# Episódio 37 - Ivo Canelas

An episode of [Ponto Final, Parágrafo](https://invisiblenetwork.ai/podcast/1446064267), 16 Dec 2020, 1 h 12 min.

Audio: https://anchor.fm/s/80a352c/podcast/play/24036005/https%3A%2F%2Fd3ctxlq1ktw2nl.cloudfront.net%2Fstaging%2F2020-11-15%2F6e491d90-ee3e-cbf2-3f7b-be1f149e6a41.mp3

Já existia o Efeito Attenborough, que levou à redução de plástico e há agora o Efeito Canelas, que aumenta a ida das pessoas ao teatro – mesmo em pandemia. O ator Ivo Canelas fala-nos do livro original do monólogo “Todas as coisas maravilhosas”, que está em cena, de um clássico de Saramago (tão pertinente nestes tempos de cegueira mental) e de vários livros de banda-desenhada que nem sabias que ias querer ler e que vão fazer parte da tua (já longa) lista de livros a ler. Palavra-chave: reparar. É preciso reparar nas pequenas coisas maravilhosas. Há tempo para ver o que tem Ivo na agenda para 2021, como novos projetos e a continuação da sua exposição de fotografia. O vídeo completo da interpretação de “A Modern Man”, de George Carlin. Genérico: Nuno Viegas Ponto Final, Parágrafo nas redes sociais: Instagram: https://www.instagram.com/pontofinalparagrafo/ Twitter: https://twitter.com/ParagrafoFinal Facebook: https://www.facebook.com/pontofinalparagrafo.fm

## Transcript

[0:10] ponto final parágrafo o que é que sucede faço uma
[0:26] introdução zinha digo-te olá diz a tua mãe de volta em princípio
[0:33] não dizer não é é vamos descobrir vamos descobrir depois
[0:38] a faço uma descrição vinha de ti e muito bem vamos a isto então
[0:43] agora falar sozinha um bocadinho também força olá o meu nome é
[0:46] magda cruz e sejam bem vindos ao trigésimo sétimo episódio do
[0:50] ponto final parágrafo um programa dez que se f m feito em
[0:54] parceria com a comunidade cultura e arte e é sobre
[0:57] literatura e a vida como já sabemos e hoje temos o
[0:59] privilégio o grande privilégio de ouvir ivo canelas olá olá se
[1:05] existe dólar ai tenho que te dizer que o teu riso é dos mais
[1:12] engraçados que que já pude ouvir é muito bom obrigado começamos
[1:17] já assim e estás preparado para ouvir então uma descrição de ti
[1:21] na na terceira pessoa não mas bora não mas agora pronto então
[1:26] conhecem o ivo canelas da televisão do cinema do teatro e
[1:30] também da fotografia vamos falar isso um pouco mais à frente este
[1:34] ano esteve várias vezes nos nossos ecrãs com a série sul
[1:38] embora que sem cabelo se calhar algumas pessoas não me
[1:41] reconheceram assim tão bem na série o mundo não acaba assim e
[1:45] nos palcos como o capitão em pedro e o capitão muito muito
[1:49] mais coisas fizeste pelo menos este ano mas ficar assim por quê
[1:53] tem quarenta e seis anos e na primeira vez que pisou o palco
[1:57] não vestiu a pele de uma personagem mas sim um quimono
[2:01] foi no teatro maria matos em lisboa com os sete aninhos e foi
[2:05] para um sarau de jude quem também tinha sete anos é a
[2:10] personagem do monólogo todas as coisas maravilhosas é será mais
[2:15] ou menos à volta de mais de dois anos que eu e wanda como a lista
[2:18] as costas e é uma lista de coisas pelas quais vale a pena
[2:22] viver uma lista de todas as coisas maravilhosas do mundo já
[2:27] levou a listar várias salas do país e ultimamente uma ia dizer
[2:31] bruma mas é um bocado esquisito assim uma nuvem de álcool
[2:33] desinfetante tem seguido livre e também a lista é para todo o
[2:37] lado e nós todos e nós todos é assim um spray spray spray e
[2:44] gotinhas e o monólogo todas as coisas maravilhosas e que o ivo
[2:50] vê mais como uma conversa do que um novo venceu venceu há uns
[2:54] tempos o prémio guia dos teatros para melhor sol parabéns desde
[2:57] já na peça partes da enumeração de algumas coisas maravilhosas
[3:02] são poucos tinhas até não são assim tantas para falarmos para
[3:06] de de temas como o suicídio a depressão e o amor fala sempre
[3:10] do amor em qualquer coisa sempre evo dois mil e vinte fez de
[3:14] alterar a tua lista de coisas maravilhosas ou ou nem por isso
[3:19] é é sim eu acho que estava a falar com isso com alguém agora
[3:23] um dia destes que tenho tenho visto assim algumas coisas eu vi
[3:27] ouvido alguns comentários sobre a querer apagar este ano e
[3:32] esquecer dois mil e vinte e eu percebo instinto mas ao mesmo
[3:36] tempo também tenho pensado que neste ano não é de todo para
[3:40] pagar é um ano que eu acho que é para nunca esquecer é porque é
[3:44] um ano cheio de profundos desafios e e e ainda estamos
[3:49] para descobrir as consequências desses desafios do ponto de
[3:52] vista económico social de saúde mental etc mas ao mesmo tempo é
[3:56] um ano de um ano de profundo questionamento existencialista o
[4:02] que é que andamos a fazer até agora o que é que vamos fazer
[4:04] aqui para a frente o que é que queremos verdadeira muito fazer
[4:06] e como é que podemos fazer e com quem é que queremos fazer e eu
[4:10] acho que querer apagá-lo seria um erro por mais duro que esteja
[4:14] a ser e é que ainda virá a ser porque quando nós tivemos que
[4:19] parar todos para quarentena sem saber exatamente o que é que nos
[4:22] ia seguimos sair dela ou não houve ali uma altura nas
[4:25] primeiras semanas onde pronto há um século que que isto não nos
[4:29] acontecia algo tão global que nos tocasse a todos no mundo
[4:33] inteiro e de repente ninguém sabia muito bem como hoje não
[4:36] sabemos tudo completamente bem apesar de já vemos uma luz ao
[4:39] fundo do túnel que com a com a questão da vacina que esperemos
[4:41] que o que o que se que se que se resolva depressa mas é isto pois
[4:46] nos a todos uma oportunidade única que é uma espécie de para
[4:49] mim foi uma espécie de coma coletivo em que de repente é
[4:55] quando temos experiências semelhantes a essas
[4:57] individualmente e nós não sabemos se vamos sair dele ou
[5:01] não é e acho que nós demorando uma altura não tivemos a certeza
[5:05] não tínhamos acertado noticiamos realmente sair ou não e isso ao
[5:09] sairmos é é para mim uma segunda oportunidade semelhante a alguém
[5:13] que esteve num coma e de repente volta à vida esta é esta que nós
[5:17] conhecemos e que tem uma espécie de segunda oportunidade é para
[5:22] para para tudo é e então é um momento que acho que tem que ser
[5:27] agarrado e tenho visto muitas pessoas que que eu achava que
[5:31] era isto ou aquilo ou apenas isto ou apenas aquilo e de
[5:34] repente revelam-se muito mais para o bem e para o mal mas
[5:38] agora vamos focar-nos do bem e e que de repente tem a coragem
[5:43] suficiente para se questionarem no sentido de o que é que eu
[5:47] quero fazer a seguir o que é que eu ando a fazer e o que é que eu
[5:50] quero fazer e isso acho que é uma oportunidade incrível é
[5:54] porque também isto passará e também nós daqui ha ha se tudo
[5:58] correr bem em dois ou três anos isto já estaremos outra vez numa
[6:02] dando uma uma reta ascendente curvas sem dente e também isto
[6:07] também nos esqueceremos deste momento e e do momento que neste
[6:11] momento nos obriga a lembrar a finitude e que tudo isto é e no
[6:16] tempo breve que temos aqui neste neste neste plano e e e e como é
[6:22] que o queremos utilizar portanto enquanto esta memória estiver
[6:25] fresca acho que é um momento de alavancagem e de tentarmos
[6:31] descobrir coisas novas para quando nos esquecermos desta
[6:35] possibilidade de não voltarmos já termos as coisas alavancadas
[6:39] o suficiente e já não já já já já haver um movimento que que
[6:45] ela já não parem por si já não possam parar porque pronto é
[6:49] esta maravilha do ser humano que é não podemos estar
[6:52] constantemente a lembrarmos da finitude isto tudo porque era
[6:55] impossível dizer mas também é muito importante lembrar-nos de
[6:58] vez em quando disse para podermos viver de de uma maneira
[7:01] se calhar mais preenchida mais agradecida não sei se são as
[7:07] palavras correctas isso faz-me lembrar uma parte do do texto
[7:11] que quinto pretas que diz algo como se vivermos uma vida talvez
[7:18] longo o grande e chegarmos ao fim dela sem sem termos sentido
[7:23] alguma vez deprimidos porque não tivemos não tivemos atendes nós
[7:28] tivemos a prestar atenção mas vai um pouco por aí não querendo
[7:31] romantizar estes tempos que que vivemos aprendemos qualquer
[7:34] coisa e atualista ganha nem que seja uma cadela chamada elis é
[7:40] verdade nem que seja isso é sem dúvida uma consequência da
[7:43] consequência de disso da pandemia e da quarentena ou seja
[7:47] eu apercebi-me e sempre soube e sempre disse que queria ter um
[7:49] cão e queria ter um cão eu queria ter um cão mas perdemos a
[7:51] vida realmente beijo na adas não dá jeito agora não e como é que
[7:54] eu faço o e e de repente com essa com esse com essa alerta
[8:01] com essa situação complicada daí surgiu me a noção de que mais
[8:05] ralf mais vale ter um cão ontem do que ter um cão amanhã porque
[8:08] não é garantido portanto se não vai passar a vida inteira eu vou
[8:10] sempre dizer quer ter um cão e nunca nunca oi ter porque as
[8:12] condições nunca são as ideais e o que é facto é que estamos
[8:15] juntos à vai fazer agora oito meses e pronto e traz o teu
[8:19] responsabilidades e traz a exige outras coisas de mim e mas se
[8:23] mas a mais mas quero o positivo é sempre mil vezes melhores do
[8:27] que as dificuldades que que dia vem também portanto já é um bom
[8:31] exemplo eu aconteceu a mesma coisa comigo mas como a como a
[8:34] gata ou seja um tu tens o canídio tenho flynn e parece que
[8:38] que já entrámos mais ou menos na discussão do primeiro livro que
