# Episódio 71 - Maria Francisca Gama: “O que me levou a escrever sobre o Rio de Janeiro tem que ver com as leituras que faço. Leio muitos autores brasileiros e gosto muito da língua, de como soa”

An episode of [Ponto Final, Parágrafo](https://invisiblenetwork.ai/podcast/1446064267), 27 May 2024, 51 min.

Audio: https://anchor.fm/s/80a352c/podcast/play/87237294/https%3A%2F%2Fd3ctxlq1ktw2nl.cloudfront.net%2Fstaging%2F2024-4-26%2Fa448f33d-e72e-6dbb-54da-680efdc3cc58.mp3

Com 26 anos, Maria Francisca Gama leva quatro livros publicados em nome próprio, incluindo “A Cicatriz”, editado este ano pela Suma de Letras. Em entrevista a Magda Cruz, revela detalhes da escrita deste mais recente romance e de como um outro manuscrito ficou na gaveta com o aparecimento desta história que se passa no Rio de Janeiro, no Brasil. No “Ponto Final, Parágrafo”, Maria Francisca Gama fala da evolução da escrita, de próximos livros, da interação com os leitores e ainda sobre os objetivos do Clube das Mulheres Escritoras. Faz ainda parte do Clube das Mulheres Escritoras Filipa Amorim: https://www.clubedasmulheresescritoras.com/ Considera contribuir no Patreon para ter acesso a episódios bónus, crónicas e novas rubricas: patreon.com/pontofinalparagrafo Contacto do podcast: pontofinalparagrafo.fm@gmail.com Segue o Ponto Final, Parágrafo nas redes sociais: Instagram, Twitter e Facebook Produção, apresentação e edição: Magda Cruz Genérico: Nuno Viegas Logótipo: Gonçalo Pinto com fotografia de João Pedro Morais Música: The Gran Dias, Blue Dot Sessions

## Transcript

[0:10] Ponte final, parágrafo. Olá,
[0:25] meu nome é Maque da Cruz e se bem -vindo e bem
[0:26] -vinda ao Ponte Final Parágrafo para os amigos, a
[0:30] Maria Francesca Gama é um bicho de mato e para quem
[0:32] não o conhece pode parecer nova demais para escrever
[0:35] livros. Costa, que gosta de uma
[0:37] joalvesquinha com uma boa companhia de dançar e de
[0:40] cantar, trocou o Escritório da Advocacia pela Escrité
[0:43] de Livros, vive entre Londres e Lisboa, quanto a
[0:46] Livros publicou em Troca de Nada, em 2013, Madalena, em
[0:50] 2015, mais recentemente a Profeta e participou no
[0:55] livro Novo Contos Não Tradicionais de Natal em
[0:58] 2022 e a cicatriz em 2023. Diz
[1:02] que escrever a cicatriz deixou de alguma forma uma
[1:04] cicatriz por toda a pesquisa que fez, incluindo
[1:07] na Dark Web e em canais de YouTube, isso porque
[1:10] quis escrever um romance com verdade e diz que a
[1:13] verdade é uma coisa feia. Neste
[1:14] episódio vamos falar sobre a cicatriz, cuja personagem
[1:18] principal está desde aquele dia fatídico no processo de
[1:21] aprender a morrer e ainda de um trio de livros,
[1:25] incluindo um de uma voz brasileira escrita que a
[1:29] Maria Francisca diz que lhe soa a canto. Bem
[1:32] vinda. Obrigada. Que tal introdução não
[1:34] elogiosa? Custei muito as minhas preferidas.
[1:39] Vamos falar desse teu humor,
[1:40] vamos falar sobre esse teu humor neste episódio, mas
[1:43] olha. Já és patrono ou patrona do
[1:46] podcast? No Patreon tens vantagens ao
[1:49] contribuir para o pote final parágrafo. Ao
[1:51] fazer parte da comunidade ativa do podcast, tens
[1:54] acesso à informação em primeira mão e habilitas a
[1:57] ganhar um de três livros do group play todos os
[2:00] meses. Considera fazer uma contribuição?
[2:03] Descobro como na descrição. Tens
[2:07] 26 anos agora, 27 em outubro. Exatamente.
[2:10] Tens 26 anos e quatro livros publicados. Já
[2:13] descendo escritora? Depende dos dias, ou seja, eu acho
[2:16] que para os outros, sou escritora, até porque é
[2:19] isso que eu faço e é isso que me ocupar a maioria do
[2:22] meu dia e portanto eu acho que nós somos aquilo que
[2:24] nós fazemos, a partir de certa altura, em termos do
[2:27] título que lhe demos. Agora,
[2:30] para mim, principalmente enquanto leitora, é muito
[2:33] difícil dizer que sou escritora porque eu leio
[2:36] livros muito boas na maioria das vezes. De
[2:39] grande maioria, não é? Sim, livros melhores do que
[2:41] aqueles que eu escrevo e portanto sinto sempre que
[2:43] eu... Também é bom o sinal. Sim,
[2:45] sim, sim. A sinal que há boas coisas
[2:46] aí fora. Sim, e é sinal que há caminho
[2:48] para percorrer e portanto depois de ler obras que
[2:53] adoram e que realmente sinto que contribuem muito
[2:56] para a literatura do século XXI, fico sempre com alguma
[3:01] vergonha e com algum poder de dizer, ah, sou colega
[3:05] aqui deste escritor. Só o que é que costuma dizer
[3:08] sobre as colegas, né? Sim, pois... O
[3:11] colega também não sabe o que dizer. Estou
[3:12] brincando. Mas ia pegar e estava a dizer,
[3:15] há caminho para percorrer portanto em 2022 para
[3:17] publicar esta profeta. Sentes
[3:19] que evoluiste desde aí para a cicatriz do teu mais
[3:22] recente livro. Sim, a cicatriz cheio em 2024.
[3:25] Não sei se foi eu que... Fui
[3:26] o que disse em 2023, não sei. Não
[3:27] me recordo. Não tenho certeza se tudo cesta
[3:30] ou se eu ouvia mal, mas cheio em 2024 em fevereiro.
