# Episódio 29 - A quarentena dos escritores com Nelson Nunes

An episode of [Ponto Final, Parágrafo](https://invisiblenetwork.ai/podcast/1446064267), 11 May 2020, 1 h 02 min.

Audio: https://anchor.fm/s/80a352c/podcast/play/13605573/https%3A%2F%2Fd3ctxlq1ktw2nl.cloudfront.net%2Fproduction%2F2020-4-11%2F72200582-44100-2-4110dfa42c086.mp3

O que andou a fazer Nelson Nunes na quarentena? Conhece mais profundamente o escritor nosso convidado no episódio 4, que mesmo antes do isolamento, estava a escrever um novo livro. Neste episódio da série “A quarentena dos escritores”, Nelson Nunes revela que o livro, que chega em outubro, não só é o melhor livro que já escreveu como também tem o melhor título que já inventou. Entre heavy metal e ténis, Nelson lê um excerto só para nós deste novo livro que trata um grande tema: a morte, que “é provavelmente a maior questão da nossa existência”, como diz Nelson. Ele que é a primeira pessoa a dizer “sub-repticiamente” em rádio sem se enganar. Conta ainda que livros leu para se inspirar (em mais de cem!) e o que despoletou a escrita deste livro que celebra a vida. A cada semana um episódio novo.

## Transcript

[0:10] ponto final parágrafo olá o meu nome é magda cruz e
[0:26] ser bem vindo ou bem vinda ao vigésimo nono episódio do ponto
[0:30] final parágrafo o programa dez que se f m feito em parceria com
[0:33] a comunidade cultura e arte onde pegamos nos livros para falar da
[0:37] vida hoje inauguramos o primeiro episódio da série a quarentena
[0:43] dos escritores durante as próximas semanas escritores que
[0:46] já tenham vindo ao podcast contou como foi a quarentena
[0:50] junto das palavras e porque e convidados que já vieram e não
[0:55] novos bem assim podes procurar pelo escritor ou escritora e
[0:59] ficar a par da entrevista toda com os detalhes de toda a vida
[1:03] bem como os escritores de eleição neste episódio nelson
[1:08] nunes da primeira vez que nelson marcou presença no podcast no
[1:12] episódio quatro abrimos assim qual das suas facetas é que vem
[1:16] mais à superfície e do escritor do jornalista a eu gosto de
[1:19] acreditar que é do escritor embora tenha alguns pruridos em
[1:24] pensar em mim dessa maneira mas acho que é o que se adequa mais
[1:27] sim é o jornalismo é um defeito de fabrico e de pessoas na lista
[1:33] para a deixe-me ver dez anos exato já já faz dez anos o
[1:38] defeito profissional é esse mas eu gosto de me ver mais como
[1:41] escritor até porque os livros que eu faço são muito subjetivos
[1:45] e o jornalismo normalmente procura objetividade e e eu
[1:49] combato isso com muita força para quem não conheço nelson
[1:52] nunes ele é jornalista como ouvimos o escritor vem mais à
[1:57] superfície e trabalha numa agência de storytelling atriz se
[2:02] continuares ouvir o episódio quatro gravado há cerca de um
[2:05] ano sabes que escreveu cinco livros quando a bola não entra
[2:09] com amor não se brinca isto não é um livro de receitas quem
[2:14] vamos queimar hoje e preciosa o novo livro está a ser escrito a
[2:18] todo vapor e é sobre isso que vamos ouvir agora pronto olha já
[2:22] entramos no tema que é e como é que lidaste com com a pandemia e
[2:27] neste caso se calhar íamos pro loco para o auge da pandemia
[2:31] como é que estavas a sentir quando a pandemia estava no seu
[2:35] pico isto vai soar muito mal mas eu estava entre não ligar muito
[2:43] e estar a gostar muito porque eu estou escreveu um livro nesta
[2:48] altura e boa parte do meu trabalho inclui escrever ou ter
[2:53] reuniões para debater ideias sobre coisas que eventualmente
[2:57] vamos filmar e a parte em que nós filmamos é muito ai muito
[3:03] restrito ou seja podemos sair um dia para filmar em quatro que
[3:06] estamos a preparar coisas ou sei lá fazer orçamentos para coisas
[3:10] ou a ter ideias sobre e outras coisas que vamos filmar etc e e
[3:15] portanto o meu pá o meu trabalho sempre é muito de reclusão não é
[3:21] sempre estar descansado a enfim a ler escrever a ver coisas a a
[3:30] a tentar ter ideias portanto é é muito sossega dinho o meu
[3:35] trabalho ou seja essa reclusão fez-te bem no que toca a ser
[3:39] produtivo ou nem por isso e sim para já porque a um a uma
[3:47] poupança de tempo não é ou seja tu não tens de andar duas horas
[3:52] por dia de carro e tu não tens de acordar hora e meia mais cedo
[3:59] da hora que eu chegar ao trabalho essas coisas todas
[4:02] portanto aí alguma poupança de tempo por exemplo eu em
[4:05] condições normais o que me aconteceria era acordava de para
[4:09] às sete da manhã escrevia até às oito e às oito despachava me
[4:13] para as nove e meia mais ou menos está no trabalho enfim
[4:16] saía para às seis e tal chegava a casa às sete e tal como em
[4:20] qualquer coisa e e estava ou a ver coisas ou escrever até para
[4:25] ir à meia noite ou a outra até às onze e o doze a meia-noite
[4:29] leio a o que significa agora é que quando o meu trabalho acaba
[4:35] é desligar o computador e ir ou escrever ou ler ou ver séries ou
[4:43] seja não tenho essas quatro horas do dia então poupadas não
[4:46] é e essencialmente a grande mudança foi essa mas mas é isso
[4:52] a minha a minha vida profissional e estar em frente
[4:55] ao computador a escrever e portanto sim foi foi tenho
[4:59] estado muito mais produtivo até porque estou mais sossegado eu
[5:02] estou sou menos vezes interrompido é tudo isso é bom
[5:06] eu posso dizer eu no deixa-me lá ver no último nos últimos dois
[5:11] meses vou com cem páginas de um livro escritas era isso que ia
[5:16] perguntar exatamente a do livro que tem tem de entregar até
[5:20] trinta de junho aí vou devo ir mais ou menos a meio nesta
[5:24] altura sendo que esses dois meses incluem também muita
[5:28] pesquisa algumas entrevistas que estavam a faltar agora não tenho
[5:32] mais nada para fazer não sei escrever só não tenho mais
[5:34] pesquisa para fazerem entrevistas portanto é mesmo só
[5:37] sempre andar com uma média de dez doze páginas por dia e está
[5:41] resolvido bem vinte dias mais ou menos o que eu tenho para fazer
[5:45] uma boa média saramago só escrevia duas por dia é pois é é
[5:50] assim a minha vida também um bocadinho diferente porque o meu
[5:53] a minha matéria prima é o que as pessoas me contam nas
[5:56] entrevistas delas não é tento embelezar aquilo que elas dizem
[5:59] para não muito coloquial não é a ser mais palavra no na folha e
[6:04] não palavra dita não é e ao trabalho também de narração por
[6:08] assim dizer narração de de factos relacionados com aquilo
[6:13] que a pessoa está a dizer com a elementos externos ao a conversa
[6:19] que sejam importantes para aquela conversa ou que seja um
[6:21] acrescento importante do ponto de vista que eu pretendo dar e
[6:25] por isso é muito mais fácil escrever dez páginas é verdade e
[6:28] eu acho que não é tão não é tão exigente porque eu não tenho
[6:32] enfim o meu trabalho é a realidade a realidade é mais
[6:34] fácil de de descrever do que aquilo tem de ser inventado
[6:38] imaginado não é é e na verdade eu não eu não tenho por onde
[6:42] fugir por exemplo eu imagino que qualquer ficcionista que consiga
[6:48] a que tenha de criar uma personagem é tem de imaginar e
[6:54] se ela fizer isto e se ela fizer aquilo isso era se ela for antes
[6:57] para ali eu não eu a pessoa disse-me aquilo que foi aquilo
[7:01] que aconteceu a pessoa e eu tenho de descrever o melhor
[7:05] possível o que ela me está a dizer ai enfim descrever os
[7:10] sentimentos que ela que ela me está a transmitir essas coisas
[7:13] todas portanto é mais fácil escrever dez páginas assim do
[7:17] que se eu tivesse de inventar claro se tivesse de inventar ia
[7:20] ser mais difícil sim eu acho muito curioso é que ainda não te
[7:24] distanciaste sendo que não há é o mal nisso da fórmula