[8:41] escolheste que neste caso até o livro base do teu monólogo abril
[8:46] brilliant king do dramaturgo dramaturgo dramaturgo inglês e
[8:51] dunkan mac millan que julgo que acho que o livro é mais ou menos
[8:55] de dois mil e quinze penso que sim acho que é isto foi foi o o
[8:58] nobre da da h dois n que te mostrou o texto eu já conhecias
[9:02] não conhecia foi logo que me lançou o desafio portanto é
[9:05] suave então sem dúvida já já lhe agradeci várias vezes foi isso
[9:09] foi uma oportunidade incrível de anos a fio incrível eu penso que
[9:12] a história ele poderá retirar contá-la melhor mas penso que tá
[9:17] uma amiga dele falou no texto ouviu o texto e perguntou-lhe se
[9:23] ele não estaria interesse em ler ele deu acho interessante não
[9:25] sei se ele viu o espetáculo original portanto porque o texto
[9:28] escrito em parceria com se não estou em erro não me quer
[9:31] enganar no nome do ator é o john asked eu não me lembro do
[9:36] apelido dele é mas está está escrito no livro é e é isto um
[9:40] texto escrito durante um um penso que para um arco shop do
[9:44] festival ao ferimento inaugurado no festival e e é um texto
[9:49] portanto escrito com por um dramaturgo por um escritor e por
[9:53] um ator e é um texto que já chega às mãos isto não tem
[9:57] defeito em vários vários partes do mundo obviamente a mais que
[10:01] tem várias características que são muito interessantes e
[10:04] primeiro foi escrito em parceria com o ator quer dizer que o
[10:07] teste foi sendo experimentado constantemente e acertaste nome
[10:10] é mesmo johnny e agora eu também não sei dizer bem mas abordou
[10:14] deu e deu e não é acho que é eu acho que é parecido e e portanto
[10:19] o texto já veio experimentado porque o texto tem uma é
[10:23] praticamente à prova a prova de balas e de contempla uma série
[10:27] de como como texto que tem tem uma grande zona de improviso é
[10:32] essa improviso já reconhecido de estado imagino eu reescrito
[10:35] várias vezes também foi ele também pediu apoio ou ao clube a
[10:40] colaboração de alunos dele de um curso de escrita que lhe que
[10:44] sugeriram e partilharam com ele o que é que eram as coisas
[10:46] maravilhosas deles portanto eu não sei que me fosse um absoluto
[10:51] génio que é sem dúvida brilhante não sei se será um génio conheço
[10:54] poucos se é conhece algum ai seria muito difícil contemplar a
[10:59] humanidade toda que ele conseguiu incluir no texto tão
[11:02] breve e tão pequeno é são várias cabeças várias vários espíritos
[11:07] aha por ali a informação que depois é toda narrada como se
[11:10] fosse a história de uma pessoa é mas é a participação de várias
[11:13] pessoas e daí ou aquilo conseguir que colocar várias
[11:17] pessoas ao mesmo tempo ya no espeto humano tão complexo e tão
[11:21] útil e tão largo e tão texto depois que o próprio dna que
[11:26] milan diz que deverá ser adaptado para a realidade de
[11:30] cada país portanto ele data liberdade esta adaptação foi
[11:32] feita por mim e pela margarida vale de gato que é escritora
[11:35] tudo tradutora absolutamente genial poeta claro ela quando
[11:40] digo que tu és a aldeia eu sou tradutor esse tradutor mas é sem
[11:43] dúvida uma poetisa extraordinária e é minha amiga
[11:46] de infância há mil anos atrás portanto foi foi assim muito
[11:48] muito fixe trabalhar com ela já trabalhaste com ela pelo menos
[11:51] duas vezes sim sim eu tinha nota também que trabalhaste com ela
[11:56] para a voz humana uma leitura encenada sim eu gosto muito de
[12:00] ler vários textos dela e e sempre possibilidade lakeway
[12:02] coisas dela portanto é já já nós somos amigos desde o secundário
[12:07] portanto é fantástico e é das minhas amigas mais antigas e é
[12:10] uma referência para mim uma referência a de uma referência
[12:15] artística muito grande porque foi com ela que eu vi pelas
[12:19] prima pela primeira vez aquilo que eu chamo a a bolha a bolha
[12:23] da da criação eu lembro de sermos miúdos e estamos na minha
[12:26] casa e estávamos lá alguma coisa conversa ela de repente espera
[12:29] que eu tenho que escrever um poema e ela sentar-se e eu de
[12:33] repente desaparecido desaparecido estava lá mas eu
[12:36] desapareci para ela e ela literalmente criou aquela bolha
[12:40] que que alguns artistas conseguem criar em que nada
[12:43] existe à volta não ser o ato de criação deles foi assim muito
[12:46] marcante para mim neste momento mas ao mesmo tempo uma mulher
[12:49] que nesse a simplicidade e com e o discurso dela consegue ser
[12:53] altamente erudito como consegue ser absolutamente coloquial e
[12:56] que era o ideal para para este material um lado coloquial de
[13:00] comunicação muito direta e eu só falei com ela uma vez mas
[13:04] parece-me fantástica só fala quando tudo é história uma
[13:07] cabeça e um coração extraordinário e e então nesta
[13:11] adaptação pronto foi nunca tinha adaptado a texto nenhum o que
[13:16] muito contribuiu para a apropriação do material para mim
[13:20] e de repente tu acompanhar de um texto em que de repente este o
[13:23] que o adapta espaços do inglês para português encontras as
[13:26] dificuldades em inerentes e depois tens de que era botar
[13:29] também não só narrativa a uma realidade portuguesa mas também
[13:33] uma série de músicas que no original são é são músicas
[13:38] lindíssimas são richard e conta que era exatamente o richards e
[13:42] tu pegas aí na na elis regina né gina daniel johnston tem música
[13:48] absolutamente incríveis só que é eu adoro e adoro adoro todas as
[13:53] músicas lá estavam só que não são pele para mim e não são pele
[13:57] e penso eu para a maior parte de dos portugueses por uma questão
[14:01] linguística não é de de repente aquilo que nós cantando ai la
[14:04] vue versus anote é é são é é a diferença entre a distância da
[14:10] pele da cabeça papel e e i termo e termos traduzido
[14:15] conceptualmente a musicalmente para a nossa realidade torna
[14:19] este texto que de repente o texto tem a força suficiente
[14:23] está construído de uma forma que depois não unificadora também
[14:28] porque sim trazer jorge palma para o meio de neste caso cento
[14:32] e vinte portugueses porque agora a lotação foi um bocadinho
[14:34] reduzida e como está ela está é aquela aquela questão de ser
[14:40] generalizado ao ponto de toda a gente e beber da peça e sentir
[14:45] que é sobre um pouco sobre elas apesar depois a ali um momento
[14:50] em que acham que é mesmo sobre a tua vida e eu eu senti isso
[14:54] quando quando estava lá e parecia calma apesar da
[14:56] personagem chamar ivo não é o ivo porque vive neste momento
[14:59] não tem sete anos que se calhar querias voltar a ter mas claro
[15:03] mas repara que eu isso foi uma coisa que aconteceu também ao
[15:06] longo dos espectáculos foi que é como o personagem na realidade
[15:10] chama-se narrador é é não ele não lhe dá nome é e então eu de
[15:16] repente foi confrontado uma vez numa das nos espectáculos em
[15:20] alguém penso que por uma gabriela que me quando eu digo
[15:24] que como que que o nome dela é gabriela ela pergunta qual é o
[15:27] teu ai eu fui surpreendido pela questão e eu não tinha pensado
[15:33] nisso e pensei que tinha que ter uma resposta e então a resposta
[15:37] conheceu fui foi uma o meu nome porque eu não queria que ser
[15:39] joão mário outra pessoa qualquer é então joguei a cartada do meu
[15:43] nome que tornou aquilo a confusão entre a pessoa o ator
[15:47] persona mayor que eu acho que serve muito texto e essa questão
[15:51] isso tu levantaste parece ser a minha história e quer pra mim é
[15:55] o maior elogio porque porque porque essa confusão que é
[15:59] pretendida e por outro lado quando as pessoas de repente se
[16:04] apercebem se pessoas menos treinadas a ver teatro se
[16:07] apercebem que aquilo é um texto acontecem coisas muito
[16:10] engraçadas houve uma vez uma rapariga que previa o texto que
[16:13] estava a fazer frente sala e e depois foi perguntar e alguém me
[16:17] diz da mesma história dele disseram não ele sabe que
[16:20] chatice sofri tanto e não havia necessidade porque isto não esta
[16:22] hora dele mas por outro lado é esta distância também te permite
[16:27] penso perceber que se não é a minha história então é a
[16:29] história de quem é a nossa história é tua história é a
[16:33] minha história e o texto é muito bem construído por que te lança
[16:36] sem querer revelar absolutamente muitas coisas alguma forma
[16:39] muitos mussar muito texto estás construído com personagens
[16:42] arquétipos ou ao momentos a arquétipos que todos nós
[16:46] reconhecemos uma primeira namorada é uma professora que
[16:51] nos marcou a alguém na primeira mudança para casa exatamente o
[16:56] primeiro casamento o primeiro passo que são coisas que todos
[16:58] nós uma outra a gente diz me espera aí mas isso é muito
[17:01] parecido com a minha vida porque por mais diferentes que todos
[17:05] nós sejamos e somos é o nosso leque de emoções o que é
[17:11] diferente sobre a forma como as combinamos mas as as cores
[17:15] básicas das emoções são cinco dez quinze e e depois não é que
[17:20] combinamos uma forma diferente mas de uma forma assim a ver as
[17:24] coisas a três mil metros de altura é tudo muito igual e tudo
[17:28] e temos um emprego onde temos um emprego temos um carro não temos
[17:32] um carro ou quer dizer voltamos para casa para um animal ou não
[17:34] sim é que é não é tudo é tudo muito semelhante isso não é
[17:38] semelhante para ti é semelhante para o outro esse não é tu é
[17:41] alguém que tu conheces portanto está muito bem construído nesse
