ver assim a mistura entre essa
[3:56] circunstância que era a vida que todos nós estávamos a ter e
[3:59] aquilo que eu tinha proposto escrever não queria contaminar e
[4:03] gosto bem sucedida fugir do a não contaminar eu poesia tentei
[4:08] aquilo que eu senti como mais difícil foi que às tantas a meio
[4:11] a meio se calhar do do prazo já não me apetecia muito de estar a
[4:14] escrever sobre aquilo que eu tinha proposto porque entretanto
[4:17] deixei com as circunstâncias eram outras e para combater essa
[4:23] entre aspas obrigatoriedade eu escrevi outras coisas em
[4:27] simultâneo para mim ou para outras finalidades e conseguir
[4:32] liberar um bocado e criar outros projetos para está para estar
[4:35] ocupada e para fazer aquilo que eu gosto de fazer mas sem estar
[4:39] unicamente com esse objetivo da bolsa porque eu não estava a
[4:42] conseguir lá está a obrigação também já está obrigação de
[4:45] escrever porque é obrigada por que é um acessório para além
[4:48] dessa questão da obrigação embora obviamente se eu me
[4:51] submeti a um eu percebo automática não sei obviamente
[4:54] que havia há sempre uma hipótese seja qual for a percentagem de
[4:57] conseguir mas a confesso que naqueles meses do do primeiro e
[5:03] do único até agora confinamento algures em abril abril fim de
[5:08] março início de abril e todo o mês de abril foi um mês muito
[5:12] difícil e muito duro para toda a gente obviamente e eu não estava
[5:15] com a cabeça aberta para criarem condições porque não tinha não
[5:23] estava em paz da alma para conseguir fazer alguma coisa em
[5:27] condições daquilo que eu achava que eram as minhas condições mas
[5:30] entretanto essa pai chegou porque entretanto criaste aqui
[5:33] um projeto como que é também de resto muito e muito original
[5:38] chama-se um código postal aliás foi até a partir daí que te
[5:41] convidei exatamente pro para o podcast pedido que escrevesse
[5:45] uma uma carta a ti própria ou sobre a tua relação com a
[5:48] escrita foi mais pra isso proposto e foi que me disseste
[5:51] que o segredo é é calibrar e podemos falar um bocadinho mais
[5:55] e sobre isso há mais à frente e até da de um código postal mas
[6:00] logo na primeira frase na primeira frase percebemos que a
[6:02] tua relação com a escrita veio primeiro que a prosa e só depois
[6:06] com a com a poesia com o verso então começas a escrever prosa
[6:11] cedo na carta até disse que foste parar a leitura a
[6:15] literatura aliás é porque precisaste dela e aí ficaste sim
[6:20] eu acho que normalmente quando se fala com alguém que escreve e
[6:24] se pergunta como é que as coisas começaram quando é que há quem
[6:27] fala de um certo baixinho mas se em relação a tudo fotografia
[6:31] teatro cinema pintura ou que seja artístico há a tendência de
[6:34] achar que é uma uma criatura mágica que nos leva a fazer
[6:37] alguma coisa mas na verdade eu sempre gostei de escrever mas
[6:42] nem sempre dei a mesma importância à escrita e muitas
[6:45] vezes estamos condicionados porque porque estamos na escola
[6:49] na faculdade onde seja ao trabalho para fazer a trabalhos
[6:52] para entregar a leituras que tu tens de fazer para me parar
[6:55] amparar certos trabalhos e aí a tornava-se um bocadinho difícil
[7:00] para mim baixar um bocado essa guarda e perceber ok mas
[7:03] deixa-me te dar atenção àquilo que eu estou a ler e a que eu
[7:06] estou a escrever e eu conseguia fazer isso é por minha conta
[7:10] conseguia ler por minha conta escrever quando era solicitado
[7:14] saía um pouco mais é só porque pensado é um exemplo muito claro
[7:19] há bocado até falaste pessoa da almada grandes exatamente quando
[7:24] eu vim aliás fizeste um óptimo trabalho de casa na tua pesquisa
[7:28] para um introdução e quando lemos poetas em português na
[7:33] disciplina de português não é que eu não olho para para
[7:39] aqueles poemas e pra caba poesia com a mente aberta eu olhe mas
[7:43] estamos muito condicionados por que tu estás a estudá-los e
[7:45] estás a a ver os álbuns do campo seares taxa e as criações do
[7:50] ponto de vista pedagógico e vai ser avaliada no fim portanto não
[7:55] há uma certa liberdade para tudo própria traçares o teu caminho e
[8:00] chegares aos autores por tua iniciativa então quando é que tu
[8:04] chegaste por tua iniciativa eu a pois eu lá e desde muito miúda
[8:08] como com prazer como atividade de tempos livres e isso foi
[8:15] sempre muito fomentado na na minha casa sempre me ofereceram
[8:18] livros nos anos no natal não foi assim uma coisa repentina ou
[8:22] seja foi uma coisa que cresceu comigo e que e que se instalou e
[8:28] que e que se foi mantendo e portanto sempre me ofereceram
[8:31] livros e eu fui fazendo escolhas fui percebendo que é que eu
[8:34] gostava o que é que fazia sentido para mim isso nunca foi
[8:37] estranho e depois não sei precisar o momento exato em que
[8:41] gostei de ser eu a escrever mas também foi muito cedo porque
[8:45] temos só aprende uma miúda criança aprende a escrever muito
[8:48] cedo já escritas as tuas coisinhas assim e se eu for ver
[8:52] baus caixas com coisas antigas encontro folhas com tentativas
[8:59] para atingir as pessoas qualquer coisa pra pegar numa ideia desde
[9:03] pequena acho que é e aí é que eu falo do certo de um certo ímpeto
[9:09] para o fazer porque eu não era obrigado a escrever fora da
[9:12] escola ou seja porque é que eu em casa às vezes escrevia porque
[9:17] é que eu tinha essa tendência porque eu tinha essa iniciativa
[9:19] porque eu tinha essa vontade esse chamamento e aí já é de
[9:22] facto algo que é mais sério para mim e que foi crescendo comigo
[9:28] até agora e aí vem o salto no tempo porque não foi com dez
[9:31] anos começasse a colaborar com publicações em revistas lá mas
[9:34] passaste a colaborar dessa maneira tanto tenho dois
[9:38] exemplos neste caso ana apócrifa e telhados de vidro que sei que
[9:42] não são os as editoras dos livros são o nome da publicação
[9:46] partilhados de vidro é uma revista literária publica poesia
[9:51] de vários autores e é das edições averno e é uma espécie
[9:58] não é aquilo é um formato livro mas mas é uma revista de poesia
[10:01] e a apócrifa também é uma revista de poesia que surgiu das
[10:05] terças de poesia clandestina quando externas que são que são
[10:09] dinamizadas pelo vasco macedo e foi determinante participar nela
[10:15] foi porque o que separa as duas publicações é que na apócrifa o
[10:19] vasco teve a iniciativa de me convidar porque apanhou coisas
[10:23] minhas e eu gostou e e propôs que eu enviasse alguns problemas
[10:27] na telhados de vidro acho que pode ser chamada se calhar assim
[10:30] a minha grande estreia enquanto pessoa que escreve para alguém
[10:36] ver para alguém ler porque eu contratei falei com com uma
[10:40] amiga que conhecia os editores e essa amiga liga-me com muita
[10:45] frequência e ela tempo falou entretanto das sugestões averno
[10:49] ida da telhados de vidro e eu enviei coisas para para eles
[10:53] verem portanto tive eu iniciativa para tentar apalpar
[10:57] um pouco terreno e ver se aquilo tinha alguma alguma piada e
[11:01] tinha alguma categoria que justificasse constar ainda
[11:07] troquei lá uns e-mails com com o manuel de freitas que é um dos
[11:10] editores para além depois da inês dias e às tantas consegui
[11:15] ter alguns meses de vida e aconselhadas a jovens poetas