[3:34] Sim, sinto que evolui acima de
[3:37] tudo porque, tendo sido a publicação da profeta em
[3:40] 2022, o livro não foi escrito em 2022, foi
[3:43] escrito antes disso. Óbvio mesmo. Foi
[3:46] escrito aliás, meritariamente em Buenos Aires, no quarto
[3:48] ano do meu curso de direito, em que tive a
[3:52] oportunidade de estar lá a viver e a estudar durante
[3:54] seis meses e portanto... Mas
[3:56] a Constituição e escrevi as literaturas. Sim,
[4:00] li a pouca Constituição, que o Erasmus foi assim,
[4:04] especialmente facilitado. Mas sim, foi uma altura em que
[4:08] escrevi muito e claro que escrever um livro aos 20
[4:11] anos, creio eu 21, quando terminei, aos 21 anos já
[4:15] trabalhava no Escritório dos Devogados, e escrever um
[4:18] livro, o ano passado, com outras vivências já a
[4:22] trabalhar em casa há um momento, são experiências
[4:24] completamente diferentes, que depois também creio eu
[4:27] imprimo em, essas experiências imprimo -se no
[4:29] livro e nota -se uma melhoria de uns caras. É
[4:34] o que dizem que há uma evolução entre os dois e
[4:37] lá está a caminho para procurrer. Ou
[4:39] seja, entre esses dois livros há dois anos de
[4:42] diferença. Já pensaste no caminho
[4:45] literário, queres fazer -se, se queres ter livros dois
[4:49] em dois anos, o João Tordo, vamos falar dele,
[4:51] invitavelmente, ter um livro, que é o que é o
[4:53] que é o que tem um livro cada ano, não é? Já
[4:55] pensaste nisso? É, já, ou seja, claro que à
[4:59] medida que o tempo vai passando e determinadas
[5:02] metas vão sendo duetigidas aqui, mas por parte no
[5:05] sentido da editora é que se preocupa com isso, não
[5:07] sou eu, eu preocupo em escrever e em não entregar
[5:11] livros que eu acho que não são melhores do que que eu
[5:14] escrevi entreguei, mas naturalmente há um desafio
[5:18] de escreve, vamos tentar publicar, vamos, queremos
[5:22] ler mais coisas, vamos a isto, porque as coisas vão
[5:26] correndo bem e claro que há essa expectativa. Agora,
[5:29] aquilo que o João Tordo faz é admirável e também é
[5:34] sinónimo, creio eu de uma vida, pelo menos agora, de
[5:40] abdicação de um conjunto de coisas para se desicar a
[5:42] exclusivo à escrita. E enquanto uma, enquanto
[5:46] pessoa que também escreve, a verdade é que aquilo que
[5:50] ele faz é muito admirável, mas também, para mim é
[5:54] muito assustador, porque é muito tempo fechado para
[5:59] chegar a um produto final e quando esse produto final
[6:02] é tigido, tem de se começar a fazer outro e eu
[6:04] talvez pela diferença de idade, de idades que eu e
[6:08] o João temos, estou numa fase da minha vida que sim
[6:11] quer escrever, sim escrevo todos os dias, mas não
[6:14] posso assumir nem para comigo, nem para os
[6:17] leitores, o compromisso de publicar um livro por ano,
[6:20] em primeiro lugar, porque não tenho, o meu trabalho
[6:23] não está tão bem aliado, como é óbvio, quanto o
[6:25] João, portanto, se o que ele sente e começa a
[6:28] escrever uma história e tem as ferramentas necessárias
[6:31] para, mesmo que não esteja a correr bem, dar a volta
[6:33] e acabar com um grande livro, eu ainda não estou
[6:37] aí e portanto, muitas vezes aquilo que escrevo é uma
[6:40] percaria, não serve para nada, vai para o lixo e
[6:42] esse processo de recomeçar o tempo vai passando e
[6:45] para além disso, acho que também estou numa fase em
[6:47] que tenho de viver e por isso não sei quando é que
[6:51] sai o próximo livro, talvez até saia no próximo ano,
[6:53] aqui a questão é que não quero impor prados, nem
[6:57] quero dizer que vou publicar daqui a esse
[6:59] tempo, até porque acho que a carreira não se faz de
[7:03] uma publicação constante, acho que a carreira faz -se
[7:07] de cada vez que se publica publicar -se coisas melhores,
[7:10] o João consegue coincidir as duas coisas, mas há
[7:13] muitos escritores que nessa preça ou porque vem de um
[7:16] sucesso literário, publicam qualquer coisa a seguir e
[7:20] é um grande falhanço e os leitores não perdoam,
[7:22] perdoam só a primeira vez que compram ou enganem e
[7:24] depois não perdoam mais, eu não quero que os leitores
[7:26] fiquem aborrecidos. Desculpa uma pergunta, se calhar já
[7:29] estou a avançar demais, mas deste meu ideia é que
[7:33] estás a trabalhar num manuscrito, é isso? Sim,
[7:35] sim, sim, estou. Não sei se foi a sua decisão,
[7:39] mas há uma coisa. Não, mas os escritores estão a
[7:42] sempre a trabalhar. Sim, eu tenho escritos de outras
[7:45] coisas para além de livros, mas estou a escrever um
[7:47] livro ainda... Inclusive um guião de televisão? Sim,
[7:52] exatamente sim, que está agora em análise no ICA e
[7:57] a verdade é que eu estou a escrever um livro que
[8:00] pode perfeitamente nunca ver a luz do dia e se
[8:04] aconteceu o ano passado, no início do ano eu tinha
[8:06] mais de metade um livro escrito que felizmente tive
[8:10] a sobriedade de perceber que não era um bom livro
[8:15] e guardei -o na gaveta para o reescrever daqui a uns
[8:17] anos, talvez, e coincidia... o
[8:20] período histórico coincidia com a Revolução do
[8:22] Gonçalves, portanto eu fiquei muito aliviada e
[8:24] contente de ter tido essa sobriedade de não querer
[8:28] publicá -lo porque eu já li o Revolução, é um livro
[8:31] muito bem escrito, uma construção narrativa que não
[8:35] há assinada, é impecável, e ter me embarassado muito,
[8:40] termos publicado ao mesmo tempo um livro que se
[8:42] passava mais ou menos no mesmo período histórico e é
[8:45] nesses dias que eu fui com a orgulhosa de não ter
[8:48] pressa. Ter feito uma boa análise. E
[8:50] é aí quanto põe esse manuscrito de lado na
[8:54] gaveta que surge a cicatriz, que começas a
[8:56] escrever ou esses manuscritos que existiram?
[9:00] Não, foi mais ou menos assim,
[9:02] eu escrevi e senti tal páginas do outro livro e
[9:06] que tinha título, chamava -se Graças a Deus, um
[9:11] título que também todas as pessoas com gay partilhados
[9:13] disseram que não era um bom título, mas era o
[9:15] título. A permissa tinha a ver com
[9:17] divindades e Deus? Não, tinha que ver com, era
[9:22] baseada na história de amor dos meus avós, que tem um
[9:26] bocadinho de verdade, mas também tem muita mentira,
[9:28] porque é um traço do discurso da minha avó, que
[9:31] inventa muito e então eu não sei bem o que é
[9:33] verdade, o que é que não é, mas supostamente os meus
[9:36] avós conheceram sem lamego há muitos, muitos anos e o
[9:40] meu avô estava no seminário e a minha avó estava no
[9:43] convento e eles fugiram, passados alguns anos e
[9:48] casaram -se já nas caldas da Rinha e o meu avô e a
[9:50] minha avó durante anos e anos não tiveram contacto
[9:53] nenhum com as famílias deles, porque o meu avô
[9:56] foi expulso, digamos assim, da sua família, porque era
[9:59] o filho que seria padre e como não quis para casar
[10:05] com a minha avó, que ainda persimera muito pobre, a
[10:08] família que brou os laços que tinham com eles. E
[10:13] anos mais tarde, há cerca 10 ou 15 anos, a minha
[10:15] mãe através do Facebook conseguiu chegar ao contacto
[10:18] com primos e tudo mais e portanto eu estava
[10:20] escrevendo um livro sobre isto e achei que graças a
[10:22] Deus era um... Porque era uma reunião graças a
[10:25] Deus? Sim, uma prova do meu sentido
[10:26] humor, mas entretanto o livro não tinha aquele que
[10:31] eu acho necessário. Ou tinha força? Sim,
[10:32] sim, sim. Talvez com outra maturidade daqui
[10:34] a uns anos... Rescreva as pegas no tema do...