[17:43] sentido o texto é de uma foto de uma enorme falsa simplicidade
[17:47] mas isso é arrebata mais no texto é a simplicidade dele
[17:51] porque a narrativa é bastante simples não é uma criança que
[17:53] cresce num ambiente meio complicado volta a casa e acho
[17:58] que não volto a casa o pai que diz que a mãe fez uma coisa
[18:00] estúpida entre aspas foi para o hospital e depois há sempre eu
[18:05] eu eu vi-me também nessa imagem de conhecer um um casal de
[18:10] velhinhos simpáticos e que não cheiram mal é e essa parte de
[18:17] começar ou seja ser isso que despoleta a criação da lista
[18:21] como um ato de vou mostrar à mãe para ver se ela fica melhor eu é
[18:25] uma coisa muito simples que depois se se se alarga para uma
[18:30] peça de de quase duas horas portanto essa simplicidade que
[18:34] te que te apaixonou ou eu eu a primeira vez que li o texto até
[18:39] tive medo dessa simplicidade pensei isso perguntei meu tive
[18:42] que tive que mostrar algumas pessoas o texto eu perguntar se
[18:45] eu eu quando li o texto bateu-me com muita força de
[18:47] relacionamento uma forma muito a imediata com material que ele
[18:51] desse em quarenta minutos ou uma hora se calhar mas eu achei
[18:55] aquilo tão brutalmente direto que eu pensei se isto não é
[19:00] demasiado linear e tive que mexeu até mesmo piroso e isso
[19:04] era eu que estava a perceber isto é se caso eu estou lamechas
[19:08] e estão a tocar muito eu tenho que mostrar isto alguém mais
[19:10] cerebral ou que seja mais cerebral e que me olhe para isto
[19:13] e me diga se isto realmente tem valor e mostrei a guida iggy
[19:16] disso eh pá isto é uma máquina isto é uma máquina de brutal de
[19:19] criar despoletar coisas e penso que no fenómeno dia da do
[19:25] processo de adaptação e depois no processo de improvisação ao
[19:29] longo de tantos espectáculos nós fomos ainda acrescentando ou eu
[19:32] fui acrescentando em improviso montes de coisas que muitas
[19:37] delas surgiram logo nas primeiras duas semanas de
[19:39] espectáculos e que fomos a que diria que o texto original está
[19:43] todo obviamente mas eu acrescentei tem o número é o
[19:47] mesmo assim mas eu gostei mais trinta por cento de coisas que
[19:50] ficaram fixadas no texto fixas no texto que que eu hoje se eu
[19:54] agora voltar ao texto já não sei bem distinguir o que é que lá
[19:57] está de origem do que é que ela não está mas também é importante
[20:01] dizer que o texto tem uma série de sugestões que é muito
[20:04] engraçado nos momentos de improvisação o texto de história
[20:08] neste momento o john acostumar a falar sobre isto ou às vezes
[20:11] também falava sobre aquilo é mas também é possível que falar
[20:14] sobre outra coisa qualquer data uma liberdade muito grande mas
[20:17] disto eles comentava isto e resultava eu acho que só uma
[20:20] coisa que eu não peguei nas sugestões que ele fala que foi
[20:24] qual havia uma é uma cena era a cena com os velhinhos em que ele
[20:27] faz uma coisa que eu não me sentia confortável para fazer em
[20:31] improvisação por mais eu gosto muito de dar uma grande
[20:35] liberdade às pessoas ao ponto de sentirem que podem que falar
[20:38] literalmente comigo isso acontece muito especialmente no
[20:41] norte é curioso do norte as pessoas acreditam naquilo um
[20:44] nível superior do que queria também lisboa e envolvem-se
[20:48] interrompendo me e comentando e dizendo coisas e dizendo com
[20:52] todo acordo é incrível é mas há uma coisa que é um artifício de
[20:57] de de representação quero natal cena com os velhinhos quando ele
[21:00] encontra aqueles velhinhos pela primeira vez ele ele diz que ele
[21:05] dá um sumo e um chocolate e ele na no original no texto pede
[21:10] mesmo um chocolate ou ao pé das pessoas se tem alguma coisa para
[21:15] comer para lhe darem e eu sinceramente preciso não gosto
[21:19] disto não gosto não é porque ele come chocolate e devolve um
[21:23] bocadinho achei aquilo e podia falhar também depende dos
[21:27] público pode falhar e isso tudo pode falhar ou seja tudo aquilo
[21:30] está de alguma forma pode sempre cair ao comprido mas mesmo que
[21:35] ainda ao comprido revela se ali uma humanidade muito grande
[21:38] mesmo na queda mesmo quando falha ou seja se calhar falha
[21:41] não é o termo certo pode não pode não pode não correr tão bem
[21:43] como vai por outro caminho ali isso aí não sei explicar era
[21:48] tipo um e não quero chocolá não sei não gosto nunca foi a única
[21:51] coisa que eu não gostei que não usei ya então achas que achas
[21:55] que alguém que vá ver a tua peça pode ler então o livro não há
[21:59] nenhum impedimento portanto não me assustam um um a muita gente
[22:03] que o lê há muita gente que eu ler depois há muita gente que lê
[22:06] antes a sim há muita gente e eu por exemplo o espetáculo existe
[22:11] gravado pelo pelo autor original e se não estou em erro está no
[22:14] baby eu acho que não é de boa portugal mas é no no lg original
[22:17] ou se não é no lisboa no youtube pronto já deve estar no e e é
[22:22] muito engraçado eh pá o espetáculo eles não estão erro
[22:25] tem uma hora o nosso tema hora e quarenta e cinco portanto é mas
[22:31] por exemplo as músicas no original são todas elas muito
[22:34] mais carregadas de de tristeza todas elas são muito todas muito
[22:38] mais dramáticas mas o espetáculo em si é muito mais analítico e
[22:42] muito mais representado ou seja é mas também a diferença entre
[22:46] os anglo-saxônicos e os latinos portanto eles é e a opção deles
[22:53] é é é as coisas ficam aqui eu acho aqui nesta zona fica muito
[22:57] na cabeça ficam muito no cérebro e e eu optei por levá-las para
[23:02] uma coisa mais corpo e mais a explorar limite do que é que
[23:06] seria uma sessão de terapia litoral e portanto o espetáculo
[23:10] eles é muito mais rápido e super rápido e mas eu acho que também
[23:15] vai menos fundo mas diz que é uma característica latina quer
[23:18] dizer nós custa nos muito mais por exemplo os no espetáculo
[23:22] eles falam todos muito mais alto o público é muito mais
[23:25] afirmativo na sua participação nós somos muito mais tímidos
[23:29] nossa participação nós não temos trem de falar em público temos
[23:32] algum pudor de falar em público e é grande o meu grande desafio
[23:35] espetáculo é decidido nos primeiros dez minutos quando eu
[23:38] estou em contato com as pessoas a distribuir as para as folhas e
[23:41] pôr as pessoas à vontade e explicar-lhes que pá isto força
[23:45] fala algumas mas é um desafio isso portanto eles têm noção de
[23:48] ritmo implacável eu gosto de deixar o espetáculo cair muitas
[23:53] vezes aquela noção de onde é que foi não foi estamos só aqui
[23:57] agora calados deixar a energia cair e sinto sinto quer se esse
[24:01] me deixar a energia cair funciona muito a teu favor
[24:04] porque mesmo se calhar a arena favorece o facto de puderes
[24:09] olhar mesmo nos olhos eu senti que olhavas mesmo para mim tal
[24:12] como outra pessoa sentia que olhavas para ela portanto essa
[24:15] proximidade também vem daí e esse silêncio ajuda a que as
[24:20] coisas se consolidem um bocado um bocado eu que não percebo
[24:23] quase nada de teatro lá estou mas dá ideia que acho que no
[24:27] teatro num palco que é superior a às pessoas que estão na
[24:31] plateia se calhar por causa das luzes não conseguem ver as
[24:34] pessoas e neste caso tem aqui uma envolvência a talvez muito
[24:38] maior é sim sim eu tinha ideia de que se não fosse pelo menos
[24:43] acho que li que se não fosse a pandemia estarias a a
[24:46] interpretar este texto noutros países de língua portuguesa e
[24:49] também neste caso é mas neste caso ficou só para os
[24:54] portugueses pronto eu entretanto já me respondeste e isto já faz
[24:57] um bom lugar já andas calista às costas há há quase três anos e
[25:02] tens o incrivel despudor será que essa palavra existe o
[25:06] contrário tipo dor de cabeça agora não inventares está está
[25:10] não é para isso que serve este podcast horas inventar palavras
[25:14] se tiveres alguma sugestão força e tenho uma a fort dar força
[25:18] tenho aqui a a fort dar que vem do inglês a a canta ford e é
[25:23] tipo a eu não a ford o isso é tipo não tem dinheiro comprar
[25:26] isso ya agora que é a black friday também não for muita
[25:31] verdade mas eles também tem uma psicologia das coisas ali é
[25:37] alargar prazos para comprarmos as coisas agora pediria um dia
[25:41] passou para o mês passou um mês aplaina assustador e estamos
[25:45] todos em casa com o dedo no cu dedo no o rato olhar que medo
[25:49] comprei livros comprei livro isso isso estava a dizer que
[25:53] tinhas um grande despudor vou continuar a usar para cantar em
[25:56] público lá está tanto elis regina com aquela aquela frase
[26:01] em loop do para abraçar seu irmão ali a lupa eu fiquei ouvir
[26:05] a música durante semanas vamos lá ver músicas isto é o efeito
[26:09] efeito ivo canelas e a música é genial essa música eu tive pai
[26:13] nem lembro do dia em que eu ouvi pela primeira vez na rádio já
[26:16] foi há uns anos atrás eu não eu não sabia o que era aquilo eu
[26:18] conhecia mal elis regina não não que hoje conheça bem elis regina
[26:22] para mim essa é a que eu conheço de alto a baixo porque é quando
[26:26] ouvi aquilo pela primeira vez eu não queria acreditar na duração
[26:28] do tema e não conseguia ainda hoje cada vez que eu ouço na sua
[26:32] completamente eu eu descobri uma ideia nova a música é de uma
[26:37] poesia não sabia que não é um original dela é o é escrito por
[26:41] um por um outro cantor e foi cantado por ela mas é por ela