[11:19] tentarem esses contactos da mesma maneira eu creio que hoje
[11:22] em dia há muitas frentes disponíveis há muitas edições a
[11:29] independentes há muitas edições assim um bocadinho no estilo do
[11:34] it yourself que brotam tipo cogumelos e há muita coisa boa
[11:38] há também obviamente muita palha como em tudo e o que é bom e a
[11:42] pessoa obviamente escrever escreveu é o que interessa se a
[11:45] pessoa não pode partida não sou pessoa de facto quer gostava de
[11:50] ver a sua criação publicado até porque há imensas publicações
[11:56] que existem apenas no plano digital e também tem muito valor
[11:59] portanto isto também é uma uma boa aposta dizer como dizes o
[12:02] projeto é cavel é um bocado é mas fica cá claro claro e e acho
[12:09] que há muitas estruturas e há muitas pessoas jovens e criar
[12:15] publicações a apresenta a revista lote que é a recente e
[12:19] também é pessoal super jovem e às ilhas há imensas zines de
[12:26] poesia há umas mais temáticas do que outras portanto há imensas
[12:30] categorias é pesquisar um bocadinho e falar com com com
[12:34] pessoas que estejam mais atentos é assim que se começa sim a
[12:38] pouco é um é uma ótima forma de começar e é sobretudo para
[12:42] autores digamos sei lá entre os vinte trinta vinte vinte e
[12:47] poucos tem pessoal muito jovem também ai serve muito de uma
[12:53] primeira montra eu acho também é muito justo dar voz a pessoas
[12:57] mais novas e pessoas não tão experientes também e como é que
[13:00] foi a passagem de participar em obras coletivas e agora em teu
[13:05] em teu nome é assim um autor só não é foi muito pacífica e muito
[13:10] gradual porque eu sempre tive a vontade ter algo que fosse
[13:14] apenas meu uma obra que fosse só minha fosse de poesia fosse de
[13:17] prosa e portanto isso aconteceu muito naturalmente e eu conheci
[13:22] o joão concha que é o editor da não edições de onde sai o meu
[13:26] primeiro livro através de um trabalho da faculdade
[13:29] curiosamente porque na minha licenciatura tínhamos uma
[13:34] cadeira de final de curso que se chamava gestão cultural apesar
[13:38] do nome gestão para não tinha nada nada de gestão mas o
[13:42] trabalho final era todos os grupos tinham de apresentar um
[13:46] projeto concreto que acontecesse fora da faculdade ou seja tinha
[13:50] de ser um sítio real fora da faculdade e o meu grupo porque
[13:53] éramos todos pessoas que gostavam de escrever e algumas
[13:58] gostávamos todos de ler algumas descrever pensamos que seria
[14:02] muito interessante criar um debate entre um debate para
[14:06] falar sobre a questão da edição independente a nível de
[14:10] literatura cá em portugal e uma das editoras que escolhemos para
[14:16] para convidar e por falar connosco depois precisa menções
[14:19] que era uma editora que tinha acabado virá ao mundo e por isso
[14:23] não foi uma bela homenagem fazer essa ponte que eu já vai na
[14:26] segunda edição e portanto eu já só apanho a segunda edição não
[14:30] cento e cinquenta exemplares da primeira sim que quando falamos
[14:34] em poesia também temos estes mais reduzido naturalmente há
[14:37] que ter essa seja não podemos comparar a ti nós porque é o
[14:40] género poesia depois por outro lado porque se eu neste caso
[14:45] porque estamos a falar da da de mim mas o autor quando já não
[14:49] quando ainda não está propriamente instalado vá
[14:52] digamos assim não não justifica está a fazer muitas cópias
[14:57] porque isto ainda funciona um bocadinho por passa palavra ou
[15:01] há assim grande fenómeno repente chamar atenção para alguém ou
[15:05] pronto mas sério se passa palavra vão ser visto senti
[15:08] senti senti e ainda sinto que não só em relação foi mais fácil
[15:14] preciso também eu chamei as regras mas sim se queres mesmo
[15:17] que sim mas sinto que obviamente é inevitável não falamos das
[15:21] redes sociais como um grande dispersor e um grande espalha
[15:26] informação e na verdade à distância de um clique alguém
[15:30] tira uma fotografia alguém faz uma publicação isso é bem onde
[15:33] for e isso chega a mais pessoas é contagioso é contagiosa gente
[15:38] para o bem ou para o mal porque de facto obviamente que é uma
[15:41] rede e eu agradeço a sua rede mas no fim de contas e no fim do
[15:45] dia o que importa de fato é que as pessoas apreciem os textos e
[15:50] apreciem as palavras e gostem e procurem e eu até recebi tenho
[15:56] recebido um retorno muito bom de pessoas que me dizem coisas
[15:59] maravilhosas e e a maior parte das pessoas ouvem eles por isso
[16:05] é maravilhoso ou seja sei que estas pessoas não estão
[16:07] contaminadas por uma ideia pré-definida sobre mim mas
[16:10] chegaram a mim até através da qual o estrago que é o ideal mas
[16:14] tenhas receio de que viessem com alguém porque consegue-se ou ou
[16:19] com preconceito claro que imagina eu acho que todas as
[16:21] críticas negativas ao ao positivas fazem falta se as
[16:25] críticas negativas obviamente não forem destrutivas podem
[16:28] construtivas mas eu tenho consciência de que a é possível
[16:34] e é mais viável e provável que cheguem mais vezes as críticas
[16:38] positivas do que os negativos porque se calhar são raras as
[16:41] pessoas que vão ter a iniciativa de vir bater à minha porta para
[16:44] me dizer alguma coisa de que não tenham aparecido tão fácil
[16:47] interagir hoje é dia da e as coisas boas às vezes se calhar
[16:52] as pessoas têm mais esse cuidado mais essa vontade esforçam-se
[16:55] mais para tentar a transmitir acho eu pelo menos eu tenho
[16:58] tenho tido essa esse retorno até agora ainda bem que tens esse
[17:02] feedback positivo que se acrescenta o que eu retirei
[17:06] também da tua carta do que és feliz a escrever neste caso
[17:10] também poesia mas quando deixa de fazer sentido para ti também
[17:13] procuras outro meio para dispersar para isto foi uma
[17:16] coisa que eu sim ou seja uma coisa que fazes por exemplo no
[17:19] teatro na verdade eu sinto que pronto isto esta conversa e esta
[17:25] estrutura de aí nesse extremo tem obviamente várias
[17:28] plataformas e várias camadas eu diria que eu escrevo gosto muito
[17:33] de escrever é importante para mim faz-me falta depois eu tenho
[17:36] um certo preconceito não sei se tem a ver com estar vamos dizer
[17:42] isto de uma forma a brincar hoje está um pouco em início de
[17:45] carreira então ainda não me sinto muito confortável a dizer
[17:49] que sou escritora o que sou poeta porque eu escrevo e nem
[17:53] nem toda a gente que escreve obviamente é escritora poeta
[17:56] pode ser que um dia chegue lá às se as coisas correrem de feição
[18:01] e como eu te disse também na carta e é uma coisa que eu
[18:04] comento muitas vezes com as pessoas eu comecei na prosa a
[18:07] prosa foi o meu o meu início no batismo e eu estou extremamente
[18:11] confortável na prosa e eu todas as possibilidades de prosa seja
[18:15] teatro seja conto seja crónica pronto o que for estou muito
[18:20] confortável pois e foi algo que eu sinto que veio eu com uma
[18:27] certa com uma certa ansiedade da adolescência com uma certa
[18:33] necessidade de dizer mais coisas de outra maneira talvez um pouco
[18:37] mais certeira talvez um pouco mais a coty lante isso vai com a
[18:41] poesia é que eu fiz um esforço ao início mais consciente agora
[18:45] menos de tentar afunilar as as coisas que eu queria dizer e