[7:28] jornalística que tens vindo a produzir lhe na maior parte dos
[7:32] teus livros acho que é engraçado porque eu estava a imaginar
[7:35] vocês acho que podemos dizer que o o tema do teu livro em vá a
[7:39] morte o fim das da da vida isso pressupõe é sei lá quando penso
[7:46] nisso penso num numa narrativa mais profunda num porque puxa
[7:50] para isso mas mantendo uma base de é o relato este é vou
[7:55] trabalhar sobre este testemunho e não sair muito aqui não
[7:58] funcionar tanto e acho engraçado é outra forma de dispor o tema
[8:06] já tens já tens ideia de de título de coisas assim ou quer
[8:11] dizer minha pergunta não era nada disto mas agora veio para
[8:13] aqui e eu já tenho a ideia de título sim é muito curioso essa
[8:17] história o livro sempre foi para ser em junho ou era para ter
[8:22] sido antecipado o o plano sempre foi sair em outubro aconteceu
[8:27] uma coisa muito estranha que é é um ano passado tentei escrever
[8:31] um uma coisa de ficção e não gostei assim tanto do resultado
[8:36] final eu achava que eu sou bom a fazer premissas mas depois
[8:40] desenvolvê-las é um desastre e mas deitaste fora nunca deite
[8:44] fora é o meu guardo sempre e depois vou lá ver e
[8:48] eventualmente posso aproveitar uma coisa ou outra e quando
[8:50] aquele teu bloco de notas cap pela casa não é como foi com
[8:54] para criar no título da de um deles é aqueles blocos de notas
[8:57] exatamente exatamente foi o quê vamos queimar hoje foi um bocado
[9:00] assim com este aqui também foi um bocado assim no sentido em
[9:04] que eu escrevi aquilo e dei-lhe um título e gostei muito do
[9:08] título isto é muito estranho porque eu tive um chefe de
[9:13] redação que quando quando eu era jornalista uma relação a muito
[9:17] tempo pai há uns oito anos ou assim ou não mais há uns há uns
[9:22] dez dez onze eu era muito mau a fazer títulos de das peças que
[9:27] me pediu para fazer e ele dizia-me isso e aquilo era assim
[9:30] um bocado agressivo o ambiente e tal mas eram aqui é o agressivo
[9:33] que faz crescer não é e eles iam pá os seus títulos são horríveis
[9:38] eu não vi horríveis de outra coisa e e eu comecei aquilo pá
[9:44] mexeu comigo eu disse pa o resto parte eu consigo escrever o
[9:47] resto a a um nível a do qual ele não se queixe não é portanto
[9:53] aquilo deve estar o k mas e paço se ele se queixa do título
[9:57] título está mesmo mal e então comecei mais ou menos consciente
[10:02] ou inconscientemente porque enfim eu passado para aí um ano
[10:06] e tal já não estava a trabalhar em redações estava a fazer
[10:08] investigação na na católica e assim mas essa coisa de útil
[10:12] ficou sempre um bocado atrás de mim e eu acho que sem falsas
[10:17] modéstias acho que os meus títulos de livros são se não
[10:21] forem a melhor parte posição das melhores partes que eu gosto
[10:23] mesmo muito dos títulos que dei aos livros e o que aconteceu com
[10:27] essa ficção que eu fiz foi dar-lhe um título pá e eu
[10:31] passei-me com aquele título gostei mesmo muito do título
[10:33] então só não te peço para dizer o título porque podes
[10:36] eventualmente usar noutro noutra altura a questão é precisamente
[10:39] essa eu puxo a ficção de lado e decidi escrever um livro sobre a
[10:44] morte ou a ficção era sobre suicídio do de uma personagem em
[10:49] concreto e a a certa altura foi logo no início eu acho que ainda
[10:53] não tinha começado a escrever grande coisa estava só à procura
[10:56] de de tal investigar coisas e já estava já estava a entrevistar
[11:00] algumas pessoas e essa altura pensei espera aí o título
[11:05] daquela ficção encaixa-se aqui perfeitamente e então aquela
[11:10] ficção serviu para me dar um título para este livro
[11:13] basicamente não não eu nunca mais vai servir para nada a não
[11:16] ser para isso o o título o título deste livro vai ser o
[11:21] título dessa dessa ficção e daí se calhar não querias dizer fica
[11:25] para para outubro entregas em junho e gente sabe em outubro
[11:29] quer dizer onde saber um bocadinho antes mas não quero
[11:32] também dar aquela margem de olha título tão bom ops exatamente
[11:37] não convém às vezes eu a gente acredita na na seriedade das
[11:41] outras pessoas mas nunca se sabe é uma forma de ter uma patente
[11:44] sem ter que gastar dinheiro na patente exato exato mas eu acho
[11:47] que é um bom tipo eu acho pá eu acho que é o melhor título que
[11:51] eu já inventei ou ao isso é um isso é uma grande afirmação pois
[11:56] e estou a gostar mesmo muito de escrever este livro e também
[11:59] acho e é o melhor livro que eu já escrevi e é muito raro eu
[12:04] quem ouvir isto pensa a eles eu mesmo não mas é muito raro eu
[12:07] dizer isso só só para terem uma ideia pá dos cinco livros que eu
[12:11] publiquei eu acho que dois são bons bons quando eu digo bons e
[12:16] bons acho que acho que tenho dois bons livros quais é que são
[12:19] os outros são ok ou com amor não se brinca e o isto não é um
[12:23] livro de receitas os que tem as capas super parecidas exatamente
[12:27] a amarela e a roxa isso essa alguém pode ter memória em
[12:31] fotográfica pode ter pode ser que ajude não sei exato sim mas
[12:37] é como eu digo eu acho que este este livro que eu estou a fazer
[12:40] é é melhor do que esses e achas que o confinamento ajudou nisso
[12:44] achas que tem culpa nisso é uma ótima pergunta sim não é é
[12:52] evidente que teve não é porque eu estar mais parado implica
[12:58] necessariamente que esteja mais concentrado acho eu é mas eu não
[13:04] acho que ele fosse um livro pior ou substancialmente pior se eu
[13:11] não tivesse estado tão concentrado faço entender é ou
[13:14] seja eu eu eu tinha um livro muito claro na cabeça e sabia
[13:18] com quem queria falar e o que é que eu queria tirar de cada uma
[13:21] daquelas pessoas e as histórias das pessoas são tão boas que eu
[13:27] acho que passa se eu fizesse um grande um grande desastre e que
[13:31] estragava a história das pessoas por isso eu acho que a escrita
[13:36] melhor sim por estar concentrado mas a qualidade do livro enfim
[13:42] grosso modo não porque porque as pessoas é que vivem ali dentro
[13:47] não não sou bem eu eu sou lhes dou uma voz um bocadinho do
[13:50] maior pa seja de uma forma ou de outra teria sido um bom
[13:53] resultado sim eu acho que sim eu acho que sim a minha pergunta
[13:57] agora é a ideia também se presta um bocadinho é isso acho eu
[14:00] escrever um livro sobre a morte e eu acho que é um risco grande
[14:03] porque primeiro porque há muita gente que escreve sobre a morte
[14:05] não é e depois porque pai é um grande tema não é uma grande
[14:10] questão é provavelmente a maior questão da nossa existência não
[14:14] é e eu e enfim eu dar esse passo é um é um risco grande mas eu
[14:20] também nunca mais me esqueço de uma coisa que eu vi o valério
[14:22] romão dizer uma vez que eh pá se não for arriscado então para quê
[14:28] não é por isso olha eu estou a fazer mas no livro preocupas-te
[14:33] mais com o ou seja por morrer de velhice é uma coisa e aí a
[14:38] preocupação em saber o que é que é depois morrer é por outra
[14:43] causa seja por homicídio ou por suicídio por exemplo a acarreta
[14:48] outras perguntas como por quê morrer porque porque é que eu
[14:52] quero isto preocupas-te mais com este lado e do que é que antes
[14:58] porque é que chegaste aí ou o que é que é depois de morrer ou
[15:02] ambos da não o depois é o depois não é bem uma questão para mim
[15:08] porque não o livro é um bocado pessoal também ou seja à
[15:12] semelhança dos outros eu não tenho problemas em e por isso é
[15:16] que há pouco estavas a dizer que que que o livro vai buscar um
[15:19] bocado ao jornalismo sim é verdade mas ao mesmo tempo não