[26:44] que a música fique conhecida a dimensão literária poética da
[26:49] música e exterior eu adoro músicas longas adoro músicas com
[26:52] letras complicadas gosto muito de músicas com letra com
[26:55] história e fascina me todas as as conotações políticas sociais
[27:00] emocionais e aquela música carrega pronto para o espetáculo
[27:03] serve e encaixa muito bem no narrativa do espetáculo claro
[27:06] claro porque a dimensão do da vida dela o que ela fez como é
[27:10] que ela morreu etc porque disse bateu tudo não poderia ter
[27:14] batido mais certo mas eu cantar sabes que eu a eu se eu eu eu
[27:20] quando era miúdo e eu em ti miúdo tipo quarta classe o
[27:24] primeiro ano aquelas coisas da de quanto acerto não sei se
[27:27] ainda se faz isso basicamente fazíamos tipo pedias a
[27:30] assinatura tudo os teus colegas ficavas com os uma dedicatória
[27:33] dos teus colegas no final do ano sim no final do ano e eu lembro
[27:37] que assinava sempre ivo canelas de um grande cantor que não sou
[27:42] teu apelido é para cozinheiro mas cantor pode ser exato mas é
[27:48] era temos um grande cantor que nunca fui mas eu sempre adorei a
[27:53] cantar e sempre cantei a vida inteira sozinho em casa que
[27:56] passa o dia a cantar estou sempre a cantar ou a cantarolar
[27:59] rapidamente percebi que não que não não podia fazer isso de
[28:02] profissão porque é porque não tenho nem técnica nem voz mas
[28:07] também aprendi ao longo dos anos que gosto particularmente de
[28:11] pessoas que não não sabem bem cantar o que não cantam bem mas
[28:15] que se tornam cantores profissionais e fazem da sua
[28:18] fragilidade a a sua força e essa é isso que eu utilizo ali essa
[28:24] incapacidade ou fragilidade e partilho aí a uma cantora que eu
[28:28] gosto muito que é a barra barra que é uma cantora francesa e que
[28:33] já morreu que essa é uma versão feminina do jake barrel assim na
[28:36] intensidade e ela no final de carreira já não tinha voz e não
[28:40] foi por isso que ela parou de cantar e e é muito bonito ou
[28:45] seja a questão é quando quando tu não tens voz e achas que tens
[28:49] estás no ridículo é mas quando tu não tem vou não tu já não
[28:53] tens voz sabes que não tens e trabalha as à volta disso estás
[28:58] no na zona do conhece está sim mais expões isso expões isso ou
[29:04] seja m para mim é mais interessante e e mais comovente
[29:09] e mais tocante ver um instrumento que já não tem todo
[29:12] o esplendor que teve mas tem um conhecimento e humanidade muito
[29:17] grande ia tentar ir às notas altas e falhar e nessa fífia é
[29:23] onde está o momento mais comovente para mim agora poucas
[29:27] pessoas conseguem e e não estou a comparar comigo de forma
[29:29] alguma estou a falar de cantores profissionais e poucas pessoas
[29:32] conseguem expor essa fragilidade ou seja a ter a confiança de que
[29:38] a minha humanidade vai compensar aquilo que o meu meu instrumento
[29:42] já não consegue executar e há um álbum famoso dela onde ela goza
[29:46] com isso e não só goza com isso como explora e e que compõe uma
[29:51] música chamadas de voz são t e eu vou charme t i a música é só
[29:55] ela a fazer umas escalas vou chanté jesus eu quero cantar e
[29:59] cantar e depois a voz a fazer já vou já até já faz até ficar sem
[30:03] voz e é altamente perturbante altamente emocionante sim
[30:08] portanto não tenho não tenho realmente esse não tem esse
[30:10] pudor e acho que esse falta de pudor também permite às pessoas
[30:14] juntarem-se e e permitirem também que eu passe ele que se
[30:17] ele cantando tão mal canta olha eu preparem-se aqui nas tuas
[30:22] redes sociais partilhas uma coisa muito interessante que
[30:25] percebi que é para te manteres em movimento que são textos e
[30:29] poemas que interpretas e aquele de que mais gostei que me chamou
[30:33] mais atenção foi o mod man do george carlin o humorista eu vou
[30:38] passar um excerto aqui no no no episódio mas parecias tão feliz
[30:43] parecia tão feliz a fazer essa disputa são úteis também é muito
[30:47] fixe é mas gostaste gosta de fazer esse exercícios e de vez
[30:52] em quando eu tão feliz porque foi para aí quarenta tapes até
[30:55] conseguir fazer aquilo tudo de uma vez e acho que não me faltou
[31:00] nada e foi assim a minha alegria de ter conseguido pá demorei pá
[31:06] foi quarenta técnicos no mínimo são três minutos de pressão e há
[31:10] um rep meio stand up porque ele é que ele deixa espaço para as
[31:14] pessoas rima rirem mas compreendo então não vale a pena
[31:17] fazeres isso não é claro muito bom vou passar uns certas os
[31:22] ovinhos podem ficar então ouvir ok vou tentar ler um poema do
[31:26] george carlin chamado amar man amaro man menu de melânia de
[31:31] geral em smoke free e irei versa fine multicultural pouso morandi
[31:35] construction da internet aqui para ler a clínica lado do
[31:38] cliente correct abre o plante em download abre empresa em
[31:41] outsourcing anel de ópera melhor sai não sai bing high tech low
[31:46] life a carinha de setembro de oito baikal multi tasker e
[31:49] ninguém viu a gabardina no cecon aj no hay drama old school band
[31:53] saibam atuais hitchhiking um hora de colocar o marcelo
[31:57] oliveira negre ball a interface do maiden eu achei só a internet
[32:02] vai para formatar o time video at the big heat bola de cor vai
[32:07] way de handebol grande potencial valor à mão põe um teste começa
[32:10] dezanove por logo à noite porque inspire h no outback gente perde
[32:14] a mãe da marumbi é jogo da k ner ai caça pelo povo e não vamos
[32:19] pegar desta vez num livro em que pegas na no teu monólogo a
[32:24] paixão do jovem werther r do gost como se diz gotta gotta
[32:29] gotta e gata vem cabo vem cá aqui e em caso de baixo ya é mas
[32:34] é um livro que muita gente leu e mesmo durante a pandemia voltou
[32:38] a ser revisitados estamos a falar do ensaio sobre a cegueira
[32:42] do do saramago um és então um grande amante de de saramago ou
[32:47] este livro particularmente este eu confesso que só li este o
[32:51] saramago para grande vergonha minha é eu eu este ali este li o
[32:57] primeiro inglês blaine selinho em nova iorque em dois mil e foi
[33:02] logo a seguir falou ali no no peixe de dois mil e um dois mil
[33:05] e dois dois mil e três para aí hã lio inglês primeiro que os
[33:08] filmes em português para ele outra vez em inglês com os
[33:10] outros em português e é um livro que eu acho que pela primeira
[33:16] vez na minha vida eu lembro-me de estar a chegar aos capítulos
[33:18] finais do livro e comecei a poupar comecei a ler menos para
[33:24] não chegar ao fim e a fazer render portanto não lia mais do
[33:27] que três páginas por dia a a travar porque eu tipo este gajo
[33:31] não não há não não vai que mais nada sobre a custa disso eu amei
[33:34] esse livro marcou me assim profundamente porque a tradução
[33:39] eu achei muito boa para inglês não podia perguntar já que
[33:42] fizeste essa comparação várias vezes já achei me achei ótima
[33:45] achei aquilo que fluía fluía fluía e a não pontuação ao
[33:49] praticamente a quase ausência de pontuação dá-me mim uma
[33:53] liberdade de interpretação do que não é de interpretação mas
[33:56] de escuta melhor ou não não me sinto condicionado pela vírgula
[34:00] pelo ponto o ponto estava lá claro as vírgulas e aquilo e eu
[34:05] que tinha que fazer a divisão e uma vez aprendida a lógica o
[34:09] servo é incrível a forma como se adapta portanto livros e tomo
[34:12] intelectualmente excitou me emocionalmente tu come no fundo
[34:17] de mim mesmo quer dizer a a cenas daquele livro que eu que
[34:21] eu pronto depois infelizmente é os filmes nesse sentido são
[34:25] muito difícil realmente ultrapassar esta profundidade
[34:27] que foi adaptado e o título era mesmo belém dance até iá iá eu
[34:31] não li o livro só vi o filme acho que duas vezes o filme
[34:34] filme o filme já muito com a pouco a gente tocou muito pouco
[34:38] apesar dos actores e gostava muito de actores era demais quer
[34:42] dizer que não digo que o filme fosse mal e não acho que filme
[34:44] ser genial mas mas as minhas expectativas eram altas demais
[34:47] portanto qualquer expectativa de alta demais mata de lado
[34:49] qualquer produto que vais ver mas engraçado que o o saramago
[34:54] na altura em que apresentou o livro portanto em mil novecentos
[34:56] e noventa e cinco na apresentação pública mesmo disse
[34:59] que este livro é um livro francamente terrível com o qual
[35:03] eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao
[35:06] escrevê-lo são trezentas páginas de constante aflição viseu
[35:11] seguiu diz que temos que ter coragem para reconhecer isso e
[35:15] conseguiu é um é um soco no estômago conseguiu eu não sabia
[35:20] que ele tinha dito isso eu acho interessantíssimo porque eu
[35:23] gosto muito de de de de de temas pesados e gosto muito de de como
[35:28] e gosto de temas absolutamente leves e e aí macacada mas não
[35:32] dá-me tanto prazer mergulhar numa zona de dor de que que é
[35:36] aquele livro como dá tanto prazer mergulhar numa casa ao
[35:39] poste eu levezinho a a dizer não é verdade mas depende dos temas
[35:43] obviamente mas a o meu lado negro mergulha naquilo com o
[35:48] prazer da dor quer dizer que o presidente está mergulhar ali
[35:51] num tema duríssimo numa viagem absolutamente destrutiva a
[35:56] altamente comovente que te rasga por dentro eu para mim daquele
[36:00] livro lembro-me várias coisas mas a que mais me marcou é a
[36:06] cena eles quando eles estão já num abrigo qualquer apenado pois