[18:50] tentar a ser muito mais sintética mas mantendo a
[18:54] estética do trabalho sim uma uma crítica que eu fazia a mim
[18:59] muitas vezes era que eu escrevia demasiado ou seja era os textos
[19:02] eram muito extensos muito longos não tudenses e com a poesia eu
[19:06] tentei fazer esses cortes e tentei dizer frases numa palavra
[19:11] fiz esse teste é um exercício eu acho que a escrita acima de tudo
[19:15] é uma brincadeira um jogo é um exercício e eu tentei ver de que
[19:19] forma que as minhas necessidades eram ou não satisfeitas com essa
[19:24] limpeza geral e essa tentativa de não não caírem em excesso e
[19:31] acho que a poesia ajudou foi foi muito pessoal nesse sentido para
[19:34] mim mas se eu falar com pessoas mais antigas que me conhecem há
[19:38] mais tempo a vão estranhar vão estranhar porque sabem que eu
[19:44] sempre escrevi prosa e de repente o meu primeiro livro a
[19:46] sair e depois ia não deixa de ser irónico e achei também
[19:49] interessante que na apresentação do do livro é a rafaela cardeal
[19:55] que foi quem apresentou o teu livro disseste que não estavas
[19:58] acostumada nessa altura lhe disseste que não estavas
[20:01] acostumada a ouvir alguém falar com tanto carinho e compreensão
[20:04] sobre palavras que escreveste e que isso era como assistir
[20:07] alguém mexer nas gavetas do nosso quarto e em caixas antigas
[20:11] sentes que que é sempre assim o que vais deixar de sentir isso
[20:16] de um leitor está de certa maneira a mexer na tua cabeça já
[20:21] não sei distante ou será uma coisa que ao te dar esse
[20:24] feedback por exemplo como como tens recebido bastante e se
[20:29] ainda vai ser uma coisa que toca dessa maneira uau que eu acho
[20:33] que mais curioso com este livro pronto é o primeiro já saiu eu
[20:37] agora tenho de começar a pensar nos próximos ou seja uma parte
[20:41] de mim criou a havia uma espécie de de nervos com a expectativa
[20:47] de vir uma coisa minha a público e no momento em que começou a
[20:52] ser espalhada ser adquirida ser comentado há uma parte de mim
[20:57] que foi que foi ficando mais sossegada porque assim porque eu
[21:01] percebi que era inevitável e que é um livro deixa de ser nosso
[21:04] quando sai de nós e eu tenho de estar ok com com essa circulava
[21:08] pelos leitores exatamente nunca o caso da rafael é mais
[21:12] particular porque a rafaela não foi apenas uma leitora como uma
[21:15] pessoa que é académica da da literatura chamamos assim e há
[21:20] uma pessoa que estuda e que percebe e que trabalha
[21:24] justamente poesia e trabalha outros autores já já consagrados
[21:28] e foi muito curioso ter alguém que olhou de uma perspectiva tão
[21:33] emocional quanto clínica e e que fez uma e que teve uma abordagem
[21:37] com essas duas equilibrada nesse sentido é porque sempre tive
[21:41] pessoas a ler mais próximas ou menos próximos agora este livro
[21:45] abriu a porta para as menos próximas para pessoas que eu não
[21:47] conheço e na verdade a rafaela trouxe um um então um pouco mais
[21:55] mais mais pensão ou seja não se limitou a dizer a sim gostei
[22:00] está está está bonito está está bom ela fez mesmo um trabalho
[22:04] profundo de de tentar compreender mais ou menos né que
[22:08] ele podia situar pronto isso foi curioso para e essa essa imagem
[22:13] das gavetas também tem a ver obviamente com a questão de um
[22:18] livro nosso que sai seja de que género for tem sempre imenso de
[22:22] nós sempre muito autobiográfico mesmo que a permissão seja
[22:26] obviamente ser autobiográfico mas as experiências que depois
[22:30] põe muito expõe a mostra muito mais ou menos a nossa fibra ou
[22:37] aquilo que nos interessa linguagem e identidades e e por
[22:41] isso é inevitável que eu também esteja a espalhar um bocadinho
[22:44] de identidade e aí é que surge essa ideia da gaveta porque a
[22:48] rafaela abriu um livro como se calhar outras pessoas obviamente
[22:52] fizeram para ver mas ela ainda foi adiante porque estava um
[22:55] bocadinho mais e agora é só deixar que devam arrombando as
[22:59] gavetas há pouco em pouco e o mais curioso é que depois as
[23:02] próprias pessoas que as estantes identificam eventualmente com
[23:06] alguma coisa que eu disse depois também terão as suas próprias
[23:08] gavetas isto será uma exposição assim um bocadinho tive queda de
[23:12] dominó assim depois eu sei que qualquer coisa diferente nunca
[23:15] vê se faz pão e cada livro também qualquer coisa diferente
[23:19] para cada um claro neste caso na carta é pronto agora já parece
[23:24] um bocado a carta que me enviaste era só tenho uma casa
[23:27] sobre mim escreveste que eras mais leitora do que escritora
[23:30] mas e se calhar quase toda a gente pode dizer isso ou se
[23:34] calhar nem toda a gente admite isso parece escrever tem que se
[23:37] ler e e era a partir daí queria que entrássemos no no primeiro
[23:40] livro e vamos começar se calhar do livro da virgínia woolf the
[23:45] waves as ondas para ti é este livro olha assim um bocado uma
[23:51] uma um abanão não era bom não que eu queria a palavra que eu
[23:55] queria mas para ti este livro que é de mil novecentos e trinta
[23:59] e um porque é que porque é que este livro na tem que ser linda
[24:02] deve ser lindo é urgente ser lido ok é uma é uma ótima
[24:06] questão voltando à a ideia de génese eu comecei na prosa a
[24:13] vírginia woolf é é uma das melhores é uma das minhas
[24:17] autoras preferidas e é uma das pessoas com a prosa mais assim
[24:23] rica e e e forte e plena que eu conheço e apesar de obviamente
[24:30] ser uma era muito muito muito muito diferente daquela que
[24:34] vivemos agora há certas manifestações que são quase
[24:39] imortais e que são quase intemporais e para mim ela é um
[24:42] exemplo a escrita dela é um exemplo para mim do que é que é
[24:45] o romance onde que é que é a prosa poética muito mais em
[24:49] particular com as ondas eu acho que é um exemplo magnífico de
[24:55] prosa poética ou seja alguém que escreve prosa alguém que escreve
[24:58] um romance que não é propriamente um romance mas
[25:01] também também não é propriamente um ensaio filosófico mas também
[25:03] não é propriamente difícil de definir se calhar é assim é bom
[25:07] coloque tudo muito mais interessante é e é porque ela
[25:11] tem outros romances que são clássicos no sentido tem uma tem
[25:15] um enredo tem uma história que faz que tem uma certa cronologia
[25:20] e nas ondas não há propriamente cronologia há manifestações de
[25:24] passagens de emoções de sensações de texturas pronto e é
[25:29] um exemplo perfeito para mim de prosa poética que é se calhar a
[25:33] prosa poética talvez seja o formato onde eu me insiro melhor
[25:39] onde eu me sinto mais confortável mais em casa e então
[25:43] na leitura ou nas ambos neste caso diria ambos porque pois eu
[25:49] acho que é mesmo anos depois da repressão agora na verdade
[25:52] porque sem a prosa poética fez-me partir para a poesia com
[25:57] muito mais segurança porque eu já tinha a preparação e e o
[26:02] salto foi muito mais foi muito mais confortável não não foi uma
[26:07] coisa brusca e ainda hoje é um livro que eu recorro várias
[26:11] vezes é um livro o livro que para mim não tem um fim definido
[26:16] e não tem uma conclusão definida mas é um livro que sei
[26:21] perfeitamente quando cheguei a ele pelo pela primeira vez mas