[15:22] porque eu eu não tenho problemas em escrever na primeira pessoa
[15:25] eu não tenho problemas em contar coisas minhas há umas já tinha
[15:30] contado outras não e e não tenho problemas em assumir no início
[15:35] do livro que fazer uma investigação sobre a morte parte
[15:39] muito de eu nunca perdi ninguém realmente próximo e quero ouvir
[15:45] histórias de pessoas que me digam como é que é perder
[15:48] pessoas próximas como é que como é que a morte se manifesta de
[15:51] várias maneiras e com com objetivo para para poder te
[15:54] preparares e ajudar as outras pessoas a prepararem se para o
[15:57] evento e sub reptícia mente acho que sim mas acho que o valor é
[16:03] outro valor é acho que quanto mais nós falamos sobre a morte
[16:08] estivermos conscientes da morte e pensarmos na morte com muita
[16:11] frequência melhor vivemos acho que estamos mais presentes lá
[16:16] está essa é outra opção minha e que eu também ponho no livro que
[16:20] é eu acho que não há dia nenhum em que eu não penso na minha
[16:22] morte e não há dia nenhum em que eu não penso no medo que tenho
[16:27] de perder quatro ou cinco pessoas à minha volta não talvez
[16:31] mais acerta oito agora arredonda para as dez isso mas mas
[16:36] pensando no que no núcleo familiar que é que é muito
[16:39] reduzido assim as pessoas mais próximas são cinco pessoas são
[16:44] seis pessoas aliás e não há dia nenhum que eu não penso nisso e
[16:47] eu acho que o facto de pensar nisso e de ter essa ideia de que
[16:52] um dia as aquelas pessoas vão morrer me faz aproveitar cada
[16:56] vez que eu estou com elas e o mesmo serve para mim não é que
[16:59] eu tenho medo de morrer etc aliás há uma coisa que eu digo
[17:02] no no livro que é e eu já falei disso publicamente o eu tive uma
[17:08] depressão grande na adolescência e tentei suicidar-me e aquilo
[17:16] que eu reparei enquanto estava a escrever isto é que a minha
[17:20] necessidade de intensidade na vida tem a ver com esse momento
[17:26] porque eu sinto que eu já morri eu morri naquela altura eu morri
[17:31] em dois mil e cinco e e o facto de eu já ter morrido faz com que
[17:37] tudo o resto seja um bónus e eu pensar nesse bónus todos os dias
[17:42] acho que me ajuda a viver um bocadinho melhor e aproveitar
[17:44] melhor as coisas e e aí a pensar pá quando é que vai ser próxima
[17:50] vez que isto me pode acontecer se eu morrer daqui a bocado
[17:54] nunca ou se morrer daqui a dez anos se calhar nunca também pá
[17:57] então vou tenho que fazer isto tem que aproveitar isto é etc
[18:00] too o eu acho que o valor do livro enfim para mim é o que é o
[18:06] que interessa menos porque se eu vou publicar interessa é que
[18:10] seja importante para quem li a ou pelo menos faça uma ligeira
[18:15] diferença é por isso eu acho que o valor do livro é pensar é
[18:20] entender que há valor em pensar na morte eu relembro me só que é
[18:24] o qual é que é a editora com que vais publicar este livro é a
[18:27] vinte vinte o grupo editorial e vinte vinte a chancela tem sido
[18:31] a vogais mas estamos a editora está a ter umas umas mudanças de
[18:38] chancela ou seja a vogais passou a publicar praticamente só há
[18:43] autores internacionais e a uma nova chancela e provavelmente eu
[18:47] vou ser publicado nessa nessa nova chancela que é dedicado a
[18:50] autores nacionais de não ficção mas enfim isso se pode pode vir
[18:55] a mudar também não não é assim a editora vinte vinte fica bem com
[18:59] um ano pronto exato da orelha para ser publicado pela editora
[19:02] vinde exato exato diz-me então diz-me só se fiquei aqui a
[19:07] pensar não tinha estuprado o tema do livro ajudou manter o
[19:11] bom espírito durante o isolamento ou não é um é uma
[19:16] coisa que também me tem ocorrido bastante é e e que me têm
[19:20] perguntado também alguns amigos que sabem em concreto o que é
[19:23] que o que é que o livro é histórias é que tem e eles
[19:26] perguntam se eu não fico a bater mal com isto não é porque para
[19:30] todos os efeitos são histórias de pessoas tiveram de lidar com
[19:34] a morte de uma forma ou de outra é pá e eu eu diria isto pode
[19:38] soar muito mal mas mas eu acho a as histórias são muito duras
[19:43] algumas são muito duras ainda hoje tive escrever uma que eh pá
[19:47] é eu tive enfim tive de me afastar um bocadinho ir beber um
[19:51] copo de água e olhar para a janela e tal dessas coisas todas
[19:54] porque é é é pesado e pesado mas mas ao mesmo tempo são coisas
[20:00] que acabam tão de uma forma tão bonita a e bonita não é no
[20:07] sentido de a morreu mas tudo bem não não é nada disso quer dizer
[20:11] ninguém ninguém gosta que alguém morra não é mas é bonito no
[20:15] sentido da aceitação e da ida e da superação da coisa neste
[20:20] aspecto tive muita sorte com as histórias que me que me
[20:22] apareceram porque as pessoas tem uma atitude bonita perante
[20:26] perante a morte portanto é pesado numa altura de quarentena
[20:31] mas eu também acho que já estou vacinado eu posso partilhar
[20:33] contigo que eu andava à procura de de livros que vence ler sobre
[20:38] a morte etc e limpa e sem livros ou talvez mais mas reparei que a
[20:43] minha biblioteca pessoal já tinha para e quarenta portanto é
[20:47] é um é um tema que sempre que sempre que me cruzo com algum
[20:51] livro sobre a morte eu compro instintivamente e portanto não é
[20:55] uma investigação que eu tenha feito no último ano é uma
[20:58] investigação que eu andei a fazer sem querer ou sem me dar
[21:00] conta nos últimos dez para aí por isso não não foi assim não
[21:06] foi assim tão pesado não tem não está a ser assim tão pesado e
[21:09] adoro algumas alturas que são muito duras há outras que são
[21:12] bonitas e que são há quase leves e e que nos fazem pensar aí tem
[21:19] igual como é que esta pessoa pensa quando aconteceu aquilo
[21:22] tudo e a pessoa pensa assim pá é um é uma lufada de ar fresco e
[21:26] nós aquele medo todo que nós temos da morte e de e não
[21:29] queremos falar disso e não sei quê e vai vai vai pelo cano a
[21:33] gente passar de bolas olha olha aqui uma maneira de viver tão
[21:38] saudavelmente com com a ideia da morte por isso até foi quase que
[21:44] me ajudou às vezes a viver assim isolado ou seja isso ajudou a
[21:48] produzir mas por outro lado como disseste que tinhas fazer
[21:51] investigação e ler esses tais livros essa tal centena de
[21:54] livros conseguiste fazê-lo ao porque muito muitas pessoas têm
[21:59] tido problemas em conseguir pegar num livro durante este
[22:02] tempo estavas melhor escrever ao estado das melhor ele ou por
[22:06] outro lado quietinho olhar para o teto não que eu tinha olhar
[22:11] para o teto não é uma coisa que resulte comigo eu não sei
[22:13] descansar e tenho muitos amigos a dizer assim eh pá relaxa por
[22:16] um bocado pá estás sempre porque eu sou um bocado obsessivo com
[22:21] algumas coisas que anda a fazer o que antes só haver por exemplo
[22:25] coisas muito absurdas eu eu comecei a jogar ténis para aí em
[22:30] janeiro e recomecei ontem por acaso é porque a quarenta e
[22:35] depois impedido que nós que não jogássemos mas enfim é um
[22:37] desporto ao ar livre agora pode se a gente for jogar claro com
[22:40] as medidas de segurança tudo isso mas eu passei a quarentena
[22:44] a rever os jogos ténis e eu já gostava de ver ténis mas a pá
[22:48] aquilo já tinha acontecido eu sabia que tinha ganho a mas eu
[22:53] observei com isso é um um hábito obsessivo que eu tenho é ver
[22:59] tipos a tocar bateria no no youtube eu não toco bateria eu
[23:05] toquei bateria pai aos dezasseis anos durante sei lá um ano e tal
[23:08] e e depois agarrei me à guitarra e nunca mais toquei bateria mas
[23:12] eu o o meu vício é ver gasta tocar bateria no youtube e