[10:38] Sim, porque eu gostava de
[10:39] oferecer isso aos meus avós, eles são muito
[10:42] queridos e são apoiantes, muito atentos do meu
[10:47] trabalho e eu sei que eles gostam muito da história
[10:49] deles e contando muitas vezes, como a maioria dos
[10:51] avós faz, e eu gostava de deixar isso para eles verem
[10:55] vida, mas pronto, se não virem ver, veem outras
[10:58] coisas. Então surge a cicatriz? Sim,
[11:01] exatamente. Depois de fazer esse exercício e
[11:03] de perceber que o livro não era bom e que a
[11:07] continuação da história era um arrastar da minha
[11:10] dificuldade em dizer que tenho que começar de novo,
[11:12] fui para o Rio de Janeiro, fazer uma viagem e com a
[11:17] mala terrae percebi que queria escrever qualquer
[11:22] coisa, que lá se passasse e depois comecei a escrever
[11:24] a cicatriz quando o regressei e pronto, e
[11:27] depois é assim uma névoa que já não me recordo
[11:29] muito bem e de repente o livro estava escrito. As
[11:31] paisagens impeliram -te a escrever? Sim,
[11:35] eu já tinha estado no Rio de Janeiro e acho que é
[11:39] uma cidade muito, muito, muito bonita e tem, eu
[11:43] odeio esta expressão da luz própria, quando as pessoas
[11:45] dizem que tem luz própria. Tem
[11:46] matéria? Sim, é uma cidade que tem muita
[11:49] personalidade e tem tanta personalidade e é tão única
[11:54] e tão autêntica que existe por si só. A
[11:56] cidade podia não ter ninguém e continuava a ser
[11:59] uma cidade com vida e eu acho que isso é muito
[12:01] interessante e não acontece em muitas cidades. Sim,
[12:04] inspirou -me muito. É isso, acho que sim. Vais
[12:07] voltar? Vou, vou, vou, em dezembro deste
[12:10] ano. É Ludmell? Não,
[12:13] não. Eu bem tentei, mas fui
[12:16] convidada a conhecer outras partes do mundo, que eu
[12:19] também acho que é muito importante e também tenho
[12:20] muito gosto em ir a outros sítios, mas realmente o
[12:24] Brasil tem o meu coração e custava muito de viver uma
[12:27] temporada lá. Tens até no teu livro uma
[12:30] expressão que representa aquela ideia de é melhor
[12:35] não voltar aos sítios em que fomos felizes, não é
[12:38] algo de gênero? É um ditado assim. Sim,
[12:40] acho que é um ditado. A relação é que tens com o
[12:42] Rio que te levou a escrever este romance. Eu
[12:46] acho que o que me levou a escrever, é ter a ideia de
[12:51] descrever sobre o Rio de Janeiro e no Rio de
[12:53] Janeiro e tudo mais, tem que ver com as leituras
[12:57] que faço. Eu leio muitos autores
[12:59] brasileiros, gosto muito da língua do português do
[13:04] Brasil, como nós dizemos cá. Eu
[13:06] desculpe, eu toquei aqui no microfone. Eles
[13:08] dizem o brasileiro, nós dizemos português do Brasil.
[13:11] Eu gosto muito da língua de
[13:12] como sou, de como é escrita, da forma como
[13:15] pontulam e senti sempre ao ler autores brasileiros que
[13:22] de alguma maneira eles estavam no outro lugar, que
[13:26] nós, autores portugueses, não sei se já estamos,
[13:29] descreverem para os leitores e não para a crítica. E
[13:34] é uma escrita mais despida, mais descontraída, que não
[13:37] tem receio de ofender, de magoar, de não estar
[13:41] perfeita, de não estar polida. E
[13:43] eu gosto disso porque acho que é assim que as pessoas
[13:45] falam e é assim que as pessoas existem e esse
[13:48] género de escrita aproxima os leitores do livro e
[13:52] falos perceber, porque acho que a literatura que é
[13:56] escrita para um nicho é muito válida, mas não é
[14:01] aquela que eu leio, na maioria das vezes, apesar
[14:04] de provavelmente até poder entender, porque leio muitos
[14:06] livros e portanto isso capacita -me supostamente
[14:09] para ser leitora desse género de livros, mas
[14:12] também não é a literatura que eu, primeiro lugar,
[14:15] acho que consiga escrever e, segundo, queira escrever.
[14:18] Eu quero escrever livros para
[14:19] todos, que as pessoas leiam e gostem e percebam e acho
[14:23] que os brasileiros estão muito mais nesse lugar do
[14:26] que nós. Mas sentes que em Portugal a
[14:28] alma tem de se descrever para a crítica? Não,
[14:30] eu também não quero fazer essas afirmações tão
[14:32] polêmicas, depois é isso que vai para a comunidade
[14:34] culturiar, não é? Entrascas? Não sabes porque eu estou
[14:36] sempre a caça do título, estou aqui e olho para o
[14:38] tempo em que dicesse certa frase. Não,
[14:40] não. Não sei. Não,
[14:41] mas eu estava a dizer que os brasileiros escrevem esse
[14:45] encanto para si, para os leitores e depois em
[14:49] Portugal temos uma pequena apreensão, é isso? Sim,
[14:53] eu acho que os brasileiros escrevem como falam e eu
[14:57] acho que há quantos escreve, como se fala é
[15:00] considerado uma escrita pouco cuidada e de um
[15:04] alturme menor e acho que é só isso o ponto, ou seja,
[15:08] para a comunidade culturiar -te. Portão.
[15:11] Os brasileiros escrevem como falam e a Carla Madeira é
[15:16] um exemplo disso e é a altura mais vendida no
[15:19] Brasil e é uma altura que tanto é a lida pelas
[15:23] pessoas com menor escolaridade, acredito eu
[15:26] pelo menos tendo a contar aquilo que vou vendo, que
[15:28] ela partilha também das reviews e tudo mais
[15:30] brasileiros, é a lida por toda a gente, vamos dizer
[15:34] assim que é mais brasileiro, é a lida por
[15:36] toda a gente e depois também é ilugiada pela
[15:39] crítica na Folha de São Paulo. K,
[15:41] um escritor escreve como se fala é mais difícil, diria
[15:47] eu, ser ilugiada pela crítica, ainda que talvez
[15:49] seja mais apreciado pelos leitores porque o entende
[15:52] melhor. Fim de citação. Fim
[15:54] de citação. Foi muito grande. Foi,
[15:56] foi. Eu depois dou um jetinho, não
[15:57] te preocupes, a ponta é aqui, vim aqui um lápis.
[16:01] Um dos livros que trouxeste é
[16:02] precisamente um da Carla Madeira, é o Véspera, que
[16:07] também aparece no teu livro em certo momento, não é?
[16:09] Era uma pequena citação,
[16:10] portanto isso prova o quão estás imbuída nessas
[16:15] leituras para escrever. Sim, eu quis na profeta, na
[16:20] profeta que provava -se, que eu quis na cicatriz, bem,
[16:22] o que vale que fui eu que escrevi, os dois. Pois
[16:24] não foi um título de outra pessoa. Sim,
[16:28] eu quis na cicatriz homenagear de alguma maneira
[16:32] as minhas referências e aquilo que me influenciou a
[16:36] escrever. E portanto ao longo do livro
[16:37] há várias passagens do Véspera, da Carla Madeira,
[16:41] da vista chinesa da Tatiana Salem Levy, o avés da
[16:46] Peldos, Efron Trenório e outros que agora não me
[16:50] recordo. E o Véspera é, sem dúvida
[16:53] dos três livros que a Carla publicou, o meu
[16:56] preferido, pela premissa e pela forma como começa.
[17:00] Acho que um livro que, na
[17:02] primeira página, nos conquista é um livro
[17:05] vencedor. E não sei se queres que
[17:07] partilhe. Sim, podemos ir já aí. Qual
[17:10] é que é assim então a premissa? Então,
[17:12] o livro começa com uma mãe que está a conduzir e no
[17:15] banco de trás vai uma criança e estão ao caminho
[17:17] da escola. E a criança, como a maioria
[17:19] das crianças que ainda anda numa cadeirinha, está
[17:23] insportável de falar, de gritar, de chorar, o que
[17:25] seja. E então a mãe, num ato de
[17:28] desespero de casar de sustento, para o carro, sai
[17:31] do carro, tira a criança da cadeirinha e deixa a
[17:35] beira da estrada. E avança, mas ela está em
[17:38] trânsito, está cansadíssima, escutada. E
[17:40] quando se apercebe que a filha não está dentro do
[17:43] carro, fica em pânico, acabou de abandonar a filha
[17:46] e não foi de propósito, foi um ato irrefletido. Só
[17:49] que está no meio do trânsito do Brasil, não
[17:52] consegue voltar atrás e quando dá a volta ao
[17:55] quarteirão para apanhar a filha, ela já lá não está.