[26:26] eu muitas coisas para trabalhar me fez pensar muito sobre o que
[26:32] é isto quer dizer o que é que escreve assim o que é que isto
[26:35] significa pronto nesse sentido essa esse lado indecifrável e
[26:40] esse lado quase quebra cabeças interesse amor eu não passei da
[26:44] das primeiras páginas muitas vezes foi o tal as trauma que eu
[26:48] te falei e ao convidar-te oferecer uma inglês pois eu fui
[26:53] eu que fiz batota então eu não li o original eu já li originais
[26:58] dela noutros casos neste não isso é uma adaptação é o é está
[27:04] dizer que meu original não estou a ver aquilo e traduzido para
[27:06] português e nesse sentido tem a vida um bocadinho facilitada
[27:09] porque ainda que possa haver em inglês e eu sou sempre
[27:13] apologista de que se lá original até porque obter muito difícil
[27:17] sublinhava o meu três palavras por linha qual é porque ainda
[27:20] por cima para além de ser uma língua que não é nossa por mais
[27:23] que nós mas estar a par é um inglês de outra época exatamente
[27:27] e é um inglês calhar muito mais macarrónico nesse sentido depois
[27:31] ainda tens de ok eu reconheço esta palavra mas usava aqui
[27:34] neste contexto se calhar não estou a perceber o que é que o
[27:37] que é que significa e acho que se tem de ter um domínio da
[27:41] língua muito grande e uma predisposição muito grande
[27:44] também para ter esse vai porque a gente vai não vai ser uma
[27:47] coisa que vai dar prazer é uma coisa que vai dar trabalho e eu
[27:50] lendo em português não tive esse trabalho para que a linguagem a
[27:53] língua o português estava então estava à mão não não tivesse
[27:57] obstáculo e assim o que estás por ter por colhemos frutos mais
[28:00] maduros porque é mais é é acabaste por isso paro muito
[28:04] mais a a a obra do que do que eu que não passei das primeiras
[28:07] linhas e que por que estavam lá meada não podia ser melhor vem
[28:14] vem de deus estara deu apresentar a minha professora de
[28:16] inglês mais sobre este livro fui a menina ainda tá ler esse livro
[28:22] nunca mais peguei nele não já estava a ser difícil não fui não
[28:26] fui encorajado nesse sentido e daí gosto de usar que é educação
[28:30] na na neste caso de era um livro que nem sequer em português se
[28:34] calhar claro não estava na idade para ler aquilo talvez agora
[28:38] essa questão da idade também curiosa porque eu acho que há
[28:40] certos livros conforme o tempo vai passando tu vais tem uma
[28:43] reação diferente na forma como os vez como se entregas
[28:48] eventualmente a que estás a ler isto é que as releituras também
[28:51] sei que não seja eu não sou maior o maior melhor caso melhor
[28:54] exemplo não sou o maior fã de fazer eu não repito muito coisas
[28:58] filmes eu repeti mudar para dar lugar pra outro novo mas por
[29:02] exemplo na nas ondas eu acho que é bastante legítimo voltar lá
[29:07] porque há até porque do ponto de vista se tu só se só vires este
[29:10] objeto se olhares para ele apenas como objeto estético se
[29:15] só tu podes folhear as páginas e de repente tens lá passagens que
[29:19] são muito bonitas apenas porque são bonitas portanto podes fazer
[29:23] esse exercício não eu acho que não é pretensioso há coisas que
[29:26] são só bonitas eu acho este livro muito bonito muito
[29:30] estranho muito confuso e o interesse no enredo um bocado
[29:33] complicado até porque são várias crianças sim o eu optei por ler
[29:39] uma sinopse feita por outra pessoa neste caso a tradutora da
[29:42] da vagina ovo para o francês que era a marca rich eu receba a rua
[29:46] tentei não sei se não sei dizer o nome lá está é o que se faz
[29:51] neste caso irá ouvir outras pessoas dizer uma palavra um
[29:53] nome e ela escreveu o romance desta forma é só metade da
[29:57] descrição dela porque ela gerou se na na na descrição tanto como
[30:01] uma meditação sobre a vida e as ondas são um ensaio sobre a
[30:07] solidão trata-se de seis crianças três raparigas roda
[30:11] roda roda jequiti e susan e de três rapazes louise nível e para
[30:16] norte que vemos crescer diferenciarem sim vai ser uma
[30:21] sétima criança que nunca toma a palavra e que só conhecemos
[30:24] através dos outros é o centro do livro ou melhor o seu coração e
[30:28] faz sentido eu como há bocado falamos de filmes não costumo
[30:32] ver o trailer antes de ver um filme um filme então não eu
[30:35] quando fui para este livro eu estava mesmo que era um romance
[30:40] mais acessível ai eu não estou a dizer que é inacessível mas
[30:44] obviamente que é para mim se saber que é um ensaio sobre a
[30:46] solidão dá-te uma preparação diferente e eu lembro de uma
[30:51] certo ponto que eu se calhar não estava propriamente a perceber o
[30:54] que é que estava a acontecer mas estava achar muito bonito então
[30:57] continuei e só quando acabei e tirei as minhas conclusões é que
[31:00] fui fazer umas investigações na internet para ver se batia um
[31:04] bocado a volta com a perdigota embora na verdade é é um é um
[31:11] livro um pouco duro e eu até li um bocado cedo e fiquei assim um
[31:14] bocadinho abananada mas é aquilo que eu dizia há pouco de voltar
[31:18] eu já voltei várias vezes este livro só para auxiliar e pra ver
[31:21] porque como falaste eu sou bing livros lápis de carvão e este
[31:27] está justamente gostei de sim da clarificação com caneta e caneta
[31:33] jamais a caneta posso usar para escrever o meu nome a data
[31:37] eventualmente porque eu estou assinar a primeira folha a dizer
[31:41] que é meu se se perder e e se comprar ou se me for oferecido
[31:45] por alguém especial também costuma anotar ou ocasiões mais
[31:49] marcantes do alberto manguel numa entrevista esta semana
[31:52] portanto vou só dizer recentemente diz que é um
[31:55] desrespeito para os livros nós não termos um lápis à mão quando
[31:58] estamos ele ponto caneta nunca mas regata não lá fizemos
[32:02] confortável e para além do sublinhado às vezes passa mas no
[32:06] asterisco um ponto de exclamação ou há mesmo quem ponha a data é
[32:10] quem que acaba sim onde está rituais a um ritual quase falar
[32:15] com o livro de outra maneira é mais uma coisa que queres dizer
[32:18] sobre o as ondas acho que deixamos o espaço para pessoas
[32:21] assim mas uma segunda oportunidade ou uma terceira uma
[32:25] coisa em português sim acho que se encontrarem uma tradução
[32:31] jeitosa sim acho que é justo por acaso não sei quem disse que
[32:34] estão disponíveis mas é um livro tão célebre que muitas
[32:38] basicamente a virgínia e deve ser dos autores mais mais fáceis
[32:43] de encontrar tem portugal para além de estarem várias editoras
[32:46] eu diria mesmo que se não na totalidade quase na totalidade
[32:51] toda a obra delas está disponível cá ela e o outro
[32:55] autor de que vamos falar também aos certeza também compara então
[32:58] a parte sim eu queria voltar no tempo e bruno no instante não
[33:02] mas queria voltar o teu livro e perceber como é que foi a tua a
[33:07] tua a experiência escolher a ordem dos poemas a organização
[33:11] do livro lá está é porque não é como alinhar pronto voltando ao
[33:15] teatro não é como alinhar atos numa peça a organização às me de
[33:21] me de me ajudar um pouco melhor e é dividida entre depois e o
[33:26] antes desta desta um por esta ordem depois e antes e os poemas
[33:30] também são muito diferentes de um ano depois e no ânus foi