[23:16] porquê não sei não sei porquê eu tenho este vício este hábito vá
[23:21] de ler pelo menos uma hora uma hora e meia todos os dias e como
[23:26] hábito está tão instituído e é sempre aquela hora etc a não
[23:31] senti grande pressão em ser quarentena ou não sei quarentena
[23:35] vai dar mais ou menos ao mesmo nesse sentido o o meu meu
[23:39] problema é sempre descansar se calhar mas tranquilos em relação
[23:45] a isso é em relação a ser produtivo e a ler de facto a
[23:48] investigar para para o livro e o livro não começou no início da
[23:52] quarentena ou seja eu já tinha começado a fazer entrevistas
[23:57] para aí em novembro do ano passado e a investigação começou
[24:01] por volta de diria agosto ou setembro portanto vai dar quase
[24:06] um ano de de investigação e escrita e não sei quê a por isso
[24:10] os os livros todos que eu li já os tinha lido praticamente a
[24:13] deve haver para aí dez ou quinze a faltar mas esses esses são
[24:17] muito marginais ou seja que que me interessa nestes livros são
[24:21] ou capítulos ou ou algumas páginas só e e até vou lê-los só
[24:26] quando quando estiver a escrever um capítulo que depois esteja
[24:30] relacionado com esse livro então aí vou consultar e vou ok isto
[24:33] de facto faz-me falta isto afinal não faz mas são só
[24:37] acréscimos que têm ligeiro valor enfim não são não sou o centro
[24:41] do do livro e não só um centro de investigação isso aí já está
[24:45] ali do há não sei quanto tempo ou seja se eu te perguntasse
[24:48] qual é que te ajudou mais inspirou mais nem tens uma
[24:51] resposta porque é é é pegar em várias não é é porque é pegar em
[24:56] vários a se bem que há um livro sobre a morte que é uma espécie
[25:00] de deixa eu ver se eu tenho aqui tenho aqui à mão espera aí que é
[25:03] uma espécie de bíblia e é uma coisa que já tem alguns anos
[25:09] deve ser para isto é sac isto sair para cinquenta anos
[25:11] exatamente a que se chamam de s ã dining que é de uma de uma
[25:17] psicóloga americana chamada elisabete kubler ross e é sobre
[25:23] a experiência da morte em em hospitais e enfim não só em
[25:30] hospitais mas em unidades de cuidados paliativos que às vezes
[25:33] vão à casa das pessoas também e e e com com padres e com pessoas
[25:39] que acompanham outras pessoas em fim de vida e foi uma psicóloga
[25:42] que que compilou conversas com como pessoas em fim de vida e
[25:46] com pessoas que lidam com gente em fim de vida e isto tornou-se
[25:50] assim num foi uma mudança de paradigma porque não se não se
[25:53] falava da morte e começou a falar-se a partir desse momento
[25:57] ou pelo menos a aceitar-se mais a ideia de falar sobre a morte
[26:00] mas isto em geral nos estados unidos o a coisa de se começar a
[26:03] falar eu moro é isto isto mudou isto mudou o paradigma no no não
[26:08] vou dizer no mundo inteiro mas no mundo ocidental começando
[26:11] pelo mundo com saxónico como é óbvio mas depois começou-se
[26:15] aparentemente a aligeirar a coisa por exemplo se tu vais se
[26:19] tu procuras por pode casos relacionados com a morte só tu
[26:24] só tens pode cassie praticamente em inglês e até mais de deixa-me
[26:30] pensar estou a ser justo tinhas tu tinhas até no outro podcast
[26:33] no amor à primeira vista tinha ajudado pelo menos dois um deles
[26:37] eu fui ouvir é o de história a orfa quis tri o o e o de tommy
[26:43] será esse acho que sim ouvi um episódio sobre como é que se
[26:50] chamam jardim sei acho que foste dez to pride boyce é eu vi
[26:56] urgentemente sim sim sim o primeiro boys e é só sobre
[26:59] coisas esquisitas relacionadas com a com a morte e com um
[27:02] casaco que eu fiquei uma hora eu ouvir a história do império
[27:06] agora não sei em português da da miúda limpar sim que é super
[27:11] super super antigo e eu estava super interessada é porque é a
[27:16] tal um historiador e um comediante exatamente ser isso
[27:20] iodeto mim sim sim isso é ótimo não é necessário para falarmos
[27:23] de livros começando pode caso exato quando tem sido então olha
[27:27] tem sido uma uma grande descoberta na altura da
[27:30] quarentena os podcasts porque ajudou muito não enfim na altura
[27:33] de lá está como dizia há pouco eu gosto de pouco estar quieto e
[27:38] estar quieto significa não estar a pôr coisas na cabeça eu não
[27:42] gostava de fazer tarefas domésticas por causa disso
[27:44] porque não estava não podia estar a ler não podia dar a ver
[27:48] filmes ou ou coisas instrutivas no youtube porque também as há
[27:52] há coisas instrutivas no youtube não sei se a paula um dos gajos
[27:54] que está com bateria e e país pode caso tem sido assim uma um
[28:01] bálsamo na minha vida pá porque é pra já descobri um monte de
[28:05] coisas relacionadas com história relacionadas com bizarrias que
[28:09] aconteceram muitos relacionados com a morte também que me tem
[28:13] ajudado bastante a um ótimo da bbc que se chama deixa eu ver
[28:17] aqui o título o início do talk about death e é fabuloso mas são
[28:21] coisas duras de se ouvir às vezes tem muito a ver com o fim
[28:25] de vida mas mas é o que era que eu estava a dizer há pouco a
[28:29] isso equilíbrio entre em que coisa tão pesada e e isto nos
[28:35] espera no fim não sei quê mas ao mesmo tempo a clareza e a
[28:39] lucidez com que as pessoas que morrem pelo menos algumas tem
[28:43] essa essa lucidez e conseguem passá-las a família é uma coisa
[28:48] pá é surpreendente e é é mesmo é daquelas coisas que parecem as
[28:53] mais importantes da nossa vida sabes onde mensagem caramba isto
[28:58] bolas não não me posso esquecer disto nunca é então às pessoas
[29:03] que as pessoas quando acabarem de ler o teu livro sobre a morte
[29:06] vão ficar com vontade de viver com ainda mais vontade para já
[29:11] eu espero que elas já tenham vontade de viver isso eu acho
[29:13] que faltavam ainda mais sim sim é isso perceber que antes não
[29:18] tinham todo eu não diria mais vontade de viver eu diria que se
[29:23] calhar podem olhar para as coisas de uma outra maneira e
[29:28] olhar para as coisas para aquelas coisas com que se
[29:32] chateiam todos os dias e e e pensar se calhar não é assim tão
[29:36] essencial se calhar não devia chamar nomes uma pessoa no
[29:39] trânsito porque eu sei lá se morreu alguém anteontem ou como
[29:44] como apanhei numa situação que eu agora não me lembro de quem é
[29:49] que diz olha para a pessoa com quem com quem estás muito muito
[29:54] chateado e imagina te a ti e essa pessoa daqui a trezentos
[30:00] anos vocês vão ser pó não vale a pena nisso não não faz sentido
[30:05] nenhum e eu acho que lendo essas histórias talvez eu acho que as
[30:10] histórias têm potencial para a gente olhar para elas e pensar
[30:13] nas coisas de maneira diferente tenho um capítulo com um um
[30:17] doente terminal e ele diz que que ficou irritado com o próprio
[30:22] por que só começou a ter urgência de viver quando lhe
[30:25] puseram um prazo à frente o facto nós não temos esse prazo
[30:29] ou do prazo de ser muito ser acima e fosco não é não é nítido
[30:33] não nós não sabemos quando é que vai ser e o facto de não
[30:36] sabermos faz-nos viver se calhar assim de maneira um bocadinho
[30:39] mais displicente e chatearmos com coisas que não são
[30:41] prioritárias e se calhar não dar prioridade às coisas que são
[30:45] prioritárias outros vão ser enfim é este tipo de coisas que
[30:48] eu acho que o livro pode pode dar pelo menos quanto mais não
[30:51] seja uma proposta de um pensa mais um bocadinho na morte que
[30:56] se calhar chegar faz bem se não fizer bem também olha não tens
[30:59] de pensar isso faz-me lembrar um dos livros que trouxe esta
[31:03] primeira vez que estiveste não pode caso eu acho que tu foste o
[31:06] episódio quatro se não foste olha passaste a ser és dos