[17:58] E é assim que começa a... E
[17:59] começa aí a aventura... E depois é uma... É
[18:03] uma narrativa alternada, tem alguns anos de diferença e
[18:08] então acompanhamos, em determinados capítulos,
[18:11] acompanhamos esta procura e a assumção de
[18:14] responsabilidade da parte de uma mãe que está agotada e
[18:17] depois acompanhamos a vida dela anos antes e do Abel
[18:22] e do Caim, que são dois nomes muito curiosos. Deus
[18:24] gêmeos? Sim, dois gêmeos, que um deles
[18:28] é o marido desta que é nos mais tarde abandonar a
[18:32] filha. É uma narrativa alternada,
[18:34] muito bem escrita, muito, muito bom. Vamos
[18:39] apontar o nome porque ficamos com a vontade de
[18:42] ler. Deixem -me voltar aqui um bocadinho
[18:44] atrás porque os leitores que leram o teu livro, a
[18:50] cicatriz neste caso, que vamos focar nos nele, dizem
[18:53] que o leram num sopro e que é um morro no
[18:55] estômago, falam até em desconforto. Há
[18:57] muitas pessoas em críticas reviews, ou seja, são
[19:02] equivalentes às palavras, mas não é crítica como
[19:05] publicada no Jornal Público ou nos preços. Mas
[19:09] enquanto te escrevi, a exunção de que ia ser
[19:10] recebido assim, com desconforto? Pode
[19:14] ser uma coisa boa, não é? Sim,
[19:16] eu acho que é uma coisa boa. E
[19:19] eu já disse isso muitas vezes e direi tantas
[19:22] quantas me darei a oportunidade de dizer. Eu
[19:24] acho que a arte tem um papel muito importante e
[19:28] muitas vezes está sempre muito expressado porque é
[19:30] confundido com o entretenimento. Na
[19:33] arte há espaço para o entretenimento, mas a arte
[19:35] não é sinónimo de entretenimento. A
[19:36] arte tem muita coisa e pode ter muito sentimento
[19:41] entre eles, o desconforto, os sentimentos, barras e
[19:46] sensações, o desconforto, o medo, a repulsa, tudo isso
[19:50] faz parte. Eu acho que muitas vezes,
[19:53] principalmente na televisão, agora nas plataformas de
[19:57] streaming, antes de começarmos a ver qualquer
[19:58] coisa, tratam -nos, peço desculpa pela expressão, mas
[20:02] não se preocupam com estúpidos, porque aparece no
[20:03] canto superior esquerdo, aquele que vamos ver tem
[20:06] violência, que tem suicídio, que tem isto, que tem
[20:08] aquilo, e dizem -nos, ok, agora que sabes o que é
[20:11] que vai acontecer, estás pronto, queres ver, tensa
[20:13] certeza. Eu acho que é muito importante
[20:16] a ver esta preocupação com a sensibilidade dos outros,
[20:20] mas eu não contribuo para isso e eu acho que isso
[20:22] não faz muito sentido, tanto que foi pensada. A
[20:27] letra está em feito isso com o teu livro, não é
[20:29] algo positivo? Sim, eu não leve a mal, mas eu
[20:32] realmente acho que... Eu percebo que há as pessoas
[20:34] que ficam muito sensibilizadas e respondendo
[20:36] à tua pergunta, eu não estava à espera que tanta
[20:41] gente ficasse tão sensibilizada e que tanta
[20:44] gente gostasse, estou muito surpreendida com aquilo que
[20:47] me tem chegado, que tem sido honestamente até
[20:50] vacilador, e nem sei bem como reagir, pronto, aquilo
[20:55] que as pessoas dizem, fico contente, acho eu, e não
[20:57] sei muito bem lidar com estas coisas, mas acho que
[20:59] fico contente. Vai se aprendendo, se calhar.
[21:01] Sim, mas eu percebo que sejam
[21:04] um morro no estômago e respondendo à tua pergunta,
[21:09] se eu sabia que ia ser desconfortável para os
[21:11] leitores, sim sabia e fiz para que fosse
[21:15] desconfortável, e acho que isso é um lugar muito
[21:17] válido como qualquer outro, é ler um livro. Falando
[21:21] de uma coisa mais positiva, tens uma escrita aprejada
[21:23] do humor, na minha opinião, tem passagens engraçadas
[21:27] pela maneira como escrevi pelas palavras que empregas.
[21:29] Também é algo que os leitores
[21:31] ilugiam? Não, nunca ninguém me diz. É
[21:35] uma pessoa com muita piada e é muito subtil na
[21:38] leitura. Na vida, às vezes dizem...
[21:42] Dizem que não é divertida, dizes
[21:44] tu, mas és engraçada. Sim, não. Já
[21:48] tivemos aqui 20 minutos de conversa e partávamos de
[21:51] rijar. Não, acho que no núcleo familiar
[21:56] e de amigos, até sou engraçada. Agora,
[22:00] depende. Não te percebes desse humor que
[22:03] empregas? Não, eu acho que uso o humor
[22:05] para fugir ao desconforto público. Nas
[22:10] minhas apresentações, tendo sempre a fazer os leitores
[22:14] rirem, por exemplo, quando elege ou quando fazem uma
[22:17] pergunta, que eu não sei como responder, mando uma
[22:21] piada, como fazemos quase todos, quando estamos
[22:24] desconfortáveis. Nesta escrita, sinto que neste
[22:29] livro já consegui fazer um pouco isso, principalmente
[22:32] nos momentos em que isso era possível, num livro
[22:36] como a Cicadiris. Se não é um recurso que
[22:38] possas usar e abusar neste tipo de história? Sim,
[22:41] até porque eu acho que, pelo menos, eu tentei.
[22:44] Apesar de a história não ser real
[22:46] e não é ficção pura e dura, eu tentei que o
[22:50] livro fosse, tanto quanto possível, respeitador de
[22:54] alguém que o possa ler e tenha uma história real da
[22:58] mesma ímbolo. E, por isso, não pude utilizar
[23:01] assim muito humor, mas é uma área que eu gosto
[23:04] muito. Pode ser que, noutros títulos
[23:07] teus, possamos ver um bocadinho mais desse
[23:10] recurso. Mas você estava a falar dos
[23:12] leitores agora, mas recebe histórias de leitores que
[23:15] quiserem partilhar histórias deles depois de ler este
[23:19] livro? Sim, muitas, mesmo. E
[23:24] é isso que tem sido, mais difícil de gire, não por...
[23:30] Não, ou seja, de tudo que me
[23:34] estou a fazer de coitadinha te receberi, mas... E
[23:36] agradeço muito toda a confiança que te positam em
[23:39] mim, porque realmente eu não vou partilhar com
[23:41] ninguém e fico muito sensibilizada. Quase
[23:44] como um desbafo, não é? Sim,
[23:45] fico muito sensibilizada. É aquilo que eu digo que é
[23:49] difícil porque eu não sei o que responder e não sei
[23:52] o que é que as pessoas esperam, que eu responda a
[23:55] essa partilha, porque eu não tenho formação para
[23:58] responder a isso. E a única coisa que eu posso
[24:02] e desejo é que o livro, de alguma maneira, tenha
[24:05] feito passar um bom tempo. Que
[24:08] é isso que eu acho que também é um dos papéis da
[24:10] literatura, mas tenho recebido muitas partilhas e
[24:14] muitas, muitas, muitas mulheres passam por coisas
[24:21] similantes àquilo que a personagem principal passa e
[24:24] não é no Brasil, e eu não sei o que é que é em
[24:25] Portugal e pronto, é um problema do mundo. Sim,
[24:28] ainda posso marcar um pouco esta entrevista no tempo.
[24:31] Neste momento estamos a discutir
[24:34] na comunicação social, a misógenia, no Parlamento.
[24:37] Portanto, não é a mesma coisa, mas
[24:39] é um começo e é importante discutir isso. Estava
[24:45] aqui a pensar numa pergunta baseada no que estávamos a
[24:48] dizer, mas acabou de se me fugir e fumar -se no ar.