[36:12] ya e ele é tropegamente e tem relações sexuais com com a
[36:20] mulher que estava ao lado com a a mulher dele a ver que ela era
[36:25] a única que via e e a descrição dela a ver aquilo tudo ia
[36:31] tolerar aquilo tudo e é assim de eu dava urros urros quase a
[36:36] tentar gritar e dizer eu o meu nível de envolvimento foi tão
[36:41] profundo que eu quase como quase como aquela aquele aquele
[36:45] aquelas que as crianças dizem cuidado o que diz o bandido
[36:48] atrás ti cuidado exata e eu gritava para o livro de cuidado
[36:52] olha que ela está a ver meu deus pára pára pára pára até se
[36:56] respira fundo nessas alturas e ele não parava e não parou e ela
[37:00] viu e tudo e tudo e tudo nessa altura era todo era todo um
[37:05] desespero também nos meus estavam quase confinados não é
[37:08] quase não estavam confinados que estavam suportáveis doente
[37:11] pronto nós não estamos a explicar a o enredo porque não
[37:13] estava gente conhece não é sim mas mesmo que não conhecem que
[37:15] isto é uma gota num oceano de domar isto é uma gota é verdade
[37:19] não é e mas é engraçado eu não tinha feito a leitura e agora
[37:24] atual não tinha cruzado minha cabeça pandemia como lido com
[37:28] agora com tu disseste que é um livro ao qual se voltou é
[37:30] realmente faz sentido e um enquadramento realmente agora
[37:34] fogo voltar esse livro neste momento não sei se era o de ler
[37:38] agora neste momento porque era um bocado masoquista é que é
[37:40] podia ser demais e hoje é uma sky já não gosto ai lá está
[37:45] deixamos só uma pequena descrição de que a doença de que
[37:50] estávamos a falar e então cegueira branca já vimos já
[37:54] vimos a falar deste deste livro na alguns episódios acho que no
[37:58] da joana miranda se quiserem ouvir também é é é uma doença
[38:01] inventada pessoas e não é preciso ter medo mas lá está não
[38:05] há cura e portanto é toda uma metáfora para a ignorância e
[38:08] para lá está não querermos ver seja cegueira nesse caso é mais
[38:12] mais isso e nesse sentido que dizer nesse sentido é o podemos
[38:17] cruzar isso também com com o harry pois é sem quer dizer aqui
[38:21] é a capacidade que que é a a cegueira branca e é esta ideia
[38:27] de quando vamos crescendo envelhecendo ou perdendo a
[38:29] capacidade de reparar de observar não é o cão das
[38:32] lágrimas se puderes vê vê mas se puderes reparar repara e
[38:35] portanto é é o é o ver para além de ver é e essa cegueira branca
[38:40] e a cegueira que nos afecta a todos e não no sentido literal
[38:45] mas no sentido de desgaste do tempo no sentido de olharmos
[38:47] para a flor e é uma flor e então a olharmos para o corpo coisas
[38:53] que antigamente nos pareciam lindas e agora tou farto de ver
[38:57] aquilo já não reparo que dizer um aquele objeto que comprámos
[39:00] que era maravilhoso no dia que chegou a casa e dois dias depois
[39:02] nem o vemos a paisagem que está à frente da nossa janela e que
[39:06] no dia em que se comprou a casa é absolutamente divina e duas
[39:09] semanas depois estás aqui a terra e nem repara está ali a
[39:13] partamos um bocado com com facilidade também é deixamos de
[39:16] reparar com facilidade e ser para mim é a cegueira branca
[39:19] aquilo que o livro fala portanto e que podes viver uma vida
[39:22] inteira e e e de olhos abertos a ver tudo mas eu não reparar não
[39:26] reparar passar pelas coisas sem reparar é e que não revelando o
[39:31] final do livro o livro depois mostro-te ali uma uma uma outra
[39:35] possibilidade de uma serraria uma outra oportunidade ou não
[39:38] porque quem é que lá ficou não nunca sabe não é quem é que
[39:41] nunca de lá saiu e que e que nunca repara que nunca reparou
[39:45] que é muito louco de ver este porque é uma ideia que sempre me
[39:48] atordoa muito que é e onde alguns têm medo da morte eu
[39:53] tenho medo de da consciência de só saber aquilo que sei e eu não
[39:58] sei aquilo que não sei e e esta ideia de não saber aquilo que
[40:03] não sei às vezes aterroriza me aterroriza me porque posso estar
[40:08] a perder são os pares dos ignorantes e que são totalmente
[40:10] felizes não é alguém já o dizia oi é e se se quiserem ainda
[40:16] explorar este tema do medo podem também ir ao o instagram do do
[40:21] ivo e ver e ouvir a interpretação do poema pouco
[40:24] original do medo do alexandre o'neill pronto fica aqui um
[40:29] extra se quiser e saltamos talvez para o terceiro livro é
[40:33] que lá está eu incentivo os convidados a pensar em não só em
[40:36] romance não são livros de poesia porque acabamos sempre por falar
[40:39] neles mesmo que não está não escolhemos e e escolheste um
[40:43] livro de banda desenhada hã something do alan amor que eu
[40:49] percebi é lá está nunca tinha ouvido falar dele é e é boa a
[40:54] coisa boa disto é que o amor é então conhecido por trazer temas
[40:59] adultos para a banda desenhada não quero não querendo dizer que
[41:02] a banda desenhada é para para jovens a e que este livro pegava
[41:07] um bocado na desconstrução da ideia de monstro ya queres
[41:11] contar-nos um pouco mais sobre este solo tem eu descobriu
[41:15] descobriu amor eu só meu primeiro coisa que eu descobri
[41:17] amor acho que nem foi nem foi um sonho tem que por em português e
[41:21] o monstro do pântano que nós conhecemos por exemplo dos a
[41:24] minha geração conheceu quando tinha uns dez anos quando o
[41:27] passaram um filme a três dimensões do do monstro do
[41:29] pântano em que toda a gente portugal parou vamos todos para
[41:31] casa com aqueles óculos três d ridículos ver o monstro do
[41:35] pântano e o monstro do pântano é uma figura arquétipo da banda
[41:38] desenhada muito simples muito linear em que é um cientista e
[41:42] cientista bom que que mas as suas várias experiências no
[41:45] laboratório o laboratório tem uma explosão porque um o seu
[41:49] arqui-inimigo faz um lima uma explosão faz provoca uma
[41:53] explosão no no laboratório e ele vai parar ao pântano halo que
[41:57] eram do laboratório está aí cai no pantoni numa investida dos
[42:00] produtos químicos com o pântano ele renasce a com uma com um
[42:05] monstro como um monstro mas eu mostro como críticas nos
[42:07] particulares que é como uma mistura de homem com pântano em
[42:11] que em que ele carrega em si todo o poder natural do verde do
[42:16] verde sendo a natureza o verde portanto ele é uma combinação de
[42:21] homem com natureza então isto é um arquétipo é muito
[42:26] interessante em que e ele é um verdadeiro homem natural em que
[42:31] todos os poderes que a natureza tem ele domina mas também domina
[42:36] humanidade mas que ao longo da obra do da vista não é só um
[42:39] livro é uma é uma instituição vários volumes e isso eu não
[42:43] estou eu não quero dar aqui as elegantes parados uma vez que as
[42:45] pessoas ali nos anos sessenta setenta e também o amor e é
[42:49] conhecido pelas suas experiências com com drogas com
[42:51] os energéticos ana e tudo isso está imbuído na obra então a
[42:56] mesma é e tem aquela simplicidade que é baseada
[42:59] muitas vezes tem em que o bem e o mal a uma é uma bela e o
[43:04] monstro e ele está apaixonado pela sua no nome da personagem é
[43:09] e o amor traz o conflito entre uma sociedade já entre as
[43:14] formação é uma sociedade de alargar os anos sessenta largar
[43:18] o powerslave a perder a inocência e entregar-se e e
[43:22] entregar-se isto é a guerra do vietname ele já inclui a guerra
[43:25] do vietname aqui dentro já já inclui os hippies e aí o
[43:28] confronto entre uma forma de viver mais em contato com a
[43:31] natureza contra outra forma de viver mais materialista e e já
[43:35] condições ainda iniciais de ambientalismo a isto não estava
[43:41] de todo no personagem e ele carrega mas o amor faz várias
[43:44] revisões de vários personagens ele revê o bateman as histórias
[43:47] mais interessantes do bate e que só agora é o bate no jokers
[43:51] estão a aproximar de de de ideias que foi o amor que lançou
[43:56] watchmen também esta série da netflix é roots do othman também
[44:01] é lançada pelo amor portanto ele traz uma componente política de
[44:04] desenho e de contexto que faz a banda desenhada é largar não
[44:10] perdendo a a sua ideia quase de tragédia bem e mal é muito
[44:16] linear como eram as grandes tragédias bem o bem e o mal
[44:18] sempre um grande confronto muito simples e depois é vai se
[44:22] complicando por ali afora traz toda uma componente política
[44:25] contemporânea da sua época e vai tornando as personagens cada vez
[44:29] mais complexos o joker já chegou ao nível proposto por revisões
[44:34] do do amor ou bateman ainda não o dos bate nos mais
[44:38] interessantes que existem por exemplo já vou voltar ao monstro
[44:40] do pântano e um tou raciocínio já ia e portanto tens o frank
[44:45] miller itens igual amor eles trabalhando em parceria
[44:48] conseguiram a rever muitos destes personagens e aqui não me
[44:51] não me quer também enganar quem não já já lá vão alguns anos que
[44:54] eu li estes livros mas uma das revisões mais interessantes do
[44:57] eu li sobre batman e o batman ainda não chegou lá o mais perto
[45:00] que chegou lá mas do ator no ben affleck era na liga dos heróis o
[45:04] ben affleck conseguiu trazer uma carga é mais pesada mas não
[45:09] completamente conseguida é é exatamente um livro onde ele
[45:13] onde ele confronte o super-homem com o com o com o com o com o
[45:16] com o bateman onde o batman é um personagem já com sessenta
[45:20] setenta anos em final de carreira em que o corpo dele é o
[45:24] corpo de um homem de sessenta a setenta anos já perdeu a