[31:09] primeiros acho eu acho que eu acho que quatro a sua bem que
[31:12] foi logo a seguir a carlos vaz marques a ordem essa dá visto
[31:16] visto é e um dos destroços foi as intermitências da morte sim é
[31:21] o mesmo fez lembrar o prazo fez-me lembrar a premissa do do
[31:25] todo o livro inspira também é está a dizer que é o teu
[31:29] favorito é o meu livro favorito as intermitências da morte a e
[31:34] sim as intervenções a morte tem tem tem muito a ver com essa
[31:38] minha obsessão i i com com uma outra parte da morte que é e se
[31:46] nós não morrêssemos que é uma coisa da qual eu também vou
[31:49] falar no livro que é e que é uma coisa cada vez mais é provável
[31:56] que é nós não morremos nós nós manter-nos vivos nós temos
[32:00] imortais não é nós já somos imortais simbolicamente não é
[32:03] temos aquela ideia de enfim o camões é imortal não é o homero
[32:08] é imortal mesmo com a mãe não tenha existido não sabe bem não
[32:12] é são vários mas também os shakespeare os cheques serão
[32:15] imortal não é é portanto simbolicamente essas pessoas já
[32:18] são imortais não é o pensamento delas estamos acessíveis não é
[32:21] em forma de livro e e portanto num certo sentido elas são
[32:26] imortais mas mas aqui eu quero dizer é há uma forte
[32:29] possibilidade de em breve e quando digo em breve pode ser
[32:34] cinquenta cem duzentos anos nós não morrermos e podemos
[32:38] manter-nos vivos provavelmente não com este corpo biológico mas
[32:43] não naquilo que se chama a singularidade não é juntar o
[32:46] cérebro uma máquina e a máquina por longo o cérebro parecemos
[32:49] claro que isso levanta outras questões levantadas questões
[32:51] levanta questões de se su cérebro vivo na máquina e não
[32:55] está ligado a um corpo é humano não é até que ponto é que nós
[33:00] continuamos a ser humanos ou até ponto é que nós continuamos a
[33:03] ser nós mesmos e esta esta descodificação constante do
[33:06] cérebro embora ainda haja uma carrada de dúvidas nós não
[33:10] sabemos por exemplo definir o que é consciência ninguém sabe
[33:13] ao certo o que é consciência é mas nós sabemos nós sabemos que
[33:17] estamos conscientes mas essas coisas estão a ser
[33:20] exponencialmente descodificadas e e os mecanismos do corpo
[33:24] também é muito provável que um dia a nossa questão seja tão mas
[33:29] e se eu quiser morrer não é que é uma nova pergunta é uma
[33:33] pergunta que nós não fazemos hoje ficha fazemos em situações
[33:36] limite não é nem o tanásia não é se se a pessoa estar se é doente
[33:40] terminal está um sofrimento atroz pode dizer o o deve poder
[33:43] dizer e eu não quero viver mais e portanto olhem se puderem e
[33:49] ajuda-me a morrer mas numa ideia de eu estou saudável mas eh pá
[33:57] eu estou estou farto de andar não não e ou seja se já fôssemos
[34:01] imortais e mas uma pessoa já levar trezentos ou quatrocentos
[34:04] anos e perceber que afinal não quer ser imortal exatamente
[34:07] exatamente até porque isso depois levanta outra questão
[34:09] levanta outras novas perguntas que são uma pessoa com trezentos
[34:12] ou quatrocentos anos deve poder continuar a ter filhos porque se
[34:18] nós em digamos cinquenta anos temos dois três quatro oito
[34:25] filhos e o mundo está com oito mil milhões de pessoas não é o
[34:29] sete mil milhões de pessoas como até que ponto é que é viável é
[34:32] exato não é e levanta levanta um conjunto infindável de outras
[34:37] duas perguntas tiveste de lidar com imensas perguntas neste
[34:40] momento já nem é filosóficos e ambiental até também é tudo é
[34:44] tudo é tudo isso também é muito interessante pensar em pensar na
[34:48] implicação que teria nós não morrermos é então dedicar por
[34:52] exemplo um capítulo à imortalidade estético e isso sim
[34:55] mas é de um cenário super exagerado que levasse as pessoas
[34:59] a entender é ou seja é quer dizer agora já estava a viajar a
[35:04] pergunta de maneira que tu seres contra a imortalidade e se
[35:09] calhar não és não eh pá eu não é que é um é uma questão é uma
[35:13] pergunta tão nova e tão complexa que eu não consigo dizer se sou
[35:17] contra ou sou a favor quer dizer em teoria eu sou a favor de que
[35:21] as pessoas à minha volta não morra não é eu eu quero tê-las o
[35:24] máximo tempo possível à minha volta eu próprio não sei
[35:28] responder por acaso eu conversei com um cientista sobre isto e eu
[35:32] disse-lhe pá mas as pessoas normalmente dizem que não
[35:35] queriam viver para sempre e a resposta dele foi sim mas elas
[35:38] mentem e eu pensei depois de facto eu eu costumo dizer não eu
[35:42] não queria viver para sempre mas se me perguntar então quando é
[35:45] que queres morrer eu não não tenho resposta para isso não é
[35:48] não eu posso dizer assim a aos noventa anos e marca me dá o
[35:52] prazo dos noventa anos mas à medida que me for aproximando
[35:55] dos noventa anos eu vou ter se calhar cada vez menos vontade de
[35:58] morrer aos noventa anos e vou dizer não se calhar a dia em lá
[36:01] prás cento e dez o dia para os cento e cinquenta se pudesse ser
[36:05] é e e por isso eu não eu não sei dizer sou a favor sou contra
[36:10] porque eu também entendo que a dependendo do estado do mundo e
[36:14] do estado da vida de cada indivíduo que ele não queira
[36:18] viver mais e neste capítulo não vou fazer um cenário em que
[36:24] somos vinte mil milhões de pessoas num põe num planeta
[36:27] completamente a saturado de gente enfim não vou não vou
[36:32] criar uma distopia em que em que imagino como é que será viver
[36:35] assim o que eu vou fazer é lançar perguntas e são perguntas
[36:40] que advêm dessa possibilidade de não morrermos mais há e como eu
[36:45] te disse eu conversei com um com um cientista sobre a hipótese
[36:48] real de de sermos imortais ou não de virmos a ser imortais e
[36:52] não realmente não a minha geração nem a tua mas se calhar
[36:55] dos nossos netos talvez aí potencialmente já já se possa
[36:59] começar a falar disso se bem que é um é um é uma coisa da qual já
[37:03] se fala hoje na na questão da reversão da da velhice por
[37:06] exemplo encontrar o gene do envelhecimento e e revertê-lo e
[37:11] aparentemente deixa-me ver se eu não estou eu acho que em dois
[37:13] mil e dezassete conseguiram fazer isso não rato portanto pá
[37:18] está aí não é pois não está assim tão longe pois é a tal
[37:22] coisa e e a e a a expansão do conhecimento científico tem esta
[37:26] coisa maravilhosa que é quanto mais nós sabemos mais depressa
[37:29] vamos saber a coisa a seguir basta pensar que nos últimos
[37:32] quinhentos anos a evolução foi minúsculo pelo menos na de entre
[37:38] mil e quinhentos e mil novecentos e cinquenta a
[37:40] evolução foi minúscula e de mil novecentos e cinquenta para dois
[37:43] mil e vinte fomos à lua foi pusemos um uma nave em marte já
[37:48] já tivemos uma nave que passou plutão já já já curamos cancros
[37:53] e na altura não curava mos tudo isso as pessoas viviam até aos
[37:57] sessenta anos hoje a média já é oitenta e tal não é temos
[38:02] computadores num bolso não havia computadores em novecentos e
[38:04] cinquenta quer dizer seja tudo é possível um pouco portanto é uma
[38:08] área em que em que tivesses mais ou alguém com quem não tivesse
[38:14] mais receio de falar eu sei eu também estava aqui imaginar se
[38:18] por exemplo faz com um coveiro ou sim eu não do negócio da
[38:22] morte sim eu não fui ao negócio da morte porque embora tenha
[38:27] conversado com um senhor de uma agência funerária mas mais no
[38:32] sentido de como é que eles ajudam a lidar com o luto eu não
[38:35] fui ao negócio da morte porque é um em todo outro tema se calhar
[38:39] é e é um tema que já está bastante explorado por exemplo a