[33:34] difícil escolher a ou seja tinhas os poemas soltos e
[33:37] organizar fios ou foi tudo escrito de propósito esta este
[33:42] livro foi o primeiro caso em que foi tudo escrito aparecer junto
[33:46] e tudo escrito para fazer parte de um mesmo objeto final eu
[33:51] sempre fiz se no escrevi poemas soltos e texto sim um cara bolso
[33:57] e aqui é com esta proposta concreta do joão concha houve
[34:03] uma vontade de criar de facto uma coisa de raiz por um lado e
[34:08] de finalizar também e sentir que fazia sentido e que estava
[34:12] completa ainda com entre conversas com o joão nós e da
[34:16] fomes trabalhar um bocadinho a ordem portanto a ordem que eu
[34:20] apresentei na primeira instância primeiros gols não foi a ordem
[34:24] depois consta da não é isso filho casa ai um trabalho entre
[34:29] autor e editor que é extremamente importante e outro
[34:32] par de olhos sim e e na verdade não não foi muito complicado
[34:38] chegar a uma ordem porque eu já tinha muito bem ciente quando
[34:41] estava a trabalhar vá com a premissa ok este é um livro que
[34:45] eu vou apresentar o joão concha para eventualmente sair à rua eu
[34:48] já tinha vontade já tinha as premissas já tinha as intenções
[34:53] já tinha o título já tinha o desejo de dividido dessa forma
[34:57] em duas partes trocando a ordem cronológica certa portanto eu
[35:02] tinha essa esses indicadores e alunos não foi difícil não
[35:08] porque foi porque foi criado com essa vontade não seja não foi
[35:12] não é por exemplo antologia em que eu tenho de ir buscar poemas
[35:18] a várias épocas da da minha escrita e depois tenho que fazer
[35:21] uma coisa que para um lado é mais religião mas também tem de
[35:24] ser o seu sentido e um livro de poesia sobre tudo e é justo que
[35:28] haja um pequeno ainda que possa ser pequeno e discreto um
[35:31] pequeno fio condutor isso é também muito tão intrigante a
[35:36] relação do do título com o poema portanto é nesta categoria do
[35:42] título encaixam só os da do depois é porque os duelos não
[35:47] têm título são ou ou seja o título do primeiro verso claro
[35:51] se formos a ser criteriosos esta cobra um seguirem rádio é um
[35:58] palavrão mas achei também muito cómico e profundo ao mesmo tempo
[36:02] o próprio poema é certeza de saberás de quais é que estou a
[36:07] falar se é quem a ordem dos arquitetos para mim e os tipos
[36:11] de jogos para uma chaminé e achei bastante cómico eu ia
[36:15] pedir te conheço mas teria que passar isto para as mãos e se
[36:19] calhar não mas se calhar eu lieu à ordem dos arquitetos para nós
[36:24] todos nós todos que aqui estamos sentados é e perdoa-me se a
[36:29] minha interpretação não for bem pronto porque senti senti-me
[36:33] impelida para este neste neste apoio quero tocar ali naquele
[36:39] teto delimitar a fronteira a quem ninguém chegou a nos mexer
[36:42] ali só eu naquele pilar essencial ao equilíbrio da casa
[36:46] naquilo que telhado enxuto naquele canto sem ninhos na copa
[36:50] das árvores mais altas e pensei sim mas para além do que está
[36:55] ainda por nascer em que nos falta para usar a mão esta esta
[36:59] pergunta e acaba por ser sim daí é cómico ao mesmo tempo porque é
[37:05] sobre tocar em coisas e quando estamos numa igreja e temos a
[37:08] vontade de tocar num num pilar do mar máxima quando agora e
[37:13] isto agora é super perigoso e e aquele de que temos de o que é
[37:19] que saberá aquela parede com buracos no estúdio de rádio é é
[37:23] um ou seja é uma premissa decorre hoje quase ridícula de
[37:29] claro por acaso gostava de sentir o o volume de pronto mais
[37:34] e mais humorístico a mais mais cómico ainda este final dos
[37:39] jogos para uma chaminé é que se calhar não vale a pena dizer que
[37:43] ao final sequer entramos vez no poema de tudo para se perceber e
[37:47] este espero que corra melhor a leitura do primeiro diz adeus ao
[37:52] teu último cigarro adeus adeus último cigarro adeus
[37:56] silenciosamente muito longe daqui bate palmas respiro de
[37:59] alívio os meus olhos enchem se de ar fresco o mesmo com os teus
[38:03] pulmões agora já é tarde e já não fumo mas que enorme consolo
[38:07] para os seus herdeiros eu gosto imenso mim ou seja acaba por ser
[38:12] um prazer quer se nos é tirada nós mas ia nós não nomes não
[38:16] vale nada e é só um para os outros sim é esse esse esse lado
[38:21] cómico é um lado que fizeste corno livro do de propósito é
[38:26] uma coisa que sai as pessoas notam nesse nesse lado cómico ou
[38:30] se calhar essa sou eu que achei que era como é que não é de todo
[38:33] eu acho que mais uma vez prova que cada leitor quando chega a
[38:37] uma obra pela primeira vez o não oferece leitura que é sua e isso
[38:45] acaba por ser exclusivo ou seja cara interpretação vai ser única
[38:50] e na poesia muitas vezes ao contrário do que algumas pessoas
[38:53] esperam não há propriamente pelo menos no meu caso vou falar em
[38:58] meu nome não é propriamente uma vontade de dizer as coisas tal
[39:01] tal e qual como elas só quando alguém diz que não percebeu eu
[39:06] não preciso que a pessoa perceba para mim não é mais ou menos
[39:09] justo que a pessoa perceba ou não é só que a pessoa veja lá eu
[39:13] sinto alguma coisa ou não sinta nada todo e eu acho que há uma
[39:18] tendência na vida que algumas pessoas têm que eu sinto que
[39:21] tenho que é a ir buscar o humor como uma o mecanismo para lidar
[39:27] com coisas um pouco mais sérias mais tristes para não chorar e a
[39:31] rir pra não chorar e na verdade essa a ponte que fizeste com a
[39:35] questão do toque é muito engraçada e a primeira vez que
[39:37] alguém está a referir esse poema como a expoente máximo da ironia
[39:42] tendo em conta as circunstâncias e obviamente ele foi escrito
[39:46] para é pandemia nem sequer portanto este livro está estável
[39:49] ou limpinho não tenho ele foi criado no ano que vem seria tal
[39:53] e qual se alguma coisa que eventualmente faça aí uma uma
[39:56] uma ligação é é coincidência pronto e as coisas mais eu acho
[40:03] que na verdade isso é um bocado uma um ponto trágico cómico que
[40:07] é falar com uma certa ligeireza de coisas que são são grandes
[40:11] são sérias para as abarcarmos melhor sim e também aquela
[40:15] tentativa de que te falei no início de esse poema tanto um
[40:19] como outro poderia ter feito escrito seis sete oito dez
[40:22] páginas extensas sobre essa questão e eu quis ser muito
[40:26] sintética e quis ser muito direta e muito mais clínica e
[40:32] não tanto encher-me de de rodeios eufemismos e de palavra
[40:37] palavra palavra tentei cruzar um bocadinho o caminho e deixamos
[40:42] calhar a experiência do doutor ver se ele sabe se ele sente o
[40:46] mesmo que nós e deixamos o o teu o teu livro sossegado um pouco
[40:50] para falar de neste caso de um homem no caso um escritor um
[40:53] poeta e dramaturgo irlandês eu até achava que era inglês a casa
[40:57] estava a ser inglês ficou isolado durante dois anos na
[41:00] prisão de reading reading marca rising e depois de uma acusação
[41:06] de indecência invulgar decência vulgar era este o nome que dava
[41:11] um por se dar com com um homem mas estamos a falar do oscar
[41:15] wylde aos cavalos vamos a pergunta é por que porque gozar
[41:19] e foi nessas nessa prisão que escreveu o livro que trouxeste e
[41:23] uns meses antes de ser libertado portanto mil oitocentos e