[45:26] paciência completamente normalíssimo se normaliza que é
[45:29] acima da média na sua normalidade mas com as
[45:32] limitações da idade com os ossos já todos já todos massacrados de
[45:35] tudo que andam a viver e acima de tudo desiludido cima tudo é
[45:38] um homem já desiludido onde gelo já não perdoa os bandidos já não
[45:43] os amarra e chamam os inspetores para os prender não ele que ele
[45:47] carrega mas ele carrega armas ele mata-os antes de antes
[45:50] sequer de de de mata ou estruturas faz o que tiver que
[45:52] fazer e acima de tudo é está desiludido com a sociedade e o
[45:56] baú super homem representa o oposto representa quase parte da
[46:00] sociedade ia mas o segurança não não não não não é mais com ele é
[46:03] mais negro do que isso o super homem representa o estado e o
[46:07] estado autocrático representam uma figura de super-heróis
[46:11] superior a nós todos mas que está debaixo do jugo do estado
[46:15] então representa uma ideia de que de que sim senhor eu sou do
[46:19] bem mas ele na realidade está a servir o chá servir uma um
[46:22] estado já corrupto e o bateman que não tem o batismo que não
[46:26] tem os poderes que o super-homem tem vai combatê-lo com contra
[46:31] tudo e contra todos mas usando tudo que pode e liga-se a
[46:34] ligação à central elétrica da cidade e queria um fato para
[46:37] tentar combater isso é tudo já proposto e sugerido nesta liga
[46:40] dos heróis no filme o último que saiu em que tens esse combate só
[46:44] que ainda em levezinhos ainda levezinhos é porque quando os
[46:49] captam então a profundidade sim os livros e ainda não foram o
[46:52] cinema só agora é que está a aproximar do que os livros mais
[46:55] de reparo da mesma forma que o zero zero sete tem vindo a ficar
[46:58] cada vez mais negro da mesma forma que o jocker deu um salto
[47:02] conceptual brutal para uma humanidade muito mais perversa
[47:07] mas ao mesmo tempo muito mais justificado e entendida muito
[47:10] mais real e o barkmann ainda lhe falta dar esse salto christian
[47:14] bale fazer a voz assim não sei que aquilo não tem não tem base
[47:18] não o personagem não tem arco não tem não tem o drama
[47:22] verdadeiro que é os teus os teus pais terem sido assassinados e
[47:26] pelo próprio jokers e é ele não é aquele aquele magnata bonzinho
[47:33] e girasse não ele é um homem duramente doente dorido com
[47:38] questões de saúde mental profundíssimas quando bateman
[47:42] chegar ao nível de loucura expresso por este joker nós
[47:46] atingimos o bateman proposto pelo frank miller e pelo apelo
[47:49] ao amor ou seja um bate mão de que na realidade é apenas o
[47:54] espelho do jocker mas não é um espelho melhor é apenas outra
[47:59] variação e por acaso os defendo bem mas a forma como ele defende
[48:03] é tão violenta como o jogo pronto posso escolher então o
[48:07] som que tem em vez de um deus pronto não porque porque o filme
[48:10] tem foi para mim foi a porta de entrada para o universo do amor
[48:14] e depois foi para aqui dentro pelos outros todos a há uma
[48:18] frase muito gira também noutros que no outro autor que muito
[48:21] interessante que é o belo e não consigo dizer o nome dele não me
[48:25] conhece bill e nick h em que ele trabalha tem lá é outro livro do
[48:30] bateman que também trabalha wolverine e trabalhos todos mas
[48:33] já um nível de surreal dia em que os ateus são quadros em que
[48:37] o batman faz parte do teu imaginário mais mais surrealista
[48:42] mais dolly que tu possas imaginar e é um monstro tão
[48:45] forte e o e o o bate no jogo coração da realidade um casal é
[48:50] quase uma um casal de um casal são duas faces da mesma moeda ai
[48:55] eles um um não pode existir sem o outro e nós aqui ainda
[48:57] continua mistificar bate como um personagem bonzinho e o que é
[49:00] interessante é ir lá chegaremos mais dez anos a marvel chega lá
[49:05] e e vai vai corromper também tudo o que os personagens merece
[49:09] ser corrompido e não encontrei o topic será não é bill eu vou
[49:13] pronunciar isto muito mal mas é bill changzhou já é ch acho é e
[49:20] tem umas bandas desenhadas que já não são bandas desenhadas já
[49:23] são quadros em que o pouco diálogo é como teres um sonho
[49:27] distorcido alucinado pronto osswald tem um monstro do
[49:31] pântano e monstro do pântano para mim trouxe-me várias coisas
[49:34] que me interessou muito pra já eu tenho uma relação com o mundo
[49:38] natural muito profunda e eu interessa mil vezes mais o
[49:43] grande cânion do que limpar state building e tenho o maior
[49:47] respeito e admiração por tudo aquilo que os seres humanos
[49:49] quando conseguem construir mas o amor acordou para mim uma
[49:52] consciência ambientalista que a natureza permite-nos construir
[49:56] tudo isto enquanto não pescaram olho basta a natureza piscar um
[49:59] olho e nós saltamos por todos os lados e somos arrasados como
[50:03] estamos agora aos pouco variados pulverizados pois sempre que nos
[50:06] vemos ou experiências em um mundo natural e mostra toda a
[50:09] sua o seu poder nós percebemos a nossa imensa pequenez e e e
[50:13] pronto e cada vez mais continuamos a arriscar a nossa
[50:15] nossa o nosso os nossos formiguinhas contra este gigante
[50:18] um e o monstro do pântano tinham poderes que eu achava
[50:21] absolutamente extraordinários para já ele não tem um corpo e o
[50:27] corpo dele o corpo é o equivalente a uma semente ou
[50:30] seja em qualquer sítio onde haja um bocadinho de terra e onde
[50:35] haja qualquer coisa orgânica ele pode aparecer ele pode ele pode
[50:40] aparecer portanto ele neste momento de ele eliminava se e
[50:44] surgia em tua casa se tiveres e um vaso com uma rosa e cada vez
[50:48] que ele aparece ele adquire as propriedades e do mundo natural
[50:52] à sua volta portanto se tinhas um vaso com uma rosa ele surgia
[50:56] desse vaso com dois metros de altura mas tudo ele era rosas se
[51:00] ele surgisse num sítio onde só havia palmeiras tudo ele era
[51:02] palmeiras se ele surgisse no no sítio do laicato do lakatos e e
[51:08] isto é interessava me interessou me fascinou mas esta noção
[51:11] porque há aqui um lado que é muito tripe é muito anos
[51:14] sessenta e muito em contato com a natureza é muito a respeito à
[51:18] natureza e mas de uma forma que permitiu aos desenhos de serem
[51:21] riquíssimos do ponto de vista visual tinha uma riqueza
[51:24] extraordinária não era eu gosto muito quando tu aplicas é a
[51:28] lógica a uma lógica racional é uma proposta artística e levas a
[51:35] especificidade das possibilidades para lá até ao
[51:39] seu limite por ano só me tem na sua origem era um monstro do
[51:42] pântano ponto io que o almoço foi pensar foi uma espera aí mas
[51:45] se fosse não fosse num pântano se fosse num deserto se não
[51:48] fosse me dizer se fosse num vaso se fosse no cimento que ele
[51:51] fazia o cimento e ele aplicar as regras da natureza reais a duas
[51:56] dois capítulos de deste livro que marcou que marcaram assim
[51:59] para a vida um é quando ele é quando lhe raptam a namorada e
[52:05] ele e ele descontrola se como também todas as personagens com
[52:11] grandes poderes se descontrolam tem um desconto e aumento de
[52:14] controlo em que ele entre por amor ele ameaça à ameaça a isto
[52:20] é nova iorque como tudo sempre se passa em nova iorque no cu
[52:23] acho que era nova iorque e e elas eles prendem a sua namorada
[52:27] ele avisa que se não libertam daqui a dois dias e vai ser tudo
[52:30] arrasado só que a forma como ele arrasa e é do meu mim uma beleza
[52:35] poética incrível ele entra pela cidade adentro como se a
[52:39] natureza entrasse pela cidade adentro com raízes arrebentar o
[52:42] asfalto por todo o lado e por nele passa flores brotam e
[52:47] trepadeiras invadiram a cidade de nova iorque é completamente
[52:50] consumida pelo mundo natural figurada porque é um mundo de
[52:54] botão de repente fica calmo folhas sim que é como ficaria a
[53:00] e se nós se nós não tivéssemos a cidade a bastam dois meses não
[53:04] estão em erro dois ou três meses sem manutenção de canteiro
[53:07] empresa tomar o comando sim os passeios são invadidos por coisa
[53:10] e de repente tudo brota e volta tudo ao seu estado natural e o
[53:13] estado natural é um estádio lindíssimo e bel de nanã então
[53:17] ele faz isso invade o mundo só que de repente é ele próprio
[53:20] percebe que está a fazer está para prejudicar uma série de
[53:24] pessoas e recua pronto mas é momento mas a violência estética
[53:29] desta invasão é alucinante alucinante são páginas e páginas
[53:35] e páginas de de nova iorque destruída com uma blusa uma
[53:39] destruição belíssima pronto o segundo momento é um mais
[53:42] filosófico e poético é que eu também que me tocou muito em que
[53:46] ele logo e logo capítulo a seguir este em que eu neste ato
[53:50] de de recuar e de perdoar e não destruir completamente a o mundo
[53:55] urbano e de baixa a sua guarda e lá o seu arqui-inimigo um lex
[54:00] luthor qualquer da vida manda nenhuma arma especial que lhe
[54:04] impede de saltar para outro corpo por onde abandonar o seu
[54:08] corpo deixar o seu corpo orgânico claro morrer e renascer
[54:12] no porque ele teoricamente seria imortal só que ele impede de que
[54:16] ele consiga saltar para o outro ponto qualquer da terra então o
[54:19] que ele faz tenta para não morrer e lança-se para o espaço
[54:24] à procura de qual de um planeta qualquer onde haja o resto
[54:28] qualquer de qualquer coisa orgânica onde ele consiga
[54:30] renascer então manda se para um planeta que eu penso que é um