[38:43] a minha editora publicou uma coisa da ketlyn dotti sobre
[38:47] rituais funerários no mundo inteiro a a fundação francisco
[38:52] manuel dos santos lançou uma coisa eu acho que foi ano
[38:54] passado sobre a indústria funerária em portugal há vários
[38:57] livros sobre o negócio da morte e como é que se fazem rituais
[39:00] essas coisas todas e não era necessariamente uma coisa que me
[39:03] interessassem aquilo que me interessa mais é o e a relação
[39:09] do indivíduo perante a morte seja dele ou de um entre que do
[39:14] de um ente querido quando eu digo isto é no sentido claro do
[39:17] luto mas por exemplo falar com uma pessoa que quase tenha
[39:21] morrido o que é que é que mudou na vida dela não é que em que
[39:25] esteve numa situação limite em esteve quase não é ou um doente
[39:30] terminal em que sabe que vai morrer não tarde como é como é
[39:34] que se vive assim não é como é que se vive tendo perdido um
[39:37] filho por exemplo é mais nesse nesse sentido de como é que se
[39:42] lida com a morte de qualquer das maneiras como é que se vive
[39:45] depois eu eu posso contar-te uma das um dos catalisadores para
[39:49] isto foi eu gosto muito de heavy metal e uma das minhas bandas
[39:54] favoritas nasceu em dois mil e quatro os miúdos tinham pai
[39:58] dezasseis anos dois irmãos gémeos fundaram a banda em
[40:03] reuniram-se mais três amigos e fizeram a banda e não sei quê e
[40:05] a banda foi crescendo e em dois mil e onze acho eu teve um algum
[40:11] grandote de dois mil e três ainda foi maior ia a certa
[40:15] altura quem fazia tudo naquela banda era um era o guitarrista
[40:19] se chamava e toma sol e num destes discos eles criaram uma
[40:24] canção chamada câncer e perguntei porque ele faz uma
[40:27] canção sobre o cance o cancro se perdeu alguém não sei que aí ele
[40:29] diz não é que eu tive cancro não contei a ninguém mas eu tive
[40:32] cancro há dois anos mas estou curado está tudo bem esse
[40:36] guitarrista irmão gémeo do do baterista a propósito e o álbum
[40:41] seguinte que é o melhor da carreira deles mas tem aquela
[40:43] banda que tu chegavas ir a dublin ouvir a não não não é
[40:47] essa essa é outra é por acaso eles eram amigos acho que eram
[40:49] amigos de infância ver bem imagina então estamos a falar de
[40:52] comanda a banda chama-se arkit ex e então no álbum seguinte que
[40:57] é todo escrito outra vez por esse guitarrista quando o álbum
[41:00] sai a malta percebe que aquilo é tudo sobre a morte e
[41:04] pergunta-lhe porque é que porque ele escreveu um livro um livro
[41:06] um um disco sobre a morte e ele diz é porque o cancro voltou e
[41:11] eu estou a recuperar estou a tentar recuperar da doença mas
[41:15] ando assim um bocado fraco mas tenho pensado muito sobre a
[41:17] morte por causa disso porque eu posso morrer a qualquer momento
[41:20] não é quer dizer podemos todos mas com um cancro na primeira o
[41:24] melanoma era uma coisa terrível é muito provável que eu morra em
[41:28] breve e pronto e o disco é surpreendente tem tem letras
[41:31] inacreditáveis e ele diz que saiu em maio de dois mil e
[41:34] dezassete e ele morreu em agosto de dois mil e dezassete então
[41:39] foi um caso de a morte como bom creative e sim no caso dele sim
[41:45] no caso de bom foi foi foi um bom criativo e depois estava
[41:49] tudo à espera de é pá como é que o irmão irmão gémeo foi o
[41:54] fundador da banda com o tome sol como é que ele continua depois
[41:58] disto não vai dar não é ele deve estar de rastos e ele dois meses
[42:03] depois estava a continuar ator arranjou um guitarrista novo
[42:07] sempre no meio dos concertos ele saiu da bateria num lá no
[42:12] interlúdio de uma música e ele falava para durante dez minutos
[42:15] sobre o irmão isto foi a maneira de de lidar com aquele luto etc
[42:21] e no ano seguinte eles lançam um disco e é capaz de ter o melhor
[42:24] disco de metal da década já sem o irmão o irmão gémeo e e a
[42:29] minha pergunta é pá mas como como como e como é que como é
[42:36] que seja uma coisa má e queria uma boa sim e além disso repara
[42:40] o crescimento dele ele deve ter para a minha idade agora o irmão
[42:44] gémeo dele o danser ele era um miúdo quando fundou a banda com
[42:49] o irmão gémeo já é irmão gémeo já é o que é não é e o
[42:52] crescimento profissional dele e todos os sonhos deles de abrir
[42:56] com a abrir concertos de de bandas gigantescas que eles
[42:59] idolatravam toda essa experiência intensíssima é
[43:04] passada com o irmão gémeo e de repente o irmão gémeo aos vinte
[43:08] vinte e oito anos morre de cancro pa como como é que se
[43:12] continua depois disto e a verdade é que ele continua eu
[43:16] tentei entrevistá-lo ele disse-me que não tá não estava
[43:21] disponível para conversar mais sobre o assunto já é uma coisa
[43:23] que tinham explorado bastante etc compreendo perfeitamente e e
[43:27] disse-lhe que o livro dizia ser dedicado porque além de ser além
[43:32] de ser um catalisador para isto tudo também se tem servido de
[43:35] banda sonora a escrita pronto mas isto para dizer que que isto
[43:40] já não sei onde é que isto partiu mas não sei mas no fundo
[43:43] é acaba por ser um exemplo da é uma cadeia como é que a morte de
[43:47] um afetou a vida do outro e agora afeta a tua e vai afetar
[43:51] outros que são os teus leitores totalmente totalmente e e além
[43:54] disso como é que eles da morte conseguem fazer a coisa mais
[43:59] importante num género musical no mundo inteiro não é que que
[44:05] também é surpreendente mas também engraçado de ser no no
[44:07] género heavy metal às vezes acha-se que os artistas não são
[44:12] pessoas sensíveis e já acaba por pegar num tema muito sensível e
[44:17] com com um inspiração carinhosa o engraçado aliás há muita há
[44:21] muita há muitos vídeos de deles em palco a chorar numa nesse
[44:27] interlúdio enquanto enquanto ele está a falar do irmão pá um
[44:31] vídeo incrível chama-se john wind e é ao vivo no aleksandro
[44:36] palace e ameio o baterista vai conversar sobre a coisa e depois
[44:42] o vocalista tenta cantar um bocado e não consegue os baralha
[44:46] se chorar com com com aquilo isso é muito patoka nos bastante
[44:52] uma coisa dessas embora sejam lá está em um estilo de música
[44:55] muito violento estão passa o tempo a gritar de vez em quando
[44:57] cantam mas passa um tempo a gritar e depois nós vamos olhar
[45:02] para as letras e são poemas são coisas muito sensíveis mas ao
[45:06] mesmo tempo muito francas também é um ção de uma frieza muito é
[45:12] quase como se é quase como se fosse uma revelação às vezes é
[45:16] muito há uma uma frase em particular do de uma letra de
[45:21] uma canção que eu que eu estou a dar conta que serve para todos
[45:24] os capítulos é impressionante eu eu eu gosto muito daquela frase
[45:29] e penso ok só vou usar isto em dois capítulos porque é é quando
[45:32] se fala disto e ainda hoje estava a escrever um capítulo i
[45:36] a a pessoa com entrevista diz uma coisa eu penso eh pá está
[45:39] isto é outra vez a recorrente vias arranjar se calhar um
[45:43] símbolo cada vez que essa frase que vem à cabeça metros show do
[45:47] símbolo e as pessoas já desde o início estão habituadas a este
[45:50] símbolo esta história o que eu estou a fazer é escrever a frase
[45:53] em itálico pois as pessoas se lembrarem do que é que eu estou
[45:56] porque eu vou lá está o primeiro capítulo disto é muito pessoal e
[46:00] eu falo sobre as mortes que me afetaram que não foram próximas
[46:04] mas que me afetaram ao longo do crescimento e que fazem nascer
[46:07] esta coisa de pá como é que nós lidamos com isto como é que como
[46:11] é que algumas pessoas lidam com isto como é que se lida com a
[46:13] perda como é que se lida com quase morrer essas coisas e