[41:26] noventa e sete e passa a ser uma das cartas mais e mais
[41:30] importantes da língua inglesa e é engraçado alguém muito
[41:34] especial mas também muito sim odiado por ele não é o o seu
[41:41] amante e e e neste eu também traidor é teu nome esquisito
[41:46] vários jogos que lhe dão ele tem alcunha que é o povo bolsas
[41:49] também alfred alfred veloso no livro de que estamos a falar se
[41:55] calhar deixo desta honra de ver o título até porque é difícil
[41:58] dizer para o fundo diz sim se calhar latim diria sim na
[42:02] verdade este livro também foste querido aliás todas as escolhas
[42:04] que eu tomei a partir da tua do teu pedido foram tomadas sem eu
[42:11] queria pensar uma começou porque eu não queria condicionar a
[42:13] minha resposta e até tentei de alguma forma trazer géneros
[42:19] diferentes mas que também se tocassem de algum modo e é uma
[42:24] carta e uma epístola é muito poética porque porque estamos a
[42:29] falar do álcool e também é muito diferente de outras coisas que
[42:33] ele escreveu porque eu era sobretudo romancista também
[42:35] escreveu peças para teatro é é uma carta que ele escreveu
[42:41] dentro de um contexto muito duro eu era homossexual numa era a em
[42:48] que isso não era tudo era que houve em que era crime era está
[42:52] em muitos países ainda é crime mas na altura era crime na
[42:55] irlanda era crime a bastava alguém denunciar nem sequer era
[43:00] preciso haver provas estava alguém denunciar e foi assim que
[43:03] ele subiu o preço sim era uma sociedade muito a sociedade
[43:07] irlandesa com a tentativa de promover os bons costumes e
[43:11] depois às tantas afinal havia umas certas pessoas que eram
[43:14] meio depravadas e pronto e porque é que esta carta também é
[43:17] tão especial porque eu não estava autorizado aqui a carta
[43:21] seguisse para o destino está ao pelo menos gosto daqui assim que
[43:25] for consta que depois há anos mais tarde depois dele ter saído
[43:30] que ele tentou que a informação chegasse ao destinatário e o
[43:32] destinatário disse que nunca recebeu e na altura em que ele
[43:37] foi preso uma grande responsabilidade da de eu ir
[43:40] preso foi do pai e do amante portanto o pai da pessoa para
[43:44] quem ele endereçou uma carta e é uma carta que ao mesmo tempo que
[43:49] é uma carta de amor é uma carta de ódio des tem e é uma carta
[43:54] que reflete sobre a a arte com a maiúsculo e e de que forma é que
[44:01] podemos é de que forma é que há eventualmente o atentado arte de
[44:06] forma que a arte pode ser controlado ou não se há limites
[44:09] ou não de uma clareza maravilhosa não é temos de
[44:12] situar a obra na sua época no seu contexto social histórico
[44:16] político e é uma carta maravilhosa é uma carta muito
[44:20] forte sobretudo trágica trágica porque é um homem que está preso
[44:25] porque amava alguém do mesmo sexo e e ele foi preso mas o
[44:30] amante não foi o que não deixa de ser curioso não é e depois
[44:35] será que ele leu ou não também é assim isto mas nunca ninguém a
[44:39] imensos mistérios na verdade porque na verdade a presença de
[44:42] doyle ele era obviamente uma pessoa pelo menos a nível
[44:46] público era extravagante e ele imensas coisas suas publicadas
[44:52] na altura que sofreram censura que sofreram cortes ou que não
[44:56] foram devidamente recebidas como acontece tantas vezes só depois
[45:00] postumamente operação acho que é é um livro indispensável que na
[45:05] altura foi escrito não com a premissa de ser publicado era de
[45:08] facto um homem que estava preso a escrever uma carta a falar e a
[45:13] meditar sobre sobre tudo o que sentia e sobre os horrores
[45:17] também que encontrava eventualmente na prisão a par
[45:21] com aquilo que ele próprio queria exprimir e só quando ele
[45:24] saiu é que alguém pegou nichos e tratou os trabalhadores cópias e
[45:29] pronto agora que é impróprio a designação da profundos nem
[45:33] sequer foi uma coisa que eu a consta mais o que não foi ele
[45:37] que sequer que escolheu foi uma coisa que foi depois atribuída
[45:40] com essa reunião da das das várias páginas e e depois com a
[45:44] publicação o k sim da obra portanto acho que nem sequer foi
[45:47] ela escolher porque está um homem que estava a escrever uma
[45:50] carta ao mesmo tempo que era uma carta cheia de sentido epistolar
[45:54] também tinha de facto ensaio filosófico é era verdade não
[45:59] queria fazer tudo ao mesmo tempo para dar efeito das outras duas
[46:03] coisas que eu deveria ter escrito por em muitas partes é
[46:06] muito concreto ou seja ele está mesmo interessar sobre o mundano
[46:10] da vida sobre paixão sobre luxúria sobre o amor sobre todas
[46:15] essas coisas misturadas ao mesmo tempo que reflete sobre qual é o
[46:19] papel da arte e qual é o papel desta arte e de forma que a arte
[46:23] pode sobreviver e é assim uma coisa assim muito uma grande
[46:27] sopa cheia cheia de legumes e e todos para fecharmos este livro
[46:32] e queria deixar só a nota do que o borges dizia dele disse que
[46:36] ele tinha aberto do encanto e não só disse também que a obra
[46:39] de bailes não envelheceu e que aliás podia ter sido escrita
[46:42] esta manhã senhor tanto esta manhã ou na manhã seguinte o
[46:46] portanto também concordas com essa um copo ali não é bem
[46:49] atualidade e em temporalidade sim até porque lá está tanto no
[46:53] caso da virgínia como no caso dele eu não escolhi as obras se
[46:57] calhar são mais famosas ou mais esse caso seria um retrato sim e
[47:04] e o retrato do rei rei é um é um ótimo livro mas este intereção
[47:08] muito mais porque o dorian rei é um ótimo romance barra reflexão
[47:15] sobre a estética e aqui é uma carta pronto que também escolher
[47:20] o formato de carta e se calhar vamos embaladas com as cartas
[47:23] por lá para falar do teu do teu projeto um código postal sim que
[47:26] consiste se calhar explica melhor do que eu mas muito
[47:30] sumariamente consiste em escrever cartas expedidas há uns
[47:33] dias que se diz e agora as cartas também é isto porque
[47:37] tinhas saudades de receber cartas e e também não auxiliar
[47:42] tanto acaba por ser porque se utiliza de serdes utilizado
[47:47] nesta pobre senhora também não existe é já mataste as saudades
[47:51] de escrever à mão sim é foi foi a primeira vontade foi eu isto
[47:57] por partes eu tenho vontade escrever à mão eu escrevo muito
[48:00] a mão mas também escreve muito no computador e não tenho
[48:04] preconceito nenhum com isso acho que é válido na mesma e escrevo
[48:07] muito nas notas realmente móvel também portanto eu escrevo onde
[48:10] se calhar e tinha saudades justo justa justamente da da surpresa
[48:16] da carta da surpresa de abrir o envelope e a ver lá está isto
[48:21] que tu não sabes o que é que vai dizer e de teres esse prazer
[48:26] entrar nessa viagem e do ponto de vista de quem vier do ponto
[48:29] de vista de quem recebe e pensei ok eu acho que já chega de ter
[48:35] esta ideia até passar esta ideia para o plano concreto que as
[48:38] torná-la de facto que é concretizada e foi muito
[48:42] espontâneo ou seja tinha esta vontade há muito tempo mas achei
[48:46] sempre que não fazia sentido e que ninguém ia querer aderir que
[48:49] era uma ideia parva e nossa boa ser assim mas depois acabei por
[48:55] pensar bem não se perde nada e queria página de instagram e
[48:58] comecei a a dinamizar um bocado a conta obviamente que não sou