[54:33] planeta imaginado não sei se era um presente real mas vamos dizer
[54:36] que é um é um plano eu lembro que era um planeta azul foi não
[54:40] sei se ser um presentão lá está aquela triste exatamente mas o
[54:44] que é incrível aquele lança-se então é um é um capítulo interno
[54:48] a banda desenhada inteira onde uma vez mais a influência dos
[54:52] dos dos alucinogénicos e das das drogas psicotrópicas é que
[54:56] marcam toda a obra do amor lança para uma trip visual filosófico
[55:01] poético em que ele lança-se para um planeta onde realmente
[55:04] encontra uma ínfima contra todas as probabilidades um buraquinho
[55:09] qualquer de uma coisa qualquer orgânica que o renasce e então
[55:13] tudo é azul então toda esta obra todo este capítulo é azul não
[55:17] existe outra cor ele é azul planeta azul tudo o que ele
[55:21] queria azul só que ele está num planeta sozinho sozinho e então
[55:25] é todo um livro onde não há diálogo há só um manual do
[55:29] interior de uma poesia tocante de um uma entidade humana com
[55:36] características a a naturais do mundo natural muito marcantes
[55:42] mas não deixa de ser um homem sozinho separado de qualquer
[55:47] contato com outro ser vivo a não ser aqueles resquícios do mundo
[55:51] natural que ele exigem toda a obra ganha esta cor estética
[55:55] conceptual e incrível muda toda a lógica que do do livro que tu
[55:59] leste até agora do ponto de vista visual em vez de ser verde
[56:01] e é azul e depois é um monólogo interior dele próprio com ele
[56:07] próprio obviamente a a tentar a tentar dar algum sentido que
[56:13] assim a ia tentar colmatar a sua solidão e e então ele faz vai
[56:19] várias coisas que a mim marcaram pá que é ele primeiro tenta algo
[56:24] que é requeria-se a si próprio duas vezes ou seja ele é um só
[56:32] que experimenta algo que ele nunca tinha experimentado a
[56:34] facul março clones então queria se a si próprio e fala uma coisa
[56:41] que eu nunca tinha pensado que é a visão cuadros có pica que é a
[56:47] baia loucura seja imagina tu olhares para ti própria contigo
[56:52] pronto não é um espelho são quatro olhos portanto são de
[56:57] repente tu veres a realidade com quatro olhos porque ele
[57:00] conseguia há quase dar ingressar noutro certo ele está em
[57:06] simultâneo portanto isto é realmente consequência de um
[57:09] cérebro que está a procurar libertar-se dos nossos limites e
[57:13] e expandir para zonas que só o a meditação ou meditação em
[57:17] conjunto com com com com com consumo de alucinogénicos se
[57:22] pode permitir chegar lá portanto toda a obra dele e a cruzada com
[57:25] isto esta noção da visão então eh pá visão de coelhos com pica
[57:30] dele a jogar xadrez consigo próprio enquanto tem um monólogo
[57:33] interior é alucinante literalmente e metaforicamente
[57:37] está a oportunidade que temos que dar a outros géneros
[57:42] literários claro que se não ficamos se calhar muito
[57:46] restritos a uma realidade que às vezes ou seja mesmo imaginado
[57:50] não tem não vai esse ponto esse ponto de termos quatro olhos
[57:53] claro e isto na banda banda desenhada banda desenhada como
[57:58] um um veículo artístico de a de como é que como é que é uma
[58:03] expressão em inglês que eu não sei colaboração seja escrita mas
[58:05] há alguém que pinta sim mas o lado visual da banda desenhada
[58:09] quando é é que tu misturas pintura com argumento com
[58:15] desenho mas também com noções de cinematografia do cinema quadros
[58:20] de cinema tem uma narrativa na na praça ativas tirei exatamente
[58:25] e a verdadeira é a banda desenhada mais profunda é aquela
[58:31] que depende menos do balãozinho com o texto em que tu consegues
[58:35] criar uma narrativa com balões e com textos e com subtexto e
[58:38] tanto que o franco meu amor abandonam muito balão e passam a
[58:42] ter bocados grandes de texto em baixo que ocupam grande parte do
[58:47] quadrado e não é já um balão e já muitas frases não é oi tudo
[58:52] bem é eu estava a pensar que música e sentir que não sei que
[58:54] mais mas depois o que é maravilhoso na banda desenhada e
[58:58] tu uma vez conhecido o processo de mental do personagem precisar
[59:02] de cada vez menos de texto eu e o alan moore e frank miller
[59:05] incluem desdobráveis dentro da sua obra onde de repente tens
[59:10] uma página que abre em quatro e tu vês nessas que nessa imagem o
[59:15] grito do personagem e a técnica da cinematografia de animação
[59:19] chinesa em que tu percebes pá e o teu cérebro preenche as
[59:25] lacunas que lá não estão e como quase me fez um aquelas coisas
[59:27] amor em que fez o boneca animar de uma forma mais básica só que
[59:32] depois a nossa imaginação é genial e nós criámos aquele
[59:35] imaginário e conseguimos completar os buracos no meio e
[59:39] ele a seguir voltamos ao assunto tem ele a seguir a tentar a a
[59:43] jogar xadrez consigo próprio abandona isso e tenta recriar a
[59:47] sua namorada lá estava como não com a pá e aí é incrível porque
[59:52] aquilo que nós fazemos na nossa memória ele faz através da
[59:55] memória só que quase como um escultor em uns vai esculpindo
[1:00:00] no no verde que aqui é azul no natural daquele planeta através
[1:00:05] da memória o mais possível à o como um golfinho quase como
[1:00:10] assim como angola em que sentido porque a ideia que eu tenho de
[1:00:12] um golem e e lá está o esculpir mesmo literal esculpir em que tu
[1:00:17] depositas as tuas lembranças e o é o que aquela pessoa fazia
[1:00:22] sentir na no barro na argila lá está sugiro o k ele aqui faz
[1:00:27] isso não por açção directa das mãos porque ele não precisa das
[1:00:30] mãos para criar ele pensa e comanda a comanda aquilo que nós
[1:00:35] fazemos torcendo a videira e dando-lhe a forma durante dez
[1:00:40] anos o palmeira não sei quê ele fazia em segundos com mandava
[1:00:45] aquilo tudo e consegue criar e e portanto esse personagem que é o
[1:00:50] amor da vida dele só que desta vez ela é azul também portanto
[1:00:53] porque tem as características do mundo natural daquele planeta e
[1:00:56] ele lá vai conseguindo e lá vai conseguindo só que depois ele
[1:01:00] decide porque ele ele ele poderia tentar sair daquele
[1:01:04] planeta mas também tem uma pessoa por uma profunda
[1:01:06] desilusão em relação à humanidade e pensa que o melhor
[1:01:08] é ficar ali para sempre e pensei que talvez consiga se desfazer
[1:01:12] se com a com a constou com a reconstrução do imaginário deste
[1:01:14] deste personagem mas depois é lindíssima essa conclusão que
[1:01:17] ele chega porque depois de a construir não mais ínfimo
[1:01:21] detalhe ele percebe que aquilo é uma pálida imitação do ser
[1:01:25] humano real que é a que é aquela mulher e aí que ele abandona
[1:01:29] tudo destrói tudo destrói todo o reino que ele construiu para si
[1:01:33] próprio e decide voltar e arriscar e voltar aquele planeta
[1:01:37] que tanto o desiludiu e voltar à luta e voltar a lutar por aquilo
[1:01:42] que acredita na não é absolutamente tocante e assim
[1:01:45] quem quiser também também perceber um pouco mais do da
[1:01:48] história deste deste monstro do pântano percebemos também não é
[1:01:51] só isso e consegue continuar ao a ler os livros dudu amor e e
[1:01:58] falando também em futuro futuras leituras vamos ver também o que
[1:02:03] é que reserva o teu futuro porque sei que estás a tens em
[1:02:07] mãos o texto de ingmar bergman nunca consigo dizer bem o nome
[1:02:11] mas cenas de um casamento com encenação da da rita calçada
[1:02:15] bastos e não só estás também é aqui a fazer malabarismo de
[1:02:20] projetos que parece que é que é uma coisa que que gostas de
[1:02:23] fazer não está parado muito tempo é um projeto que o diogo
[1:02:26] faro humorista que veio cá ao podcast o episódio vinhos podes
[1:02:31] revelar alguma coisa não podes como é que está isso do teu lado
[1:02:34] ver mas primeiro tenho que sabes que quando eu vou num estúdio de
[1:02:37] televisão e e estamos a fazer falso live e eles dizem olá ivo
[1:02:41] chique e diga olha eu já te disse olá bocado que não é na
[1:02:47] energia que já está feira foi não ia não eu não eu tenho não
[1:02:51] tenho que revelar que nos aconteceu que foi eu tinha aqui
[1:02:53] do meu lado estava aqui gravar uma coisa técnica né porque
[1:02:56] senão vou me sentir completamente segunda mas é
[1:03:01] maluco e maluca portanto que nos aconteceu foi que nós tivemos
[1:03:03] que estamos aqui repetir esta parte portanto agora que eu digo
[1:03:06] isso já posso recomeçar após a recomeçar outra vez de risco
[1:03:09] isso então para tu veres as minhas capacidades de atriz e de
[1:03:13] ter repetido esta meu dever já já as minhas que deus atua ficam
[1:03:17] muito aquém quantos anos estas alturas e estou portanto eu
[1:03:20] tenho que desabafar isto quem vou poder a poder ser que
[1:03:23] estamos outra vez no no aparelho na pista nova então vá sim e é
[1:03:28] mais barato né se tudo correr bem vai ser no são luiz e para o
[1:03:33] ano que vem vinte e um algures no verão vai ser uma tradução na
[1:03:37] portanto vai ser com a cara em kasa a atriz que também está a
[1:03:40] traduzir e e esse tipo de calçado bastos é um tema que eu
[1:03:43] gosto muito são temas de sobre família relações humanas é é é
[1:03:49] negro e pesado e duro tenho imensa vontade de gosto muito de
[1:03:52] mergulhar nessas nesses universos pronto pronto eu estou
[1:03:56] com esse carinho por algum desses projetos pois o projeto
[1:03:58] diogo faro sem revelar muito também hã é algo porque eu tenho
[1:04:03] um particular carinho porque eles convidaram para participar