[46:16] então falo de algumas algumas bandas também eu eu sempre
[46:20] gostei muito de música sempre sempre pá em vez dos doze ou
[46:24] treze anos que tocam instrumentos e e me interesso
[46:26] muito por música e muitas das bandas que eu ouço estranhamente
[46:31] de vez em quando a a o tema da morte vem à baila ou do de um
[46:34] tipo que morreu da banda ou ou de um tipo que ia morrendo e não
[46:39] morreu sei lá o ziobro ia morrendo quando o guitarrista
[46:43] dele que ele adorava morreu num acidente de avião e o avião caiu
[46:48] quase em cima ou mesmo em cima do autocarro onde você estava a
[46:51] dormir quer dizer eoo sobreviveu e o avião e o randy rhodes
[46:56] morreu no no no desastre de avião há assim montes de coisas
[47:00] deste género que que estão sempre a meio não é perseguir
[47:04] mas mas eu fico sempre muito à uma e atormentado com isto mas
[47:09] atormentado no bom sentido que fica um bocado fascinado com
[47:12] esta coisa a este ponto tens algum e chega está uma passagem
[47:16] que não seja nem muito grande nem muito pequena do teu novo
[47:19] livro que achas acho pertinente partilhar o que tens isso
[47:24] fechado a sete chaves e curiosamente é não eu posso eu
[47:28] posso ler-te aqui dois parágrafos soube que é o
[47:31] primeira mão em primeira mão que são o final do do do tal desse
[47:36] tal capítulo inicial em que fala sobre a necessidade de pensar e
[47:42] falar na morte e aquilo em que eu acredito que seja quase
[47:47] terapêutica em em fazer isso e estranhamente há uma boa parte
[47:52] desse capítulo que é sobre bandas e e de vez em quando vou
[47:54] contando algumas histórias sobre bandas etc e então ok então vá a
[47:58] volver há uma história que sempre me comoveu mike portnoy é
[48:02] o fundador e ex baterista da banda de metal progressivo dream
[48:06] theater mas desta vez neste nesta fase particular do
[48:09] capítulo o tema não é uma canção é o seu fascínio pela expressão
[48:13] carpe diem que pode ser traduzida como aproveita o
[48:15] momento porte não aprendeu a expressão na escola quando tinha
[48:18] dezassete anos diz ele estávamos a dezasseis de novembro de mil
[48:22] novecentos e oitenta e quatro e um professor meu estava a
[48:25] explicar o que significava a expressão latina e dizia que a
[48:28] vida podia mudar a qualquer momento por isso devemos
[48:30] apreciar a vida enquanto a temos e é por esse professor disse-nos
[48:34] quando chegar em casa mais logo abraço os vossos pais e
[48:37] diga-lhes que os amam porque nunca se sabe fui para casa e
[48:40] estava a preparar-me para sair com os amigos e a minha mãe
[48:42] estava a perguntar se para apanhar um voo para atlantic
[48:45] city assim que estava a sair lembrei-me do que isso era o
[48:48] professor nessa tarde voltei para trás aparecer a minha mãe
[48:51] disse-lhe que a amava ela ficou surpreendida e disse que também
[48:54] me amava essa foi a última vez que vi a minha mãe porque o
[48:58] avião despenhou-se nessa noite ela morreu quando digamos que
[49:02] negamos conversas sobre a morte não deixamos de ser david
[49:05] grossman ao colo da mãe quando tinha quatro anos estamos a
[49:09] chorar na casa de banho aterrorizados por expressar a
[49:11] ideia da morte receando que a verbalização do grande segredo
[49:15] possa por uma qualquer perversa substituição matar toda a gente
[49:18] em nosso redor mas falar sobre a morte não mata cura é só para
[49:24] dar aqui um contexto esta esta história do david grossman odeio
[49:27] grossman é um escritor israelita que conta uma história curiosa
[49:32] que foi a primeira vez em que ele percebeu que a morte existia
[49:36] ele tinha quatro anos e olhou à volta ele está ele estava numa
[49:40] festa em casa os pais tinham dado uma festa e ele andava a
[49:44] passear pelo meio das pessoas e e percebeu que aquela gente toda
[49:50] ia morrer não ali não é mas um dia morrer ele desatou a chorar
[49:55] diz que desatou a chorar porque imaginou que se ele pensasse na
[49:59] morte daquelas pessoas elas iam morrer de imediato e então fugiu
[50:02] para a casa de banho e desatou a chorar e a mãe foi atrás dele e
[50:05] pô-lo ao colo e perguntou-lhe o que é que se passa porque é que
[50:08] estás a chorar e ele não queria dizer porque ele achava que se
[50:11] falasse sobre a morte e a matar aquela gente toda daí eu falar
[50:15] disto de de quando nós negamos as conversas sobre a morte
[50:18] estamos um bocado a ter esse medo mesmo que seja inconsciente
[50:22] mas mas falar sobre a morte não mata e eu acho que muitas vezes
[50:26] até cura acho que é a melhor maneira de terminar porque eu
[50:30] achava eu disse que isto ia ser uma conversa super curta já
[50:33] desisti da ideia desculpa não eu acho que se temos oportunidade
[50:38] de falar das coisas mais profundamente não vale a pena
[50:41] estar com o kah problemas a minha pergunta agora é se
[50:45] durante esta quarentena foste mais boda ou se foste mais roger
[50:50] federer eh pá feder não se não partir a casa toda mas ontem fui
[50:56] fazer era ontem foi quando fui ao treino vim game mas mas sim
[51:00] pá fui esse tem sido mais contemplativo acho eu e temos
[51:03] todos acho eu também porque temos mais é quando a nossa já
[51:07] pensar sobre a vida ou a ver coisas ou a ler coisas ou ou não
[51:13] fazer nada ou a tentar manter-nos distraídos ia manter
[51:15] a sanidade mental portanto acho acho que estamos todos um bocado
[51:18] mais contemplativos do que do que ativos propriamente então me
[51:23] com ele está abertura da agora agora diz que normalidade entre
[51:27] aspas não sei se estás agora não é normal não é tens que me saiba
[51:32] dizer isso assim não é é como é que como é que estás agora tanto
[51:37] a o teu estado de espírito com esta abertura é mesmo ligando
[51:42] com a o teu trabalho de escritor pá eu estou mais ou menos na
[51:47] mesma porque o nós na agência não temos mantemos o o regime de
[51:53] teletrabalho e só saímos quando temos de filmar mesmo a agência
[51:58] mas era de não é por publicidade é algo parecido não é porque nós
[52:01] no início nós temos uma agência de storytelling exato tinha um
[52:05] nome engraçado ou não era tudo store tá não é do ricardo
[52:08] pereira falsa a falsa que ele tinha e que tinha um nome muito
[52:11] esquisito era decision inglês não for coisa assim eu queria
[52:16] sim sim sim já já agora agora society não era só isso o k e e
[52:21] e pronto enfim o nosso nosso regime de teletrabalho mantém-se
[52:25] e portanto nesse sentido está tudo mais ou menos igual o meu
[52:28] trabalho de escrita também se mantém igual quer dizer eu não
[52:30] vou escrever para nenhum café nem nada disso não é vou
[52:33] continuar escrever em casa continuo a ler em casa continua
[52:36] ver séries em casa e filmes e ia ouvir podcast também em casa
[52:40] quer dizer continua sair para ir às compras hã continua fazer um
[52:45] passeio higiénico menos vezes possível a única coisa que está
[52:50] a mudar de facto é eu ir ao ir treinar de ir jogar ténis um
[52:55] duas vezes por semana uma horita portanto para mim em concreto e
[53:01] não muda grande coisa eu diria que para muita gente seja
[53:08] tentador sair mais e mas acho que a malta também devia ter
[53:13] algum cuidado e especialmente cuidado de andar com as máscaras
[53:17] e não sei quê porque anda aí essa coisa de mais a malta anda
[53:20] com máscara no queixo e assim mas no pa no caso não faz nada
[53:23] malta pá e que o conselho nelson nunes não para boca e o nariz e
[53:28] isso é o essencial e lavar as mãos e essas coisas todas quando
[53:32] isso continua em vigência pay atentarem manter-se mais
[53:36] distantes possíveis do das outras pessoas mas pronto mas