[24:51] Acontece muito. Estavas
[24:54] a ir às escolas e à clube de leitura. Estava
[24:58] aqui a pensar sobre se... como
[25:01] é que vais falar da cicatriz às jovens? Não
[25:04] vou, não vou. Aquilo que eu tenho feito, desde
[25:08] que a cicatriz chegou em fevereiro e que já foi a
[25:11] algumas escolas, eu falo apenas dos três primeiros
[25:14] livros. Acho que a cicatriz não é um
[25:16] livro para ser lido aos 15 anos, aos 18 ou 17. Claro
[25:21] que dependerá da maturidade e eu recordo de mim
[25:25] própria, muito jovem, a ler livros. Tu
[25:28] lerias este livro quando tens 15 anos? Sim,
[25:31] mas minha mãe deu -me a Lua de Joana aos 18 ou
[25:34] 19, porque eu já tinha devorado a coleção de uma
[25:36] aventura. Como é que a tua mãe é
[25:38] professora português, também percebe o que é que tu
[25:40] aguentarias? Sim, mas é verdade que me
[25:42] traumatizou durante muitos anos, pensei muito no livro
[25:46] e é responsável, por eu nunca ter experimentado
[25:49] sequer um chá reuninado de género, é a Lua de Joana,
[25:52] porque nunca tive coragem por causa de ter lido o
[25:55] livro numa idade muito jovem. Este
[25:58] é que vai ser o título. Nunca
[26:00] fomei um chá reuninado de Lua de Joana. Pode
[26:02] expor, pode expor. Já estou, convivado, já tenho.
[26:07] Então, claro que eu não posso
[26:09] peribir os mais jovens de ler a cicatriz e a verdade
[26:11] é que nas redes sociais eu sou seguida por pessoas
[26:14] mais jovens e elas podem sempre ir a alguma livraria
[26:17] e comprar o livro. Agora, depois, os pais não me
[26:20] podem enviar mensagens e dizer que eu atualmente
[26:22] dizem aos filhos e acho que é isso. Mas
[26:24] quando vais a Clubos de Leitura e as Colas, sentes
[26:27] que aprendes mais sobre os teus livros depois de estar
[26:31] -os naqueles momentos com os leitores? Sim,
[26:34] principalmente em Clubos de Leitura. Trazem
[26:37] visões diferentes? Sim, é muito engraçado e curioso
[26:42] como as pessoas, agora e recentemente no domingo, fui
[26:48] a um Club de Leitura no alentão interior e eram dez
[26:54] mulheres, as dez tinham leido o livro e as dez
[26:57] tinham desenvolvida -lhe uma teoria antes de eu chegar
[26:59] quando eu estava no carro. Por
[27:01] que que eu tinha escrito o livro e por que que tinha
[27:04] sido no Rio de Janeiro e não em São Paulo? Já
[27:07] vão além da leitura. Sim, explicaram -me tudo e eu
[27:10] disse, acho que uma teoria é ótima, mas não é
[27:12] verdade. Sim, eu aprendo muito e sinto
[27:16] aqui já nas Colas que o que tenho vindo a fazer é
[27:21] muito importante para vários jovens porque os permito
[27:27] sonhar e isso para mim é uma alegria. É
[27:30] isso. Mesmo que haja alunos a dormir
[27:32] na primeira fila? Ah, sim, não, e há sempre. Mas
[27:34] tu não é visita mal, não é? O
[27:36] pai, irrita um bocadinho. Ah,
[27:37] claro, claro. Eu fico sempre com bocadinho
[27:39] de vontade de ir lá e acordar, mas eu percebi. Eu
[27:43] era nerd e aborrecida na escola e queria estudar e
[27:48] adorava aprender coisas, mas eu percebo que muitas das
[27:52] vezes esses jovens estão cansados e não les apetece
[27:56] e faz parte. Mas o teu esforço de ir à
[27:59] escola se vai, batalha contra isso, contra os
[28:04] jovens que estão a dormir de manhã na escola. Sim,
[28:07] e também é um trabalho importante, refiri que eu
[28:10] sou paga, não faço por isso. Sim,
[28:12] sim, só porque eu não gosto de ficar com... Não,
[28:16] é justo, é remunerado. Sim, sim, é um trabalho, vou
[28:19] com muito gosto e... Mas faz parte de um trabalho
[28:23] pedagógico que você tem que ter com os crianças? Sim,
[28:25] faz parte de um trabalho pedagógico que eu acho que
[28:27] é muito importante e não podemos querer que as
[28:30] coisas mudem, cada vez os jovens leiam mais e depois
[28:32] recusar e ir às escolas, porque realmente às vezes
[28:35] não é tão divertido. Quando tu atras, faz parte e nota
[28:40] -se muito, e eu já percorri gente das itais escolas
[28:44] desde que tenho 14 anos. Eu
[28:46] consigo, apesar de preferir não fazer durante a
[28:49] entrevista, mas eu consigo dizer -te quais são as
[28:52] jornas do país em que há um investimento claro na
[28:55] educação, quais são aquelas em que não, quais são as
[28:58] escolas em que os professores ainda estão
[29:00] motivados apesar das mais condições de trabalho que
[29:05] têm e que continuam a of... Os
[29:07] professores de português continuam a ofrecer aos
[29:09] alunos várias opções para além do Plano Nacional de
[29:11] Leitura dos Livros Obrigatórios para os motivar
[29:13] para a leitura e quais é que são aquelas escolas em
[29:16] que os miúdos levam com os livros obrigatórios e os
[29:19] professores não fazem um trabalho adicional de os
[29:23] motivar para a leitura, mas não vou dizer nenhuma
[29:25] dessas coisas, mas isso, nota -se muito. Já
[29:29] soubesse que houve algum aluno a ler um dos teus
[29:32] livros para apresentar na escola? Ah
[29:34] sim, e acontece muito... A minha mãe é direitora de
[29:38] uma escola e quase todos os alunos apresentam os
[29:42] meus livros. Sério? Que muita falta de ouvir
[29:44] as lindas. A minha mãe já não dá aulas,
[29:47] é só direitora, mas as colegas dizem, mas mesmo
[29:50] quando a minha mãe dava aulas, a minha mãe estava
[29:53] sempre ligando, agujando, a dizer, os miúdos acham que
[29:57] se apresentarem o teu livro têm positiva a português,
[30:01] que é tão toco. Posso apresentar o livro desse
[30:03] meu filho? Não. É fofo por um lado, é
[30:06] fofo por um lado. Deixa -me voltar ao João Tôrdo,
[30:10] porque o João vê em ti uma escritora promissora,
[30:12] que está de resto na capa do teu profeta, do teu
[30:18] aprofeta. Como é que convives com estes
[30:21] elogios largos deste escritor tão conhecido na
[30:27] nossa jardim? Eu não peço. Eu
[30:32] nunca me lembro que ele disse isso. Não,
[30:35] nunca penso sobre isso. Gosto
[30:38] muito ele, fico muito lisongiada, fico muito
[30:41] lisongiada com cada encontro que temos. E,
[30:46] para além de considerar um escritor muito bom, acho
[30:49] que ele tem os cérebros mais criativos e melhor
[30:53] pensar antes deste país. Não,
[30:55] pouco falamos do Gonçalves, ele escreveu Rápido Peixe
[30:57] com o. Sim, e acho que são dois ótimos
[31:00] escritores, mas nunca penso nisso. Nunca
[31:05] mesmo já nem lembrava que ele tinha escrito isso, mas
[31:07] fico muito contenta. Então deixa -me ir por outro
[31:08] lado. O João entra na tua vida por
[31:10] causa dos livros. Já pensaste na importância que
[31:13] aquele prémio de escrita nacional ganhaste há muito
[31:16] tempo, que os prémios foi o livro Hotel Memória.
[31:20] Lembras -te da importância desse
[31:21] livro? Foi o prémio, não é? Sou
[31:26] uma pessoa em uma entrevistada, não, porque eu
[31:28] também não me lembro disso. Não
[31:29] te lembras? Não, não me lembro, porque eu
[31:32] percebo que, ou seja, depois põe disso no
[31:35] currículo e seja um momento determinante na medida em
[31:38] que o põe no currículo. Já foi há muito tempo também,
[31:40] era um prémio, nos eventos. Já
[31:40] foi há muito tempo. E a única coisa é que eu me
[31:44] lembrei que adorei o livro agora do concurso e de
[31:48] tudo o resto. Não me lembro, é absolutamente
[31:50] nada, até porque eu participei em todos os
[31:55] concursos, descrita a Plana Nacional Lituira e eu
[31:58] estudava numa escola do Grupo GPS, uma escola de
[32:01] contrato à defesão. E eles tinham também o
[32:04] concurso nacional GPS descrita que eu também
[32:07] ganhei uma das vezes em que participei. E
[32:11] eu participava em tudo e, portanto, a ciúma névoa...