[1:04:06] como ator eu gostei muito da ideia do projeto e e de lancei o
[1:04:10] desafio de volta porque é uma série que gostaria sim porque
[1:04:13] assim será uma série e gostaria de de participar como co criador
[1:04:17] e então recuamos três passos ou ele generosamente recuar outras
[1:04:21] passos aceitaram o desafio e então está um lado meu que
[1:04:25] sempre quis fazer isso que é uma participação mais criativa em
[1:04:27] projetos eu às vezes sou demasiado criativo e depois não
[1:04:29] cabe tudo só no no lado de ator e tenta enfiar o rossio na rua
[1:04:33] da betesga e assim estamos de raiz a trabalhar num projeto que
[1:04:37] aborda várias questões por que ia há montes de coisas
[1:04:40] ideológicas que eu me identifico de que o diogo é questões de de
[1:04:44] género questões de igualdade de direitos pois é um lado
[1:04:47] activista que eu não tinha mas também estes últimos anos também
[1:04:50] estão a acordar um bocadinho em mim portanto estamos a falar sim
[1:04:52] de montes de temas que me interessam e que espero que que
[1:04:55] nos interessam e que espero que de uma forma divertida sem muita
[1:05:00] pretensão de querer mudar muita coisa mas com alguma pretensão
[1:05:03] ao mesmo tempo de querer vai cair basta pôr só uma ideia não
[1:05:06] a cabeça ou duas para aquilo de repente tem sempre um efeito nos
[1:05:09] espectadores neste caso há portanto espero que que seja um
[1:05:13] projeto do super entusiasmado vamos ver se se espero conseguir
[1:05:16] levar para os conseguimos voltar à frente assim com com tanto
[1:05:19] resultado como estamos acordo de investimento e por último a
[1:05:24] falar exato e agora por último e agora eu já faço a parte da
[1:05:28] entrevista em carreira foi que é ya que é parte da da das
[1:05:31] fotografias estão perguntar esta exposição de fotografias certo
[1:05:34] se pontos da vida pública sobre esta pergunta assim um dia já
[1:05:41] está centrado eu vou muito bem isso temos para tornar as coisas
[1:05:45] frescas vale tudo então pá foi um desafio muito giro que eu
[1:05:48] nunca pensei eu gosto muito de fotografias mas temos de ir a
[1:05:50] fotografias do telemóvel pois algumas com câmara e foi um
[1:05:53] convite a cláudia cimentadas galerias de loures para expor
[1:05:57] então são trinta fotografias ampliadas com um dois por dois
[1:06:00] quase a preto e branco do conceito de sequências desse
[1:06:03] livro que eu não sei nome original mas também está no
[1:06:05] catálogo mas do autor da ideia mas basicamente é a capacidade
[1:06:09] humana de desligarmos o nosso lado racional acredito volvermos
[1:06:12] com e acreditar exata suspensão da descrença e acreditarmos na
[1:06:16] na na na na na na no na proposta queria estar que eras um rapaz
[1:06:20] de sete anos frente exemplo exatamente por exemplo e o
[1:06:23] espectador acreditar que eu era um rapaz que eu sou um rapaz de
[1:06:26] sete anos é e acreditar que a julieta talvez a afundar-se na
[1:06:30] água e acreditar em todas as coisa cuidado indiana jones fez
[1:06:34] uma pedra atrás de ti vai se vai ser julgado e e é o que nos
[1:06:37] permite comover envolver rir pensar mas o que está a passar
[1:06:40] com ele pronto e é um conceito que eu tentei que as fotografias
[1:06:43] tivessem algo unificador desse sítio mas é tem uma vertente
[1:06:48] social que é um protocolo que ele não está a exposição vai
[1:06:50] estar patente até dia vinte e sete de fevereiro das galerias
[1:06:54] de loures aquilo é super seguro são dez pessoas de cada vez os
[1:06:58] horários vão variando mas levam ao meu instagram está lá sempre
[1:07:01] e as obras estão à venda mas vão estar à venda mas todo o valor
[1:07:05] das obras vai reverter a favor do centro de apoio aos
[1:07:08] refugiados de loures que é um centro de apoio muito
[1:07:10] interessante que tem um projeto social que eu acho muito giro ou
[1:07:13] lá o edifício existe há doze anos mas eles não construiu o
[1:07:15] edifício mandaram via refugiados à bruta porque normalmente
[1:07:19] provoca imensas tensões com os com os habitantes locais que
[1:07:22] eles fizeram foi perguntar aos habitantes locais o que é que
[1:07:25] equipamento é que lhes faltava e era um acordo pro votação penso
[1:07:28] que uma creche era o que me faltava e então construir uma
[1:07:32] creche que tem um lado que eu acho muito interessante que é
[1:07:35] com misturam crianças locais com crianças refugiadas e aí agora
[1:07:40] cruzando outra vez e com com a história por exemplo do do do da
[1:07:44] da do plainness no ensaio sobre a cegueira e da cegueira daquilo
[1:07:48] de que é o lado positivo da da de de da da normalização daquilo
[1:07:53] que nos rodeia ou seja que é tudo aquilo que era que se
[1:07:57] tiveres em contato com várias raças com vários povos tu ao fim
[1:08:00] de um mês um ano tu já não reparas que somos diferentes
[1:08:04] estamos ali todos fazemos do que vemos todos a mesma hora gente
[1:08:07] somos diferentes esteticamente o que é que isso interessa mas
[1:08:11] pode deixar de interessar nada e então normalizamos essa
[1:08:14] diferença e e depois isso levamos isso para a idade adulta
[1:08:17] e todas as fobias e racismos eu não sabia têm menos espaço para
[1:08:22] para para para andar e então germinar exatamente então este
[1:08:25] projeto é o valor da venda das obras espera que haja isto
[1:08:30] também vai estimular a venda a reverterá a favor do centro de
[1:08:33] apoio mas um protocolo sobre fotografia isto não está
[1:08:36] completamente desenvolvido mas uma dívida de ideias que tivemos
[1:08:40] era se conseguirmos não é preciso comprar máquinas
[1:08:42] fotográficas com este com o valor das obras mas basta
[1:08:45] comparar os telemóveis em segunda mão vai fomes a partir
[1:08:47] do certo aquilo já faz tudo o que é preciso fazer do ponto de
[1:08:50] vista técnico o técnico eu gostaria de participar no ponto
[1:08:53] de vista de estimular a reparar porque aquilo que eu posso
[1:08:56] ensinar e em ensinar a reparar porque é algo que eu acho que
[1:09:00] desenvolvi um bocadinho em mim e uma parte mais concreta e ter se
[1:09:04] ouve se conseguirmos desenvolver interesse de voluntariado de
[1:09:06] jovens locais que estejam disponíveis a trabalhar com em
[1:09:10] parceria com estes jovens refugiados os jovens ou qualquer
[1:09:14] refugiado tenho interesse neste neste projeto fotografia era
[1:09:17] fazer um trabalho de de retrato é muto onde eu fotografo da ti e
[1:09:23] tu fotografas para mim e no ato de nos fotografarmos temos que
[1:09:27] olhar nenhum problema não é observamos nos de olhar nos
[1:09:30] olhos nos olhos e a adrenalina sobe e o medo instala-se e
[1:09:33] estranhezas mas depois como qualquer estímulo humano diminui
[1:09:37] porque nós o nosso estímulos levas o kick e depois aquilo
[1:09:41] começa a perder valor e depois já é normal tá como na sua peça
[1:09:45] exatamente e a intimidade é isso é intimidade esta coisa olhamos
[1:09:48] um para o outro e ao princípio é estranho e depois habituam nos e
[1:09:51] depois é normal e depois corremos o risco de ser normal
[1:09:54] demais e já nem repararmos e tu aqui desse meu telemóvel está
[1:09:57] aqui dizer alguma coisa não não tá agora ganhaste uma folia
[1:10:01] agora olha aqui eu vou lá um olho no burro e o cavalo não é o
[1:10:05] não sabia mas pronto e vou obrigada pela pela tua
[1:10:09] generosidade obrigado eu até de fazermos um segundo take o
[1:10:13] segundo tão foi a nossa energia toda pelo computador adentro é
[1:10:19] foi foi ótimo obrigada não sei se estava de romper ou não acho
[1:10:24] que não não acho que não acho que é isso portanto essa essa
[1:10:27] ideia do protocolo de olhamos uns para os outros e e de e até
[1:10:30] às vezes é a juventude e as crianças conseguem dizer esta
[1:10:34] coisa que a mas o teu cabelo é esquisito o outro pele é
[1:10:36] diferente mas uma vez dito está dito e perde o valor pois já
[1:10:40] houve o dito de volta que é e olha lá e a tua deves achar que
[1:10:43] às vezes é que és muito que que a tua quarentão é mais esquisita
[1:10:46] caminha não é tão esquisito com a minha um ano não é nada
[1:10:49] esquisita com a minha é e essa normalização acho que só nos
[1:10:52] poderá aproximar e aquela noção que eu acho que é cada vez mais
[1:10:56] presente que é são muito mais as coisas que nos unem do que
[1:10:59] aquelas do que as que nos separam e e esta
[1:11:02] consciencialização se nós conseguimos fazer isto isto é
[1:11:05] também consequência da pandemia que é o primeiros para mim é que
[1:11:08] é eu adoro meu trabalho mas também descobri em mim a
[1:11:13] necessidade fui forçado a a a ser para zonas fora do meu
[1:11:17] conforto e que acordaram se eu conseguir com o meu trabalho
[1:11:21] continuar a ganhar dinheiro ia pagar a minha renda mas também
[1:11:24] entreter mas também eventualmente plantar uma
[1:11:27] semente ou duas na cabeça de um miúdo ou dois que de repente é
[1:11:31] pega em nenhuma das ideias e as multipliquem por mil e daqui a
[1:11:35] uns anos isto é sempre um ciclo virtuoso e quem sabe depois de
[1:11:40] cassado para isso acho que é isso há sempre quem pega e há
[1:11:43] sempre quem vá ao teatro é e continua ir porque é o teatro é
[1:11:48] seguro a cultura é segura e ficamos até um próximo episódio
[1:11:52] e obrigada e obrigado eu magda obrigada eu consegui que volta
[1:12:06] yama

Shows are listed from Apple Podcasts' charts and directory, and Podcast Index where it is used. Every show and episode belongs to its publisher and plays from the publisher's own feed; this site hosts none of them.