[53:40] para mim eu acho que não não vai mudar assim grande coisa também
[53:43] evitou existente boa sim exato e também evito estar com com os
[53:47] meus pais e com os meus avós porque mais para os proteger não
[53:50] é minha mãe fez anos na segunda-feira fui só vê-la mas a
[53:54] porta quer dizer não não não não me cheguei a mais de a menos de
[53:58] dois metros dela não é e é horrível não é horrível ir ao
[54:02] vietname deve ter sido pior atenção também é horrível claro
[54:05] é duro mas ir a uma guerra e de certeza que é bastante pior mas
[54:10] sim a essa dureza e tens alguma preocupação em relação à
[54:14] humanidade e se pequenos comportamentos que tenha que
[54:18] estejam que tenham surgido não sei lá eu tenho pensado agora é
[54:22] a pergunta assim super enviesada mas tenho pensado muito em
[54:26] problemas que que estamos a criar ou seja por um lado é bom
[54:30] porque é eu estou a pensar no exemplo da das máscaras sociais
[54:35] que passaram a ter grandes dez anos é a da moda não é sim sim
[54:39] exato estamos a romantizar isto ou isso é uma maneira do homem
[54:43] por criatividade num problema e tentar o sei acho que eu acho
[54:48] que as coisas são sempre verdade assim como o seu contrário tudo
[54:52] que nós dizemos já reparaste eu tenho pensado muito nisso tudo
[54:55] que nós dizemos facilmente é verdade ao contrário e eu acho
[55:00] que romantizar é bom e é mau no sentido em que a ligeira ou seja
[55:08] o estado de espírito fica mais animado e tal e a gente quando
[55:12] nós andamos mais fixes da cabeça o que é bom aligeirar também é
[55:17] mau porque normaliza pode provocar desleixo pode pôr em
[55:22] perigo outras pessoas agora se as pessoas puderem andar de
[55:26] máscara e a máscara for bonita ao invés de as pessoas não
[55:31] quererem andar de máscara porque a máscara feia pa hoje lá usei
[55:34] as marcas bonitas não é por isso pá tenho esperança na humanidade
[55:39] e não tenho esperança na humanidade é aquela coisa eu eu
[55:42] tem que pensar muito nisto de de tudo é verdade e o seu contrário
[55:46] também na medida que nos for possível temos de ser
[55:50] responsáveis e ter cuidado connosco e cuidado com os outros
[55:54] eu acho que mais até que os outros nesta nesta neste
[55:57] contexto que connosco próprios mas eh pá se querem andar com
[56:00] máscaras lindas andam com máscaras lindas mas mas andam
[56:03] com máscaras e eu espero que este tempo de anormal de as
[56:10] mortes se subiram imenso por um lado muda o teu livro e por
[56:16] outro lado não mundo não sei de repente começamos a ver valas
[56:19] comuns e começamos a ver morgus que não em que não cabe ninguém
[56:23] e imagens de outros países em que as covas têm se calhar
[56:28] trinta centímetros entre cada uma sim por um lado espero que
[56:32] compras o teu deadline mas preocupado com estas questões
[56:36] que já agora é nós estamos muito como sempre aliás eu acho que as
[56:40] pessoas deviam gostar mais do sítio onde vivem porque as
[56:45] coisas não são ideais aqui não é quando eu digo aqui em portugal
[56:49] mas nós olhamos lá para fora olá nós não temos valas comuns em
[56:52] portugal não é nós não temos hospitais ajudará pelas costuras
[56:56] e e quatrocentos mortos por dia como ao mortos na rua como os
[57:01] países da da da américa se nós mas para todos os efeitos pa
[57:06] darmos num sítio em que coisa está vou dizer isto entre muitas
[57:11] aspas correr bem porque paramilitar de famílias a coisa
[57:14] não correu bem não é porque perderam pessoas não é mas mas
[57:19] tendo em conta o panorama mundial isto aqui não está a
[57:22] correr nada mal enfim não sou não sou alarmista mas também não
[57:27] sou desleixado seja eu acho que a responsabilidade das pessoas
[57:31] está de parabéns temos feito a coisa certa salvo duas outras
[57:36] secções mas eh pá também nada de problemático eu acho que as
[57:40] nossas entidades governamentais estão a trabalhar lindamente
[57:44] dentro do contexto quer dizer há há falhas sempre como é óbvio
[57:48] especialmente com um vírus que é altamente é de contágio elevado
[57:52] e altamente imprevisível e pode estar em qualquer lado e e a
[57:57] pessoa que não tem sintomas pode ter aquilo eh pá é altamente
[58:00] tenebroso isto é e eu acho que dadas as circunstâncias nós nós
[58:06] estamos bastante bem comparando com com outros sítios falando do
[58:10] livro concretamente não é uma coisa que vá afetar por aí além
[58:13] o livro é óbvio que vou falar disto mas também não tem de ser
[58:16] o centro de uma palavra com vida parece mas não várias vezes
[58:19] exato até porque a um é uma coisa que eu tenho pensado com
[58:23] alguma frequência para o livro em concreto que é é evidente que
[58:28] isto é importante e eu posso mencionar esta coisa não é este
[58:32] este este esquema estranho em que nós vivemos mas ao mesmo
[58:37] tempo o livro não é sobre um vírus do livro sobre a morte no
[58:41] geral não é é sobre a morte que é uma coisa imortal e o vírus se
[58:43] calhar é não é exato e e o vírus é uma coisa é quase datar isto
[58:48] não é é quase é quase como falar da morte no no onze de setembro
[58:54] é óbvio que nós não nos esquecemos do onze de setembro
[58:56] mas o onze de setembro foi a dezanove anos não é o livro é
[59:00] uma coisa um bocadinho mais universal acho eu e e intemporal
[59:04] sim também e acho por isso acho que não vai ser assim muito
[59:07] afetado por isso eu tenho até evitado falar escrever sobre
[59:12] sobre o vírus eu acho que eventualmente vai ter de
[59:14] acontecer mas não é uma não é uma coisa central nem nada para
[59:20] além de terminar a queria que só que me lembrasses quando é que
[59:24] as pessoas vão poder ter o melhor livro que escreveste com
[59:28] o melhor título que já tiveste e pronto aquelas informações mais
[59:33] concretas ele é a hora de de de esforçares para ser não um
[59:39] escritor jornalístico mas um publicitário mas tu tá o k o k
[59:44] então este ordinário livro não estou para aqui dizer isto ele
[59:47] vai expectativas e depois isto pode ser uma pode ter se pode
[59:50] ser só bom para mim mais nada disto mil de livro exato deste
[59:53] humilde livro em teoria até porque estas coisas neste
[59:57] contexto mudam não é houve muitos livros que foram tiveram
[1:00:01] lançamento adiado não é que iam ser lançados em abril em março e
[1:00:05] foram adiados para o final de maio e alguns nem isso alguns
[1:00:10] até para o segundo semestre mas enfim é que está planeado é que
[1:00:14] o livro de sair em por volta de outubro por uma chancela da
[1:00:19] vinte vinte editora ia ser encontrado à venda em todas as
[1:00:24] livrarias abertas do país e online então vai ser só em papel
[1:00:29] vai ter versão ebook o audiobook por exemplo nada disso está
[1:00:33] definido ainda nada disso está definido talvez a partir de
[1:00:38] julho agosto haja novidades em relação a isso acho que ficava
[1:00:41] bem por exemplo dar as vozes esse teu livro eh pá a minha voz
[1:00:45] não é assim tão boa ela parece boa mas tem qualquer coisa tem
[1:00:49] qualquer coisa de fanhoso que não me agrada e é pa para todos
[1:00:53] efeitos eu posso pode sempre escolher uma voz boa para ler
[1:00:56] isto mas eu acho que a minha não qualquer coisa também já leste
[1:01:01] daqui uns artuzinho exato é audiobook disponível eu é o que
[1:01:07] a esse exato estes dois parágrafos disponíveis para os
[1:01:10] ouvintes e pronto olha muito obrigada nelson obrigado eu como
[1:01:13] sempre pelo convite para a semana um novo episódio da série
[1:01:17] a quarentena dos escritores para não perder segue o ponto final
[1:01:20] parágrafo nas redes sociais e subscrevo podcast na aplicação
[1:01:24] onde estás a ouvir até lá as sérvia ma

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