[49:02] designer portanto eu faço lá umas coisinhas em que tente
[49:06] chamar a atenção do propósito do conceito desta página e tem sido
[49:12] bom tenho eu tenho recebido pedidos as pessoas têm se
[49:15] interessado têm ganho curiosidade o que é bom é sempre
[49:19] bom e tem sido um ótimo exercício para mim porque isto
[49:23] parece contraditório eu não gosto de escrever por obrigação
[49:25] como sabes mas eu não sinto que esteja a escrever por obrigação
[49:29] eu sinto que as pessoas dão um tempo sim ou palavras sim
[49:33] imagina uma coisa muito concreto eu tenho eu ser pessoa depois
[49:36] fora a página esse branco que se chama um código postal porque
[49:41] código postal só já estava tomado por alguém e está lá tudo
[49:46] muito bem explicado e por isso também não quero ser redundante
[49:50] mas na verdade é mesmo simples mas chego lá e peço uma carta
[49:55] pode ser enviada por correio ou pode ser enviada por e-mail até
[49:59] agora ainda ninguém pediu por e-mail porque as pessoas de
[50:00] facto estavam com saudades da da carta registo tangível e depois
[50:05] a pessoa escolhe se quer prosa ou sequer a poesia e depois
[50:11] também pode escolher algumas palavras chave ou pode ser livre
[50:14] posso ser um escolher tudo e a as únicas coisas que eu de facto
[50:18] preciso mesmo são a morada completa e é a intenção da
[50:23] pessoa porque a maior parte das pessoas têm pedido prosa mas há
[50:28] muita gente a pedir poesia também e o que eu mais gosto e
[50:32] que fique mesmo ball era mesmo isto é quando a pessoa confia
[50:34] suficientemente em mim para me deixar escolher tudo já houve
[50:38] até algumas pessoas que pediram a carta para si mesmas o que é
[50:41] uma maravilha eu fiquei muito contente porque muitas fazem-no
[50:46] com o objetivo de surpreender alguém ou porque ela está mais
[50:50] em baixo porque alguém está triste ao passar por alguma
[50:52] situação e para agora envia uma carta esta pessoa a desejar as
[50:56] melhoras ao dar os parabéns ou que seja agora quando alguém vem
[50:59] ter comigo e diz escreve o que quiseres envia-me e daqui a uns
[51:03] anos tem uma calça uma carta escrita pela é tudo mas preciso
[51:07] amizade são todas diferentes umas das outras e tudo exclusivo
[51:12] na medida em que é focado no crime obviamente que se forem
[51:17] pessoas que eu conheça melhor ou pior vai haver uma parte de mim
[51:21] mais condicionada porque para conhece a pessoa e não vou ter
[51:24] isso em conta se forem pessoas estranhas como já aconteceu eu
[51:29] sou a liberdade total não não tenho vínculo nenhum a pessoa
[51:34] não tenho nada a provar é só mesmo enviar tem sido uma ótima
[51:37] experiência tenho gostar muito estou mesmo feliz por ter ido
[51:40] avante com esta ideia por brincar aos correios e depois
[51:44] tem tem tem tem todo o significado de uma carta e da
[51:46] preservação da memória e a a existência da carta também na
[51:50] literatura sim acabei por fazer só aqui uma seleção de de livros
[51:54] que têm a carta como não é tv tv central se já é uma carta o
[51:59] livro tenho que acho que cinco e se calhar não temos todo o tempo
[52:04] para falar muito deles mas tenho com o mar por meio uma uma
[52:09] amizade em cartas do jorge amado com o josé saramago e uma mais
[52:14] antiga cartas de amor do paulo neruda depois se email breyner e
[52:18] jorge de sena também fazia muita também trocava muita
[52:21] correspondência o mário cesariny também eu fazia com cruzeiro
[52:25] seixas que faleceu há cerca de uma semana e e cartas a milena
[52:30] do kafka portanto só aqui umas sugestões se alguém quiser
[52:33] mergulhar neste ano nessa coisa boa mesmo e acaba também por por
[52:37] ser um uma um tipo de literatura um bocado mais invasivo e por só
[52:42] só só costumam ser editados postumamente por isso é uma
[52:47] outra maneira de olhar pro pro para os autores e da maneira
[52:50] como eles comunicavam uns com os outros e assim chegamos ao teu
[52:52] terceiro livro lá está com outro nome esquisito para mim já vai
[52:57] deixar de ser esquisito as elegias de duino vou ler a
[53:01] palavra como ela está assim cedo e de rainer maria sim é que é de
[53:08] mil novecentos e vinte e três portanto se calhar faço a mesma
[53:11] pergunta que eu te fiz no início qual é a urgência de ler este
[53:14] livro pelos vistos editado com assírio e alvim sim é pronto eu
[53:20] agora fazendo assim uma espécie de ressalva optei por não
[53:23] escolher nenhum autor português porque tive muita dificuldade em
[53:26] escolher um autor português então pensei não vou deixar-me
[53:30] ir na correntes e pronto é o que foi e são três autores
[53:35] obviamente mortos há bastante tempo e e são três autores é uma
[53:41] fase muito marcante para a minha perspectiva literária ou seja
[53:46] pico da adolescência ou para adolescência entraram e e
[53:50] instalaram-se com com muito com muito rigor e o rio que é um é
[53:56] um poeta do que eu gosto muito ele tem outros livros também mas
[53:59] eu tenho lido jovem põe cartas chamado de cartas a um jovem
[54:03] poeta que é que reúne então estas coisas fantásticas que é
[54:09] ele dizer coisas fantásticas neste caso é endereçado a um
[54:12] jovem que eu não tenho certeza mas creio até que era saudade e
[54:16] queria eu tinha ambições ser poeta e e trocaram
[54:21] correspondência porque esse rapaz deu ajuda pediu conselhos
[54:26] pediu guia e ele foi impecável e escreveu com muita seriedade e
[54:31] com muito encanto e muito cuidado deu sempre as
[54:34] orientações mas não sem dar também sim mas sacadinhas de
[54:38] género isto é pão pão queijo queijo tens de perceber pronto é
[54:42] um livro muito muito maravilhoso é escolher extradição de auxílio
[54:48] é muito bonita é é uma edição bilingue com muitas da sírio em
[54:52] que a esquerda tens a língua original à direita tens
[54:55] português que é bom para quem percebe ir fazendo um bocado
[54:59] comparar a linguagem e as escolhas das palavras e e foi um
[55:04] livro que que me tocou muito são são poemas longos não mas tá e
[55:12] depois e as que são podemos ver umas longos com tem nada a ver a
[55:16] partida com o meu tipo depois ia pelo menos mais atual mais
[55:21] contemporâneo são poemas com uma capacidade de como com a
[55:29] manifestação de uma cultura a alta porque curiosamente eu devo
[55:34] ter mesmo tendencia burguesa que estes três autores são são assim
[55:39] espera que as pessoas cheguem ao ponto deste episódio só para
[55:41] ouvir isso só de modo a puxar assim um bocadinho para para o
[55:44] burguês apesar de obviamente que o oscar balde teve em várias
[55:49] partes da sua vida ou mesmo miseráveis e pensei que ele não
[55:53] nasceu miserável um rio que eu também não imaginei e é um livro
[55:59] maravilhoso em primeiro plano bastava este plano pela riqueza
[56:05] da linguagem pela riqueza do vocabulário pela forma tão
[56:09] bonita tão lá apaixonada com que ele escreve estas energias que
[56:14] são rígidas uma mulher e que podem funcionar como poemas de
[56:20] amor certa forma de não sejam não se insiram em aquela ideia
[56:24] feita tipo fernando pessoa porque não há quer dizer que é
[56:28] quase tudo poemas de amor nem não são sempre e poemas de amor
[56:31] conjugal mas o rio que é um poema o é um poeta que eu gostei
[56:37] mesmo e acho que há que dar uma oportunidade ai que ele escreveu