[32:13] Então comeces a escrever para
[32:15] prémios? É, comeceis. Ou
[32:17] tinha já o hábito de ir escrevendo e percebes a
[32:19] isto aqui tem potencial para este prémio e isto
[32:21] tem para o outro. Eu tenho um blog desde os 13
[32:24] anos, não estou em erro, que se chamava coisas do
[32:26] coração, não é? Porque eu escrevei sobre nenhum
[32:29] rapaz gostar de mim e, então, eu escrevo desde
[32:35] sempre e desde sempre quis a escritora. Depois
[32:39] tive sorte, principalmente ali a partir do 8 ao 8,
[32:41] em que mudei de escola e fui para uma escola de
[32:44] contrato à associação do Grupo GPS, onde a minha
[32:47] mãe era professora, e tive sorte que fui me cruzando
[32:51] durante esses anos até ao décimo, segundo ano, com
[32:53] professores de português que me facultaram sempre
[32:58] ferramentas para eu tentar ir mais à lã e escrever
[33:01] cada vez mais e estávamos sempre a dizer, olha,
[33:03] participei neste concurso, neste concurso, e claro,
[33:04] depois faz, participando, de vez em quando, ganhas. E
[33:06] claro que o ganhar ou vencer dá outro ímpito, mas
[33:12] sempre foi o que eu quis fazer. Pois,
[33:16] eu estava a colocar a pergunta porque dizem que é
[33:19] algo perigoso só escrever para prémios, não ganhar
[33:23] aquele músculo de ir escrevendo, mas há pouco
[33:27] que dizias, leis todos os dias, escreves bastante.
[33:29] Sim, não, e eu escrevia neste
[33:30] blog desde os 13 anos, todos os dias, todos os
[33:34] dias escrevi um texto, e agora já não faço isso há
[33:38] muito tempo, mas há uns 2 ou 3 anos fui ao blog e
[33:41] tentei procurar a data. Ah, ele existe, não o
[33:44] arquivaste? Existe, porque eu acho que não se
[33:47] tem de ter vergonha nada do que se pensou nesse
[33:49] escreveu, faz parte da idade. E
[33:53] eu sei que, por exemplo, quando vou às escolas, eu
[33:55] sei que há meninos que depois vão ler o blog,
[33:57] então eu deixo. E então, eu tentei há 2 ou
[34:00] 3 anos procurar a data em que estava a fazer esta
[34:02] pesquisa há 10 anos. E é muito interessante como
[34:08] eu tive uma adolescência tão feliz na minha memória,
[34:12] mas no blog tive uma adolescência tão triste, e
[34:14] eu acho que isso é muito revelador e me é tempo
[34:17] espetivo. É, é muito revelador de quem
[34:20] sempre fui e de quem seria enquanto escritora. Isso
[34:24] é engraçado. Uma coisa que vos une a ti e
[34:28] ao João Tordo, é o facto de gostar em Do ano da
[34:31] morte de Ricardo Reigns. Andamos
[34:34] a falar muito deste livro no podcast, porque tanto o
[34:36] João Tordo como o Hugo Gonçalves, recomendaram -me
[34:38] aqui nos episódios, e é engraçado que eu ganhei um
[34:42] gosto adicional ao livro depois de eles falarem
[34:46] dele, porque eu até aí ponho um pouco o ano da
[34:48] morte um bocadinho de lado. Para
[34:50] mim, o mural do convento é mais edificante do que o
[34:55] ano da morte, mas eu entretanto relio o ano da
[34:57] morte e fiquei, não, realmente. Desde
[34:59] a permissa até à maneira como está escrito. É
[35:03] bastante bom. O que é que tem este livro
[35:05] para ti? Se é que tens aí o desafio
[35:08] de ler a obra intera de Saramago? Ah,
[35:12] eu acho que este é o meu... Desculpe,
[35:15] eu odeio dizer... Fazer contas? Não,
[35:16] eu odeio dizer, eu acho que este é o meu livro
[35:19] favorito, porque eu tenho que saber se é o meu
[35:20] livro favorito ou não. Agora,
[35:21] isto foi uma vengala, não é? Eu
[35:22] acho. Já percebi, já percebi. O
[35:24] meu livro favorito é o Anda Morte Ricardo Reigns.
[35:27] Mas podia ser acho na
[35:28] perspetiva em que pode aparecer outro, não é? Sim,
[35:31] mas não, é este. Mas é este? Há
[35:33] outros, mas este faz parte. Mas
[35:34] é o seu livro favorito de Saramago ou do seu livro
[35:35] favorito sempre? De Saramago, sempre não consigo
[35:39] dizer, mas o Saramago é o meu favorito daqueles que
[35:41] já li, naturalmente. E eu li -o a primeira vez,
[35:46] no décimo ano, por causa de um concurso, do concurso
[35:49] nacional de leitura, que era o livro obrigatório de
[35:50] leitura, para depois responder à parte de
[35:53] interpretação e escrita. Agora
[35:55] já voltou a ser de novo? Ah,
[35:58] é? Engraçado. E então eu li esse livro
[36:01] e na altura gostei, mas não adorei, porque crei que
[36:04] não terei percebido muito bem. E
[36:06] depois já li mais duas vezes uma delas, o ano
[36:09] passado. E realmente é, para além de,
[36:13] sem dúvida, a premissa é espetacular, a escrita é
[36:16] espetacular, e eu admiro a Usadia. Sim.
[36:19] Acho que a Usadia, de trazer Ricardo Reis, é...
[36:27] Não tenho mai palavras, é isso
[36:30] que me faz adorar o livro, é isso que me faz Polo em
[36:32] primeiro lugar neste pódio de leituras saramaguenas.
[36:36] Saramaguenas? Porque a Usadia de trazer
[36:40] um... De trazer um... um
[36:43] heterónimo criado por Fernando Pessoa e Polo na
[36:46] cidade e Polo a Sirandar, por onde o José Saramaguen
[36:51] também Sirandou, eu acho que é... acho
[36:53] que é a prova de que quando se cria, quando se
[36:58] é artista, se pode fazer tudo. Eu
[37:01] acho que é um exercício de liberdade que nem todos os
[37:05] criatores teriam coragem de fazer. E
[37:09] é aqui um promenor que eu já li o livro duas vezes
[37:12] e não me apercebi disso, não cheguei a pensar nisso.
[37:14] E tu falaste disso numa
[37:15] entrevista que é, Saramaguenas tem a Usadia,
[37:18] vou usar a tua palavra, de dar uma data de morte a
[37:22] Ricardo Reis, não é? Eu disse isso? Sim.
[37:25] É bom. É muito inteligente. Não,
[37:27] disse melhor nessa entrevista do que agora.
[37:29] Não, percego que eu trouxe.
[37:31] Obrigada, obrigada, é isso. Pode
[37:33] fazer para ser melhor. Obrigada,
[37:34] muito obrigada. Não, é muito bem. É
[37:36] mulher. Daí vai que nos encontramos.
