# Dizer - Portugal foi poesia quando não sabia ser outra coisa

An episode of [Ponto Final, Parágrafo](https://invisiblenetwork.ai/podcast/1446064267), 25 Apr 2020, 8:04.

Audio: https://anchor.fm/s/80a352c/podcast/play/12906439/https%3A%2F%2Fd3ctxlq1ktw2nl.cloudfront.net%2Fproduction%2F2020-3-25%2F67583274-48000-2-5a44b470e467d.mp3

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## Transcript

[0:00] muitos não sabem mas foi mais ou menos desta forma numa cabine
[0:04] com um microfone nos estúdios da renascença que leite de
[0:07] vasconcelos leu a primeira estrofe de grândola vila morena
[0:10] que precedeu a emissão da música de josé afonso a primeira senha
[0:14] da revolução e também há quem não saiba que entre a primeira
[0:18] senha e a segunda a música coro da primavera leite de
[0:22] vasconcelos leu poesia a poesia sempre foi uma das armas mais
[0:28] poderosas em portugal a poesia sempre serviu o propósito de ser
[0:32] mais mais do que palavras mais do que rimas a poesia foi mais
[0:37] do que um país pode pedir seria incensado dizer que sem a música
[0:42] de josé afonso a revolução não teria acontecido mas eu nunca
[0:47] fui um homem de sensatez sem poesia não teria havido
[0:51] revolução sem poesia não teria havido força para enfrentar um
[0:55] regime que corrompeu portugal sem poesia ninguém se
[0:59] contentaria em travar uma revolução com um cravo ao peito
[1:04] a poesia é a maior prova da nossa verdadeira essência
[1:09] enquanto país portugal foi poesia e naquele que me couber
[1:13] continuará a ser sempre o episódio de hoje vai ser
[1:18] especial de seguida vou dizer o poema cor da primavera de josé
[1:22] afonso e logo depois ouviram a magda cruz host do podcast ponto
[1:26] final parágrafo e com quem eu dizer tem travado uma parceria
[1:30] nesta quarentena cobre de canalha na mortalha hoje o rei
[1:36] vai nu os velhos tiranos de há mil anos morrem como tu ou abre
[1:41] uma trincheira companheira deita-te no chão sem para a tua
[1:45] frente visto gente de outra condição era que te ao sol de
[1:49] verão somos nós os teus cantores da matinal canção ouvem-se já os
[1:54] rumores ouvem-se já os clamores ouvem-se já os tambores livra-te
[1:59] do medo que vem cedo a dia o sol queimar e tu camarada põe-te em
[2:04] guarda que te vão matar venham lavradeiras mondadeiras deste
[2:09] campo em flor venham em laçadas de mãos dadas semear o amor era
[2:14] que te o sol de verão somos nós os teus cantores da matinal
[2:19] canção ouvem-se já os rumores ouvem-se já os clamores ouvem-se
[2:23] já os tambores venha a maré cheia deu uma ideia para nos
[2:28] empurrar são um pensamento no momento para nos despertar aí a
[2:34] mais um braço e outro braço nos conduz irmão sempre a nossa fome
[2:40] nos consome dá-me a tua mão orkut o sol de verão somos nós
[2:48] os teus cantores da matinal canção a grande noite acabou há
[2:53] quase cinquenta anos a liberdade conheceu se de rompante no nosso
[2:58] retângulo mas também na bota da europa em itália o fascismo caiu
[3:03] neste dia inicial inteiro e limpo de sofia aqui deixaram de
[3:07] haver pensamentos apontamentos e lamentos escondidos com as
[3:11] rádios a distribuir senhas pelo ar não ganhamos só espaço para
[3:15] fazer o que quisermos não ganhamos nada conquistamos nunca
[3:20] que estamos nada alguém que estou a liberdade por nós para
[3:25] nós alguéns mais simples e com problemas diferentes a liberdade
[3:30] é uma palavra feminina mas as mulheres estavam atrás nas
[3:33] vitórias e em muitos países ainda estão mas agora minha
[3:37] pequena somos todos livres de dizer que amamos alguém que
[3:41] preferimos outra coisa que defendemos uma ideia livres de
[3:46] trabalhar viajar opinar escrever e dizer em voz alta que nos bem
[3:51] no alto da cabeça a minha mãe a minha mãe em liberdade quem me
[3:56] criou foi criada no dia dos escravos por entre barulhos que
[4:00] não ouvimos agora ou eram silêncios agora se iniciou uma
[4:04] escolha e não uma necessidade é urgente bebermos do que diz quem
[4:09] viveu os tiros contra o quartel do carmo quem caminho mais
[4:12] depressa que as a e mitos que distribuiu flores vermelhos por
[4:15] entre tanta gente vestida de igual se a revolução fosse agora
[4:20] era mais colorida que importa isso o que importa é enchermos
[4:24] de abril lembrar que abril traz chuva chuva de água também chuva
[4:29] de cravos e de vontades colhe o que quiseres porque podes e para
[4:34] fechar o episódio bónus de hoje grândola vila morena de josé
[4:39] afonso é
[5:20] é grândola vila morei na terra da fraternidade o povo é quem
[5:33] mais ordeiro na dentro da ti a cidade entra to cidade o
[5:47] problema quem mais ordena é verdade grândola vila mulher
[6:13] em cada esquina um amigo em cada rosto igualdade um grândola vila
[6:26] mury na a da fraternidade terra da fraternidade jander vila
[6:42] amorim não ai o povo é quem mais onde é não a sombra do mazinha
[7:08] era que já não seria a idade jurei ter por companheira hã
[7:22] quando lá tua vontade grande lato à vontade acompanhar a
[7:40] sobre a damásio já não sabia é

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