[56:43] em preto nem só pra dizer nem que seja só para dizer que haja
[56:47] lirico não mas mas a série é muito é muito bonita e aqui até
[56:51] a k pronto não se não se consegue agora posso tentar
[56:56] descrever é um desafio era era mais ou menos esta paisagem que
[56:59] eu não sei como era na áustria era uma paisagem de montanha e
[57:04] ele portanto no seu castelo na montanha na sua saudação da sua
[57:09] varanda no seu jardim escreveu estas elegias e e marcaram muito
[57:17] tanto que eu agora estou a folhear este livro já não filho
[57:20] a muito tempo e está cheio de plantações lavras sim sobretudo
[57:25] sublinhados e eu faz pronto eu tenho tem uso da palavra para
[57:32] mim é de mestre isso é maravilhoso quando não ou seja
[57:37] não basta diz que não basta escrever bem há pessoas que
[57:39] escrevem muito bem e que não fazem sequer a boa literatura
[57:42] mas quando encontramos alguém de facto escreve tão bem que nos
[57:45] deixa de boca aberta e e completamente sem força e que
[57:49] essa reação que já ultrapassa o plano emocional já está no plano
[57:53] físico é porque de facto marca não é então e qual qual qual é
[57:59] que é a próxima altura em que vais fazer isso aos teus
[58:03] leitores ou seja a pouco já estavas a dizer que é preciso
[58:07] pensar no próximo sim eu já estás a pensar nesse próximo e
[58:10] eu pronto fazendo a ponte com que falámos há pouco eu quando
[58:13] me candidatei a bolsa candidatei me a uma bolsa de seis meses
[58:18] para criar uma obra gosto de poesia e nós eles dão tudo tempo
[58:27] para criar os não és obrigada a publicar mas a essa premissa
[58:31] portanto eu não tenho ainda previsão de quando é que vai
[58:34] sair quando como ou através de quem mas o que é certo é que eu
[58:39] quero que saia deste próximo livro porque é um livro porque
[58:43] está criado por que está feito está escrito está pronto para
[58:46] sair pode ser limado e um pouco trabalhado mas está pronto e
[58:50] isso está feito depois eu tenho é pois eu para as coisas e
[58:55] depois ia porque a bolsa na poesia de poesia e depois eu
[58:59] tenho outras coisas outras vontades por exemplo falei há
[59:02] pouco da da questão da prosa eu quero muito muito muito ter um
[59:06] livro de contos eu adorava ter um livros de contos e acho que a
[59:12] médio curto prazo acho que vai ser a sua caminho fazer o
[59:15] caminho a ponte porque não quero também cingir-me um só género
[59:19] não mas não me faria sentir realizado e não me faria sentir
[59:22] bem comigo mesmo enquanto pessoa que queria e que escreve e por
[59:26] isso acho que será esse o caminho passar de só poeta a
[59:30] poeta e escritora poeta e dramaturgo e se for preciso pode
[59:33] ter tudo à partida de experimentar os géneros sim sim
[59:37] para não que não sinta medo dessas barreiras mas quando as
[59:41] coisas em caixa fiquei tinha aqui uma nota nem sequer no
[59:45] nosso no meu guião que na altura em que estamos a gravar hoje faz
[59:50] um ano da morte de josé mário branco e no vinte e cinco de
[59:53] abril os que recriaste uma canção dele não foi isso fiquei
[59:58] bem se foi das coisas ou seja isto vamos lembrar porque de que
[1:00:02] género adaptar para que génio adaptar sim para já essa ponte
[1:00:07] temos esta conversa nesta efeméride acho que o zé mário
[1:00:11] era é uma um artista e é impressionante é um artista
[1:00:17] super marcante pra várias camadas de pessoa para vários
[1:00:23] estilos de pessoa idade quase para várias gerações à distância
[1:00:28] que do ponto de vista musical eu acho a música dele maravilhosa
[1:00:32] acha letra das músicas maravilhosas portanto só tenho
[1:00:36] giros a partilhar esse convite partiu de pessoas muito queridas
[1:00:41] do musicbox algumas que já me conheciam antes outras passaram
[1:00:46] a conhecer e foi um convite que mexeu mesmo o coração e que eu
[1:00:49] fiquei mesmo ok isto maravilhoso estou super orgulhosa deste
[1:00:53] convite quero fazer boa figura o que depois foi uma enorme dor de
[1:00:56] cabeça por que colocar muita pressão e queria fazer uma
[1:01:00] figura que era uma coisa que ia ter alguma projeção e era um foi
[1:01:04] um convite muito sério e portanto havia se responde as
[1:01:07] tuas filhas da música para recriar formal avenidas é era
[1:01:11] muito mais livres nesse sentido que também me ajudou porque eu
[1:01:14] não gosto muito das amarras e não me condicionou tanta a
[1:01:17] premissa era justamente estávamos todos em casa neste
[1:01:20] vinte e cinco de abril miserável mas queríamos todos celebrar os
[1:01:24] valores de abril e queríamos todos marcar esta data especial
[1:01:27] e e portanto partindo obviamente da no repertório dele e das
[1:01:32] manifestações dele fazer as pontes para para criar no meu
[1:01:36] caso um poema no meu caso foi convite para criar poesia outros
[1:01:40] artistas que inclusivamente criaram músicas quem era músico
[1:01:45] e e criações pronto de outro fórum eu tive que criar um poema
[1:01:50] e tive de escrever o poema e tive de gravar com a minha voz
[1:01:55] clamar portanto também teve essa a sua parte mais engraçada essa
[1:01:59] dualidade e onde é que se pode ler esse poema eu eu julgo que
[1:02:04] que na verdade isto é uma parceria do musicbox com com
[1:02:07] outra estrutura mas porque era uma iniciativa que em
[1:02:12] circunstâncias normais teria acontecido ouvir cores eu acho
[1:02:16] que se vocês procurarem musicbox vinte e cinco de abril como
[1:02:20] ainda estamos no ano dois mil e vinte isto aconteceu vai ser
[1:02:24] imediato vai vão chegar imediatamente ao sítio podem
[1:02:27] procurar também com meu nome assim vão interessados para para
[1:02:32] o problema o que o poema chama-se circo e instância eu
[1:02:38] também fazer uma brincadeira com a palavra circunstância porque
[1:02:40] obviamente eu estava obcecada com o ponto tal que eu encontrei
[1:02:46] nós hein eu estava a dizer que tinha adorado este poema não
[1:02:49] tinha percebido que era desta desta pronto é o link que é
[1:02:54] musicbox lisboa ponto com barra m b barra circo e fani e foi
[1:03:00] instância e nasci mas isso é cobravam a dar banho em
[1:03:04] contraste por acaso então encontrei por acaso não seria
[1:03:07] considerado como é que estávamos a falar há pouco não é sinal de
[1:03:10] que está bem foi só pelo teu nome pus o caminho já é mais
[1:03:15] longo do que do que hoje temos no teu livro mas é muito essa
[1:03:19] quase uma mini mini mini mini europeia quase e ainda por cima
[1:03:25] ele foi ele foi rasurado por mim numas partes porque eu senti que
[1:03:29] estava as extenso demais e que tinha demasiadas coisas
[1:03:35] superficiais pode ainda foi muito abandonado nesse sentido e
[1:03:39] adorei o convite mesmo por falar em convite vou agradecer o teres
[1:03:44] aceite essa aceitado meu e e deixar-te aqui uma frase que
[1:03:49] muito que muito pirosa mente escrevi que é aqui ainda agora
[1:03:54] chegaste e por favor não saias de cena obrigação caminho que
[1:03:58] vamos obrigada por vem pra chegar no seu convite e gostei
[1:04:01] muito de falar contigo e de conversar sobre sobre estas
[1:04:05] coisas é preciso voltar a conversar sobre os livros e já
[1:04:09] passava um pouco e poderíamos continuar aqui mais tempo que
[1:04:12] certamente teríamos pano para mangas portanto obrigada yama

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