[37:39] Por acaso estes microfones
[37:40] estavam aqui e decidimos falar. Mas
[37:43] é muito bem apontado por ti. Quando
[37:45] é que tu percebeses ter essa permissa? Ficastei
[37:47] nada a durar mais? Sim, eu acho que nem todos os
[37:51] livros nos proporcionam um momento de reflexão
[37:53] posterior. E isso acontece principalmente
[37:57] com leitores que leem muito e leiam a seguir ao outro,
[38:00] que é o meu caso. Infelizmente
[38:03] não são assim tantos os livros que passaram 3 ou 4
[38:05] dias, eu me volto a recordar deles e irrita
[38:07] muito. Quando alguém me pergunta o que
[38:09] foi o que me livre que leste e eu sei o título,
[38:11] mas de repente não sei absolutamente nada sobre a
[38:12] história e parece que estou a mentir. E
[38:14] isso terá que ver com, bem, os livros não serem
[38:18] tão marcantes assim. Ou nós lermos como ultimamente
[38:23] consumimos tudo o resto e, portanto, as coisas duram
[38:26] um pouco em nós. E o ano da morte Ricardo
[38:28] Reis é um livro que dura muito e eu acho que o
[38:31] passar do tempo faz encontrando determinadas
[38:33] coisas que não te ocorreram quando da leitura e essa
[38:37] foi uma delas. Qual é que é o período de luto
[38:40] entre as pessoas que tens entre cada livro? Pegas
[38:43] logo no outro a seguir ou varia muito? Vai
[38:47] variante, mas diria que se acabar de ler um livro
[38:49] hoje, a hora da almoço, hoje a noite começa outro,
[38:53] a manhã de manhã depende. É
[38:55] importante referir que eu também tenho muito tempo de
[38:58] livro, porque eu não gosto de dizer... Eu
[39:02] sou muito perfeleciada no que faço e... Não,
[39:05] mas há quem tem uma vida muito aterefada e também
[39:07] lê, não é por aí, não tens de preocupar. Vamos
[39:12] ao nosso último livro, ou ao teu último livro, para
[39:15] dar uma... A pronuncia, mas uma pequena
[39:17] vida de Anya Agarra. Melhor de eu lhe diria, sim. Já
[39:21] vi isso. É porque já vi a Rita da
[39:23] Nova e a Joana dizerem muitas vezes. O
[39:27] que é que te fez trazer este livro, que de facto é
[39:32] um calhamaço? Olha, eu adorei este livro e,
[39:37] contrairamente àquilo que acabei de dizer de muitos
[39:40] livros, não ficou em nós durante muito tempo, este
[39:43] livro eu lio em janeiro do ano passado, 2023, e não
[39:49] há uma semana em que eu não me lembro da personagem
[39:52] principal. E não sei se já viste aquele
[39:56] jogo, digamos assim, que está muito em voga agora
[40:00] nas redes sociais dos homens, tem o Roman Empire,
[40:03] que é a transição. O meu Roman Empire é uma
[40:07] pequena vida. É um livro que, na minha
[40:11] opinião, está muito bem escrito e traduzido, e é
[40:14] uma diversão em português, apesar de conseguir e
[40:18] custar de ler inglês, o livro era muito grande. Mas
[40:21] prefere as traduções, não é? O
[40:22] livro era muito grande e eu percebi que ia demorar
[40:25] muito tempo a ler -lo inglês e estava muito
[40:27] curiosa e sedenta para avançar na leitura, e,
[40:30] portanto, acabei por adquirir a versão traduzida
[40:33] para português. O livro está muito bem
[40:35] escrito e traduzido. As personagens são muito densas
[40:41] e, é impossível, custa mais acreditar que eles não são
[40:45] pessoas reais e que um dia eu não vou estar em Nova
[40:47] York e não me vou cruzar com elas. E
[40:50] a história é... Acontece -lhes de tudo, não é? Pelo
[40:52] menos há personagens principais. Sim,
[40:54] e é uma história muito dramática e muito viva
[40:58] sobre como é que as pessoas vão reerguendo,
[41:02] elevando porrada, elevando -se novamente. Foi
[41:06] um livro que muito tocou, muitoíssimo, é um livro que
[41:08] mete nojo. Houve várias passagens do livro
[41:12] Cli, arrepiada, mal disposto, enjoada. Você
[41:16] vai se parar, puxar o livro, respirar. Sim,
[41:18] e eu acho que isso é tão bom e é tão raro e a
[41:21] coragem de fazer, de escrever assim, é precisa.
[41:25] E é preciso as pessoas terem
[41:26] nojo e terem medo, faz parte. Já
[41:28] leste mais alguma coisa da Ania? Sim,
[41:31] Lee To Paradise, que também já está traduzido, creio
[41:34] eu, em Portugal, não me recordo por quem. Não
[41:38] sei dizer também. Mas não costei tanto, costei
[41:43] muito mais de uma pequena vida. Mas
[41:45] eu acho que também, eu gostei tanto do livro que
[41:47] era difícil. Recomendo muita leitura. É
[41:51] masoquista nas colhas de leitura? Sim,
[41:54] eu gosto de ler livros que me marquem. Não
[41:59] é, porque para ver coisas, para perder tempo passa
[42:03] expressão. Com coisas que vão passar e
[42:06] que não me vou lembrar, tenho as redes sociais, em
[42:09] que também passo algum tempo, nomeadamente porque
[42:11] uma parte do meu trabalho tem que ver com isso. E
[42:16] eu gosto, quando estou a ler, gosto de sair
[42:18] diferente do que leio. É isso. Isso
[42:21] é bom, isso é bom. Queria voltar a se calhar ou a
[42:26] tua longa metragem para o cinema? Já
[42:29] vai poder ser visto este ano? Ah,
[42:32] não, não. Não posso dizer nada, eu acho.
[42:34] Não, não, não posso dizer ou
[42:35] não, não vai ser visto? Ambos.
[42:37] Ambos? Sim, sim, sim. Pronto,
[42:39] eu tento. Eu te tenho. Faltas
[42:41] parte do Clube das Milhaes Escritoras. O
[42:42] que impacta é que essa irmandade achas que tem no
[42:46] mundo da literatura? Porque o clube já existe há algum
[42:50] tempo, acho que fez há um ano, há pouco tempo que eu
[42:53] recebi a newsletter, mas... Não
[42:57] se fala assim tanto, além de se tivermos atentos,
[43:00] fala -se, mas não se reviu muito... Agora
[43:05] eu vou fazer aqui uma pausa para Maria Francisco,
[43:07] a beber um glin de água. Obrigada.
[43:09] Ora é essa. O que impacta é que achas
[43:11] que tem tido? São muito presentes, por
[43:14] exemplo, na Fara do Livro, que ainda agora vai ter
[43:17] mais uma edição. E lá estaremos no dia... Não
[43:21] sei quando é que o episódio vai ser, vale a
[43:23] pena fazer a promoção? Pode sim. Sim,
[43:25] vamos estar na Fara do Livro, na Praça Amarela, o
[43:28] Clube das Milhaes Escritoras, no dia 6 de
[43:31] junho, às 7h30, para uma conversa sobre a literatura.
[43:37] Já vos meteram numa praça
[43:38] grande, mesmo antes de ver? Quando
[43:40] deram -me para nós, estamos no Pacto do Rocking Rio.
[43:43] Não, acho que... O
[43:45] clube, para mim e para nós, que eu posso falar
[43:49] por todas, tem tido uma importância, sem palavras,
[43:53] na exigência que temos no nosso trabalho. Porque
[43:56] a partir do momento em que conheço o trabalho das
[43:58] outras escritoras, percebes que isto é... a
[44:02] competição, digamos assim, é fóss. A
[44:05] competição, no sentido de se está a se inscrever
[44:07] muito bem em Portugal e as escritoras... Acredita
[44:10] -se que se está a se inscrever bem em Portugal?
[44:12] Acredita -se, muito bem. É
[44:14] claro que haverá bons livros e módulos com atas.
[44:17] E que tu mais recomendar
[44:17] bastantes mulheres escritoras? Sim,
[44:20] e posso fazê -lo também aqui hoje, com muito gosto.
[44:24] Deixas a lista. Sim,
[44:26] queres só fazer... Desplicar que quando disse competição
[44:28] fóss, não é que nós computamos umas com as
[44:30] outras. Vocês percebem? Não
[44:31] percebeu -se sim. É no sentido em que uma
[44:34] coisa é nós... eu escrever e não ler livros
[44:39] escritos para outros escritores portugueses, e,
[44:41] portanto, estar no alto da minha ignorância a dizer o
[44:44] meu livro é ótimo, outra coisa completamente diferente
[44:46] é ler aquilo que outros escritores portugueses
[44:48] escrevem e perceber que realmente escreve -se muito
[44:50] bem e que se eu quero fazer parte desse lote dos
[44:53] bons escritores, tenho que trabalhar muito. E
[44:55] isso é o que nós vemos no clube. Achas
[44:57] que estás a fazer esse caminho? Sim,
[45:00] tenho a certeza que estou a fazer esse caminho agora.
[45:02] Se já cheguei a meta ou não,
[45:03] não faço ideia e cada leitor diz que dirá... Cabe
[45:05] aos letras. Sim, mas que estou a fazer esse
[45:07] caminho que estou. Agora, de que forma é que o
[45:11] clube tem contribuído para a literatura? O
[45:14] nosso objetivo primordial é fazer com que um mercado
[45:18] literário seja cada vez mais inclusivo e que seja
[45:22] cada vez menos pelo género, mas sim pela qualidade, que
[45:27] um livro está ou não destacado numa livraria, que
[45:30] uma mulher publicou o seu manuscrito numa boa editora,
[45:34] e é nem a sentido que temos trabalhado. O
[45:36] clube não é sobre quem eu compoio, é para fora.
[45:39] Pronto, isso é também muito
[45:40] importante. Queres inumbrar mais ou menos quem
[45:44] faz parte do clube, até para podermos seguir essas
[45:48] autoras e procurar nas livrarias o livro de Deus.
[45:51] Então vamos a isto, agarre nos
[45:53] vosso blocos de notas. Ora bem. Então,
[45:55] Filipe Afonsoca Silva, Sara Roddy, Rita da Nova, Léonia
[46:00] Rufino, Cristina Drios, espera, a Cláudia Lucachel.
[46:07] Sim, Cláudia. Estou
[46:08] a ficar muito nervosa. A Joana Berto. A
[46:10] Joana Berto. A Maria Francisco Gama. Não
[46:13] sei quem. É que vale menos a pena.
[46:15] Depois a Joana Caboqui. A
[46:17] Ferry. A MG Ferry. Rita
[46:20] Cruz. Vamos a isto, ajuda -me. Não
[46:23] sei mais. Ai, espera. Vamos
[46:25] buscar uma nota. Não se vão embora. Não
[46:26] se vão embora. Tem que ter mais um clima. Nós
[46:28] trazemos já... E também tem agora a
[46:31] oportunidade de as ver, como se fossem fazer um
[46:34] espetáculo. É perto. Na
[46:36] feira do livro. Então, vamos a isto. Já
[46:40] tem isto, que acho primeiro que eu. Uma
[46:41] falda Santos. A Gabriela Relvas. A
[46:45] Gabriela Ruivo. A Carle M. Suárez.
[46:49] A Feli Pamurim. A mais recente membro do
[46:52] Clube das Mias Decretoras. A
[46:53] Dulce Maria Cardoso. A Madalena Saffernandes. Não
[46:57] fazem parte do Clube. Ah, não fazem? Estão
[46:58] ouvindo mal nenhuma. Mas estão convidadas. Não,
[47:02] claro que estão convidadas. Como
[47:03] é que funciona isso? Vou só terminar aqui só para
[47:05] não esquecer ninguém. A Maria Bravo. A
[47:08] Maria Brânia. A Cristina Silva. A
[47:09] Valentina Silva Ferreira. A Maria Brânia. A
[47:14] Martinsa Oliveira. A Martinsa Oliveira. E
[47:16] a Sélia Correia Loureiro. A Martinsa Oliveira. A
[47:19] Martinsa Oliveira. A Martinsa Oliveira. Eu
[47:21] posso rever a lista e qualquer coisa deixo na
[47:25] descrição. Os nomes para que não os
[47:28] falte nada. Pois eu estava acrescentado dois
[47:32] nomes que estão absolutamente convidadas, mas
[47:35] o brilho foi um pouco de recomendações. É
[47:38] que para pertencer ao Clube o que é que aconteceu
[47:43] fazendo a partilha mais honesta possível. A
[47:46] verdade é que quando nós começamos em março do ano
[47:48] passado nós não sabíamos o que é que o Clube ia ser.
[47:51] Começou com uma coisa muito
[47:52] informal em que nos encontravamos para conversar
[47:55] e partilhávamos entre todas um ofício que é o da
[47:57] escrita e depois ao longo do tempo fomos nos
[48:01] profissionalizando. Em que sentido? Temos
[48:03] duas newsletters, por mês, uma informativa e outra
[48:06] literária com testes inéditos. Temos
[48:08] um Instagram, temos vários eventos para os quais somos
[48:13] convidadas e a maioria deles são, infelizmente,
[48:16] para o Bón, ou seja, sem qualquer pagamento. E
[48:21] nesse sentido o Clube deixou de se tornar uma
[48:23] coisa informal e passou a se tornar uma coisa onde é
[48:26] preciso lontariar -se e é preciso estar disposta ao
[48:29] final de um dia em que se está a escrever ou fazer o
[48:32] outro trabalho qualquer, ir para o computador e porque
[48:34] se disse que ia escrever para aquela newsletter,
[48:37] escrever -se para aquela newsletter. E
[48:39] nós somos exigentes e temos toda uma linha de montagem
[48:41] na semana em que uma escreve, há uma que rever
[48:45] e há outra que a seguir rever a revisão da anterior
[48:48] e, por isso, para manter a excelência e para o Clube,
[48:52] os meus escritoras, ser um exemplo e uma amostra
[48:57] daquilo que a mulher escreve em Portugal há
[49:01] exigência. E a exigência faz com que
[49:04] algumas escritoras não estejam presentes porque têm
[49:08] vidas muito atrefadas, por exemplo, e não conseguem
[49:10] contribuir para a newsletter e não conseguem ir aos
[49:13] eventos e têm apenas que ver com isso. Portanto,
[49:16] é isso. Se forem escritoras e estiverem
[49:18] publicadas de meditora tradicional, que é esse o
[49:20] crito que nós conseguimos mais ao objetivo possível
[49:23] para garantir que ninguém está no Clube a pagar para
[49:27] escrever, o que não é o objetivo, dado que isto é
[49:30] uma profissão, podem candidatar, digamos assim,
[49:34] podem sentir -se convidadas a integrar e o Clube.
[49:37] Saibam, é que isto é para
[49:38] trabalhar. Trabalhamos todas de bórlala com o
[49:41] objetivo de tornar o mercado literário mais
[49:43] inclusivo. Muito bem. É
[49:45] uma boa iniciativa para seguir. Obrigada.
[49:48] Queria terminar este episódio com uma música que
[49:50] faz parte da banda sonora de Dia Cicatris, e com a
[49:53] qual as personagens acordam no Rio de Janeiro. São
[49:56] as palavras de Cicobarca em Samba do Orli do álbum
[49:59] Construção. Por acaso não sabes estas
[50:00] letras? Decor? Decor, não. Vai
[50:03] meu irmão, pega essa vião, você tem razão de correr
[50:07] assim desse frio, mas veja o meu Rio de Janeiro antes
[50:10] que um aventureiro lança mão. Lança
[50:12] mão, aliás. Queria terminar com estas palavras
[50:15] e vai buscar o livro. Obrigada.
[50:18] Obrigada, eu. Muito obrigado. Muito
[50:23] obrigado. Muito obrigado. Muito
[50:25] obrigado. Muito obrigado. Muito
[50:25] obrigado. Muito obrigado. Muito
[50:25] obrigado. Muito obrigado. Muito
[50:29] obrigado. Muito obrigado. Muito
[50:31] obrigado. Muito obrigado. Muito
[50:33] obrigado. Muito obrigado. Muito
[50:38] obrigado. Muito obrigado. No
[50:42] meu episódio 15 de Almentas Segundas, boas leituras.

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